Laudo Geológico - GRAVATAÍ

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LAUDO GEOLÓGICO

EMPREENDEDOR: Dwell Construções e Incorporação de Imóveis Ltda CNPJ: 09.944.104/0001-29

OBJETO: Parcelamento de Solo Urbano – Condomínio Residencial Matrículas: 1.573, 20.177 e 20.178 Área: 3.204,40 m² Avenida Dorival Cândido Luz de Oliveira, 3333 Bairro: Barnabé

Gravataí - RS

TÉCNICO RESPONSÁVEL: Max Carvalho Vaske Geólogo – CREA: RS244578

Porto Alegre, novembro de 2020.

SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 3 2. LOCALIZAÇÃO DA ÁREA E VIAS DE ACESSO ...................................................... 3 3. GEOMORFOLOGIA.................................................................................................. 4 4.CLIMA...........................................................................................................................6 5. GEOLOGIA..................................................................................................................7 5.1 Formação Arroio dos Ratos.......................................................................................7 5.2 Depósitos Colúvios Aluviais......................................................................................8 5.3 Depósitos de Planície Lagunar..................................................................................8 5.4 Formação Botucatu...................................................................................................8 5.5 Formação Pirambóia.................................................................................................8 5.6 Formação Rio do Rasto.............................................................................................8 5.7 Formação Serra Geral...............................................................................................9 5.8 Formação Palermo....................................................................................................9 5.9 Formação Estrada Nova............................................................................................9 6.PEDOLOGIA................................................................................................................9 6.1 Argissolos..................................................................................................................9 6.2 Gleissolos................................................................................................................10 6.3 Nitossolos................................................................................................................10 6.4 Planossolos.............................................................................................................11 7. HIDROGRAFIA..........................................................................................................11 8. HIDROGEOLOGIA....................................................................................................13 9.SONDAGEM...............................................................................................................14 10. ASPECTOS GEOTÉCNICOS..................................................................................16 11. CONCLUSÃO DO PROFISSIONAL.........................................................................16 12. REFERÊNCIAS.......................................................................................................17

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1. INTRODUÇÃO O vigente relatório tem como objetivo apresentar a descrição geológica da área de interesse, exigida junto ao órgão ambiental responsável, para obtenção de licença ambiental.

2. LOCALIZAÇÃO DA ÁREA E VIAS DE ACESSO O acesso à área é feito através da Avenida Dorival Cândido Luz de Oliveira, n° 3333, Bairro Barnabé, no município de Gravataí, RS (Figura 1).

LOCALIZAÇÃO DA ÀREA

ÁREA DO EMPREENDIMENTO

AV. DORIVAL CÂNDIDO LUZ DE OLIVEIRA

Geólogo: Max C. Vaske CREA: RS244578

Figura 1: Mapa de Localização do Empreendimento.

A área total é de 3.204,40 m² correspondente as matrículas 1.578, 20.177 e 20.178, destinados para fins de parcelamento de solo urbano – condomínio residencial.

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3. GEOMORFOLOGIA O Estado do Rio Grande do Sul apresenta quatro Províncias Geomorfológicas bem definidas (Figura 2). Ao norte do Estado está situado o Planalto Meridional, composto por rochas basálticas decorrentes de um grande derrame de lava na Era Mesozoica. No centro do Estado está a Depressão Central que é formada por rochas sedimentares, originando uma faixa territorial com terrenos de baixa altitude. Ao Sul está localizado o Escudo Sul-Riograndense que é resultado dos processos de geração e deformação da crosta continental, constituído por rochas ígneas do Pré-Cambriano, muito desgastadas pela erosão, com altitude máxima de 600 metros. E por fim na borda Leste do Estado está a Planície Costeira originada no período Quaternário, que corresponde a uma faixa de areia que se estende de Norte à Sul do Estado, onde estão situadas lagoas e lagunas, como a Laguna dos Patos e Mirim. No município de Gravataí ocorrem as seguintes unidades geomorfológicas, de Norte a Sul: Planalto Meridional, Depressão Central e Planície Costeira. A Depressão Periférica é caracterizada por terras de baixa altitude localizada ao sopé do Planalto apresentando relevo aplainado de coxilhas suaves com poucos afloramentos e planícies fluviais. Planície Costeira é formada por unidades sedimentares marinhas e flúviolacustres inconsolidadas pertencentes à Bacia de Pelotas. A Planície Costeira apresenta relevo muito baixo, próximo do nível do mar e é caracterizada por regiões extensas de banhados, lagos e lagunas. Em todas as regiões o uso do solo inclui pastagens para criação de gado e plantações de feijão, milho e hortifrutigranjeiros. Nas escarpas e no planalto da Serra Geral são comuns os reflorestamentos e nas áreas da Planície Costeira, as plantações de arroz.

Figura 2: Províncias Geomorfológicas do Rio Grande do Sul (Fonte: Atlas Socioeconômico do Estado do Rio Grande do Sul, Secretaria da Coordenação e Planejamento – 2ªedição 2006).

A área do empreendimento apresenta cotas que variam de 28 a 34 metros, caracterizando um pequeno declive em direção a parte Norte do terreno, conforme demonstra a topografia na (Figura 3).

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Figura 3: Topografia da área do empreendimento.

A (Figura 4) demonstra uma visão geral da área vista de cima, feita através do drone.

Figura 4: Vista área da área do empreendimento.

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4. CLIMA O Estado Rio Grande do Sul encontra-se totalmente na zona Temperada, com estações definidas, invernos moderadamente frios com ocorrência de geadas e neve eventual e verões quentes passando facilmente dos 30°C. O Estado possui 2 subtipos climáticos, a partir da classificação internacional de Köppen-Geiger, que considera o RS como Mesotérmico Úmido: Clima Subtropical de verão quente (Cfa) e Clima temperado com verão ameno (Cfb). Cfa – Clima Subtropical com verão quente – Abrange a maior parte do estado. Os verões nesta região são muito quentes, com máximas de 40°C e chuvas bem distribuídas, principalmente no litoral Norte. Cfb – Clima temperado com verão ameno – Localiza-se nas regiões do Planalto, de maior altitude, portanto, os verões são mais amenos e os invernos rigorosos, frequentemente atingindo temperaturas negativas e com muitos episódios de geadas severas. Não é incomum observar episódios de neve nos pontos mais altos do relevo, como São José dos Ausentes, Bom Jesus e Gramado, que estão na região conhecida como Campos de Cima da Serra. Em relação às massas de ar que atuam no Rio Grande do Sul, a massa de ar Tropical Atlântica, de característica quente e úmida acarreta chuvas principalmente no verão, quando possui mais força, além de bastante calor. A massa de ar Tropical Continental, tem característica seca e aumenta as temperaturas . A massa de ar Polar Atlântica, que se forma no oceano é úmida e atinge com força o Estado durante o inverno, ocasionando os maiores índices pluviométricos registrados nesta estação. E por fim, a massa de ar Polar Continental, que se forma no interior do continente americano de características seca e fria, propicia condições ideais para a formação das intensas geadas que cobrem os campos gaúchos durante o inverno. O volume de chuvas, no entanto, é diferenciado. Ao Sul a precipitação média situase entre 1.299 e 1.500mm e, ao Norte a média está entre 1.500 e 1.800mm, com intensidade maior de chuvas à Nordeste do Estado, especialmente na encosta do Planalto, local com maior precipitação no Estado.

Figura 5: Mapas das temperaturas e pluviosidades médias anuais do Rio Grande do Sul (Atlas Eólico, 2002).

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5. GEOLOGIA O contexto geológico regional é representado pelas seguintes unidades: Escudo Sulrio-grandense; Bacia do Paraná (sedimentos gonduânicos e sequências vulcânicas básicas e ácidas); e Bacia de Pelotas (Planície Costeira). A área em estudo está localizada no Domínio Tectônico da Bacia do Paraná e de Depósitos Aluviais Recentes, onde afloram rochas do Permiano da Província do Paraná pertencentes aos Grupos Guatá e Passa Dois e Depósitos Sedimentares Holocênicos Aluviais e Colúvio-aluviais, conforme a (Figura 6).

Figura 6: Mapa Geológico de Gravataí.

5.1 Formação Arroio dos Ratos Segundo Fernandes et. al. (1988) esta formação é caracterizada é caracterizada por rochas com metamorfismo de alto grau com deformação polifásica, classificadas como ortognaisses tonalíticos a granodioríticos leucocráticos, contendo enclaves dioríticos de textura fina a média e xenólitos de paragnaisses. O conjunto todo é cortado por veios de granitóides leucocráticos finos a médios e intrudido por granitóides leucocráticos grossos a pegmatóides em volumes variáveis.

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5.2 Depósitos Colúvios Aluviais Os depósitos colúvios aluviais são caracterizados por sedimentos aluvionares inconsolidados constituídos por seixos, areias finas a grossas, com níveis de cascalhos, lentes de material siltoargiloso e restos de matéria orgânica, relacionados a planícies de inundação, barras de canal e canais fluviais atuais. À medida que se acumulam, dão origem às planícies aluviais, sendo constituídos por intercalações de camadas e lentes de diversas granulometrias, variando da fração argilosa à conglomerática, devido a variação dos cursos fluviais. Também são comuns em áreas atravessadas pelos cursos d’água barras de cascalho compostas por seixos e matacões das rochas que compõe as áreas-fonte (HOLZ; DE ROS, 2000). 5.3 Depósitos de Planície Lagunar São os depósitos provenientes da interação entre a linha de costa do oceano e os corpos de água doce presentes na região. Esses sedimentos são formados por uma mistura de areias com silte e argila (grãos mais finos), com laminação plano-pararalela, são mal selecionados, pois não tiveram muito tempo de retrabalhamento e logo foram depositados no solo. 5.4 Formação Botucatu A Formação Botucatu é caracterizada por arenitos quartzosos a subarcoseanos em tons de cinza-avermelhados, com presença de cimento silicoso ou ferruginoso, de grãos arredondados a subarredondados e com geometria tabular ou lenticular. Apresentam estratificações cruzadas acanaladas, cunhas planares e tabulares de médio a grande porte. Também é possível identificar nas rochas estratificações plano-paralelas, correlacionadas à laminação do tipo ripple, caracterizando um ambiente de interduna (MILANI, 1997). 5.5 Formação Pirambóia A Formação Pirambóia é representada por arenitos de granulação muito fina a média, pobremente selecionados, grãos de quartzo brilhantes subarredondados a angulosos, com raras intercalações de camadas centimétricas de siltitos e argilitos marrons, maciços ou laminados. Intervalo de arenitos conglomeráticos a conglomerados é admitido no topo da unidade. As estruturas sedimentares descritas são estratificações cruzadas planares de porte pequeno a médio, tangenciais na base, mais raramente acanaladas, ou acamamento plano-paralelo. Muitos a consideravam uma formação de origem fluvial, mas atualmente tem sido considerada, em grande parte, como sendo de origem eólica. 5.6 Formação Rio do Rasto A Formação Rio do Rasto é constituída de sedimentos essencialmente clásticos, de cores variegadas. São siltitos e arenitos finos esverdeados arroxeados com laminações plano-paralelas, cruzadas e onduladas e algumas intercalações de argilas e bancos carbonáticos que vão constituir o membro Serrinha. Já o membro Morro Pelado é representado por argilas e siltitos avermelhados e amarronados com intercalações lenticulares de arenitos finos. Estas rochas são atribuídas a um ambiente de planície de marés migrando a continental fluvial.

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5.7 Formação Serra Geral A Formação Serra Geral refere-se a província magmática relacionada aos derrames e rochas intrusivas que recobrem uma grande parte da Bacia do Paraná. O sistema de derrames em platô é alimentado através de uma intensa atividade intrusiva, representada por diques e sills que acompanham as principais descontinuidades estruturais da bacia. Esta formação é constituída de rochas originadas da consolidação de lavas efusivas predominantemente básicas, contendo domínios subordinados intermediários e ácidos, correspondente a um vulcanismo linear ou fissural. Os basaltos desta Formação são, em grande parte, maciços, com alguns níveis vesiculares e/ou amigdaloidais, de coloração cinza a negra, adquirindo tonalidades verde-amarronzadas devido ao intemperismo e apresentando frequentes fraturas (MANIERI, 2010). 5.8 Formação Palermo A Formação Palermo é representada por uma sequência de siltitos cinza amarelos, com intensa bioturbação e raras lentes de arenitos finos a conglomeráticos. O intervalo basal desta formação é formado predominantemente por uma intercalação de silte e areia fina a muito fina com laminação ondulada, formando um conjunto com intercalações de leitos e lentes de arenitos finos a médios, ortoquartzíticos, com marcas de ondas. 5.9 Formação Estrada Nova A Formação Estrada Nova é constituída predominantemente de siltitos e arenitos finos com calcarenitos. Seu membro inferior denominado de Serra Alta apresenta uma sequência homogênea de argilas, folhelhos e siltitios cinza escuros, originário de um ambiente marinho de águas calmas. No membro superior denominado de Teresina apresenta uma seção síltico-argilosa cinza clara a escura com laminação flaser e intercalações de leitos calcíferos, indicando um ambiente de transição entre mar profundo e raso.

6. PEDOLOGIA De acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos – EMBRAPA (2018), a área do município está recoberta por quatro tipos de solos (Figura 7). No mapa estão representados: um argissolo, um gleissolo, um nitossolo e um planossolo. Esses solos apresentam coloração em tons acinzentados e avermelhados, são originários de rochas constituídas de sódio, potássio e alcalinos terrosos (cálcio e magnésio) e por vezes alumínio. São solos heterogêneos, gerados a partir do intemperismo de rochas que contenham minerais primários, que se alteram/desagregam principalmente sob a ação das águas das chuvas, correlacionados com planícies aluviais e gerados pelo retrabalhamento de superfícies ricas em sedimentos inconsolidados. 6.1 Argissolos Argissolos são solos profundos e bem drenados, constituídos por material mineral, apresentando horizonte B textural imediatamente abaixo do A ou E, com argila de atividade baixa ou com argila de atividade alta desde que conjugada com saturação por bases baixa ou com caráter alumínico na maior parte do horizonte B. Apresentam maior teor de argila nas camadas subsuperficiais em relação aos superficiais. Sua cor pode 9

variar de acinzentada a avermelhada sendo as tonalidades amarelas e vermelhas as mais comuns. 6.2 Gleissolos São solos minerais formados em condições de saturação com água, presentes principalmente em planícies ou várzeas inundáveis, com coloração pouco viva, esmaecida, com tendência às cores acinzentadas. Possuem material predominantemente argiloso e geralmente estão associados às proximidades de cursos d’água. As cores predominantes na subsuperfície são acinzentadas, podendo apresentar mosqueados devido à oxidação e redução em ambiente saturado por água. Sua composição química e física é bastante variável devido à natureza do ambiente em que se encontra (várzea ou depressão), apresentam um potencial de fertilidade e acidez que variam de baixa a alta, e um alto teor de matéria orgânica.

Figura 7: Mapa de Solos de Gravataí.

6.3 Nitossolos Nitossolos são solos constituídos de material mineral, com 350 g kg-1 ou mais de argila, inclusive no horizonte A, que apresentam horizonte B nítico abaixo do horizonte A. O horizonte B ítico apresenta argila de atividade baixa ou caráter alítico na maior parte do horizonte B dentro de 150 cm da superfície do solo.

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6.4 Planossolos Planossolos é uma ordem de solo caracterizada por horizonte subsuperficial B plânico, sendo este constituído por um alto teor de argila, argila dispersa, adensado, e estrutura bem desenvolvida (colunar, bloco-subangular ou bloco-angular) ou maciça. São fortemente limitados pela falta d’água em áreas semiáridas, devendo-se considerar, também, a saturação com sódio elevada, nos horizontes subsuperficiais, fator de restrição importante para a maioria das culturas. 7. HIDROGRAFIA O município de Gravataí está inserido na Bacia Hidrográfica do Rio Gravataí (BHRG). A BHRG localiza-se a leste do Estado do Rio Grande do Sul, entre as coordenadas geográficas 29º45’ a 30º12’ de latitude Sul e 50º27'a 51º12' de longitude Oeste. Ao Norte faz limite com a Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos e ao Sul como os banhados que escoam para a Lagoa dos Patos. Abrange as províncias geomorfológicas Depressão Central, Planalto Meridional, Escudo Sul-Rio-Grandense e Planície Costeira. Possuí área de 1.977,39 km² e população estimada em 1.298.046 habitantes, abrangendo municípios como Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Gravataí, Porto Alegre, Santo Antônio da Patrulha e Viamão. Os principais cursos de água são o Rio Gravataí e os arroios Veadinho, Três Figueiras, Feijó, Demétrio, Arroio da Figueira e Arroio do Vigário. A Bacia do Gravataí (Figura 8) ainda abrange os banhados do Chico Lomã, Grande e dos Pachecos, importantes ecossistemas naturais. Os principais usos da água são abastecimento público, diluição de esgotos domésticos e efluentes industriais e irrigação de lavouras de arroz.

Geólogo: Max C. Vaske CREA: RS244578

Figura 8: Mapa da Bacia Hidrográfica do Rio Gravataí.

O Rio Gravataí tem suas nascentes nos banhados Grande e dos Pachecos, no município de Santo Antônio da Patrulha e percorre a bacia no sentido leste para oeste, desaguando no delta do Jacuí, percorrendo uma distância de 61,4 km 11

aproximadamente. Segundo Rio Grande do Sul (2012), o Gravataí é um rio de planície, de baixa velocidade, originalmente sinuoso e com muitos meandros. Entre o Passo dos Negros, na divisa entre Glorinha e Gravataí, até o delta do Jacuí, percorre 39 km. Segundo Rossato (2011) o clima da bacia é classificado como: Subtropical III, isto é, clima úmido, com variação longitudinal das temperaturas médias. Caracteriza-se por chuvas que oscilam entre 1700 a 1800 mm anuais distribuídas de 100 a 120 dias de chuva. A temperatura média anual varia entre 17ºC e 20ºC. A temperatura média do mês mais frio oscila entre 11ºC e 14ºC e a temperatura média do mês mais quente varia entre 23ºC e 26ºC. De acordo com Etchelar (2014), as precipitações da bacia hidrográfica do Gravataí se concentram na região dos patamares da serra, na área centro norte da bacia, principalmente nas nascentes do arroio Demétrio, um importante afluente do Rio Gravataí e não na área do Banhado Grande e nas suas cabeceiras. O Programa Técnico para o Gerenciamento da Região Metropolitana de Porto Alegre (PROTEGER, 1994) estabeleceu para a BHRG sete Unidades Geomorfológicas, utilizando-se da base de dados do IBGE (1986). As Unidades foram relacionadas de acordo com suas Regiões e Domínios Geomorfológicos e são descritas como: Coxilha das Lombas, Depressão Flúvio-coluvionar, Depressão do Rio Jacuí, Patamares da Serra Geral, Planalto Rebaixado Marginal, Planalto Residual Canguçu e Planícies e Terraços Lagunares (Figura 9).

Figura 9: Geomorfologia da bacia hidrográfica do rio Gravataí. (Fonte: Modificado de PROTEGER, 1994).

Segundo Mello (1998) as altitudes na bacia variam desde cotas inferiores a 20 m, localizadas no centro da bacia, na calha do Rio Gravataí, cuja planície varia de 8 a 20 km de largura, até cotas de 350 m, situadas no norte da bacia, associadas aos derrames basálticos e que constituem os divisores entre a Bacia Hidrográfica do Rio Gravataí e do Rio dos Sinos.

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A BHRG localiza-se, parte no bioma Mata Atlântica (25% da área da bacia, especialmente na encosta do Planalto) e parte no bioma Pampa (75% da área). Entre as formações vegetações naturais encontra-se a presença da Floresta Estacional Semidecidual. (Rio Grande do Sul, 2012). A BHRG apresenta duas regiões com características de ocupação bem diversas, uma com forte atividade agropecuária, com predomínio de lavouras de arroz no curso superior e médio do rio, respectivamente na região do Banhado Grande e do Banhado dos Pachecos, e outra no trecho inferior do rio, com uso urbano e industrial e alta densidade populacional. As classes de uso e ocupação do solo identificadas por Rio Grande do Sul (2012) são: campo (50,81%), lavouras de arroz (19,98%), mata (11,12%), área urbana (7,65%), banhado (3,96%), água (2,04%), campo úmido (1,06%), solo descoberto (2,43%) e reflorestamento (0,89%).

8. HIDROGEOLOGIA Os sistemas aquíferos presentes no município de Gravataí englobam grande parte das formações existentes no Estado, de modo que pertencem a um grande número de províncias hidrogeológicas, que estão representados no mapa hidrogeológico na (Figura 10). O Sistema Aqüífero Permo-Carbonífero: compõe-se de lentes ou camadas arenosas, intercaladas com siltitos e argilitos, que ora funcionam como aquitardos ou aquicludes. Nas proximidades do contato com as rochas graníticas, frequentemente ocorrem conglomerados. Na seção que atravessa a Formação Rio Bonito predominam siltitos carbonosos com camadas de carvão. Vazões em torno de 2 m3/h. O Sistema Aqüífero Guarani: constitui-se de sedimentos finos, em geral avermelhados pertencentes a Formação Botucatu e Formação Rosário do Sul, intercalado em depósitos mais grosseiros de paleo-canais. O aqüífero é constituído por arenitos originados de deposição eólica em um ambiente desértico, cuja característica principal é a presença de espessos pacotes arenosos com estratificação cruzada de grande amplitude. Vazões mais freqüentes, até 20m3/h podendo chegar a 60 m3/h. O Sistema Aqüífero Basáltico: constitui-se de uma rocha basáltica de cor cinza a cinza escuro, pertencentes a Formação Serra Geral, comportando-se como um aqüífero fraturado, com características de heterogeneidade e anisotropia pronunciadas, em que as descontinuidades que não são preenchidas por minerais secundários são condutos que permitem o fluxo da água. O Sistema Aqüífero Litorâneo: este sistema compreende todos os aquíferos relacionados com a deposição sedimentar em ambiente litorâneo durante o período quaternário. Na região da bacia ocorrem dois subsistemas principais – subsistema Guaíba e subsistema Itapuã. Provavelmente noventa por cento de todos os aquíferos aproveitados consistem de rochas não consolidadas, principalmente cascalho e areia. A maioria dos aquíferos são de grande extensão e podem ser visualizados como reservatórios subterrâneos de armazenamento. (Todd, 1980). Os parâmetros hidrológicos mais significativos, no caso de terrenos sedimentares são a porosidade e a permeabilidade.

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Figura 10: Mapa Hidrogeológico de Gravataí.

Os sedimentos inconsolidados possuem permeabilidade primária, porém a diagênese pode reduzir os espaços vazios e a interconecção entre os poros devido a compactação e cimentação (Fetter, 1980). Nas rochas cristalinas, ígneas e metamórficas, a porosidade primária é originalmente baixa. O intercrescimento da estrutura cristalina desenvolve poucos espaços vazios. Porém, porosidade secundária pode ser desenvolvida através de fraturas, assim a água percolando através das fraturas pode ocasionar dissolução de suas paredes.

9. SONDAGEM Os ensaios de sondagem foram realizados pela Empresa Solobeton, onde foram feitos três furos totalizando 21,15 metros lineares perfurados. As perfurações foram feitas por percussão simples com auxílio de circulação da água e protegidas por um revestimento de 2 ½. A área do empreendimento está inserida na parte do município na qual aflora o argissolo demonstrado no mapa pedológico (Figura 7). Este tipo de solo é caracterizado como Argissolo Bruno-Acinzentado e apresenta este tipo de coloração devido à restrição de drenagem e os elevados teores de matéria orgânica, que se acumula mais facilmente e preserva-se em regiões de clima temperado.

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Os furos de sondagem comprovam as características descritas no mapa geológico da (Figura 6). Na área em que está localizada o empreendimento afloram depósitos colúvios aluviais, que são intercalações de sedimentos finos, como ocorrem nos perfis. Os perfis demonstram um predomínio da fração argila dos 0,25 aos 3 metros de coloração cinza de consistência mole a média, abaixo disso a consistência vai se tornando mais compacta com a fração silte que atinge os 7 metros, após isso se torna impenetrável atingindo a rocha.

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10. ASPECTOS GEOTÉCNICOS Os projetos de urbanização devem levar em conta o estudo geotécnico dos solos, com a determinação dos parâmetros geotécnicos, a caracterização da morfologia do terreno, a ação dos agentes dinâmicos que atuam no presente, e a propensão a riscos ambientais geológicos e hidrológicos. Os solos amostrados e descritos, obtidos através de sondagens com percussão simples, caracterizam-se por possuírem uma matriz predominantemente silto-argilosa a argilosa, até os furos atingirem a rocha aos sete metros, caracterizando uma área estável. Com relação ao intemperismo, em regiões tropicais as condições climáticas favorecem a atuação deste processo, no qual os seus dois principais agentes são: o clima e o relevo. O clima determina a quantidade de chuva e a temperatura que a rocha atingirá, alterando quimicamente seus minerais. O clima também determina a quantidade de ventos, que altera fisicamente as rochas. O relevo estabelece o fluxo de água e sua infiltração no solo. Em terrenos mais íngremes, a água escoa mais facilmente, enquanto que em superfícies mais planas, a infiltração de água no solo será maior. Também pode ocorrer o processo de erosão que é o conjunto de processos que promovem a remoção e transporte do material produzido pelo intemperismo, ocasionando a degradação do relevo, que tem como principais agente o vento e a água. A respeito da morfologia do terreno, trata-se de um terreno suavemente ondulado, como observado na (Figura 3) apresentando um declive na direção Norte da área e com uma vegetação limitante na parte Leste que será preservada. Do ponto de vista geotécnico e geológico, não há nenhum risco aparente, como movimento de massa ou inundação. A área de terra não demonstra riscos, e apresenta uma boa estabilidade, assim se tornando viável e adequada para implantação deste empreendimento.

11. CONCLUSÃO DO PROFISSIONAL A presente área, com dimensão de 3.204,40 m², correspondente as matrículas 1.573, 20.177 e 20.178 será utilizada para fins de parcelamento de solo – Condomínio Residencial. O parcelamento do solo acarretará determinados impactos. Os mais consideráveis remetem ao aspecto visual e paisagístico, o solo e a vegetação, a geomorfologia, a água subterrânea e superficial. Alguns impactos são temporários como ruídos dos equipamentos, emissão de poeiras e CO² das máquinas utilizadas na construção do empreendimento. Outros são permanentes como a movimentação de terras, escoamento das águas superficiais, contaminação do solo e lençol freático e a modificação da paisagem. Para diminuir consideravelmente estes impactos recomenda-se algumas medidas cautelares. Sempre manter o bom funcionamento dos equipamentos utilizados, fazendo manutenção quando necessária, com isso evitando ruídos e emissão de gases descontrolada. A respeito do escoamento superficial das águas pluviais, conduzir as águas através de um sistema de drenagem eficiente, que possam ser armazenadas e utilizadas para limpeza, entre outros. Com referência a contaminação do solo e lençol freático orientase implementar sistemas de tratamento tecnicamente adequados, tais como sumidouros 16

compartimentados com filtros de areia, brita e carvão ativado, conforme as Normas Técnicas e fossas hermeticamente fechadas. A paisagem não será muito modificada, pois o empreendimento se estabelecerá próximo a área urbana, integrando-se com a paisagem local. Os dados geológicos, geotécnicos e hidrogeológicos analisados apontam que a área definida está devidamente adequada para implantação do empreendimento, desde que sejam cumpridas as recomendações presentes neste relatório.

Porto Alegre, novembro de 2020.

_______________________________ Max Carvalho Vaske Geólogo – CREA RS 244578

12. REFERÊNCIAS ATLAS SOCIOECONÔMICO DO RIO GRANDE DO SUL. Porto alegre: SCP, 2ª edição, 2002. CASTRO, J.C.; BORTOLUZZI, C.A.; CARUSO Jr. F.; KREBS, A. S. Coluna White: Estratigrafia da Bacia do Paraná no Sul do Estada de Santa Catarina – Brasil. Florianópolis: Secretaria de Estado de Tecnologia, Energia e Meio Ambiente, 1994. CPRM – Serviço Geológico do Brasil. Mapa Geodiversidade do Estado do Rio Grande do Sul. 1:750000. Porto Alegre, RS. 2009. ETCHELAR, C. B. Análise do processo erosivo no banhado grande, município de Glorinha-RS. Trabalho de Conclusão de Curso (Monografia). 2014. 72f. Instituto de Geociências. Curso de Geografia. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2014. FERNANDES, L. A. D.; TOMMASI, A.; PORCHER, C. C.; VIEIRA JR., N.; MARQUESTOIGO, M.; GUERRA-SOMMER, M.; PICCOLI, A. E. 1988. Mapa Geológico de parte das Folhas de Quitéria e Várzea do Capivarita – RS. Escala: 1:50.000. Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. 1988. HERMANN, M. L. P.; ROSA, R. Relevo. In: IBGE. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Geografia do Brasil: Região Sul. Rio de Janeiro: 1990. p. 59-83. 17

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Laudo Geológico - GRAVATAÍ

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