Sem Fim - April Kroes

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Copyright © 2018 April Kroes Sem Fim 1ª Edição Capa: Alessa Ablle Diagramação digital: April Kroes Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos que aqui serão descritos, são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência. Esta obra segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa. É proibido o armazenamento e/ou a reprodução de qualquer parte dessa obra, através de quaisquer meios, sem o consentimento escrito da autora. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela lei nº. 9.610./98 e punido pelo artigo 184 do código Penal. Todos os direitos reservados. Edição Digital | Criado no Brasil.

ÍNDICE ​Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13 Capítulo 14 Capítulo 15 Capítulo 16 Capítulo 17 Epílogo Agradecimentos Contatos

​Liz Gravel “Talvez podemos ser, podemos ser ser a companhia um do outro.” Company – Justin Bieber

Eu tinha uma dúvida sobre New York, ela era mesmo a cidade que nunca dorme? Eu me perguntava isso todas as vezes em que eu e Amber conversávamos sobre nossa mudança. Eu sabia desde o começo que algo grande esperava por mim aqui, só não fazia ideia do quão grande seria. Alto, olhos azuis, cabelos grandes e loiros — melhor que o meu — e um corpo que parece que foi esculpido e dado somente a ele. Jesus Cristo, ou melhor, Henry Carter veio para mim. De todas as pessoas existentes, eu acreditei que Henry seria a menos provável que eu me relacionaria, engano meu. Nossas semelhanças foram apenas um mero detalhe diante a nossa cumplicidade, nós somos bons demais juntos e quanto mais eu o tinha, mais eu o queria. Isso me assustava como um inferno, não era para ser assim. — Droga, Liz! — Ele rosna, chamando a minha atenção e eu o ignoro apressando meus passos. — Não dê as costas para mim, quem era aquele cara? — Dylan, um velho amigo. Não tanto amigo assim e muito menos velho. — Um velho amigo? Desde quando você tem amigos aqui em Manhattan, além dos mesmos que eu tenho? — ele questiona, agora andando ao meu lado. — Henry! — exclamo baixo, para não chamar a atenção das pessoas que estão andando pelas ruas em nossa volta e paro de andar. — Eu não tenho que te dar satisfações de nada, você não é nada meu e isso aqui. — Aponto para mim e para ele. — Não significa nada, sem sentimentos se lembra? — relembro, o que propusemos um ao outro quando decidimos ficar sem compromisso. Sem cobranças, sem sentimentos. — Depois de três meses é isso que você tem para me falar? Que isso aqui não significa nada Lizzie? Nada? — ele pergunta cético, e solta uma risada sarcástica. — Então eu posso ficar com outras e você não vai mais reclamar sobre isso? Perfeito então. Ele vira o rosto e volta a andar me ignorando.

Não fiz questão de falar com ele e nem ele comigo, fizemos o caminho até o prédio em silêncio, silêncio que se permaneceu até entrarmos do elevador. E eu não aguentava mais ficar sem falar com ele, não tinha nem vinte minutos que estávamos em silêncio e eu já sentia falta de ouvi-lo. As portas mal se abriram e eu saí correndo do elevador e entrando no apartamento, batendo a porta atrás de mim. Liam e Amber estavam deitados no sofá e pouco me importei se eu os atrapalhei, todos têm dias ruins, até mesmo eu. Ele não me seguiu e eu fiquei imensamente grata por isso. Eu precisava de alguém para conversar, alguém que soubesse as palavras certas e Amber no momento não seria a pessoa mais qualificada para isso. Eu quero que ela pense nela mesma e no seu próprio relacionamento, não em mim. Procuro meu celular dentro da bolsa e ligo para a melhor conselheira depois de Amber, minha mãe. Meus pais são as pessoas que eu mais amo nessa vida. Não foi uma tarefa fácil deixá-los para seguir a carreira dos meus sonhos, mas ter o apoio e ouvir da boca deles viva o seu sonho, é a minha maior motivação. Eu ainda vou trazê-los para perto de mim e dar muito orgulhos a eles. — Filha! Que bom que você ligou, seu pai e eu queremos contar algo a você — mamãe diz animada ao me atender. — Espero que seja coisa boa — murmuro tentando soar animada, mas sem sucesso. — Que voz é essa, querida? Eu sabia que tinha algo de errado acontecendo, Alec tem algo acontecendo com a nossa filha. Ouço-a gritar e ruídos no telefone. — Liz? — meu pai me chama. — Milorde, disponha — brinco e ele ri. — Não estou vendo nada de errado com ela Daisy. — Se eu estou falando que tem algo de errado com ela, é porque tem. Eu a coloquei no mundo, conheço melhor que ninguém — ela retruca. — Você vai nos contar o que está acontecendo ou eu precisarei pegar um avião e ir conferir pessoalmente, Lizzie? — Mãe! Não me chama assim — resmungo, e ouço os dois rindo. Solto um suspiro cansado e sob protestos deles pergunto: — Quando você soube que estava apaixonada pelo papai?

— Então é isso? — Ela ri, enquanto meu pai resmunga. — Querida, preste bem atenção no que eu vou te falar. Faço um som com a boca, confirmando e roo minha unha, em agonia. — Nem sempre nós sabemos explicar quando aconteceu, como foi e como sabemos. A única coisa que nós temos é a certeza e isso quando já estamos apaixonados, eu descobri quando não me vi sem ele, eu precisava vê-lo passar em frente à loja todos os dias. Quando ele não passava era como se o dia ainda não tivesse começado, era diferente e eu precisava dele para meu dia ser completo. Foi aí que eu tive a certeza de que ele era o príncipe das histórias que a sua vó contava. — Príncipe, mãe? Que careta — digo, e reviro meus olhos, sem conter um riso. — Você me chama de Milorde, isso só confirma que eu sou o príncipe que a sua mãe sempre esperou — meu pai se intromete. — Não amola a garota Alec — minha mãe o repreende. — Você está apaixonada, filha? — Não sei, mãe — respondo sincera. — Ele te faz se sentir única e especial? Quando você está com ele, como se sente? — É estranho, ao mesmo tempo que eu quero correr para longe dele, eu quero ficar perto. Ele é diferente de todos, eu não consigo ficar brava com ele, não consigo evitá-lo e já estou sentindo a falta dele nesse exato minuto. — Lizzie, pode vindo para casa imediatamente — meu pai brada. — Deixa a garota ser feliz, ela já passou da idade de se relacionar com alguém, você tem que aceita que a nossa garotinha já é uma mulher — minha mãe o repreende mais uma vez. — Eu não posso acreditar que a minha Liz está apaixonada, quem é o infeliz? — Pai! — Agora é a minha vez de repreendê-lo. — Eu acho que eu gosto dele. — Filha, achar não é ter certeza. Não diz isso enquanto não se sentir pronta, mas não fuja do que está sentindo e do que lhe faz bem. Ouço batidas na porta e caminho até ela, abrindo-a e vendo Amber com Snow no colo parados na minha frente. — Com quem você está falando? — ela sibila e eu leio seus lábios,

respondo da mesma forma, dizendo que é com meus pais. Ela entra no quarto e senta na minha cama. — Mãe, eu tenho que desligar, mas antes, o que vocês queriam me contar? — Primeiro resolva a bagunça que está seus sentimentos, depois nós conversamos sobre isso, oportunidade não vai nos faltar. — Tudo bem, mãe. — Liz? — meu pai chama, antes de desligar. — Confie em você, minha menina. Nós te amamos. — Eu também amo vocês pai, muito. Desligo a ligação e levo a minha mão com o celular no peito, eu os amo tanto. Tanto. — Eles são muito orgulhosos de quem você é, Liz — Amber diz, sorrindo. — Eu não tenho tanta certeza disso. Coloco meu celular em cima da mesinha do computador, me sento ao lado dela na cama e solto um suspiro longo. — O que é isso que vocês dois, tem afinal? — ela pergunta, se referindo a Henry. — Eu não sei e se importa se não falarmos disso agora? Minha mãe disse coisas que me deixaram confusa, eu não sei o que fazer. — Só siga o seu coração e faz o que é melhor para você, mas não se prive de ser feliz por um medo bobo. Ele certamente gosta de você. — Eu não tenho tanta certeza assim. — Você não pode ter certeza sem antes saber dele mesmo. — Eu odeio você — digo, sabendo que ela tem razão. — Eu amo você, nunca se esqueça disso — ela responde e beija meu rosto. — Vamos descer, os meninos pediram pizza. — Ele ainda está lá embaixo? — pergunto e ela assente. — Eu só vou porque estou com fome. — Acredito — ela debocha, com um sorriso no rosto. Descemos juntas e quando estou prestes a pisar no último degrau da escada, ouço a voz de Henry. — O problema não é se, eu gosto dela. E sim ela gostar de mim, você fala que Amber é o diabo, isso porque não se envolveu com a Liz. Perto dela a Amber é um anjo. Essa mulher não gosta de ninguém a não ser dela mesma, sabe

qual é o problema dela? Ela não quer, mas também não quer que ninguém tenha, eu sou solteiro e não devo satisfações a ninguém, eu vou levar para a minha cama quantas eu quiser e ela não tem nada a ver com isso. — Eu também não te devo satisfações alguma, eu beijo quem eu quiser Henry, eu durmo com quem eu quiser, eu sou minha, apenas minha e você não tem o direito de interferir na minha vida e dizer com quem eu devo ficar ou não, você quase esmurrou o Dylan seu imbecil — exclamo irritada e termino de descer a escada. Ele gosta de mim. Ele vai levar para cama quantas quiser. Duas frases que ficaram gravadas na minha cabeça. Uma boa e uma ruim. E todas as duas me impulsionaram a continuar, mas tinha um problema, eu não sabia se eu estava pronta para gostar de alguém e corresponder a Henry da forma que ele esperava. — Sabe de uma coisa? — Amber indaga atrás de mim, olhando para mim e depois para Henry, que está sentado ao lado de Liam. — Vocês que se resolvam, o mais cômico é que os dois se conheceram com o lema de não me apaixono, não vou me envolver, somos parecidos demais, vamos nos dar bem e somos a dupla perfeita. E olha que legal, se apaixonaram um pelo outro em três meses. Noventa dias nesse lema e o próprio lema de vocês os uniu, vocês se resolvam ou continuem nesse lema, mas vão discutir isso bem longe de mim. — Eu não tenho nada para conversar com ele — rebato. — Sim, você tem! Liam e eu vamos subir e quando descermos eu espero que vocês tenham se resolvido ou não, que seja — ela me interrompe, e chama Liam com a mão. — Nos chamem quando a pizza chegar e não se matem — Liam diz ao se levantar e sumir com Amber pela escada. — Maravilha — resmungo e me sento na ponta do sofá sem encará-lo. — Você está agindo como uma criança — Henry começa, mas engole em seco quando eu viro meu rosto e o encaro de cara fechada. — Eu gosto de você Liz, mesmo sendo doida, eu gosto do seu jeito doido. — Você acabou de me chamar de doida? — indago cética. — Eu falo que gosto de você e a única coisa que você ouve é isso? — ele pergunta ofendido. — Eu não insisto mais, basta Liz. — Henry eu — tento falar, mas ele abana a mão com desdém, sinalizando que o assunto havia se encerrado. — Mas... — Eu disse que já chega Lizzie! — exclama bravo. — Eu tô fora.

Ficamos em silêncio por um bom tempo, só ouvíamos uma música baixinha vindo do andar de cima, até que a campainha tocou. Ele se levantou para abrir a porta revelando, Tyler, Brandon e Violet. — Que bom que vocês chegaram — Henry diz ao dar passagem para eles entrarem. — Eu pedi mais pizza assim que o Tyler mandou mensagem avisando que estavam vindo para cá. — Cadê a Amber? — Violet pergunta. — Está ouvindo essa música? — digo, apontando para o andar de cima e Violet assente. — São eles tentando despistar. — Huh, Beyoncé — Brandon murmura, se sentando no sofá. — Lap dance ou strip? — Eu não quero imaginar a minha melhor amiga fazendo essas coisas, dá para mudar de assunto? — Tyler resmunga, se sentando ao meu lado. — Que bicho te mordeu? — ele indaga. — Nenhum. — Até parece que eu não te conheço. Essa era uma verdade sobre Tyler, ele me conhecia muito, muito bem. — Nada que seja tão importante assim. — Dou de ombros. — Animado para ir à Hamptons amanhã? — pergunto. — Bastante e você? — Talvez eu esteja.

Estávamos no estacionamento do prédio decidindo quem iria com quem. Decidindo não, isso já era algo decidido e claro, já que o carro de Liam só cabia ele e Amber. Merda de conversível. Eu não queria ir com Henry, mas não tive escolha e aqui estou eu, dentro do carro dele, enquanto ele segue o carro de Liam. — Quer ouvir música? — ele pergunta, quebrando o silêncio que nós mantínhamos. Estávamos sem nos falar desde ontem à noite e essa foi a primeira vez no dia que ele se dirigiu a mim para dizer algo. — Tanto faz, pretendo dormir mesmo.

— Liz, eu não quero ficar assim com você. — E nem eu Henry, mas foi você que veio por esse caminho. Não eu. — Eu não quis te ofender quando te chamei de doida — ele se explica. — Eu sei que não e nem me ofendeu, eu só estava tentando fugir desse assunto. Eu não estou pronta para dar um passo a mais, não ainda — murmuro, e viro meu rosto para olhá-lo de perfil. Eu adoro quando ele prende suas lindas madeixas loiras em um coque, deixa seu rosto mais visível para que eu possa admirá-lo mais do que já faço. E com intenção ou não de me provocar, ele está exatamente do jeito que eu gosto agora. Queria tanto tocá-lo, mas detenho a minha vontade. O carro para no sinal e ele aproveita para virar o rosto para me olhar. — Um dia você vai estar? — ele pergunta, quebrando o silêncio mais uma vez. Sua voz tinha uma ponta de esperança, e eu me senti mal por isso. Um dia eu estaria pronta? Eu não sabia o que responder, na dúvida eu fiquei em silêncio e um grunhido de frustração saiu da sua boca. Já tinha uma hora e meia que estávamos na estrada, não seguíamos mais o carro de Liam, Henry sabia o caminho então ficamos para trás. O silêncio já não existia mais, o som do carro foi ligado e uma música tocava baixinho. — Eu preciso ir no banheiro — murmuro. — Eu vou parar no posto para abastecer e enquanto isso você usa o banheiro — ele informa, eu aceno com a cabeça concordando. Foram mais alguns minutos de silêncio até que ele parou o carro em um posto na estrada. Enquanto ele abastecia o carro, me dirigi para a loja de conveniência a procura de um banheiro, o que não foi difícil de achar. Quando abri a porta para sair do banheiro, fui arremessada novamente para dentro. Henry entrou em seguida e trancou a porta, seu olhar era felino e o azul dos seus olhos alcançou um tom mais escuro. — Eu não aguento mais ficar longe de você — ele murmura, se aproximando até me prender na parede atrás de mim. Seus braços estavam em cada lado do meu corpo, impedindo que eu saísse. — Me diz o que fazer com isso Liz, porque eu não sei. Eu estou me apaixonando por você e eu acho que é tarde demais para resolver isso. Meu estômago doía, parecia que eu estava prestes a vomitar, tudo dentro de mim se revirava e eu não sabia o que ele queria que eu dissesse. — Merda Liz, eu não vou desistir de você se é isso que você espera, ao

menos que você queira isso — ele fala, em agonia pelo meu silêncio. — Henry — murmuro, apertando minhas mãos na barra da sua camisa. — Me beija, agora! — peço, fitando seus incríveis olhos azuis e mal consigo respirar quando os lábios dele finalmente pousam nos meus. Um dia sem beijá-lo parecia uma eternidade. Ele era tudo aquilo que qualquer mulher desejaria em ter, qual era o meu problema em apenas aceitar e pegar tudo que ele tem para me oferecer? Ele afasta seu rosto do meu, cessando nosso beijo e trazendo meu lábio inferior preso a seus dentes. Seus braços me envolvem pela cintura e soltando meu lábio, ele começa a mordiscar meu pescoço, meu queixo, minha orelha e aos poucos suas mãos vão subindo a minha blusa e tocando a minha pele, seu toque quente e eletrizante me aquecia. — Como eu senti falta disso, do seu cheiro — ele sussurra, soltando um suspiro em minha nuca, me causando arrepios. — Dos seus lábios, de você baixinha. A rouquidão da sua voz me faz estremecer, meu corpo reage a ele de uma forma que nunca reagiu a alguém, só Henry causava isso em mim e se continuássemos aqui, isso não iria acabar bem, não em uma loja de conveniência de um posto de gasolina. — Henry — murmuro com sofreguidão. — Temos que ir. — Eu sei... Não quero voltar para a realidade onde você vai me afastar. — Eu não quero te afastar, eu quero você. Seus lábios me atacam novamente e eu me permiti me degustar daquele sabor de menta que ele tinha nos lábios até não poder mais, seu corpo espremia o meu na parede daquele pequeno banheiro. Sua ereção estava sendo pressionada em minhas coxas e suas mãos apertavam meus seios por debaixo da blusa, gemidos escapavam dos meus lábios e com um grunhido frustrado ele se afastou. — Merda Liz, temos que ir — ele resmunga contragosto, aceno concordando incapaz de dizer qualquer coisa. Uma hora depois estávamos estacionando o carro em frente a uma glamorosa casa de praia azul. — Uau — digo, ao sair do carro e observando a casa que deveria ser dos pais de Amber ou dos pais de Liam. — Foi a mesma coisa que eu disse quando vim aqui pela primeira vez — ele diz e abre o porta-malas retirando nossas malas.

Nós nos acomodamos nos quartos que Amber havia nos indicado, não sei como as coisas iriam funcionar entre ela e Liam com os irmãos por perto, mas só sei que essa vista para o mar é maravilhosa.

Eu tinha aproveitado a maior parte da manhã no sol e no mar na companhia de Violet, já que Amber e Liam tentavam dar uma escapada. E eu precisava da minha melhor amiga para conversar. Felizmente eu tive a minha melhor amiga após o almoço, enquanto os outros se animaram para jogar vôlei, Amber e eu estávamos deitadas na areia até Liam chegar e roubar nosso sol. — Am, vamos entrar na água? — chamo, me levantando. Liam que me perdoe, mas eu preciso dela agora. Fizemos o caminho pela areia em silêncio, coloquei o pé na água e ela estava mais gelada que mais cedo. — E você e Henry? — Amber pergunta, quebrando o silêncio. — O que tem eu e Henry? — retruco de volta. — Estão bem de novo ou não? Pelo o que eu vi, vocês parecem bem, até demais. Entro no mar sendo seguida por Amber e solto um suspiro, eu não sei se ela vai me entender. Ela é apaixonada pela mesma pessoa desde que era adolescente, eles têm uma história juntos e eu e Henry temos o quê? Nada. — Eu não quero me apaixonar por ele Am, me apaixonar por alguém está fora de cogitação e você sabe disso, mas há alguma coisa nele que sempre me puxa quando ele está por perto. Quando ele está longe eu não me importo tanto assim, mas quando ele está perto tudo gira em torno dele. — Você já é apaixonada por ele, só não enxerga isso, vai ficar se negando até quando? Ou vai esperar outra vir e tomar seu lugar? Eu não vou dar colo para ninguém chorar, sou péssima nisso e é sua tarefa fazer isso por mim. — Você está blefando Am, eu não gosto dele — muito menos estou apaixonada, completo em pensamento. — Então tá bom, já que você não gosta dele, não vai se importar que ele esteja conversando com duas mulheres ali na areia né — ela menciona, dando de ombros e sinto meu coração bater descompassadamente.

— O quê? Onde? — Minha voz saiu mais alta do que esperava e meus olhos buscam por Henry em desespero, mas eu não o encontro. — Pensei que não se importasse. Quer prova maior que essa que você gosta dele, Lizzie? Nem precisa, porque você sabe que gosta e não quer aceitar isso, ele pelo menos aceita que gosta de você. Já você trata isso como um absurdo. — Eu só tenho medo de me machucar, eu nunca tive um relacionamento de verdade por causa disso e — faço uma pausa, antes de admitir não só para ela, mas para mim também. — Henry aparece e faz tudo ser diferente — desabafo e volto a olhar para ela. — Eu sei como você se sente, mas não vai saber se não arriscar concorda? — Aceno concordando e prendo meus lábios entre os dentes. — Então vai que o bonitão cabeludo é seu, baby. — Se der errado, promete que você vai estar ali para me amparar? — pergunto e seu sorriso diz tudo. Ela estaria ali para mim, ela sempre está ali. — Mas que pergunta idiota, é claro que eu vou estar mesmo sabendo que as chances de isso acontecer são mínimas. Jogo água em seu rosto ignorando o que ela havia dito, essas certezas que ela tem me assustam. — Huh, olha quem está vindo para te esquentar nessa água gelada, eu vou deixar vocês sozinhos. Olho fixamente para Henry, fazendo uma pequena vistoria rápida no corpo dele enquanto ele entra na água. Um par de ombros largos, um peitoral definido, um abdômen tanquinho, um maravilhoso corpo seminu, apenas com uma sunga molhada e cabelos presos vindo para mim. Jesus Cristo, eu sou sortuda! — Não Am, fica aqui, por favor — peço, ela se afasta antes que eu possa segurar seus braços. — Isso é algo entre vocês, considere isso como um agradecimento por ter me deixado dormir na casa do Liam — Amber fala cínica, e ao passa por Henry joga água nele. — Só não te afogo porque você está no seu habitat natural — ele atira e mergulha, vindo em minha direção. — Ai meu Deus do céu, ele está vindo para cá — murmuro para mim mesma. — Eu pensei que fosse Jesus Cristo. — Ouço-o falar atrás de mim e sinto

quando suas mãos seguram a minha cintura, alisando cada lado delas. Viro-me ficando de frente para ele e fito seus olhos, como eu amo esses olhos azuis. — O que você tanto me olha? — ele indaga, sorrindo. — Eu não estou pronta — começo e seus olhos perdem o brilho —, mas eu quero tentar, eu quero arriscar até estar pronta, se for para estar pronta eu quero estar com você e para você. Vai ter dias em que você vai me odiar, eu sei. Outros em que vamos nos matar e aqueles em que vamos estar nos querendo desesperadamente. Mas eu quero Henry, eu quero estar pronta para você. — Liz eu... — Não fala nada, só me aceita do jeito que eu sou e diz que vai esperar que eu esteja pronta. — Eu vou esperar por você o tempo que for preciso — ele afirma convicto, e ali está novamente o brilho em seus olhos. — Eu espero para sempre se necessário, porque eu sempre vou estar pronto para você. Eu não tinha ideia do quanto gostava dele, até a Harper e uma chegada inesperada aparecer.



Liz Gravel “Porque talvez seja verdade que eu não consiga viver sem você. Talvez dois seja melhor que um.” Two Is Better Than One – Boys Like Girls

3 meses depois — Como é que é? A sua namorada que tem o nome da sua mesa de pebolim está aqui? Aqui em Manhattan? — grito histérica. — Por que você está gritando, como uma louca? E ela não é a minha namorada. Ela é a minha ex-namorada — Henry tenta colocar isso na minha cabeça, mas é em vão. Eu estou me sentindo uma... Nem sei o que definir, depois que eu vi a ex do Henry, não consigo parar de pensar no quanto ela é linda, legal, engraçada. Bom, era o que eu ouvia da boca de Brandon e Liam, maldita seja essa Harper. — Você vai desfazer dessa mesa — digo, bufando de raiva. — Eu não vou desfazer da minha mesa de pebolim, porque você está com ciúmes. Não tenho motivos para isso e você está se comportando como uma louca. — Ele se levanta da cama e vai para o banheiro. — Eu não estou com ciúmes — informo e visto a minha roupa. — Então pronto, mais um motivo para não desfazer da minha mesa. — Ele aparece na porta escovando os dentes e me olha. — Para onde você vai? — indaga, me olhando. — Resolver um problema — respondo. — Que problema? — questiona, com a boca cheia de espuma. — Nenhum que seja da sua conta — retruco áspera. — Tudo bem, eu vou almoçar com a Harper, sabe? Colocar as coisas em dia e eu acho que isso é da sua conta, já que somos alguma coisa — ele informa, dando de ombros. — O quê? — grito e jogo meu sapato em sua direção.

— Ela está saindo com o Aiden e se você não está com ciúmes, por que está assim? — Porque eu amo você! Porque ela é deslumbrante e perto dela eu me sinto até uma anã, ela é inteligente, legal, engraçada, conhece você melhor do que eu mesma, seus amigos gostam dela e a sua mãe gostava dela. Você deu o nome da sua mesa para ela! São tantos porquês e eu não te crucificaria se você voltasse para ela. Se isso é sentir ciúmes, então você venceu. Eu estou com ciúmes. — Solto um grunhido e sinto meus olhos arderem. Por que eu estou com vontade de chorar? Inferno. Já não bastava a Harper, ainda tem essa dúvida que está rondando a minha cabeça essas últimas semanas e logo agora que eu precisava dividir isso com ele, a ex dele aparece. — Você disse que me ama? Ele aparece abismado sem a escova de dentes em mãos, com a boca limpa e caminha em minha direção. — Eu te amo — afirmo convicta. — Jesus, eu te amo. — É até pecado você me chamar de Jesus, mas repete a última coisa que você disse — ele pede, circundando seus braços em minha cintura. — Eu acho que estou grávida — solto de uma vez, ele paralisa na minha frente. Há algumas semanas eu venho desconfiando disso, até agora não tive para quem recorrer. A minha pessoa é Amber, ela a pessoa que está no topo da minha lista, se eu tiver que contar algo para alguém primeiro, esse alguém vai ser ela. Mas com tudo que aconteceu na vida dela nesses últimos meses, o descobrimento da gravidez e a doença do bebê, achei melhor não contar. Amber precisa de apoio e de mim ao lado dela, não é justo eu despejar a minha possível gravidez não planejada em cima dela, quando a dela tem um fim determinado. Eu a amo demais para isso, a amo demais para vê-la sofrer e eu vou sempre estar com ela acima de qualquer coisa. — Você está o quê? — Henry pergunta alarmado. Essa era a última reação que eu esperava dele também.

Henry Carter “Você é a única coisa que quero tocar... Eu nunca soube que poderia significar tanto, tanto.” Love Me Like You Do – Ellie Goulding

Desde os meus quinze anos eu tinha uma responsabilidade muito grande em mãos, eu era uma criança e cuidava da minha irmã de doze anos, enquanto meus pais trabalhavam. Minha mãe chegava do trabalho e mesmo cansada, com calos nos pés por causa dos saltos, ela subia as escadas e ia para o quarto da Maya, ela ficava lá, até Maya dormir. E então, só depois ela vinha ao meu quarto. Todas as noites minha mãe me abraçava até que eu pegasse no sono, meu pai quando chegava fazia a mesma coisa, mas como estávamos dormindo ele apenas dava um beijo em nossa testa, dizia que nos amava, colocava um copo d’água em cima do criado mudo e saia do quarto em silêncio. Mas teve um dia, um único dia, em que a minha mãe não fez isso. Eu estranhei e não conseguia dormir, fiquei esperando e esperando, minha mãe não veio, meu pai não veio e então, eu decidi procurar por eles. Minha mãe estava caída no final da escada. Minha mãe nunca mais subiu as escadas. Minha mãe nunca mais veio. E o meu pai? Ele nunca mais existiu. E esse não era um tipo de pai que eu queria ser para a minha filha ou filho, eu queria ser muito mais do que eu poderia e acreditava que podia ser. — Henry — Liz grita do banheiro. Levanto rapidamente da cama e vou ao seu encontro. — Acho que tem alguma coisa errada aqui — ela diz, torcendo o lábio enquanto olha para o palito dentro de um recipiente com urina em cima da pia. — Isso é nojento — resmungo, olhando para o teste de gravidez. — E eu acho que você fez errado, essa ponta aqui é para baixo — informo rindo e ela me fuzila com o olhar. Tudo bem, péssima hora para gracinhas. — Mas aí está dizendo para fazer xixi ou deixar ele no recipiente e depois de dez minutos o resultado aparece, já tem meia hora.

— Você fez errado, por sorte... Vou ao quarto e volto com a sacola da farmácia em mãos e despejo o conteúdo dela dentro da pia e cai várias caixas de testes. — Eu fiz a limpa na farmácia. — Henry! — ela exclama, com os olhos arregalados. — Aí tem testes para umas vinte gestações, porra. Dou de ombros despreocupado. — Isso é para não gerar dúvidas, se você tem dúvidas, faça todos. Eu tenho uma dúvida — digo, me encostando no batente da porta. Observo ela abrir mais outras caixas de testes. — Que dúvida você tem? — ela indaga receosa. — Você não estava tomando anticoncepcional? — pergunto e ela me empurra para fora e fecha a porta. — Ei — resmungo. — Eu não vou fazer isso na sua frente. E sim, eu estava tomando, mas depois da gravidez da Amber eu fiquei com medo, ela estava tomando o mesmo remédio que o meu. Eu precisava ficar um mês sem tomar para poder começar a tomar o novo que o ginecologista me receitou, mas você não consegue segurar seu pau — retruca irritada, contra a porta fechada. — E você não podia falar que não estava mais tomando? Não podia alertar e falar para usarmos preservativos? Ela grunhe frustrada. — Eu não lembrei disso ok? Eu tinha esquecido e se você não quiser tudo bem, eu tenho pais maravilhosos que irão me apoiar e me ajudar, eu não preciso de você para isso seu inútil. Sua voz de choro me faz dar um soco na porta, não quero que ela pense que eu não quero. Porque eu quero. Eu só estou assustado e com medo. E se eu não for um bom pai? — Merda Liz, abre essa porta — peço forçando a maçaneta. — Não! — ela grita de volta. — Ouça o que eu vou te falar, tudo bem? — pergunto e ouço o som que ela faz com a garganta concordando. — Eu amo você, eu esperei meses por você Liz, meses para ouvir você dizer que me ama também. Eu disse que seria paciente e que esperaria por você, eu esperei e esse dia finalmente chegou e você não só disse que me ama, como me deu mais uma notícia, que eu não vou mentir para você baby, eu imaginei diversas vezes como seria ter você como mãe dos

meus filhos. Você disse que teria dias em que eu te odiaria, outros em que nos mataríamos, mas você estava errada. Todos os dias eu te amei ainda mais Liz, e eu vou amar nosso filho ou filha mais ainda e olhe só para nós, você não me matou, eu não te matei. Nós não temos fim. O silêncio me abraçou por míseros minutos. Até que o som da porta do banheiro se abrindo chama a minha atenção. Meus olhos buscam o de Liz, que aparece com o teste em mãos e fixa seus olhos nos meus. — Você vai nos amar mesmo? Porque aqui diz que é positivo — ela murmura, com os lábios tremidos e os olhos marejados. Meus lábios se repuxam em um sorriso e eu a puxo para os meus braços a abraçando apertado. Ando com Liz em meus braços até a cama e sento na mesma, a puxando para o meu colo. Ela parece tão pequena e assustada se aninhando em meu peito. — Eu já amo essa criança Liz e sempre vou amar, eu espero ser o melhor pai do mundo. — A única certeza que eu tenho é que você vai ser muito melhor nisso do que eu — ela diz, sorrindo e enche meus lábios de beijos ao se movimentar em meu colo. — Liz, eu acho melhor você parar antes que a gente vá longe demais — murmuro, já sentindo meu membro se enrijecer. — Henry, eu estou grávida! Não doente e muitas mulheres fazem sexo quando estão grávidas — ela resmunga. Ela puxa para cima a minha blusa que eu havia colocado para ir na farmácia comprar os testes. Levanto meus braços para que ela termine de tirá-la e faço o mesmo com a dela. Seu peito sobe e desce conforme a sua respiração acelerada. Liz espalma meu peito com as suas mãos e aperta meus músculos rígidos, enquanto beija e morde meu pescoço. — Liz, Liz... — Solto um grunhido e aperto a sua cintura. Sem que ela espere, viro-a para o lado e a deito em cima da cama. Meus dedos encontram e puxam o zíper da sua calça jeans a empurrando para baixo, até me desfazer totalmente dela e jogá-la no chão do quarto. Subo engatinhando na cama e meus lábios alcançam as suas coxas, espalho beijos por ambas coxas e trilho caminho até chegar em sua barriga. — O papai já ama você, muito — murmuro, e beijo a sua barriga e acaricio com as minhas duas mãos. Olho para Liz que tem um olhar terno no rosto e sorri emocionada.

— Não tenha medo, eu sempre vou estar com você. — Eu te amo. — Ela olha para mim. — Eu te amo e não consigo mais parar de dizer isso, eu não sei o que é amar alguém além dos meus amigos e meus pais, mas eu sinto tudo isso aqui dentro de mim e só cresce e me machuca, me machuca porque eu guardo e tenho medo. Eu nunca senti isso por alguém e se isso não é estar pronta ainda, eu vou lutar ao seu lado para descobrir o que é. Fico parado perplexo encarando-a e processando cada palavra que me foi dita. — Só me queira Henry. — Seu sussurro é quase inaudível. Um rosnado escapa da minha garganta, subo meu corpo e me deito em cima dela, sem colocar meu peso sobre o seu corpo e encosto as nossas testas uma na outra. Beijo a sua mandíbula e traços beijos até encontrar seus lábios. — Eu amo você Liz, só Deus sabe o quanto eu esperei para ouvir isso sair da sua boca. Eu não precisava ouvir seu eu te amo, eu precisava ouvir de você que me quer como eu te quero. Eu sou louco por você, baixinha — murmuro e tomo seus lábios sem lhe dar a chance de responder. Sua língua encontra o caminho para a minha boca e se entrelaça na minha, nossas línguas dançam em perfeita harmonia, ela suga a minha língua ao aprofundar o beijo. Um gemido escapa da sua garganta e eu desato o feche do seu sutiã deixando seus seios livres, e o jogando para longe. — Ahh Henry! — ela murmura, enquanto meus dedos brincam com seus mamilos enrijecidos. — Está sensível aqui? — pergunto, preenchendo minha mão com um de seus seios e o gemido que escapa da sua boca me confirma isso. Meus lábios passeiam pelo seu pescoço, até encontrar o caminho livre para os seios de Liz. Paro um segundo observando seus seios, como eu não percebi as mudanças no corpo da minha mulher? Seus seios estão um pouco maiores, bem mais que o normal. Sem pensar duas vezes, passo a ponta molhada da minha língua em volta do seu mamilo rosado e o abocanho de uma só vez, ela geme alto e se remexe na cama. Sorrio com a minha boca em volta do seu seio direito e mordisco seu mamilo para provocá-la, enquanto isso, minha mão tomava conta do outro seio o massageando. — Ah... — Liz choraminga, quando meus lábios abandonam seu mamilo e sem dar oportunidades para que ela protestasse novamente, minha boca toma conta do seu seio esquerdo. — Ai meu Deus, Henry — ela geme, puxando o

lençol da cama. Passo mais alguns minutos dando a atenção que seus seios merecem e os abandono, arrastando meus lábios até encontrar novamente a sua boca. Liz me beija com fome, pressa e desejo. Seu quadril se move contra o meu e ela roça sua intimidade em minhas pernas, seus gemidos soam como música em meus ouvidos. — Liz — murmuro, afastando meus lábios dos dela. — Pare, senão... — um grunhido escapa da minha boca, quando ela para de rebolar em minhas pernas e começa a pressionar sua intimidade em meu membro. — Senão o que? — ela sussurra em tom provocativo. Balanço a cabeça negativamente, e deslizo a minha mão dentro da sua calcinha, sem rodeios introduzo um dedo dentro da sua intimidade e sinto Liz estremecer debaixo de mim. — Senão, eu não vou aguentar, mas pensando bem... — Afasto meu dedo e o introduzo mais uma vez dentro dela, seu corpo se curva para trás. — Você também não — sussurro em seu ouvido Ela geme quando tiro meu dedo e o levo até a minha boca, sentindo seu gosto doce e único. — Você é um cretino — Liz grunhe frustrada, me empurra para o lado e se levanta. Observo atentamente a minha baixinha tomar as rédeas da situação. Rápida e ágil, ela puxa minha calça jeans pelas pernas e eu desabotoo o botão, antes que ela me leve junto. — Você está brincando com uma mulher grávida e que está com um apetite de sexo gigantesco, irá se arrepender disso — ela ameaça e me empurra de cima dela. — Vou é? — indago e ela assente, se sentando em cima de mim e puxa o elástico da minha cueca. — É uma pena, que eu não vou pagar para ver isso hoje — completo e segurando em sua cintura, a deito novamente na cama. — Eu odeio você — ela grunhe. — Você me ama. — Seguro no elástico da sua calcinha e a deslizo pelas suas pernas. — Você me ama muito — digo, e a olho pela última vez antes de abrir suas pernas e abaixar a cabeça em direção a sua intimidade pulsante Pressiono meus lábios em seu clitóris, que gritava por atenção e começo a chupá-la, Liz agarra em meus cabelos e movimenta seu quadril empurrando

ainda mais a sua intimidade para a minha boca. Eu amava quando ela puxava meus cabelos, é algo único que só ela fazia, era um toque que só a ela pertencia. Enquanto chupo seu clitóris, penetro um dedo dentro dela e o movimento lentamente. — Ah sim, eu amo isso — ela fala entre gemidos. Agarro minha mão em seu quadril, a puxando para mais perto e chupo com vontade pela última vez, seu clitóris antes de abandoná-lo. Deslizo a minha língua para dentro dela e sem parar os movimentos com meus dedos, brinco com a minha língua dentro dela. Seus gemidos me deixavam loucos, eu sentia que ela estava perto e eu não queria que ela chegasse lá. Não sem mim, mas isso se tornou impossível quando ela soltou um grito agoniado e se explodiu em um orgasmo em minha boca. Passo a língua em seu clitóris e chupo o mesmo antes de levantar minha cabeça e levar meu rosto de encontro com o de Liz. Empurro a minha cueca para baixo e com os pés, ela me ajuda a terminar de retirá-la. Liz tem seu rosto corado e sua respiração descontrolada, seus olhos se prendem aos meus e com todo cuidado eu a penetro de uma só vez. Nossos lábios se entreabrem em perfeita sincronia e um gemido escapa de nossas bocas. Levo a minha mão direita até seu rosto e o acaricio, seus olhos se fecham e meus lábios tocam sua bochecha. Beijo seu rosto e deslizo meus lábios pelo seu pescoço até o lóbulo da sua orelha, onde dou uma leve mordida. — Nós não vamos foder Liz, nós agora iremos fazer amor, porque é isso que eu faço com você todas as noites desde que me descobri apaixonado por você — sussurro, seus olhos se abrem e me encaram com uma intensidade que eu desconheço. — Eu amo você Henry, eu quero tudo de você. Faça amor comigo — ela pede e eu atendo ao seu pedido. Começo entrar e sair dela lentamente, suas pernas se abriram me deixando mais a vontade entre elas e aos poucos meus movimentos foram ganhando vida. A sentei em cima de mim, suas pernas abraçavam a minha cintura e Liz mantinha sua mão direita em meu cabelo e não o abandonava a cada movimento que fazia. Ela subia e descia em meu membro, e puxava meu cabelo com vontade, enquanto sua mão esquerda trabalhava em marcar as minhas costas com as suas nhas, não estava me importando na ardência que eu sentia em minhas costas, meu foco era ela. Abracei seu corpo, pressionando seus seios em meu peitoral, estávamos

suados e extasiados, eu estava tão perto quanto ela. Pressionei sua cintura parando seus movimentos e, como se adivinhasse o que eu ia fazer, Liz enterrou a cabeça em meu pescoço e seu gemido alto ecoou em meu ouvido, quando eu saí de dentro dela e a penetrei de uma só vez, dando-lhe uma estocada forte e gozando logo em seguida. — Jesus, Henry! — ela grita em espasmos, se estremecendo e entregandose junto a mim ao prazer. Mordi seu lábio inferior e continuei parado dentro dela, enquanto ela ainda se movimentava, mas calmamente e devagar, sua mão abandonou meus cabelos e seus braços me cercaram enquanto tentava controlar a sua respiração. Liz me mantinha preso a ela. E esse era um fato sobre nós, eu sempre estaria preso a ela.

Eu sei que é cedo e muitos achariam loucura, mas se tem uma coisa que eu aprendi com o relacionamento do meu melhor amigo é que você pode ter vários amores, mas apenas um é verdadeiro. Eu perdi as três mulheres mais importantes da minha vida, minha mãe, Maya e em seguida Harper. Eu perdi a minha mãe para o câncer, desde que descobri a maldita doença eu sabia que eu a tinha perdido. Ela não tinha forças para se levantar, subir as escadas e mesmo assim ela vivia com o sorriso estampado no rosto. Minha mãe tinha um câncer no pâncreas, que com o mais tardar se tornou inoperável o estágio estava avançado demais. Mas eu aprendi a ter fé, eu fui criado dessa forma, íamos a igreja todos os domingos e mesmo sem meus pais ao meu lado, todos os domingos eu continuei indo. Eu pedia a Deus pela vida da minha mãe, se a fé que ela tinha nele era tão inabalável eu pedi que a fé a curasse, mas se ele estivesse precisando mais dela do que nós, que fosse feita à sua vontade. Eu tinha dezessete anos quando ela descobriu a doença e dezenove quando se agravou e ela faleceu, eu passei dois anos mantendo a mesma fé que a minha mãe tinha em busca da cura dela. Mas Deus, precisava mais dela do que eu. E acredito que precisava da Maya também. Entretanto, ela eu acredito que foi melhor assim, Deus sabe de todas as coisas e ele tirou dela mesma um sofrimento que ela carregava e seu pior inimigo, o vício.

No início eu me senti culpado por Maya ter tido o fim que teve e isso fez com que eu afastasse a única pessoa que na época me restava, Harper. E acredite, foi melhor assim. Se fosse amor, nós retornaríamos um para o outro assim como Amber e Liam, mas era tudo, menos amor. Eu amava Harper, mas não como eu amo a Liz. Ela é o meu amor verdadeiro e eu sinto isso. Sinto na forma que ela me olha e em todas as vezes em que ela tentava dizer as três palavras e não saia da boca dela, eu não precisava de palavras, precisava de atitudes e certezas. Devo agradecer a Harper pela sua aparição repentina por ter impulsionado e dado coragem a minha baixinha para fazer isso. Pela manhã fomos a uma clínica fazer os exames de sangue para ter a certeza de que ela estava mesmo grávida. Não conseguimos marcar consulta com a obstetra da Amber, mas foi até bom que isso evita que nossos amigos saibam por outras pessoas que não sejam nós. O exame deu positivo e eu queria poder estar mais feliz do que estou, mas não consigo. — Queria poder compartilhar com a minha melhor amiga — ela diz, se sentando ao meu lado no sofá. — E eu com o meu melhor amigo — murmuro. — Nós não planejamos, eles também não, mas eu sinto a mesma dor que eles. É como se eu tivesse conectada a Amber e... — Ela solta um suspiro baixo e me olha. — Eu estou feliz, foi inesperado, mas estou feliz. Sei que ela ficará feliz por nós, mas não agora e não nesse momento, ela foi dura com a Ally, se arrependeu, mas ela botou para fora o que ela estava sentindo, eu não quero que ela faça o mesmo e me afaste. Ela precisa de mim e eu quero ser o alicerce dela, assim como sempre fui. Eu sei que a dor dela nunca vai passar, mas nós podemos contar depois que ela... Você sabe. — Eu não me importo, eu entendo e concordo. Eles precisam de nós e eu quero estar lá por eles, é o mínimo que eu posso fazer depois de tudo que o Liam fez por mim, ele é a minha família Liz. Ele, Brandon e Paige eram tudo que eu tinha antes de vocês aparecerem — digo baixo, ela encosta a cabeça em meu peito e eu passo meus braços em sua volta. — Você nunca me disse sobre o seu pai, o que aconteceu com ele? — ela pergunta.

— Eu não sei, o amor que ele sentia pela minha mãe o cegou e o deixou transtornado. Perdê-la fez ele se perder também, a ponto de abandonar seus próprios filhos. — Você sente raiva dele? Nunca teve vontade de procurá-lo? Saber se está vivo? Eu não me imagino sem meus pais e pais nós temos um só, só de pensar em perder meu Milorde tudo em mim já se tenciona. — Milorde? — indago curioso. — É a forma que eu chamo o meu pai. Sabia que ele abriu mão de tudo que ele tinha para ficar com a minha mãe? Meu pai vem de uma família rica, mas que desaprovavam o relacionamento dele, ele recusou tudo por amor. Achei a coisa mais nobre que um jovem na idade dele poderia fazer, por isso eu o chamo de Milorde, em Londres, pessoas nobres levam esse nome — ela explica. — Mas não muda de assunto. — Eu não sinto raiva, meu pai era um ótimo pai, sempre nos demos bem, mas eu guardo mágoas, se ele não tivesse nos abandonado poderia ter sido diferente. Seria hipocrisia minha falar que eu quero ser tudo que meu pai não foi, porque até os meus dezessete anos, ele era um excelente homem e a pessoa que eu gostaria de ser. Nós não sabemos o que passa na cabeça das pessoas e nem a dor que elas carregam. — Você me enche de orgulho — ela diz e beija meu maxilar. — Sobre a clínica, eu gostei dela e marquei uma consulta para o fim do mês, tudo bem para você? — Eu estou ansioso — confesso. — Eu tenho que ir para loja — ela diz levantando em um pulo animada. — Gael e Cooper não são nada sem mim por perto, apesar deles atraírem as mulheres. — E você nem atraí os homens — resmungo. — Seria o meu sonho? Imagina uma fila na porta e eu ter que chamar de um em um para atendê-los? Deus não me prestigia com uma coisa dessas — ela provoca levantando do sofá e eu a puxo de volta fazendo-a se sentar no meu colo. — Deus já te prestigiou com a melhor obra prima dele, Jesus, em carne e osso aqui para você — murmuro beijando seu pescoço e a deito no sofá. — E eu acho que você vai se atrasar... — E eu acho que eles vão sobreviver sem mim — ela diz sorrindo.

Eu estava sentado de frente para a dona dos olhos azuis, que pertence a pessoa que por três anos eu julgava ser a mulher da minha vida. Ainda não acredito que Harper continua a mesma depois de tantos anos, mas em questão de beleza o tempo só a fez bem, ela está tão linda quanto era antes. — Você não sabe o tamanho do meu desapontamento ao saber que você não me procurou desde que chegou, Harper, Harper... Você já foi mais legal — retruco e ela sorri. — E você menos dramático, eu ia procurar por vocês, só precisava colocar a minha vida em ordem, mas parece que eu cheguei em um momento delicado — ela diz torcendo o lábio. — Eu preferi me manter na minha, eu sei o quanto vocês são próximos e Brandon me disse que as coisas estão bem intensas, eu seria uma estranha e indelicada aparecendo na vida de vocês agora. — É gentil da sua parte, mas você sempre será uma de nós. Pensei que viria para o casamento, Paige se lamentou a todo minuto. — Eu tentei! Mas não consegui voo algum de última hora, eles entenderam, nós sempre seremos o quinteto, independente de estarmos afastados. Sorrio e aceno concordando. Sim, nós sempre manteríamos nossa amizade, não importa quanto tempo nós todos passemos longe uns dos outros. — Você e o Aiden, huh? — Meu Deus! — Ela enrubesce. — As notícias correm rápido por aqui, pelo visto. — Você não faz ideia — confirmo. — Inclusive, por que não nos contou que foi reprovada? — Eu-eu — ela gagueja nervosa, conheço quando ela está mentindo. — Eu não acredito Harper, você reprovou de propósito! — exclamo. ​— Argh, eu odeio você! — Ela beberica o café e olha para baixo, fugindo do meu olhar questionador. — Por quê? Eu não entendo. — Eu quase matei uma pessoa Henry! — ela exclama e toma uma longa respiração. — Foi um acidente como todos naquela sala de cirurgia me fizeram acreditar, mas aquilo serviu para mostrar que eu não estava pronta. Depois disso eu coloquei na minha cabeça que eu não era boa o suficiente, eu queria ser a melhor Henry, quanto mais experiência eu tivesse eu poderia me adaptar mais as

coisas e então, eu mudei de especialidade e fiz o meu primeiro parto sozinha, foi aí que eu me senti pronta e preparada. Foi mágico, eu trouxe ao mundo uma vida. Eu estava pronta, mas para isso eu precisava terminar esse ano de residência — ela se explica. Eu sabia que Harper era esforçada, sempre quis dar o melhor e seu maior medo era errar. Ela estando apaixonada pelo o que faz e me torna orgulhoso. — E agora o que você pretende fazer? — Eu vou refazer a prova, graças a Liam e Brandon. — Você vai conseguir, eu sei que vai. — Obrigada — ela agradece, sorrindo. — E você? Está feliz? Como anda as coisas? Você não me falou nada sobre você. — Eu estou feliz Harper, como a muito tempo não estive e bom, eu vou ser pai — informo e sua boca se abre surpresa, seguida de um sorriso. — Parece que a cegonha está a solta por aqui não? Mas por que Liam não me disse nada? — ela indaga. — Porque descobrimos isso há dois dias e não pretendemos contar a ninguém por enquanto, estou contando a você porque confio e quero que você acompanhe a gravidez da Liz. — Não acho que ela vai gostar de mim — ela comenta, com o lábio torcido. — Vai por mim ela vai gosta de você — digo e sua sobrancelha se arqueia. — Ela só tem um pouco de ciúmes. — Henry, melhor não. — Por mim Harper, eu estou te pedindo. — Eu posso ver os dias em que Liam não estará no hospital para você levála e vamos marcando o retorno dela conforme as folgas dele. — Isso é um sim? — indago sorrindo e ela assente. — Para mim está ótimo, só tenho que informar isso a Liz — digo e ela balança a cabeça segurando o riso. — Isso não vai dar certo. Não mesmo.

— Como é que é? — Seu grito é tão alto que me forçou a tapar meus ouvidos. — Pois leia meus lábios Henry Carter. Eu. Não. Vou.

— Liz, eu não sei o que há de mal nisso. — Da onde você tirou essa ideia da Harper ser a minha obstetra? Você está louco? — Liz resmunga, andando de um lado para o outro. — Você pode se acalmar? — indago acompanhando seus movimentos com os olhos. — Eu estou calma Henry, calma! — Para de gritar, você está histérica. — Por que logo a sua ex? Tantas obstetras e por que logo ela? — Porque eu confio nela! E não confiaria a qualquer pessoa a vida da mulher que eu amo e a vida do nosso bebê. Liz para de andar de um lado para o outro, passa as mãos no cabelo e me encara. — Eu devo confiar nela? — pergunta e cruza os braços. — Deve — afirmo e me aproximo dela. — Por quê? Só por que você está pedindo e por que você a amou um dia? — Liz para, isso tudo é porque eu amo você e eu sei que ela vai cuidar de você melhor do que qualquer outra pessoa, é exatamente por isso. — Ela sabe que você me ama? — pergunta mordendo os lábios. — Ela sabe que eu amo e estou completamente apaixonado por você, Lizzie. — Então eu acho que vou pensar sobre isso, se eu não gostar eu não vou mais voltar. Combinado? — Combinado, mas pelo menos tente. Harper é uma pessoa legal, você vai gostar dela. — Eu nunca disse que não iria gostar dela. — Não foi o que o Liam me disse... — O Liam é um mentiroso, todos sabemos disso — ela argumenta e eu não consigo segurar o riso diante ao seu argumento. — Do que você está rindo? — Eu acho engraçado você usar o Liam para se safar de algo que você diz. — Ele deixa, inclusive ele que mandou usá-lo para me safar das coisas. Temos um pacto do mal aqui, ele me usa e eu o uso. Agora se me der licença, eu ainda estou brava com você — ela diz, me empurrando para fora do quarto e bate a porta na minha cara. Me rendendo, me afasto da porta e vou para a sala. Se tem uma coisa que

Amber me ensinou, foi a não contrariar Liz, nem mesmo quando ela está errada e se eu quero que isso dê certo, eu tenho que seguir o passo a passo conforme ela dita.



Liz Gravel “A vida continua, fica tão pesada, a roda corrompe a borboleta. Cada lágrima, uma cachoeira.” Paradise – Coldplay

Com o passar dos dias, as coisas foram ficando um tanto complicadas, meus enjoos começaram a aparecer, Gael e Cooper estavam desconfiados e por sorte Amber quase não aparecia mais na loja, ela entrou em uma fase bem crítica da gravidez. Fase na qual o bebê chuta qualquer canto da barriga dela por não ter coordenação motora e isso a machuca, ela sente dor e Liam chega ao nível máximo de preocupação, mas o que é mais lindo nisso tudo é o apoio que eles estão dando um ao outro. — Você acha que nos engana — Gael murmura, logo após se despedir de uma cliente. — Do que você está falando? — Finjo não entender o que ele quer dizer com isso. — Você está sensível, às vezes fica histérica e nervosa, depois fica manhosa e carinhosa comigo e com o Cooper, você não é assim. Você nos xinga, briga, mas nunca, nunca nos idolatra. — Eu, idolatrar vocês? — Dou uma risada sarcástica. — Você entendeu. — Ele bufa revirando os olhos. — E eu sei o que você está fazendo, mas uma hora sua barriga vai crescer e não vai ter como esconder dela para sempre. Ela é forte Liz e ela não vai te odiar por isso. — Eu sei. — Solto um suspiro baixo. — Eu a conheço e sei que ela não vai me odiar, mas eu quero esperar isso passar, ela está no penúltimo mês da gravidez e nós não sabemos como ela vai reagir depois e é disso que eu tenho medo. Da dor que ela vai carregar e não ser capaz de passar por isso sozinha, eu quero passar por isso junto com ela e se ela descobrir isso agora, ela vai me afastar e eu disse que ela nunca iria estar só. Eu a amo como se fosse a irmã que eu nunca tive. — Não chora — Gael murmura e me puxa para um abraço. Toco em meu rosto e só então, percebo o acúmulo de lágrimas em meus olhos.

— Eu admiro muito a amizade de vocês e o que você e o Henry estão fazendo, mas conte a eles. — Eles são a nossa família, você também faz parte disso agora. — Eu sei e é por isso que eu me importo com vocês — ele diz e me solta do abraço. — Meu Deus, que calor — Aiden exclama do nada, ao entrar na loja. — Aiden! — digo animada. — Que bom ver você, bonitão. — Que bom ver você e bonitão na mesma frase. O que você quer de mim, Liz? — Ele vai direto ao ponto e eu abro o meu melhor sorriso. — Você gosta de jogar futebol de mesa? — pergunto, o olhando em expectativa. — Mas que pergunta é essa? — indaga curioso. — Você gosta ou não gosta? — volto a perguntar. — Jogava muito quando mais novo, agora nem tanto, mas gosto — ele responde dando de ombros. — Por que a pergunta? — Você e a Harper estão se dando bem né? — Sim, e? — Eu tenho um presente para vocês dois de início de relacionamento, não é maravilhoso? — digo animada e ele me olha intrigado. — Eu não estou te entendendo — ele diz confuso. — É o seguinte, meu namorado tem uma mesa de pebolim que se chama Harper e eu acho mais que justo passar para você, inclusive, mandei entregar na sua casa antes de vir para cá. Muito obrigada por aceitar o presente, inclusive, de nada — digo e me viro para terminar de colocar algumas roupas nos cabides. — Você o quê? — Volto a olhá-lo e ele ainda mantém o olhar confuso. — Isso mesmo que você ouviu! — reafirmo, torcendo o nariz. — Não tem ninguém em casa para receber, como que você me dá uma coisa sem saber se eu ia aceitar? — questiona e cruza os braços. — Você em algum momento pensou em negar? — pergunto. — Você nem me deu tempo de negar! — ele exclama indignado. — Então pronto, tchau Aiden. Vai receber a sua namorada, ou melhor, a sua mesa. — Você tem sérios problemas de cabeça, talvez deva ir se consultar com o Brandon.

— Talvez você deva ir fazer o que eu mandei — retruco, cerrando meus dentes.

Passei o resto da tarde atendendo os clientes e fazendo balanço de mercadorias da loja. Quando estava fechando tudo com a ajuda dos meninos, Henry chegou para me buscar. — Está pronta? — ele pergunta. — Pronta? Hoje eu vou para casa, dia de filmes com a Am — informo. — Exatamente, comprei sorvete, pipoca, chocolate e fini como ela pediu — ele diz. — Já disse que você é incrível? — indago sorrindo. — Nah, mas pode dizer. — Vocês estão grudentos demais, eca — Gael resmunga, passando por mim e indo em direção a porta. — Gael, fecha a loja — digo e jogo a chave para ele. — Vamos para casa, Jesus. — Para casa de Amber ou para a nossa casa? — ele indaga. — Não existe nossa casa. — Ainda — ele informa.

Era a minha segundo consulta com a Harper depois que finalmente eu havia cedido a vontade do Henry. Eu já estava me encaminhando para o quarto mês de gestação e ainda me sentia bem relutante de fazer o pré-natal com ela e deixá-la assumir como a minha obstetra, mas o Henry confia nela e se ele confia, eu também confio. E bom, ela está com o Aiden agora, isso que importa. — Eu estou ansioso — Henry fala, segurando em minha mão. — Eu também. — Aperto forte a sua mão e recebo seu lindo sorriso de volta. Hoje se desse descobriríamos qual é o sexo do bebê, li em uma revista que com quatro meses é possível descobrir o sexo. Todas as noites Henry e eu

conversávamos sobre nomes e discutíamos cores do quarto. Por falar em quarto, finalmente ele vai reformar o antigo quarto do Liam, na verdade alguns cômodos do apartamento. Desde que Henry se mudou nós dormíamos no quarto de hospedes, jamais que eu dormiria no quarto onde Liam e a minha melhor amiga faziam certas coisas... É demais para minha mente. — Vocês estão prontos? — Harper entra sorridente na sala médica. — Eu acho que sim — respondo, sem soltar a mão de Henry. A verdade é que eu estava nervosa, Harper havia nos deixado a sós enquanto eu me trocava de roupa e pediu para que Henry me acalmasse, mas foi uma péssima tentativa já que ele estava mais ansioso que eu. Na primeira ultrassonografia eu me senti desconfortável com algo entrando dentro de mim e me cutucando, Henry achou fascinante e teve a cara de pau de ficar ao lado de Harper observando tudo. O que me deixou mais constrangida ainda. — Você tem que estar! Agora que você já trocou de roupa, vou pedir que você se deite na maca e relaxe tudo bem? Assinto, soltando a mão de Henry e me deitando na maca. — Antes de começar, eu vou puxar a sua orelha Liz — ela fala, se sentando na cadeira giratória ao meu lado direito. — E a sua também seu irresponsável! — Dessa vez ela diz, se virando para Henry. — Eu não fiz nada — ele se defende. — Você nunca faz, anjo — ela debocha e volta a me olhar. — Liz, o que falamos sobre você usar cinta para disfarçar a sua gravidez? Essas cintas são apropriadas para pós-parto, durante a gravidez elas acabam comprimindo a barriga e comprometem a circulação sanguínea da região, faz mal e compromete a vida do bebê. Uma hora ou outra eles terão que saber. — Eu sei disso — digo, mordendo meu lábio. — Será que ela vai me odiar por isso? — pergunto e Harper balança a cabeça negando. — Ela vai te apoiar, assim como você a apoia. Temos um acordo aqui? — Temos, eu dou a minha palavra. Ela não irá mais usar essas coisas — Henry afirma por mim. — Então podemos começar — ela fala animada, e eu só assinto concordando. Antes mesmo da Harper ligar o monitor eu já estava chorando embasbacada. Quando ela ligou e começou a mostrar todas as partes do corpo do

meu bebê eu chorei mais ainda e jurava que vi uma lágrima escorrer do olho de Henry. — E agora a parte mais esperada de todas. — Harper faz suspense e passeia com o aparelho pela minha barriga de um lado para o outro. — Harper, eu juro que se você continuar brincando eu vou arrancar seus lindos olhos fora — resmungo entredentes e ela ri. — Henry não deixaria, ele ama os meus olhos — ela responde. — É oficial, eu vou arrancar seus olhos! Isso a faz rir mais ainda, acompanhada do estúpido do meu namorado. Os sons das risadas cessam, com o toque do meu celular, seguido pelo o de Henry também. — Podem atender, temos todo o tempo do mundo e eu já sei qual é o sexo — Harper diz sorrindo triunfante. Henry pega nossos celulares na minha bolsa, enquanto me entrega o meu, ele atende o dele. — Oi, Ty. Espero que seja importante, porque você atrapalhou algo mais importante ainda — brinco, sem conter meu sorriso e a ansiedade que não cabe em mim. — Amber está no hospital, a bolsa não quer estourar. E eu estou com medo. — Sua voz séria e preocupada, me faz levantar imediatamente da maca, mesmo com o gel espalhado pela minha barriga. — Eu já estou a caminho — informo e desligo o telefone em seguida. Meus olhos encontram os olhos de Henry, tão perdidos quanto os meus. — O que houve? — Harper pergunta. Tento pronunciar as palavras, mas não consigo. — Era o Liam, Amber está aqui no hospital e pode entrar em trabalho de parto a qualquer instante — Henry responde e me abraça. — Vai ficar tudo bem — ele sussurra em meu ouvido. Nós já estávamos no hospital e após eu me trocar saímos disparados até o andar que Amber estava. — Eu te liguei não faz cinco minutos, como você chegou aqui tão rápido — Tyler indaga desconfiado, assim que me vê. — Eu estava por perto — minto, olhando para o chão. — Liz... — Ele segura em meu queixo e levanta meu rosto. — Está tudo

bem, vai ficar tudo bem. Tyler é a única pessoa que consegue enxergar a minha alma, a minha verdade apenas olhando em meus olhos. E no momento em que seus olhos encontraram os meus, eu não consegui conter a minha vontade de chorar. — Ela está aqui sofrendo a perda de um filho e enquanto isso eu estava há alguns passos dela vendo o quanto meu bebê é saudável e prestes a descobrir o sexo, isso é tão cruel Ty, é cruel — murmuro, entre lágrimas. — Shhh — ele tenta me acalmar. — Está tudo bem em você estar grávida também, nós amamos você e sempre amaremos, isso vai passar e ela vai amar saber disso. Nós amamos vocês. Sentei-me com Tyler em um assento, enquanto Henry foi ver Liam. Eu não conseguia me levantar do meu lugar, não tinha forças para olhar nos olhos da minha melhor amiga enquanto ela perdia alguém que aprendeu amar em tão pouco tempo e eu estava ganhando um para amar e chamar de meu. Por horas o silêncio se permaneceu na sala de espera e por alguns minutos, nossos choros era o único som a ser ouvido. Luca havia nascido para nos ensinar o maior bem e lição que poderíamos aprender: fazer o bem sem olhar a quem. Naquele dia, ele salvou muitas vidas, mais do que eu poderia imaginar. E nesse mesmo dia eu decidi que amarei meu bebê seja ele qual sexo for.

2 meses depois — Eu queria saber o que você está aprontando — digo olhando para Amber que não desgruda os olhos da tela do notebook. O primeiro mês em que ela passou trancada no quarto foi horrível, ela acordava gritando durante a noite e era assustador, mas desde que ela acordou do transe em que estava após a perda do Luca, ela estava focada em um projeto do qual não dizia para ninguém. Eu estou feliz por ela ser a Amber de novo, mas curiosa porque ela não me conta nada, apenas me deixou encarregada do desfile. — Não é nada demais Lizzie, fica calma e me mantenha a par dos preparativos para o desfile de amanhã — ela diz com uma confiança que me assusta. — E se eu te decepcionar? — pergunto.

— Você nunca me decepciona e é por isso que eu confio em você. — Mas, Am... — Tento falar, mas ela me interrompe. — Vamos almoçar, por favor, estou morrendo de fome e o Henry disse que nos levaria. Estou curiosa para saber o que estão escondendo de mim. Não sei como ela sentia que nós escondíamos as coisas dela, ela só sabia e a minha barriga não estava tão visível assim, eu estou com seis meses e ainda uso as minhas roupas com a ajuda de uma cinta mais confortável que Harper recomendou. Não era tão boa quanto a outra, mas disfarçava bem com as roupas largas. Aparentemente Amber quase não reparava no que eu vestia, então estava tudo bem. Eu acho. Já que hoje pretendemos contar a verdade, não dá mais para ficar escondendo já que estou na reta final. — Tudo bem. — Pego a minha bolsa em cima do sofá e saio de casa rezando para que ela não fique chateada por termos escondido isso dela, a essa altura Liam já deve saber. — Eu já decidi quem eu vou levar nas viagens — ela informa enquanto entramos no elevador. — Quem? — pergunto e aperto o botão do térreo. — Gael. O Cooper namora, não seria justo mantê-lo longe do namorado e o Gael não tem nada que o prenda aqui, e é o que ele quer. Acredita que ele me mandou mais de dez mensagens implorando para que eu o escolha? — Eu acredito, ele me ofereceu chocolates se eu te convencesse a levar ele. O Liam já sabe sobre isso? — pergunto e ela nega com a cabeça. — Não nos falamos a muito tempo e isso me preocupa, eu não sei como ele está — ela murmura cabisbaixa. — Você tem que procurar por ele, ele precisa saber que você está bem, para poder ficar bem também. É disso que ele precisa — digo e observo seus lábios entortando em dúvida. — Acredite em mim, ele ficará bem depois que souber que você está bem.

— Olha se não são as mulheres da minha vida — Henry exclama ao nos ver entrando no restaurante. — Você anda muito galanteador — murmuro e me sento ao seu lado.

— Isso ele sempre foi — Amber discorda e se senta em nossa frente. — Eu amo uma ruiva, o que vai ser de mim sem você? — Henry pergunta para Amber. — Você vai sobreviver — ela o responde, sorrindo. O garçom vem até nós recolher os nossos pedidos e após sair os olhos verdes de Amber nos observa atentamente. — Vamos lá, quem vai começar a falar? — ela indaga desconfiada e debruça os braços em cima da mesa e apoia o queixo, sem tirar os olhos de mim e Henry. — Antes de tudo eu quero começar dizendo que nós fizemos isso pensando em você — Henry começa a falar. — E porque eu queria estar ao seu lado, não queria que você me afastasse. Eu disse que estaria ali para você e eu estive, porque você é a minha irmã, você é a minha pessoa e se eu te machucasse com algo eu jamais me perdoaria — completo. — Peitos grandes, nada de absorvente pelo banheiro, você anda sensível e chorona demais, muito amável e carinhosa. Para completar, você está uma bola! Só diga que eu vou ser a madrinha desse bebê — Amber solta e eu a encaro perplexa. — Ah Liz, qual foi? Eu estava grávida há meses atrás, eu sei quando seu ciclo vem e não veio, você fica mal-humorada nesses dias, há meses não está. Você chora mais que o normal por qualquer coisa, só de olhar para mim você chorava, não foi mais para a academia e eu te chamei para ir, você inventou uma desculpa qualquer, tem dispensado fast food, você ama fast food e Henry está mais babão por você que antes, ao menos que não seja gravidez e sim outra coisa, então o que seria? — É por isso que eu amo essa Rabbit — Henry diz animado, ao meu lado e eu o cutuco com o cotovelo. — Então está tudo bem para você? — pergunto e ela assente confirmando. — Não está brava, chateada e nem nada? — Mais uma vez ela assente. — Eu estou brava, chateada e decepcionada por você ter feito isso só por querer estar comigo. Você passou o dia inteiro no hospital comigo e eu não a vi se alimentar direito, você cuidou de mim como ninguém e acordou todas as noites com meus pesadelos para me abraçar e dormir ao meu lado, quando era eu que devia estar cuidando de você e da sua alimentação. — Sentindo meus olhos marejarem ao ver os de Amber com lágrimas acumuladas, dou uma fungada no nariz e Henry segura firme a minha mão. — Então sim, eu estou brava, chateada

com você por ter pensado em mim antes de você e do seu bebê, mas eu estou tão feliz por vocês. — Ela completa, secando o rosto e abre um sorriso que me alivia por completo. — Vocês não vão chorar né? Porque choro me faz perder o apetite e eu estou com muita fome — Henry fala, olhando de mim para Amber. Eu já estava praticamente chorando. Observei a minha melhor amiga engolir o nó que estava em sua garganta e respirar fundo, isso tudo era tão recente que eu posso imaginar o quanto tudo ainda a machuca. — Não — Amber responde. — Isso não é motivos para choros e sim alegria certo? É um bebê. Eu não acredito que você me deixou aceitar essa viagem, eu vou ficar longe de vocês o resto da gravidez toda — ela choraminga. — Você pode vir no visitar durante os intervalos de uma viagem para outra — digo e nós duas começamos a fazer planos durante o almoço inteiro, Henry vez ou outra opinava em algo.

Eu poderia dizer que eu estava atrasada para o desfile, mas estaria mentindo. Com uma hora de antecedência eu já estava arrumada e andando de um lado para o outro no apartamento. — Liz, você pode me ajudar aqui? — Henry pergunta, tentando dar o nó na gravata. — Jesus, você está... — Seu sorriso se abre e quebro o espaço que havia entre nós. — Sexy demais e lindo demais, acho que me apaixonei mais um pouco — murmuro enlaçando seu pescoço com a gravata. — Acho que nós ainda temos um tempinho, se você quiser... — Não, estamos adiantados e se entrarmos naquele quarto não sairemos tão cedo. — Nervosa? — ele pergunta, enquanto me observa atentamente dar o nó na sua gravata. — Nervosa, ansiosa e grávida com desejo de comer morango, chantilly e hot dog. — Isso tudo junto? — ele pergunta de olhos arregalados. — Sim, minha boca chega a salivar — confirmo e ele faz uma careta. — Quer ir na frente enquanto providencio esse seu desejo louco? —

Confirmo acenando com a cabeça. — Posso te beijar antes que a sua boca fique com gosto desse desejo estranho? — Você pode me beijar a hora que quiser — murmuro, passando a mão em seu blazer de linho. — Mas como você está com nojo do meu desejo... vai ficar na vontade. — Completo o empurrando para trás, o afastando de mim. Pego a minha bolsa de mão em cima da cama e aliso a minha barriga, que agora pode respirar livremente sem se preocupar em se esconder dos outros. — Liz, você está brincando com fogo — ele avisa. — Então eu vou me queimar — o desafio e me despeço dele com um beijo rápido nos lábios.

Henry Carter “Mesmo que os céus fiquem furiosos estou te dando todo meu amor.” I Won’t Give Up – Jason Mraz

Sogros. É uma palavra estranha já que é a primeira vez que eu os tenho. Harper não tinha um bom relacionamento com os pais, evitávamos falar sobre isso e eu nunca os conheci. E agora diante ao pai e a mãe da Liz, eu não sei nem mesmo o que falar. Claro que eu já tinha conversado com eles por chamada de vídeo, quando a Liz nos apresentou, mas não como agora, cru e pessoalmente. — Henry Carter! — Alec, meu sogro, fala estendendo a mão para que eu possa apertá-la. Como bom menino, estendo a minha mão e aceito seu cumprimento. — Você não sabe o prazer que é te conhecer. — Sua mão aperta a minha com força, quase esmagando-a, fazendo um grunhido baixo sair da minha boca. — É um p-prazer conhecer o senhor também — murmuro baixo, tentando ignorar seu aperto forte em minha mão. — Alec, solte já a mão do menino — minha linda e adorável sogra diz, rindo da situação. Eu já sabia que o pai dela era ciumento, mas não a ponto de quase arrancar a minha mão fora. — Eu estava apertando a sua mão filho? Eu não percebi — ele diz cínico, e solta a minha mão. É, acho que quebrei uns dedos. Imagina quando ele souber que ela está grávida. — Henry, não ligue para ele. Ele só está com ciúmes e não aceita que perdeu a Liz para você — Daisy tenta amenizar. — Antes de irmos até a minha menina, eu quero saber a sua real intenção com ela. Então, Henry? — ele indaga, arqueando a sobrancelha para mim.

— Senhor e senhora Gravel, eu queria que vocês soubessem que a minha intenção com a filha de vocês são as melhores. Eu amo a Liz e não há nada que eu não faria para vê-la feliz, eu sei que o senhor tem ciúmes, quer cuidar e protege-la, mas com todo respeito senhor, ela não é mais uma menininha. Eu quero cuidar dela e ser a proteção que ela precisa, eu morreria por ela se fosse preciso, porque ela tornou a minha vida diferente. A Liz me fez ter vontade de dormir e acordar todos os dias com ela ao meu lado, eu a quero na minha vida não só por hoje e nem por mais alguns dias, quero para sempre e se vocês estiverem de acordo com isso eu vou me esforçar ao máximo para que isso se torne realidade. Desde que você não quebre a minha mão, é claro — brinco, deixando escapar um riso nervoso ao ver a expressão do meu sogro ou futuro exsogro. — Quebre o coração da minha menina, que eu não quebrarei só a sua mão rapaz — ele avisa, e sem conter um sorriso ele completa: — Eu estou feliz pela escolha que ela fez, você é um bom rapaz. — Senhora Gravel? — Chame-me de Daisy, Henry. Somos uma família agora — ela informa sorrindo, e algo em seu sorriso me dizia que ela sabia sobre a gravidez. — Continue fazendo a minha filha feliz, você colocou brilho naqueles olhos e espero que nunca mais os tire. — Eu prometo dar o meu melhor para que isso nunca aconteça — afirmo, dando a minha palavra. — Podemos ir até a minha filha agora, você foi aprovado. Por enquanto — ele murmura baixo. Os levei até a sala que Amber havia nos informado que Liz estaria. E lá estava ela impaciente andando de um lado para o outro e recitando algo. — Liz? — a chamo, e quando seu rosto se vira em minha direção. Sua boca se abre em surpresa e seus olhos começam a marejar. — Ai meu Deus. Mãe, pai! — ela exclama e corre na direção dos pais, se jogando nos braços de Alec, que estava com os braços abertos, pronto para recebê-la. — É real? Vocês estão mesmo aqui? Perdi a conta de quantas vezes ela perguntou isso enquanto os abraçava. O momento família estava tudo muito lindo, até que o som que Alec emitiu de sua garganta fez a nossa atenção ser totalmente dele. Seus olhos estavam grudados em mim, eu podia sentir a mira de uma arma apontada na minha direção.

— Você engravidou a minha filha, seu desgraçado! — ele exclama bravo. — Pai... — Liz chama a sua atenção e ele a ignora. — Você apertou a minha mão, depois disse que era com ela que queria formar uma família, quando já tinha começado a formar sem ao menos me avisar. O desapontamento na sua voz não passa despercebido, Liz caminha em minha direção e para ao meu lado, segurando em minha mão. — Senhor Alec, nós pretendíamos contar para vocês pessoalmente, não queríamos dar essa notícia por telefone — começo a me explicar, mas sou interrompido por Liz. — Não estava nos nossos planos, mas aconteceu pai. Eu estou feliz e espero que você fique feliz por mim também, eu só quero o seu apoio e se você não puder fazer isso por mim eu entenderei. Mas não vou fingir que isso não me deixa feliz — ela conclui, fazendo seu pai engolir em seco e passar a mão na testa. — Meu Deus, minha menina já é uma mulher. Que drama. — Tudo bem, está tudo bem. Vou demorar para me acostumar com a ideia da minha garotinha ter um bebê, mas você rapaz. — Ele aponta para mim. — Lembre-se do que eu lhe disse minutos atrás, quebre o coração da minha filha que eu não quebrarei apenas sua mão. — Alec! — Liz e sua mãe o repreendem ao mesmo tempo. — E você não vai dizer nada sobre isso Daisy? Aposto que já sabia. — Ele olha para ela, que sorri culpada. — Inacreditável! — exclama jogando os braços para o alto. — Querido, eles são adultos e estão sabendo lidar com isso muito bem. Liz precisa de nós e nós estaremos aqui para ela, agora mais perto do que nunca — ela fala, com a voz calma e passando os braços em volta do marido. — Como assim mais perto do que nunca? — Liz indaga desconfiada. — Lembra da novidade que tínhamos para te contar? — Sua mãe pergunta e ela assente. — Nós estamos nos mudando para cá! — Sua voz animada, faz Liz pular ao meu lado e chorar ao mesmo tempo. — Essa é a segunda melhor coisa que aconteceu hoje depois de ver vocês, eu estou tão feliz e triste porque estou borrando a maquiagem — ela fala, nos fazendo rir.

Uma batida na porta nos interrompe e Cooper, entra na sala logo em seguida. — Liz, precisamos de você aqui fora — ele fala, seus olhos se arregalam ao olhar para ela e ele leva uma mão no peito. — Meu Deus, você está destruída, parece que saiu de um filme de horror. E isso foi o suficiente para nos fazer rir, fazer Liz despencar em choro e começar a dizer que não sairá da sala por nada. — Cooper, belo amigo você é — resmungo. — É por isso que eu existo e sou um belo amigo. Irei arrumar essa bagunça em segundos — ele fala, indo até a penteadeira e pegando uma maleta. — Vocês podem esperar lá fora, enquanto eu cuido dessa belezinha aqui. — Mãe, fica comigo por favor — Liz pede, soltando a minha mão. — Eu vejo vocês em alguns minutos lá fora. — Eu amo você e você é a mulher mais linda desse lugar. Um sorriso toma conta do seu rosto e antes de deixá-la, beijo seus lábios e saio da sala. Fecho a porta e dou alguns passos pelo corredor, não demora muito e Alec está ao meu lado. Ele para de andar e coloca a mão em meu ombro. — Caro Henry, eu espero que o bebê de vocês seja uma menina — ele murmura e se afasta, andando em minha frente. Eu não sabia o quão forte eram essas palavras, até saber que praga de sogro era a pior que existe.

Liz Gravel “Você não vai ficar comigo? Porque você é tudo que eu preciso.” Stay With Me – Sam Smith

— Não Henry, eu não vou pedir a Harper para revelar o sexo do nosso bebê só porque meu pai desejou isso a você! Pela milésima vez, estava eu tentando tirar a ideia de descobrir o sexo do bebê da cabeça do estúpido do meu namorado. — Por favor, Liz — ele pede mais uma vez. — Não Henry e ponto final — digo, na esperança de finalizar o assunto. — Eu acho que não estou preparado para ser pai de menina, lidar com namorados e ter que perder ela para outro homem — ele resmunga, se deitando ao meu lado. — Nós nem sabemos se é uma menina e se for, falta muito para isso acontecer! — E eu espero que esse muito seja uma eternidade, seu pai quase quebrou a minha mão hoje sabia? Eu não sei se eu no lugar dele só quase quebraria a mão do namorado da minha filha. Não me contenho e começo a rir. — Não sei do que você está achando graça. — Baby, você será um ótimo pai e vai saber lidar com isso se for uma menina. Agora podemos dormir, por favor? Ele envolve seu braço em minha cintura e me puxa para perto. — Você vai continuar me amando até mesmo se eu assassinar alguém? — pergunta, passando lentamente seus lábios em meu pescoço. — Eu vou te amar até mesmo se você for parar atrás das grades por isso — afirmo. — O que foi isso? — ele pergunta, ao sentir algo se remexer em minha barriga. — Você não pode estar com fome, comemos não faz nem uma hora. — Não é minha barriga roncando seu idiota. — Seguro meu riso e fico observando seu olhar curioso na minha barriga e mais uma vez a sinto mexer. —

É o nosso bebê se mexendo. Sua cabeça se levanta, o brilho em seu olhar e o sorriso resplandecente que ele tem no rosto me faz me apaixonar mais uma vez por ele. — Isso é tão... Não há palavras para descrever o quão único isso é — ele murmura encantando. — É a primeira vez que o sinto mexer — revelo, tentando conter a minha emoção ao morder meu lábio inferior o observando. — Ele sente isso. — Isso o que? — indago curiosa. — Isso que nós temos Liz, ele ou ela sente que há amor entre independente se eu for realmente preso. Saiba que isso é real minha baixinha, e eu amo tanto vocês que não cabe em mim. — Nós amamos você. Eu terminei a noite sendo amada de todas as formas, tanto carnal quanto sentimental. Pela primeira eu me apaixonei de verdade e senti que eu estava exatamente onde eu deveria estar. Henry era o meu lar.

Quando você menos espera, o tempo voa e as coisas acontecem rápido demais. Dois meses haviam se passado desde que eu havia assumido a filial da Privilège em Manhattan, e que eu havia me despedido da minha melhor amiga. Todos os dias nós nos falamos por telefone, mas não é a mesma coisa. A ausência dela é sentida em cada cômodo do apartamento, toda vez que entro para pegar algo, já que agora eu moro mais no apartamento do Henry do que no dela. O movimento da loja após o desfile triplicou, com menos um membro na equipe — o Gael, que a Amber roubou — precisei contratar duas funcionárias novas e ambas estão em treinamento sob supervisão do Cooper. Eu passo a maior parte da manhã resolvendo a contabilidade, comprando materiais para confecções e fechando contratos com revendedoras. Já na parte da tarde, eu passo um bom tempo desenhando e o restante passeio pela loja para ver a movimentação. Hoje estava sendo um dia daqueles, eu tinha um contrato de extrema importância para fechar e o bebê não parava de chutar. Eu estava no meu oitavo

mês de gravidez e parecia que quanto mais eu chegava perto do fim, mas o bebê brincava dentro de mim louco para sair. Eu me emocionava toda vez que o sentia chutando e quando o Henry chega do trabalho e conversa com a minha barriga, como se reconhecesse a sua voz ele chuta em resposta. Mas hoje não era um bom dia para isso, hoje eu estava estressada, emotiva e cansada. Tudo em um único pacote. — Cooper, eu não consigo achar a minha chave, você a viu? — pergunto, enquanto procuro por toda parte do escritório de Amber. Cooper levanta o rosto que antes estava abaixado, atento ao notebook e me encara. — Não Liz, se eu tivesse visto eu teria lhe dado, assim como nas outras vezes. Eu já disse que você só não se perde porque já é perdida. — Como é que eu vou entrar em casa? Eu não posso ter esquecido ela em casa de novo. Olho para baixo do sofá e por um segundo penso em me abaixar, mas a voz da razão, vulgo Cooper, chama a minha atenção. — Nem pensar mocinha, você com essa barriga que pesa uma tonelada acha que vai se abaixar? Deixa que eu procuro — ele diz se levantando do sofá e se abaixa no chão para procurar a chave. — Você tem certeza que saiu de casa com a chave? Porque aqui embaixo não tem nada. — Certeza, certeza eu não tenho, mas... — Liz — ele grunhe frustrado. — Aceite que você esqueceu a chave. — Tudo bem, eu me rendo. Vou ligar para o Henry, eu preciso ir em casa pegar esses papéis. — Pego o meu celular na minha bolsa e antes de discar o número dele, olho para Cooper. — Acha que eu vou atrapalhá-lo? Eu nunca ligo quando ele está no trabalho, só em casos de extrema urgência, o que não é o caso. — Gata, isso é uma extrema urgência. Amber vai comer seus miolos se você não entregar esses papéis assinados ao representante — Cooper responde, dando de ombros. — Vai por mim, ele não vai se importar. Você está grávida, ele te ama e é isso. Liga logo! — ele exclama impaciente. Me dando por vencida após o argumento dele, ligo para Henry e sem sucesso. — O celular dele está desligado.

Me sento no braço do sofá e encaro o nada à minha frente. Cooper tem razão, Amber vai comer meus miolos. Estávamos esperando por essa resposta a muito tempo, era de uma grande loja de cosméticos do Norte, que queria comercializar nossas peças. — Por que está com essa cara de morte? — Cooper pergunta. — Porque isso era importante — respondo em um suspiro. — Liz acorda! Seu namorado trabalha a algumas quadras de nós, você ainda tem pés para andar até lá? Talvez um carro? Ou espera que eu te leve nas costas? — ele continua a indagar na minha frente de braços cruzados. — Cooper, você é um gênio! — Levanto do sofá devagar, antes de pegar minha bolsa e sair correndo porta à fora, beijo a sua bochecha. — Você salvou a minha vida — murmuro.

Menos de meia hora depois, eu estava em frente ao prédio que o Henry trabalhava. Eu não precisava vir a esse lugar ou ter entrado aqui algum dia, para saber que só tinha belas mulheres por aqui. Já vi algumas que se esbarravam por nós em alguns lugares e que acenavam para ele, mas essa era a primeira vez que eu entrava aqui. Com a cara e a coragem, entrei pela porta giratória da empresa com o pé esquerdo, se algo desse errado pelo menos eu poderia justificar o motivo com esse argumento. — Boa tarde senhorita, posso ajudá-la? — A bela recepcionista me perguntou, sem esconder o sorriso que era mais belo ainda. Meu Deus, como eu nunca vim aqui antes? — Boa tarde! — saúdo da mesma forma amistosa que ela, mas não sorrio. Só de pensar nela sorrindo assim para o meu Henry, eu vejo vermelho. — Eu gostaria de falar com Henry Carter, se fosse possível é claro. — Só um momento que eu vou ver se ele pode lhe atender. A senhorita é alguma cliente dele? — ela pergunta — Não, eu sou a noiva dele — a informo, e ela me olha dos pés à cabeça, seu olhar demora em minha barriga mal disfarçada pela blusa e quando volta a me encarar, seu olhar é de incredulidade. Não entendi a incredulidade dela, tudo bem que não somos noivos, mas moramos sob o mesmo teto, dividimos a conta e teremos um bebê, isso conta

não? — Sim, só um momento que eu vou perguntar a ele — ouço a recepcionista falar, e só agora percebo que ela já estava ao telefone. Ela tapa com a mão o aparelho e se vira para mim. — O senhor Henry disse que não tem noiva alguma, inclusive ele é solteiro. Ele pediu que perguntasse o seu nome — ela informa, com os lábios torcidos e sem graça por me repassar a informação. Engulo à seco o nó que se formou em minha garganta e tento dar o meu melhor sorriso para ela. — Diga que era a Lizzie Gravel, mas que eu já estou de saída. — Não esperei pela sua resposta, apenas dei as costas e saí o mais rápido possível daquele lugar.

Eu não sei como eu cheguei até aqui, mas ao vê-lo confuso ao abrir a porta para mim, percebo que não foi uma boa ideia. — O que aconteceu? — Liam pergunta. Ele segura em minhas mãos trêmulas e me puxa para dentro do seu apartamento. Após fechar a porta, ele anda comigo até a sala e me senta no sofá. — Liz, eu estou ficando preocupado com você, fala alguma coisa — ele pede se ajoelhando em minha frente para me encarar. — Eu não devia ter vindo para cá, mas o Tyler foi para Miami com a Violet, Amber não está aqui e o... — Um soluço alto escapa da minha boca, impedindo que eu termine de falar. Eu tentei não chorar durante o trajeto para o apartamento de Liam, tentei ignorar o aperto que eu estava sentindo e eu tentei ignorar a ardência que sentia em meus olhos, mas nesse momento tive a total certeza de que havia sido em vão. Eu estava magoada por estarmos juntos há um ano e ele ainda usar status de solteiro, estava magoada por ninguém além de nossos amigos saberem sobre nós e a minha gravidez. Eu estava decepcionada, porque achei que para ele isso era algo além de carnal. Quantas mulheres por dia devem dar em cima dele, por ele ser solteiro e ele as corresponde? — Shhh, não chore — Liam murmura e envolve seus braços ao meu redor,

me abraçando. — Seja lá o que for, vai ficar tudo bem. — Não vai, sabe por que Liam? Porque eu vou ser uma mãe solteira e sozinha! — exclamo aos prantos, me soltando dele. — De onde você tirou isso? Mesmo que você fosse solteira, você tem a mim, Amber e Tyler... Balanço a cabeça negativamente e sentindo minha visão ficar turva por conta das lágrimas. — Você não pode ficar assim, faz mal para o bebê. Eu vou preparar um chá para você e quando você estiver mais calma, me conta tudo o que aconteceu tudo bem? — ele propõe e eu assinto, incapaz de contestar. Minutos depois Liam voltou com uma bandeja cheia de biscoitos e chá. Tomei contra a minha própria vontade o chá e fui obrigada por ele a comer no mínimo dois biscoitos. — Está mais calma? — ele pergunta. — E com fome e sono também, o que tinha nesse chá? — pergunto e ele ri, quando me vê pegar mais um biscoito na bandeja. — Amber tinha muita dificuldade para se alimentar na gravidez, como ela precisava de ferro por causa da anemia, Zara receitou umas vitaminas — ele se explica. — E você misturou no meu chá? — pergunto, fingindo indignação. — Conheci a sua melhor amiga grávida. E você não é diferente dela, nós dois sabemos que você não iria comer e muito menos beber o chá. — Você seria um pai incrível — digo, e me encosto no sofá. Cruzo as minhas pernas e deito a minha cabeça no ombro de Liam. — Por que você está aqui? — ele pergunta sem rodeios. — Porque você é o mais próximo dela que eu tenho. Estar com você é como ter uma parte dela por perto e eu preciso tanto dela — murmuro baixo. — Não foi o que eu perguntei, mas fico feliz em saber isso. — Ele fica em silêncio e depois de soltar um suspiro longo murmura: — Eu também preciso dela. — Por que você não vai atrás dela? — indago. — Porque ela precisa viver, ser livre e ter as próprias escolhas e conquistas. Por que você está aqui? — ele pergunta mais uma vez. — Henry mandou me dizer que é solteiro — digo rápido demais e o rosto confuso de Liam quando se vira para me olhar me faz rir e chorar ao mesmo

tempo. — Eu não entendi direito, respira e repete comigo. — Ele começa a respirar fundo e soltar o ar, e eu não consigo conter a minha risada ao vê-lo fazendo isso. — Você está rindo ou está chorando? Espera que eu vou pegar minha maleta de socorros para te examinar... — Liam para! Eu estou bem — digo, tentando cessar minha crise de risos e secado minhas lágrimas. — São só hormônios da gravidez. — Vocês grávidas são um fenômeno esquisito — ele murmura. — Conte devagar o que aconteceu. Sem deixar nada de fora, conto tudo o que aconteceu para Liam, que me ouve pacientemente. — Eu acredito que deva ter uma boa explicação para isso — ele murmura perplexo. — E tem! Ele disse que não queria nada sério quando nos conhecemos, ele não estava preparado para relacionamento e nem eu. Mas por que ele me fez deixá-lo entrar? Por que ele ultrapassou as minhas barreiras e sabendo disso ficou? — Porque ele ama você — Liam afirma. — Ele não me ama! — exclamo alto. — Liz, são os seus hormônios falando por você e ficar agitada não faz bem para o bebê. — Você está querendo dizer que eu não tenho motivos para estar assim? — pergunto, ele dá de ombros. Pego uma almofada ao meu lado e bato nele com ela. — Eu tenho motivos para estar assim sim! — grito, batendo nele mais uma vez. — Você é uma péssima pessoa, eu quero a minha pessoa, quero a minha melhor amiga — choramingo. Receoso, Liam puxa a almofada da minha mão e me abraça. — Eu não sei o que ela diria se estivesse aqui Liz, mas eu conheço o meu melhor amigo e sei que há uma explicação para isso. Só se acalme, por favor — ele fala, em uma tranquilidade que me acalma. — É só respirar não é isso? — pergunto me afastando. Ele assente e ficamos em silêncio. Inspirar e expirar. Liam me observava com seus olhos atentos e preocupados. — Por que eu não me apaixonei por você? — indago, com um meio sorriso.

— Porque a sua melhor amiga te passou a perna — ele responde, entrando na brincadeira. — Amber sempre fazendo as melhores escolhas e você é a melhor escolha dela. Seu celular toca, deixando-o sem tempo para responder. Pude ver nome gigantesco de Henry na tela do celular quando Liam o pegou para atender. — Ele quer saber onde você está — Liam murmura, com a mão na frente do celular o tampando para que Henry não pudesse ouvir. Balanço a cabeça negativamente, eu não quero vê-lo agora. Só preciso de um pouco de espaço. — Henry, ela está aqui... Sim cara, ela está bem. Deixe-a só por um tempo, ela precisa disso. — Era o que ele falava entre um suspiro e outro, certamente Henry o estava cansando com as suas perguntas. Quanto mais ouvia a conversa deles, mais o meu peito se apertava. Levantei do sofá disposta a procurar algo para comer na cozinha, eu estava com fome e talvez isso me distrairia. Não demorou para que Liam aparecesse na cozinha, seu sorriso era de satisfação ao me ver comendo um sanduíche gigante e cheio de queijo. — Nem um pouco saudável, mas pelo menos está comendo algo — ele murmura, sentando a minha frente. — Ele está preocupado Liz, você deveria ligar para ele ao menos. — Não, eu preciso pensar e me acalmar. Amanhã é outro dia e eu o enfrento, posso ficar aqui? — pergunto. — Você sabe que pode, ele também não está em casa. — Ele foi atrás dela, não foi? — Eles são amigos, Liz. — Como eles eram? Liam sorri nostálgico e debruça sobre a bancada, me olhando diretamente nos olhos. — Harper era como o cérebro dele, ele não funcionava muito bem sem ela. Raramente eles brigavam, quando isso acontecia você logo os via juntos no dia seguinte, era como se nada tivesse acontecido. Ela também foi a sua fortaleza e a sua esperança quando nem mesmo ele tinha, ela foi tudo que ele tinha. Meus lábios tremem e eu prendo meu lábio inferior entre meus dentes mordendo com toda força que eu tinha, o gosto de sangue invadiu a minha boca.

Eu quis saber sobre eles, eu procurei e agora tenho que saber lidar com isso. — Mas nada, nada se compara ao que ele tem com você e ao que construíram juntos. Ele nunca olhou para Harper da forma que olha para você, ele nunca insistiu tanto em alguém como insistia em você. Eles eram tudo Liz, menos namorados. Hoje vendo ele com você, vejo que eles eram apenas dois amigos que precisavam de alguém e não sabiam quem, duas pessoas que precisavam uma da outra até encontrar a pessoa certa. Ele encontrou você, não posso dizer que ela encontrou a pessoa certa, ainda acho que ela deve escolher melhor. Sua careta ao falar do Aiden, me faz rir. Eles se falam hoje em dia, não são lá um tipo de melhores amigos, mas são amigos. Amigos que implicam um com o outro vez ou outra. — Mas ele fez a escolha certa para ele, de uma forma estranha vocês se completam. Porque vocês são dois loucos sem cérebros, que encontraram um no outro uma forma de funcionar juntos e sem cérebro. Ele não precisa da Harper e você não precisa ser uma encalhada para sempre. — Eu já disse que eu deveria ter me apaixonado por você? — pergunto o fazendo sorrir. Três batidas fortes na porta fizeram Liam saltar do banquete, nós sabíamos quem era e como se também soubesse o bebê chutou forte. — Você não pode fazer isso comigo toda vez que seu pai estiver por perto — resmungo, com a mão na barriga. Liam me olha confuso e eu aponto para barriga, para que ele entendesse que pela primeira vez eu não estava agindo como uma louca. — Eu vou atendê-lo, se quiser ir para o quarto... você sabe, ele vai entrar aqui de qualquer forma. — Eu sei e por isso eu mesma irei atendê-lo — digo decidida e determinada. Saí da cozinha e fui diretamente para a porta de entrada, respirei fundo antes de abrir a porta e encarar seus olhos azuis desolados na minha frente.

Henry Carter “E todos os meus amigos, eles sabem e é verdade. Não sei quem eu sou sem você” Tell Me You Love Me – Demi Lovato

Soltei o ar que eu prendia ao vê-la parada na minha frente, ela estava segura e nada de ruim havia acontecido. Depois que Stacy havia ligado e informado que minha noiva queria falar comigo estranhei, mas quando ela disse o nome da Liz ao mesmo tempo que eu sorri orgulhoso eu perdi o ar. Eu disse que não tinha noiva alguma, o que não era mentira. Nunca que eu imaginaria que Liz iria se referir a si mesma como minha noiva, nem mesmo ela se referia como minha namorada. — Liz... — murmuro, sem tirar meus olhos dos dela. — Podemos ir para nossa casa e conversar? O apartamento de Liam, não era o local mais indicado para nós termos uma conversa ou até mesmo uma discussão, ele já tinha problemas demais para lidar. — Você quis dizer sua casa? — Tento interrompê-la, mas ela continua: — Sim, nós podemos, mas não hoje. — Por favor, Liz — peço em um sussurro. Ela olha para os lados e passa as mãos no cabelo. De longe, observo Liam fazendo sinal e sibilando algo para ela. — Tudo bem. — Ela volta a me olhar. — Pode ir na frente, eu estou de carro e sei o caminho. Não era o que eu esperava ouvir dela, mas aceitei prontamente. No caminho para o meu apartamento, recebo uma mensagem de Liam dizendo que devo alimentá-la, ela não comeu nada além de meio sanduíche. Seguindo seu conselho, parei em um restaurante italiano e comprei o que ela mais amava comer, lasanha. Outra mensagem chegou, dessa vez de Harper dizendo para ter paciência, que os hormônios na fase final da gravidez estão muito mais aflorados e para manter a calma que tudo iria dar certo.

Estacionei o carro na garagem e ao sair do mesmo, vi que o carro dela já estacionado na vaga ao lado. Tomando coragem, segurei firme nas sacolas e pedi a Deus para que tudo desse certo. Meu apartamento estava silencioso demais quando entrei, eu sabia que ela não viria para cá, mas ainda tinha esperança de que ela viesse e visse meu apartamento como nosso. Deixei as sacolas em cima da bancada da cozinha e fiz o meu caminho até o apartamento vizinho, determinado a trazer a mulher que eu amo para a nossa casa de uma vez por todas. Não toquei a campainha, bati na porta. Só eu fazia isso, ela sabia. Foi assim que ela me viu pela primeira vez, batendo na porta do apartamento do meu melhor amigo. Em poucos minutos a porta se abriu, Liz estava vestida apenas com um short de pijama e com um topper, sua imensa barriga estava à mostra e eu sorri ao vê-la levar a mão até a barriga e resmungar algo baixo. — Ele está chutando? — pergunto, olhando diretamente para a sua barriga. — Hoje bem mais do que o normal — ela responde. — Eu trouxe comida. — Levanto a cabeça para olhá-la. — Trouxe? — indaga desconfiada. — Trouxe, está na nossa cozinha. Dessa vez ela não me contrariou, ela entrou de volta no apartamento e quando voltou, estava com o celular em mãos e Snow no seu encalço. — Pensei que ele estivesse com o Liam essa semana. Depois que Amber viajou, Liz e Liam se dividiram a ficar com ele. Liam o quis por motivos óbvios, mas Liz o queria porque estava maternal e apegada demais a essa pequena bola de neve. — Eu o trouxe para me fazer companhia — ela fala, entrando e meu apartamento. — Eu sou a sua companhia. Ignorando o que eu disse, ela revira os olhos e caminha até a cozinha. — Já adianto que só estou aqui por causa da comida. Eu não duvidava disso, Liz amava comer. O dia que ela não estivesse com fome, algo de errado havia.

— Podemos conversar agora? — pergunto, quando ela coloca o último pedaço de lasanha boca. — Por mim... — ela diz, dando de ombros. Solto um suspiro longo e antes de começar a me explicar, prendo meu cabelo em coque. — Eu quero começar dizendo que eu não fazia a mínima ideia que você se referia a si mesma como minha noiva. Imagina o quanto eu fiquei confuso quando a Stacy disse que a minha noiva queria falar comigo? Eu me perguntei quando foi que eu fiquei noivo e não fiquei sabendo. Foi um mal-entendido Liz, e dos grandes. Não que eu não tenha gostado de saber que você se refere a mim como seu noivo, eu fiquei feliz pra caralho! — digo entusiasmado. — Mas você não pode me culpar e querer terminar comigo por isso, nós somos uma família agora, essa é a sua casa, nossa casa. Eu sou o seu lar! Ela engole em seco e abaixa a cabeça, ouço-a respirar fundo e, quando ela levanta a cabeça e me olha novamente, sinto vontade de me socar. Seus olhos estão cheios de lágrimas e percebo o quanto ela está lutando contra elas. — Ela disse que você é solteiro Henry, solteiro! — ela exclama, e uma lágrima escorre em seu rosto. — Não que eu me importasse antes, mas percebi que ninguém além dos nossos amigos sabem sobre nós, você é solteiro por onde quer que passe. O quão idiota eu fui indo ao seu trabalho, com uma barriga imensa e ainda cometer a burrice de falar que sou a sua noiva quando nem mesmo você tem uma namorada? Balanço a cabeça negativamente. Ela não deveria pensar assim. — Minha vida pessoal não é da conta de pessoas que não são tão importantes assim para mim. As pessoas mais importantes da minha vida sabem quem você é e o que é para mim, não entendo porque isso agora Liz. Mas se isso te deixa feliz, amanhã eu te apresento a todos no meu trabalho. — Aparecer lá como alguma coisa sua depois do papel que eu fiz hoje? Não, muito obrigada. Aí mesmo que vou ser idiota. — Você não é idiota Liz, a culpa é minha. — Ai que droga! — ela exclama, secando as lágrimas. — Por que eu estou me importando tanto com isso? Maldito seja esses hormônios e você para de brincar de futebol dentro de mim — resmungando com a própria barriga, ela

seca as lágrimas que escorrem pelo rosto. Levanto e me ajoelho de frente para ela, sem esperar seu consentimento, toco em sua barriga desnuda. O impacto dos chutes são fortes e dava para ver o pezinho se movendo a olho nu. — Ela é forte — digo, sorrindo ao deslizar minha mão pela sua barriga de um lado para o outro. Harper disse que o contato acalma o bebê nessa fase de agitação e parece que funcionou. — Você disse ela? — Liz indaga, surpresa Levanto a minha cabeça alarmado. — Sim, você disse! Ela estava brava de novo e a agitação na barriga começou novamente. — Seu estado de nervosismo não está fazendo bem para o bebê — desconverso, tentando fazê-la esquecer o que eu disse. — Eu não acredito que você descobriu o sexo do nosso bebê sem mim — ela murmura, decepcionada. — Eu não descobri! — contesto. — Para de mentir Henry. Ainda brava, ela afasta as minhas mãos da barriga e se levanta. Andando de um lado para o outro, ela murmurava coisas para si mesma. — Dá para falar comigo? — indago. — Se você queria tanto saber qual era o sexo do bebê não podia me dizer para descobrirmos juntos? Você tinha que descobrir logo com a sua exnamorada? É uma descoberta importante para nós e você descobre sem mim Henry! Por que você não respeitou a minha decisão? — ela indaga. — Decisão que por sinal, você foi de acordo. Você quis deixar assim. — Me desculpa. Eu estava arrependido, não tinha justificativas que amenizassem o quão culpado eu era. — Por que ela te contou? Ela não podia ter me respeitado também? Eu preciso ficar sozinha. Ela chama Snow e caminha até a porta, antes que ela abra, seguro em sua mão a impedindo. — Antes de passar por essa porta, me ouça — peço.

Relutante, ela assente em silêncio. — Eu estava na casa dela, havia alguns prontuários em cima da mesa e um deles era o seu. Harper sempre foi muito dedicada e gostava de levar prontuários para estudar, quando eu vi o seu imaginei o pior. Seu rosto perde a cor e seus olhos espantados, me transmitem todo medo e preocupação que havia nela. — Eu pensei duas vezes antes de pegar para ver o que tinha de grave dentro. Eu queria e não queria saber, mas não havia nada — explico, antes que ela entre em pânico na minha frente. — Era apenas seu ultrassom e alguns detalhes, foi impossível não ler e não me emocionar ao ver que teríamos uma menininha. Uma menininha grande e saudável, ela tem 31 centímetros e aproximadamente 1 quilo e meio — completo, sorrindo. Imóvel parada na minha frente, ela engoliu em seco e piscou os olhos tentando afastar as lágrimas. A puxo para perto de mim, envolvo meus braços em sua volta e deito a sua cabeça em meu peito. Soltando um suspiro longo seguido de um soluço, ela deixou sua guarda cair e chorou baixinho. Faço carinho em seu cabelo e fico em silêncio esperando que seu choro se acalmasse, sem me importar com as lágrimas que molhavam a minha camisa. — Eu sei o quanto era importante para você, me perdoa por ter estragado isso. O medo de algo ruim acontecer com vocês era maior que tudo. Eu jamais me perdoaria se houvesse algo errado e eu não fosse capaz de lutar contra, antes que fosse tarde demais. — Afasto sua cabeça do meu peito e seguro em seu queixo, fazendo ela olhar diretamente para mim. Me perdoa — murmuro, e encosto meus lábios em sua testa. — Me perdoa, eu te amo tanto, tanto. Agarrando no tecido molhado da minha camisa, ela balança a cabeça a cabeça assentindo e fecha os olhos. — Então vamos ter a nossa garotinha? Ela abre os olhos e me encara. — Sim, a nossa garotinha — confirmo, dando um meio sorrio. — Meu pai tinha razão. — Sua voz saiu animada. — É, ele tinha — murmuro, contragosto. — Você não está feliz? — ela indaga, apreensiva. — Eu estou feliz Liz, estou muito feliz! — afirmo e reafirmo, para que não haja dúvidas. — Então qual é o problema?

— Não gosto de dar razão ao seu pai, isso alimenta o ego dele. — Tenho que concordar — diz ela, rindo e me abraça. — Nós estamos bem? — pergunto, para me certificar. — Eu acho que nós estamos bem — ela responde. Suspiro aliviado. Era como se um peso tivesse sido tirado das minhas costas. Eu nunca me perdoaria se a perdesse por besteira. Liz é o meu começo sem fim.

Liz Gravel “Tudo pelo que passei, me levou até você. Então eu faria tudo de novo.” Again – Bruno Mars

​Eu estava no meu último mês de gestação, graças a Deus. Meus pais já estavam instalados em sua nova casa, era perto o suficiente de mim e eu estava radiante em tê-los tão perto agora. E o meu pai ficou feliz da vida ao saber que teríamos uma menininha. Nunca vou me esquecer da frase épica que ele disse a Henry. Deus tarda, mas não falha. Agora você irá sentir na pele o que é ser pai de menina, vai pagar à juros por todas as mulheres que passou na sua vida. Afasto meu pensamento com a voz de Amber no meu ouvido, aperto mais o celular na minha orelha para ouvi-la melhor. Estava impossível ouvi-la com o barulho dos meninos. — Que barulho é esse? — Amber pergunta. — Eu estou começando a achar que ao invés de ter um bebê eu terei dois ou três se você não voltar e pegar o Liam de volta. Amber eu não aguento mais! Ouço a sua risada do outro lado da linha, enquanto observo os meninos atentos ao jogo que passa na televisão. — Eu sinto sua falta — murmuro. — Você pode ficar grávida para sempre? — Tchau, Amber! Desligo o celular e não demora mais que um minuto para ela retornar. — Ei! Você desligou na minha cara — ela resmunga. — Você pediu por isso — retruco. — Eu estava brincando, embora... — Pense bem no que você irá falar — digo a interrompendo. — Você fica muito mais sensível, carinhosa e fácil de lidar grávida, estou amando você assim, não que eu não te amasse antes, mas... — Tá, eu já entendi Amber.

— Ok, agora me conte as novidades. — Então... Em duas horas eu resumi o que fiz durante a semana inteira para Amber, contei que acatei sua sugestão e Emma estava cuidando da decoração do quarto da minha filha e contei que Henry descobriu que era uma menina. Eu estava sentindo a falta dela, mas ver que ela estava se recuperando e virando uma nova mulher me confortava. Depois que desliguei o celular, caminhei para sala a fim de me juntar aos meninos ou seria crianças? — A língua de vocês ainda existe? — Liam indaga, assim que me sento no sofá. — Você não tem casa? — retruco e ele dá de ombros. — Três horas foi o tempo que você levou no celular, a conta quem paga? — ele continua. — Fala logo que você quer saber como ela está e para de encher o saco da minha namorada — Henry entra no meio, sem tirar os olhos da televisão e as mãos do controle do videogame. — Eu não quero saber como ela está! — Liam argumenta. — Aham. — Henry e eu falamos ao mesmo tempo. — Tá, eu só quero saber se ela está bem, se consegue dormir à noite, se está feliz... — Ela está bem Liam, ela não tem mais problemas para dormir e sim, ela está feliz, está se reencontrando — digo o interrompendo —, mas você deveria perguntar isso a ela — concluo e assisto ele engolir em seco. — Eu prefiro assim Liz — ele responde. — Ganhei! — meu namorado grita em comemoração. — Presta atenção no jogo, você perdeu durante as 2 últimas horas. — Vocês não têm mais o que fazer além de passar horas jogando videogame? — pergunto olhando para as duas “crianças” em minha frente. — Não! — os dois respondem uníssono. — Pizza então? — sugiro e eles assentem.

Era quase uma da tarde quando eu acordei, tem sido assim todas as

segundas após os finais de semana em que Liam vem para cá. Tyler e Violet também se juntam a nós, mas como estão viajando aproveitando as férias e a gravidez recém descoberta de Violet, só restou Liam. — Bom dia preguiçosa — Henry murmura, ao me ver. — Bom dia. Está de saída? — pergunto, ao vê-lo sentado no sofá e arrumado. ​Acho estranho, por mais que seja uma segunda-feira, Henry pegou uma licença de uma semana pelas horas acumuladas em seu banco de horas. — Vou encontrar o Liam daqui a pouco — ele responde. — Mas, ainda tenho um tempinho para a minha garota favorita. Ele estica o braço para segurar em minha mão e me puxa para me sentar em seu colo. — Algum plano para hoje à noite? — ele pergunta e eu nego com a cabeça. — Bom, vamos ter uma noite nossa então. — Nós não temos uma noite nossa desde quando minha barriga virou uma jabulani mutante, Henry — informo. Gargalhando, ele acaricia minha barriga. — Não ligue para o que a sua mãe falou, ela só está estressada porque está a quatro meses sem desfrutar do corpo nu do papai junto ao dela. — Henry! — exclamo, o repreendendo. — O que? Não disse nenhuma mentira — ele argumenta. — Eu não quero nem imaginar as coisas que você irá falar para a nossa filha. — Ela sequer vai saber o que significa a palavra nu — ele resmunga, sendo interrompido pelo som da campainha. — Por que ele toca a campainha se tem a chave? — indago. — Para jogar na nossa cara que ele não interrompe o sexo dos outros — ele explica. Me levanto do seu colo e vou para a cozinha, enquanto ele vai abrir a porta. Esquento no micro-ondas o resto da pizza de ontem, a comida que Henry fez não estava nem um pouco agradável. — Boa tarde Liz — Liam saúda, minutos depois. — Eu mal acordo e você já vem roubar meu namorado, então não, não é uma tarde boa — resmungo.

O micro-ondas apita, eu retiro o prato com as fatias de pizza e me sento no banquete para comer. — Pizza uma hora dessas? — Seu amigo não fez uma comida agradável hoje, me deu náuseas só de olhar para o frango. — Mas não foi eu que fiz o almoço, foi a Maria — Henry diz. — Então qual o problema com a comida da Maria? — Acho que o problema sou eu, estou enjoada. — Você sempre é enjoada — Henry retruca. — Onde vocês vão? — pergunto. — Vamos, vamos... — Henry parecia buscar as palavras. — Na clínica — Liam responde. — Huh, tudo bem então. Não queria ir mesmo. — Dou de ombros e mordo um pedaço da pizza. — Você é tão mentirosa — Liam diz, apertando meu nariz. — Não temos que ir? — Henry pergunta apressado. — Por que a pressa? — indago, desconfiada. — Quanto mais rápido irmos, mais rápido eu volto para você — ele responde. Sorrio satisfeita com a sua resposta. — Então, vamos né? — Liam o chama, cutucando com o braço. — Tudo bem ficar sem mim por algumas horas? — Henry pergunta, se aproximando de mim. Como eu não tinha escolhas, dei de ombros e assenti. Henry inclina seu rosto, deixando-o próximo do meu e beija meus lábios. — Eu amo vocês — ele murmura, ainda com seus lábios pressionado nos meus e acaricia a minha barriga. — Nós também amamos você. Ele se afasta a tempo de eu ver Liam revirando os olhos. — Você não tem direito de reclamar — digo, apontando o dedo na sua direção. — Eu vi você e a minha melhor amiga fazendo coisas obscenas em plena luz do dia. — Por que será né? Talvez seja porque vocês não conhecem uma coisa

chamada campainha ou a frase: bata antes de entrar — ele retruca. — Vocês já podem se retirar. Abano a minha mão em sua direção. — Tchau Liz, nos vemos mais tarde — ele diz, saindo da cozinha. — Vou tentar não demorar — Henry diz, e antes de seguir Liam, beija meus lábios mais uma vez. — Tragam chocolates para mim! — grito, para que eles ouçam. Depois que eles saíram fui para a sala ver televisão, mas não tinha a mínima graça assistir sem companhia. Então mandei mensagem para Cooper vir me fazer companhia e deixar uma das meninas novas que ele colocou como subgerente responsável pela loja. Enquanto ele não chegava, fui para o quarto tomar um banho para acordar de uma vez. Eu acabei de ter uma ideia e precisaria estar bem acordada para isso.

— Meu salário todo está nessa mesa — Cooper diz, indignado com o valor da mesa de pebolim a nossa frente. — Para de ser exagerado — digo, rindo da sua mão pousada em seu peito de forma dramática. — Amber, diga para ela que isso é um exagero — ele diz, com um fone de ouvido na orelha, enquanto o outro estava na minha. — Cooper, ela deu a mesa que ele tanto amava. — Solto um grunhido a interrompendo. — A mesa que ele gostava de jogar para o atual namorado da ex dele. Ela faz bem em comprar uma nova — ela diz, reformulando a frase. — Continuo achando um exagero — ele retruca. — Você compraria um Louboutin que custa três ou quatro vezes o valor dessa mesa? — ela pergunta para ele. Se rosto se contorce em dúvidas, era claro que ele compraria. — É um Louboutin né gata? Não tem como deixar passar — ele diz, pondo um fim na nossa pseudodiscussão. Depois de encerrar a ligação com Amber e me decidir sobre qual mesa levar, precisei barganhar o vendedor para que a entregasse hoje e que fizesse uma marcação personalizada na mesa.

Tive que pagar a mais por isso e Cooper quase viu estrelas. — Para de ser mão de vaca — digo, enquanto caminhávamos até o estacionamento. — Você gastou mais de quinhentos dólares em uma mesa, uma mesa Lizzie! Sabe o quanto eu beberia com esse dinheiro? Balanço a cabeça rindo, e destravo o alarme do carro. Jogo a chave para ele e abro a porta do carona para entrar. — Virei motorista agora? — Estou grávida, no último mês de gestação e a minha filha pode nascer a qualquer momento. Até mesmo enquanto dirijo, e eu preciso descansar Precisei reforçar no drama, e em um instante ele já estava dentro do carro. Cooper me deixou em casa e por hoje, deixei o carro de Amber com ele. Esse carro era mais rodado que qualquer coisa em nossas mãos. Henry ainda não tinha chegado, e eu torcia para que ele demorasse mais um pouco. A loja ficou de entregar a mesa de pebolim antes das cinco horas e ainda era quatro horas. Com medo de que Henry apareça e estrague a surpresa, resolvo mandar uma mensagem. Eu: Por mais quanto tempo Liam ficará usufruindo de você? Henry: Já estamos indo para casa. Oh merda. Plano B, Liz. Começo a digitar uma mensagem rápida para Liam. Eu: Você me deve um favor. Liam: Eu sempre estou te devendo favores, estranho não? Eu não me lembro de ter lhe pedido um. Eu: Eu sempre te mantenho informado sobre a Amber, isso é um favor. Liam: Você fala porque quer, eu não te pergunto absolutamente nada! Solto um suspiro frustrada. Era a mais pura verdade, ele nunca perguntava. Saber sobre ela o reconfortava, mas ele sabia que ao perguntar estaria falhando na promessa de deixá-la viver sem que ele se intrometesse. Liam: Do que você precisa? Comida? Eu: Por que vocês sempre acham que eu preciso de comida? Liam: Por que você sempre pede? Eu: Idiota! Preciso que enrole o Henry, por favor.

Liam: Está aprontando o quê? Liz, Liz... A campainha toca, para o meu alívio. Eu: Só o enrole por mais vinte minutos. Deixo o celular em cima do sofá e me levanto. Faço o meu caminho até a porta e antes de abri-la observo pelo olho mágico. Graças a Deus. Abro a porta e dou passagem para que os entregadores passem com as peças da mesa, em seguida eu os levo até o quarto de jogos e indico o local em que ela deve ficar. — Ela vai demorar para ficar montada? — pergunto, enquanto observo eles posicionando os pés sobre a mesa. — Não senhora, só vamos parafusar os pés e testar antes. Depois estará pronta — um deles responde. — Certo. Só nesse tempo se passaram cinco minutos, só me restavam quinze. Pego meu celular e novamente mando uma mensagem para o Henry. Eu: Estou com desejo do Panda Express :) Eu não aguentava mais comer comida japonesa ou chinesa, mas foi a única coisa que me veio à cabeça. Só eu sei o quanto Amber fica irritada com o tamanho da fila daquele lugar, empecilho perfeito para ele demorar. Era por uma boa causa, eu estava precisando de tempo. Muito mais tempo do que pedi a Liam para enrolá-lo.

Henry Carter “Mas eu quero ficar com você. Até que nós fiquemos grisalhos e velhos” Say You Won't Let Go – James Arthur

Eu não sabia se isso iria dar certo, mas estava torcendo para que dando certo ou errado, ela me dissesse sim. Há um bom tempo eu venho pensando em pedir a Liz em casamento, depois do episódio no meu trabalho reforçou mais ainda essa vontade. Saber que ela se referiu a mim como noivo, me fez querer providenciar isso o mais rápido possível. Com isso, contei com a ajuda de Liam para escolher um anel para pedi-la em casamento. E só o fato de Liz não desconfiar da nossa saída repentina para clínica foi um alívio, nada poderia dar errado. A minha escolha foi um anel Tiffany Co ouro branco, com uma pedra central no formato de flor em destaque e havia oito pedrinhas de brilhantes em cada lado da pedra central, sem completar a volta do anel. Liam ficou na loja vendo alguns anéis, enquanto eu fui atrás de uma loja no shopping que tivesse fantasias. Entrei em uma infantil e logo uma atendente veio me atender sorridente. — Posso ajudar? — Eu gostaria de uma fantasia — digo, ela me olha com uma sobrancelha arqueada. — Do Super-Homem — completo. E agora entendendo meu pedido, ela me conduziu até um corredor onde tinha vários tipos de fantasia infantis. Pegando uma das fantasias do SuperHomem, ela me estendeu no ar me mostrando. — Perfeita, mas não é esse o tamanho — informo. Ela pega outros tamanhos, e eu balanço a cabeça negativamente para cada um deles. — O senhor não sabe o tamanho que deseja? — ela pergunta, torcendo o lábio confusa. — É para mim — murmuro.

Colocando a mão no queixo, ela me analisou dos pés à cabeça e sorriu. — Eu vou dar uma olhada no estoque, o senhor pode ficar à vontade — ela diz, e sai me deixando a sós pela loja de brinquedos. Aproveito a deixa, para andar pela loja no setor de brinquedos de meninas. Isso me fez lembrar que Liz e eu não compramos nada ainda para a nossa filha, a história de manter o sexo em segredo só nos fez comprar cores neutras e até mesmo o quarto estava sem cor. Parecia sem vida, falei isso todas as vezes em que entrei naquele quarto durante a pintura. Meu celular toca no bolso da minha calça, o pego preocupado com a ideia de ser Liz. Ela estava sozinha a tempo demais e nesse último mês de gestação tudo me preocupa. Desbloqueio e leio a mensagem que Liam havia acabado de mandar, perguntando onde eu estava. Expliquei em qual loja eu estou e não demorou para que ele me encontrasse. — O que você está fazendo aqui? — ele pergunta se aproximando. — Vim comprar uma fantasia — o respondo. — Fantasia? — ele indaga confuso e eu assinto. Voltei a olhar pensativo para os brinquedos infantis, queria que Liz estivesse comigo e escolhesse coisas a seu gosto para a nossa filha. Que além de não ter um quarto direito, nem nome tinha. — Minha filha ainda nem tem nome e muito menos um quarto. O que você acha disso? — pergunto, querendo saber a opinião dele. — Eu acho que vocês são loucos — ele responde sem precisar pensar. Viro meu rosto para encará-lo. — O quê? — Ele se virou para me olhar. — Não me olhe com essa cara, vocês estão no último mês de gestação e até agora o quarto não está pronto. Minha mãe estava ficando louca porque vocês não sabiam qual passo dar, por não saber se era menino ou menina. Liam voltou a sua atenção para frente, ele tinha um sorriso no rosto enquanto olhava para os brinquedos. Eu queria poder dividir com meu melhor amigo toda a felicidade que eu estou sentindo em ser pai. Queria poder dar a ele um pouco da minha responsabilidade só para vê-lo desfrutando da paternidade uma vez que seja, ele é o meu melhor amigo e merece muito mais do que tem.

— Vocês já conversaram sobre nomes? — Se fosse menino, eu iria escolher e se fosse menina ela iria escolher. Esse foi o combinado depois do parto, mas como eu descobri antes, pensei que fossemos escolher juntos. Então, ela disse que eu perdi esse direito no momento que descobri o sexo sem ela — explico. — Você vai se casar com a mulher mais louca que eu já conheci — ele pondera. — Eu sei — confesso, sorrindo. — E é por isso que eu a amo. — Leve um móbile. — Ele aponta para uma caixa na prateleira. — Chloé e Claire ficavam calmas com a música, apesar de ser irritante. Depois vocês dois compram as coisas que faltam, eu já falei para a minha mãe que é uma menina e ela está toda animada refazendo a planta do quarto. Sorrio grato, por Emma se preocupar com isso. Foi ideia da Liz solicitar os serviços de Emma para decorar o quarto da nossa filha. — Desculpa a demora, senhor... — a atende diz, aparecendo com uma fantasia em mãos. — Eu tenho a fantasia perfeita para você. Liam vira o pescoço para o lado e a olha confuso. — Thor? — ele indaga. — Estamos em falta com a fantasia do Super-Homem que possa caber em você — ela lamenta e estende a fantasia no ar. — Mas me perdoe pelo atrevimento, acho que você ficará muito melhor na fantasia do Thor. Um som de uma risada ressoou pelo corredor, não precisei me virar para saber de quem era essa risada. — Eu vivi para ver isso? — Fica quieto, Liam — resmungo. Sem conter os risos, Liam pediu licença e pegou a fantasia das mãos da atendente. — Por que Thor? — pergunto, diretamente para a atendente. — O Thor tem cabelos grandes e o senhor também — ela explica o óbvio. — Falta um martelo — Liam comenta, adorando tudo isso. — Fica no outro corredor, irei buscá-lo — a atende diz, se afastando mais uma vez. — Me diz que isso é um fetiche sexual de vocês? — Liam, indaga. — Nós estamos grávidos, não há chances de ser um fetiche — o lembro. —

Eu vou pedi-la em casamento vestido de Thor. Mais uma vez, estava aqui o meu melhor amigo rindo da minha cara. — Me lembre de não o chamar na próxima vez que eu precisar de ajuda — sentencio e ele dá de ombros. — Você vai me chamar mesmo assim. — Você é um melhor amigo de merda. Após pagar a fantasia completa do Thor e o móbile, Liam e eu estávamos a caminho de casa quando Liz mandou uma mensagem. — Mudança de rota, Liz está com desejo do Panda Express — informo, a Liam. — Quero alguém que me ame, da mesma forma que Liz ama comer — ele brinca. — Você tem quem te ame dessa forma. E eu sei que você comprou algo para ela — digo, o observando enquanto ele manobra o carro. — Não comprei para ela — ele diz, me deixando surpreso. — Comprei para a minha mãe, o aniversário dela está chegando. — Pensei que tivesse sido um anel, mas pensando bem, Amber já tem uma coleção de anéis que você deu não?! — digo, e ele dá um sorriso torto. — O que você pretende com isso de não a procurar? — pergunto. — Eu vou no momento e lugar certo. Nós temos uma história e eu vou atrás do recomeço dela no nosso lugar. — Quando? — pergunto curioso. Ele estaciona o carro próximo ao Panda, em seguida desliga e me encara. — Informações demais por hoje, Thor — ele zomba. — Vá logo e não demore.

Cerca de meia hora depois, eu estava dentro do elevador indo para o meu apartamento. Pedi que Liam subisse comigo e inventasse que precisava de algo que estivesse no apartamento de Amber. Isso iria distrair Liz e me daria tempo necessário para vestir a fantasia. — Tem certeza que eu não posso ficar para ver isso? — ele pergunta, mais uma vez. — Ela irá te contar depois, com todos detalhes.

O que não era uma mentira, Liz contaria tudo para ele. Que iria ouvir tudo prontamente dando risadas. Melhor amigo da onça. As portas do elevador se abriram e caminhamos em silêncio até o meu apartamento, antes de abrir a porta, me virei para Liam. — Não esquece do nosso combinado — digo baixo. — Sim senhor. Vamos logo acabar com isso — ele diz, empolgado. Não sei pelo o que ele estava mais empolgado, em poder me zoar por me vestir de Thor ou por realmente fazer parte disso. Abri a porta e entramos no apartamento. Não havia sinais de Liz pela sala, muito menos pela cozinha. Deixei as sacolas com a comida em cima do balcão da cozinha e lhe enviei uma mensagem perguntando onde estava. — Ela está no apartamento, vou encontrá-la — Liam informa. Segundos depois ela me responde à mensagem, dizendo a mesma coisa que Liam havia acabado de informar, ela estava no apartamento de Amber. — Só a enrole o máximo que puder, eu mando mensagem quando estiver pronto — digo, e ele assente. Esperei que ele saísse. Era 5:45 e até que eu organizasse tudo, já seria noite. Tentando ser mais ágil o possível, comecei a arrumar o nosso jantar na mesa à beira da piscina. Quando terminei, chequei mais uma vez se tudo estava em seu lugar. Pratos e talheres, ok. Vinho, ok. Vinho? Liz não pode vinho. Praguejo e pego o vinho em cima da mesa e o guardo novamente na cozinha. Brindaríamos a isso com suco de caixinha, isso bastava se a sua resposta fosse sim. Eu não tinha ideia de como fazer o pedido e depois que eu caí em si sobre isso, o pânico me bateu. Como se faz pedido de casamento? Eu nunca pensei que um dia eu realmente estaria nessa posição. Enquanto caminho para o quarto com a fantasia em mãos, pesquiso na internet como se faz pedidos de casamentos. Não acho muitas coisas além de

vídeos e tempo para assisti-los é o que eu menos tenho no momento. Seja o que Deus quiser.

Eu estava totalmente a caráter vestido de Thor na área da piscina, quando ouvi a porta do apartamento se abrir. Somente a iluminação da piscina e as velas em cima da mesa iluminavam aqui fora, isso dificultaria ela a me enxergar através das portas de vidro, mas eu conseguia distinguir perfeitamente seu andar. Ela estava passando pela sala nesse exato momento. — Liz, vem aqui baixinha — chamo por ela, tentando conter o nó travado em minha garganta. — Henry? — Ouço a sua voz distante chamando de volta por mim. — Estou aqui fora. Os passos se tornaram mais próximos e as portas de vidros se abriram. Liz olhou para mesa exposta, até que seus olhos pairaram sobre mim. Sua mão foi levada até a sua boca, sufocando um riso. — O que você está fazendo vestido de Thor? — ela pergunta, ainda tentando segurar o riso. — Não era para ser o Thor, mas não tive outra escolha — começo, e devagar me aproximo dela. Deixo o martelo de plástico em cima da mesa e retirando a caixinha de anel do bolso da fantasia, me ajoelho em sua frente. — Eu lembro o quanto eu me encontrei em você na primeira vez que saímos juntos, nós nos parecíamos tanto, mas tanto que eu fiquei assustado. Me perguntei como seria se eu me apaixonasse por você, eu estaria ferrado ou ferrado. Nós compartilhávamos as mesmas ideias e pensamentos, você tinha toda a sua segurança e eu tinha toda a minha lábia, então aconteceu nós. Sabe por que eu estou vestido de Thor? — pergunto. Surpresa, ela balança a cabeça negando, seus olhos estavam repletos de lágrimas. — Não, mas acho que acabei de ter um fetiche — ela brinca, para descontrair seu nervosismo. Dou um sorriso amistoso, abaixo a cabeça puxando uma respiração forte e

solto o ar devagar, voltando a me concentrar somente nela. — Nós estávamos sentados aqui quando o Tyler nos contou sobre quando você ficou bêbada. Eu lembro cada detalhe daquela história, lembro dele dizendo que você achou que era a mulher maravilha, que amarrou um casaco no pescoço e queria voar. Mas mulher maravilha não tem asas, você nunca estaria a salva se realmente pulasse do Big Ben, a ideia era se vestir de Super-Homen, mas não tinha uma fantasia que coubesse em mim. Um soluço saiu da sua boca, e eu continuo: — Eu quero te fazer se sentir segura todos os dias da sua vida, eu não vou ser o seu Super-Homem, mas você ainda será a minha mulher maravilha. Eu tenho um martelo e podemos voar com ele, eu não me importo em pular com você da torre do Big Ben e muito menos me importo de passar o resto da minha vida com você. Eu não precisei ir tão longe para encontrar o amor da minha vida, você cruzou a minha vida Liz, ultrapassou uma barreira que eu temei que você ultrapassasse, porque eu sabia que no minuto que você passasse por ela, eu estaria ferrado. E olhe agora para mim, terei a primeira filha de muitos filhos que teremos juntos. Você de longe é a mulher mais normal que eu já conheci na minha vida e é por isso que eu a amo, você tem um jeito único de ser. Eu quero dar um novo passo no nosso relacionamento, apesar de que para mim nós já somos casados a muito tempo. Você me faz dormir sorrindo e acordar sorrindo em dobro ao saber que você ainda está ali quando eu abro os olhos. Liz, você é meu início que não tem mais fim. Abro a caixinha deixando o anel à mostro e seguro em sua mão um pouco trêmula. — Seja a minha Lizzie Gravel Carter. Case comigo. Espero cheio de expectativas por sua resposta. — Jesus! — É o que sai da sua boca, seguido de um soluço. Balançando a cabeça de um lado para o outro enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto. Sua mão abandonou a minha e dando passos para trás... Ela me abandonou também.

Liz Gravel Porque talvez você será aquela que me salva. E no final de tudo, você é minha protetora. Wonderwall – Oasis

Eu nunca pensei que um dia alguém me amaria a ponto de querer passar o resto da vida comigo, não até encontrar Henry. Sua paciência comigo era gigantesca, até mesmo agora quando eu saí o mais rápido possível do seu apartamento e voltei para o apartamento de Amber e me tranquei nele. Eu estava com as costas encostada na porta, meu peito subia e descia rapidamente e minhas lágrimas não paravam de descer. Me apressei em pegar o celular no meu bolso e ligar para Amber, no mesmo segundo ela me atendeu. É 7:30 aqui em Manhattan, provavelmente em Madrid é muito tarde. — Espero que você esteja ligando para me informar que a minha afilhada nasceu, caso contrário não vejo motivos para você estar me ligando as duas da manhã Liz! Respirei aliviada ao ouvir a sua voz, e tentando controlar meu choro eu chiei. — Liz? O que está acontecendo? — ela pergunta alarmada. — Eu fui pedida em casamento — digo, em uma lufada de ar. — Isso é maravilhoso não?! A empolgação na sua voz era nítida e isso só me fez voltar a chorar. — Liz, o que há de errado? — Eu não disse sim, eu fugi e... e eu acho que estou tendo um ataque de pânico. — Oh merda — ela pragueja, e a ouço soltar um suspiro longo. — Tudo bem, você está bem e eu não estou nervosa — ela diz, tentando se controlar. Agora eu acho que nós duas estávamos tendo um ataque de pânico. — Liz, inspira fundo e expira devagar, repete comigo até você se acalmar. Por longos minutos, nós ficamos inspirando e expirando. Quando passou,

nenhuma de nós falou algo, apenas ficamos em silêncio. — Liz? Coço a garganta em resposta, para que ela saiba que eu ainda estou aqui. — Você o ama? — ela pergunta. — Eu o amo muito, Am — respondo, sentindo um aperto no peito. — Então me explique o porquê disso. Ouço ruídos e vozes do outro lado da linha, e espero até que os barulhos se afastem para começar a me explicar. — Eu não sei, eu só estou com medo de não ter um casamento como o dos meus pais... — Liz, ouça-me bem que eu só vou falar uma vez está bem? — ela diz, me cortando. — Eu entendo que você está assustada, não se sinta mal por isso. Só coloca na sua cabeça oca, que o Henry te ama e em breve vocês irão formar uma família. E se você parar para pensar, você já está em um casamento como o dos seus pais. Vocês moram juntos Lizzie, não adianta falar que às vezes dorme longe dele, porque é mentira. Nem mesmo quando eu estava aí, você dormia sem ele. Feche os olhos — ela pede. — Fechar os olhos? — indago. — Sim, feche eles. Fechou? — Solto um suspiro em resposta. — Agora imagina você daqui há uns vinte anos. — Vinte? A incredulidade em minha voz a faz rir. — Liz, quando você fecha os olhos e imagina seu futuro, você vê o Henry nele? Eu vejo. Eu o vejo sentado no sofá esperando a nossa filha chegar de alguma festa, eu o imagino tendo um ataque de ciúmes, imagino ele ao meu lado todas as noites quando me deitar e já o vejo fazendo birra para ter mais atenção da nossa filha do que eu. — Você o vê! — ela afirma por mim. — Vocês terão algumas chuvas, talvez até tempestades se tratando de vocês, mas nada como um novo dia sob o sol. Volte para ele e lhe diga o sim que ele tanto precisa ouvir. — Eu vou fazer isso. — Se você não fizer, eu mesma faço quando chegar aí. Batidas na porta nos interrompem, eu sabia que era ele, mas ainda assim,

viro meu corpo ficando de frente para a porta e olho pelo olho mágico. — Amber, ele está vestido de Thor — murmuro baixinho. — O que? Mentira! — ela pergunta rindo. — Por favor, dê me isso para compensar você ter me acordado em plena madrugada. — Liz, abre a porta para mim baixinha. Eu esperei que você estivesse pronta uma vez, eu serei paciente e esperarei até que você esteja pronta para dizer sim — Henry diz. Vejo-o encostar a testa na porta e me afasto dela. — Essa é a hora que eu devo desligar. Estarei acordada ansiosamente esperando pela foto. Dou uma risada baixa e concordo. — Eu te amo Liz, vai ser feliz. — Eu te amo e você deveria fazer o mesmo. — Tchau Liz! Ela encerra a ligação, e eu espero alguns minutos para abrir a porta. Quando abro, encontro o olhar de Henry devastado. Jogo meus braços em volta do seu pescoço o abraçando, e deito a minha cabeça em seu pescoço. — Eu te amo. — Encosto meus lábios em seu pescoço e traços beijos pela sua clavícula, queixo e bochecha, até chegar em sua boca. Me afasto para olhá-lo nos olhos e não gosto do que vejo. Eu odeio ter sido eu a culpada por plantar essa insegurança e o medo que refletem em seus olhos. — Vem comigo — digo, sorrindo e seguro firme em sua mão. Fecho a porta do apartamento de Amber e o puxo de volta para dentro do nosso apartamento. O levo direto para o quarto de jogos e caminho com ele na direção da sua nova mesa de pebolim. — Mesa nova? — ele indaga, ainda apreensivo. Solto a sua mão, me encosto na mesa e apoio meus cotovelos na parte alta da mesa onde fica a trave do gol. Seu corpo estava muito próximo do meu, a única coisa que nos separava por completo era a minha barriga. E espero que isso seja o suficiente para impedi-lo de ver o que eu estou escondendo. — É que eu gostava muito mais de jogar futebol de mesa com você e o Liam, do que jogar videogame — minto. — Eu não sou muito boa no videogame

— completo e ele sorri. — Você não é boa em perder para nós — ele me corrige. — Isso também — concordo, sorrindo torto. — Eu sei o quanto você gostava da Harper, de ambas. — Reviro meus olhos o fazendo rir. — Mas acho que agora você vai gostar um pouco mais dessa, ela não se chama Harper e muito menos Liz... Afastando-me da mesa, me aproximo dele novamente, mas dessa vez fico ao seu lado. Seus braços circundam a minha cintura e eu estico meu braço para tocar o nome gravado na mesa. — Miá — ele sussurra, com a voz embargada. — Eu pensei em dar o nome da sua mãe, mas em uma noite enquanto debatíamos sobre nomes, você disse que queria que ela tivesse um nome que não nos fizesse lembrar de alguém que já se foi. Disse também que a nossa filha terá uma vida inteira pela frente e toda vez que a chamarmos deveremos nos sentir feliz e orgulhosos, e não tristes por chamá-la pelo nome de alguém que desejamos muito que estivesse aqui. E eu sei o quanto você queria que a sua mãe estivesse aqui. Viro minha cabeça para encará-lo, seu rosto se vira de encontro ao meu, seus olhos marejam e um meio sorriso permea em sua boca. Deslizo minha mão até o seu rosto e acaricio o mesmo. — Eu aceito me casar com você Henry, nós aceitamos casar com você! — digo, me referindo a nossa filha também. — Eu seria louca se não aceitasse me casar com você, ainda mais vestido de Thor. — Eu me sinto o Thor mais sortudo do mundo. Sorrindo, ele inclina seu rosto para encostar seus lábios nos meus. Meu celular vibra em meu bolso, interrompendo o que deveria ser um beijo. — Eu preciso que você faça uma pose muito sexy, tipo Thor e sorria — digo, logo após pegar meu celular e ler a mensagem de Amber. — Liz... — ele começa a me repreender, quando eu me afasto e ergo meu celular para frente. — Por favor, é a Amber e eu prometi que lhe mandaria uma foto por tê-la acordado. Contragosto, ele faz o que eu pedi. Mas não sorri, ele cruza os braços na altura do peito e me olha sério. — Jesus! Você é difícil — resmungo.

Tiro uma sequência de fotos e envio para Amber. Amber: Eu espero encontrá-lo ainda nessa fantasia, quando meu avião pousar em seis horas. Liz: Está brincando comigo? Eu sou uma mulher grávida, quase parindo! Uma foto foi enviada por ela em seguida, ela e Gael estavam dentro de um táxi. Amber: Estamos chegando no aeroporto, vejo vocês em breve! Ps: Espero que tenha boas horas de sono, porque amanhã nós temos algo grande. Liz: O que? Buscarei vocês. Amber: Não! Poupe energias. Liz: Você não tem direito de escolha. Eu vou e está decidido. Ela não me respondeu mais. — Eu fui ignorada — digo, indignada para Henry. — Nós podemos continuar da parte onde paramos? Aquela que eu me ajoelho novamente — ele diz, se ajoelhando em minha frente e segura em minha mão. — E agora você diz: Sim Henry, você é o amor da minha vida e eu mal posso esperar pelos orgasmos que você vai me dar vestido nessa fantasia. Dou risada da sua perfeita imitação da minha voz, e balanço a cabeça assentindo. — Sim, sim e sim. Eu quero ser o amor da sua vida e sim, mal posso esperar pelos orgasmos que você vai me dar vestido nessa fantasia — brinco, não tanto empolgada assim, não haveria orgasmo algum. Ele desliza o anel pelo meu dedo e o beija em seguida. — Eu amo você, e amo você também — ele diz, beijando a minha barriga. — Agora eu estou triste pelos orgasmos que não terei. Ele ri ao se levantar e segura meu rosto com as duas mãos. — Acho que eu posso dar isso a você sem precisarmos ultrapassar os limites. — Huh, eu gostei disso — digo, encostando meus lábios nos seus. Meus lábios se separam dando espaço para a sua língua passar. Provo do seu beijo como se fosse o único e último. Eu tento me aproximar mais para beijá-lo profundamente, mas a minha barriga impede que seu corpo esteja no

meu da forma que eu gostaria que estivesse. O nosso beijo desacelera e um gemido frustrado sai da minha boca. — Vamos para o nosso quarto — ele murmura, ainda com os lábios encostados nos meus. Balanço a cabeça assentindo. Nós ainda tínhamos seis horas até que Amber chegasse, e seis horas nós iríamos aproveitar como deveríamos.

​Era duas horas da manhã quando o celular tocou em cima do criado mudo. Abri meus olhos e pisquei duas vezes seguidas, antes de pegar o celular e checar a mensagem. Amber havia chegado. Eu estava feliz, com sono e feliz. — Henry, acorda — murmuro, balançando seu braço. Rapidamente ele se sentou na cama e olhou para os dois lados. — O que foi? A bolsa estourou? — pergunta alarmado, me fazendo gargalhar. — Lógico que não! Vamos buscar a Amber no aeroporto — informo. — Eu acho que não ouvi direito, jurava que ouvi você falar Amber, mas ela está do outro lado do país — ele diz sonolento, voltando a se deitar. Me levanto da cama e antes de fazer o caminho até ao banheiro digo: — Você ouviu certo.

Eu queria correr pelo saguão do aeroporto e abraçar a minha melhor amiga, eu não a via há cinco malditos meses desde o desfile da Privilège. Mas Henry não deixou, o máximo que eu pude fazer foi caminhar até ela e abraça-la como se estivesse abraçando o mundo. Agora já estávamos em nosso apartamento, Gael se apossou do meu quarto, ou melhor meu antigo quarto e nos deixou a sós. — Eu não acredito que você acordou o Gael em plena madrugada e atravessou o país por mim — digo, um pouco chorosa. Ok, talvez eu estivesse bastante emotiva. — A minha melhor amiga precisava de mim, e isso é o que melhores

amigas fazem — ela diz, mas no momento em que me olha e olha para vestimenta de Henry, ela completa: — Ao contrário de você, que não pode segurar seu futuro marido vestido de Thor para que eu pudesse ver. Henry rola os olhos, com o drama de Amber. — Se for te fazer feliz, amanhã ele irá vestir para que você possa ver com os próprios olhos — eu asseguro. — Vou? — Henry pergunta. — Sim você vai — eu afirmo. Ele se levanta do sofá e caminha até Amber, mais uma vez ele a abraça e beija em seu rosto. — Sinto muito em desapontar vocês, mas não. Não vou me vestir de Thor de novo, Rabbit eu amo você e não adianta fazer essa cara de cachorrinho sem dono. — Eu saí da Espanha, levei oito horas em um voo e você me diz que não vai se vestir de Thor para mim? Saiba que o sim, que você recebeu foi graças ao meu incentivo — ela apela. — Sem chances Rabbit — Henry diz, relutante. — Tudo bem, tudo bem — ela diz desistindo. — Agora vocês podem cair fora do meu apartamento que eu preciso dormir. — Ela está me expulsando do meu apartamento? — eu pergunto fingindo incredulidade. — Seu apartamento agora é o da frente — ela diz, e sorri cúmplice para Henry. — Eu já disse que amo essa Rabbit? — ele indaga, me fazendo revirar os olhos. Eu odeio esses dois. — Tchau Liz, te vejo às nove. Vista algo confortável, como legging! — ela diz, ao nos levar até a porta. — O que vocês irão fazer? — Henry pergunta. — Eu te passo as coordenadas amanhã por mensagem, se eu fizer agora ela irá saber. Por ora só a acorde às nove — ela responde. — Mas são cinco horas agora — tento contestar. — Eu saí do... — Do outro lado do país para vir me ver e blá blá blá, isso é golpe baixo.

Baixíssimo — retruco a cortando. — Amo vocês, é bom olhar para essa sua cara de lua — ela murmura olhando para mim e desvia o olhar para Henry. — E para essa sua cara de pau Carter. — É bom olhar para seus cabelos também bola de fogo — Henry devolve. — Boa noite Am — me despeço dela, e fungando eu a abraço mais uma vez. — Henry engravide a Liz mais vezes — ela brinca, e me abraça de volta. — É o meu objetivo — ele informa. — Ela fica linda mansa. — Vocês são idiotas — resmungo, e me afasto dela. — E você nos ama — ela completa rindo, ela acena com a mão e fecha a porta do apartamento. Era bom tê-la de volta, mesmo que seja por poucos dias.

Eu não fui acordada às nove da manhã, eu fui acordada às dez e ainda assim, não estava satisfeita. — Anda Liz, eu te deixei dormir muito mais do que deveria — Amber diz, impacientemente. Saio de dentro do closet, vestindo uma calça legging, um blusão de alças finas e um topper por baixo. Amber estava da mesma forma, porém sem uma blusa. Ela estava apenas de legging e topper que deixava sua barriga à mostra do umbigo para baixo. Que inveja eu estou dela nesse momento. — Eu queria saber porque você está vestida como se fosse ir à academia e porque eu estou vestida da mesma forma se eu estou grávida de nove meses! Ela revira os olhos, e pega a bolsa traspassada que ela havia deixado em cima da cama. — Para de drama Lizzie, você está grávida e não doente — ela retruca e anda até a porta do quarto. — Eu posso saber onde nós vamos agora? — indago. Ela balança a cabeça negando. — Você vai saber quando chegarmos lá. Cadê o imprestável do seu namorado? — ela pergunta, quando descemos a escada.

— Não sei — digo, dando de ombros. — E é noivo — a corrijo, e ela sorri orgulhosa. — Você precisa comer, a Maria fez aqueles pãezinhos maravilhosos que só ela sabe fazer. Gael comeu quase todos — ela comenta. — E o Gael, como ele está com essa rotina de vocês? — pergunto. — Estamos falando do Gael, para ele isso tudo está sendo extraordinário e a maioria dos contratos com revistas e agências ele que conseguiu fechar — ela diz, me deixando surpresa. — Mulheres — ela esclarece o óbvio. — É claro que tinha que ter mulheres no meio, é o Gael. Você fez bem em contratá-lo, ele sabe barganhar. — Eu sabia que eu tinha feito a jogada certa. Caminho para a cozinha, sendo seguida por Amber logo atrás de mim. Seus olhos estão atentos a tudo que eu estou pegando para comer, aposto que Henry pediu que ela ficasse de olho em mim. — Quando você volta? — pergunto. — Na sexta — ela informa. — Então teremos mais quatro dias juntas. Se bem que dependendo do que faremos hoje, nem sei se vou querer olhar na sua cara — atiro, a fazendo rir. Depois que eu me alimentei, saímos do apartamento e Amber dirigiu até uma galeria que ficava no Brooklyn. Passamos pela recepção após ela informar nossos nomes a recepcionista, nos indicou qual era a sala que deveríamos entrar. — Agora você pode me dizer o que viemos fazer aqui? — pergunto. — Agora eu posso — ela diz, e abre a porta. Meus olhos se arregalam observando a quantidade de mulheres grávidas acompanhadas por homens e mulheres ali. Viro meu corpo pronta para dar meia volta, mas Amber está na minha frente e me faz virar de volta. — Você não vai fugir Lizzie, nós vamos fazer isso. Ela segura em minha mão e me leva para dentro da sala e fecha a porta. Algumas pessoas nos olham sorrindo, outras acenam e eu só consigo olhar para a barriga delas. — Hey, você veio — um rapaz diz, cumprimentando Amber com um abraço caloroso. — Nós viemos.

Ela acena confirmando e sussurra alguma coisa para ele, que a solta do seu aperto e se vira para mim. — Você é a Liz — ele afirma, só de me olhar. — Ela falou muito de você. Viro meu rosto para encara Amber, que dá de ombros e se afasta para pendurar a bolsa em um gancho na parede. — E você é? — questiono, arqueando minha sobrancelha. — Jimmy — ele se apresenta, com um sorriso amistoso. Amber se aproxima novamente. — A aula já vai começar e eu preciso que vocês peguem um colchonete e se posicionem em algum lugar — ele diz, apontando para um espaço vazio no fundo da sala. — Obrigada Jimmy, agradeça a Nina por mim — Amber diz, e ele assente. — É sempre bom poder ajudá-la. Espero que ele se afastar e me viro imediatamente para Amber. — Não me diz que você me trouxe aqui para flertar com um professor de ioga? — indago a mim mesma. — Ou sei lá o que ele é — completo, e ela balança a cabeça, segurando o riso. Sem me dar uma explicação, ela pegou dois colchonetes e seguiu para o fundo da sala. Jimmy pediu para que os parceiros ou parceiras, sentassem atrás das mamães e colocassem as duas mãos na barriga. O objetivo era se conectar ao bebê. Amber colocou os dois colchonetes no chão e se sentou, ela abriu as pernas para que eu me sentasse no meio delas e assim eu fiz. — Eu não acredito que eu estou fazendo mesmo isso — murmuro. — O Henry disse que tentou convencê-la a ir para aulas experimentais de pilates e ioga, mas você não quis. Ele deveria saber que você sempre foi sedentária, não seria uma gravidez que mudaria isso. — Que tipo de melhor amiga é você? — pergunto, sorrindo. — A melhor de todas — ela diz, e coloca as mãos em minha barriga. — Eu sei que você está nervosa, que às vezes sente medo e se pergunta se vai conseguir ser a mãe que a sua filha precisa ter, mas você mal sabe que já é a mãe que ela precisa ter Liz. Miá remexe em minha barriga, e eu passo a mão em meus olhos afastando

as lágrimas que começam a acumular. As palavras de Amber sempre tem efeito sobre mim, ainda mais quando ela diz coisas que eu não demonstro e não digo nem mesmo para ela. — Eu te trouxe aqui porque assim como você todas essas mães a nossa volta estão nervosas com a chegada de uma nova pessoa na família. São todas mães de primeira viagem, e aqui você vai relaxar sem preocupação alguma. Vai poder tirar dúvidas e trocar experiências com mulheres que têm as mesmas dúvidas e medos que você tem. Você será a melhor mãe Liz — ela afirma. — Eu acho que alguém concorda com você — digo, ao sentir novamente outro chute na barria e sem conter a emoção em minha voz. — Uma sugestão para vocês mamães de primeira viagem, principalmente as que pretendem terem um parto normal é sempre se alongarem nem que seja por cinco minutinhos antes do parto. Isso ajuda na dilatação — Jimmy informa. — Agora cada um em seu colchonete e vamos nos exercitar. Não querendo me dar o trabalho de me levantar, Amber saiu de trás de mim e se sentou no outro colchonete ao meu lado. Fizemos ioga e diversos tipos de alongamentos que eu sequer sabia que grávidas poderiam fazer. Eu me senti tão à vontade que quando a aula acabou, eu queria recomeçar de novo. Nós estávamos voltando para casa quando ela parou no sinal vermelho e virou o rosto para me encarar. — Ele é pai de uma das crianças que recebeu os órgãos do Luca — ela murmura. E a minha atenção que estava nas ruas, volta para ela. Seus olhos lacrimejavam e eu senti uma necessidade enorme de querer abraçá-la nesse momento, mas estávamos separadas por um cinto, um trânsito e à mercê de um sinal. — A filha dele foi diagnosticado com uma irregularidade pulmonar, nada que impedisse a Nina de trazê-la a vida, mas isso a deixou nervosa por meses. Então, ele teve a ideia de montar um grupo com gestantes em sua própria casa, os exercícios acalmaram a Nina e ela estar em volta de outras grávidas a deixou mais confortável, ela teve o apoio que precisava de pessoas que ela nem imaginava um dia conhecer — ela explica. Eu observo uma lágrima escorrer em seu rosto, rapidamente ela seca e sorri. — Achei que talvez você precisasse do mesmo, você sabe... Eu quase nunca estou por perto e às vezes o Henry não a compreenderia.

Quando dou por mim, eu estou chorando também. Amber ri e balança a cabeça. — Você fica feia quando chora, não deveria chorar — ela zomba e dá partida no carro quando o sinal abre. Levamos menos de dez minutos para chegarmos ao estacionamento do prédio, quando sai do carro, eu mal esperei que ela fechasse a porta e me joguei em seus braços. Eu precisava abraçá-la e agradecer por tudo que ela tem feito por mim e por ser a minha melhor amiga, a minha pessoa. — Obrigada — murmuro. — Obrigada por ser a minha pessoa, por ser a minha melhor amiga e por tudo que tem feito por mim. Eu amo você Am, e se eu matasse alguém agora você seria a pessoa que eu chamaria para esconder o corpo comigo. — Não vale citar Grey’s Anatomy, Liz. Isso é golpe baixo — ela murmura com a voz embargada. — Você fica feia quando chora, não deveria chorar — devolvo suas próprias palavras. Ela ri e desfazendo nosso abraço, ela seca meu rosto e eu faço o mesmo com ela. — Eu estou faminta, Henry disse que o almoço hoje era especial — ela diz. E antes de caminharmos em direção a portaria, meu olhar discretamente percorre o estacionamento do prédio e para exatamente no carro do Liam. Merda.

Henry Carter “Assim, quando estivermos separados. Você nunca estará só.” Never Be Alone – Shawn Mendes

​As segundas, Maria era inteiramente minha e as terças ela era do Liam, mas como ontem ele teve uma emergência calculei que ele não voltaria para casa hoje e roubei a Maria dele. Erro meu, porque antes mesmo que eu pudesse avisar a Liz sobre o meu deslize. Liam passa pela minha porta, eu diria feliz da vida, mas isso seria a maior mentira. Ele estava irado. — Você roubou a Maria hoje — ele acusa. — Eu peguei emprestada, é uma ocasião de extrema urgência e eu precisava dos dons culinários dela — tento argumentar. Liam se joga no sofá e deita a cabeça para trás. — Eu preciso de férias, uma bem longa e talvez infinita — ele murmura e fecha os olhos. — Você precisa dormir, e no seu apartamento — informo. — Meu apartamento está interditado no momento. — Ele olha para os lados cauteloso e diz: — Eu contratei uma equipe de limpeza para dar uma limpeza. — Finalmente! — exclamo alto demais, e sou acertado por uma almofada. Maria aparece na sala com um olhar assustado e nos olha. — Você não deveria estar no hospital? — ela indaga, e me olha com o pano de prato em mãos, prestes a atirar em mim. — E você para de gritar. Me afasto antes que ela atire o pano. — Eu estava no hospital Maria, mas fui liberado — Liam informa. — E tem uma equipe de limpeza limpando o apartamento. Para a nossa surpresa, Maria levantou as mãos e agradeceu. Ela odiava que outras pessoas tomassem seu lugar, isso incluía tudo que envolvesse nossos apartamentos. A situação do apartamento de Liam estava crítica mesmo em questão de

bagunça e limpeza, ou ela estava doente. — Tudo bem para você? — ele indaga e ela assente. — Seu quarto estava uma bagunça, eu ficaria uma semana o arrumando. A única coisa que podemos dizer que está em ordem naquela casa é a cozinha. — Maria você tirou um peso da minha consciência agora — ele diz. — Eu iria contar para ela de qualquer forma — eu digo, dando de ombros. — Irei voltar para a cozinha, não façam bagunça. Maria sai e eu aproveito para arrastar Liam até a sala de jogos, e lhe mostro a nova mesa de pebolim que Liz me deu. Enquanto ele mexe nos bonecos da mesa, eu vou até o bar e pego duas garrafas de cerveja. — Ela te deu isso antes ou depois do pedido? Você só mandou uma mensagem dizendo: eu fiz o pedido, ela saiu correndo. O que eu faço? Caminho em sua direção e entrego-lhe uma garrafa. Dou um gole em minha cerveja antes de começar a explicar todos os detalhes. — Ela se trancou no apartamento e ligou para Amber, em seguida não ela abriu a porta. Depois ela me trouxe até aqui e disse sim mais de uma vez — digo, o mais resumido possível. — Miá, gostei do nome — ele diz, passando os dedos no nome gravado na madeira. — Eu também, combina com Liz. Três letras apenas e é delicado — digo, concordando. Pego uma bola e posiciono no meio da mesa de pebolim, espero que Liam escolha qual lado quer ficar e solto a bola. Começamos a jogar e no meio da partida ele pergunta: — E depois que ela disse sim? Acho que agora é uma boa hora para contar que Amber está aqui. Pelo o que eu sei, eles não têm uma conversa de verdade desde o ano novo quando Liz ligou para ela. E eles não se veem pessoalmente desde a o desfile há quase seis meses. — Eu lhe dei o melhor orgasmo de noivado — digo, e tirando os olhos da mesa o vejo revirar os olhos. Analiso suas feições antes e ele para de mover os bonecos e me encara. — Um par de horas depois Amber chegou. — O que? — ele murmura, quase sem voz.

— É, essas coisas que nós temos, elas têm. Amber voou para cá logo depois que falou com Liz no celular. — Onde ela estão agora? — ele pergunta, curioso. — Amber a levou para uma aula especialmente para grávidas, no Brooklyn — informo. — Ela é incrível — ele diz, sorrindo. — Por ter levado a Liz para fazer ioga? — indago. — Se for por isso, sim. Ela era incrível, ela conseguiu algo que eu não consegui. — Se ela contou para Liz, a Liz te contará sobre isso. — Se você está dizendo... — Dou de ombros. Voltamos a jogar, estávamos em uma disputa acirrada quando ouvi a voz de Liz me chamando. — Já estou indo — grito, para que ela possa ouvir. — Vamos lá cara, só não tenha um colapso nervoso quando a ver. — Eu acho melhor ficar aqui, até que a zona esteja liberada para que eu possa ir embora — ele diz. — Liam, uma hora vocês vão se ver mesmo. Vocês dividem a mesma família e os mesmos sobrinhos. Faço questão de lembrá-lo sobre isso, não adianta ele fugir para sempre. — Ok, estou com fome mesmo — ele diz, dando o braço a torcer. Ao passarmos pela sala, ouvíamos vozes e risos. Que nos levou até a cozinha, Liz bebia um copo de água e Amber estava em pé debruçada sobre o balcão conversando com Maria. Quando notou nossa presença, os olhos de Liz esbugalharam, seu olhar estava sobre nós pelo canto do olho enquanto fingia beber água. — Vocês ainda não conversaram ainda sobre quando irão casar? — Amber perguntou. — Não tivemos tempo para isso, a única coisa que fizemos horas depois que ela aceitou foi ir te buscar no aeroporto — digo, me metendo na conversa. Ela não se virou, mas se recompões ficando ereta, eu podia sentir que Liam estava desestabilizado ao meu lado. Não só pela presença de Amber, mas pela roupa que ela vestia que valorizava todas suas curvas. — Em minha humilde defesa, não pedi que me buscassem, eu até tentei convencer a Liz a não ir me buscar, mas você conhece a namorada que... — Ela

se vira para me olhar e paralisa no lugar. — Tem — completa baixo. Tanto ela quanto Liam se encaravam em silêncio, nenhum dos dois faziam menção em falar com o outro. Intervindo, dou uma cotovelada nas costas de Liam e ele tosse. — Oi, Amber — ele diz, engolindo em seco. — Oi, Liam — ela responde, um pouco contida. — Então — Liz intervém, batendo as mãos. — O almoço está pronto e eu estou com muita fome. — Novidade — digo, e me aproximo dela a abraçando por trás, aproveito para acariciar a sua barriga. — Como foi a aula? — Foi um máximo, nós vamos de novo amanhã e quando Amber for embora você vai passar a ir comigo — ela diz entusiasmada. — Quando você vai embora Rabbit? — pergunto a Amber, que agora estava virada olhando para nós. — Sexta, pela manhã. Talvez um pouco depois, depende de como anda a minha agenda — ela informa, dando de ombros. — Huh, agora ela é importante — desdenho, sorrindo. — Sempre fui — ela retruca convencida. Almoçamos em um silêncio constrangedor, Liam e Amber tentavam evitar contato visual, mas hora ou outra pegávamos um olhando para o outro. — Então — Liz coça a garganta, chamando a atenção. — Aproveitando que vocês estão aqui, eu quero saber se vocês estarão de acordo em entrarem juntos em nosso casamento. Vocês sabem que é muito óbvio que serão nossos padrinhos — ela diz, gesticulando com as mãos. — Você nem sabe quando irá casar — Amber diz, olhando para Liam pelo canto do olho. — Eu quero casar quando a Miá estiver com um ou dois anos, ela faz parte da nossa história agora. Eu choro só de imaginar ela levando as alianças no altar — Liz continua, sem dar muita importância para o que Amber havia dito. Fico surpreso e feliz ao saber que Liz já pensa e faz planos para o nosso casamento. Pensei que ela seria relutante quanto a isso e que eu teria que insistir para que ela me ajudasse com os preparativos. Eu não quero ficar de fora de detalhe algum. — Por mim, não vejo problema — Liam concorda. — Bom, então estamos todos de acordo — Amber concorda também,

fazendo Liz sorrir triunfante. Ambos eram orgulhosos demais para dar o braço a torcer e aceitar que querem ficar juntos. — Vocês estariam de acordo querendo ou não — digo, e eles me olham com desdém. — Vocês irão ao nosso casamento por serem nossos melhores amigos e às vezes melhores amigos têm que fazer sacrifícios um pelos outros. — Quando foi que você ficou tão... — Tão? — indago, cortando ela. Amber parece procurar as palavras, mas fecha a boca quando não as encontra. — Tão intelectual — Liam completa, por ela. — Só estou sendo sensato. — Dou de ombros. — Podemos terminar nossa partida de futebol de mesa? Eu estava prestes a ganhar. — Que eu me lembre, eu estava na frente — ele diz, sorrindo vitorioso. — Lá vão eles começar a falar de futebol — Liz diz bufando. As duas levantam da mesa bufando e nos abandonando. Liam olha para elas saindo pela porta e dá de ombros ao voltar a me olhar. — Mulheres, nós podemos ouvi-las falar por horas sobre roupas, sapatos e galãs de série. E elas não podem nos ouvir falar de futebol? — Liam diz. — As mulheres têm razão até mesmo quando não estão certas meu amigo — digo. — Quem foi que te ensinou essa mentira deslavada? — Eu estou olhando para ele agora — informo, e ele ri descontraído. Eu tentaria aproveitar ao máximo as partidas de jogos com Liam, eu sabia que a partir do momento que ele passasse pela porta a fora, ele não voltaria até que Amber estivesse longe.

Liz Gravel “Serei seu abrigo. Serei sua tempestade. Farei você tremer de frio, manterei você aquecida.” Be Your Everything – Boys Like Girls

Nesses últimos dias eu estava ficando mais fora do apartamento que dentro, porque Emma estava concluindo o quarto da Miá. O que antes era apenas uma pintura, quase se tornou uma obra e o cheiro forte da tinta impedia que eu ficasse dentro de casa por muito tempo, mas essa tortura acabou ontem e a minha filha agora tinha um quarto digno de uma boneca. Henry e eu estávamos no elevador a caminho do cinema, mas não para vermos um filme e sim porque me bateu um súbito desejo de comer pipoca de cinema. — Você tem uns desejos loucos — ele diz. — De todos esse foi o mais normal, admita — me defendo. — Comer sabonete deve ser muito gostoso, ainda mais com pasta de amendoim. Ele segura o riso, e eu dou uma crise de riso ao lembrar do seu olhar incrédulo ao me ver comendo sabonete com pasta de amendoim, como se estivesse comendo a melhor lasanha do mundo. — Liz, por que você está urinando no meu pé? — ele pergunta, e meu olhar acompanha o seu para baixo. — Minha bolsa estou — digo, dando de ombros e pego meu celular na bolsa. — E você fala assim calma? — ele exclama, e começa apertar apressadamente o botão do elevador para subir novamente. — Henry, ficar apertando o botão não vai fazer o elevador subir mais rápido. — Minha filha não vai nascer no elevador! — ele grita, desesperado. — E nem agora, que cor é o líquido? — pergunto. Henry olha para o chão do elevador e volta a me olhar com cara de quem

estava prestes a desmaiar. Minha bolsa que havia estourado e ele que estava em desespero, e em desespero ele permaneceu enquanto eu ligava para Harper. Eu não estava sentindo dores, não ainda. O elevador chegou ao térreo e eu pressionei o botão para subir novamente. O desespero de Henry era tanto, que ele saiu correndo do elevador, me deixando para trás e entrou no apartamento. Quando eu estava passando pela porta, ele já estava descendo com as bolsas que eu havia preparado dias atrás para levar para a maternidade.

Repouso absoluto. Eu já estou chegando. Era que dizia a mensagem de Harper. A minha bolsa tinha estourado e as contrações se tonaram suportáveis, quase nem as sentia. Ela havia me explicado que após a bolsar romper, o parto pode acontecer em até 48 horas. E eu me recuso a dar à luz sem a presença das pessoas mais importantes da minha vida por perto e me recuso que outro médico que não seja Harper, faça o meu parto. Então se for preciso eu esperarei as 48 horas, até que ela e todos estejam aqui, mas havia um médico em questão que estava me irritando ao extremo. E eu estava tão calma antes, que nem parecia que eu estava prestes a dar à luz. — Liam, diga para esse idiota que eu não vou fazer o parto até que Harper chegue — digo, entredentes. — E eu não vou tomar porcaria alguma para induzir meu parto! — Senhora se acalme, eu não estou obrigando-a a fazer o parto comigo, só estou pedindo que considere a opção caso as suas dilatações aumentem — o médico diz, calmamente e eu quase me arrependo de ter sido grossa e o chamado de idiota. — Liz a Amber já está a caminho e a Harper também — Henry informa pacientemente. Harper havia ido para Miami com Aiden, visitar Paige, eu não a culpava por não estar aqui. Era o seu dia de folga. Liam murmura algo para o outro médico e ele sai do quarto, nos deixando a sós. — Está sentindo alguma dor? — Liam, pergunta.

— Eu estou bem, confortavelmente bem — o asseguro e aperto a mão de Henry, que não soltava da minha. — Eu estou bem Henry, eu juro! — Eu sei que está baixinha, mas eu que não estou bem — ele admite, fazendo Liam e eu rirmos. — Sabe o que me animaria agora? — Ele estreita os olhos e me encara. — Você se vestir de Thor e fazer uma dancinha bem legal para mim. — Isso também me animaria — Liam diz, entrando em complô comigo. — Nem pensar! — Henry balança a cabeça negando. A porta se abre devagar e meu pai coloca a cabeça pelo pequeno espaço aberto, sorri para mim e entra, sendo seguido pela minha mãe. Liam faz sinal para Henry nos deixar a sós, mas antes que ele saía eu o chamo. — Quando voltar esteja vestido de Thor, por favor! — digo alto, para que ele me ouça claramente. Minha mãe se aproximou da cama e me abraçou apertado, em seguida meu pai fez o mesmo. Eu mal conseguia esticar os braços para abraçar os dois, já que em uma das minhas mãos havia uma agulha com um tubo de soro. — Estamos tão ansiosos para conhecer a nossa netinha — meu pai diz, emocionado. — Isso é uma lágrima ameaçando a cair senhor Alec? — indago, sorrindo. — Lágrima? Onde? — ele diz, limpando o olho com a mão. Sorrio provocativa para ele e seguro em sua mão. — Ele chorou desde quando o Henry ligou — minha mãe confessa. — Eu estou tão feliz que vocês estejam aqui. Vocês prometem não me deixar de lado só porque agora têm uma neta? — pergunto e eles riem. — Querida, nós nunca vamos deixá-la, mas você tem que aceitar que agora outra pessoa tomou seu lugar, você era a nossa única menininha. Agora teremos duas — minha mãe diz. — E desde quando outra pessoa tomar meu lugar é diferente de deixar? É a mesma coisa! — Nós amaremos vocês duas da mesma forma minha princesa — meu pai diz, com uma voz melosa. — Não importa quantos filhos você tenha, nós amaremos todos e você mais ainda por estar nos enchendo de alegria. Gosto até um pouco mais do bundão do seu noivo.

Dou risada da forma que ele se referiu a Henry e nem me dou conta de que estou chorando. Eu estava prestes a ter a minha família e em pouco tempo eu estaria completa.

Henry Carter Meus pés batiam no chão impacientemente, eu estava nervoso, ansioso e aflito. E nem me dei conta, quando o pai da Liz se sentou ao meu lado no sofá. — Quando a Daisy foi ganhar a Liz, eu fiquei como você. Acho que um pouco pior, nós éramos novos demais e no começo da nossa vida adulta. Eu não sabia o que fazer, estava com medo e cada vez que ela gritava de dor, eu me acovardava, mas então eu ouvi aquele choro. Choro de crianças são irritantes, mas era a minha filha nascendo e o choro dela para mim era o mais lindo aos meus ouvidos. Ele sorri nostálgico, seus olhos brilhavam observando Liz e a esposa conversando. Ele vira o rosto e me olha da mesma forma. — A minha filha escolheu você, não sei porque, mas ela escolheu. Se ela te escolheu é porque você é o cara certo, e eu sou orgulhoso das escolhas delas e me sinto orgulhoso por você ser uma dessas escolhas. Você é a nossa família agora também Henry, e nós estamos orgulhosos de você — ele diz, e dá um tapinha em minhas costas. — Obrigado — murmuro. — Eu precisava disso, isso é importante para mim e importante para ela também. Sem dizer mais uma palavra ele me puxa para um abraço. Eu não sabia o que era receber um abraço fraternal há muitos anos, e receber um agora me fez me sentir mais confiante e menos nervoso. — Você não tem que agradecer filho, só a mantenha feliz como você já faz — ele diz, ao se soltar do nosso abraço. O conforto da palavra filho me abraçou e não sei se ele sabia, mas ao dizer essa simples palavra ele fez muito mais do que me abraçar. Viro meu rosto para olhar para Liz, ela está chorando e olhando para nós com um sorriso radiante no rosto. — Eu amo vocês — ela sibila. A porta mais uma vez se abre e o mesmo médico que nos atendeu mais

cedo, volta a entrar agora. Harper ainda não tinha chegado. Amber também não. Tyler teve que ir renovar o visto no Brasil e eu duvidava muito que conseguiria chegar antes que o bebê nascesse. O voo dele seria mais longo que o de Amber e Harper juntos. Dos três, Amber era a que estava mais perto. Ela estava em Los Angeles em um evento e seu voo duraria menos de quatro horas. Logo ela estaria aqui. E Harper, ela ainda deveria levar umas duas horas para chegar. Me levanto para ouvir o que ele tem a dizer a Liz, mas Liam entra na sala logo em seguida, com Harper. — Graças a Deus! — Liz diz, aliviada. — Como você está se sentindo? — Harper pergunta. — Eu estou me sentindo bem, com fome também — ela responde. — Isso é muito bom, pedirei para que providenciem algo bem gostoso para você comer depois do parto, por enquanto você não pode comer nada. Liz revira os olhos, contragosto. — Isso aqui é uma prisão — ela resmunga. Um coro de risos ecoa pela sala. O médico coça a garganta, e olha para Harper. — Liz, estamos vendo a possibilidade de você precisar tomar medicamentos que induza o parto, suas dilatações estão baixas — Harper explica. Liz respira fundo e posso imaginar que ela esteja contando mentalmente e se controlando para não ser grossa. — Harper, isso prejudica o bebê? Há chances de ela morrer, eu morrer ou algo do tipo? — Harper balança a cabeça negando. — Segundo médicos e relatos de amigas grávidas, a bolsa ter estourado ao significa que o bebê vá nascer imediatamente e se o líquido amniótico for transparente não precisamos ter pressa alguma. Estou errada Doutora Lawnson? — ela pergunta, diretamente para Harper. Seu jeito autoritário me encheu de orgulho e foi tão sexy. As aulas que Amber a matriculou não só ajudou Liz a tirar todas as dúvidas, mas a mim também. — Não, é só uma precaução caso você continue com a dilatação baixa.

Normalmente a sua dilatação deveria estar na fase latente. Você se lembra que conversamos sobre isso? — Harper pergunta. — Sim, eu deveria estar com 3-4 centímetros de dilatação. Então quanto centímetros tenho? — Quase 2 Liz. — Podemos fazer um acordo? — Liz pergunta e Harper assente. — Se daqui a 1 hora a minha... Mais uma vez a porta do quarto se abriu, eu me perguntava quantas vezes mais essa porta iria abrir e quantas pessoas a mais passariam por ela. Amber passou pela porta, em um vestido longo de gala. Quando ela disse que só viria com a roupa do corpo, não sabia que ela se referia a roupa que vestia no evento. Pensei que ela passaria em casa. Ela passa por mim e por Liam, indo direto para Liz. Ao meu lado, observo Liam puxar uma respiração funda e não tirar seus olhos dela. — Você pode voltar do lugar de onde você veio por favor? — Liz diz, nos deixando surpresos. — É um insulto você chegar aqui dessa forma, estou me sentindo feia — ela completa. Amber ri, sendo acompanhada por todos nós. Liz bate na ponta da cama para que Amber se sente, e ela o faz. As duas se abraçam e levam longos minutos abraçadas uma a outra. Harper coça a garganta, chamando a atenção delas. — Liz qual é o seu acordo? — ela pergunta. — Eu ainda acho melhor que ela aceite ser medicada para dar início ao trabalho de parto — o médico diz, se intrometendo. — Calma — Amber diz, e olha para Liz. — Me expliquem o que está acontecendo. — Minha bolsa estourou há dez horas, mas ainda não entrei em trabalho de parto. Minha dilatação está abaixo de 3 centímetros — Liz explica. — Por isso estamos recomendando a ela que ela aceite a medicação, induziremos o parto e... — o médico tenta prosseguir explicando, mas Amber levanta a mão o interrompendo. — Eu tenho uma ideia, movimentos verticais e mexer o corpo ajuda? — ela pergunta para Harper. — Sim, isso funciona. Funcionou com você não foi? — Amber assente e

desce da cama. — Ela não quer tomar medicamento algum certo? — agora ela pergunta para o médico e ele assente. — Se ela não quer, não cabe a você induzi-la a escolher isso. É uma escolha dela, ela não vai tomar medicamento algum, então você faça a merda de um favor de sair desse quarto e não voltar aqui até que a sua presença seja solicitada! — ela exclama. O médico sai do quarto e apenas Harper fica. — Uau Rabbit, isso foi... — Sexy e excitante — Liam completa, baixinho ao meu lado. — Qual a sua ideia Am? — Liz pergunta. — Harper, pode tirar a agulha da mão dela? — Amber pergunta, e se afasta. — Claro! Harper tira a agulha com cuidado da mão de Liz, enquanto Amber caminha até o canto do quarto e retira os saltos. Em seguida, ela se aproxima de mim, dá uma olhada rápida para Liam e estende a mão. — O que? — indago, levantando uma sobrancelha. — Seu celular, me dê — ela pede. Pego meu celular no bolso da frente do meu jeans e coloco na palma da sua mão. Ela vira-se de costas para nós e de frente para Liz. — Levante Liz, vamos dançar! — ela ordena. — Mas você está de vestido e longo — Liz diz, desacreditada. — Não seja por isso. Amber se vira novamente para mim e me estende o celular. Seguro o celular, e a observo segurar na barra do vestido com as duas mãos e puxá-lo com tamanha força até rasgá-lo. — Meu Deus! — Liz exclama, espantada e de pé. — Eu não gostei tanto assim dele — Amber diz, dando de ombros e rasga mais ainda o vestido. — Mas eu gostei, isso é um insulto — Liz choraminga. Quando o vestido bate acima dos joelhos Amber pega novamente o celular da minha mão. Me sento no sofá e Liam faz o mesmo. Nós dois estávamos estáticos olhando o que estava acontecendo sem acreditar. Os pais de Liz e Harper estavam em pé, próximos a porta, olhando com diversão para as duas.

Amber da play na música e coloca o celular em cima da cama, em seguida estende a mão para Liz, que a segura. As duas caminham para o meio do quarto, onde havia mais espaço. Elas começam a fazer a coreografia da música Flawless como se estivessem treinando os passos juntas para tal ato. Amber fazia Liz movimentar os quadris e girar. — Agora Liz — ela diz alto. Elas se abaixam até o chão duas vezes seguidas e na terceira Liz, grita, mas continua dançando. Seja lá o que elas estavam fazendo, estava funcionando. — Virou — Amber diz, mais uma vez. E as duas viraram e mais uma vez desceram até o chão. O quarto do hospital virou uma discoteca graças as duas. Todos nós estávamos nos divertindo assistindo elas dançarem. — Isso é surreal — Liam, murmura ao meu lado. — Eu estou adorando isso, me lembre de pedir a Liz uma dança particular. Liam balança a cabeça negativamente, com um meio sorriso no rosto — Liz, sente alguma contração? — Harper pergunta alto. Liz levanta o braço e confirma com a mão que sim, ela estava sentindo contrações. — Muito bem. — Harper bate palma, empolgada. A música acabou e aleatoriamente começou a tocar outra, elas não pararam de dançar até que Liz se segurou nos braços de Amber e espalmou a mão na barriga. — Ai meu Deus, vai nascer! — ela grita. Rapidamente, levanto do meu lugar e desligo a música no celular, em seguida, pego Liz no colo e a coloco novamente deitada na cama. A equipe de Harper entrou na sala, e em um segundo estavam preparando para mover a cama que Liz estava do lugar. — Nós vamos levá-la para a sala de parto, vai ficar tudo bem ok? — Harper diz, apertando a mão de Liz e se vira para mim. — Henry, vai com a Sienna. Ela vai preparar você para nos acompanhar. Segui Sienna, enquanto Harper seguiu com Liz para a sala de parto e os demais foram para a sala de espera.

— Não fique nervoso, se você continuar assim, vai passar instabilidade para ela e ela precisa da sua ajuda. Você será a força que ela precisa na hora de empurrar, consegue se manter como uma âncora? — Sienna pergunta, e estende para mim um avental hospitalar. — Consigo — afirmo, e visto o avental. — Coloque isso também. Ela me estende uma touca e uma máscara, eu visto e em seguida a sigo. Durante o caminho puxo e solto o ar tentando me acalmar. Ao entramos na sala de parto, Liz estava segurando a mão de uma enfermeira e Harper estava no meio de suas pernas abertas. Assumo o lugar da enfermeira e seguro a mão de Liz, que quase a esmaga apertando com força. — Henry, você não... — Ela fecha os olhos e grita. — Vai colocar uma criança dentro de mim tão cedo — ela completa gritando. Segurei firme em sua mão e a ajudei empurrar seu corpo para frente. — Ela é enorme, eu não vou aguentar. O que você fez comigo? — ela choraminga. — Liz, estou vendo a cabeça. Preciso que você faça mais um pouquinho de força, você consegue — Harper a estimular. Liz espreme os olhos e morde o lábio, usando toda a sua força, ela empurra o corpo para frente e eu uso a minha outra mão livre para empurrar suas costas. Meus olhos se perderam no segundo em que Harper levantou para o alto a minha filha e eu ouvi o seu choro. Agora eu entendia o que Alec, havia me falado horas mais cedo. Choros de crianças eram irritantes, mas o choro da minha filha aos meus ouvidos é o mais lindo do mundo. Ouvi-la chorando, fez o meu peito se encher de alegria. Nós agora nos tornamos três.

Liz Gravel “Diga que iremos juntos pelos mais escuro dos dias.” Let Me Love You – Justin Bieber feat. DJ Snake

2 anos depois Casamento... Casamen... Casa... Eu não conseguia mais repetir essas palavras em minha cabeça. A princípio nós queríamos que a Miá fizesse parte disso, a idade exata seria quando ela tivesse com dois anos. Para que ela levasse as nossas alianças até o altar, mas depois que ela fez um ano, tudo passou rápido e agora ela já tem dois e meio. A minha cachinhos dourados já tinha dois aninhos, corria o apartamento todo e já deixava Henry louco de ciúmes. Parece que foi ontem quando eu a segurei nos braços pela primeira vez e parece que foi ontem que eu estava dizendo sim, ao pedido de casamento do homem que era o amor da minha vida, ao meu Jesus. E aqui estava eu, a mil com os preparativos do casamento, quanto mais o tempo passava, mais a data se aproximava. Henry dizia que eu não deveria me preocupar com isso, mas como não me preocupar? Nem sei como é meu vestido, Amber insiste em manter em segredo, minha mãe quis ficar encarregada do buffet e conta com a ajuda de Stella, e Emma que se animaram em ajudar. — Liz, só relaxe. Você está se preocupando demais — Violet diz, balançando Vincent de um lado para o outro no colo, tentando fazê-lo dormir. A diferença da idade dele para Miá era de um ano, mas nem parecia. Ele era muito maior que ela e os dois amavam brincar juntos. — Você acha? — pergunto. — O casamento é daqui há três meses, você só tem que ser aquela que se atrasa... — Eu ouvi isso. Amor não ouça a Violet, esteja lá na hora em ponto —

Henry grita da sala. Rolo meus olhos rindo e volto a prestar atenção em Violet. — Eu só estou dizendo, que ela não deve se preocupar com as demais coisas além de ser a noiva — ela se explica. — Porque eu tenho preocupações, além de você que só sabe ficar jogando videogame! — retruco, alto. Nós estávamos sentadas na cozinha, enquanto eu cortava queijos e preparava algumas bebidas quentes. Era sábado, dia das crianças jogarem videogame enquanto nós mulheres ficávamos conversando. — Oi vocês — Amber diz animada, ao passar pela porta de entrada. Ela vem direto para a cozinha, sem ao menos passar pela sala e falar com o namorado. — Eu preciso de água — ela diz eufórica. Estendo um dos copos de bebidas para ela, e ela nega com a cabeça. — Água mesmo Liz — ela pede mais uma vez. Pego a jarra de água na geladeira e estendo um copo para ela. Violet e eu a observamos beber dois copos de água seguidos. Ou ela estava com muita sede mesmo ou nervosa. Quando ela termina de beber o terceiro copo, nossos olhares ainda estavam sobre ela. — Você está bem? — eu me atrevo a perguntar. — Eu estou grávida — ela solta. — Trigêmeos — ela completa. — Jesus! — exclamo incrédula, levando a minha mão até a boca para tapála. — Eu não fiz nada — Henry grita do sofá. — Três? — murmuro baixinho, para que ele e nem os outros não nos ouça. — Não me olhe assim, estou nervosa. Eu só estava esperando o primeiro ultrassom para ter a certeza de que estava tudo bem, e aí descubro que são três — Amber diz baixo. — Pode ter mais um escondido aí — digo, olhando para a barriga dela. — Meu Deus, você vai ficar muito grande, tipo, muito grande mesmo. — Liz! — Violet me repreende. — Deus te proteja, surto com dois.

— Dois? — ela e Violet indagam. Sorrio das suas expressões confusa e aponto para Henry, jogando videogame ao lado do Tyler e Liam. — Acho que as vezes quatro, tem o Tyler e Liam também. Estou pensando em pedir demissão e abrir uma creche aqui em casa, o que acha? — Você não aguentaria, são crianças demais para você tomar conta — Violet diz. Balanço a cabeça rindo, ela estava certa. Era demais para mim. Após Violet colocar Vincent para dormir, eu me ofereci para colocá-lo no quarto junto com Miá. A verdade é que eu queria uma desculpa para ir vê-la enquanto dormia. Eu nunca ia me cansar se observá-la, ela era tão parecida com o pai. Os olhos azuis, o cabelo loiro e o sorriso, a única coisa que ela puxou de mim foi o tamanho, ela é pequenina e delicada. Após olhá-la pela última vez, solto um suspiro e deixo o seu quarto. Fui para sala, e como os meninos estavam ocupados jogando videogame em um único sofá, Amber e Violet estavam sentadas, conversando em outro. — E quais serão os nossos planos para a despedida de solteiro? — Amber pergunta, quando ocupo o lugar ao seu lado. — Em qualquer lugar, desde que tenha muitos homens gostosos — brinco, e elas riem. Como se estivessem apenas prestando atenção na nossa conversa, levou segundos para os meninos focarem os olhares em nós. — Não vai ter despedida — Henry resmunga, Liam e Tyler concordam. — Por que não? — questiono. — Porque não vai ter, simples assim — ele afirma. — Henry, só se casa pela primeira vez uma vez na vida, e eu espero casar nunca mais se não for com você. Então eu vou ter uma despedida digna de uma despedida de solteiro sim! — rebato, esperando por um fim na discussão. — Então faça Liz, mas você irá casar sozinha — ele ameaça. — Sério isso Henry? Você vai ter uma despedida de solteiro e eu não? Então você que irá ficar plantado no altar, porque eu me recuso a isso. Era a primeira vez que discutíamos em dois anos e nós estávamos fazendo isso na frente de nossos amigos.

— Vocês estão sendo infantis — Tyler diz, intervindo. — Henry, a Liz não faria nada de errado, mesmo que seja louca. E Liz, nós somos melhores amigos há anos, não deixaria Henry fazer nada que pudesse magoá-la e nem mesmo ele seria capaz de fazer isso porque ele a ama mais que tudo. Então parem com essa briga estupida de vocês, que nossos filhos estão lá em cima dormindo. — Vamos estabelecer algumas regras então, todos aqui são comprometidos e vamos ser sinceros, não quero ver mulher alguma no colo do meu marido ou dançando para ele — Violet diz, e Tyler sorri amistoso para ela. De todos aqui, eles eram o casal mais normal. — Certo, concordo com a Violet — Amber diz. — Quais serão as regras? — pergunto. — Preciso de papel e caneta — ela pede, e Henry se levanta para buscar. Não demorou muito e ele voltou com um caderno que Miá usa para desenhar e uma caneta em mãos, e entrega para Violet. — Liz, vamos começar com você primeiro. Qual sua objeção quanto a despedida dos meninos? — ela pergunta. — Nada de mulheres — respondo, olhando diretamente nos olhos de Henry, que nem se importa em ter um item a menos em sua despedida. — Henry, sua vez — ela pergunta, agora para ele. — Nada de homens — ele diz a mesma coisa, mas com um sorriso provocativo no rosto. — Sem stripper e nada de boate que tenha uma. Acabou para mim as regras — digo, por fim. — Acabou para mim também — Henry diz, um pouco mais relaxado agora. — Que despedida sem graça, sem nada. O que nós vamos fazer? — Violet pergunta. — Nós vamos viajar, eu já comprei as passagens — Amber diz. — Como é que é? Para onde? — Liam troveja. — O destino é segredo para que vocês não nos sigam — ela diz, com um sorriso vitorioso no rosto. — Mas e as regras? — ele tenta argumentar. — Nós seguiremos as regras, ou vocês não confiam em nós? — Seu olhar se estreita na direção de Liam, que fica calado. — Serão só três dias, não fica assim — ela diz, tentando amenizar as coisas.

— Três dias? — Henry exclama alto. — Nos casamos em breve, vocês vão fazer uma despedida de três dias? Mas nem pensar, temos uma filha, três dias sem a Liz? Isso é impossível. — Sunshine, três dias é exagero — Liam diz, vendo Henry como aliado para impedir isso. — O Henry tem razão, eu tenho uma filha e três dias é muito tempo longe dela, fora que tem os detalhes do casamento para acertar — minto a última parte. Eu não tinha detalhes do casamento para acertar, estava tudo perfeito e em boas mãos. Mas era a minha filha, e eu já posso sentir um aperto no meu peito só de imaginar ficar sem a Miá por tanto tempo. — Eu topo — Violet diz, e recebe um olhar repreendedor de Tyler. — Nós somos mães todos os dias, limpamos fraldas sujas de coco, damos banho, levamos e buscamos na creche. Quando ficam doentes corremos para o hospital, quase morremos de susto, quando eles choram, nós choramos também e quando deitamos a cabeça no travesseiro antes de dormir, nossos pensamentos ainda estão neles. Nunca me senti resumida em poucas palavras como agora. — Liz, quando foi a última vez que você tirou um dia para você? Foi ao salão e cuidou do cabelo? — ela pergunta. Passo a mão no meu cabelo. O que há de errado nele? — E Tyler, quando foi que você dormiu direito em meus dias de plantões, sem se preocupar com o Vincent ao seu lado da cama? E você Henry, quando foi a última vez em que levou a Liz para fazer um programa de casal? Nenhum dos dois responderam as suas perguntas, tudo que ouvimos foi suspiros. — Eu continuo achando péssima ideia e você não tem argumentos contra mim — Liam diz. Violet para pensando por alguns segundos e solta um suspiro frustrante. Liam estava certo, não havia argumentos contra ele ainda, por mais que Amber esteja gravida, ele ainda não sabe e os dois têm vivido a vida deles intensamente. — Mas você não precisa de argumentos, só precisa aceitar Liam. São nossos melhores amigos e daqui a um tempo será nós, nossos futuros filhos, estaremos na mesma página — Amber fala com uma voz manhosa. A voz que ela sempre faz e ele não consegue dizer não.

— Tudo bem. — Ele olha para Violet e aponta para Amber. — Isso sim é um argumento seguido de um golpe baixo. Nós rimos dele, porque no fim das contas até ele sabia que acabaria cedendo. Ele nunca diz não para ela. — Então todos estamos de acordo? — eu pergunto, olhando nos olhos de cada um nessa sala. — Não há escolhas — Henry dá de ombros. Sorrio e me levanto para sentar em seu colo e abraçá-lo. — Eu amo você — sussurro em seu ouvido. — Eu amo você, além do que você imagina. Minha Liz — ele murmura, e beija meus lábios.

2 semanas depois No saguão do aeroporto, espero o nosso o voo ser chamado, até agora eu não sei o nosso destino, estão mantendo em segredo e isso me deixa aflita e cheia de expectativas. Amber estende as passagens para Violet, que arregala os olhos surpresa ao pegar a dela, e por último ela estende a última que restava para mim. — Las Vegas? Nós estamos indo para Vegas? — exclamo em um grito agudo, após pegar as passagens em mãos. — O Tyler vai me matar — Violet murmura, mas não esconde a animação. — O destino de onde iria ser a sua despedida de solteiro é segredo. As regras foram, nada de strippers e mulheres envolvidas, mas eles não disseram nada sobre irmos para... — A cidade do pecado — grito, cortando Amber. — Você sabe que me devia isso — digo, relembrando de quando cheguei em Manhattan ela havia dito que um dia iríamos a Vegas. — E eu estou pagando a minha promessa — Amber diz e se abana com o voucher da passagem em mãos. — Está quente ou eu que estou na menopausa? — Você está grávida! Impossível estar na menopausa, tem nem idade para isso — Violet informa. Estou alheia ao que as duas falam e nem percebo quando o nosso voo é

chamado. — Liz, estão chamando nosso voo, vamos? — Violet me chama. Balanço a cabeça negativamente, eu não consigo sair do lugar. — O que foi? Liz? — Amber me chama. — E a Miá? Será que ela vai ficar bem? Ela vai comer direito, dormir? Ela vai sentir a minha falta, eu acho melhor voltar e... — Engulo o nó que se formou em minha garganta. Amber deita a cabeça para o lado e me olha sorrindo, ela mais do que ninguém sabe o quanto eu sou apegada a minha cachinhos dourados. — Liz, ela vai ficar bem. Ela está em boas mãos e ninguém melhor do que a sua mãe para cuidar dela. Aposto que ela deve estar se divertindo muito. Ela vai ficar bem — ela repete, me assegurando. — Tudo bem — fungo o nariz e dou um passo à frente. — Vegas que nos aguarde.

Eu jurava ter visto de relance Brandon no salão de jogos de pôquer, eu não sei o quanto eu já havia bebido, mas eu juro que eu o vi. Volto para a mesa onde Amber e Violet estão sentadas e me sento ao lado delas. — Amber levanta os dedos e me pergunta quantos tem — peço. Ela levanta a cabeça, me olhando confusa. — Eu preciso saber meu grau de sobriedade — explico, e sua boca se abre e fecha, me entendendo. — Tudo bem, fecha o os olhos — ela pede e eu faço. — Agora abra. Abro meus olhos devagar, temendo estar bêbada, mas quando meus olhos se arregalam tenho a certeza de que não estava. — Tyler! — grito alto, ao vê-lo em uma máquina de caça-níqueis atrás de Amber. — Você não só está bêbada, está louca — ela diz rindo. Violet acompanha meu olhar, e congela ao ver Tyler. — Ela está puramente sóbria e muito sóbria — Violet diz, mostrando para Amber o que nós estávamos vendo.

— Eu não acredito que eles nos seguiram — ela grunhe frustrada. — Ou pode ter sido coincidência, a única que sabia nosso destino era você — Violet diz, olhando agora para Amber. — Sim, mas eu escolhi na hora que troquei os vouchers por nossa passagem. Eu estava na dúvida entre Brasil e Vegas, mas como o voo para o Brasil era muito longo, aqui estamos nós — ela se explica. — Como eu disse, coincidências acontecem — Violet reafirma, dando de ombros. — Cadê os outros? — eu pergunto. Violet percorre o olhar por todas as mesas no enorme salão de jogos. E aponta para uma mesa de jogos. — Eles parecem estar se divertindo — Amber pontua. — Deve ser porque eles são bons em jogos e nós somos péssimas. Eu perdi até as calcinhas na mesa de pôquer — brinco. Amber e Violet começam a rir, e isso chama a atenção de Tyler, que se vira e olha para a nossa mesa. — Liz? — Dou um sorriso amarelo, já que eu fui a primeira a ser vista por ele. Ele se aproxima da mesa ao ver Violet, mas Amber levanta furiosa e para na frente dele. — De quem foi a ideia de vir para cá? — ela indaga. — Do seu namorado? — ele responde com uma pergunta, meio óbvia. — Argh, eu vou matar o Liam — ela vocifera e procura por Liam, quando o acha, ela sai pisando duro na direção dele. — Por que ela está tão brava com isso? — Violet pergunta, e se levanta para abraçar Tyler. — Hormônios da gravidez — ele responde. — Sabe, talvez seja bom que vocês estejam aqui — murmuro. — Viajar é bom, mas dormir e acordar ao lado de quem amamos é melhor ainda e eu senti falta do Henry pela manhã. Por que não uma despedida de solteiro em casal? Dane-se se não é assim, mas eu quero o meu noivo. Ao terminar de falar, senti mãos gelada cobrindo os meus olhos. Segurei em seu pulso afastando as duas mãos e me levantei, para me jogar nos braços do meu Henry.

— Eu também senti a sua falta pela manhã baixinha — ele murmura. Incapaz de falar qualquer coisa que seja, aperto meus braços em sua volta e o abraço mais forte ainda. Henry beija minha bochecha, nariz, olhos, queixo e por último a minha boca. Um pigarro chama a nossa atenção e Henry vira meu corpo de costas para ele, e envolve seus braços em minha cintura. — Não comecem vocês com isso na nossa frente. Se quiserem, vão para um quarto — Violet resmunga. — Não estamos fazendo nada — nos defendo. — É uma coincidência e tanto não? — Henry comenta. — Eu ainda não acredito que estou sóbria e que realmente vi o Brandon, só tive certeza de que não estava mesmo bêbada quando vi o Ty. — O Brandon e a Paige se juntaram a nós de última hora — Henry explica. Eu ia perguntar porque ela não se juntou a nós, mas então lembro que nenhum deles sabiam que nós estávamos aqui e até então Paige é mais amiga do Henry, eles eram um quinteto era provável que ela iria preferir se sentir mais à vontade com pessoas que conhece. — Você está quieta demais — Henry sussurra em meu ouvido. Ele dançava suas mãos em minha cintura a acariciando de uma forma convidativa à pensamentos propícios. Deito a cabeça em seu peito e levo a minha mão direita até a sua nuca, e abaixo seu pescoço até que sua orelha fique na altura da minha boca. — O que você acha de fugirmos um pouco? — sugiro baixinho em seu ouvido, e aproveito a deixa para morder a pontinha da sua orelha. — Eu acho que já deveríamos estar bem longe daqui a essa altura. — Ele sorri, concordando e afasta seu corpo do meu. — Nós vamos procurar uma mesa para jogar, vocês vêm? — ele pergunta a Violet e Tyler. — Nós iremos subir para o quarto, que é a mesma coisa que vocês irão fazer, mas não sabem disfarçar — Tyler atira, rindo. — Sendo assim, boa noite para vocês — desejo. Saindo do salão de jogos o mais rápido possível com Henry, nós entramos no elevador principal do hotel que nos levaria até o andar do quarto que eu dividia com Amber e Violet. A princípio era um quarto para cada uma, mas nós estávamos tão acostumadas a dormir e acordar com alguém ao nosso lado todos os dias, que

não fazia sentido dormir em uma cama grande sozinha. A sensação era de vazio. Quando o elevador parou no meu andar, Henry não esperou entrarmos no quarto para me beijar. Minhas costas bateram contra a parede próxima a porta do quarto, ele chegou mais perto e tocou meus lábios, sua língua separou meus lábios e buscou pela minha que estava à espera da dele. As mãos de Henry subiram pela saia do meu vestido, encontrando na liga da minha meia calça o cartão de acesso ao meu quarto. Um gemido ressoou pelos meus lábios, quando suas mãos apertaram minha bunda e me suspendeu na parede, me fazendo envolver minhas pernas em torno de sua cintura. Uma de suas mãos abandonou às carícias em minha bunda, e o cartão de acesso ao quarto foi usado para abrir a porta.

Meu corpo incendiava em expectativas quando ele cobriu meu corpo, com o seu seminu. Eu teria me livrado da sua cueca também se ele tivesse deixado, mas para me provocar ainda mais, ele não me deixou tirá-la. Sua ereção pressionava em meu ponto latejante no meio das minhas pernas, quanto mais eu o queria, mais ele me provocava. — Henry, para de brincar — resmungo, soltando um gemido em seguida, ao ser preenchida por um de seus dedos. — Tem certeza que quer que eu pare? — ele pergunta e eu balanço a cabeça assentindo. Ele afasta seu dedo e delicadamente, ele belisca meu clitóris. — Henry, não era para parar — eu choramingo. — Foi você que pediu — ele murmura, passando seus lábios pela minha clavícula e o subindo até o meu ouvido. — O que você quer Liz? Arfei ao sentir o ar quente que saía da sua boca, encostar em meu pescoço. — Eu não ouvi você baby — ele sussurra em meu ouvido, enquanto sua mão desliza pela minha intimidade e seus dedos circulam meu clitóris. — Você Henry, eu quero você... Novamente ele me penetra, mas agora com dois dedos, em um movimento lento e provocante. — Acho melhor dá um jeito em seu vestido antes de prosseguir com isso, ele está me incomodando — ele resmunga.

Eu imaginei que meu vestido estivesse pinicando ele, mas estava tão bom que se eu falasse ele ia parar. E eu não queria que ele parasse. Henry estava passando meu vestido pela cabeça quando a porta do quarto se abriu e as luzes acenderam. — Inferno, eu ainda nem tive tempo de tirar seu sutiã — ele resmunga. — Eu me sinto vingado — Liam diz. Viro meu rosto para o lado, onde Amber e Liam estão parados nos encarando. — É minha despedida de solteiro, vocês simplesmente não podem dar o fora daqui? — grunhi, frustrada. — É o meu quarto — Amber diz. — Por que não vão para o do Liam? — pergunto. — Porque o seu namorado está com a chave? — ela diz, como se fosse o óbvio. — Inferno Henry — resmungo, o empurrando de cima de mim. Amber imediatamente cobre os olhos de Liam com uma de suas mãos. — E você pode ver o Henry sem camisa e de cueca? — ele esbraveja. — Liam, fala sério! É o Henry, nada demais. — Nada demais? Feriu meu ego — Henry murmura, estendendo a chave de acesso para Amber. Ela revira os olhos e pega a chave. — Henry, você é um pitelzão. — Como é que é Sunshine? — Liam troveja, nos fazendo rir e afasta a mão de Amber dos olhos. Eu não me importava em Amber ver Henry apenas de cueca, ela era a minha melhor amiga e loucamente apaixonada pelo estupido melhor amigo do meu noivo. — Só não mais que você amor, você é muito mais que ele — ela diz, piscando seus olhos para mim. — Amber você pode sair agora, para que eu possa ter o meu último melhor sexo de solteira? — pergunto, levantando uma de minhas sobrancelhas. — Bom, tudo bem — ela diz, Liam a abraça pela cintura e cochicha algo no ouvido dela. — Só achei que você iria gostar de estar na capela daqui há meia hora quando nos casarmos.

— O quê? — exclamo, já me levantando da cama. — Oh merda! — ela solta um grunhido e leva a mão de volta ao rosto de Liam. — Nós decidimos há alguns minutos que queremos tornar isso logo oficial — Liam diz, sorrindo. — Não queremos nada grandioso, no momento eu nem posso — ela diz, apontando para a barriga de seis meses. — E acho que depois que eles nascerem menos ainda, não vou querer sair de casa e ficar longe deles, nem mesmo para casar. Não temos porque adiar. Isso era tão Liam e Amber, que não sei porque estou surpresa. Eles só tiveram um ao outro desde a adolescência e já passaram tempo demais separados, quando voltaram a ficar juntos já deveriam voltar casados e não como namorados. — E os seus pais? — pergunto, enquanto visto meu vestido novamente. — Quando voltarmos, faremos uma comemoração em família, nada além disso — Liam, responde por ela. — O importante é estarmos juntos. Quando termino de vestir meu vestido, olho para o lado e vejo que Henry já havia se vestido novamente. Ele não estava frustrado e nem decepcionado por não continuarmos o que estávamos fazendo, ele estava feliz pelo melhor amigo dar esse passo. — Você vai casar assim? — Henry pergunta, apontando para o suéter de Liam, que a cobria. — Eu estou grávida de trigêmeos, não entro nem mesmo nas blusas do meu marido e você ainda pergunta se eu vou casar assim? Ela estava brava, muito brava. E Liam sorrindo feito um bobo por ela ter se referido a ele como marido. — Podemos dar um jeito nisso — digo, e dou uma cotovelada discreta em Henry. — Vamos chamar a Violet.

— Vocês saíram de Manhattan para casar em Vegas? — Violet pergunta indignada. — Essa é a lua de mel dos sonhos — digo, tão empolgada quanto antes. As duas param de andar e me encaram.

— Eu sempre quis conhecer Vegas e bem mais que isso, sempre quis participar de um casamento em Vegas. Diz que vai ter um Elvis, eu me recuso a participar se não houver um. Amber olhou para mim por um segundo, depois olhou para Violet que sorria empolgada e em seguida pegou o celular. Seus dedos se moviam rapidamente enquanto digitava uma mensagem, quando terminou e enviou, ela me olhou. — Torça para o seu bendito noivo achar um Elvis há essa altura — ela diz, sem conter um sorriso. — Ele vai achar, nem que Liam pague o triplo do que ele costuma cobrar. — Dou de ombros e volto a andar. — Nós não iremos pagar o triplo por um Elvis — ela diz, ao me acompanhar. — Casamento em Vegas sem Elvis, não é um casamento — Violet intervém ao meu favor. Amber morde o lábio pensativa e solta um suspiro concordando. — É que nós passamos por tantas coisas ruins nesses últimos anos, que só queríamos algo simples e entre nós. Realmente queríamos um padre, pastor ou até mesmo um juiz de paz para nos abençoar. Nós seremos cinco agora e independente de qualquer coisa, as coisas que aconteceram no passado nos trouxeram onde estamos hoje. — Me dá o seu celular. — Não espero ela me dar, pego logo da sua mão e digito uma mensagem para Henry. Amber: Arruma um padre também. Prometo te compensar mais tarde. E estou falando sério sobre o padre! Liz. Henry: Suas recompensas sempre são as melhores. Sorrio com a sua resposta e quando vou respondê-lo Amber toma o celular da minha mão. — Não sou obrigada a ler essas mensagens de sacanagem em meu celular Lizzie! Violet ri e olha para o celular na mão de Amber, para ler a mensagem. — Mas nem começamos a falar sobre isso ainda — me defendo. — Nós sabemos que a sua próxima resposta seria algo do tipo. Nós caminhamos até parar em frente a uma loja de usados, precisávamos encontrar uma roupa que coubesse em Amber.

Já que é para casar em Vegas, que seja o casamento. Amber torcia o nariz a cada vestido branco que a senhora simpática e dona da loja, nos mostrava. Os vestidos não eram realmente uma maravilha, mas havia um na cor salmão, quase rosé que me chamou atenção. Andei até a arara em que ele estava pendurado e o peguei. Suspendi ele no ar e o analisei, em seguida desviei o olhar para Amber a medindo dos pés à cabeça. Ficaria perfeito. Ele não era longo, devia bater acima das coxas dela, era solto o que não apertaria a sua barriga e tinha a saia rodada. O corte canoa dele no busto valorizaria os seios fartos dela. — Você vai usar esse — digo, chamando a sua atenção e ela analisa o vestido em minhas mãos. — Salmão? Eu não deveria usar branco? — ela indaga. — Você vai casar em Vegas, todo mundo que casa em Vegas usa branco, tão clichê, ao menos seja diferente e saia dos padrões. Eu estava convicta de que ela iria usar aquele vestido, ele iria ficar perfeito nela. — Posso experimentar antes? A senhora a acompanha até o vestiário e Violet vai ajudá-la a se vestir. — Algo novo e azul — murmuro, para mim mesma enquanto ando pela pequena loja observando o que aparentava novo por ali. O velho e emprestado eu já tinha uma ideia, só precisava voltar ao nosso quarto do hotel. — Precisa de alguma ajuda? — a senhora pergunta. — A senhora tem alguma coisa para ser usada no cabelo? — pergunto, olhando para os lados. — Acho que eu tenho o que você exatamente precisa — ela informa, em um sorriso condescendente. — Me acompanhe. A segui até o balcão de vidro onde era o caixa da loja, ela pegou um porta joias grande que estava exposto pelo balcão e o abriu na minha frente. Seus dedos estavam em busca de algo no meio daquela quantidade de bijuterias. — Aqui está — ela diz, sorrindo. E me estende uma presilha prata de flor, com uma pequena pérola em azul. — Algo novo e azul. — Obrigada.

Sorrio agradecida e pego a carteira na minha bolsa para pagá-la. Estendi meu cartão para ela, e ela balançou a cabeça negativamente o recusando. — É cortesia da casa — ela diz, simplesmente. Eu estava encantada com a gentileza dessa senhora, eu queria levá-la para a minha casa. — Obrigada, isso é importante para ela e para mim também. Ela balançou a cabeça assentindo e sorriu. Amber se aproximou com o vestido em mãos e de cara fechada. Só faltava ela não ter gostado. — Como ficou? — pergunto, sem rodeios. Ela olha para Violet, que mantinha a expressão séria que ela, e volta a me olhar. Sua boca se curva em um sorriso, que me fez suspirar de alívio. — Vamos levar! — ela diz animada. — Graças a Deus, estava já cogitando a ideia de você casar usando uma blusa do Liam — confesso. Ela joga a cabeça para trás rindo descontraída na companhia de Violet. Eu estava falando sério e elas rindo de mim.

Minutos mais tarde nós nos arrumamos juntas na companhia de Paige em meu quarto. O casamento que aconteceria em meia hora como ela havia dito quando interrompeu Henry e eu, já nem tinha mais hora para acontecer. Por um milagre de Deus, Henry havia achado não só um Elvis, mas um juiz de paz também. Amber estava pronta e linda. Absurdamente linda. — Vire-se para o espelho — ordeno, e ela faz o que eu pedi. Paige que havia feito o penteado de Amber, seu cabelo vermelho tem duas tranças finas e está totalmente preso para o lado direito, caindo em seu ombro. Sua franja era a única mecha solta do seu cabelo. A maquiagem foi feita por Violet, ressaltado o verde dos seus olhos, a cor do batom era exatamente como precisava ser, cor de boca. Nada muito forte para tirar o destaque dos seus olhos e da simplicidade que ela queria. Abro a caixinha com a presilha e delicadamente coloco em seu cabelo para

não desmanchar o penteado. — Algo novo e azul — murmuro. Pelo reflexo do espelho, observo seus olhos vacilarem. — Não chora, não agora. Vai borrar a maquiagem e você vai ficar horrorosa — murmuro, na tentativa bem-sucedida de fazê-la rir. Ela riu. Mas ainda assim, havia lágrimas acumuladas em seus olhos. — Eu tenho que ir falar uma coisa com o Henry. — Você pode entregar algo ao Liam por mim? Balanço a cabeça assentindo. Ela caminha até a própria mala, retira um papel dobrado e o coloca em minhas mãos. — Não esqueça de dizer para ele que ele não pode ler isso, até que esteja no altar. — Ok, não ler até que esteja no altar — repito, confirmando. Saio do quarto e tento caminhar o mais rápido possível até chegar no quarto de Liam. E não foi uma surpresa encontrar todos eles reunidos e com um copo de bebida em mãos. — Uau Liz, você está linda — Tyler diz, quando eu entro no quarto. — A minha mulher é linda de todos os jeitos, mas não quero vocês a elogiando — Henry fecha a cara, e estende a sua mão para segurar na minha. Quando nossas mãos se tocam, ele me puxa para si e envolve seus braços em minha volta. — Está cheirosa e linda — ele murmura, dando um beijo em minha bochecha em seguida. — Você também está lindo, gostoso nessa camisa social. — Passo meus lábios em seu pescoço e inspiro o aroma do seu perfume. — E muito cheiroso. Eu nem havia reparo no restante da sua roupa, além da sua camisa social com a manga dobrada até o cotovelo. Ele também vestia uma calça jeans preta. Me afasto de Henry e ao olhar para Tyler, lembro do velho e emprestado que eu precisava. — Amber pediu para que eu te entregasse isso e dissesse para você... — Não abrir até que esteja no altar — ele completa, me cortando. — Isso! Ele pega o papel da minha mão e substitui por outro. Agora eu estava entendendo o que eles estavam fazendo, eles estavam trocando os votos.

— Vocês vão demorar tanto assim? — Liam pergunta, apreensivo. — Nós já terminamos, eu só preciso huh... Tyler? — o chamo e ele levanta a cabeça para me olhar. — Você pode vir comigo um minutinho? — Claro. Ele me acompanha até o lado de fora do quarto, me afasto um pouco da porta e o encaro. — Você ainda tem aquele terço que guarda na carteira? — pergunto. Ele me olha confuso por instantes e responde: — Eu sempre o carrego comigo, por quê? Tyler uma vez nos explicou que aquele terço significava muito para ele. Era da sua avó e ela tinha muita fé e o carregava para onde ia. Ela lhe deu quando ele tinha oito anos e desde então ele nunca o tirou de seus pertences, sempre levava consigo. Amber queria ser abençoada, ela tinha fé e eu lhe emprestaria algo que tivesse um pouco dos dois. — Pode me emprestar? — Claro — ele diz, e bate as mãos no bolso da calça. — Está no meu quarto, vou buscá-lo. — Tudo bem, eu espero. E esperei mesmo. Quando ele voltou com o terço em mãos, a porta do quarto de Liam se abriu. Ele saiu acompanhado de Brandon e Henry. — Vocês podem nos esperar lá embaixo, descemos em dez minutos, nada além disso — informo, antes de dar às costas para eles. Enquanto caminhava até o quarto, me agarrei ao terço e silenciosamente, rezava e pedia a Deus para que as vidas de Amber e Liam fossem só realizações, desejei paciência para os dias ruins e felicidade repleta para toda a vida. Todos nós merecíamos ser felizes, mas eles mereciam ser mais felizes que o mundo inteiro.

Liz Gravel “Querida, eu sou louco por você. E eu estaria mentindo se eu dissesse. Que eu poderia viver está vida sem você.” In Case You Didn't Know – Brett Young

As meninas já haviam entrado na capela. Ficamos apenas eu e Amber, encarando a porta fechada. O peito de Amber subia e descia, em uma respiração descontrolada. — Você está pronta? — pergunto e ela assente. — Sabe quando a Amélia não se sente pronta e a Meredith a pergunta se ela quer fugir, e elas vão tomar milk shake? — Ela assente, se lembrando do que eu estou falando. — Se você quiser fugir, nós podemos pegar um táxi e paramos no primeiro Mc Donald’s que tiver aqui. Mas se você quiser continuar com isso, tem um cara do outro lado dessa porta te esperando para fazer de você a mulher mais feliz do mundo. Um sorriso vacila em seu rosto e ela respira fundo. — Eu estou pronta — ela afirma, com convicção. — Essa é a minha garota. Eu seria a pessoa que entregaria ela a Liam. Ela me escolheu, porque eu sou sua pessoa. Assim como ela é a minha. Estendo para ela o buquê de flores que Liam havia mandado preparar, eu não entendia bem o porquê da escolha de angélica branca, cravo branco, rosas vermelhas e violetas brancas. Mas seja lá qual fosse o motivo da escolha, fez Amber sorrir. E ao notar o terço do Tyler enrolado na base do buquê seu sorriso se estendeu aos olhos e ela ameaçou a chorar. — É o terço da vó do Tyler — ela sussurra. — Sim, agora engole o choro que você está atrasada demais — digo e faço sinal para o segurança que ficava na porta da capela abrisse as portas. Quando as portas se abriram e os olhos de Liam encontraram Amber, ele suspirou aliviado e sorriu.

O cover do Elvis estava próximo ao altar e cantava a marcha nupcial, e o mais incrível era que a música que ele cantava não era do Elvis. Ele cantava You Are My Sunshine, do Johnny Cash. You are my sunshine, my only sunshine (Você é meu raio de sol, meu único raio de sol) You make me happy when skies are grey (Você me faz feliz quando o céu está nublado) You'll never know, dear, how much I love you (Você nunca saberá, querida, o quanto eu te amo) Isso foi o suficiente para fazer Amber chorar, antes mesmo de chegar ao altar. Antes de colocar a mão dela na de Liam, e entregá-la a ele. Eu o olho nos olhos e dou o meu melhor sorriso. — Se você a magoar, eu juro que esses serão os últimos filhos que você irá reproduzir — o ameaço. Ele me responde com um sorrisinho debochado e pega a mão de Amber da minha. Juntos eles completam o caminho até o altar e o juiz de paz da início a cerimônia. Quando foi solicitado a eles os votos, Liam decidiu que ela lesse o voto dele primeiro. — Sunshine... Estava escrito em algum lugar que nós ficaríamos juntos, não sei bem onde estava escrito, mas eu sei que estava. E aqui estamos nós novamente, mas dessa vez esqueça o novamente e substitua por definitivamente. Aqui estamos nós, as rosas, cravos, angélicas e violetas. O significado de duas dessas quatro você sabe, agora eu vou te falar o significado das suas restantes. Amber faz uma pausa respirando fundo e antes de voltar a ler, ela solta um soluço alto e despenca em lágrimas. — Continue Sunshine — Liam pede, em um sussurro. Levou minutos para ela se acalmar e voltar a ler os votos. — Angélica significa: harmonia, paz e união. Violeta branca significa: que uma promessa está sendo feita. Nós não estamos fazendo novas promessas aqui Sunshine, nós estamos selando as nossas promessas um dia feitas. Você me completa como sempre me completou, até mesmo antes de nos tonarmos

namorados. Então me diz, o que eu faria sem a outra parte de mim? A parte mais feliz que eu tenho? A parte que mais me cativa a viver? Talvez nós sempre soubéssemos, ou eu sabia que seria você que me faria feliz, que me arrancaria sorrisos, que seria a mãe dos meus filhos. E assim está sendo, mesmo brigando, desistindo de nós, estamos aqui, nos amando. Mesmo as piores brigas nos fortalecem. Eu acho que nós temos algo com o número cinco, talvez cinco seja o nosso número da sorte. E quer saber? Eu estou aqui e dessa vez é para sempre, como prometemos. Além disso, vou aguentar tudo, não por mim, nem por você e sim por nós. Por que nós? Bom, eu admito como algumas pessoas dizem, nós ficamos lindos juntos. E nós somos lindos pra caralho juntos, mas convenhamos que não tem espaço para outro médico na sua vida a não ser eu. É, não tem espaço entendeu? Mas eu repito novamente: O que faria sem sua outra metade? Exatamente nada. Eu estava suspirando de amores por Liam, quando Amber terminou de ler os votos. — Acho que me apaixonei pelo Liam, nesse exato momento — murmuro, para o Henry. — Você tem sorte que eu sei que você não é só apaixonada por mim, mas sim louca de paixão por mim. Se não estivéssemos dentro da capela e na presença de um juiz de paz, eu iria rir do seu convencimento e negar. Mas nós estávamos e ele não estava falando mentira alguma. Eu era louca de paixão por ele. — Seus votos — o juiz murmura para Liam. Se ele não chorou antes, duvidava que ele não choraria agora, só de abrir o papel e passar o olho pelas palavras escritas de Amber, seus olhos encheram-se de lágrimas. — Eu poderia ficar aqui escrevendo e escrevendo, tudo o que eu nunca falei para você. Mas tudo que eu poderia falar eu já falei e você já sabe de cabeça. Liam, você é o encaixe perfeito do meu quebra-cabeças chamado vida, sem você não tinha sentindo, eu não sabia como encaixar cada peça. Então precisamos ficar cinco anos longe, nos separarmos novamente para enfim resolver nossos problemas e foi você e seu jeito altruísta que me tornou quem eu sou hoje. Eu me apaixonei mais um pouco por você depois que você me deixou ir, você não sabia o que estava fazendo e nem se importava com isso, desde que no final eu me encontrasse e retornasse para você. Como é possível se apaixonar duas vezes pela mesma pessoa? Eu me apaixonei de novo como se fosse a primeira vez no

momento em que descobrimos o Luca e você segurou meu mundo com as suas mãos. Seus braços se tornaram a minha fortaleza, você se tornou a força que eu precisava para seguir em frente e você fez isso. Liam, você conseguiu isso e eu me apaixonei. Eu me apaixonei perdidamente pela segunda vez. E quando eu digo que sou sua você não sabe o quanto tenho me sentido assim a cada dia que passa, literalmente cada vez mais sua. Você está surpreendendo todas as minhas expectativas, você tá me fazendo feliz, muito feliz, você está mostrando que podemos ser melhores juntos. Cada dia que eu passo com você eu me apaixono mais, pelo seu sorriso, pelo seu jeito, por médicos, por exatamente tudo em você. Porque cada detalhe seu me encanta, me interessa, me prende, me fascina… É com você que eu quero estar hoje e sempre. É com você que quero dormir e acordar. É com você que quero dar minhas melhores gargalhadas. É com você que quero compartilhar meus segredos. É com você que quero ter os melhores sexos quente e beijos. — Meu Deus, perdão — Amber se desculpa, ao se virar para o juiz de paz com as bochechas coradas. — Perdão não Rabbit, juízes também fazem sexo — Henry diz. Risadas ecoaram pela capela e recebemos um olhar repreendedor do juiz. Belisco o braço de Henry e dou um olhar torto. Ao contrário de Amber ele não se desculpa e nem retira o que disse. — Prossiga meu jovem — o juiz pede a Liam, que entre lágrimas, continuou. — Syon, Amy e Zoë já amam você tanto quanto eu, e nós seremos muito felizes juntos. E eu disse que você iria casar comigo querendo ou não. Eu não me arrependo em nada de ter escolhido estar aqui com você hoje. Por toda a minha vida, você — Liam finaliza, dobrando o papel e o guardando no bolso do seu paletó. O juiz abre a boca para dar continuação ao casamento, mas antes que as palavras saíssem Liam o interrompe: — Com todo respeito senhor juiz, estamos em Vegas e casando em Vegas, a resposta aqui já é sim e não há dúvidas depois desses votos trocados. Então eu já posso beijar a minha noiva? Se você disser que não eu vou beijá-la da mesma forma. Porque depois desse voto, se eu não a beijar agora eu não sei o que eu faço. — Liam! — Amber o repreende. Sem se importar, ele dá de ombros e olha para o juiz.

— Tudo bem meus jovens. Eu os declaro marido e mulher pode... Liam não deixou o juiz terminar de falar e a beijou. — Beijar a noiva — o juiz completa, com os olhos vidrados nos dois. Nós não sabíamos se ríamos ou aplaudíamos.

— Foi divertido — Brandon diz, após nos juntarmos no restaurante para comemorar. — Vocês tornaram isso tão incrível — Amber comenta, com a voz embargada. — Não, foi o que vocês sentem e são um para o outro que tornaram isso incrível — Violet a corrige. — Eu concordo com a Violet, o casamento poderia estar acontecendo aqui, no meio desse restaurante. Ainda assim seria perfeito, são as pessoas que fazem os momentos — eu digo, e Amber deita a cabeça para o lado sorrindo emocionada. — Obrigada. Eu te amo — ela sibilou. — Está tudo muito lindo aqui, o casamento é de vocês, mas a lua de mel é nossa — Henry anuncia. — Nós também estamos de saída, eu preparei algo para essa noite e o motorista já está nos esperando — Liam informa, e sorri cheio de expectativas para Amber. — Então, todos nós temos planos para hoje à noite? — indago, olhando para Tyler e Violet. Eles foram os únicos que não falaram nada. — Ainda estamos pensando, queríamos ir até um lugar que Violet pesquisou na internet, mas também queríamos ficar no quarto e só sair quando tivermos que ir embora — Tyler responde. — Tyler! — Violet exclama, envergonhada. — Se até os juízes fazem sexo, nós não iremos fazer? — ele indaga. — O Vincent mesmo foi... — Já entendemos — Violet intervém. Saímos todos do restaurante e ficamos parados em frente ao mesmo. Liam e Amber entraram na limusine alugada, que já estava esperando por eles. Brandon e Paige foram se divertir no cassino, eles eram amadores do pôquer.

Ficamos só eu, Violet, Tyler e Henry à espera de um táxi. Eles haviam decidido passear por Vegas, e Henry eu nem preciso comentar o que ele decidiu por nós. — Então nos despedimos aqui — Tyler diz, quando dois táxis param para nós. — Você faz isso parecer uma despedida de verdade — retruco, sorrindo. — Talvez eu goste de dramatizar as coisas — ele retruca de volta, com um sorriso no rosto. — Até mais pombinhos — ele se despede e entra no táxi seguido de Violet. Então restou apenas nós e aquela sensação de realizada. De ter feito a coisa certa, mas batia um frio na barriga só de saber que daqui há dois dias era o meu casamento. — Vamos curtir os últimos minutos da nossa despedida de solteiros baixinha — Henry murmura, e beija minha bochecha. — Que seja a nossa primeira e última despedida de solteiros. — Nós vamos muito além do para sempre Liz, será a nossa única despedida de solteiros — ele promete, me fazendo sorrir. Sem dúvidas alguma, Henry foi a minha melhor escolha.

Henry Carter Só me faça sua de novo, me faça sua de novo, garoto. Me faça sua a noite toda.” Kiss It Better – Rihanna

Não fomos para o meu quarto, ou para o quarto que Liz dormia com Amber. Como Amber e Liam casaram na capela do hotel Bellagio, eles ganharam uma suíte standard e é nele que nós estamos. Eu não queria que houvesse intromissões dessa vez, embora nós dois soubéssemos que não há mais chances de sermos interrompidos. Eu não dei tempo para Liz admirar a vista panorâmica do quarto quando colocamos os pés nele. Meus lábios que estavam colados aos dela, colados permaneceram até estarmos deitados na cama. Nossos beijos se transformaram de beijos suaves e ternos, para ferozes, famintos e cheio de desejo. Minhas mãos subiam lentamente pela saia do vestido de Liz, retorcendo-as e agarrando o tecido nos punhos. Minhas mãos queimam em sua pele macia, enquanto seus dedos passeiam pelos botões da minha camisa social, desabotoando um por um. Quando não havia mais botões para desabotoar, ela abriu a minha camisa e suas mãos vagam pelo meu peito e choques elétricos se entrecruzam pelo meu corpo. Ela começa a passar o dedo com delicadeza pelo meu estômago, pelo meu peito, até a curva do pescoço e em seguida faz o mesmo percurso com a ponta das unhas, arrancando de mim um grunhido baixo. — Acho tão sexy quando você faz esses sons — ela murmura, e segura em meu queixo. Seu rosto se inclina para frente, ela encosta seus lábios nos meus e segue uma trilha de beijos pelo meu pescoço até a clavícula, fazendo meu corpo inteiro se arrepiar. — Gosto da forma que seu corpo reage a mim, somente a mim. — Ahh baixinha, meu corpo vai reagir a você pelo resto de nossas vidas — eu prometo, e seguro em seu queixo e me inclino para beijá-la. Sua boca se entreabre esperando pela minha, mas mudando meus planos de beijá-la, recuo com a cabeça para trás e subo o tecido do seu vestido pelo seu

corpo. Aos poucos tenho a visão do corpo de Liz a minha mercê, quando levanto totalmente o seu vestido e passo pela sua cabeça o retirando, eu o jogo no chão do quarto. Eu tinha a melhor visão diante aos meus olhos, Liz seminua apenas de calcinha, me olhando cheia de expectativas. Eu definitivamente sou louco por essa mulher, por cada detalhe. Meus dedos começam a percorrer o seu corpo, acaricio seu pescoço, seus ombros, seus seios e inclino a cabeça, começo a traçar uma linha de beijos pelo seu corpo e ela geme de um jeito que faz meu coração bater mais forte. Levantando a cabeça, mordisco seu lábio inferior e o chupo, desesperadamente, Liz segura em meu rosto com as duas mãos e me beija. Sua língua acaricia lentamente a minha e a sua expiração quente misturava-se com minha respiração ofegante. Continuando a beijá-la, agora com mais intensidade, acaricio seus mamilos com a ponta dos dedos e sinto seu corpo estremecer embaixo do meu. Afasto nossos lábios por uma fração de segundos e deslizo a minha boca até o seu seio, mordisco seu mamilo e circulo a minha língua em volta do mesmo, antes de começar a chupá-lo. Sua respiração ficou ofegante, ela gemeu e arqueou o quadril para frente até esfregá-lo em minha ereção por cima da minha calça. Afasto a minha boca do seu seio e dou total atenção ao outro. Desafivelando meu cinto com as mãos e em seguida, empurrando minha calça para baixo com a ajuda dos pés, Liz sorriu triunfante quando se livrou dela. Levanto a minha cabeça e deslizo meus lábios pela sua clavícula. — Tem alguém com pressa aqui? — pergunto em um sussurro, no pé do seu ouvido. Ela solta um gemido em resposta. — Tem alguém com saudade e que precisa de atenção — ela responde, em um fio de voz. Ela arranca a minha camisa e a joga para longe. Seus lábios vagam por meu pescoço, sua boca chupava minha pele bem devagar, fazendo-me pressionar meu quadril contra o seu. Separo as suas pernas e a minha mão encontra o seu ponto sensível e que tanto pede por atenção, por cima do tecido fino da sua calcinha. Liz geme fechando os olhos e afunda as mãos no lençol da cama. Quando abre os olhos novamente, meu olhar está fixo sobre ela. Eu não preciso dizer o que vou fazer, ela sabe o que vem a seguir e seus olhos me observam com expectativas, enquanto eu me abaixo.

Me acomodo no meio das suas pernas, e abaixo a cabeça para beijar sua perna, coxa, virilha e a sua boceta. O tecido da sua calcinha estava molhado e eu a retiro devagar. Ouço som da sua respiração entrecortada, e sem perder o contato visual com ela, toco em seu clitóris com a minha língua, movimentando-a em círculos. Movo a minha língua de cima para baixo e a chupo com ardor, em seguida deslizo um dedo para dentro dela. Ela gemeu alto e meus dedos foram mais fundos. Ela se movia no ritmo dos meus dedos em busca do seu próprio alivio. Suas mãos abandonaram o lençol, e eu senti seus dedos em meu cabelo, ela fazia com ele o que mais amava: ela os puxava. E eu aprofundava meu dedo com mais intensidade a cada segundo. Seu corpo estremeceu, ela empurrou o quadril contra a minha boca e gemeu. Agarrando com força em meus cabelos, ela se desfez em minha frente. Liz segurou em meu rosto e me puxou para cima, com dificuldade ela tenta deslizar minha cueca para baixo com os pés, seguro o riso e a ajudo. Não julgo seu desespero, eu também a queria. Eu a queria muito. Me aconchego mais a ela e me encaixo nas curvas do seu corpo. Meus lábios roçaram os dela, e seus olhos se fecharam antes de nossas bocas se unirem novamente. Ela inclinou o corpo e encostou sua boceta em meu pau, pressiono-o contra ela e empurro meu quadril para frente a penetrando. Minha boca busca pela sua antes de começar a me movimentar, e quando nossas bocas se encontram, o único som audível era da minha respiração arfante e a fricção entre nossos corpos. Um gemido é sufocado pelo nosso beijo e eu afasto nossos lábios, somente para ouvi-la. Começo a ir mais fundo, tornando meus movimentos mais rápidos e intensos. Suas mãos não abandonaram meu cabelo por um minuto sequer, ela abriu os olhos novamente e eu sustentei seu olhar. Seus olhos refletiam o tudo aquilo que ela via nos meus: amor, paixão, intensidade e união. Em poucos dias eu a teria para o resto da minha vida e a única certeza que eu tenho, é que nunca, em hipótese alguma, irei me cansar dela, de nós, nem mesmo por um dia.

Henry Carter “Quando eu vejo o seu rosto não há nada que eu mudaria. Pois você é incrível do jeito que você é.” Just The Way You Are – Bruno Mars

Desde meus 12 anos eu sabia como dar um nó em uma gravata. Meu pai dizia: Henry, homens grandes precisam saber dar um nó na gravata, e você será um grande homem um dia. E então ele me ensinou passo a passo de como se dar um nó na gravata. Papai estava se arrumando para ir trabalhar, ele sempre usava ternos azul escuro ou preto, são as suas cores preferidas. Quando mamãe estava em casa, ela sempre o ajudava a dar nó na gravata e isso fazia papai feliz. Os olhos dele brilhavam só de vê-la citando passo a passo para ele. O amor cintilava pelos olhos deles, palavras não precisavam ser ditas altas para que eu soubesse que eles estavam fazendo declarações de amor em silêncio. Mas hoje mamãe não estava em casa e papai precisava dar um nó na gravata. Eu queria aprender a fazer um nó também. Então eu vesti a minha camisa social branca, peguei a minha gravata preta e parei ao lado do meu pai em frente ao espelho. Ele olhou para mim e sorriu. — Você pode me ensinar a dar um nó na gravata? — eu perguntei. — É claro meu filho. Seu sorriso se abriu mais ainda e ele voltou a olhar para frente do espelho. — Primeiro levante o colarinho da camisa e passe a gravata em volta do pescoço — ele diz, olhando para mim através do espelho. Ele passa a gravata em volta do pescoço e espera atentamente que eu faça o mesmo. Quando eu faço, ele sorri assentindo que eu fiz certo. — Agora você passa a ponta larga por cima da ponta estreita e complete uma volta. Depois segure as duas pontas. Mais uma vez sigo os seus passos.

— Assim? — pergunto, com um vinco em minha testa. — Isso não está parecendo ser fácil. — Henry, homens grandes precisam saber dar nó na gravata e você será um grande homem um dia — ele me encorajou. — E nós ainda não terminamos. Suspirei. Eu serei um grande homem um dia. — Agora passe novamente pela parte da frente, em seguida passa a ponta larga por dentro do colarinho. Enquanto ele falava, eu seguia seus passos e observava as suas mãos fazendo cada movimento. — O nó já está se formando, agora só precisamos ajustá-lo. Vire a ponta para baixo, passando por dentro do nó e por último puxe a gravata para baixo, ajustando o nó — ele finaliza. — Eu consegui papai, eu consegui! — exclamo, após conseguir dar um nó na gravata. — Sim, você conseguiu filho — ele concorda, orgulhoso. — Só não diga para a sua mãe que você sabe dar um nó na gravata. Ela gosta de fazer isso e não tem nada mais belo que vê-la concentrada fazendo isso. Faço uma careta e ele ri. — Um dia você vai encontrar alguém que fará isso por você. E quando esse dia chegar, você vai entender o que eu estou falando. E esse dia chegou. E ele não estava aqui para ver. Eu não o julgo, eu não o culpo. Entendo a sua dor, foi a mesma que eu senti. Mas ele tinha filhos, dois adolescentes que precisavam dele. Dois adolescentes que perderam a mãe e só precisavam de um pai. Encaro o meu reflexo no espelho e olho para a gravata em volta do meu pescoço. A porta se abre e Alec passa por ela. Ele estava impecável em seu smoking e ao contrário de mim, ele tinha a sua maldita gravata perfeitamente arrumada. Nós estávamos tendo um bom relacionamento desde o nascimento da Miá, até sair para pescar com ele eu fui. Se isso não é ter um bom relacionamento, não quero saber o que é. — Precisando de ajuda com a gravata? — ele pergunta, ao se aproximar.

— Não, é... — hesito ao responder. — Quer dizer, sim. Preciso. — Está tão nervoso a ponto de não lembrar como se dar um nó em uma gravata? — ele indaga, em um tom humorado. — Não se preocupe, há noivos que morrem antes mesmo de chegar ao altar. Solto um grunhido baixo. Eu odeio o meu sogro. — Alec, eu não vou morrer — o repreendo. Ele segura em minha gravata e começa a me ajudar a dar um nó. Suas mãos eram ágeis, até eu sentir um aperto do nó em minha garganta. Engoli em seco. Ele vai me matar. — Faça mal a minha filha e a minha netinha que você nunca mais pisará em um altar. Estamos entendidos? — ele questiona. Balanço a cabeça assentindo, incapaz de responder. — Eu não consigo te ouvir — ele murmura, e aproxima o ouvido da minha boca. — S-sim — digo, quase sem voz. Ele afrouxa o nó da gravata e se recompõe, sorrindo. — Até que está bonito filho — ele diz, e passa a mão em meu ombro como se estivesse limpando o meu terno preto. — Filho? — indago, com um vinco se formando em minha testa. Era a segunda vez que ele me chamava dessa forma, a primeira vez foi no nascimento da Miá. — Hoje você se torna oficialmente da família, um filho sempre é bemvindo — ele responde, sorrindo. O conforto das suas palavras me fez sorrir, elas me mostraram que eu estava no lugar certo e na família certa. Era a presença paternal que eu precisava no momento. — Obrigado Alec — agradeço. — Não há de que meu filho. Te vejo lá embaixo e só para te lembrar: é a noiva que se atrasada e não o noivo. Ele sai do quarto me deixando a sós com meu próprio reflexo.

Liz Gravel A partir deste momento, a vida começou. A partir deste momento, você é o único. From This Moment On – Shania Twain

​Maquiagem, ok. Cabelo, talvez. Vestido... Vestido? Eu estou a ponto de desmaiar, arrancar meus cabelos e fugir. — Violet? — a chamo e ela me olha. — Você foge comigo e me leva para tomar um milk shake se eu pedir? — pergunto, ao relembrar da proposta que eu fiz a Amber dias atrás. — Por que eu faria isso? — ela indaga, com a sobrancelha arqueada. — Jesus, eu vou surtar. Cadê a Amber com o meu vestido? — exclamo, andando de um lado para o outro. Eu estava aflita, Amber até agora não apareceu com meu vestido. O casamento está marcado para às seis e já são quatro e meia, estou a ponto se pegar uma coberta da casa de Emma e fazer dela meu próprio vestido. Fora a Miá que estava dormindo em outro quarto e a minha mãe ficou encarregada de arrumá-la, Amber também é a responsável pelo vestido dela. — Noivas se atrasam Liz, acalme-se. Logo você vai ter seu primeiro sexo de casada — Cooper diz, pouco se importando para o meu desespero. É claro que ele não ia se importar. Está vestindo um smoking preto desenhado por ninguém mais e ninguém menos que eu, camisa branca, gravata prata e calça preta. E para completar, seu amado Louboutin. Se tem alguém mais viciado que ele nessa marca de sapatos eu desconheço. Apesar de estar colocando meu estresse em dia Cooper estava lindo. Assim como todos os padrinhos também devem estar. Eu optei por padronizar a roupa deles para não causar ruído com o vestido das madrinhas. Então demos de presente para todos os padrinhos, a gravata prata.

A verdade era que Amber e eu ficamos responsáveis pela confecção das roupas. A roupa da madrinha foi totalmente obra minha e dela, juntamos nossas ideias e transformamos em um belo vestido. Belo é eufemismo, eu estou apaixonada pelo vestido e se Amber não aparecer com o meu vestido, eu irei casar usando o de uma das madrinhas. Cada uma tinha um modelo diferente, feito sob medida e escolha. Só mantivemos as mesmas cores, que era um bege, quase nude. — Cheguei — Amber anunciou, passando pela porta com uma capa preta para vestidos. Minha mãe entrou logo atrás dela, com uma caixa em mãos. — Puta merda! — exclamo boquiaberta, ao vê-la em seu vestido. — O que foi? Demorei tanto assim? — Amber pergunta. — Demorou, mas você está linda — digo, sorrindo. O vestido que Amber usava é longo e a saia é composta por um tecido leve e macio, tem uma fenda na perna direita. A parte de cima era composta por um tecido em um tom mais claro que o da própria cor do vestido, sendo complementado com uns bordados na cor prata feitos à mão. Além disso, o decote em V valoriza seus seios fartos, aposto uma pila que Liam surtou e não posso deixar de citar a sua linda barriga-creche, que a deixou ainda mais bela. — Espere até ver o seu próprio vestido — ela diz, tentando conter a animação na voz. — Será que eu já posso vestir? — indago. Ao mesmo tempo que eu estava ansiosa eu não estava. E se eu tiver emagrecido demais? Quando Amber disse que faria o meu vestido e seria segredo, eu fechei a boca e não deixei de fazer exercícios em casa um dia que fosse. Meu medo era estar gorda demais e não caber no vestido, agora meu medo é ter emagrecido e continuar não cabendo. — Claro, por que não? Cooper você me ajuda aqui? — ela pergunta, e ele se levanta da cama para ajudá-la. Meus olhos petrificam quando encaro meu vestido sendo segurado por Cooper. Eu não sei o quanto Amber se esforçou para fazê-lo, sinto como se eu lhe devesse muito mais que um vestido. Porque de longe, esse era o vestido mais lindo que eu já vi. — Venha baby, vou te ajudar a se vestir. — Cooper, estende a mão para mim.

Com a ajuda da minha mãe Cooper abre o zíper das costas do vestido e o segura para que eu entre dentro dele. Me desfaço do roupão, ficando apenas de lingerie branca e entro dentro do vestido, em seguida subo o vestido e quando chega acima do meu busto, passo meus braços pela meia manga. — Liz, vai ter que tirar o sutiã — Amber me alerta. Olho para Cooper, depois para minha mãe, Violet e Liz. Ficar quase nua na frente deles é diferente de estar nua na frente do Henry. — Gata, tira logo esse sutiã que todas nós aqui temos o que você tem, eu não tenho mais adoraria ter — Cooper comenta, nos fazendo rir. — Ok. Solto um suspiro e um pouco relutante, tiro o meu sutiã e termino de vestir o vestido. Cooper levantou o zíper do vestido e me virou na direção do espelho. Enquanto eu admirava a dona daquele reflexo no espelho que não deveria ser eu, Cooper arrumava a saia do vestido. Passo as mãos pelo tecido bordado e sorrio para o meu próprio reflexo. — Você é a noiva mais linda que eu já vi, filha — minha mãe diz. Pelo espelho, observo seus olhos acumularem lágrimas. Sorrio mais ainda e evito derramar uma lágrima que fosse, caso contrário Rob o maquiador, iria me matar por ter que voltar aqui novamente e refazer o trabalho. — O que você achou do vestido? — Amber pergunta. Viro-me para o outro lado para olhá-la, ao lado de Violet. — É muito mais do que eu poderia esperar, não tenho palavras para descrever o quão perfeito ele é, e lindo não se encaixa nessa categoria. É um elogio baixo demais para ele. Amber sorri, e eu volto a olhar para o espelho e mais uma vez me pego suspirando ao me observar. Meu vestido tinha do busto até a cintura totalmente bordado com desenhos abstratos, mas que tampavam totalmente a cor da pele, com pequenas mangas caídas em meus ombros. O decote no busto era mínimo, mas que trazia sensualidade e inocência. Ele era completamente longo e rodado, no final dele também tinham bordados dos mesmos desenhos do busto, o deixando encantador. — Que horas são? — pergunto aflita, me virando para encarar todos nesse quarto.

— Cinco horas — Violet mente. Duvido que seja somente cinco, mas estou um pouco mais calma agora que meu vestido chegou. — Vou chamar o Rob de volta para acertar os últimos detalhes e o seu cabelo — Cooper se adianta.

Meia hora depois eu estava pronta. Pronta para ser levada até o altar e pronta para dizer o melhor sim da vida. Ouço uma batida na porta e me pergunto quem poderia ser. Minha mãe havia ido chamar o meu pai — que estava olhando a Miá —, para que ele me levasse até o altar, Violet, Cooper e Amber já haviam descido e agora que fiquei sozinha só pensava se seria Henry por trás daquela porta. Devagar e sem fazer barulho com o salto para não ser ouvida, caminho na direção da porta. Tinha que ter algum defeito nesse vestido e o defeito dele era: é pesado. Sinto que vou cair. Ao me aproximar da porta, coloco a mão na maçaneta, impedindo que a pessoa a gire. — Quem é? — pergunto. — É a Harper, posso falar com você um minutinho? Abro a porta rapidamente para que ela entre e a fecho em seguida. Eu poderia me perder nesses corredores da nova casa de Emma, mas Henry esteve por aqui durante os preparativos do casamento, ele mais do que eu, deve saber o que fica por trás de cada porta. Emma mudou de casa assim que viu que a família estava aumentando, ela quer viver rodeada dos netos e visitas, e essa casa aqui tem o triplo do tamanho da antiga e tem um jardim lindo. Que é onde será o meu casamento. — Você está muito bonita Liz — Harper diz. — Obrigado Harper, fico feliz por ter vindo — digo, sincera. — Eu jamais deixaria de vir no casamento de um dos meus melhores amigos. — E ele detestaria saber que você não veio — comento, e ela sorri assentindo. — E eu também, você é importante para nós. — E é por isso que eu estou aqui — ela informa.

Harper também é uma das madrinhas, ao lado de Aiden. — Eu estou aqui, porque tenho um presente para você. — Harper, não precisava. Ela abre a sua bolsa de mão e retira de dentro dela uma caixinha estreita e ao se aproximar de mim, ela a abre. — Quando eu conheci a Sonia, eu me senti acolhida. Ela tinha esse dom, de nos fazer se sentir em casa só de estar perto dela. Um sorriso nostálgico aparece em seu rosto e seu olhar fica distante por uns segundos. Ela volta a me olhar e sorri. — Ela iria adorar você Liz. Quando Henry e eu completamos dois anos de namoro, ela me deu isso. — Pegando um cordão prata, ela levanta no ar e olha para mim. — Seria para quando eu me casasse, algo velho e azul. E agora eu gostaria de dar para você — ela completa. — Eu não posso aceitar Harper, eu... — Liz! — ela exclama alto, chamando a minha atenção. — Ela me deu esse colar por achar que eu era o amor da vida do Henry, ela achou que eu seria a pessoa a passar o resto da vida com ele, mas ela estava errada. Você é essa pessoa, é a você que esse colar pertence e tenho certeza que se ela estivesse aqui nesse momento, já teria colocado esse cordão em seu pescoço. — Você tem certeza? Mas ela te deu — tento contestar, mas ela balança a cabeça negando. — Ela deu para a mulher que o Henry ama. Agora vire-se, deixe eu ajudá-la a colocar — ela pede. E sem contestar, viro de costas para ela. Harper coloca o colar em meu pescoço e o prende. Algo velho e azul. Algo da minha sogra. — Obrigada Harper, eu nem sei como te agradecer — murmuro, tocando o dedo no cordão. — Ele é lindo, ela tinha bom gosto. — Você pode me agradecer, fazendo-o feliz e me dando mais uma Miá — ela diz, me fazendo sorrir. Eu amava o fato dela ter um carinho enorme pela minha filha. E amava que a Miá sentia o mesmo por ela. — Daqui há uns anos quem sabe — respondo.

A porta do quarto abre, meu pai e minha mãe com Miá passam pela porta. Meu sorriso se alarga ao ver o vestido da minha filha. Ele é uma versão em miniatura do meu vestido, mas em regata com corpo em cetim e aplicações de renda rebordada em pedrarias na cintura, saia com corte franzido em tule francês. Seu cabelo estava solto em seus lindos cachos loiros e a única coisa que os enfeitava era uma fita grossa branca que transpassava no topo da sua cabeça, como se fosse uma tiara e com uma flor do lado. Respiro fundo. Não posso chorar. Não posso chorar. — Mas olha que boneca linda, eu pensava que ninguém poderia estar mais bonita que a noiva hoje. Vejo que me enganei — Harper brinca, e sopra um beijo para Miá. — Eu tenho que voltar para o meu lugar — ela diz, se despedindo. — Obrigada — mais uma vez a agradeci. Quando Harper passou pela porta e a fechou, meus olhos focaram na minha cachinhos dourados. — Mamãe, pincesa — ela diz, apontando para mim. — A mamãe está parecendo uma princesa? — pergunto, com os olhos marejados. Ela balança a cabeça e ergue os bracinhos para que eu possa pegá-la, mas a minha recua para trás com ela. — Depois que você a pegar não vai querer soltá-la, temos um casamento para fazer acontecer — mamãe diz. Faço um beicinho e posso ver que Miá faz o mesmo, olhando para a minha mãe. Não atingindo seu objetivo, ela olha para o meu pai com os olhos mais tristes do mundo. — Você é uma aprendiz em tanto, admiro o esforço que a sua mãe deve ter tido para te ensinar isso — meu pai comenta, observando o nosso drama e caminha em minha direção. — Nós duas vamos descer, a cerimonialista vai ficar com a Miá até a hora que dela entrar e levar as alianças, Henry está aflito e ameaçou entrar sem mim na igreja. Ninguém avisou a esse menino que ele estar no altar antes da noiva não muda o fato de que a noiva sempre se atrasa? — mamãe indaga, me fazendo rir. Henry sendo Henry. — Dá tchau para a mamãe. — Miá balança a mãozinha no ar dando tchau.

— Nós amamos você, te esperamos lá embaixo — ela completa e sai. — Enfim a sós — meu pai murmura. — Estou atrasada há quanto tempo? — pergunto e ele olha as horas no relógio em seu pulso. — Um pouco mais de meia hora — ele responde, e estende a mão para segurar na minha. Segurando em sua mão, solto um suspiro. — Eu tive que esperar a sua mãe sair para lhe dizer isso, mas você está linda. Ainda mais linda que a sua mãe quando nos casamos, só não diga isso para ela. — Obrigada papai. — Sorrio e solto a sua mão para abraçá-lo. — Tem certeza que você quer casar? Sua pergunta me faz rir, porque agora ele e Henry são amigos e, ele mesmo me disse que Henry era a pessoa certa para mim. Apesar dos ciúmes, ele gostava do meu futuro marido. — É claro que eu tenho certeza papai — afirmo, convicta. — Estava só me certificando. Já tinha um plano de fuga em mente — ele retruca. Abandono nosso abraço e balanço a cabeça rindo. — Milorde, você não tem jeito mesmo. Bateram na porta e eu dei licença para que entrasse, era Jenna, a cerimonialista dizendo que todos estavam apostos e que eu já podia descer. Borboletas se remexeram em meu estômago, e eu precisei tomar uma lufada de ar. — Você me daria essa honra? — papai pergunta. — É claro Milorde — digo sorrindo, e encaixo meu braço ao dele. Em silêncio descemos os degraus da escada para irmos em direção ao jardim. Cada passo que eu dava parecia que eu estava mais longe e quando estávamos próximos do caminho feito de rosas brancas pelo chão que levava até o altar, eu quis dar passos e mais passos para trás. Hesitei por alguns segundos antes de dar mais um passo. — Está pronta? — Jenna pergunta, eu assinto confirmando. Ela caminha em minha frente e segue pelo caminho de pétalas murmurando

algo em seu headset até sumir da minha vista. As notas musicais da música From This Moment On que eu escolhi para a minha entrada começou a tocar. Meu pai olhou para mim e sorriu, me passando toda a confiança que eu precisava. Dei um passo seguido de outro e quando passei pelo arco de flores e encontrei os olhos de Henry, eu sabia que estava fazendo a coisa certa. A única coisa que eu queria no momento era quebrar esse espaço entre nós e dizer sim ao lado dele. Caminhar até o altar ao lado do meu pai se tornou menos assustador quando Henry sorriu, eu não enxergava nossos convidados e nem nossos amigos. Eu apenas o enxergava. Quando chegamos perto, Henry desce do altar e recebe um aperto de mão do meu pai, sorrio com esse gesto ao perceber o quão forte meu pai apertava a sua mão e cochichava algo em seu ouvido. Henry sorriu e balançou a cabeça em concordância, em seguida meu pai beijou a minha testa e se afastou para ficar ao lado da minha mãe. Entrego o buquê para Amber, que o recebe sorridente e volto a minha atenção para Henry, que está com os olhos em meu colar. — Devo agradecer a Amber por você ser a mulher mais linda da face da terra? — ele pergunta em um sussurro. — Talvez — murmuro, e seguro firme em sua mão e subo os degraus do altar. — Minha mãe adoraria conhecer você, obrigada por isso — ele diz, olhando para o meu colar. O padre dá início a cerimônia e uma das frases que ele disse ficou gravada em minha mente. Um casamento perfeito é apenas duas pessoas imperfeitas que se recusam a desistir uma da outra. — Vamos dar início aos votos — o padre diz. Eu me viro de frente para Henry e olhando diretamente nos olhos dele e segurando em suas mãos, respiro fundo e tomo a iniciativa de começar por mim os votos. — A minha vida precisa ser avaliada em um antes e depois de você. E antes de você, nada me fazia sorrir tão facilmente e você chegou e fez muito mais do que isso. Você me fez rir facilmente. Quando o conheci, senti algo diferente, que

nunca tinha sentido antes. Naquele exato momento, algo em mim mudou, foi como se minha a vida tivesse início ali. Você chegou quando eu já não acreditava em mais nada e junto trouxe a vontade de viver, a vontade de amar e um motivo para sorrir. Você tem uma paciência que eu admiro, porque para me aturar tem que ser paciente demais. É, aquela coisa clichê de que o meu mundo para quando você sorri. Mas o mundo realmente para, eu olho você e penso: caralho, como eu tenho sorte. Eu sei que é dureza lidar comigo, mas você aprendeu e eu também aprendi. Aprendi que não posso viver sem você, que não posso ficar sem o teu amor, sem você. E por mais que minhas loucuras sejam do tamanho das galáxias o meu amor por você não se mede. É meio torto, meio errado e um pouco desengonçado, mas é o meu amor. A minha forma de amar. Agora estou eu aqui, tentando explicar o inexplicável. Usando frases e palavras que podem ser clichê, para fazer esses votos durarem por uma eternidade. Mas o que eu posso fazer se quando é para falar de você e desse sentimento que já não consigo dominar? As palavras fogem, eu fico sem saber como explicar tudo que se passa no meu coração. — Paro de falar e viro meu rosto olhando para o padre. — Eu preciso de água — digo, e ele me encara com um olhar que quer dizer sério? — Eu realmente preciso de água, a palavra de Deus na bíblia diz que não pode negar água a alguém, nem mesmo no altar. Henry segura o riso e segundos depois, o padre me estende um copo d’água. Meu nervosismo me deixou com a boca seca. Falar em público já me deixava nervosa, ainda mais sobre meus sentimentos. — Mas tenho que tentar, porque você merece o voto mais lindo, com as palavras mais sinceras, mas tem que vir do meu coração, então vamos lá, vamos continuar — completo após beber a água, e prossigo: — Eu preciso de você para sorrir, eu preciso de você pra respirar, preciso de você pra poder dormir em paz todas as noites, preciso de você pra acordar de madrugada no meu lugar e olhar a Miá em meus dias de cansaço. Meu sorriso se derrete ao falar da nossa filha e aproveito para puxar o ar que me faltava pela boca, os olhos de Henry estão brilhando. Isso é muito mais do que eu já falei para ele um dia. E ele merecia muito mais do que isso. — Eu preciso de você por nós duas, nós precisamos de você para continuar e nós precisamos de você em nossas vidas. Eu preciso de você para ser o que eu tenho de melhor, preciso de você em minha vida a todo instante. Preciso de você para me ensinar o grande sentido da vida e para ter um também, que no meu caso ele é você e a Miá! Tenho que dizer o quanto eu agradeço a Deus por ele ter posto você na minha vida, você é o meu Jesus, a personificação em pessoa. Diz

que quer passar até o seu último suspiro segurando as minhas mãos, olhando nos meus olhos e dizendo que me ama? Diz que quer muito mais filhos comigo e que seremos nós por muito mais tempo que planejamos. Preciso de você simplesmente porque é a parte de mim, que eu mais quero e que eu desejo a todo instante, preciso de você cada dia mais e mais. Eu vou te amar até o seu último suspiro e eu prometo ser sua até o último dia da minha vida. Porque nós somos sem fim. Sorrio finalizando meu voto e sinto as mãos de Henry tremendo sob as minhas. Afago a sua mão e o ouço soltar um suspiro. — Eu gosto da forma que você fala nós, como se fossemos todo o conjunto e não só Henry e Liz. Somos, Henry, Liz e Miá. Gosto dessa forma, porque somos três e nós estamos fazendo isso juntos, selando nosso compromisso à três, não há palavras que expressem o quanto eu me sinto um homem realizado nesse momento, mas darei o meu melhor para que esse voto não fique vago. Porque você Liz, fez com que eu me perdesse nas minhas próprias palavras após as suas, mas você disse que precisa de mim, falou por cada motivo que precisa. E agora é a minha vez de dizer o quanto eu preciso de você a cada segundo. Eu preciso de você o tempo inteiro. Preciso de você para me sentir feliz, meu ar, meu mundo, preciso de você para me entender, para reclamar e me xingar quando eu estiver errado ou até mesmo estando certo, para me dar todo carinho e prazer, para fazer tudo que só você sabe fazer, do jeito que só a gente entende. Foi tudo tão de repente, você foi tomando conta de mim, me fazendo sorrir sem fazer absolutamente nada e me deixando com uma puta raiva com todas nossas brigas sem sentido. O que convenhamos era muito sem sentido, você simplesmente devia pensar “hoje estou entediada, vou brigar com o Henry” e então a terceira guerra mundial estava armada. Risadas soam acompanhadas da minha. — Eu quero poder te ter para sempre, quero que prometa que estará comigo onde for. Eu quero passar meu último suspiro segurando suas mãos Lizzie — ele diz respondendo a minha pergunta. — E quero sempre poder dizer que sem você eu não sei o que seria de mim. Preciso de você simplesmente porque é a parte de mim, que eu mais quero e que eu desejo a todo instante, preciso de você cada dia mais e mais. Você me fascina. Nosso jeito, só nós entendemos, então que isso continue por muito tempo. Uma simples palavra ou até um xingamento, com qualquer coisa eu fico feliz, basta vim de você... É essa carinha que você faz e me deixa com uma tamanha vontade de te cuidar e encher de beijos. É essa sua marra. Essa sua timidez que não é timidez. É essa sua capacidade de me tirar sorrisos quando está tudo ruim. É essa sua chatice toda que fica me chamando de

Jesus, mas que eu tanto amo. A melhor parte de brigar, não sei bem se existe parte boa em brigar, mas a melhor coisa é as pazes. As nossas pazes são as melhores, então se for para tê-las pelo resto da vida, eu aceito os seus dias de tédio em que você pensa “hoje eu vou brigar com o Henry”. Então eu aceito a sua terceira guerra mundial sem motivo, aceito você por completo na minha vida. Com você é tudo diferente, porque você é diferente, você talvez, possa ser tudo o que eu desejei um dia, uma mulher que me faz feliz e que tenta me entender e minutos depois faz igual a mim, desiste. Você é definitivamente impossível de entender e é isso que nos torna tão bons juntos. Eu sou complicado e você também, que ironia não? Já pensei várias vezes que deveria ter te conhecido antes, pois seria tudo tão mais fácil, mas não me arrependo, cada caminho que percorri me trouxe até aqui. Até você. E cada caminho, cada passo que darei de agora em diante, será com você e por vocês. Eu nem podia imaginar que eu sabia amar dessa maneira, com todo o meu ser. E esse amor é teu. Hoje, amanhã e sempre. A súbita vontade de chorar me domina ao sentir cada sentimento que suas palavras me transmitem, por saber que isso é reciproco, é um sentimento mútuo. — Quando eu pensei que já tinha vivido tudo, surgiu você para me fazer perceber que ainda não tinha vivido nada. Amor é muito mais do que carinho, que estar presente nas horas fáceis e divertidas. Amar não é se apoiar e sim ajudar o outro a levantar. Amor não dura uma semana. Amor dura para sempre. Ele termina e sorri para mim, enquanto minhas lágrimas tomam conta dos meus olhos. Ele solta uma de suas mãos da minha e seu polegar pega uma lágrima na metade do meu rosto. — Que a felicidade a dois continue sendo o objetivo principal de suas vidas. Que a caminhada seja longa, repleta de amor e compreensão. Meus sinceros votos de felicidade — o padre diz, fazendo sinal da cruz. Remedy da Adele começou a tocar e para minha surpresa e por mais derramamento de lágrimas, Amber estava cantando. O padre assente, como um sinal na direção do caminho que me levou até o altar e foi questão de segundos para que meu rosto se virasse e meus olhos focassem em Miá. Um pouco perdida e com a almofadinha contendo nossas alianças, ela caminha pelo caminho de rosas. Seus pequenos olhos azuis pairam sobre mim e Henry no altar, e como se tivesse encontrado seu foco, em passos pequenos e desajeitados ela caminhava em nossa direção. No river is too wide or too deep for me to swim to you

(Nenhum rio é tão grande e fundo para que eu nade até você) Come whenever I'll be the shelter that won't let the rain come through (Venha quando quiser, serei o abrigo que não deixará a chuva passar) Your love, it is my truth (Seu amor é minha verdade) And I will always love you (E eu vou te amar para sempre) Love you, love you (Te amar, te amar) Quando Miá se aproxima, Henry se abaixa em sua frente e emocionado, ele beija em sua testa, a pega no colo e se levanta. O padre nos permite trocar as alianças e como Henry está com a Miá no colo, eu sou a primeira a colocar a aliança em seu dedo anelar. Em seguida, ele segura em minha mão e dá a minha aliança para que a nossa filha o ajude a colocar. O anel desliza pelo meu dedo anelar, em seguida Henry leva minha mão até seus lábios e a beija, Miá querendo imitá-lo faz o mesmo. E isso enche meu coração. — Que o senhor esteja para sempre entre vocês, abençoando essa união e fortalecendo a família. Eu vos declaro marido e mulher, pode beijar a noiva. Mesmo com Miá em seu colo, Henry se aproximou para me beijar. Nossos convidados se levantaram e aplaudiram de pé. — Eu amo você Lizzie Gravel Carter — ele murmura ao afastar seus lábios dos meus. — Eu amo você, Henry Jesus Carter — retruco, com um sorriso no rosto. Eu nem podia imaginar que nossa história seria assim, tão cheia de amor e felicidade.

Liz Gravel Carter “Eu darei tudo de mim para você. Você é o meu fim e o meu começo.” All Of Me – John Legend

Viajar a dois é muito bom, mas nada melhor que viajar a três. Já fazia dois dias em que estávamos nas Ilhas Maldivas. Estamos curtindo uma lua de mel em família, Henry e eu precisávamos de um tempo com a nossa filha. Não é que antes não tivéssemos tempo, mas nós trabalhamos e nem sempre estamos os dois em casa o dia inteiro para brincar e ficar com ela. Chegamos cansados e sobrecarregados, mas apesar disso sempre há um tempinho para ela. Mas aqui nesse lugar, estamos experimentando coisas novas, novas experiências e é a primeira vez da Miá na praia. Ela estava adorando brincar na areia e encantada com o mar. — Bom dia senhora Carter — Henry murmura, no pé do meu ouvido, abraça a minha cintura com braço e me puxa mais para perto. Eu amava como meu corpo se moldava ao dele, era como se nos tornássemos um só. Seus lábios contornam o lóbulo da minha orelha e deslizam pelo meu pescoço. — Hmm. — Solto um gemido de satisfação. — Bom dia, Henry Jesus Carter. Meu corpo está contra o dele, uma de suas pernas estão no meio das minhas. Seu hálito é quente e doce, suas mãos são quentes e cada toque em meu corpo me faz ofegar. Eu abro os lábios para a sua língua passar, quando sua boca encosta na minha. Coloco uma de minhas mãos em seu peito, e a outra automaticamente encontra o caminho até o seu cabelo, meu maior vício. Seu corpo enrijecido pressiona meu corpo macio, e eu nunca soube de nada no mundo que podia ser tão bom. Ele geme na minha boca e me beija com mais intensidade ainda. Ele me deixava insaciável e eu não me cansaria disso, nunca.

Miá estava agitada querendo ir para o mar, mas mal havíamos acabado de almoçar e faz mal entrar no mar de barriga cheia. Então esperamos uma hora impacientemente, tentando entretê-la até que o tempo passasse. Observo ela brincando com Henry, com alguns brinquedos de montar e sorrio vendo a interatividade dos dois. Mas algo em Mía me chamou atenção, ela estava com a pele toda branca coberta de protetor solar. — Henry, eu pedi para você passar protetor nela e não dar um banho — resmungo. — E eu passei, agora ela está muito bem protegida — ele responde, sorrindo cínico. — Você é impossível. — Eu te amo também — ele retruca. Me aproximo dos dois, e me abaixo para pegar Miá no colo. — Vamos na praia princesa? — pergunto, ao me levantar e ela pula animada em meu colo. — Paia, paia! — ela exclama, batendo as mãozinhas. É incrível como coisas pequenas e bocas nos completam, cada palavra dita por ela me fazia me sentir realizada. Ela ainda estava aprendendo aos poucos as palavras e cada vez que ela aprendia uma nova, eu me emocionava e a primeira palavra que ela disse foi água. Isso impediu que uma terceira guerra mundial acontecesse caso ela falasse meu nome ou o do Henry primeiro. — Nós já vamos meu amor — murmuro, e beijo o topo da sua cabeça. — Você não vem? — pergunto para Henry. — Estarei lá em minutos — ele responde. — Não esquece de passar um pouco de protetor — dou ênfase ao pouco. — Pode deixar mamãe — ele desdenha. — Filho desobediente fica de castigo — provoco. — Eu adoraria ficar de castigo. Balanço a cabeça sorrindo, e saio da cabana com Miá no colo. Caminho pela areia quente e macia, sentindo a leve brisa do mar batendo em meu rosto. Esse lugar é o paraíso. Nós estávamos hospedados no hotel Velassaru Maldives, os quartos são

bangalôs sobre o mar, mas nós optamos por um que fosse na areia por causa da Miá. O lugar parecia um cenário de um filme, a cor azul turquesa do mar era incrível e só colaborava com a ideia de estar passando a minha lua de mel em um cenário de um filme. O hotel oferecia vários serviços, como mergulho, spa, piscina, kayak, stand up paddle e snorkel, de todos o único que não fizemos foi o mergulho. — Paia mamã. — Quanto mais nos aproximávamos do mar, mais ela ficava animada em meu colo. — É a praia meu amor — murmuro, e coloco os pés na beira do mar. As pequenas ondas quebram em meus pés, e eu solto um gemido de satisfação ao sentir a água morna. Entro no mar até que a água esteja em minha cintura e paro de andar, pego um pouco de água com a mão e jogo cuidadosamente na cabeça de Miá, ela sorria e dava gritinhos querendo mais e mais água. Com cuidado eu a coloquei na água e deixei que a mesma cobrisse até sua cintura, seus pequenos pés alegres batiam na água. — Está se divertindo? — pergunto, e ela responde com um gritinho, me fazendo rir. De longe, observei Henry caminhando em nossa direção. Seus passos pela areia eram rápidos e em poucos segundos ele estava parado em minha frente. — Eu sou sortudo pra caralho — ele murmura, enquanto ele me observava colocar Miá para boiar em meus braços sobre a água. Olho para ele com um olhar repreendedor e ele levanta os braços, como se tivesse pedindo desculpas. — Eu já sei, nada de palavrões perto dela. — Exatamente, ela já aprendeu a falar merda e não para mais por sua culpa. — Em minha legítima defesa, foi o Tyler que estava falando e o Vince ouviu, ele que ensinou a Miá — ele argumenta. Balanço a cabeça negativamente diante ao seu argumento descabido. — Sério que você vai jogar a culpa para uma criança inocente? — eu indago. Ele me dá um olhar inocente e em seguida, dá de ombros. — Jesus Henry, você é impossível — resmungo, e levanto Miá. Ele a pega dos meus braços e a segura em seu colo. — Eu só disse a verdade. Agora vem cá.

Quebro o pouco espaço que havia entre nós e um de seus braços circunda a minha cintura e me abraça. Os lábios de Henry, descem pelo meu pescoço, até o meu ombro e ele beija o topo da cabeça de Miá que estava deitada em seu peito. Nós três permanecemos no mar, sentindo a leve brisa do vento e em silêncio. As ondas baixas quebravam ao nosso redor. — Eu amo vocês — ele murmura. — Miá ama — ela murmura, me fazendo sorrir emocionada. — Eu sempre vou amar vocês. Por toda a minha vida, eu sempre vou amar vocês — repito mais uma vez. Abraçada a Henry e com nossa filha em nosso meio, eu agradeci em pensamento por nossa família que estava apenas começando. Nós deixamos de ser dois, para nos tornarmos três, para somarmos e juntos nos tornarmos sem fim.

Fim.

Agradecimentos Eu quero agradecer primeiramente a Deus, por me trazer até aqui e por tudo que eu conquistei até então. Agradeço as minhas leitoras, principalmente as que mais me apoiam e incentivam. Agradeço especialmente as pessoas que foram fundamentais e fizeram parte disso: Ana, Liz, Thayla e Manuelle, obrigada por estarem comigo mais uma vez nessa jornada, e que ao meu lado vocês permaneçam sempre. As meninas do meu grupo do WhatsApp, por cada palavra incentivadora, cada carinho e por tudo, exatamente tudo: OBRIGADA. Isso aqui é para vocês e por vocês. Muito obrigada a todos que leram esse livro, que conheceram um pouco da minha história (Promises) e que agora estão aqui fechando esse ciclo junto comigo. Obrigada pela oportunidade dada ao meu livro.

Contatos Me encontrem em minhas redes sociais. Wattpad: https://www.wattpad.com/user/aprilkroes Twitter: https://twitter.com/oqpril Instagram: https://www.instagram.com/aprilkroes Facebook: https://www.facebook.com/oqpril

Table of Contents Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13 Capítulo 14 Capítulo 15 Capítulo 16 Capítulo 17 Epílogo Agradecimentos Contatos
Sem Fim - April Kroes

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