Saffron A. Kent - St. Mary’s Rebels 01- My Darling Arrow (rev) R&A

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Página 2 de 551 Querido Arrow, Eu não deveria estar escrevendo isso. Não é como se fosse enviar-lhe esta carta, e há um milhão de razões para isso. Em primeiro lugar, fui enviada para este reformatório como punição por um crime insignificante e totalmente inconsequente. Para não cobiçar o filho gostoso da diretora da escola. Em segundo lugar, você é um enorme babaca. Você é arrogante, temperamental e tão frio. Às vezes acho que nem deveria gostar de você. Mas estranhamente sua frieza ateia fogo em mim. A maneira como seu corpo atlético se move no campo de futebol e a maneira como suas coxas poderosas se separam sobre aquela sua motocicleta me deixam sem fôlego de forma inadequada. Mas essa não é a pior parte. A pior parte é que você, Arrow Carlisle, não é apenas o filho gostoso da diretora. Você também é o amor da vida da minha irmã. E eu realmente não deveria estar pensando no namorado da minha irmã, ou melhor, no noivo (eu ouvi uma conversa sobre o anel que eu não deveria). Agora, se eu puder parar de escrever para você essas cartas sem sentido que nunca vou enviar e você nunca vai ler...

Jamais sua, Salem

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Dedicação Para cada garota que amou secretamente um garoto e escreveu cartas de amor para ele no meio da noite. E, claro, para o amor não tão secreto da minha vida, meu marido.

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Nota da Autora: A temporada normal da Major League Soccer (MLS) termina em outubro. No entanto, para o propósito desta história, esta linha do tempo foi alterado.

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Amor não correspondido

Quando a pessoa que você ama não te ama também.

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Amor condenado

Um tipo de amor não correspondido; quando a pessoa que você ama está apaixonada por outra pessoa.

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Algumas garotas nascem perfeitas. Elas têm cabelos perfeitos, olhos perfeitos e peles perfeitas. Têm notas perfeitas e grandes ambições. São populares e admiradas. Elas são adoradas e reverenciadas. E amadas. Eu não sou uma delas. Essa é a primeira coisa que você deve saber sobre mim: não sou perfeita. Eu tenho falhas. Muitas, muitas falhas. Eu não tenho notas perfeitas. Eu não tenho grandes ambições. Não entendo por que a soma de todos os ângulos de um triângulo tem que ser cento e oitenta ou o mundo entrará em colapso. Ou por que, quando falamos sobre o coração, o reduzimos a um órgão muscular com quatro câmaras cujo único propósito é bombear sangue pelo corpo. Estou longe de ser popular e tenho algo chamado olhos de bruxa. Ou pelo menos, eu os chamo assim. Eles são dourados e arqueados nos cantos fazendo com que pareçam meio malvados, bruxos. O que é superpoético porque eu também tenho um nome de bruxa. Salem. Salem Salinger, e a segunda coisa a saber sobre mim é que junto com olhos de bruxa e um

Página 12 de 551 nome de bruxa, eu também tenho um coração de bruxa. Ou seja, meu coração tem segredos. Na verdade, meu coração está cheio de segredos. Muitos, muitos segredos como minhas muitas, muitas falhas. E é por isso que fiz o que fiz. A única coisa que me trouxe aqui. O pequeno crime inconsequente que me fez ser enviada para St. Mary’s School for Troubled Teenagers - um reformatório só para garotas. Só que não o chamam mais de reformatório. Não é a década de 50 ou 60. Hoje em dia, escolas como essa são chamadas de escola terapêutica. Porque eles acreditam em terapia. E reabilitação e correção. Eles acreditam em nos ensinar a ser membros produtivos da sociedade. Quem somos nós? Nós somos as garotas más e sem esperanças. Nós somos as garotas que quebram as regras e amam a rebelião. Não gostamos de escola ou aulas. Por isso, nós continuamos tendo problemas com nossos colegas e professores. Às vezes, somos expulsas várias vezes de várias escolas até que nossos pais ou responsáveis sejam forçados a tomar medidas drásticas. Algumas de nós também infringem a lei, o que tecnicamente eu fiz. Quer dizer, havia alguns policiais envolvidos. Não me algemaram nem nada, mas tive que andar na viatura deles e ir para a delegacia. Mas não houve acusações feitas. Em vez disso, fui enviada para St. Mary's.

Página 13 de 551 Estou aqui há quase uma semana e já estou atrasada. Em tarefas, quero dizer. Deus, as tarefas e o dever de casa. Eles são muito rígidos com isso aqui. Então, eu realmente não deveria cair no sono durante a aula se eu quiser recuperar o atraso. Mas é sexta-feira à tarde e é trigonometria e não é como se eu fosse magicamente entender tudo a ver com triângulos e tangentes prestando atenção nos últimos quinze minutos de aula de qualquer maneira. Honestamente, não acho que ninguém esteja prestando atenção, embora todas estejam quietas e olhando para o quadro-negro. Provavelmente há quinze outras garotas além de mim nesta pequena sala de concreto e cimento pintada de bege onde estou sentada no fundo. Estamos todas curvadas sobre as mesas duras de madeira, com o queixo nas mãos. Todas temos tranças apertadas penduradas nas costas ou nos ombros, amarradas na ponta com uma fita cor de mostarda. Todas nós usamos uma camisa branca engomada e uma saia amarela-mostarda que toca acima de nossos joelhos. Exceto que estou com um suéter preto grosso porque sou uma garota que gosta da luz do sol e o interior de St. Mary's parece inverno. Combinamos nossos uniformes com meias brancas até os joelhos e Mary Janes pretas lustradas. Nossos cadernos estão abertos à nossa frente e as nossas bundas estão coladas em cadeiras tão duras e de madeira quanto as escrivaninhas.

Página 14 de 551 De vez em quando, nós nos contorcemos e nos mexemos em nossos lugares, porque acho que a madeira está cravando em nossas bundas. Pelo menos, está cravando na minha. Portanto, deve ser muito difícil cair no sono, certo? Ou sonhar. Mas estou fazendo as duas coisas até ouvir um som. Psst… Está vindo da minha direita. Lentamente, me viro para encontrar minha colega, na fileira adjacente, tentando chamar minha atenção. É uma garota que eu já vi antes. Ao redor da escola, no refeitório e no prédio do dormitório aonde todas as alunas que vão para St. Mary's ficam, mas nunca falei com ela. Porque ninguém fala comigo aqui. Na verdade, eu tentei muito fazer com que falassem comigo ou até sorrissem para mim ou apenas acenassem com a mão, mas não tive sucesso. Não consigo nem fazer minha colega de quarto, Elanor, dizer oi para mim. Então, eu não sei o que essa garota, minha colega de cabelos loiros, quer de mim. Mas assim que nossos olhos se encontram, ela aponta para alguma coisa. Mordendo meu lábio, eu olho para o que ela está apontando. É um pedaço de papel. Ele está na beira da minha mesa, dobrado duas vezes para fazer um pequeno quadrado. Por um segundo, não consigo compreender o que um pedaço de papel está fazendo na minha mesa. Confusa, olho para cima e me concentro de

Página 15 de 551 novo na garota. Ela arregala os olhos para mim e aponta para ele com o queixo novamente. O que… Ah. Ah! Eu finalmente entendi. É um bilhete. Ela está me passando um bilhete e quer que eu abra. Entendi. Imediatamente, vou pegá-lo, mas paro, com minha mão levantada no ar. Olho para cima e vejo que a professora, Sra. Miller, está ocupada resolvendo uma equação de aparência estranha no quadro. Então, estou a salvo. Mas por que essa garota está me escrevendo um bilhete? Ela não sabe que eu sou a garota mais odiada da St. Mary's agora? Eu sou a pupila da diretora. Sim, a diretora da St. Mary’s School for Troubled Teenagers, Leah Carlisle, é minha tutora. Ela tem sido minha tutora à oito anos, desde que eu tinha dez anos. E de alguma forma, por causa disso, sou a inimiga número um na escola. Até agora, na semana em que estive aqui, as pessoas me encararam, tentaram me fazer tropeçar no refeitório, esbarraram em mim sem querer nos corredores do dormitório e me trancaram no banheiro.

Página 16 de 551 Pelo que pude perceber, as alunas pensam que sou uma espiã, e se elas falarem comigo e revelarem seus segredos, posso ir até a Leah e denunciá-las. E os professores acham que, como sou pupila dela, terei um tratamento especial. Portanto, é natural eu debater se devo ou não abrir o bilhete. Mas então ouço as palavras sussurradas da minha colega. — Abra. Viro meu olhar para ela e ela diz essa palavra de novo, ou melhor, move a boca, abra, antes de me dar um grande sorriso. Um grande e irradiante sorriso. É o sorriso que faz isso. Alguém está sorrindo para mim. Uma garota da St. Mary's, minha nova escola de reabilitação terapêutica, está sorrindo para mim e eu nem precisei fazer nada para conseguir aquele sorriso. Então foda-se. Minha mão retoma sua jornada e praticamente arranca o bilhete da mesa. Eu o coloco no meu colo e abro.

É chato, não é? Eu entendo. Miller é um tanto entediante. Mas não deixe ela te pegar caindo no sono. Ela adora tirar os privilégios das alunas.

Ah, os famosos privilégios. Todo esse sistema de reabilitação/terapêutica funciona com base em uma coisinha chamada privilégios de alunas, que você ganha seguindo

Página 17 de 551 as regras. Então, aqui está todo o conceito: quando somos enviadas para St. Mary's, eles levam embora tudo o que até agora consideramos garantido em nossas vidas antigas, corruptas e rebeldes. Em primeiro lugar, nenhuma tecnologia pessoal é permitida. Significa que nada de celulares, laptops, iPads ou qualquer coisa. Tudo o que usamos tem que ser emitido pela escola e é fortemente monitorado. Se você quiser usar a internet, irá ao laboratório de informática e use o computador lá, por um determinado número de horas. Se você quiser falar com alguém ao telefone, faça isso usando o telefone da escola, novamente apenas durante um período de tempo determinado. Em segundo lugar, se você quiser sair da escola, precisará de uma autorização do professor e só poderá sair durante o tempo estipulado. Agora, se você for boa - suas notas estão boas e você está fazendo sua lição de casa e participando de atividades - você tem o privilégio de usar o computador por mais tempo do que qualquer outra pessoa ou pode sair duas vezes por semana, ficar fora por mais tempo e etc. E quem mantém o controle dessas coisas? A orientadora designada a você com quem se encontra todas as semanas. Mas tudo isso é inútil para mim. Porque acabei de começar aqui e tenho uma proibição de quatro semanas de quaisquer privilégios. O que significa que não posso sair, aconteça o que acontecer. Meu uso do computador é de uma hora por dia e não posso fazer ligações; Eu só posso receber aos sábados. Se no final do período de quatro semanas, minha orientadora, que por acaso é a Sra. Miller, achar que estou apta a ser recompensada por seguir as regras e me esforçar muito, posso sair

Página 18 de 551 ou usar o computador por mais de uma hora. Então, escrevo um pequeno bilhete de minha autoria:

Obrigada pelo aviso. Mas, como estou no período de carência de quatro semanas, basicamente não tenho privilégios.

Entrego o bilhete para a garota e ela o agarra como se eu estivesse entregando a ela uma tábua de salvação. Acho que ela está tão entediada quanto eu. Rapidamente, ela o abre e começa a escrever uma resposta em um pedaço de papel rasgado, que ela me devolve alguns minutos depois:

Ah, certo! Desculpe! Esqueci completamente que você é uma novata. Mas Miller é conhecida por tirar privilégios antecipadamente. Ela é uma piranha. Perdoe minha linguagem. Sou Calliope, a propósito. Mas todo mundo me chama de Callie. Sinto muito por todas as coisas que algumas garotas estão fazendo você passar. Eu tenho que perguntar: a Diretora Carlisle é realmente sua tutora? E você realmente não é uma espiã?

Eu tenho que sorrir com o bilhete dela. Não há maldade aí. Não depois da maneira como a sinto olhando para mim com tanta ansiedade.

Página 19 de 551 Então eu respondo: Entendido. Não dormir na aula de Miller. Na verdade, ela é minha orientadora designada também. Portanto, não estou ansiosa por essa reunião na próxima semana. Sim, a Diretora Carlisle é realmente minha tutora. Minha mãe e ela eram amigas de infância. Ela morreu quando eu tinha dez anos, então eu e minha irmã mais velha fomos enviadas para morar com ela. E não, eu realmente não sou uma espiã. Eu sou como o resto de vocês. Além disso, você é a primeira pessoa a sorrir para mim neste lugar. Então, obrigada novamente.

Devolvo o bilhete para ela e, como antes, ela logo o aceita e o agarra rapidamente. Assim que ela termina de ler, ela escreve também.

De nada! Eu teria dito oi mais cedo, mas tive que ser um pouco cuidadosa, pois não quero irritar a Diretora Carlisle.

Sim, eu não a culpo. Leah pode ser um pouco intimidante com todas as suas regras, punições, sermões e planos. Quer dizer, o que mais você espera da diretora de um reformatório? Eu mesmo tenho muito medo dela e morei com ela durante oito anos. Mas acho que ela só intimida garotas como nós, que quebram as regras e são perpetuamente más.

Página 20 de 551 Escrevo minha resposta, sentindo-me leve pela primeira vez em quase sete dias.

Está tudo bem. A Diretora Carlisle também me assusta.

Um segundo depois, sua resposta vem.

Certo?! Ela é assustadora. Tipo, ela nunca sorri. A propósito, se você se sentar conosco no refeitório, vamos garantir que ninguém irá incomodá-la.

Estou prestes a perguntar quem é “conosco”, quando o sinal toca e o dia termina felizmente. Todo mundo abaixa para pegar suas mochilas como se estivessem mergulhando para salvar suas vidas, o que pode muito bem ser verdade, porque Deus, essa aula estava me matando. Viro-me para Callie, a primeira garota a falar comigo na St. Mary’s, e digo: — Obrigada por ficar ao meu lado. Ela sorri brilhantemente. — Claro. Eu já passei por isso. Miller é tão chata. — Eu ouvi alguém insultando Miller? Isso vem de uma garota com cabelo preto e óculos. Ela tem uma voz rouca e um rosto travesso, e está movendo as sobrancelhas para nós. Callie revira os olhos. — Poe aqui tem uma grande aversão a Miller.

Página 21 de 551 — Dã. – Poe fecha o zíper de sua mochila e vem até nós. — Ela é má. E minha orientadora. Portanto, sou supersortuda. – ela se vira para mim então, curiosa. — Eu sou Poe, a propósito, como Callie disse. Poe Austen Blyton. Minha mãe era fã da Austen. E uma fã do Poe. E essa. – ela aponta para uma terceira garota. — É Bronwyn. Bronwyn Littleton. Não é o melhor nome de todos? A garota para a qual ela está apontando tem o cabelo mais comprido que já vi. Como Rapunzel. Sua trança castanha clara bate na bunda, mas quando ela olha para Poe e balança a cabeça de uma maneira muito indulgente e paciente, eu esqueço completamente o comprimento de seu cabelo e fico maravilhada com seus olhos. Porque seus olhos cinza parecem tão etéreos. Ela pendura a mochila no ombro e olha para mim. — Mas as pessoas me chamam de Wyn. Porque odeio Bronwyn, como Poe já sabe. – ela olha para Poe. — Não é? Poe mostra a língua para ela. — Está tudo bem. – digo, rindo de suas travessuras. — Eu também odeio meu nome. Salem. Parece de bruxa. Wyn sorri para mim gentilmente. — Eu gosto dele. Segundo sorriso do dia. Eu não posso acreditar. Este está se revelando o melhor dia de todos. — Posso te fazer uma pergunta? – Poe se intromete, mas antes que eu possa responder de qualquer maneira, ela continua: — Por que a Diretora Carlisle enviaria sua própria pupila para St. Mary? Quer dizer, ela poderia facilmente educar você em casa, certo? Bem, acho que falei rápido demais.

Página 22 de 551 Toda a minha leveza anterior evapora quando Poe, Callie e Wyn olham para mim com olhares curiosos. É uma pergunta sincera. Muito, muito sincera. Portanto, não as culpo por me perguntarem isso. Na verdade, estou surpresa que não tenha surgido antes. Mas, então, essas garotas são as únicas que falaram comigo em St. Mary's. É que estou um pouco consciente do meu crime. Muito consciente, ok? Não é como se eu fizesse o que faço todos os dias. Mas eu tive que fazer isso. Eu precisei. — Porque roubei um dinheiro da Leah - Hum, Diretora Carlisle - e meio que fugi. – digo. — Ou pelo menos, eu tentei. Antes que eles me pegassem. Os policiais. Eu estava na rodoviária, pronta para embarcar e sair desta cidade de uma vez por todas, quando eles me alcançaram e me trouxeram de volta. Quer dizer, ainda não entendo como tudo aconteceu. Tive muito cuidado ao sair de casa. Não foi a primeira vez que eu estava fugindo no meio da noite de qualquer maneira. Sou uma especialista, pelo amor de Deus. Mas de alguma forma, Leah acordou e quando ela descobriu meu desaparecimento, junto com minha bicicleta amarela e cento e sessenta e sete dólares de sua carteira, ela chamou a polícia.

Página 23 de 551 E como ela estava farta dos meus modos de menina má e não queria que eu arruinasse mais minha vida, ela me mandou para cá. Para se tornar boa. “Tenho prestado um desserviço a você e à sua mãe. Eu deveria ter sido mais rígida com você e mandado você aqui antes. Se eu tivesse, nada disso estaria acontecendo. Então você está indo para St. Mary's.” Isso é o que Leah me disse. Eu poderia ter recusado. Eu tenho dezoito anos agora; completei há algumas semanas. Poderia simplesmente ter ido embora, mas eu não tinha dinheiro. Todo dinheiro que eu tinha, usei para comprar a passagem de ônibus e o resto, Leah confiscou. Então aqui estou. — Mas ia devolver o dinheiro. – continuo. — Eu ia sair da cidade e conseguir um emprego e, assim que tivesse economias suficientes, daria o dinheiro de volta para ela. O que é verdade. Na verdade, tenho um emprego de meio período, ou tive um. Em um restaurante da cidade onde trabalhava como garçonete. Mas eu tinha acabado de gastar minhas economias e realmente precisava do dinheiro. E eu realmente precisava fugir. — Por que você estava fugindo? – Poe pergunta, com os olhos arregalados. Droga. Nunca deveria ter deixado essa informação escapar. Que eu estava fugindo.

Página 24 de 551 Meu coração estufa e bate nas minhas costelas. Meu coração de bruxa com mil segredos. — Hum, eu... estava... – eu tento pensar em uma mentira aceitável. Talvez eu possa dizer a elas o que disse a Leah, que eu odiava esta cidade e minha antiga escola e tudo mais, então estava apenas fugindo. Ela comprou isso. Aposto que elas comprariam também. Mas Wyn me dá uma saída. — Está tudo bem. Você não tem que explicar. Callie sorri. — Sim, todas nós temos nossos segredos. — Sim. – Poe acena com a cabeça, colocando as mãos para cima. — Desculpe se fui um pouco intensa demais. É uma das minhas fraquezas. Eu falo demais. E sempre faço muitas perguntas. Só assim a tensão se quebra e eu posso respirar facilmente. Graças a Deus. Acabei de conhecê-las. Estas são as primeiras pessoas que realmente são amigáveis e falam comigo aqui. Não quero que elas me odeiem também. E elas vão se eu contar a elas porque eu estava fugindo. Se eu contar a elas meu segredo. — Ok. – Callie diz. — Vamos comer. E você pode definitivamente sentar conosco, se quiser. De repente, Poe dispara uma série de suspiros e gestos. Ela olha para o relógio pendurado sobre o quadro-negro. — Ah meu Deus, nós temos que

Página 25 de 551 ir. Agora. Esqueça o almoço por um segundo. Eu tenho algo para mostrar a vocês. — Mostrar o quê? – Callie pergunta. — Olá? O quê mais? O colírio para os olhos. – Poe move as sobrancelhas novamente. — Ah, meu Deus. Claro! Eu precisava de algo bom na primeira semana de volta a este inferno. – Callie sorri. — Eu sei. Aparentemente, há uma coletiva de imprensa que nós devemos ver. Uma garota do primeiro ano me avisaram. Temos que ir. Fico confusa. — Que colírio para os olhos? Com a minha pergunta, os olhos de Poe se arregalam novamente quando ela me olha. Não só isso, ela também suspira antes de se lançar para os meus braços. — Ah meu Deus. Isto é perfeito. – Então, ela se vira para Callie e Wyn. — Não é perfeito? Ela o conhece! Não tenho absolutamente nenhuma ideia do que elas estão falando. Mas Callie percebe e vira os olhos para mim. — Sim, ela conhece. – ela sussurra para Poe antes de se virar para mim. — Você conhece! — Eu conheço quem? – pergunto, agora mais confusa do que nunca. Wyn está balançando a cabeça novamente daquela maneira indulgente dela que já vi antes. — Deixe-a em paz, meninas. Ela não sabe do que vocês estão falando. Poe explica isso para mim. — Você o conhece. Você conhece o filho gostoso da diretora. Nosso colírio para os olhos.

Página 26 de 551 Ok. Eu ainda não sei do que elas estão falando. Filho gostoso da diretora. Quem diabos... Filho gostoso da diretora. Ele. Ah, meu Deus. O garoto com cabelos com reflexo por causa do sol e olhos azuis cor céu de verão1. Ele é o filho gostoso da diretora agora, não é? Ele é. Porque estou estupidamente na St. Mary’s e Leah Carlisle, além de ser minha tutora, agora é minha diretora também. — Você morou com ele. – diz Poe. — Morou com um superastro do futebol. — Sim. The Blond Arrow. – Callie continua. The Blond Arrow2. Esse é seu apelido de futebol. É assim que o chamam, seus torcedores, os críticos, os esportistas, quem for. Deram esse apelido a ele quando ele estreou na temporada passada. Quando ele cobrou falta do meio do campo e a bola saiu voando pelo ar, passou por todos os jogadores e acertou a rede, bem no meio.

Cor céu de verão: é uma referência a cor do céu sem nuvens. The Blond Arrow: no literal significa “Flecha Loira”. Optamos por deixar como no original, já que se trata de um apelido. 1 2

Página 27 de 551 Caralho, elas estão falando sobre Arrow. Meu Arrow. Antes que eu possa dizer qualquer coisa, Poe e Callie estão me arrastando para fora da sala de aula com Wyn atrás de mim e falando como posso dizer a elas tudo o que há para saber sobre Arrow Carlisle, o atleta famoso, porque morei com ele antes de se tornar profissional. Eu não estou ouvindo elas embora. Quer dizer, ouço aqui e ali, mas principalmente estou em... choque. O que é estúpido porque eu deveria ter pensado nisso. Eu deveria saber. Que ele aparecia em conversas ou que eu ouviria seu nome de passagem. Costumava acontecer muito, na minha antiga escola, a escola normal. Ele é muito famoso por aqui. Ele é The Blond Arrow, o jogador de futebol profissional. Claro que ele é famoso. E, claro, que ele seria famoso aqui também, em uma escola feminina de reabilitação/terapêutica. A mãe dele é a diretora, não é? Então, sim, eu deveria ter esperado por isso. Mas de alguma forma eu não esperei. E agora estou aqui. No banheiro do terceiro andar. Porque Poe quer nos mostrar algo. Uma entrevista coletiva, ela disse. Estamos no banheiro do terceiro andar porque ele está sempre quebrado, então ninguém vem aqui. Ninguém que seja bom de qualquer

Página 28 de 551 maneira e nós nos encaixamos perfeitamente nisso. Porque Poe está com um celular na mão, que todos sabem que é extremamente proibido, aqui em St. Mary's. Se formos pegas, provavelmente perderemos todos os nossos privilégios e só Deus sabe o que mais. Mas Poe está apertando todas as teclas de seu celular como se tivesse feito isso mil vezes antes e Callie e Wyn não parecem se importar e eu estou em tal choque que também não me importo. Especialmente quando o vídeo que Poe estava tentando carregar, eu estava olhando diretamente para ele. Seu cabelo loiro escuro com reflexo por causa do sol é a primeira coisa que vejo. Talvez porque esteja brilhando sob o que parece ser mil luzes no teto. Sem falar no flash de mil câmeras que estão apontadas para ele. Ele está sentado em um palco com um monte de outras pessoas que eu vi muitas vezes antes. Eu não as conheci pessoalmente, é claro, mas elas sempre se aproximam dele em eventos como este. É uma coletiva de imprensa do MLS3. Há aquele logotipo amarelo e azul brilhante de seu time, LA Galaxy, pendurado atrás dele em uma tela gigante com uma bola de futebol preta e branca, e lá está seu treinador com cabelos brancos e bagunçados, sentado ao lado dele no pódio. Por um segundo, me distraio com a faixa em movimento na parte inferior da tela, exibindo diferentes manchetes.

3MLS:

sigla da Major League Soccer que é o principal campeonato de futebol dos Estados Unidos, contando também com as equipes do Canadá.

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Estrela em ascensão do LA Galaxy lesionado durante o treino; LA Galaxy substituirá seu superastro no meio de campo por um novato; The Blond Arrow, aclamado pela crítica e torcedores como o novo David Beckham, pode deixar a temporada inacabada…

Há mais disso, mais manchetes, com a mesma coisa dita de várias maneiras. A mesma coisa é: que ele está lesionado. E que ele não pode jogar pelo resto da temporada. Mas eu não entendo... Eu não entendo. Ele estava bem há uma semana. — Então, o que isso significa para o time e para o resto da temporada? Ainda estou me recuperando das manchetes da parte inferior quando alguém faz essa pergunta. Alguém fora do enquadramento, e de todas as pessoas sentadas na longa mesa com microfones pretos na frente delas, é dirigido a ele. Eu sei porque ele ouve. Ele ouve e sua mandíbula, que sempre comparei a uma lâmina afiada e esculpida, se move de um lado para o outro. É muito sutil e nem acho que alguém perceba, não na comoção de eventos como este, mas eu sim. Sim, porque estou sintonizada com ele.

Página 30 de 551 E porque isso é uma reação tão... atípica para ele. Arrow nunca move sua mandíbula de um lado para o outro. Ele nunca fica irritado o suficiente para fazer isso. Ele é paciente. Ele é paciente, determinado e sensato. Já ouvi isso sobre ele várias vezes, nas entrevistas, nas coletivas de imprensa. Sua calma é lendária. — O que isso significa - obviamente - é que não vou jogar no time pelo resto da temporada. Isso aumenta o barulho ao redor dele e o treinador do time se inclina para frente e diz: — O que ele quis dizer é que é uma pena e ninguém poderia ter imaginado. Mas Rodriguez é um excelente meio-campista e, por mais difícil que seja ocupar o lugar que teve que entrar, faremos todos os esforços para ajudá-lo. Porque vamos ajudar Carlisle tanto quanto pudermos com sua recuperação. Seus olhos azuis brilham, então. Eles vão de um azul cor do céu de verão a tempestuoso e invernal. Novamente, é tão atípico que eu noto imediatamente. Eu não só percebo, mas absorvo o choque disso. Porque Jesus Cristo, uma semana atrás, quando eu estava fazendo minhas malas para ir para o St. Mary, Leah e eu, assistimos seu jogo juntos. A temporada de futebol começou e eles estavam jogando contra o New York City FC. E tudo bem, então eles perderam aquele jogo e, pelo que eu sei, Arrow, deve ter se lesionado porque

Página 31 de 551 ele é muito competitivo. Mas ele já perdeu jogos antes e sempre volta a lutar. Ele parecia bem na coletiva de imprensa depois. Um pouco sombrio, mas bem. Além disso, ele ligou para casa para falar com Leah mais tarde naquela noite - ele sempre liga depois de cada jogo dele - e bem, eu escutei - eu sempre escuto. A conversa foi um pouco crítica da parte de Leah porque eles haviam perdido, mas nada fora do comum. Nenhum sinal de que havia algo errado com ele. Na verdade, eu estava lamento pelo fato de que não conseguiria mais vê-lo jogar tanto assim por causa das regras estúpidas da TV no St. Mary's. Então eu realmente não entendo. Que porra aconteceu? — Você pode nos dizer quanto tempo espera que a recuperação leve? Outra pergunta saiu da tela e para ele, mas desta vez, ele nem estava prestando atenção nelas. Ele está com a cabeça baixa e olhando para os punhos fechados na mesa. Ele está praticamente olhando para eles e Deus, tenho um pressentimento muito ruim sobre isso. Muito ruim. O que está acontecendo? Por que ele está agindo assim, quando sempre foi tão profissional e educado? Quando o treinador percebe que seu jogador não vai responder à pergunta - ele parece meio chocado com o desafio de Arrow também - ele

Página 32 de 551 assume as rédeas. — É uma ruptura de menisco4 muito típica. Estou feliz que isso aconteceu durante o treino e fomos capazes de obter ajuda rapidamente. É uma coisa pequena no momento, mas todos nós sabemos que lesões nos joelhos costumam se apoderar de você, especialmente se você pratica esportes de contato. Então, nós queremos tomar todas as precauções que pudermos para que não se transforme em algo importante. Eu respiro quando Arrow ainda não olha para cima. Sua postura ficou ainda mais rígida, como se ele estivesse repelindo as palavras de seu treinador. Como se ele estivesse repelindo tudo o que está acontecendo ao seu redor. — Você vai ficar em Los Angeles durante a sua recuperação? Por algum motivo, parece que a pausa após essa pergunta é mais longa e pesada. Ou talvez seja minha própria ansiedade de qual é a resposta. Minha própria expectativa de ouvir sua voz, sua voz bonita e rouca. Uma voz com a qual sonho. Inclinando-se para frente, ele olha para uma das câmeras e parece que está olhando diretamente para mim. — Não. Foi gentilmente dito para mim que preciso desaparecer por um tempo, sair do radar. Para que possa me recuperar. Recuperar-se da lesão que, francamente, ninguém previu. E bem, eu concordo. Então, irei para o leste... – ele para antes que suas palavras se tornem curtas e cortantes. — De volta à minha cidade natal, St. Mary’s. O que?

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Ruptura do menisco é comum entre os atletas, especialmente aqueles que praticam esportes com muito agachamento e mudança de posições.

Página 33 de 551 Não, não, não. Ele não disse St. Mary's, disse? Ele não disse que vai voltar. Não, ele não disse. Ele não poderia ter. Porque ele não pode voltar. Eu não quero que ele volte. Eu não quero. Eu quero que ele fique longe, muito longe. Ele foi a razão pela qual eu estava fugindo naquela noite. Ele foi a razão de eu roubar aquele dinheiro e eu iria para algum lugar antes que eles me pegassem e me enfiassem dentro de uma prisão. Então ele não pode voltar quando era aquele de quem eu estava fugindo. Meu Arrow, o cara por quem estou apaixonada. O namorado da minha irmã.

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Arrow5. É um nome maluco, não é? Sempre pensei assim. Maluco, único e inteiramente dele. Não consigo imaginar mais ninguém com esse nome. Não consigo imaginar ninguém que possui esse nome além dele. Faz jus a ele. Cada parte de seu rosto esculpido e seu corpo atraente. De suas sobrancelhas arqueadas e de aparência arrogante às maçãs do rosto salientes. Deus, suas maçãs do rosto. Elas são tão esculpidas e, no entanto, tão graciosamente feitas que quase lançam uma sombra em sua mandíbula. Sua mandíbula muito angular e inclinada. E então há seu corpo. Não é volumoso ou forte, mas musculoso e esbelto. Bronzeado de tanto correr sob o sol. Atlético. Construído para velocidade e precisão no campo de futebol. Na verdade, cada parte dele é construída e projetada com uma precisão cuidadosa. Como se 5

Arrow: significa “flecha”.

Página 35 de 551 alguém lá em cima tivesse decidido passar o tempo com ele. Eles decidiram se sentar e pegar ferramentas, martelos e talhadeiras para que pudessem esculpi-lo, lapidá-lo e torná-lo deslumbrante. Isso é o que ele é. Arrow Carlisle, o amor da minha vida, é deslumbrante. Sempre foi, desde que ele tinha quinze anos e eu dez, e o vi pela primeira vez. Mesmo que tenha sido há oito anos, eu me lembro de tudo. Posso dizer que era de manhã e a luz do sol entrava pela janela como raios laser. Tudo estava banhado de amarelo naquele cômodo, a cozinha para ser mais específica. Laranja, até. Eu estava espremida entre um armário de porcelana e a parede, sentada no chão, com meus joelhos encolhidos e pressionados ao meu peito. Eu tinha um cobertor enrolado em volta de mim e, ainda assim, estava com frio. Tão frio. Andei por toda a casa, tentando encontrar um local onde pudesse encontrar um pouco de calor, mas até agora, não tive sucesso. Mas então, ele entrou pela porta da cozinha, todo suado e ofegante. Lembro-me de pensar que ele era alto. E que quando ele se moveu pelo lugar, a luz do sol surgiu. Os raios lançaram padrões minúsculos em sua forma alta. Ele foi direto para a pia e abriu a torneira. Ele jogou água no rosto, no pescoço, e fez isso com tanta violência, com gestos tão agitados que algumas gotas caíram na minha bochecha.

Página 36 de 551 Eu me encolhi automaticamente, pensando que ficaria frio. Mas isso não aconteceu. A água que ele tocou com as mãos, que pousou em mim, não estava fria de jeito nenhum. Na verdade, ela me fez sentir quente. Toda a sua presença me aqueceu. Como se ele fosse o sol ou algo assim. Meu sol. Depois que ele terminou de lavar o rosto, ele se inclinou em direção à geladeira e tirou uma caixa de suco. Ele começou a tomar metade antes de perceber que alguém o estava observando. Ele virou os olhos para mim, onde eu estava escondida, toda encolhida e tentando me transformar em uma bola para preservar o calor do meu corpo. Ele franziu a testa e eu meio que sorri. Porque seus olhos eram azuis. Eles me fizeram pensar no verão e no sol e derretendo na grama enquanto pegava sol. — Não diga a minha mãe. – disse ele, apontando para a caixa de suco. — Ela fica irritada quando as pessoas bebem direto da caixa. – E então ele franziu a testa ainda mais, me observando completamente. — Está com frio? Queria responder a ele. Eu queria dizer a ele que seu segredo estava seguro comigo. Que eu nunca falaria sobre ele em um milhão de anos por quebrar a regra de sua mãe. E então eu queria dizer a ele que não, eu não estava com frio.

Página 37 de 551 Que de alguma forma, ele fez todo o frio ir embora com seu cabelo com reflexo do sol e suado, pele bronzeada e olhos azuis cor céu de verão. Eu gostaria de dizer. Eu realmente, realmente gostaria de ter dito algo. Porque quando o momento passou, nunca tive a chance de contar a ele. Porque em uma fração de segundo, tudo mudou. Todo o curso da minha vida. E o dele também. Porque só então minha irmã entrou, Sarah, e ele se virou para olhar para ela e nunca desviou o olhar. Ele não desviou o olhar dela desde aquele momento. Então, basicamente, nos últimos oito anos que o conheço, ele só olhou para mim com sua atenção uma vez. Desde então, seu foco tem sido minha irmã. O amor de sua vida. Não posso dizer com certeza se o momento na cozinha foi quando me apaixonei por ele. Quer dizer, eu estava com muito frio e medo depois da morte da minha mãe. Tínhamos acabado de nos mudar para uma nova casa, uma nova cidade. Antes disso, só tínhamos ouvido falar dos Carlisles de passagem. Nós nunca os conhecemos porque minha mãe e Leah sempre estiveram ocupadas com suas carreiras. E um garoto estranhamente me fez sentir quente pela primeira vez em semanas.

Página 38 de 551 Tenho certeza de que isso significava me apaixonar em meu cérebro de dez anos de idade. Mas agora que estou mais velha e tenho mais perspectiva, não tenho certeza. Talvez tenha acontecido nos dias seguintes. Quando o vi voltar de sua corrida e lealmente tirar um copo do armário e despejar suco nele antes de beber. Ou quando o via lavando a louça depois de cada refeição, recolhendo a sua roupa, suas chuteiras, mesmo que eles tivessem uma empregada que poderia fazer essas coisas. Ou quando eu o via consertar as coisas pela casa - especialmente o aquecedor um dia - embora, novamente, eles pudessem chamar um cara se quisessem. Meu coração disparou porque, mesmo com quinze anos, ele era o homem da casa. Seu pai morreu em um acidente de avião repentino quando ele tinha sete anos. E nos próximos dias, descobri que ele levou isso muito a sério, a morte de seu pai, a responsabilidade que veio com isso, o fato de que ele queria ficar no lugar de seu pai. Meu próprio pai havia deixado minha irmã e minha mãe logo depois que nasci porque ele não conseguia lidar com responsabilidades. Então, tudo isso era novo para mim. Eu nunca conheci ninguém como Arrow Carlisle antes. Alguém tão sério, determinado e focado. Não só em casa, mas também na escola. Além de só ter boas notas, Arrow também era o astro do futebol. Honestamente, não é nenhuma surpresa porque primeiro, o pai de Arrow também era um jogador profissional de futebol.

Página 39 de 551 E segundo, Arrow passava horas treinando na escola. Ele passava horas assistindo a fitas de jogos em seu quarto, e às vezes o encontrava driblando a bola no quintal, praticando exercícios e se exercitando antes de um grande jogo. O futebol foi e é sua vida. Ele nasceu para isso. Então, não sei quando me apaixonei por ele. Tudo que sei é que quando estava me apaixonando por Arrow, ele estava se apaixonando por outra pessoa. Por minha irmã, Sarah. E eles são perfeitos um para o outro. Perfeitos. Ambos têm a mesma idade. São bonitos e populares. Ambos têm grandes ambições e objetivos. Na verdade, eles são tão perfeitos um para o outro, tão fiéis, que quando Leah fez objeções sobre o filho namorar sua pupila, eles fizeram de tudo para convencê-la. Leah fez regra após regra, deu a eles agendas apertadas e ultimatos sobre notas e estar juntos com as portas de seus quartos abertas, e eles se saíram bem em todos os testes que ela aplicou. Novamente, não é uma surpresa, ambos são excelentes participantes de testes. Eles até estudaram na mesma faculdade. Quando Arrow conseguiu uma bolsa para jogar futebol em uma faculdade na Califórnia, Sarah fez questão de estudar na mesma escola. Até escolheram um apartamento fora da faculdade para que pudessem morar juntos. E quando Arrow se formou um semestre mais cedo - nenhuma surpresa nisso; ele é um

Página 40 de 551 gênio - e foi escolhido em janeiro do ano passado para se profissionalizar e jogar pelo LA Galaxy, eles continuaram o seu relacionamento à distância. Além disso, Sarah fez questão de concluir sua graduação em Relações Públicas e segui-lo para Los Angeles, alguns meses depois. Agora, ela trabalha na empresa de relações públicas que representa o time de Arrow. Vê? Eles são perfeitos um para o outro. Perfeitos. Perfeitos. Perfeitos. Eles venceram todos os obstáculos em seu caminho para chegar a este ponto em que têm um apartamento bonito e caro em Los Angeles. Ele joga o jogo que adora e ela tem um futuro brilhante em relações públicas. Eles pertencem um ao outro. Então, onde eu me encaixo? Qual é o meu papel aqui, além de ser essa garota malvada e bruxa que quer o namorado da irmã mais velha? Não acho que tenho qualquer papel, exceto ser a vilã em sua história de amor. A garota que violou todos os códigos. A traidora. Que se sente bem ao ver o namorado da irmã. Que se arrepia quando ele sorri. Cujo coração se enche de imensa alegria ao vê-lo na TV, marcando um gol e que quer ir até ele e abraçá-lo e dizer como ele é maravilhoso.

Página 41 de 551 Que loucura incrível. Algumas garotas caem por amor e os garotos as pegam. Eles esperam por elas no fundo do penhasco de braços abertos. E então há outras garotas. Garotas como eu. Nós somos as garotas apaixonadas pelos garotos que pertencem a outra pessoa. Nós somos as garotas de um amor condenado. Quando garotas como nós caem, não há ninguém para nos pegar. Muito menos aquele garoto por quem assumimos a culpa. Nós somos as garotas com segredos e almas de bruxas. Nós somos as garotas que ouvem músicas tristes. Que dançam lentamente com eles com lágrimas escorrendo pelo rosto, mesmo com um sorriso nos lábios. Que choram em nossos travesseiros à noite e que andam em nossa bicicleta amarela pelos lugares vazios, desolados e deprimentes, aonde ninguém vai. Nós somos as garotas que fogem no meio da noite. Como eu estava fazendo. Porque ouvi uma conversa entre Leah e ele. Bem, apenas o lado de Leah, mas ouvi o bastante para entender que Arrow estava se preparando para pedir Sarah em casamento. Ele comprou um anel e tudo. Foi quando decidi fugir. Porque eles iriam se casar. Casar. Quer dizer, sempre soube que iriam. Mas algo sobre a conversa sobre um anel realmente me abalou.

Página 42 de 551 Arrow ia pedir minha irmã em casamento. Ela obviamente diria sim, e eles teriam um dia de casamento. Filhos e família. Como uma voyeur, estive presente em cada momento de sua história de amor. Eu vi eles se apaixonarem. Eu os vi apaixonados por anos. Eu os vi sair para encontros e ir ao baile juntos. Eu os vi saindo juntos no quintal. Eu os ouvi sussurrar e conversar no corredor, perto do meu quarto. Eu os vi partir para a Califórnia. Eu os vi quando vieram me visitar durante as férias. Eu vi tudo como a pior irmã do mundo. Eu os vi como a pior irmã do mundo. Eu o vi, ansiava por ele e o amava em segredo. Eu já fui a bruxa por tempo suficiente. Eu tinha que fazer a coisa certa e tirar minha presença tóxica de suas vidas. Antes de se casarem. Bem naquele exato segundo. E é por isso que roubei aquele dinheiro e estava fugindo. Mas fui pega e agora estou presa aqui. Até que surja outra oportunidade. Quando isso acontecer, eu a agarro. Vou roubar de novo e fugir de novo. Não sou uma ladra, mas existem crimes piores do que roubar dinheiro.

Página 43 de 551 De jeito algum vou ficar perto deles por mais tempo. E definitivamente não vou ao casamento deles. De jeito algum. Porque além do fato de que seu casamento deve ser cheio de pessoas cujo coração é puro, existe essa outra coisa, esse outro desejo em mim. Um desejo muito forte. Um desejo perigoso. Eu entendi no momento em que ouvi a palavra “anel”. Eu entendi no momento em que me ocorreu que ele seria dela. Irrevogavelmente dela. Para sempre e sempre. É uma necessidade de acabar com todas as minhas inibições de oito anos e dizer: me escolha. Escolha-me, Arrow. Escolha-me. Sim, isso é o que eu estava pensando na noite em que estava fugindo. Estava pensando sobre o quanto queria dizer aquelas palavras para ele. O quanto eu o queria para mim. Eu queria muito o namorado da minha irmã que em breve seria noivo - para mim. E Deus, ele está voltando agora e está lesionado.

Página 44 de 551 Só consigo pensar em vê-lo pessoalmente. Certificar-me de que ele está realmente bem e se eu conseguir fazer isso de alguma forma, se eu de alguma forma conseguir vê-lo novamente, quem pode dizer que eu não agiria de acordo com esse meu desejo? Quem é que pode dizer que eu não tentaria arruinar a relação deles? Já estou apaixonada pelo namorado da minha irmã. Já sou tão corrompida e desprezível. Já estou perdidamente apaixonada. Quem disse que eu não daria um passo adiante e tentaria roubá-lo dela? Então, eu preciso ficar longe dele. Eu preciso me controlar como fiz nos últimos oito anos. É por isso que esta noite, eu estou quebrando uma grande, enorme regra de St. Mary’s. Porque a alternativa é sentar no meu dormitório e preparar cenários sobre como roubar o namorado da minha irmã. Esta regra que estou quebrando, no entanto, definitivamente acabará com todos os meus privilégios. Mas nem mesmo pensar nisso pode me impedir - ou Callie, Poe e Wyn - de fazer o que estamos fazendo. Saindo escondido para ir à um bar para dançar. É todo um processo também. Você tem que ir para a cama, vestindo o que quiser para sair, para que quando chegar a hora de realmente fugir, não saia por aí procurando roupas e acordando seu colega de quarto.

Página 45 de 551 Então, tem que juntar todos os seus travesseiros sob o cobertor para que, mesmo que a sua colega de quarto acorde em algum momento enquanto você estiver fora, ela possa ver sua silhueta no escuro e não suspeitar de nada. Depois disso, você sai do quarto na ponta dos pés em um horário especificado e, lentamente, caminha com cuidado pelo corredor escuro para não alertar o vigia que trabalha vinte quatro horas, sete dias por semana e que está sentado bem na frente da recepção com a TV ligada. Se alguém te interceptar, você diz que está indo ao banheiro. Portanto, você não pode usar nada muito chamativo para que a mentira pareça convincente. Assim que chegar ao final do corredor, vire à esquerda e encontrará uma porta de metal pesada com uma placa vermelha escrito SAÍDA nela. É onde todas as suas amigas estarão esperando por você. É lá que Poe, que fez isso um milhão de vezes no passado porque está aqui desde o segundo ano, vai mexer no trinco de uma maneira precisa que vai abrir a porta. E Callie, que também fez isso um milhão de vezes antes, porque, como Poe, ela está aqui desde o segundo ano, vai me levar para a noite. Em seguida, Wyn, que está aqui desde o primeiro ano, cuidadosamente colocará uma pedra entre a porta e o batente para que possamos entrar facilmente. Então, vamos correr e cruzar a enorme extensão de terreno verde que cerca a escola para chegar a um local muito especial na cerca de tijolos. Este local tem superfícies e fendas, grandes o suficiente para que possamos apoiar os pés e escalar a parede para chegar ao outro lado. E então, dez minutos depois de sairmos do prédio do nosso dormitório, estamos caminhando

Página 46 de 551 pela mata, no meio da qual fica nosso reformatório, para chegar à rodovia. Poe já conseguiu um táxi pelo celular dela quando estávamos no banheiro do terceiro andar. Mas como ela pagou por isso, o táxi, quero dizer? Ela também tem um cartão de crédito secreto que roubou antes de vir para o St. Mary's e, se o usar em uma capacidade muito limitada, as cobranças passam despercebidas. Ou pelo menos elas têm até agora. E como vamos entrar em um bar, mesmo sendo menores de idade? Esse é o departamento de Callie. Ela diz que o barman deste bar em particular é um amigo e ele nos deixará entrar, desde que tudo o que façamos seja dançar e não beber. Eu não me importo com isso. Eu não quero beber. Eu também não quero dançar. Eu não estou escapando por nada disso. Estou fugindo porque o meu coração é de bruxa e tenho desejos perigosos. O bar em que estamos chama-se Ballad of the Bards. Eu já ouvi falar dele, na verdade. É um bar famoso por suas canções de amor. O que significa que eles não tocam a música dançante normal. Eles tocam a música dos bardos e dos poetas. As canções de amor triste e sofrimento. Eu sempre quis vir aqui. É na fronteira da cidade de St. Mary’s e outra cidade chamada Bardstown. E como fiquei meio feliz em saber que viríamos para cá, até deixei que colocassem batom em mim, no caminho.

Página 47 de 551 — Toda garota merece um pouco de brilho labial. – disse Poe, enquanto pintava meus lábios com Teenage Decay, que é uma cor coral escura. Ela me lembra do sol. Ela me lembra dele. Com isso em meus lábios, sinto que ele está perto. Ele pode muito bem ser. A coletiva de imprensa foi há alguns dias. Nós, da St. Mary’s School for Troubled Teenagers, nos movemos mais devagar do que o resto do mundo. Talvez ele já esteja de volta. Talvez ele esteja na cidade agora. E talvez… Ok, pare de pensar nele. Pare. Mas eu não acho que isso seja possível. De forma alguma. Porque assim que entramos no bar e olhamos ao redor do espaço de aparência industrial com lâmpadas baixas, paredes rústicas de tijolos e vigas de metal, eu vejo algo. Um boné de beisebol. Está muito escuro aqui para dizer a cor dele. Mas eu não preciso da luz para fazer isso. Eu sei de que cor é. É cinza.

Página 48 de 551 Como todas as outras coisas em sua vida - seus tênis de ginástica, suas chuteiras de futebol, seus suéteres e suas calças de moletom. Suas camisetas. Sim, ele tem um monte de camisetas cinza. Na verdade, estou usando uma agora, por baixo do meu suéter grosso, a camiseta que eu roubei. Foi há muito tempo, quando ele tinha acabado de se mudar para a Califórnia para fazer faculdade. Eu entrei em seu quarto e bisbilhotei e bem, peguei algumas de suas camisetas que ele havia deixado para trás. De qualquer forma, a questão é que ele gosta de cinza. E que ele está acostumado a usar um boné de beisebol desde que se tornou profissional, para ter um pouco de privacidade por aqui onde eles adoram o futebol mais do que qualquer outro esporte. Então eu conheço aquele boné de beisebol. Eu sei. O bar está superlotado, porém, lotado de corpos e saturado com o cheiro de bebida e fumaça como um nevoeiro. Portanto, não é como se eu pudesse ver muito claramente. Mas meu coração de bruxa me diz que é ele. Mesmo que seja impossível que possa ser. Porque ele deveria estar em casa, com Sarah. Suponho que ela esteja de volta também, já que Arrow está aqui. Sarah está sempre onde Arrow está; eles são inseparáveis. Além disso, bares não são sua praia de qualquer maneira. Qualquer coisa que interfira

Página 49 de 551 com sua atuação e treinamento é definitivamente proibido. O que significa que ele raramente bebe e nunca sai para comemorar. Mas eu preciso ver. Eu tenho que confirmar. Callie está nos apresentando a seu amigo que nos deixou entrar, Will, o barman, mas murmuro uma desculpa distraída e os deixo. Vou explicar tudo mais tarde. Tipo, em cinco minutos, quando eu estiver de volta, depois de confirmar que realmente não é ele. E então, eu estou parado lá. Estou em um lugar - no meio do bar - de onde tenho uma visão clara do boné de beisebol e de quem o está usando. Ele está escondido em um canto, o dono do boné, parcialmente escondido atrás de um pilar de tijolos. Embora escondido, é uma descrição enganosa. Ele é muito grande e alto para estar escondido em qualquer lugar, muito menos em um canto improvisado de um bar. Na verdade, está sobressaindo de lá, daquele canto, especificamente seus ombros. Seus ombros. Meu coração acelera ao ver aqueles ombros. Eles são amplos, mas não excessivamente enormes. Eles são atraentes e, mesmo através das camadas de roupas, parecem esculpidos e musculosos. Como os dele. Mas não é isso que me incomoda, não.

Página 50 de 551 Não os ombros que só poderiam pertencer a ele ou o boné de beisebol que esconde a boa visão de seu rosto, são as camadas de roupa que ele veste. Uma camada especificamente. Uma jaqueta de couro vintage. Ela é preta. Bem, é tão velha agora que está desbotada e cinza. Eu amo isso. Eu amo como ela o faz parecer arrojado. Quanto bonito. Eu amo a vibração que emite, perigosa e temerária. E ele a usa o tempo todo quando anda de moto. Sim, ele tem uma moto. Apesar de todas as maneiras que ele é tão cuidadoso e disciplinado por causa de seu esporte, ele pilota uma Ducati. Ou pelo menos, ele costumava. Na época em que ele ainda morava em St. Mary's. Quando ele deixou tudo para trás depois de partir para a Califórnia, fiquei arrasada. Aposto que Sarah disse a ele. Ela nunca gostou de sua moto e sua jaqueta. Chorei pela Ducati que ele deixou na garagem, coberta com um pano branco. Chorei quando sua jaqueta de couro vintage, que eu nunca soube realmente porque ele a tinha, não estava em seu closet - eu verifiquei. Então, a vendo agora, isso me atinge como uma tempestade. Não, não é como uma tempestade.

Página 51 de 551 A visão daquela jaqueta de couro aperta o meu estômago e envia calor pelas minhas veias. Calor e conforto. É ele. É meu Arrow. Deus, ele está aqui. Aqui. Pressiono a mão no meu abdômen enquanto uma respiração me escapa e meus lábios se abrem em um sorriso. Mas meu sorriso não se concretiza. Meus lábios param no meio do caminho quando percebo algo. Percebo que seu rosto está abaixado. Ele está voltado para alguém. Uma garota que está de costas para mim. Por um segundo, acho que é Sarah. Tem que ser. Honestamente, quem mais seria? Mas não é ela. A garota para a qual Arrow está olhando não é Sarah. Porque Sarah não tem cabelo loiro. Seu cabelo é escuro como o meu. Só que meu cabelo é encaracolado - descontrolado e selvagem - e o dela é liso e brilhante. Mas pelo menos temos exatamente a mesma tonalidade. E nem Sarah é tão baixa.

Página 52 de 551 Eu sou tão baixa, tão baixa quanto a garota que Arrow está olhando. Tão baixa que seu corpo alto tem que se inclinar um pouco. Como seria se ele olhasse para mim tão perto. Essa garota não é Sarah. Esta garota é outra pessoa e quando essa outra pessoa estende seu braço nu e passa seus dedos de aparência delicada sobre sua mandíbula quadrada, uma mandíbula que está ofuscada devido à luz fraca naquele canto dele e sob a borda do boné. Eu paraliso. Então, ela vai além e move os dedos repetidamente em sua mandíbula. E... e eu não sei o que fazer comigo mesma. Tudo que eu sei é que, embora esteja escuro e tudo o que eu posso realmente ver é o contorno de seus corpos, sei que ela está acariciando a barba que é invisível para mim em seu rosto. O que o faz sorrir. O sorriso que eu tenho visto de longe há oito anos. O sorriso que me deixa sem fôlego, mesmo quando não é dirigido a mim. Porque suas risadas e sorrisos são para Sarah. Então, por que ele está dando para outra pessoa? Alguém que claramente não é minha irmã. O amor de sua vida. A garota tenta tocá-lo, aquele sorriso malicioso. Ela tenta tocar seus lábios sorridentes com o polegar, mas Arrow agarra seu pulso no último segundo.

Página 53 de 551 Ele a impede, deixando seu polegar pairando na extremidade. Mas ela não se intimidou. Ela fica na ponta dos pés, pressiona seu corpo contra o dele e murmura algo perto de seus lábios. Por mais chocante que seja, é ainda mais chocante quando Arrow diz algo também, e tudo o que ele diz faz a garota esticar ainda mais o corpo. Um segundo depois, ela o está tocando com os lábios. E ele está deixando. Um segundo depois, o namorado da minha irmã, o cara por quem estive apaixonada, está a beijando. Uma garota aleatória em um bar. Uma garota que não é minha irmã.

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Eu não posso... Não posso acreditar que isso está acontecendo. Não posso acreditar que ele está beijando outra pessoa. Que eu estou parada aqui, neste bar estranho, com canções tristes vindo do alto, vendo-o beijar alguém que não é minha irmã. Eu me recuso a acreditar. Até balanço minha cabeça. Se eu continuar balançando minha cabeça em negação, tudo isso irá desaparecer. Vou acordar de qualquer pesadelo que seja. Mas não irá desaparecer. Nada disso irá desaparecer. Na verdade, ele a está beijando com mais força agora, como se as coisas estivessem esquentando. Eles estão esquentando tanto que até eu posso sentir. Eu. A garota que nunca foi beijada. De alguma forma, em meio a toda a confusão e formigamento em meus próprios lábios, consigo dar um passo à frente. Depois outro e outro. Até que estou caminhando em direção a eles.

Página 55 de 551 Até eu chegar até eles. Eu chego até ele. Até eu estar naquele cantinho também. Tem cheiro de bebida. Tem o cheiro dele, especiarias e couro vintage. Meu perfume favorito. Estou tão perto deles e a minha presença é uma intrusão em seu canto escuro e privado que a garota se afasta dele, virando a cabeça em minha direção. Por mais que eu queira olhá-la e descobrir quem ela é, estou olhando para Arrow. Estou observando ele se separar da garota, pouco a pouco. Lentamente, ele levanta o rosto e afasta-o do dela. Em seguida, ele para um momento para suspirar, como se estivesse irritado, em seguida, vira a cabeça para olhar na direção de onde veio a interrupção. Mesmo assim, seu desapego não é total. Ele ainda está com uma das mãos em volta do pescoço dela. Eu olho para aquela mão. Parece grande, errada e sedutora. Finalmente, ele move o rosto, inclina a cabeça de forma que a aba de seu boné de beisebol desapareça e eu possa vê-lo. Posso ver seus olhos azuis brilhantes. Olhos que me lembram de verões serenos e passeios de bicicleta ao sol. Só que agora eles estão escuros.

Página 56 de 551 Eles são quase azul marinho e ele olha para mim com eles. — Você. Antes que eu possa responder a isso, ele se separa completamente dela, tira aquela mão grande, errada e sedutora de seu pescoço e pergunta, com um leve aborrecimento e surpresa: — Que porra você está fazendo aqui? Mesmo que coisas mais importantes estejam em jogo aqui, coisas muito mais importantes, eu ainda solto um suspiro de alívio quando ele se afasta da garota que estava beijando. Mas eu não posso ficar aliviada, posso? Ele estava beijando uma garota. Uma garota que não é minha irmã. — Que porra eu estou fazendo aqui? – pergunto, franzindo a testa, tropeçando nas minhas palavras. — Que porra você está fazendo aqui? Quem é ela? Onde está minha ir... — Você pode nos dar um minuto? Arrow absorve as minhas palavras quando ele fala e por um microssegundo, acho que está falando comigo. Mas ele virou a cabeça e seus olhos estão voltados para a garota. Eu finalmente olho para ela também. Ela está bêbada. Essa é a primeira coisa que percebo. A segunda é que embora Arrow tenha se afastado dela, ela ainda está inclinada para ele. Isso me incomoda.

Página 57 de 551 Que ela ainda está agarrada ao namorado da minha irmã. Mas acho que é mais para se equilibrar do que qualquer outra coisa. — Podemos, por favor, voltar ao beijo? – ela ri ligeiramente, ignorando completamente a minha presença e olhando para Arrow com olhos sonhadores e embriagados. A palavra beijo me faz enrijecer todo meu corpo. Mas antes que eu possa protestar, Arrow fala. — Acho que já tivemos o suficiente de beijos por esta noite. Você deveria ir. — Mas eu pensei que estávamos nos divertindo e você sabe... Ela para de passar a mão pelo peito dele e os dedos engancham em torno da corrente que ele usa. Então ele usa uma corrente de prata da qual nunca se desfaz. Seu pai deu a ele quando ele tinha seis anos ou algo assim. E como seu cabelo com reflexo e sua pele bronzeada, sua corrente brilha à luz do sol. Ela brilha com seu suor quando ele treina, ou quando ele joga um jogo realmente exaustivo. Estava brilhando o dia em que eu o vi pela primeira vez naquela cozinha amarela/alaranjada. E cravo minhas unhas nas palmas das mãos quando vejo essa garota brincando com isso. — Você está bêbada. – ele diz a ela, se distanciando dela. — Eu não estou. Ela soluça mentirosa.

então,

provando

ser

— Peço desculpa, mas não concordo.

uma

Página 58 de 551 — Eu estou... — É por isso que você achou que estávamos nos divertindo. – ele se inclina um pouco mais perto dela, como se quisesse contar um segredo. — Não estávamos. Então, como eu disse, você deve ir. Ela franze a testa, parecendo irritada. — Mas eu... — Olha. – ele respira fundo, com as rugas nítidas ao redor de seus olhos ficando mais profundas. — Fico lisonjeado. OK? É sempre lisonjeiro quando uma garota dá em cima de você. Mesmo tão bêbada como você está. Mas como já disse a você antes de você me atacar com sua boca, eu não fodo com garotas bêbadas, então você deve ir antes que eu diga algo que você possa não gostar. Espere um segundo. Apenas por favor... espere. Ele disse foder? Ele realmente disse foder? Antes que eu possa processar isso, a garota, que está tão bêbada que não consegue ficar de pé, de alguma forma levanta a coluna. Seus olhos confusos de repente ficaram realmente em alertas e meio perversos. — E o que exatamente você vai dizer se eu não for embora? — Se você não for embora, terei que dizer a verdade. — E qual é a verdade? A resposta de Arrow é suspirar novamente. Como se ele não quisesse dizer, mas fará. E ele faz. — A verdade é que você está bêbada pra caralho e talvez seja por isso que seu beijo é só

Página 59 de 551 língua e sem boca. E parece que estou me afogando em uma poça de saliva. Mas não acho que seja esse o caso. Eu não acho que seu beijo é só língua e sem boca porque você está bêbada. Acho que você beija assim mesmo quando está sóbria e pode realmente ver quem está beijando. E acho que é porque você é meio exagera, não é? Muito perfume. Muitos gemidos. Você gosta de ir mais longe e, em geral, eu agradeço, ir mais além, fazer o trabalho extra. Mas eu não gosto disso quando estou sufocando com uma língua. Ele encolhe os ombros então, todo casual. — E é por isso que você deve ir. Porque se eu contar tudo isso, acho que pode ferir um pouco o seu ego. O silêncio segue seu discurso de verdade. Bem, tanto silêncio quanto você pode conseguir em um bar lotado. A garota é a primeira a recuperar os sentidos. — Eu... O que... – ela olha para nós dois de uma forma feroz e agressiva. — Vocês dois se merecem. Idiotas. Então ela se vira e sai pisando firme, deixando nós dois sozinhos naquele canto. Fazendo com que eu me perguntasse bizarramente por que ela pensava que estávamos juntos, ele e eu. É porque vim aqui para detê-los? É porque pareço uma namorada ciumenta? Eu não sou. A namorada, quero dizer. Ou até do ciúme. Eu não estou. Não estou com ciúme. O que eu estou, no entanto, estou pasma e chocada, e meio que sem palavras. Caramba. Ele disse essas coisas, não disse?

Página 60 de 551 Novamente, eu não posso acreditar. Eu não posso acreditar que ele disse tudo isso. Não acredito que alguém diria tudo isso. Muito menos um cara que conheço a oito anos, que não é nada além de educado. E paciente. Calmo e controlado, e caramba. Eu não posso... — Você não pode seguir uma regra para salvar sua vida, pode? – ele murmura e, finalmente, eu viro meu olhar para ele. Até agora, eu estava observando a garota desaparecer na multidão porque não sabia mais o que fazer. Porque esse cara, esse idiota rude, não pode ser o Arrow. O Arrow que eu conheço. O Arrow que eu conheço não estaria encostado na parede de tijolos como se nada tivesse acontecido. Como se ele não tivesse dito todas aquelas coisas horríveis para ela. — Você não deveria estar aqui. – diz ele em uma voz rouca e áspera quando eu continuo em silêncio. — Por quê? – grito, com as minhas palavras amargas. — Porque eu testemunhei você humilhando completamente uma garota agora mesmo? — Eu não a estava humilhando. – ele responde, casualmente. Acho que ele vai continuar, mas ele cruza os braços sobre o peito. Não posso ter certeza porque estou olhando para ele, para suas feições suaves e despreocupadas, com a boca aberta.

Página 61 de 551 Tenho que realmente pressionar minhas mãos no meu rosto quente para tentar me acalmar antes que possa dizer qualquer coisa. — Você está brincando comigo? – grito. — Está brincando comigo, não é? Você foi um idiota com ela. — Ah. E eu aqui pensando que estava sendo legal. – ele murmura como se estivesse genuinamente surpreso. — Você ficou louco, não é? Essa é a única explicação. Ou talvez eu esteja ficando louca. Eu não sei o que aconteceu. Você destruiu completamente a autoconfiança dela. Não acho que ela beijará ninguém pelo resto da vida. — Bem, eu não teria tanta certeza sobre isso. — O quê? Ele aponta com o queixo para algo por cima do meu ombro. — Não acho que você precise se preocupar com a autoconfiança dela. Eu me viro para ver do que ele está falando. Através dos corpos movendo das pessoas, eu vejo a garota novamente. E ele está certo. Eu não preciso me preocupar com a autoconfiança dela. Porque ela está beijando novamente. Só que… — Ela está... – eu estreito meus olhos para ter certeza. — Ela está beijando uma garota? De onde estou, certamente parece que sim. A garota loira bêbada está beijando outra garota loira e ela está fazendo isso exatamente da mesma

Página 62 de 551 maneira que fazia com Arrow, toda inclinada em seu corpo e pescoço inclinado para cima. Eu o ouço se mover atrás de mim. — E eu aqui pensando que era especial. – Então. — Embora, isso me faça pensar... Eu me viro para encará-lo novamente. — Pensar o que? Ele inclina a cabeça para o lado. — Se ela está realmente tão bêbada ou se eu apenas a levei ao lesbianismo. — Você não pode levar ninguém ao lesbianismo. Você pode… — Eu posso o quê? Trazê-las de volta. Isso é o que eu ia dizer, que ele pode converter as lésbicas porque ele é tão lindo em sua jaqueta de couro, com seu rosto abaixado e seus olhos azuis brilhando. Como se a orientação sexual fosse uma escolha. Como se eu não estivesse tendo um momento muito surreal agora, enquanto olho para ele. E as minhas próximas palavras não ajudam no assunto. — A orientação sexual não é uma escolha. Caso você não saiba. Você não pode conduzir as pessoas, convertê-las ou mudá-las por capricho. Como se eles não tivessem problemas suficientes para lidar e você chegasse com sua ignorância e comentários descuidados e... Eu paro porque o que diabos estou fazendo, e juro que vejo as rugas ao redor de seus olhos, mas não posso ter certeza. — Obrigado por isso. Muito educativo e esclarecedor. – diz ele. Olho para ele.

Página 63 de 551 Eu não posso acreditar que estou olhando para ele, mas esse não é o ponto. A questão é que há coisas mais importantes em jogo aqui. Coisas muito mais importantes. Muito mais. Então eu coloco minhas mãos nas laterais do corpo. Eu até respiro fundo e tento controlar minha agitação. — Por que... – eu começo com o que considero um tom calmo. — Acabei de pegar você beijando uma garota que não é minha irmã em um bar? Com isso, seus olhos ficam mais escuros, ainda mais escuros do que antes. Acho que ultrapassaram o tom do azul marinho agora e pousaram em algum lugar no espectro do preto, fazendo com que pareçam piscinas sem fundo. Um abismo. — Porque você está onde não deveria estar. – ele responde com um movimento da mandíbula. — O que isso quer dizer? – pergunto, tentando não olhar para isso. A mandíbula. Tentando não contar quantas vezes ele a move para frente e para trás ou quanto atraente parece, quanto mais bonito e mais nítido do que antes, agora que ele a está usando para mostrar seu aborrecimento.

Página 64 de 551 — Isso quer dizer que este estabelecimento em que você se encontra, seja por acidente ou propositalmente, é chamado de bar. — E? — E caso você não saiba, ninguém com menos de vinte e um anos é permitido estar aqui. É a lei, infelizmente. Então, se eu fosse você, eu iria embora. Minha coluna fica ereta. — Não tenho medo da lei. Não estou indo a lugar nenhum. Não até... — Isso também significa... – ele me interrompe. — Que você não deveria nem estar fora da cama, muito menos estar aqui fora. E então, ele me paralisa com aquele olhar escuro dele, me imobiliza como um pássaro, fazendo minhas asas agitarem e baterem furiosamente agora que eu fui capturada. — Luzes apagadas às nove e meia. Essas são as regras, lembra? Então, ou você está quebrando-as, em sua primeira semana, ou está sonâmbula. Para o seu bem, espero que seja o último. Faz você parecer mais solidária se por acaso for pega. Demoro um momento para entender seu significado. Não sei por que, já que ele não poderia ser mais claro. Não há mais maneiras de explicar o significado de suas palavras. Mas tudo bem. Demoro alguns segundos para entendê-lo totalmente. Talvez porque eu mesma tivesse esquecido que agora vou ao St. Mary's.

Página 65 de 551 Eu mesma tinha esquecido que não moro mais na casa dele e que não sou livre para ir aonde eu quiser. Ele sabe por que fui enviada para o St. Mary's? Quer dizer, não pelo verdadeiro motivo. Ninguém sabe o verdadeiro motivo, e ninguém saberá. Mas sabem das outras razões, o roubo e a fuga. — Como eu já disse, não tenho medo da lei ou das regras. – digo, desviando os olhos dele. — Obviamente. Eu olho para ele. A maneira como ele fala confirma tudo. A maneira como me encara, com um brilho de cumplicidade nos olhos, também confirma isso. Ele sabe. Ele sabe o que eu fiz. No entanto, não sei por que isso é uma surpresa. Ele poderia ter descoberto de várias maneiras. Sua mãe pode ter contado a ele, ou minha irmã. Além disso, esta não é a primeira vez que sou punida na frente dele. Meu mau comportamento e minhas notas ruins eram comuns na família Carlisle. Houve inúmeras ocasiões em que Leah me deu um sermão sobre minha falta de ambição, falta de boas notas e atividades extracurriculares, minha falta de cumprimento do toque de recolher, à mesa de jantar na frente de toda a família. Todo mundo sabe que não sou perfeita. Que eu sou o oposto da minha irmã, de Arrow e Leah.

Página 66 de 551 E até da minha mãe, que era professora universitária, quando era viva. Portanto, isso não deveria realmente me envergonhar. Além disso, isso não é sobre mim de qualquer maneira. Isso é sobre minha irmã, Sarah. — Onde está minha irmã? – pergunto, engolindo todas as minhas emoções egoístas. — Onde está a Sarah? A menção de seu nome muda tudo. Muda o ar, a luz e os ruídos do bar. Sarah. Como se o nome dela tivesse muito poder. Sobre ele. Sobre mim. Sobre as coisas ao nosso redor. — Acho que ela está de volta a LA. – diz ele em voz suave. Mas essa é a única coisa suave sobre ele. O resto dele está tenso. Seus ombros, as coisas atraentes e esculpidas, estão rígidos. Seus olhos estão severos. Assim como suas maçãs do rosto. E isso é tão estranho que eu tenha a minha próxima pergunta completamente inexplorada e planejada ao mesmo tempo. Está na ponta da minha língua, mas então ele escolhe aquele momento para arrumar a aba de seu boné de beisebol e noto algo sobre seus dedos. Estão inchados e cortados, com a pele esfolada, e as palavras prestes a escapar mudam

Página 67 de 551 completamente. — O que aconteceu com tua mão? Minha pergunta meio que o surpreendeu, eu acho. Mas só por um segundo. Depois disso, seu semblante fica sério. Aquele punho machucado fica apertado quando ele o leva para o lado. — Eu soquei uma porta. – ele diz em voz baixa. — O que? — Repetidamente. — Por quê? — Porque eu estava bêbado e irritado. — Porque você estava bêbado e irritado? — Sim. Aparentemente, eu tenho problemas de raiva. Ele está mentindo. Ele não bebe. Ele não fica irritado. E ele absolutamente não tem problemas de raiva. — Não, você não tem. – digo a ele. — Você não fica bêbado. Você nem mesmo está bebendo agora e está em um estabelecimento chamado bar. — Se eu pegar uma bebida, você me deixa em paz? — E você absolutamente não tem problemas de raiva também. – eu digo, ignorando-o. Com a minha resposta veemente, algo surpreendente acontece.

Página 68 de 551 Seus lábios se contraem e eu juro por Deus, que meu coração de bruxa acelera no meu peito por ele fazer isso. — Bem, então você deveria ter estado lá. – diz ele com uma voz divertida. Sua diversão está fazendo meu coração bater mais rápido. — Estar lá onde? — Quando o meu treinador me marcou uma terapia de controle de raiva. — Seu treinador marcou terapia de controle de raiva para você? Eu sei. Sei que estou repetindo a maioria das coisas que ele diz. Mas, honestamente, não consigo entender. Porque é a coisa mais bizarra que já ouvi em toda a minha vida. Arrow e controle de raiva. Arrow, socando uma porta. Arrow, beijando uma garota estranha no bar. O que diabos está acontecendo? — Sim. – ele acena com a cabeça, com sua diversão no controle. — Seu apoio brilhante poderia ter me salvado. — Por que ele marcou terapia de controle da raiva para você? – pergunto, como se esta pergunta fosse o Santo Graal de todas as perguntas. — Porque eu soquei uma porta. – ele fala sem rodeios. — Você não está prestando atenção? Antes que eu possa dizer qualquer coisa sobre isso, ele se inclina em minha direção.

Página 69 de 551 Ele não apenas se inclina, mas também me cheira. Eu recuo um pouco. — O que você está fazendo? Mantendo-se próximo de mim, ele murmura: — Cheirando você. — Por quê? — Para ver se você está bêbada demais para ter essa conversa. Abro e fecho a minha boca por alguns segundos. — Não estou bêbada. Eu não bebo. Bem, não muito. Eu quero dizer, eu já tomei alguns drinks aqui e ali, principalmente com as pessoas do meu antigo colégio. — Isso é verdade? Eu levanto meu queixo. — Sim. — Surpreendente. Dado o fato de que você não se preocupa com as regras. – Então. — Que tal ficar chapada? — O... o que tem isso? — Você gosta disso? – ele me olha de cima a baixo. — Tenho certeza que uma garota como você deve gostar de algo assim de vez em quando. Eu absorvo o olhar em seus olhos, com o fato de que ele ainda está próximo de mim. — Não, ok? Eu também não uso drogas. — Então, se você não usa drogas, como você disse, e não bebe, por que diabos você veio aqui? Para me distrair de pensamentos perigosos. De você…

Página 70 de 551 — Eu vim aqui para dançar. – digo. Seu olhar me percorre, observando o meu cabelo bagunçado e encaracolado, meus lábios pintados, meu suéter e minha calça cargo, antes de se endireitar. — Bem, então, por favor, não me deixe ficar com você. Finalmente, eu balanço minha cabeça. Já chega. Já chega. Franzo a testa para ele e outra coisa surpreendente acontece. Uma coisa chocante. Ele sorri para mim. Para mim. Depois de oito anos. Depois de oito malditos anos, eu finalmente consegui o que sempre desejei. Seu sorriso. E meu coração estúpido não aguenta. Meu maldito coração estúpido estufa e incha no meu peito até doer, e eu sei que é uma reação bastante drástica a um sorriso simples e as pessoas podem me chamar de louca. Mas elas não sabem. Elas nunca estiveram na minha posição. Elas não sabem como é quando um cara que você amou por oito anos, que ama outra pessoa, sorri para você e seus olhos brilham por causa disso. Você perde o fôlego. Você perde o sentido. Você perde toda a sua maldita bondade e quase diz a ele que o quer. Mas de alguma forma, eu me impeço.

Página 71 de 551 De alguma forma, cravo minhas unhas nas palmas das mãos e lembro que ele é o namorado de Sarah e estou aqui por causa dela. E ele está mentindo. Ele está tentando me distrair. É isso, não é? Ele está brincando comigo e está gostando. Tão estranho. Tão glorioso. — Você está tentando me distrair. – eu acuso. — Não é minha culpa que você se distraia tão facilmente. — E você está mentindo para mim, não está? – estreito meus olhos para ele, tentando controlar meu coração. — Você está inventando tudo isso. Você não socou a porta. — É? O que eu soquei, então? — Não sei. Seja o que for, não foi uma porta. – eu aponto um dedo para ele. — Você está tentando me distrair da questão real. — E qual é a verdadeira questão? – ele pergunta em uma voz sussurrada, quase zombeteira. — Onde está minha irmã? – grito. Seus olhos encontraram os meus então. E talvez seja o truque da luz sombria ou algo assim, mas os seus traços ficam nítidos, como se chamando atenção para si mesmos. Atenção para como nítidos e severos eles parecem. O quanto ele está sério.

Página 72 de 551 — Eu já te disse. Ela provavelmente está de volta a LA. — Mas isso é impossível. Você está lesionado e... – Meus olhos se arregalam e algo me faz perguntar a ele: — Você está lesionado, certo? Eu olho para seus pés. Ele está usando uma calça jeans desbotada. Fico olhando para o local onde estão os seus joelhos. Como se eu pudesse dizer se ele está lesionado ou não olhando para seu jeans. — Sei que você lesionou o joelho. – eu olho para cima para encontrá-lo ainda olhando para mim com olhos estreitados e intensos que estão causando estragos em minha respiração. — É por isso, que você voltou, não é? Você não está terminando a temporada e disse que voltaria para casa. Eu vi a coletiva de imprensa. — Você viu isso. Eu engulo, balançando a cabeça. — Sim. Na... na TV. Eu faço uma careta ligeiramente. Isso é mentira, é claro. Eu vi em um celular que era proibido, mas ele não precisa saber disso. De alguma forma, ele já sabe e seu sorriso voltou. E minha respiração escapa. — Então, fugir no meio da noite para ir dançar em um bar não é o seu único crime. Eu não tenho certeza se mandar você para um reformatório foi uma boa ideia. Você pode ser uma má influência para as garotas que já estão em apuros por serem más. Meu constrangimento aumenta mil vezes e eu murmuro: — Ei, eu não sou tão má.

Página 73 de 551 Ele dá um olhar por cima de mim novamente e os meus lábios se abrem. — Estou começando a entender isso. – ele murmura. — Você está pior. Não é um elogio. Eu sei disso. Mas a maneira como ele diz isso, e a maneira como ele está olhando para mim com olhos que possuem um tom de azul que eu nunca vi nele, parece que sim. Parece como um elogio. Mas não consigo me concentrar em tudo isso. — Então? – pergunto em vez disso, mantendo meu controle. — Então? — Você... você lesionou o joelho, não é? — Por quê? — Porque eu... – Faço uma pausa para organizar meus pensamentos. Posso responder a isso de muitas maneiras. Muitas, muitas maneiras perigosas. Porque eu te amo e preciso saber que você está bem. Porque eu te amo e quero que você fique a salvo. Porque eu te amo e não posso ver você ferido. Porque eu amo você… Mas decido ir com o mais seguro e a única opção que tenho.

Página 74 de 551 Olhando em seus olhos com a nova cor que estão estranhamente me observando da mesma maneira que eu o observo, eu digo: — Porque o futebol é a sua vida e eu sei que deve ser horrível para você que você não pode terminar a temporada. Deve doer. Está me doendo... Caramba. Eu não deveria ter dito isso. Isso meio que escapou, e obviamente ele pegou. Ele pega isso com as duas mãos, seus olhos se estreitam e percorrem meu rosto. Curiosos. — Por quê? – ele pergunta novamente. — Porque o que? – eu paro, com o meu coração na garganta, até mesmo na minha língua. — Por que isso está doendo em você? Muito bem, Salem. Simplesmente fantástico. Estamos conversando há dez minutos e eu já estraguei tudo. — Ah, porque sim. – eu olho para sua corrente brilhante, contra o V de sua camiseta cinza. — Você é o namorado da minha irmã. Ela te ama muito. Claro que estou sofrendo. Estou preocupada. Por ela e por você. E é por isso que não posso acreditar que ela está em L.A quando você está aqui. Além disso, por que você está aqui? Por que você não está repousando esse joelho? Você não deveria estar se recuperando em vez de se embriagar no bar ou algo assim? E... – eu engulo, olhando para cima de sua corrente. — Beijar garotas estranhas que não são a sua namorada.

Página 75 de 551 Com isso, sua mandíbula range novamente. — Para uma garota que é só a irmã mais nova, é muito comovente. Que você está sofrendo e tudo. Mas tenho um atestado médico que diz que não há problema em me embriagar e beijar garotas estranhas. Então você pode relaxar. Sua voz é cortante e sarcástica. Isso significa claramente que devo recuar. Mas eu não recuo. Não há como eu conseguir recuar. — Você disse que minha irmã estava em LA. Por que ela não veio com você? Ela nunca iria te deixar sozinho em um momento como este. Ele respira antes de dizer: — Esta não é a primeira conversa que tivemos que durou mais de um minuto? — Eu… — É, não é? – ele solta um suspiro de deboche. — Acho que devemos parar. Porque tenho que admitir, estou começando a perder esse momento. O momento ao qual ele está se referindo são os últimos oito anos. Ele tem razão. Esta é a primeira conversa que tivemos que durou mais de um minuto. Porque, como uma tentativa de mantê-lo seguro de meus hábitos de bruxa, sempre mantive distância dele. Sempre me mantive discreta em torno dele. Eu nunca fiz contato visual com ele, eu acho. Então, sim, esta é a primeira vez que falamos assim. E quando ele dá um passo para trás, pronto para ir, não quero que ele vá.

Página 76 de 551 Então eu deixo escapar a pergunta mais estúpida da história de todas as perguntas. A única pergunta que tenho vontade de fazer desde que o vi. A verdadeira questão. — Você está traindo minha irmã? Ah, meu Deus. Eu disse isso. Eu realmente disse isso. Eu usei a palavra com “T”. Eu usei a palavra mais horrível que não pode ser verdade. Não tem como, não tem como ser verdade. Isso é louco. É insano. É impossível. Mas então... Mas então por que ele estava beijando outra garota? Por que ele está me distraindo? Por que ele está agindo de forma tão estranha? — Não. Sua resposta é objetiva e precisa. E completamente verdadeira. Acredito nele. Eu posso ver a verdade em seus olhos azuis escuros e em suas feições de raiva nítidas. — Então por que a estava beijando? – pergunto com total fé em sua lealdade e completa confusão sobre o desenrolar dos acontecimentos. — Por que você estava beijando alguém que não é sua namorada?

Página 77 de 551 — Porque eu não tenho namorada. — O que? — Sua irmã e eu não estamos mais juntos. Acho que ele me deu um soco. Ele deu. Porque me sinto abalada. Sinto que sai do meu corpo e bati na parede atrás de mim. O pilar de tijolos que torna isso um canto isolado. Onde o encontrei beijando uma garota estranha. Mas ele está saindo agora. Está saindo deste canto e indo embora. Depois de me socar no estômago com suas palavras, ele está indo embora e eu nem tenho energia para impedi-lo. Para perguntar a ele do que diabos ele está falando? Por que ele diria algo assim? Meus pensamentos param quando ele para e se vira para me encarar. — Uma última coisa. Olho para ele curiosamente, mal conseguindo respirar. — Nunca me deixe pegar você onde você não deveria estar. Porque quando uma aluna quebra uma regra, é minha obrigação relatar ao seu conselheiro designado. E eu ouvi dizer que a Sra. Miller não gosta de violadores de regras. Meu coração acelera. — O que? Como você… — Como eu sei? – ele balança a cabeça uma vez, com seus lábios curvando para cima em um sorriso frio. — Vou te dar uma dica.

Página 78 de 551 Então, seu olhar abaixa, mais baixo, até o chão. Como uma marionete, sigo a trilha e percebo que ele está olhando para os meus pés. Meus sapatos. Por que ele estaria... Ah. Porque meus sapatos não são realmente sapatos. São chuteiras de futebol. Amarelo neon e desgastada, embora sejam meio que novas. Eu as recebi algumas semanas atrás, quando minhas antigas ficaram muito velhas para usar depois de apenas um mês ou mais. Desgasto as minhas chuteiras de futebol muito rapidamente e anormalmente rápido. Principalmente porque jogo muito futebol - sim, também jogo futebol, mas é uma história para outra hora. E porque as uso em todos os lugares. Elas não devem ser usadas fora do campo de futebol, mas quando eu já ouvi a lógica? Minhas novas chuteiras de futebol amarelas neon são a razão de eu não ter dinheiro suficiente naquela noite para fugir, então tive que recorrer ao roubo. Porque gastei minhas economias comprando um novo par. Parado a alguns metros de mim, Arrow olha para elas por alguns segundos antes de levantar seus lindos olhos. — Certifique-se de não se atrasar para o treino de futebol na segunda-feira. Porque, como a Sra. Miller, seu novo treinador também não gosta de violadores de regras. E você não quer descobrir o que acontece quando você quebra as regras dele.

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Eu não o chamo pelo nome. Pelo menos não na frente de outras pessoas. Porque seu nome tem poder sobre mim. Como o nome Sarah tem poder sobre ele. Cada vez que o digo em voz alta, estremeço. Como se Arrow fosse um encantamento dos tempos antigos. Uma magia negra. Ele incomoda meus lábios e os cobre como pequenos e deliciosos cortes de papel. Uma magia que faz doer minha língua. Eu só o digo quando estou sozinha no meu quarto e ninguém está lá para testemunhar os pequenos espasmos do meu corpo e ouvir os pequenos suspiros que escapam de mim. Em público, porém, geralmente me refiro a ele como o namorado da minha irmã ou o amor da vida da minha irmã. Então, não sei como vou chamá-lo agora. Porque ele não está mais com minha irmã. Ele não é o namorado da minha irmã. Como isso é possível? Como é que isso é a vida real? Como vou lidar com isso?

Página 80 de 551 Portanto, é durante a atividade em grupo que decido dar um passo drástico. Tenho pensado nisso desde a noite passada, desde que voltamos do bar e encontrei minha colega de quarto dormindo profundamente em sua cama. Enfim, acho que vou fazer isso. Vou dar esse passo drástico ou vou enlouquecer. Já estou ficando louca durante a atividade em grupo. Que é jardinagem, a propósito. Porque é sábado e no St. Mary’s, plantamos gardênias aos sábados. Ela está no brasão da escola e está lá porque gardênia representa pureza e inocência. Tem uma bondade inerente a isso. Portanto, é basicamente um exemplo para nós, garotas. Garotas más, eu quero dizer. Para se tornar boa e deixar para trás nossas maneiras de quebrar as regras. Mas isso não é a única coisa que as gardênias representam. — Amor secreto. – Poe me diz enquanto corta as folhas mortas. — Também representa amor secreto. — Sim. Eles simplesmente não sabem disso. – Callie dá uma risadinha, olhando para os professores vagando por ali, de olho em nós; Miller é uma delas. — O que é tão estranho. – Wyn encolhe os ombros. — Porque você pode simplesmente pesquisar no Google. Amor secreto.

Página 81 de 551 Estou cultivando um amor secreto. Eu poderia rir disso. Eu deveria rir disso. É engraçado, não é? É uma piada. O universo está brincando. A garota com um amor secreto que está crescendo para um amor secreto. Que trágico e poético e totalmente nada engraçado. E de alguma forma isso me dá forças para tomar uma decisão. — Eu quero ligar para minha irmã. Porque preciso saber o que aconteceu. Preciso saber o que foi tão horrível para eles terminarem quando estavam prestes a se casar. Eu preciso saber. Mas o problema é que não posso ligar para minha irmã. Não tenho o privilégio de fazer ligações ainda. Mas tenho acesso a um celular ilegal. Que sua própria dona, Poe, me lembra. — Você pode usá-lo. – ela me diz e Callie acena com a cabeça para dar ênfase. Wyn acena com a cabeça também, na verdade. Acho que é porque perceberam que algo está acontecendo. O mau humor após o vídeo da coletiva de imprensa; desaparecimento no bar e depois voltar com um rosto pálido e chocado. Mas como naquele dia na sala de aula quando elas me deram espaço e me deixaram guardar

Página 82 de 551 meus segredos, elas fazem o mesmo agora também. Elas não fazem perguntas. Então, eu me encontro dentro do banheiro do terceiro andar, com o celular ilegal de Poe em minhas mãos, enquanto elas ficam de guarda na porta. Fechando meu suéter grosso, eu mentalizei para discar o número da minha irmã. Digo a mim mesma que posso fazer isso. Eu posso ligar para minha irmã. Quer dizer, sim, nós não conversamos há meses e eu normalmente não ligo para ela ou mando e-mail, exceto em seu aniversário e ocasiões especiais quando mando cartões e presentes, porque ela não gosta quando a incomodo. Mas isso é uma emergência, certo? Uma separação é uma emergência e quero falar sobre isso. Eu quero perguntar a ela como ela está. Posso perguntar isso a ela, não posso? Ela é minha irmã, pelo amor de Deus. Mesmo que sejamos diferentes. Somos tão, tão diferentes e ela não gosta muito de mim. Mas eu absolutamente a amo e a admiro. Como eu amava e admirava minha mãe, que também era muito diferente de mim. A única coisa é que minha mãe - por mais exasperada que eu a deixei - me amava também.

Página 83 de 551 Minha mãe era uma professora universitária altamente educada que criou duas filhas sozinha depois que seu marido a deixou. Até que seu coração não aguentou e ela morreu de repente, deixando-nos para ser criadas por sua melhor amiga, com quem ela sempre esteve em contato, Leah. Mas minha mãe planejou tudo e, junto com o seu testamento atualizado, ela também nos deixou algum dinheiro para a faculdade. Sarah é muito parecida com ela, na verdade. Ambiciosa, motivada e bonita. Quando éramos crianças, eu idolatrava minha irmã. Eu idolatrava sua beleza, seu cabelo liso e brilhante. Eu a seguia com meus brinquedos a tira colo. Eu pediria a ela para brincar comigo e brincar com minhas bonecas. Ela era minha irmã mais velha. Ela era minha melhor amiga por norma. Ou ela deveria ter sido. Mas ela nunca pensou assim. Ela sempre me achou irritante e um incômodo. Um cachorrinho entusiasmado demais, eu acho. Bem, ela me descreveu como tal para uma de suas amigas, porque eu não as deixava em paz. Isso foi muito doloroso. Acho que chorei. Mas quando cresci, entendi por quê. Por que Sarah nunca gostou de mim. É porque ela é perfeita. Ela é linda. Só tem boas notas. É popular. É obediente. Segue as regras. É esperta e

Página 84 de 551 inteligente. Ela é prática, sem emoção. Tem um ótimo trabalho. Enquanto eu, eu sou o oposto disso. Embora tenha sardas e meu cabelo seja descontrolado e selvagem e meus olhos dourados sejam de bruxa, eu me pareço exatamente com minha irmã. Mas é aí que as semelhanças acabam. Nunca tive muitos amigos. Eu mal consigo passar em uma matéria, muito menos ter boas notas. Nem acho que vou para a faculdade, muito menos conseguir um ótimo emprego. Minha única ambição agora é fugir e morar em outro lugar para não tentar roubar o namorado da minha irmã. Sem mencionar que nem quero ser perfeita. Eu não quero ser como ela ou todas as pessoas perfeitas por aí. A perfeição me intimida. Todas as regras me intimidam. Tudo que sempre quis é ser eu mesma, por mais falha e imperfeita que isso possa ser. E tudo que eu sempre quis é que minha imperfeição fosse de alguma forma perfeita para ele. Para o namorado dela. Sim, por que ela gostaria de mim? Além de ser completamente diferente dela, estou secretamente a traindo. Seu ódio por mim é totalmente justificado. Mas isso não é sobre ela e eu e como somos diferentes. É sobre ele e ela.

Página 85 de 551 Então, respiro fundo e disco o número que memorizei porque somos irmãs. Devemos lembrar os números uma da outra de cor. Tenho certeza que ela não pensa assim, mas está tudo bem. Mordo meu polegar - o que Sarah odeia completamente - enquanto espero ela atender. Atenda, atenda, atenda. Alguns toques depois, ouço um som e sua voz suave e sofisticada. — Alô? Uma respiração escapa de mim. É minha irmã. Minha irmã. Meu sangue. Minha melhor amiga. Ou pelo menos, desejo que seja. — Alô? – Sarah diz novamente. — Alô? Quem é? — Sarah? – digo com uma voz rouca antes de limpar minha garganta. — Hum, é... é a Salem. Por alguns segundos, ela não diz nada. Mas sei que ainda estamos na linha; Posso ouvir coisas ao fundo, ruídos de onde quer que ela esteja. — Salem? Sua voz está cheia de descrença e eu entendo isso. Provavelmente sou a última pessoa, não definitivamente a última, de quem ela esperava ter notícias. — Sim. – digo ao celular. — So... sou eu. Hum, oi.

Página 86 de 551 Mordo minha unha novamente depois daquela saudação imperfeita. Como se as coisas estivessem normais. Tipo, eu ligo para ela todos os dias e vivo no mundo normal, em vez de estar no St. Mary's, onde eles têm cem páginas de regras sobre como fazer um simples telefonema. — Espere um segundo. – ela diz. Então a ouço murmurando algo para alguém antes dela andar. Seus saltos altos fazem barulho no chão de ladrilhos até que os sons ao redor dela desaparecem e sua voz sai mais nítida. — Como... De onde você está ligando? — Ah, de um celular? – digo nervosamente, cuspindo a cutícula que eu acidentalmente arranquei do meu polegar. De novo, isso é patético. Mas Deus, ela me dá medo. Minha irmã me assusta. — Você está tentando ser engraçada? – ela surta. — Não, eu... — Ah, Deus. – ela murmura como se estivesse murmurando para si mesma. — O que? — Você não está no St. Mary's, está? Você fugiu. Você finalmente fugiu. O que eu fiz naquela noite foi um choque para ela: tentar fugir com cento e sessenta e sete dólares. “Você tem alguma ideia em que tipo de posição isso me coloca? Aquela mulher vai ser minha sogra, Salem. Vou me casar com alguém dessa família e minha irmã está roubando deles. Como você pode ser tão egoísta? Tão

Página 87 de 551 imprudente. E depois de tudo que Leah fez por nós. Tudo. Quer saber, eu nem me importo. Eu não me importo com o que você faz. Estou lavando minhas mãos com você.” Eu entendi completamente sua raiva. Eu a coloquei em uma má posição, embora estivesse fugindo para manter o relacionamento dela a salvo da minha presença de bruxa. E entendo completamente seu choque agora e é por isso que eu procuro para tranquilizá-la. — Não, não, não. Estou no St. Mary's, juro. Estou aqui. – eu coloco a mão no peito para dar ênfase, como se ela pudesse ver, como se pudesse me ver de pé aqui, dentro deste banheiro empoeirado e quebrado. — Então, como diabos está me ligando? – Sua voz fica estridente. — Olha... — Eu conheço as regras, Salem. Leah me mandou um e-mail com o folheto de boas-vindas completo. Sei que você não tem permissão para ligar, então pense com muito cuidado antes de me responder. Tudo bem, pessoal. Essa é a minha irmã. Ela nem vai ao St. Mary's e leu todo o folheto de boas-vindas. Enquanto eu nunca passei do índice. Se houvesse alguma dúvida em minha mente - o que não havia - que Arrow e minha irmã pertenciam um ao outro, seria eliminada neste exato segundo. Isso me dá força para seguir em frente. — Eu sei que não tenho permissão para ligar. Não até que eu ganhe o privilégio de comparecer

Página 88 de 551 às aulas e completar minhas tarefas de casa a tempo. Eu conheço as regras, Sarah. Ela zomba. — Se você conhece as regras, qual é a sua desculpa para ser estúpida e quebrá-las desta vez? Eu ranjo meus dentes. — Eu queria falar com você. — Sobre o que? — Sobre... – Arrow. — Seu namorado. Ela não responde a isso, mas não desanimo. Esta é a minha única chance de descobrir o que diabos está acontecendo. — Eu sei sobre a separação, Sarah. – digo com um leve tremor na minha voz. — Eu sei que vocês não estão mais juntos. Eu... — Como você sabe? Ele me disse. E ainda não consigo acreditar. — Não importa. – digo, limpando minha garganta. — Eu... O que aconteceu? Poxa. Sinto muito, Sarah. Você está bem? Outro período de silêncio e eu sei que disse a coisa errada. — É por isso que você me ligou? Para saber se estou bem? – ela suspira profundamente. — Você é impossível. Você rouba o dinheiro da Leah. A mulher que nos apoiou. Ela não dá queixa, mas fica com pena de você e a manda para uma escola que pode recuperá-la, e você está quebrando as regras novamente. — Eu...

Página 89 de 551 — Eu estou bem, certo? É uma separação. Ninguém morreu. Quer mais alguma coisa de mim antes de eu desligar? E eu sei que ela vai fazer isso. Ela vai desligar, então deixo escapar o resto. — É por causa da lesão dele? — O que? — Sua separação. Faço uma careta depois de dizer isso, mas pensei sobre isso. Não pode ser uma coincidência, certo? Quer dizer, ele estava bem até uma semana atrás. Ele estava a caminho de ganhar a copa da MLS, embora tivesse perdido um jogo. Ele estava prestes a pedir minha irmã em casamento. E então, de repente, ele está lesionado e está aqui sem ela. Eles têm que estar juntos. Algo aconteceu e eu tenho que descobrir o que foi. Eu suspiro. — Olha, eu vi a coletiva de imprensa, ok? Eu sei que ele está fora da temporada. E também sei que você me acha estúpida e um incômodo e uma centena de coisas diferentes. Mas sei que essas duas coisas estão relacionadas de alguma forma. Sua lesão e sua separação. Eu sei disso. Então me diga. Por favor. De uma vez. Mesmo assim, ela não diz nada. Portanto, opto por medidas ainda mais drásticas. — Se você não me contar, terei que quebrar as regras e ligar para você novamente. E vou continuar fazendo isso até que você desista e me diga.

Página 90 de 551 Uma respiração funda. — Você é tão... — Por favor, Sarah. — Ele não está lesionado. – ela diz finalmente. — O que? — O que estou prestes a lhe contar é muito confidencial. Se você abrir sua boca grande e contar isso para outra pessoa, posso perder meu emprego, certo? E não estou perdendo meu emprego porque minha irmã é uma maluca e uma perdedora. Já estou acostumada com as suas palavras, palavras depreciativas e insultos. Mesmo assim, elas me atingiram no peito e faz arderem meus olhos. Mesmo assim, insisto: — Não vou contar a ninguém. Apenas me diga. — É uma mentira que eles inventaram, ou minha equipe inventou. Algo para contar à imprensa. — Ma... mas por que mentiriam? — Porque ele foi suspenso. É por isso. — Ele foi suspenso? — Sim, ele bateu em alguém. — O que? Ela inspira novamente e solta o ar. Um suspiro longo e profundo. — Foi um dos treinadores assistentes. Mas eles queriam manter isso fora da imprensa, então decidimos mentir. Ele não está dando tempo para se recuperar. Ele foi expulso do time. Por enquanto, pelo menos. Até que ele faça

Página 91 de 551 sua terapia de controle da raiva e o médico o libere. Eu soquei uma porta... Eu soube imediatamente que ele estava mentindo quando disse isso. Mas... Por que ele bateria em alguém? Por que ele iria bater em um treinador assistente? Eu faço a mesma pergunta à minha irmã. — Por que ele faria isso? Quando ela não responde rápido o suficiente, quase grito no celular: — Sarah? Por que ele bateria em alguém? Ele não é assim. Diga-me o que aconteceu. — Nós terminamos, é por isso. – diz ela, grita na verdade. — Nós terminamos. Tivemos uma discussão feia sobre isso. Ele estava irritado. No dia seguinte, ele entrou no treino bêbado e brigou com a primeira pessoa que viu, que acabou sendo Ben. Foi isso o que aconteceu. — Ele estava irritado? Essa é a primeira coisa que pergunto. Novamente, é patético e inútil. Claro que ele estava irritado. Ele está irritado. Ele terminou com o amor de sua vida, não é? — Eu não posso acreditar que ele bateu em alguém. Ele quebrou o nariz, a mandíbula e quatro das costelas. Foram necessários três homens, três grandes homens musculosos, para separar o A de Ben. Eu vi tudo na fita. Eu nunca tinha visto o A assim, tão furioso. Ben estava ameaçando prestar queixa. Sarah sempre o chamou de A e eu sempre me perguntei por que ela escolheu fazer isso quando

Página 92 de 551 ela tem todo o direito de chamá-lo por seu nome lindo e único. Arrow. — Mas conseguimos acalmá-lo. – ela continua. — E nós criamos todo esse negócio. Sem policia. Sem uma publicidade negativa. Contanto que o A faça sua terapia de controle da raiva e fique longe de Los Angeles pelos próximos meses. Essa foi a única maneira de salvar seu lugar no time. Uma respiração escapa de mim. Agradeço a Deus por minha irmã ser publicitária. Graças a Deus ela o salvou. Vê? Ele pertence à minha irmã. Minha linda e brilhante irmã. — Por que você terminou? – pergunto baixinho então. Talvez porque ela esteja com medo de que eu vá incomodá-la novamente com os meus telefonemas, mas ela me responde sem discutir mais nada. — Por que as pessoas terminam, Salem? Nos distanciamos, ok? Começamos a levar vidas diferentes. Não sei quando, mas aconteceu. E sim, nós terminamos. Engulo um monte de emoções, mas muito mal. — Mas vocês não podem lidar com isso? A distância, quero dizer. Vocês se amam. — Olha, Salem, você perguntou e eu respondi. Deixa isso pra lá, certo? Não é da sua conta. — Não, espere. Eu… Sinto um gosto salgado nos lábios e é quando percebo que estou chorando. É quando eu percebo que não engoli nada.

Página 93 de 551 Minhas emoções encheram meus olhos e agora estão fluindo pelo meu rosto como lágrimas. É tão bobo que estou chorando porque é o relacionamento deles, a separação deles. Mas Deus, eles estão juntos há anos. Eu os vi juntos e meu coração está partido por eles agora. — Eu não entendo, Sarah. Vocês se amam. – sussurro, pressionando o celular com força no meu ouvido. — Isso é o mais importante, não é? Você o ama e ele ama você, então podem resolver isso. Vocês podem superar isso. O amor tem que ser maior do que qualquer problema que vocês tenham. O amor tem que ser maior do que tudo o mais. Não deveria? O amor tem que ser maior. Tem que ser. Caso contrário, qual é o ponto? De que adianta uma garota cair e um garoto pegá-la em seus braços musculosos e confortáveis? Ela não deveria lutar por esses braços? Ele não deveria lutar para mantê-la em seus braços? Eles não deveriam lutar para ficarem juntos? — Ah, por favor. Você pode me poupar dessa bobagem? Eu nem sei de onde você tirou isso. Mamãe nunca foi assim. Eu nunca fui assim. Não entendo como você ficou assim. Tão esquisita e estranha. Como uma anomalia ou algo assim. Minhas lágrimas caem com mais força, mesmo quando digo a mim mesma que esta não é a primeira vez que ouço isso. Esta não é a primeira vez que Sarah me chamou de anomalia ou estranha.

Página 94 de 551 Até faz sentido. Eu sou a única em nossa família que não tem ambições, que não é boa em nada e que não gosta de regras. Eu sou uma anomalia. Mas não liguei para ela para falar sobre minhas várias falhas. Liguei porque queria saber por quê. Para talvez fazê-la entender que este não pode ser o fim dela e de Arrow. — Tudo o que eu estou dizendo... – digo com uma voz determinada. — É que pode haver uma maneira de consertar isso. Você não pode desistir de um relacionamento de oito anos. De repente, algo me ocorre. Algo glorioso e maravilhoso. Algo que deveria ter sido óbvio, mas não foi, porque tantas coisas aconteceram nas últimas vinte e quatro horas que eu não dei mais do que um segundo de atenção. Ele é meu treinador agora. Meu novo treinador de futebol. — Talvez eu possa te ajudar. – eu deixo escapar para minha irmã. — Talvez eu possa fazer algo sobre isso. Ele está aqui agora. Ele é meu novo treinador de futebol. O que significa que vou vê-lo o tempo todo e posso consertar isso. Eu posso juntar vocês de volta. Minha mente está a mil com possibilidades agora - pensando. Há muito que posso fazer. Tantas ideias que posso ter.

Página 95 de 551 — Salem. – Minha irmã grita e me tira do meu devaneio. — Você não fará nada. Você não irá interferir, você me entendeu? — Mas... — Não. Nem mais uma palavra sua. Já chega. Fique fora disso. Fique fora da minha vida. É a minha separação. É meu relacionamento. Isso não tem nada a ver com você. Não se meta em coisas que você não sabe. E, por favor, não me ligue de novo, ok? Não quebre mais regras, Salem. Se Leah se cansar de você e te expulsar dessa escola e da casa dela, eu não vou te acolher. Você está por conta própria, entendeu? Então, por favor, apenas siga as malditas regras e mantenha seu nariz fora da minha vida. E pelo amor de Deus, pare de perder tempo com futebol. Existem garotas por aí que podem fazer algo com isso, mas você não é uma delas. Aceite isso e faça algo que valha a pena, para variar.

Eu escrevo cartas para ele. Provavelmente já escrevi milhares delas desde que comecei, quando tinha dez anos. Porque eu queria dizer muitas coisas a ele. Eu queria dizer muitas coisas a ele. Eu queria responder à pergunta que me fez na cozinha. Eu queria prometer a ele que seu segredo estava seguro comigo. Mas não tive oportunidade e por isso recorri a outras providências.

Página 96 de 551 Desde então, tornou-se meu vício. Todas as noites escrevo uma carta para ele. Conto a ele sobre meu dia, sobre todas as coisas que fiz, todos os pormenores. Todas as noites, eu pergunto a ele sobre seu dia. Sobre o que ele fez, todos os lugares que ele foi, todas as pessoas que ele viu. Todas as noites, falo com ele como um amigo. Todas as noites, eu o chamo de meu querido. Meu querido Arrow. É assim que começo as minhas cartas. Não “Prezado Arrow” ou “Arrow” ou algo convencional assim. Porque o que sinto por ele só pode ser expresso em certas palavras, em certas sílabas, tons e ritmos. E “querido” atinge todas as notas certas. Querido diz que ele é adorado e amado. Mas ele também me machuca. Diz que ele é um deleite para o meu coração e uma agulha para ele. Amá-lo é a coisa mais maravilhosa e terrível do mundo. Amado Arrow é meu destino. Então ele não é meu prezado, ele é meu querido. Depois de escrevê-las, as coloco dentro de um envelope laranja, que guardo dentro de uma caixa de sapatos que escondo debaixo da minha cama. Bem, qualquer que seja a cama em que estou dormindo, quero dizer.

Página 97 de 551 Na casa de Leah, eu as tinha - as caixas de sapatos, algumas delas agora - sob minha cama de solteiro. Na noite em que estava fugindo, eu as levava dentro da minha mochila e da minha pequena mala. As caixas de sapatos cheias de cartas e as camisetas que roubei dele. Eu não queria nada além disso. Quando vim para o St. Mary's, também contrabandeei essas caixas para dentro. Hoje à noite, depois de falar com minha irmã, sento na minha cama, enquanto Elanor ronca na dela, perto da janela, e escrevo para ele uma nova carta sob a lua que parece ser vermelha. Não é ideal, mas eu escrevo. Eu forço meus olhos e rabisco minha caneta no papel, dizendo a ele que o vi ontem à noite. Que foi um choque tão grande, uma surpresa maravilhosa vê-lo. Mas não consigo entender por que ele não está com Sarah. Eu pergunto a ele o que aconteceu. Como eles poderiam ter terminado quando se amam tanto? Peço a ele para me dizer que tudo isso é mentira. Pergunto a ele sobre Ben. Sobre o quanto irritado ele deve ter ficado para bater em alguém assim. Eu pergunto a ele sobre o fato de por que ele está aqui. Em St. Mary's. Na minha escola. Como ele se tornou meu treinador de futebol? Como é que ele vai estar onde estou? Como é que eu estava fugindo dele, mas de alguma forma, acabamos no mesmo lugar?

Página 98 de 551 De alguma forma, vou vê-lo todos os dias agora. E de alguma forma eu terei que mantê-lo protegido de uma bruxa chamada Salem.

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Ele está parado ao lado do campo de futebol. Seu cabelo brilhante e com reflexo do sol é a primeira coisa que noto sobre ele. Novamente. No bar, ele estava de boné e eu não conseguia ver. Mas agora posso. Mesmo que o céu de setembro seja cinza, ainda há luz solar da tarde suficiente para que os fios brilhem. Eles estão esvoaçantes com a brisa leve e eu tenho que enfiar as mãos nos bolsos do meu short de futebol. Para conter o desejo de passar meus dedos por eles. Enquanto o seu cabelo com reflexo do sol, o resto dele está todo cinza. Calça esportiva cinza e tênis cinza. E a sua camiseta cinza de academia característica. Quando o vi pela primeira vez em sua cozinha, ele usava o mesmo estilo de camiseta. Não é algo muito original, o estilo, mas nele me tira o fôlego. Está solta e agitando contra o seu corpo com a brisa. Essa não é a parte pela qual estou louca, no entanto. Estou louca com o fato de que suas camisetas de academia ostentam mangas inexistentes. Há buracos nos braços e esses buracos são tão grandes e meio abertas que dá para ver manchas nas laterais das costelas e nos oblíquos.

Página 100 de 551 É fascinante. E tão sexy. É evidente que isso é real. Arrow está realmente aqui, em St. Mary's. O amor secreto da minha vida, namorado da minha irmã. Ex-namorado. Ex. Deus, ainda é tão estranho chamá-lo assim. Balanço a minha cabeça e ando em direção ao campo de futebol com Poe, Callie e Wyn, que não têm interesse em nenhum tipo de esporte. Mas escolher um esporte no St. Mary’s é obrigatório porque se enquadra nos exercícios para formação de equipes. Ao que parece, estamos meio atrasadas porque todas as meninas já estão aqui e elas parecem superanimadas e tagarelas. Bem, por que não seriam? Ele é um superastro do futebol e, nos últimos dois dias, a escola estava fervilhando com a notícia de que ele seria o novo treinador de futebol. O que de alguma forma, acredite ou não, me tornou ainda mais notada. Algumas me odeiam porque eu morava na mesma casa que ele, o que é um motivo muito estranho para odiar alguém. Algumas se ofereceram para serem minhas amigas se eu contasse seus podres, o que eu absolutamente me recusei a fazer. Então, basicamente, todo mundo me odeia um pouco mais do que na semana passada.

Página 101 de 551 Que bom para mim. Chegamos ao campo no momento em que alguém faz a pergunta: — Podemos pegar seu autógrafo? Antes que eu possa descobrir quem disse isso ou que Arrow pode até mesmo responder a isso, outra pergunta. — E uma foto? — Não temos celular, idiota. – alguém diz. — E daí? Podemos apenas usar o celular da treinadora TJ. – A segunda garota pergunta. A treinadora TJ é a senhora ao lado de Arrow com uma prancheta. Como todos os outros professores do St. Mary’s, ela é severa - não tão severa quanto Miller - e tem um coque apertado. — Garotas... A treinadora TJ não consegue falar porque outra garota fala. — Lamento muito saber de sua lesão. – diz a terceira garota, e o clima do grupo muda rapidamente, tornando-se sombrio. — O Galaxy esteve tão perto de ganhar o campeonato pelo segundo ano consecutivo. A primeira garota que pediu o autógrafo diz então. — Sim, todos nós pensamos que tinham isso na palma da mão. Era um negócio tão certeiro. Várias outras garotas murmuram a mesma coisa, mas estou mais focada em observá-lo. Observar o novo Arrow. Sua reação à menção de sua lesão falsa. Vejo como sua mandíbula fica tensa e seus olhos azuis como o céu de verão se estreitam por alguns segundos, antes de seus braços cruzados flexionarem e sua postura se alargar. Eu vejo como sua raiva flui de uma parte de seu corpo para outra.

Página 102 de 551 E eu tenho esse desejo estúpido de novo, de tocá-lo. De tocar essa raiva recém-formada. — Sim, foi. – diz ele em uma voz firme, mas educada. — Você acha que tem algo na palma da mão, mas descobre que não tem. Você lida com isso. Eu mordo meu lábio conforme o desejo cresce. Ele cresce e cresce. Quero ir para frente do grupo e falar com ele. Eu quero perguntar a ele sobre as coisas. Mas eu não vou. Eu absolutamente não vou. Porque no fim de semana, eu prometi algo a mim mesma. Só porque ele está no St. Mary's agora, onde terei que vê-lo o tempo todo, nos corredores e no terreno da escola e no campo de futebol, não significa que vou incomodá-lo. Que eu posso me soltar e fazer... coisas erradas. Especialmente agora. Quando ele acabou de terminar com minha irmã. Quando ele está acabando de sair de um relacionamento de oito anos. Ele não precisa de uma irmã mais nova muito ansiosa para invadir sua vida e fazer perguntas como eu fiz no bar. Então, vou fazer o que sempre fiz, mantê-lo a salvo de meus hábitos de bruxa. — Você pode me ensinar como cabecear a bola? – alguém pergunta, interrompendo meus pensamentos.

Página 103 de 551 Assim como antes, antes que Arrow possa responder, outra pessoa está pronta com outra pergunta e ela simplesmente sai como uma bola de neve a partir daí. — Li em algum lugar que o Real Madrid está de olho em você. Você será negociado para jogar na Liga Europeia na próxima temporada? — Você conheceu o Messi? E quanto a Beckham? — Sim! Você conheceu o Ronaldo? — Quantas cabeçadas você fez? — Você pode me ensinar cabeçada? Isso gera muitas risadas até que alguém pergunta: — Você tem namorada? Com isso, eu fiquei tensa. Meus olhos se arregalam e meus lábios se abrem quando mais uma vez vejo a raiva passar de suas maçãs do rosto para os ombros. Um olhar malvado passa por seus olhos e me lembro das palavras da minha irmã. Ele estava irritado… Meu coração de bruxa começa a bater e bater quando sua raiva atinge seus dentes e ele os aperta uma vez antes de dar um sorriso. Um meio sorriso treinado que já vi tantas vezes na TV. — O futebol ocupa a maior parte do meu tempo agora. – ele responde, dando sua resposta padrão. — Então, não estou procurando um relacionamento. Sim, é o que ele geralmente diz. Futebol é minha vida agora.

Página 104 de 551 Ou prefiro não falar sobre a minha vida pessoal, mas fico feliz em falar sobre o jogo. Ele sempre manteve sua vida amorosa em segredo. Principalmente porque o futebol é realmente seu foco principal e ele quer ser conhecido apenas por seu jogo e nada mais. E em segundo lugar, porque quando Arrow entrou para a liga, Sarah ainda estava na faculdade e ele queria protegê-la de todas as fofocas e paparazzi. Vê? É tão, tão difícil não amá-lo. Por que ele tem que ser tão bom, confiável e protetor pra caralho? Nunca vi ninguém assim em toda a minha vida. Não é de admirar que minha irmã se apaixonasse por ele, e não admira que eu também me apaixonei. Mas de qualquer maneira, essa é sua resposta padrão. No entanto, um segundo depois, ele divaga e acrescenta: — Mas quem sabe? Coisas podem acontecer. Na verdade, estou descobrindo que é ótimo lidar com as adversidades. Então, ele sorri ao final de sua resposta. No final de “lidar com as adversidades”. E eu aperto minhas mãos porque quando ele lidou com as adversidades? Quando? Ele é um maldito planejador. Um maldito seguidor de regras. Sem mencionar, por que ele está sorrindo assim? Quer dizer, por mais que eu odiasse que ele sorriu para aquela garota no bar, agora entendo que ele fez isso porque eles estavam se beijando ou sei lá o quê.

Página 105 de 551 Ele estava sorrindo para mim - me lembro disso muito claramente também - porque ele estava brincando comigo, tentando me distrair da verdade. Mas por que ele está fazendo isso aqui? Ele está flertando? Não consigo pensar nisso porque, depois de dar aquela resposta bizarra, ele continua respondendo a todas as outras perguntas que as garotas lhe fizeram. Com o mesmo sorriso no rosto. E eu não gosto disso. Eu não gosto disso. Ele está flertando, não é? Ele está flertando com as garotas e minhas pernas estão com comichão, loucas para ir e colocar um fim nisso. E não posso porque prometi a mim mesma que ficaria longe dele. Além disso, não tenho o direito de ficar com ciúmes, tenho? Eu não tinha o direito de ficar com ciúmes no bar e também não tenho nenhum aqui. Na verdade, tenho menos ainda agora. Ele não é mais o namorado da minha irmã - por razões estúpidas, se você me perguntar - então não é como se eu pudesse ficar com ciúmes por ela. Tecnicamente, ele está livre para flertar, beijar, fazer outras coisas com quem ele quiser e isso não é da minha conta. Não é da sua conta, Salem.

Página 106 de 551 Mas Salem é estúpida, ok? Salem é uma idiota enlouquecida que tem uma paixão supersecreta por esse cara flertando e sorridente cuja camiseta de academia esvoaçava contra seu corpo musculoso com a brisa e cujos lábios são tão lindos que eu só quero morrer aqui mesmo. E antes que eu possa me conter, estou me afastando das minhas amigas e me separando da multidão. Ando em volta do grupo onde as garotas ainda estão sorrindo, olhando primeiro para a treinadora TJ porque, sério, ela não deveria parar com isso? Estamos aqui para jogar futebol ou para uma sessão improvisada de perguntas e respostas? O segundo alvo do meu olhar é o próprio Arrow, o treinador. Com cabelos com reflexo do sol, olhos azuis brilhantes e pele dourada, ele usa bem o seu título. The Blond Arrow. — Pensei que estávamos aqui para jogar futebol. – digo em voz alta e clara, efetivamente pondo fim a todas as conversas e risos. Minha aparição repentina abalou a todos. Não estavam esperando por mim ou minhas breves palavras. Posso sentir seus olhares surpresos e hostis nas minhas costas. Posso até sentir a treinadora TJ olhando para mim com um olhar feroz. Mas eu não lhes dou muita atenção porque meus olhos estão colados nele e os dele estão colados nos meus. Mas então, ele interrompe nossa conexão e seus olhos se movem para baixo.

Página 107 de 551 Eles vão primeiro para o meu nariz, depois para os meus lábios, seguidos pela minha garganta. Eu engulo e ele observa. Respiro fundo e ele observa também, analisando meu uniforme de futebol distribuído pela escola. Ele observa minha camiseta branca e meu short cor mostarda. Minhas meias até o joelho e, finalmente, minhas chuteiras. Ele os encara por um instante como fez na outra noite, quando me deu aquela dica, antes de erguer os olhos de volta para o meu rosto e murmurar: — Estamos. — Então, por que não estamos jogando? – pergunto, introduzindo toda a raiva em meu tom, mesmo quando meu coração bate forte sob sua minuciosa análise. Pelo canto dos meus olhos, vejo a treinadora TJ tentando dizer algo, provavelmente para me esclarecer, mas Arrow se adianta e ele fala: — Porque estávamos esperando que todos chegassem. Ok, então acho que chegamos um pouco atrasados no campo. Eu provavelmente deveria reconhecer isso. Especialmente depois do que ele disse na outra noite sobre ser pontual. Mas eu não reconheço. Em vez disso, levanto meu queixo. — Bem, nós estamos aqui agora. Todos nós. Ele percorre os olhos - eu juro, eles se tornaram escuros, mais escuros do que um segundo atrás pelo meu corpo mais uma vez e eu tenho que fechar meus dedos.

Página 108 de 551 — Pelo visto sim. – diz ele finalmente depois de terminar de me observar pela segunda vez. E por alguma razão eu sinto como... Sinto como se ele estivesse flertando de propósito. Para me provocar e me fazer ir até ele como fiz no bar outra noite. Mas isso é estúpido, certo? Por que ele me provocaria de todas as pessoas? Então, tento ser sensata e pergunto: — Podemos jogar agora? – Mas, por algum motivo, não consigo me impedir de acrescentar: — Achei que a pontualidade fosse uma das regras fundamentais por aqui. E então, ele faz algo que juro que nunca o vi fazer nos últimos oito anos que o conheço. Nem para as câmeras, nem para Sarah, nem mesmo para aquela garota. Ele lambe os lábios. Não é nem uma lambida completa ou óbvia, ou algo assim. É simplesmente uma aparição de sua língua seguida por um pequeno movimento de seu lábio inferior. Isso o faz parecer tão... perverso e tão provocador. Tão oposto de como eu o conheci que tenho que realmente fazer o que ele fez. Eu tenho que lamber meus próprios lábios como uma idiota para acreditar que isso aconteceu. — Sim, é. – diz ele, balançando a cabeça lentamente e com os braços ainda cruzados sobre o peito. — Embora eu não tivesse ideia de que você se importava com elas. As regras.

Página 109 de 551 Eu me movo, tentando não pensar em sua lambida nos lábios. — Eu me importo. — Você se importa, não é? — Muito. — Bem, então este lugar está tendo um efeito tremendo em você. Porque não consigo me lembrar de uma época em que você era tão fascinada por elas. – ele faz uma pausa e adiciona, de alguma forma dizendo as palavras em itálico. — As regras. Algo sobre isso me faz estreitar os meus olhos para ele. — Isso é porque você nunca prestou atenção em mim antes. Já que você sempre esteve tão ocupado com futebol e outras coisas. Não sei porque eu disse isso. Não há explicação possível para isso, por que eu o instigaria ainda mais assim. Mas agora eu disse e ele morde a isca. Na verdade, ele reage com todo o corpo. Ele inclina a cabeça para o lado e amplia sua postura enquanto os cantos de seus lábios se contraem. Por algum motivo, acho que é tanto de surpresa quanto de diversão. — Eu não prestei, não é? – ele murmura, balançando a cabeça como se estivesse falando consigo mesmo. — Não, você não prestou. Ele murmurou, com seus olhos todos brilhantes e intensos. — Mas agora estou, e me corrija se eu estiver errado, mas não vi você em um bar recentemente? Ainda na semana passada, por volta da meia-noite. Ignorando descaradamente todas as regras pelas quais você afirma se preocupar tanto. Caramba... O quê?

Página 110 de 551 Meus olhos ficam tão arregalados, tão enormes com isso, que estou surpresa que eles não tenham saído da minha cabeça. Ele realmente disse isso? Em voz alta, ainda por cima. Sim, ele disse porque há um súbito surto de suspiros e murmúrios ao meu redor. Esse... esse babaca. Não posso acreditar que estou usando essa palavra no contexto para ele, para Arrow. Mas Deus. Deus. Ele tem ideia de quantos problemas isso pode me causar? Isto não é brincadeira. Parece que sim. Ele sabe que isso não é brincadeira e ele tem ideia de quantos problemas isso pode me causar porque o babaca está sorrindo. Bem, é mais como um sorriso torto e divertido que ele tenta esconder coçando o lado da boca com o polegar. E abaixando a cabeça de uma maneira que seu queixo estúpido e sexy pega o sol da tarde. E sua barba por fazer brilha. Brilha. O babaca está brilhando e estou olhando para ele como uma idiota. Diga algo. Aperto minhas mãos em meus lados e limpo minha garganta. Toda a multidão se acalma para ouvir o que tenho a dizer e juro por Deus, se eu sair dessa com vida, vou matá-lo.

Página 111 de 551 Eu vou matar o cara que amo. Mas eu soltei uma risada primeiro - nervosa e completamente falsa, olhando para a treinadora TJ com o canto dos olhos; ela está olhando para mim. — Está brincando, não é? Eu rio de novo e os seus lábios tortos se transformam em um completo enquanto ele me observa lidar com a situação que ele criou. — Eu estou? — Sim, você está. – eu continuo. — Mas temo que haja um problema na sua brincadeira estúpida. — Ah, tem? — Sim. Porque eu não posso ir a qualquer lugar fora da escola, muito menos a um bar. Eu não tenho esse privilégio ainda. Além disso... – eu estreito meus olhos para ele e repito suas palavras daquela noite. — Luzes apagadas às nove e meia, lembra? Essa é a regra e nem mesmo eu ousaria quebrá-la na minha primeira semana em St. Mary's. Algo brilha em seus olhos. — É essa a regra? — Sim. Talvez você devesse ler o regulamento. — Talvez. – ele responde preguiçosamente. — Ou talvez eu deva apenas perguntar a você. Desde que você se tornou uma aluna modelo. Franzo os meus lábios com seu comentário sarcástico. — Sim, eu estava aqui. Na cama. Onde eu deveria estar. Acho que falei muitas palavras e expliquei demais, e agora eles vão me pegar. Eles vão tirar todos meus privilégios - por mais básicos que sejam - e provavelmente até me

Página 112 de 551 trancar em um quarto para que eu nunca mais fuja. Tudo porque esse idiota está se divertindo comigo. Mas então o ouço falar: — Bem, agora que você mencionou. Não foi você. – Meu corpo relaxa e ele me olha de cima a baixo novamente. — A garota que vi tinha o cabelo mais bagunçado, eu acho. Lábios mais carnudos também. Você tem razão. É uma maravilha que eu posso falar depois daquele comentário sobre os “lábios mais carnudos”, mas eu falo. — Desculpas aceitas. Agora você sabe. — Eu não me desculpei. – Então. — Eu adoraria ver isso. — Ver o que? — Você. – ele abaixa o rosto e abaixa a voz. — Na cama. Eu não sei o que está acontecendo. Eu não sei o que ele está fazendo ou tentando fazer. Eu não sei por que ele está dizendo essas coisas. As coisas mais bizarras e de tirar o fôlego desde que ele voltou de LA. — Você quer me ver na ca... cama? – pergunto com a garganta seca e a língua inchada. Ele balança a cabeça lentamente, com as mechas de seu cabelo caindo sobre sua testa plana e despreocupada. — Muito. Eu adoraria ver você seguindo as regras, sendo uma boa garota. Ficar onde você deveria estar. Tiro o meu próprio cabelo da testa porque os meus dedos estão impacientes e indisciplinados, se lamentando para afastar o cabelo dele. Meu coração também está rebelde, se lamentando para chegar perto dele, se lamentando para ser

Página 113 de 551 colocado a seus pés. — Você está aqui agora, não é? – De alguma forma. — Você verá isso. Eu, seguindo todas as regras. — Você não tem ideia do quanto estou ansioso por isso. – diz ele, fixando os olhos nos meus, transmitindo um significado, um significado secreto, que eu não entendo e, ainda assim, estranhamente, entendo em todos os sentidos. — Agora, podemos parar de beijar a bunda do superastro do futebol e jogar? — Claro. – ele concorda magnanimamente antes de levantar o queixo para mim. — Assim que você parar de agir como uma fã muito ansiosa que cruza a linha e cai de volta nela. Como todo mundo. Abro a boca para retrucar porque como ele ousa me chamar de fã, embora tudo o que aprendi sobre futebol tenha aprendido com ele. Mas suas palavras me abalam. Elas me lembram de que não estamos sozinhos. Quer dizer, eu sabia disso, mas agora realmente me ocorre que há um grupo de garotas atrás de mim, olhando para mim, incluindo uma professora, a treinadora TJ. E estou fazendo exatamente o que pensaram que eu faria. Estou aproveitando o fato de ter vivido com ele e conversado com ele - que também é professor agora - de uma maneira tão descarada e familiar. Sob seu olhar desafiador, abaixo minha cabeça e recuo. Assim que estou na fila, levanto os olhos para ver Arrow - o treinador Carlisle, desculpe - ainda me encarando com um olhar indecifrável antes de

Página 114 de 551 abrir os braços e desviar o olhar. — Uma por uma, gostaria que vocês se aproximassem, se apresentassem e nos dissesse em que posições vocês jogam. E então, começaremos com um aquecimento de trinta minutos. Então é isso que fazemos. Nós nos apresentamos. Quando chega minha vez, tento parecer o mais recatada possível. — Salem Salinger. Eu sou a volante. Meus olhos estão nas minhas chuteiras, então não sei se estou certa ou não. Mas eu sinto que ele faz uma pausa. Eu sinto que seus olhos escurecem e sua mandíbula fica tensa com a minha resposta. Principalmente porque acabei de dizer a posição que ele joga. Ele desempenhou essa posição principalmente durante o ensino médio e a faculdade, com algumas exceções aqui e ali. Mas ele brilha melhor como volante. As suas cobranças de falta e curvas são lendárias, ou pelo menos, estão a caminho de se tornarem lendárias. Como as de Beckham eram. E é por isso que também sou uma volante, porque foi assim que aprendi sozinha. Assistindo às fitas do jogo dele e de Beckham. Tudo em segredo, tudo roubado por mim, dele, de seu quarto. Além de escrever cartas secretas para ele, essa era a única maneira de me sentir conectada a ele, jogando o jogo que ele tanto amava. Sempre fui um tipo de atleta e interessada em esportes. Joguei futebol aqui e ali. Mas quando nos mudamos para a casa de Leah, eu realmente percebi. Eu assistia Arrow jogar no quintal e quando ele estava na escola, eu refazia seus passos e jogava sozinha. Então sim, eu jogo futebol.

Página 115 de 551 Mas estou muito nervosa para jogar na frente dele, na frente do meu ídolo do futebol. The Blond Arrow. Assim que terminamos com as apresentações, Arrow nos divide em duas equipes enquanto a treinadora TJ faz anotações de todas as jogadoras na área de transferência. Ele nos diz para tomar nossas posições e começar. A treinadora TJ apita e pronto. Como uma dos volantes, domino o campo no centro. Corro e cubro a maior parte do campo, seguindo as jogadoras do time adversário em posse da bola e a roubo. Que é a minha especialidade, se me permite acrescentar. O roubo. Mas sempre tenho problemas para manter a posse da bola. Mas hoje faço tudo o que posso para não perder a bola. Eu driblo como nunca antes, com meus pés correndo pelo campo até que a oportunidade apareça e eu possa chutar e marcar. Quando faço o primeiro gol nos primeiros cinco minutos de jogo, sinto que estou no topo do mundo. Mas isso não é nada comparado ao que sinto quando faço um gol de novo dez minutos depois do centro do campo e acerto a rede no centro. Pareço eufórica. Em êxtase. Eu nunca fui tão boa antes. Tipo, nunca, e eu não estou brincando. Eu acho que é ele.

Página 116 de 551 Seus novos olhos escuros estão tendo um efeito em mim. Eles estão despejando toda a adrenalina e todo o arsenal em minhas veias, me fazendo jogar o melhor jogo da minha vida. Posso sentir seu olhar me seguindo pelo campo, me observando jogar para ele. Isso me dá uma sensação tão viciante que, quando o apito soa na marca dos trinta minutos, demoro alguns segundos para me orientar. De repente, sinto três pares de braços me envolvendo e me forçando a um abraço. São as garotas, Poe, Wyn e Callie. Callie estava comigo no time, então quando ela gritou que nós ganhamos, eu não consigo acreditar. Poe e Wyn gritam também, embora estivessem no time adversário. Elas me dizem que sou incrível e acho que vou chorar porque ninguém nunca disse que sou boa no futebol. Ninguém nunca disse que sou boa em nada, na verdade. — Salem. Essa é a voz dele, alta e cortante, estourando a minha bolha de felicidade. Na verdade, recuo alguns centímetros assim que isso me atinge. As garotas também recuam e nosso grupo se separa. Vejo seu corpo alto ao lado do campo. Seus braços musculosos estão cruzados e sua postura é ampla. Mas em vez da profunda admiração que ousei imaginar porque vencemos, não é? - há uma cara fechada. Uma cara fechada misteriosa. Antes que eu possa processar isso, ele abaixa o rosto e descruza um braço. Então, ele aponta o

Página 117 de 551 dedo para mim em um gesto universal de venha aqui. E é tão condescendente que estou atordoada. A maneira como ele está apontando o dedo para mim. Como se ele fosse realmente um superastro do futebol - o que ele é - e eu realmente sou sua fã superanimada, e ele pode simplesmente mandar em torno com gestos simples. Ok, então, eu também posso ser. Uma fã, eu quero dizer. Mas tudo bem. Ele não sabe disso. Mas isso não é tudo. Quando eu não me movo, ele até levanta as sobrancelhas para mim, todo arrogante e superior, antes de dizer meu nome novamente em uma voz que promete vingança. — Salem. E como a garota estúpida, idiota e apaixonada que sou, eu me movo. Porque ele chamou meu nome. Ele não apenas chamou, eu o vi chamar. Eu vi sua língua espreitar para fora, presa entre os dentes. Eu o vi suspirar um pouco também, em “Sa.” O que não é novidade, porque vejo isso o tempo todo quando as pessoas dizem meu nome. Mas nunca vi isso dele. Assim como nunca disse seu nome em público, ele também nunca disse o meu nome. Pelo menos não na minha frente.

Página 118 de 551 Então, realmente, é culpa dele que ele esteja me obrigando a fazer isso. Que ele está me fazendo esquecer minha indignação - indignação justa - e atravessar o campo para chegar até ele. — Arrow. – digo quando eu o alcanço e recuo. Caramba. Simplesmente escapou e, na pior hora, nada menos. Quase toda a escola está vendo. Acho que os ouvi suspirar novamente. Mas Arrow não tem nenhuma reação a isso. — Há quanto tempo você joga futebol? – ele pergunta em voz baixa, observando meu corpo ofegante e suado. Eu pisco para ele enquanto respondo: — Desde que eu tinha tipo, sete ou oito anos. — Então você conhece o jogo muito bem, certo? — Sim. — Qual posição você joga mesmo? — Volante. — E o que um volante faz? Ele faz a pergunta como se estivesse perguntando a uma criança e isso me deixa envergonhada e com raiva. Mas eu não posso fazer nada sobre isso, posso? Ele é meu treinador e eu já me descuidei duas vezes hoje. Abro a boca para responder, mas é tarde demais porque ele fala novamente. Desta vez em

Página 119 de 551 voz alta, como se estivesse se dirigindo a toda a multidão, mas ainda mantendo seus olhos ardentes em mim. — Na verdade, por que você não nos conta qual é o trabalho de um volante. — O que? — Vire-se. – ele explica lento e claramente, novamente como se fosse para uma criança. — E em voz alta e clara, explique a toda equipe o que você acha que um volante faz. Sinto coisas acontecendo dentro do meu corpo então. Coisas barulhentas e trêmulas. Tudo porque ele está tentando me humilhar. Tudo porque ele está tão perto de mim enquanto faço isso que posso sentir o cheiro do perfume de sua pele. Apertando minhas mãos, eu respiro fundo e franzo os lábios. Sob sua intensa observação, eu me viro e digo: — Como uma volante, meu trabalho é cobrir o campo no centro. Isso inclui roubar a bola do time adversário, passá-la para os atacantes do meu time. Com sorte, eles farão gols. Não sei como o ar pode ficar tão silencioso com tantas pessoas presentes, mas está. Ninguém fala, sussurra ou murmura. Todo mundo está simplesmente esperando que as coisas se desenrolem. E todo mundo pula, inclusive eu, quando Arrow fala. — Passar a bola e ajudar os atacantes a fazer o gol. – Eu olho para longe da multidão e me concentro nele e em sua voz murmurada. — Diga-me, Salem, você passou a bola para seus atacantes pelo menos uma vez no jogo? Não. Eu não fiz.

Página 120 de 551 Minhas bochechas queimam enquanto ele continua olhando para mim com olhos severos. Meu corpo inteiro queima como se ele tivesse acendido fogo nas minhas chuteiras. Mas ele está certo. Eu cometi o crime do qual ele está me acusando. Eu não passei a bola. Assim que tomei posse dela, não a soltei. Eu mesmo marquei o gol. Se eu não estivesse oportunidade para marcar, driblava e corria com a bola até conseguir. Foi pura sorte que a jogadora do time adversário não roubou a bola de mim e fez o gol sozinha. Engolindo novamente, eu balanço minha cabeça. — Não. — Não o quê? – ele diz e eu recuo. Isso me faz queimar ainda mais, sua pergunta, sua insinuação, mas eu entendo. — Não, treinador. Ele estreita os olhos por um segundo como se estivesse absorvendo isso também, eu o chamando de treinador. Isso o torna ainda mais ameaçador e mais cruel. — Bem, como seu treinador, permita-me ensiná-la sobre a primeira regra do futebol. O futebol é um esporte de equipe. Ou seja, você joga em equipe. Ou seja, você não rouba o jogo da sua companheira. Você não deixa suas atacantes correrem para cima e para baixo no campo, parecendo idiotas. Especialmente quando estão tentando se comunicar com você, tentando dizer que elas têm uma chance melhor de marcar se você apenas passar a bola. Então, da próxima vez, faça o seu trabalho, siga as regras e passe a bola.

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Perfeição. Grandeza. Estar no topo. Ser o melhor. Eu cresci com essas coisas. Essas coisas foram enfiadas na minha cabeça desde que eu era criança e eu vi meu pai, a lenda do futebol, Atticus Carlisle, dizer. Principalmente na tela da televisão, porque ele faleceu quando eu tinha sete anos. E como você se torna o melhor? Como você alcança grandeza e perfeição? Você faz isso trabalhando duro, mais do que os outros. Você faz isso estando focado. Você faz isso fazendo sacrifícios que outros não farão. Você faz isso seguindo as regras.

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A Flecha Quebrada: Traduzimos o nome do Arrow dessa vez porque a autora fez um trocadilho com o nome do personagem ao seu significado literal, no caso “flecha” com a sua atual condição psicológica por estar “quebrada”, para dar contexto ao que foi relatado ao seu estado.

Página 122 de 551 O que é, de novo, algo com que cresci porque minha mãe é diretora de um reformatório. Então, eu sempre fiz a minha lição de casa, comi os meus vegetais. Fui para a cama na hora certa. Só tirei notas boas. Eu arrasei em todos os treinos. Resumindo, as regras foram minha vida. Não faz sentido, porém, que estou aqui, de volta à minha cidade natal de St. Mary’s, para fazer exatamente o oposto disso. Não estou apenas de volta à minha cidade natal, mas também estou sentado em um sofá rosa com flores azuis estampadas nele. Porque eu quebrei a primeira regra do futebol. A regra que meu pai me ensinou quando eu tinha apenas seis anos ou mais. “Você nunca deve perder a paciência, Arrow. Essa é a primeira regra. Futebol não se trata de cabeçadas. É uma questão de precisão e exatidão. Isso vem da paciência. Você avalia o jogo do outro jogador antes de fazer o seu.” Tenho que admitir que não entendia isso na época, mas ao longo dos anos, isso tornou-se um hábito. Não perder minha calma. Não perder minha paciência. Não perder o meu maldito controle. Mas eu perdi. Eu perdi meu controle e bati no treinador assistente. Não importa se ele mereceu. Não importa se eu teria matado aquele filho da puta se eles não tivessem me separado. Não importa que eu tenha gostado disso.

Página 123 de 551 O que importa é que quebrei uma regra - por mais impossível e sobrenatural que possa parecer agora - e fui expulso do time. Fui expulso antes de ganhar a copa e é por isso que estou aqui. No rosa e pelo que posso dizer também no consultório roxo da terapeuta que o time escolheu para mim, Dra. Lola Bernstein. Ela é uma mulher na casa dos cinquenta, eu acho. Ela também usa óculos e uma tonelada de joias. E ela sorri. Muito. Já devo estar aqui há cinco minutos e ela sorriu para mim pelo menos dez vezes. Então ela sorri duas vezes a cada minuto. Uma vez a cada trinta segundos, e eu já quero dar um soco em sua mesa de centro de vidro. Mas eu não vou dar. Porque eu não perco a paciência. Eu nunca perco isso. Além disso, ela se formou em Harvard. Ela tem cerca de trinta anos de experiência e boas referências. Disseram-me que também trabalhou em uma instituição de grande prestígio chamado Hospital Psiquiátrico Heartstone7, antes de abrir a sua própria clínica. Se alguém pode me ajudar a me livrar dessa raiva dentro de mim, é ela. Então, vou seguir as regras e não socar as coisas ao meu redor como estranhamente quero fazer hoje em dia. — Então, Arrow. – ela inclina a cabeça para o lado e seu colar faz barulho. — Posso te chamar de Arrow? Ranjo os dentes para as suas joias barulhentas. — As pessoas me chamam de A, mas claro, sim. Tanto faz. Hospital Psiquiátrico Heartstone: é o hospital que o Dr. Simon Blackwood trabalhava na série Hearstone. 7

Página 124 de 551 — Posso chamá-lo de A. Sem problemas. Ela sorri. Novamente. Não sei como responder a isso. Eu devo sorrir também? Devo perguntar a ela como ela quer ser chamada? Do que exatamente. Além disso, como uma graduada de Harvard não sabe qual é a roupa profissional básica? Por que ela está usando uma saia como de mendiga? Como isso vai inspirar confiança em seus pacientes de que ela pode resolver seus problemas? Mas, novamente, não vou ficar irritado. Porque nunca fico irritado. Além disso, não é como se eu tivesse me consultado com um terapeuta antes. Então, não sei o que essas pessoas fazem. — Então. – ela começa quando eu simplesmente fico olhando para ela. — Esta é a primeira vez que você tem um problema de controle de raiva, pelo menos neste grau. Isso está correto? Eu aceno com a cabeça. — Esta é a primeira vez que tenho um problema de controle de raiva em qualquer grau. Ela levanta as sobrancelhas. — Você está dizendo que nunca ficou com raiva? — Sim. — Mas isso é impossível. — Não é. Eu não perco a paciência. É prejudicial para o jogo. — Ah, futebol. – ela acena com a cabeça. — Então você é muito dedicado ao futebol. Algo sobre isso me faz enrijecer o meu corpo. — Sim. Futebol é tudo.

Página 125 de 551 Ela geme e não gosto disso. Não sei o que esse zumbido significa. Estou prestes a dizer algo a ela quando ela me faz outra pergunta. — Então, o que aconteceu para deixá-la com raiva? — O que? Ela encolhe os ombros. — Você diz que nunca fica com raiva porque isso é prejudicial para o jogo. Mas algo deve ter acontecido para deixá-lo com tanta raiva que deu um soco em alguém. Então o que aconteceu? O que aconteceu. Ela está brincando, não é? Ela não sabe o que aconteceu? Foi tudo estampado, porra, o que aconteceu. Foi estampado o time que eu terminei com minha namorada e perdi a cabeça. E perdi tanto que eu fui suspenso porque o idiota que eu espanquei estava ameaçando prestar queixa contra mim. Eles até me disseram para sair da cidade, resolver meus problemas e voltar quando tiver um atestado médico dizendo que estou apto para jogar novamente. A equipe de relações públicas teve que intervir e inventar uma mentira sobre uma lesão. Tudo porque quebrei a primeira regra do futebol. — Eu tenho a impressão. – eu começo, me mexendo no sofá rosa eu não consigo superar a cor - com meu corpo mais tenso do que nunca. — Que você foi contratada pela equipe. — Eu fui. — Então, você já não deveria saber o que aconteceu?

Página 126 de 551 Ela sorri de novo e eu juro por Deus, que vou destruir sua mesa de centro e aquela estante que ela tem na parede, apenas para me acalmar e terminar minha primeira sessão de terapia. Meus dedos já estão formigando com o esforço de me manter quieto e não fechar os punhos. — Eu sei. Mas quero ouvir com suas próprias palavras. Então, eu adoraria se você me respondesse. Certo. OK. Responder a maldita médica para que ela me dê um atestado e eu possa voltar para onde pertenço: com minha equipe. Eu fecho meu queixo e conto até três. Então, eu conto até cinco. Meu instinto ainda está agitado, mas está tudo bem. Eu posso fazer isso. Eu fiz coisas mais difíceis no campo de futebol. Posso falar com uma terapeuta e contar a ela com minhas próprias palavras o que aconteceu. — Eu terminei com minha namorada. – eu começo com os dentes rangendo. — E isso me deixou com raiva. Fiquei com tanta raiva que fiz o que nunca faço: quebrei uma regra. E agora estou aqui sentado na sua frente, falando sobre isso. Ela geme de novo e está começando a me irritar. — Então, sobre a separação. Fale-me sobre isso. Como isso aconteceu? Com isso, tudo em meu corpo trava. Tudo.

Página 127 de 551 Meus músculos ficam tensos e tenho que ranger os dentes ao sentir algo rastejando sobre minha pele. Algo parecido com um inseto. Cem insetos. Um exército inteiro deles. Eles rastejam e escorregam até mesmo, deixando-me com calor em volta do pescoço, deixando minhas pernas nervosas e eu perco a batalha com meus dedos e os fecho em punhos, cravando as juntas dos dedos em minhas coxas. De alguma forma, consigo dizer: — Como acha que as separações acontecem? Tivemos uma briga. Terminamos. Finalmente, ela perdeu o sorriso e há um franzido em sua testa. E não tenho certeza se gosto mais disso do que de seus lábios esticados. — Bem, deve ter havido uma razão, certo? Términos não acontecem simplesmente. Essa e a coisa. Aconteceu. Porra, aconteceu. E eu não esperava. Eu não vi o punhal na mão dela. Não até que ela me apunhalasse. Sinto muito, A. Eu não queria que isso acontecesse... Isso é o que ela disse. Depois. Depois que ela pegou oito anos do nosso amor e jogou fora. Que ela não queria que isso acontecesse. Eu cravo as juntas dos dedos mais profundamente em minhas coxas nervosas e digo: — O nosso sim. Aconteceu. — Sim. Mas o que houve?

Página 128 de 551 Os insetos começaram a me picar agora. Começaram a me morder. E estou pensando seriamente em quebrar alguma coisa. — Não vejo como isso é relevante. — Acho que é extremamente relevante. – ela insiste. — Você se separou e foi isso que causou tudo, então, novamente, o que aconteceu para separar vocês? Quer saber, não vai ser minha culpa. Se eu quebrar a mesa dela, quero dizer. Não será minha culpa que a Dra. Lola Bernstein vai perder sua mesa de centro de vidro e aquele pequeno cacto que ela tem sobre ela. Porque é ela quem está fazendo perguntas estúpidas. Perguntas que não interferem por que estou aqui. — Quanto custa essa mesa de centro? – pergunto, inclinando meu queixo para ela. Ela franze a testa novamente, mas isso é mais leve. — Por quê? Encolho os ombros, estalando o meu pescoço levemente. — É extremamente... – Quebrável. — Bonita. — Você gosta dela? Eu abro e fecho meus punhos. — Sim. Tão bonita quanto o resto do seu escritório. Ela olha ao redor do escritório. — Achei que você o odiasse. Você não parecia muito feliz quando se sentou no meu sofá. — Eu não odeio o seu sofá. Eu gosto do seu sofá. E gosto de rosa. Rosa é minha cor favorita.

Página 129 de 551 Ela leva seu sorriso um pouco além. Ela transforma isso em uma risada baixa. — Agora eu definitivamente sei que você está brincando. Rosa não pode ser sua cor favorita. Porque sua boca está dizendo uma coisa e seu rosto está dizendo outra completamente diferente. — O que meu rosto está dizendo? — Que você está com raiva. Eu movo um lado da minha boca em um sorriso tenso. — Ah. E eu aqui pensando que seu trabalho era não me deixar com raiva. — Meu trabalho não é não deixar você com raiva. Meu trabalho é consertar o problema que está causando a raiva. — Bem, então você realmente deveria pensar em redecorar seu escritório. E não fazer perguntas que não têm nada a ver com nada. — Então você não gosta que lhe façam perguntas? — Não, particularmente não. Ela acena com a cabeça. — E quanto elas te irritam, exatamente? — O fato de que elas são estúpidas e irrelevantes. Ela geme e desta vez escreve algo em seu caderno de anotações. — Que porra você está escrevendo? – eu não posso deixar de perguntar. Ela abre os lábios em um O. — Isso foi uma pergunta? — Isso definitivamente não é uma resposta. Ela ri novamente. Eu simplesmente perco o controle.

Página 130 de 551 Porque a risada dela é alta. Suas joias estão ainda mais barulhentas. E não consigo controlar meu temperamento quando minha pele está formigando e meu corpo está tenso e tenho vontade de quebrar os móveis dela. — Eu não acho que isso vai funcionar. – eu digo. — Por que você pensa isso? Outra pergunta estúpida. — Porque eu acho que você não entende qual é o seu trabalho. — Por que você não me explica? — Seu trabalho é me dar meios para conter minha raiva. É isso. Isso é tudo. Você me conta alguns pequenos truques que posso usar para me livrar dessa raiva para que eu possa voltar a jogar o jogo em que sou bom. Essa é a função do seu trabalho. Ela franze os lábios. — Não acho que funcione assim. — Bem, então você não tem utilidade para mim. – eu levanto da minha cadeira, com meu corpo todo quente e tenso, e olho ao redor de seu escritório. Eu me concentro no diploma que está pendurado em sua parede. — Você deveria tirar aquilo. E provavelmente pedir um reembolso de Harvard. Dadas as circunstâncias, você deve ser apto para um. Isso é tudo que digo a ela antes de sair correndo de sua porra de escritório rosa. Vou ter que ligar para o meu treinador e fazer com que ele marque as minhas consultas com outra pessoa. Alguém mais competente e profissional.

Página 131 de 551 Alguém que não faz perguntas estúpidas. Alguém que não fale sobre coisas que eu não quero falar. Por que ela quer saber o que aconteceu, afinal? Isso aconteceu. Fim de história, porra. Isso aconteceu e quase destruiu minha vida e minha carreira. E agora estou preso aqui, ensinando um bando de colegiais que não sabem nada sobre futebol em vez de estar onde eu deveria estar. Com o time, vencendo jogos. Portanto, preciso de alguém que possa me ajudar a chegar lá, em vez de alimentar minha raiva e piorar as coisas. Depois de sair do consultório da terapeuta, vou até o clube de esportes que meu pai costumava frequentar. Eles têm uma área privada onde posso praticar meus exercícios e ninguém vai me incomodar ou falar comigo sobre minha lesão desastrosa. Eu corro. Levanto pesos. Eu corro de novo, porra. Eu faço tudo que posso para me livrar dessa veia violenta que a Dra. Lola Bernstein evocou em mim. Quando me exercitar não me faz bem, decido ir ao St. Mary's e trabalho no meu trabalho de piada. Talvez existam livros que possam tornar isso mais fácil, que possam me ensinar como ensinar garotas que riem de tudo que digo e piscam para mim como se eu tivesse algum interesse em suas travessuras de colegial. Então eu vou para a biblioteca em busca de um livro ou algo assim, qualquer coisa para tirar minha mente de como minha vida se tornou uma merda. Mas em vez disso, encontro outra pessoa.

Página 132 de 551 Alguém que eu não tinha notado antes. Alguém que sempre esteve em segundo plano. A irmã mais nova. Salem Salinger. Oito anos atrás, quando minha mãe me disse que duas garotas iriam morar conosco, eu não me importei. Já tinha ouvido falar dos Salingers, mas nunca me interessei por eles. Eu tinha outras preocupações na vida, preocupações maiores como futebol e minhas notas, junto com algumas preocupações menores, como garotas. Contanto que as recém-chegadas não interferissem nisso, eu não me importava quem se mudava ou não. Mas então Sarah surgiu. Ela era gostosa. Eu estava com tesão. Deveria tomar conhecimento dela e eu tomei. Eu era popular na escola, um atleta famoso, um aluno que tirava notas boas. Mesmo que eu nunca tivesse tempo para amigos, as pessoas me seguiam e eu as deixava em vez de desperdiçar minha energia e mandálos se foder. Sarah deveria estar interessada em mim como todo mundo, e ela estava. Eu pensei que seria um caso, porque garotas geralmente são casos. Eu não queria ninguém perturbando meu foco. Mas acabou que Sarah era como eu. Ela era ambiciosa, focada e determinada. Foi como encontrar um par perfeito. Uma fácil combinação.

Página 133 de 551 Simplesmente fazia sentido estarmos juntos. Fazia sentido namorar com ela, fazer planos futuros com ela. Fez sentido convencer minha mãe a nos deixar ficar juntos quando ela descobriu que estávamos saindo pelas suas costas por alguns meses. Ela teve objeções - ao saber, sobre minha capacidade de jogar futebol enquanto estava namorando, porque e minha mãe sempre insistiu que nada deveria tirar meu foco do jogo mas quando ganhei todos os jogos daquele ano, conseguimos acalmá-la. Também fazia sentido comprar um anel para ela e a pedir em casamento. O que não faz sentido é que estou aqui, na biblioteca da escola, vendo sua irmã mais nova subir na escada para pegar um livro para ela mesma. Não estou apenas olhando para ela, estou observando a curva de sua coluna e a inclinação de sua cintura. Estou observando a sua bunda durinha. Para mim, ela sempre foi a irmã mais nova de Sarah. Uma criança no fundo plano que odiava o frio, mas amava sorvete. Sempre achei que era uma combinação bem estranha, mas tanto faz. Eu também me lembro de minha mãe dando um sermão sobre suas notas ruins, o seu toque de recolher e essas coisas. Sarah também reclamava dela, de vez em quando. Mas, honestamente, eu não me importava. Nada sobre Salem jamais me afetou. Não até agora. Não até que a vi no bar com o seu cabelo rebelde, todo solto e espalhado sobre os ombros, seus olhos estreitados, suas bochechas coradas -

Página 134 de 551 tão coradas que era visível no espaço escuro - e seus lábios, separados e pintados de escuro. À primeira vista, ela parecia Sarah. Os mesmos olhos dourados, o cabelo da mesma cor, o mesmo nariz empinado. A mesma pele pálida, parada ali me repreendendo por beijar outra pessoa que não era a sua irmã; honestamente, eu nem acho que a ouvi falar antes daquela noite. Mas então, percebi as diferenças. Como o formato de seus olhos. Eles podem ser da mesma cor que os de Sarah, raros, mas eles se arqueavam nos cantos. Eles se inclinam para cima, fazendo-os parecer que ela está sempre tramando algo ruim, algo travesso. Também o seu cabelo. Ao contrário de Sarah, o seu cabelo é encaracolado. Tanto que salta quando ela caminha, independente de seu corpo. Como se tivesse uma mente selvagem própria. Assim como seus lábios. Eles são mais carnudos, muito mais carnudos. Como se sua boca gostasse de se exibir e ser a estrela de todas as fantasias. E sua pele. É clara, mas é marcada por minúsculas sardas em forma de pontos. Elas se espalham em sua pele como um incêndio, novamente com uma mente própria, em seu nariz e sob seus olhos arqueados. Treze. Eu vi isso no campo de futebol ontem. Treze sardas no nariz e sete no total sob os olhos. Eles se moveram quando a humilhei na frente de todos. Eles se moveram quando ela ergueu o

Página 135 de 551 queixo desafiadoramente e se virou para a multidão na frente da qual eu a crucifiquei. Eu sei que estava sendo um pouco duro, mas ela merecia. Ela merecia magnificamente.

minha

ira

por

jogar

daquela

forma.

Tão

Tão gloriosamente, porra. Como eu não sabia disso sobre ela? Ela morava com minha família. Ela morou na porra da minha casa por anos e eu nunca soube disso. Nunca soube que ela brilha mais forte do que qualquer estrela que já vi no campo de futebol. Isso foi um choque tão grande. Uma traição... de alguma forma, que eu nunca fui informado disso. É por isso que não conseguia parar de olhar para ela, observando-a mover suas pequenas pernas de um lado para outro no campo. É por isso que não conseguia olhar para mais ninguém. Ela me forçou, não foi? Ela me forçou a olhar para ela. Ela me pegou de surpresa, me distraiu das outras jogadoras e me deixou descuidado no meu trabalho. O que mais eu não sei sobre ela? O que mais ela está escondendo? Então, sim, Salem Salinger merece minha ira. Ela merece a minha raiva por invadir a minha vida como uma tempestade. Por ser uma quebradora de regras, e eu absolutamente odeio quebradores de regras.

Página 136 de 551 Ela merece minha ira por me afetar do jeito que ela me afeta.

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Sra. Miller, minha orientadora, ouviu o que aconteceu no campo de futebol ontem. Durante nossa primeira reunião, quando ela me diz que preciso limpar seu quarto nas próximas semanas, não fico surpresa. Minhas novas amigas me disseram que é isso que Miller faz. Ela abusa de seu poder de pequenas maneiras e ninguém diz nada a ela. Porque Leah está sempre ocupada com suas conferências e então ela deu a Miller - que mora no campus, a propósito - as rédeas deste lugar. Eu provavelmente deveria ficar quieta e sair do escritório de Miller agora que terminamos. Eu não sou sua pessoa favorita e com razão. Criei uma cena no campo de futebol. E ainda por cima, joguei errado e fui colocada no meu lugar. Por isso, não estou nem um pouco brava com Arrow. Eu não estou. Quer dizer, ele não precisava ser tão idiota, mas ele estava certo. Eu não estava tentando jogar pelo time. Eu estava tentando jogar para ele e isso estava errado. Portanto, o melhor plano é ir embora. Mas eu não vou. Porque eu quero dizer algo primeiro. — Sabe, eu sei que você me odeia. Sei que você acha que eu sou um problema e não te

Página 138 de 551 culpo. Entendo. Eu estou aqui, não estou? Mas Leah e Arrow, eles não me tratariam de forma diferente só porque eu moro com eles. – eu lambo meus lábios. — Eu só pensei que você deveria pelo menos saber disso. Miller levanta os olhos de sua mesa. Ela já tem um bloco de notas aberto e uma caneta de tinta de aparência antiquada pronta em suas mãos. — O fato de você ter chamado a sua diretora e seu treinador pelos primeiros nomes me diz tudo o que preciso saber. – Seus olhos estão estreitados. — Muitas pessoas aqui não se importam com o que as alunas fizeram antes de serem enviadas para St. Mary's. Eles estão prontos para dar a essas garotas uma segunda chance. Mas eu não sou um deles. O que você fez e o motivo pelo qual está aqui definem você. E então eu estarei observando você com muito, muito cuidado. E então ela volta ao seu caderno e eu me levanto da minha cadeira de madeira - ela tem cadeiras especiais para as sessões com as garotas e saio da sala, com as coisas ainda piores do que antes. Eu deveria ter mantido minha boca fechada. Só queria ter certeza de que ela não culpou os Carlisles por nenhum dos meus maus comportamentos. Mas lição aprendida. Não vou dizer coisas desnecessárias agora. Não na frente da Sra. Miller. E vou aprender a chamar Leah e Arrow por suas designações adequadas. Vou me lembrar de que ela é minha diretora agora e ele é o meu treinador. Meu treinador. Meu treinador. Meu treinador. Horas depois, ainda estou repetindo isso na minha cabeça enquanto subo a escada para pegar um livro, lá no fundo da biblioteca.

Página 139 de 551 E talvez porque meu foco está em meu novo treinador, meu pé escorrega no meu caminho para baixo e meu livro cai, caindo no chão com um baque, e eu sei que serei a próxima. Eu sei que em dois segundos vou cair e quebrar meu pescoço e fecho os olhos e agarro o degrau da escada com força, gritando e, ai meu Deus, eu... Porém, do nada, tudo para de se mover e eu sinto uma mão - uma mão grande e gigante - na parte inferior das minhas costas. Uma mão quente. Não, espere. Existem duas mãos. Sim, duas delas, uma na parte inferior das minhas costas e outra na minha frente - meu estômago, me estabilizando e a escada. Com meu peito movendo para cima e para baixo, abro os olhos e abaixo a cabeça para olhar para eles, os braços agarrando meu corpo minúsculo e me impedindo de cair. Eles são bronzeados e com um pouco de pelos escuros, mais escuros do que os cabelos loiros escuros de sua cabeça. Existem veias tensas aparecendo logo abaixo de sua pele bronzeada pelo sol. Deus, eles são musculosos e grossos, seus braços. E só fica melhor a partir daí. Seus braços só ficam mais fortes e mais curvos e flexionados quanto mais alto eu vou, em direção a seus ombros, saindo de sua camiseta cinza. E eu percebo que ele me pegou. Ele evitou minha queda.

Página 140 de 551 Com o pensamento, meus olhos viram e pousam em seu rosto para encontrá-lo olhando para mim. — Você me pegou. – eu repito meu pensamento em um sussurro disfuncional e ofegante. Seus olhos escuros brilham. — Você estava caindo. Eu ia agradecê-lo, mas algo mais escapa da minha boca. — Eu não… — Você não fez o quê? – ele diz rispidamente. — Eu não sabia que seus olhos podiam fazer isso. — Fazer o que? Eu os observo por um momento. Eu observo sua cor, as manchas escuras, suas pupilas cada vez maiores e os cílios grossos como a mata que nos cercam. — Tornar-se escuro assim. Azul-marinho. Sempre pensei que seus olhos pareciam como os céus de verão. Como preguiçosas tardes de domingo e passeios de bicicleta e... – eu paro quando seu controle em meu corpo se adapta. E eu percebo outra coisa. Que ele está me tocando. Quer dizer, isso é óbvio; ele apenas parou minha queda, mas eu não tinha percebido que suas mãos estão bem abertas no meu torso. E que seus dedos são tão grandes e largos e tão dominantes na presença deles que, quando ele crava as pontas dos dedos em minha pele, sinto tudo de novo. Eu sinto tanto que respiro fundo pelos lábios entreabertos.

Página 141 de 551 — Você gosta dos meus olhos, não é? – ele murmura, observando minha boca por um segundo. E eu não posso ajudar, mas aceno. — Sim. — Céus de verão. Domingo à tarde e... – ele faz uma pausa, com um ligeiro franzido aparecendo entre as suas sobrancelhas. — E qual foi o último? — Ah, passeios de bicicleta. – digo automaticamente. Algo na minha resposta o fez mover o polegar no meu abdômen e, se eu já não estivesse prendendo a respiração, engoliria agora. Iria engolir, acabar com isso e nunca mais respirar porque ele está movendo seu polegar, circulando-o. Sei que é apenas através de camadas de tecido, mas nunca pensei que o leve toque de seu dedo contra o meu corpo seria tão hipnotizante. — Passeios de bicicleta, sim. – ele murmura, balançando a cabeça. — Essa é uma lista e tanto. — Eu... Aqueles olhos dele ficam intensos então, encobertos, quando ele responde para mim: — Quer dizer, estou acostumado com minhas fãs gritando meu nome e todas as coisas que querem que eu faça com elas, mas você é a primeira fã a falar poeticamente sobre meus olhos. Minha coluna se endireita com isso. Excelente. Ele está zombando de mim novamente. — Eu não sou sua fã.

Página 142 de 551 — Tudo bem. Não é você, sou eu. Eu sou simplesmente encantador. As garotas não param de pensar em mim. — Encantador. Sim, não acho que você precisa se preocupar com isso comigo. Definitivamente posso resistir aos seus supostos encantos. Ele me ignora, com seus lábios se curvando em um sorriso e seu polegar circula em volta do meu umbigo. — O que mais você gosta em mim? Minhas maçãs do rosto, talvez? Isso parece ter um efeito devastador sobre a população feminina. Eu aperto meus punhos em torno do degrau da escada. — Sabe, você é um babaca. Ele se inclina mais perto, com as palmas das mãos pressionando ainda mais em meu corpo. — Você também tinha meu papel de parede no seu computador? Seu celular, talvez? Não é isso que as garotas fazem? — Não sei. Por que você não pergunta a elas? — Estou lhe perguntando. Você também é uma colegial, não é? Eu olho para ele e ele ri. — Está tudo bem, você pode me dizer. E talvez eu faça por você aquilo que toda fã quer que eu faça. — Que coisa? Ele circula o polegar em volta do meu umbigo. — Dar um autógrafo em seu peito. – ele abaixa um pouco a voz. — Bem onde está o seu coração. Meu coração de bruxa, meu coração de feiticeira - dispara e meu peito lateja e fico de pé na frente dele antes de fazer algo como arrancar

Página 143 de 551 minha camisa e pedir a ele para escrever no meu corpo. — Sabe? Apenas me solte. Não sei como é possível, mas os seus lindos e malditos olhos sorriem para mim também. Antes que ele os abaixe. — Você sabe que está usando chuteiras de futebol. – ele levanta os olhos. — Não é? — Sim. — E você está ciente de que não deveria? Eu expiro fortemente e aposto que ele pode sentir isso. Aposto que ele pode sentir cada pequena contração do meu corpo porque ainda não me soltou. Suas mãos ainda estão me segurando, fazendo minha pele esquentar, fazendo minha raiva aumentar também. — Ora, essa é outra de suas regras? Ele balança a cabeça lentamente. — Não. É bom senso. Você não as usa fora do campo. Porque elas fazem você cair. Eu sei, ok Eu sei. Eu sei que você não deve usá-las fora do campo. Eu não preciso que ele me diga isso. Eu não preciso que ele continue me segurando assim também. Então dou a ele um doce sorriso falso que novamente faz seus lábios se arquearem de um lado. — Obrigada pela lição improvisada, treinador. Agora, você vai me soltar ou não? Ele acena com a cabeça em reconhecimento. — Por nada. E eu vou. Depois de você descer no chão. Ilesa. Então eu desço.

Página 144 de 551 Eu desço a escada e fico no chão. Para que eu possa ficar longe de sua mão, e dele e de todos esses sentimentos tumultuados dentro de mim. Tumultuados, provocantes e inquietos. Assim que os meus pés estão no chão, suas mãos me soltam, enviando uma sensação de frio para os pontos onde ele estava me tocando. Mas eu não presto atenção a isso. Para o quanto estupidamente desolada eu me sinto agora que ele não está me segurando e me salvando. Em vez disso, me curvo para recuperar meu livro caído e agarro-o contra o peito, ficando longe dele. — De onde você veio? Minha pergunta é feita com agitação, o que é completamente o oposto de como ele aparenta. Assim como no bar depois de insultar a garota, ele se inclina contra a estante e cruza os braços sobre o peito, juntando os peitorais. — Eu estava aqui procurando um livro. – ele responde, todo calmo e sereno. — Sorte para você. — Um livro sobre o quê? – pergunto, novamente um pouco agitada por ele poder parecer tão controlado quando estou toda nervosa. — Sobre futebol. Eu franzi a testa. — Você quer dizer treinar? — Sim. Para treinar. Ele diz treinar com os dentes rangendo e eu seguro o livro contra o peito ainda mais forte. — Você é realmente meu treinador de futebol agora? — É o que parece.

Página 145 de 551 — Por quê? Tipo, eu entendo a separação - por mais difícil que ainda seja de acreditar - e sua suspensão do time. Mas eu não entendo como tudo isso o levou a se tornar um treinador em St. Mary’s. Ele contrai a mandíbula por um segundo antes de dizer casualmente: — Porque a minha mãe achou que ensinar um bando de colegiais seria uma boa maneira de eu passar o tempo enquanto estou aqui. Recuperando-se de uma lesão. E o que posso dizer, nunca poderei recusar nada à minha mãe. — Mas isso ainda não... Ah, faz sentido. Agora faz todo o sentido. Leah está fazendo com ele o que fez comigo. Tentei fugir com dinheiro roubado e por isso ela chamou a polícia antes de me mandar para cá. Ela está fazendo o mesmo com ele. Ele deu um soco em seu assistente técnico e foi suspenso do time, então ele está aqui, ensinando um bando de colegiais de que ele não gosta. — Ela está punindo você, não está? – eu concluo enquanto ele me observa atentamente. — Mas isso é tão louco. Você apenas cometeu um erro. Você estava irritado com a separação e você deu um soco nele, mas... O músculo em sua bochecha começa a pulsar e eu paro. Ah, merda.

Página 146 de 551 Eu simplesmente acabei contando tudo, não foi? Eu contei o que eu sei. Eu sei da história verdadeira sobre sua lesão falsa. E eu fiz isso, mesmo quando a minha irmã me disse para não abrir minha boca grande. Caramba. — Então você sabe. – ele diz baixinho, perigosamente, e eu engulo. — Não vou dizer nada. – digo, baixando a voz porque, pela primeira vez, percebo como o espaço é silencioso ao nosso redor. O quanto público. Estamos em uma biblioteca. Claro, o espaço é silencioso e público. Há alunos sentados na frente, estudando. Graças a Deus estamos nos fundos, cercados por volumes grossos e empoeirados. — Como? – ele pergunta. — Mi... minha irmã. Eu liguei para ela e a forcei a me contar. — Mas você não deveria estar fazendo ligações. Novamente, ele está falando em um tom muito suave e baixo, mas eu vacilo, no entanto. — Bem, eu quebro as regras, não é? – Seu rosto permanece inexpressivo com a minha declaração e seus olhos continuam observando e, por algum motivo, eu continuo explicando. — Então foi isso que eu fiz e liguei para ela. Mas só porque vocês terminaram e eu estava... — Preocupada. – ele fala por mim.

Página 147 de 551 Eu aceno com a cabeça. — Sim, e ela me contou tudo. — Ela contou. — Sim, e agora eu sei o seu segredo. E é então que me ocorre. Este é o seu segredo. O fato de que sua lesão é falsa e que ele não está se recuperando. Ele está aqui porque foi expulso de seu time por socar alguém. Eu sou a guardiã do seu segredo. Eu sou a guardiã dos seus segredos desde os dez anos de idade e ele me pediu para não contar a sua mãe sobre a caixa de suco e eu deixo escapar o que queria dizer naquela época. — Não vou contar a ninguém. Nunca. Seu segredo, eu quero dizer. — E o que ela disse a você? Qual é o meu segredo? – ele pergunta, com seus braços ainda cruzados, mas não há nada casual sobre ele agora. Nem uma só coisa. Não a maneira como ele está me olhando com olhos escuros e não a maneira como os seus ombros ficaram rígidos. Até mesmo seus bíceps estão permanentemente em modo tenso. — Que vocês tiveram uma grande briga na noite anterior e vocês estavam irritados. E você foi para o treino bêbado. – eu começo em um sussurro, olhando para ele, vendo o quanto ele fica mais tenso com cada palavra minha. — E você descontou no primeiro cara que viu. Se... seu treinador assistente, Ben. Você bateu nele tanto que eles tiveram que suspendê-lo pelo resto da temporada e mandá-lo para uma terapia de controle da raiva. E... e eles mentiram para encobrir tudo.

Página 148 de 551 Em algum momento depois que eu terminei, ele só me encara. Ele me encara e me encara e eu sinto que ele não vai dizer nada. Mas então, ele diz. Ele diz uma palavra abafada. — Impressionante. E estranhamente, sua resposta curta me faz falar, faz todas as palavras escaparem da minha boca. — Mas você não é assim. Você não está com raiva. Você é calmo, disciplinado e sensato. Você sempre foi. A razão pela qual você ficou com raiva foi porque você estava chateado. Você estava chateado com a separação. Você estava sofrendo. Porque você amava a Sarah. Você ainda ama. É por isso que você está com raiva. É porque você está sofrendo. E você descontou na primeira pessoa que viu. Não sei o que esperava depois de terminar meu discurso apressado e apaixonado. Talvez eu estivesse esperando que ele o rejeitasse ou fizesse uma piada ou um comentário sarcástico. Mas eu não esperava que ele se movesse. Não sabia que minhas palavras tinham o poder de fazê-lo inclinar-se para longe da prateleira e descruzar os braços. Eu não sabia que minhas palavras exporiam suas juntas dos dedos esfoladas quando ele abaixasse seus braços fortes. Não estão tão inchadas e feridas como pareciam na semana passada, mas ainda há um pouco de vermelhidão e alguns hematomas. Mas eu não tenho tempo para observá-las mais porque ele está caminhando em minha direção, se aproximando, e seus olhos têm um olhar intenso neles. Tão intenso que empurra meu corpo. Ele me faz recuar. Recuo enquanto ele fica cada vez mais perto, com os seus passos batendo no chão de cimento.

Página 149 de 551 Assim que a minha coluna atinge a estante, ele se aproxima, prendendo-me de forma eficaz. Entre a estante de madeira com livros grandes e grossos e seu corpo que tem um peito largo, musculoso e uma cintura fina e cônica. Sem mencionar coxas poderosas, envolvidas em um jeans. — Você está certa. – diz ele, baixando o rosto em minha direção. — Estou com raiva. E chateado e fodido da cabeça. E eu descontei nele e gostei. Eu o teria matado se eles não tivessem me afastado. Então, sim, estou furioso pra caralho e estou furioso o tempo todo. Eu engulo, abraçando o livro com mais força, sentindo a dor em suas palavras guturais. — Eu sinto muito. Mas ele ignora completamente e segue em frente. — Mas não posso sair por aí socando as pessoas, posso? Não posso sair por aí quebrando as coisas tanto quanto eu quero. — Não, você não pode. Ele se inclina ainda mais perto então. Na verdade, ele levanta o braço e agarra a prateleira logo acima da minha cabeça. Eu juro, que sinto a estante de livros parecida com uma montanha balançar sob seu controle. — Então é por isso que eu estava no bar naquela noite. – ele sussurra e sua corrente move contra sua camiseta em decote V. — O bar? Ele concorda. — Eu estava procurando uma distração. Demoro um momento para entender o que ele está dizendo e quando entendo, abraço o livro com tanta força que a encadernação machuca

Página 150 de 551 meu peito e meus braços. — A garota que você estava beijando. – eu sussurro. — Você estava procurando alguém para... Fazer sexo. É isso que ele quer dizer, não é? Ele estava procurando de um caso de uma noite. Alguém para aliviar a dor, e tenho que respirar devagar para processar isso. Para processar o fator que o cara por quem estou apaixonada, o exnamorado da minha irmã, estava procurando uma garota para foder. — Sim. – Seus olhos escuros piscam por um segundo enquanto ele concorda comigo. — Estava procurando por alguém e a teria encontrado. Mas então você apareceu. Eu mordo meu lábio. — Eu… — Toda cabelo bagunçado e bochechas coradas. – Seu olhar vagueia pelo meu rosto antes de pousar na minha boca. — E lábios pintados de escuro, e arruinou tudo. Eu estremeço com seu tom áspero. Mas não acho que ele perceba porque fica olhando para eles, meus lábios, e tenho a sensação de que ele está pensando sobre eles pintados. Ele está pensando sobre o batom que eu usei e não consigo parar de sussurrar: — E... se chama Teenage Decay. Ele levanta os olhos e dá aquela lambida lábios que fez no campo de futebol. Onde língua aparece e dá uma leve lambida em lábio inferior carnudo e onde tenho que ir frente e fazer o mesmo.

nos sua seu em

Página 151 de 551 Porque é ainda tão inacreditável para mim. Esse movimento sexy dele. — Teenage Decay. – ele repete em um sussurro, e eu sinto a estante balançar na minha coluna novamente enquanto ele a agarra com mais força. — Combina com você. Ou pelo menos, eu acho que sim. Porque esse é o problema, entende. Eu não sei. — Você não sabe o quê? Ele aponta o queixo para mim, me analisando como se eu fosse um quebra-cabeça ou algo assim. — Você. Eu não sei nada sobre você. Até agora, não sabia que você jogava futebol. Não sabia que você tinha talento para poesia esfarrapada. Eu não sabia de nada. Sobre você. A garota que sabe muito sobre mim. Você quer, não é? Para tirar todas as conclusões sobre mim. Sobre meu sofrimento. Ah, ele não tem ideia. Ele não tem ideia de tudo que sei sobre ele, e eu também não quero dar a ele nenhuma ideia. Então, tento agir de maneira casual e encolher os ombros, mesmo que pareça estranho. — Ah, sim. Morávamos na mesma casa. Por anos. E... e como eu disse antes, você estava ocupado com futebol e outras coisas. — Bem, novamente sorte a sua. Não estou ocupado agora, estou? Eu olho para o lado. — Não entendo. E como se em resposta a mim desviando meus olhos, ele levanta o outro braço também, agarrando a mesma estante ao lado da minha cabeça, fazendo uma prisão com seus membros e peito. Portanto, nunca mais desviei o olhar dele. — Quem te ensinou a jogar futebol assim?

Página 152 de 551 — Assim como? Do canto dos meus olhos, vejo seu bíceps se contraindo. — Tão magnificamente. — O que? Sua mandíbula fica tensa enquanto ele continua olhando para mim. — Sim. Acho que nunca vi um talento assim. Eu pressiono minhas costas na estante e levanto meu pescoço. — Ma... mas você disse todas essas coisas e... A estante se move novamente e se ele continuar pressionando assim, todos os livros cairão. E abrir um buraco no chão e eu vou cair. Eu vou cair e continuar caindo. Caindo e caindo. Por ele. Ele franze a testa. — Eu disse porque eram verdadeiras. Talento por si só não significa nada. Você tem que aprimorar isso, torná-lo melhor, canalizá-lo. Eu poderia te ensinar. — Desculpe, o que? — Eu poderia. Nem tenho tempo para me concentrar em seu elogio, me concentrar no fato de que ele usou a palavra magnificamente. Meu jogador favorito disse que eu jogo magnificamente. Porque então ele diz: — Com uma condição. — Qual condição?

Página 153 de 551 Ele se aproxima então, inclinando seu corpo ainda mais. Com os braços levantados e colocados ao meu lado, parece que ele está fazendo flexões e sua corrente de prata está balançando de uma forma hipnotizante. Ele aponta sua mandíbula para mim. — Apenas me diga se isso é sua praia. — O que é minha praia? — Roubar. – Antes que eu possa responder a isso, ele continua. — Porque isso é meu, não é? Essa camiseta que você está vestindo. Eu paraliso. Praticamente congelo e entro em combustão ao mesmo tempo em que fico ciente - muito desconfortavelmente ciente - do que estou vestindo agora. Sua velha camiseta. Aquela que roubei depois que ele foi para a Califórnia. E ele pode ver, o mundo inteiro pode ver porque não estou usando meu suéter grosso como costumo fazer. Porque, desde que ele me humilhou no campo de futebol, um dia atrás, tenho me sentido tão quente e com calor que nunca mais o tenho usado. Eu até prendi meu cabelo e amarrei em um rabo de cavalo para deixar meu pescoço à mostra. — Eu... eu não... — É minha, não é? – ele me prende com os olhos, me imobiliza como fez no bar, como se eu fosse um pássaro. — Lembro-me de ter jogado fora ou algo assim há muito tempo. Mas talvez não tenha jogado longe o suficiente. Longe o

Página 154 de 551 suficiente de seus dedos pegajosos. Então, isso é sua praia? Roubar? Camisetas. Dinheiro. Eu me pergunto, o que mais você roubou? Não que eu me importe. Quero dizer, é uma camiseta velha e um pouco de trocados. Mas estou apenas tentando conhecê-la. Moramos na mesma casa por anos e eu estava ocupado com outras coisas. O que é uma pena, realmente, porque eu deveria estar prestando atenção em você. A irmã mais nova. Você cresceu e está bonita. Ele disse tantas coisas agora. Tantas, muitas coisas que não sei em qual focar. Não sei o que mais merece minha atenção: o fato de que ele basicamente me chamou de ladra ou o fato de que ele disse que eu cresci e estou bonita, e agora ele está me olhando de cima a baixo. Porque ele está. Seus lindos lábios estão virados para cima em um sorriso frio e ele está me olhando como... como se eu fosse uma boneca ou algo assim. Um objeto. Que ele está de olho e eu quero ficar longe dele. Mas estou paralisada. Meus pés estão colados porque, apesar da maneira fria e calculista com que ele está olhando para mim, meu coração de bruxa ainda está batendo como um tambor. Meu estômago estúpido ainda está apertando e quando ele finalmente olha para o meu rosto e lambe os lábios daquele jeito novo dele, eu aperto minhas coxas. Eu encolho meus dedos do pé. — Então, eu tenho uma proposta para você. – ele sussurra com os olhos estreitados. — Que proposta?

Página 155 de 551 — Vou te ajudar com o seu futebol, se você me ajudar com o meu. — Ajudar como? — Seja minha distração. — Distração. Ele balança a cabeça e de alguma forma seu cheiro se tornou mais forte e o espaço ao meu redor ficou mais escuro. É como se ele estivesse bloqueando toda a luz com seu grande peito e me drogando com seu cheiro almiscarado e delicioso. Ele está me encharcando como se fosse gasolina e não tenho escolha a não ser pingar, pingar, pingar com seu cheiro. — Sim, distração. Minha aventura. Você sabe tudo sobre mim. Você sabe que estou com raiva, magoado e chateado. Você sabe que não posso jogar quando estou assim. Então por que não? Além disso, você estragou tudo para mim, outra noite. É justo que você me recompense agora. O que você diz? Quer ser minha distração, Salem? Meu estômago aperta quando ele diz meu nome em um sussurro. Em um sussurro rouco e áspero que desce pela minha coluna como as gotas de suor que seu calor está causando. — Eu preciso… Pensar. Ir embora. Cair fora. Dar em cima de você. Meu cérebro está em curto-circuito agora. Todos os fios, todos os nervos do meu corpo estão enlouquecendo e se entrelaçando uns nos outros, incendiando como um louco. E suas próximas palavras não ajudam em nada. — Vamos lá, você parecia com muito

Página 156 de 551 ciúme no campo de futebol. Você não achou que eu notaria? Vi a maneira como você ficou indignada. Foi muito engraçado, na verdade. Não gosto de garotas, mas é divertido brincar com elas. É divertido brincar com você. Além disso, como eu já disse, as garotas sempre me acharam irresistível e sei que você não está imune. Então, se você tem uma pequena queda por mim, ninguém iria culpar você. Principalmente agora. Eu não estou mais com sua irmã. Esta pode ser a sua vez. Sua maldita oportunidade de ouro. Minha vez. Esta pode ser a minha vez. Ele tem razão. Eu estava com ciúmes. E agora eu sei que ele estava flertando com aquelas garotas para me provocar. Eu tenho uma queda por ele, só que a minha paixão parece amor, uma grande e condenada. Absorvendo tudo. Isso é amor. Tem sido amor há anos. Por oito anos infelizes quando chorei em meu travesseiro, escrevi cartas secretas para ele, fui caidinha por ele, ansiava por ele, o observava. Porque ele estava apaixonado por outra pessoa. Estava apaixonado pela minha irmã. Mas ele não está mais com ela, está? Eu sei que prometi a mim mesma que ficaria longe dele e o manteria a salvo de meus avanços. Mas é ele quem está sugerindo e está sofrendo e...

Página 157 de 551 E então, eu não estou pensando em nada porque ele está me tocando novamente. O polegar que ele estava movendo para frente e para trás no meu abdômen está agora no canto da minha boca. Arrow usa aquele polegar áspero para traçar a curva do meu lábio inferior que começou a tremer. Meu corpo inteiro começa a tremer quando ele puxa meu lábio, me fazendo separar minha boca. Fazendo-me arquear minhas costas e ser puxada em direção ao seu corpo. — Sem mencionar que esta pode ser sua vingança. – ele puxa meu lábio com mais força e fico na ponta dos pés. — Sei que seu relacionamento com sua irmã é complicado. Há anos. Talvez você possa se vingar dela. Nós dois poderíamos. Tudo que você precisa fazer é dizer sim. Ele ainda está movendo o polegar para frente e para trás, ainda olhando para mim com olhos brilhantes, e meu corpo ainda está se pressionando contra ele como uma idiota apaixonada. Talvez seja por isso que demore um segundo para entender o seu significado. Vingança contra minha irmã. Por ter um relacionamento complicado com ela. Ser uma distração para Arrow pode ser minha vingança contra minha própria irmã. Assim que entendo isso, algo se agita dentro de mim. Algo que me dá tanta força que levanto o braço e afasto seu polegar. Não só isso, uso a

Página 158 de 551 palma da mão para dar um tapa nele, em sua dura bochecha. E eu não faço isso apenas uma vez. Eu faço isso duas vezes. Eu faço isso com tanta força que minha palma arde com o impacto. Mas nele, quase não há efeito. Exceto pelo inflar das suas narinas e pelo tique da mandíbula, ele não parece afetado. — Você é um porco. – digo a ele com uma voz vibrante. — Você sabe disso? Você é um idiota. Não posso acreditar que disse isso para mim. Não posso acreditar que você faria... Eu nunca vou fazer isso com minha irmã, entendeu? Nunca. Isso me machucou, realmente me machucou que vocês terminaram. Porque vocês estão sendo estúpidos e teimosos e eu queria que vocês voltassem. Queria ajudar vocês a voltarem. Deus, sou uma idiota, não sou? – eu balancei minha cabeça. — Fique longe de mim. E fique longe da minha irmã. Ela está melhor sem você.

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Minha palma ainda arde. Já se passaram vinte e quatro horas e eu acho que a palma da minha mão ainda brilha escarlate. Com a qual eu o toquei. Pela primeira vez, ainda por cima. Sim, a primeira vez que realmente toquei no cara que amo, bati nele. Não uma, mas duas vezes. E ele mereceu, aliás, por me dizer aquelas coisas horríveis. Não vou fingir que sou algum tipo de santa, uma boa menina. Cometi o crime de me apaixonar pelo namorado da minha irmã. Cometi o crime de desejá-lo, cobiçá-lo e observá-lo enquanto ele estava com ela. Sempre me considerei perigosa, uma bomba-relógio. É por isso que eu estava fugindo naquela noite. É por isso que vou fugir quando tiver minha chance novamente. Mas nem uma vez, nem em toda a minha vida, eu pensei coisas desprezíveis sobre minha irmã. Se eu tivesse explodido como uma bomba que sou, teria feito isso por amor. Eu teria feito isso porque meu coração ficou maior do que o normal com desejos errados e anseios secretos que explodiu em meu peito por conta própria. Não por vingança. Nunca por vingança. E não vou deixá-lo ter pensamentos tão desprezíveis também. Não posso deixá-lo ficar

Página 160 de 551 tão zangado, magoado e infeliz. Tão infeliz que está pensando em machucar outra pessoa. Então, eu tomei uma decisão. Isso terá duas partes. A primeira parte inclui fazer com que ele se desculpe comigo. Sim, estou forçando-o a se desculpar e ser legal. Porque não posso viver em um mundo onde Arrow Carlisle é um idiota de primeira. Não posso aceitar o fato de que o cara por quem estive apaixonada por oito anos seja mau e cruel. Então, vou forçá-lo a ser decente. E a segunda parte é acabar com seu sofrimento de uma vez por todas. Eu sei que minha irmã me pediu para não interferir. Eu sei. Mas eu vou. Porque ele está sofrendo e ela deve estar sofrendo também. Rompimentos são difíceis e se eu puder fazer algo para conter o sofrimento deles, então farei. Além disso, isso é o mínimo que posso fazer depois de trair minha irmã em segredo por anos. Embora eu não tenha certeza de como vou realizar essa grande façanha. Mas estou trabalhando nisso. Por enquanto, porém, preciso fazer com que ele se desculpe comigo. Eu procuro por ele o dia todo na escola, mas não o vejo em lugar nenhum. Ele também não está em seu escritório; Eu fui e verifiquei. Eu até queria perguntar a treinadora TJ sobre ele, mas me contive para não parecer excessivamente íntima e ultrapassar meus limites. Quando a escola acaba e a noite cai, nós escapamos novamente.

Página 161 de 551 Desta vez a ideia é minha. Porque, como uma idiota, acho que posso vê-lo novamente no bar como na semana passada. Posso encontrá-lo lá, procurando sua próxima distração. Meu peito aperta quando eu penso nisso. Quando eu penso nele procurando uma maneira de se livrar de toda a sua raiva. Quer ser minha distração, Salem? Eu queria, não queria? Deus, quanto eu queria isso. Eu teria dito sim. Eu ia dizer sim. Eu ia dizer sim para me tornar sua distração, um objeto que ele usa, só porque sou louca de amor por ele. Se ele não tivesse dito aquelas palavras. Se ele não fosse um idiota gigante. De qualquer forma, estamos no bar agora. Como da última vez, estou com batom. Ele é chamado de Dream Broken Darling8, um tom melancólico e escuro de marrom coral, que combina perfeitamente com meu humor. Assim como a música que está tocando alto: "Sad Girl" de Lana Del Rey, a rainha que faz música para garotas condenadas e com o coração partido como eu. Minha mente está na música e meus quadris já estão movendo com ela, e provavelmente é por isso que eu não vejo o obstáculo na minha frente até que eu bato em suas costas.

Dream Broken Darling: no literal, seria algo como “queridos sonhos despedaçados”, optamos por deixar como no original. 8

Página 162 de 551 É a Wyn. Que por sua vez se choca com Poe, que se choca com Callie. Saindo da minha melancolia, eu franzo a testa. — E aí? Por que estamos parando? Wyn encolhe os ombros, esfregando o seu ombro. — Porque, por algum motivo, Callie se transformou em uma estátua e não se move. Estamos parados a poucos metros da porta quase em fila e Wyn está certa; Callie, que está na frente, parou de se mover. O resto de nós sai de nossa formação para ficar ao lado dela. — Callie, o que houve? – pergunto, tocando o seu cotovelo timidamente. — Nada. – ela diz, com seus olhos focados em algo e seus lábios mal se movendo. — Então por que você não está se movendo? – Poe pergunta. Callie murmura algo indecifrável e sigo seu olhar para me encontrar olhando para um cara. Para um cara lindo, na verdade. Pela primeira vez desde ontem, minha mente está pensando em outra coisa. E essa outra coisa é esse cara que Callie está olhando. Ele tem cabelo escuro que é meio espetado e bagunçado na parte superior, como se ele tivesse o sério hábito de passar os dedos por ele. E olhos escuros. Caramba, aqueles olhos são tão brilhantes e misteriosos. Como joias escuras.

Página 163 de 551 Ele está em frente a nós, entre um grupo de pessoas. Pelo que posso ver, esse cara parece estar no centro de tudo. Todo mundo - principalmente garotos e algumas garotas - está de alguma forma falando com ele ao mesmo tempo. Todos estão olhando para ele ao mesmo tempo. Provavelmente porque, primeiro, ele é mais alto do que todos no grupo e, segundo, porque parece entediado. Ou talvez seja sua expressão facial, parecendo arrogantemente entediado com tudo ao seu redor. Bem, nem tudo. Porque em questão de segundos, seus olhos de cor escura pousaram sobre a única coisa que o interessa. Minha amiga Callie. Seus traços suaves mudam. Eles se deformam e se transformam para mostrar uma leve surpresa antes que um franzido apareça entre suas sobrancelhas. Ele contrai a mandíbula sem barba também - muito mais lisa em contraste ao seu cabelo bagunçado - com o que só posso descrever como desdém. Confusa, olho para longe dele e olho de novo para Callie, e quando encontro a mesma expressão em seu rosto, as coisas de repente se encaixam. — Ele é... o cara culpado por você está no St. Mary? – pergunto a ela, lembrando da história que ela nos contou sobre como ela acabou em St. Mary's. Então, uma noite, durante o jantar, todas elas compartilharam suas histórias de como acabaram em St. Mary's.

Página 164 de 551 Wyn, que mora em uma cidade rica vizinha chamada Wuthering Garden, foi enviada para cá por seus pais porque ela teve uma briga com eles sobre se inscrever em curso de arte quando chegasse a hora. E ela ficou com tanta raiva que pichou o carro de seu pai. Embora, eu não consiga imaginar Wyn ficando com raiva com seus olhos cinza e voz suave. Ela é uma artista nata. Uma garota sonhadora. Poe, que é de Middlemarch, outra cidade vizinha, foi enviada para cá por seu guardião porque ela o pregou uma peça e ele se cansou de escorregar em cascas de banana e encontrar sapos no meio de sua cama. Eu posso definitivamente ver Poe fazendo algo assim. Ela é uma garota que adora problemas, e digo isso com todo o amor em meu próprio coração problemático. Então foi a vez de Callie. — Bem, o meu irmão mais velho me enviou para cá. Conrad. A propósito, tenho quatro irmãos mais velhos e moramos em Bardstown. Sem pais. Enfim, ele me mandou para cá porque eu roubei o carro de um cara. E o joguei no lago. – disse ela. Quando perguntei porquê, tudo o que ela disse foi: — Porque ele mentiu para mim. Então Wyn se intrometeu. — Não gaste o seu latim. Ela nunca vai contar toda a história. Já perguntamos um milhão de vezes. Poe acenou com a cabeça. — Sim. Tudo o que já sabemos é um nome, um nome muito sexy: Reed Jackson. Então, agora no bar, Callie fica tensa com a minha pergunta, mas acena com a cabeça. Poe é a próxima a falar. — Ele é o Reed Jackson. Uau, eu não sabia como...

Página 165 de 551 — Quanto lindo ele é? – diz Wyn, seguindo o raciocínio de Poe. — Exatamente! – exclama Poe. — Lindo. — Essa é a palavra. – eu suspiro. — Sim. Ele é lindo. – Callie diz as primeiras palavras desde que todas nós o vimos, parado ali agindo como se ele fosse o dono do lugar. Então ela desvia o intenso olhar fixo e olha para mim. Ele, no entanto, mantém a conexão e a tensão em seu olhar viva. — E um mentiroso e um idiota. Então, ele é basicamente um vilão. Um vilão lindo. – diz ela com um sorriso tenso. — Ah, e ele está aqui. Fantástico. Vou precisar de uma bebida antes de ir até lá e afogá-lo no lago. Foda-se Will, o barman, estou roubando o uísque dele. E então ela anda para longe de nós e em direção ao bar. — O que acabou de acontecer? – Wyn pergunta. — Acho que precisamos ficar de olho nesse cara. – diz Poe. — Sim. E em Callie também. – digo e sigo minha amiga. Mas Poe me impede. — Eu não acho que você deveria ir atrás dela. — O que? — Sim. Você tem outras coisas com que se preocupar. – diz Poe, levantando as sobrancelhas. Wyn olha por cima do meu ombro. — Sim. Algo parecido com ele. Ele. Não precisam me dizer nada mais do que isso. Eu imediatamente sei quem ele é. Na verdade, eu o sinto.

Página 166 de 551 Sinto a pele da minha nuca arrepiar e esquentar. Minha coluna inteira arrepia e esquenta. — Você deveria falar com ele. – Wyn continua. — Podemos cuidar de Callie. — Sim, dê uma dura nele. – Poe diz ferozmente. Novamente, não contei a elas o que aconteceu. Mas adivinharam que algo horrível havia acontecido na biblioteca, quando saí toda brava e trêmula. E então ele saiu, alguns minutos atrás de mim com a mandíbula rangendo, parecendo todo arrogante e indiferente ao deixar o prédio sem despertar a atenção de ninguém. Minhas amigas me perguntaram se precisavam fazer algo a respeito. Se precisavam fazer uma pegadinha ou se fosse sério o suficiente para denunciá-lo a alguém. Eu disse a elas que poderia lidar com isso. Que era entre ele e eu. E eu estava certa. Vou lidar com isso porque é entre ele e eu. Ainda o sentindo nas minhas costas, eu exalo um suspiro. — OK. As duas me dão sorrisos antes de apertar meu ombro e sair atrás de Callie. Por fim, eu me viro. Minha palma arde assim que o vejo. Ele está no mesmo canto de antes. Aquele de onde ele estava. Com a mesma jaqueta vintage também que o faz parecer um destemido. Um bad boy e rebelde. E o mesmo boné, escondendo o topo de seu rosto e seu cabelo loiro escuro.

Página 167 de 551 Como da última vez, ele também tem uma garota ao seu lado. Esta é uma morena. Ela parece muito interessada nele, e por que não estaria? Aposto que ela está agradecendo aos céus por poder falar com o atleta superastro, The Blond Arrow. Além disso, as garotas o acham irresistível, não é? Isso é o que ele me disse ontem à noite. E ele nem mesmo está errado sobre isso porque elas acham. Eu acho. E eu sou louca por ele. Louca, estúpida e triste. Tudo por ele. Mas também vou dizer a ele umas verdades, e ele provavelmente sabe disso. Porque tudo está refletido no meu rosto, o meu queixo levantado e peito arfante. E, ao contrário da última vez, quando o encontrei concentrado na garota, ele está concentrado em mim. Sim, ele está me olhando com seus olhos brilhantes e furiosos. Os olhos sobre os quais eu estupidamente tornei poético. Aperto minhas mãos em meus lados e estranhamente, aqueles olhos brilham ainda mais. Como dois faróis em suas feições nas sombras. Um calafrio percorre todo o comprimento do meu corpo e eu me movo em direção a ele. Ele me observa abrindo caminho através da multidão de bêbados com um olhar indecifrável enquanto se inclina casualmente contra a parede de tijolos. Estou prestes a me aproximar dele quando ele se abaixa e sussurra algo no ouvido da garota. Ele faz isso sem tirar os olhos de mim e ela o deixa com um aceno de cabeça.

Página 168 de 551 Eu a sinto passar por mim, mas não ligo para ela. Meus olhos ainda estão colados nele e os dele em mim. Quando me aproximo, ele fala lentamente. — Pensei que estávamos ficando longe um do outro. Ignorando-o, pergunto: — Você a humilhou também, como fez com a última garota? Para fazê-la partir tão rapidamente. Ele percorre seus olhos brilhantes pelo meu rosto. — Não. Depois que você me mostrou o meu erro, eu fui gentil. — Ah, você foi. Ele acena lentamente. — Eu apenas disse a ela a verdade. — A verdade. Sério? — Sim. — Mal posso esperar para ouvir a sua verdade. Ele me observa um momento, com algo surgindo em suas características marcantes. — Acabei de dizer a ela que uma fã louca está vindo em minha direção. E ela tem o péssimo hábito de ficar com ciúmes quando converso com outras garotas. Ranjo os dentes e alguns traços de diversão se aprofundam em torno de sua boca. — Vai sonhando, seu idiota. — Tem certeza? Porque você parece um pouco... – ele procura a palavra. — Perturbada. — Ah, tenho certeza. Estou muito, muito certa. Suas pálpebras piscam e descem até meus lábios pintados de escuro. — Isso é uma pena, porque eu estava ansioso para lembrá-la de que você é apenas a irmã mais nova.

Página 169 de 551 Demoro alguns minutos para organizar os meus pensamentos. Principalmente porque estou me lembrando do toque de seu polegar em meu lábio inferior. A aspereza disso, o calor enquanto ele estava movendo para frente e para trás, quase brincando com minha pele. E eu estava deixando. Eu estava deixando-o brincar com meu lábio, com meu coração de bruxa. Comigo. Mas isso acabou. — Você pode guardar seus avisos para si mesmo, porque tenho algo a dizer a você. – digo. Mesmo que ele não tenha se afastado da parede, sei que ele perdeu toda a sua casualidade. Isso está na forma como seus olhos brilham e sua mandíbula se fecha. — E o que é? Eu dou um passo para mais perto dele e aponto meu dedo no ar. — O que me disse ontem à noite foi horrível. Foi terrível e completamente desnecessário e você sabe disso. Você sabe disso. Você me tratou mal e isso não foi legal. Na verdade não. – eu paro e respiro fundo, e então digo todas as coisas que nem sabia que estavam acumulando dentro de mim. — Você tem me tratado mal desde que chegou, quando não fui nada além de legal com você. Não mereço sua idiotice, crueldade, sua humilhação pública e sua proposta estúpida. Então, peça desculpas para mim. Agora mesmo. Quando eu termino, estou respirando com dificuldade e suando como uma louca. Meu dedo que ainda paira no ar está tremendo.

Página 170 de 551 Isso também pode ser porque ele está olhando para ele. Ele está olhando para meu dedo e faz isso por um ou dois segundos antes de olhar para cima. Mas mesmo assim, ele não olha nos meus olhos, não. Por alguma razão insana, ele está olhando para o meu nariz. Ele está olhando muito para ele e eu não sei o que pensar. Estou prestes a falar quando ele finalmente desvia o olhar e olha nos meus olhos, inclinando o queixo para mim. — Você tem razão. — Eu tenho? — Você não merece. — Eu não mereço? — Foi o que eu disse. Fico olhando para ele, com o meu pescoço esticado, o meu dedo cansado e trêmulo, ainda apontado para ele. — Então você está se desculpando. Você está dizendo que estava errado. Foi tão fácil? Ele se endireita então, com seu peito se expandindo em um suspiro agudo. — Você quer tirar o dedo do meu rosto e vá embora? Eu curvo meu dedo e abaixo minha mão ao meu lado. — Por quê? Suas maçãs do rosto movem com a irritação. — Não quer ser minha distração, quer? Engulo enquanto outro arrepio desce pela minha coluna. — Não. — Então pare de desperdiçar meu tempo e saia do meu caminho.

Página 171 de 551 Eu faço o oposto. Eu paro no caminho dele. Eu separo meus pés e mantenho minha posição. Lentamente, muito lentamente, Arrow olha para as minhas chuteiras de futebol, e os meus músculos ficam tensos. Vejo como ele range os dentes uma, duas vezes. Três vezes. Antes que ele levante seus olhos azuis escuros ele diz. — Achei que você não precisasse de mim para lembrá-la de que você é apenas a irmã mais nova. Suas palavras me atingem em algum lugar no meu peito, mas ainda assim, eu não me movo. — Eu não preciso. — Então, há uma razão pela qual está agindo como uma pequena fã ciumenta de novo? Isso também me atinge, mas me recuso a me mover. Eu me recuso a sair do seu caminho para que ele possa ir até aquela garota e fazer coisas com ela. Pedir a ela para ser sua distração durante a noite, tocar seu lábio com o polegar e sorrir para ela. — Sim. – eu levanto meu queixo. — Sou todo ouvidos. – ele grita, com seus olhos brilhantes atirando fogo. — Eu não sou uma ladra. – digo a ele com uma voz determinada. — Você me chamou de ladra, não foi? Você perguntou se era minha praia, roubar? Não é. Não roubo coisas. Para sua informação, eu já trabalhei. Eu trabalhava em um restaurante. Já ouviu falar do St. Mary’s Date Diner? Todos os alunos do ensino médio vão para lá. Você foi lá, lembra? Trabalhei lá como garçonete. Eu trabalhava. Por dinheiro. Só roubei

Página 172 de 551 aquele dinheiro da sua mãe porque precisava do dinheiro. Eu tinha acabado de comprar um novo par de chuteiras de futebol e não tinha mais nenhuma economia e precisava sair daqui o mais rápido possível, entendeu? E eu ia devolver a ela. O total de cento e sessenta e sete dólares. Uma vez que eu estivesse instalada em algum lugar e tivesse um emprego de novo, ok? E você saberia disso se se incomodasse em me perguntar em vez de fazer acusações. Ok, então eu tinha muita raiva dentro de mim esta noite. Mais do que eu esperava. Mas tudo bem. Não é como se estivesse mentindo. Eu trabalhei naquele restaurante. Mas só comecei a trabalhar lá depois que ele foi para a Califórnia com minha irmã. O fato de eu ter escolhido aquele restaurante em particular era porque ele o frequentava com seus amigos do ensino médio e minha irmã, isso é uma informação que não estou disposta a dar a ele. Seja como for. Há um olhar insondável em seu rosto enquanto ele olha para mim. Um brilho em seus olhos que eu não entendo. Mas isso me faz pensar que ele quer me olhar melhor. Com outro olhar. Dando atenção. Não sei. A questão é que devo ir. Já disse o que eu queria. Eu até recebi minhas desculpas agora. Não que ele foi legal sobre isso, mas tudo bem. Mas a questão é que eu não quero parar. Eu não quero ir embora, porque há outra coisa. Algo louco, dramático e drástico que quero fazer antes de sair e chorar em um canto desse

Página 173 de 551 bar escuro. Porque assim que eu sair, ele vai encontrar uma garota e se distrair. Eu não deveria fazer isso. Eu não deveria. Eu tenho que pensar. Eu absolutamente preciso. Porque o que estou prestes a fazer tornará minha declaração, “Eu não sou uma ladra”, completamente verdadeira. Isso vai me tornar uma devedora, na pior das hipóteses. Então, quando parece que ele está prestes a interromper sua intensa análise, e abrir a boca para dizer algo - provavelmente depreciativo - eu dou meio passo para trás e deixo escapar: — E há outra coisa também. E então, eu faço isso. Pego a barra da minha camiseta - não estou usando um suéter esta noite; Só estou usando uma camiseta, dele, entre outras coisas - e puxo-a para cima. Estreito meus olhos e puxo-a totalmente para cima e a tiro do meu corpo. Sim, eu tiro minha camiseta, ou a camiseta dele, em um bar lotado. Um bar cheio de bêbados, gente que poderia ter testemunhado meu ato vergonhoso e devasso. Pelo menos eu não estou nua por baixo. Não, estou usando outra camiseta. Minha própria. Porque eu vim preparada. Como uma idiota, não só pensei que o encontraria de novo, como até me preparei para

Página 174 de 551 isso. Enquanto colocava minha própria camiseta por baixo, disse a mim mesma que não faria isso. Não há nenhuma chance no inferno de eu tirar a roupa em um bar lotado. Acho que me subestimei. E agora sua camiseta está enrolada na minha mão e eu a jogo em seu peito. — Aqui está sua estúpida camiseta de volta. – digo a ele, pronta para fazer minha grande saída agora. Pronta para ir para algum lugar em um canto, me encolher e chorar enquanto ele encontra alguém para controlar sua dor. Mas todos os meus pensamentos sobre ir embora e chorar em um canto desaparecem quando, de repente, ele se inclina na minha direção e agarra meu pulso. Ele não apenas o agarra, mas também o pressiona e me puxa para si. É quando eu dou uma boa olhada em seu rosto. Fiquei tão agitada e envergonhada com o que fiz que eu me esqueci de prestar atenção nele, mas estou prestando atenção agora. Estou prestando atenção em seu peito movendo, subindo e descendo com sua respiração hostil. Estou prestando atenção em sua corrente, que parece estar subindo e descendo também. E seus olhos. Deus, seus olhos estão tão estreitos de raiva, que eles estão quase como uma fenda. — Você está vindo comigo. – ele resmunga. Eu engulo. — In... indo para onde? — Para onde você deveria estar.

Página 175 de 551 — O que? Ele aperta meu pulso, quase esmagando meus ossos, e meus olhos ardem. — Eu disse para você não me deixar pegá-la onde você não deveria estar, lembra? Então, estou levando você de volta. Para St. Mary's. — Eu não vou... — Você gosta de fazer cenas, não é? – ele diz com os dentes rangendo. — Se não vier comigo agora, vou fazer de você uma estrela do seu pequeno show de strip-tease que fará você chorar por muitos dias. Então, vamos embora, você e eu. Eu pensei que já o tinha visto com raiva, mas ele está furioso agora. Furioso, e me pergunto se ele estava assim quando socou aquele cara. Se suas maçãs do rosto pareciam tão nítidas ou se havia suor escorrendo em sua testa. Se seus ombros pareciam tão enormes e montanhosos quanto parecem agora, envoltos em couro vintage. — OK. Ma... mas... — Mas o que? Não sei. Não tenho ideia do que vou dizer. Eu não tinha ideia de que ele iria reagir dessa forma também. Tão violentamente. Quer dizer, eu sabia que ele iria reagir e talvez ficar com raiva, mas nunca pensei que ele estaria à beira de explodir. — Eu vim aqui com minhas amigas e... Ele se inclina ainda mais perto, com sua corrente balançando quase atingindo meu queixo. — É melhor rezar para que eu não descubra quem são suas amigas ou irei enterrá-las tão profundamente na detenção que não conseguirão

Página 176 de 551 sair o ano todo. E não porque quebraram as regras e vieram para cá. Mas porque elas trouxeram você aqui, nessa camiseta, desse jeito. — De... desse jeito como? — Como uma maldita boneca inflável. — O quê? — Se você não queria minha atenção, então não deveria ter tirado a roupa na minha frente. Você não deveria estar usando essa piada de camiseta. – ele range a mandíbula e quase esmaga os tendões do meu pulso com seu aperto. — Então, ande antes que eu te faça andar. Minha camiseta chamou sua atenção? Sério? É uma camiseta branca normal, expondo meu diafragma. Bem, é fora do ombro também, mas eu sempre visto coisas assim. Normalmente por baixo do meu suéter grosso, mas esta noite queria fazer um comentário estúpido que nem consigo me lembrar agora. Então, eu fui sem ele. Definitivamente, não justifica uma reação como essa. Minhas ações ultrajantes sim, com certeza. Mas não o que estou vestindo. Olho para sua feição irritada antes de olhar para minha camiseta. — Você tem um problema com mi... minha camiseta? — Eu tenho um problema com a sua camiseta, sim. Eu recuo. — Mas uso isso o tempo todo. Ele não gosta disso e o dano que está causando no meu pulso com seus dedos aumenta.

Página 177 de 551 — Bem, considere este seu primeiro e único aviso. Você não usará mais. — Mas eu... O que há de errado com ela? — O que há de errado com ela é que todo cara bêbado a até três metros de você está olhando para você como se você fosse um pedaço de carne. Como se eles não se importassem de colocar as mãos nisso. – ele empurra o queixo para mim e estou começando a me sentir ainda mais constrangida do que antes. — Porque você está zombando deles, mostrando-lhes sua barriga pálida e o seu umbigo. É isso que você está fazendo, não é? Provocando eles. Fazendo-os olhar para você. Roubando sua atenção. Não me diga que você pensou que não haveria consequências. — Eu não estava provocando ninguém. Eu estava… Tentando fazer um ponto. — Ande. — Você não gosta disso? Dos caras olhando para mim. Não sei por que pergunto isso, mas simplesmente escapa e seus olhos se estreitam ainda mais. Ele se inclina ainda mais para baixo até que a aba de seu boné toque em minha testa. Até que seus lábios estejam tão próximos que, quando ele abre a boca para responder, eu o sinto gravando essas palavras na minha pele. — Não. — Por quê? — Porque quero que você continue sendo quem você é. Quem você sempre foi. — Quem... Quem eu sou? — A irmã mais nova. Aquela que fica em segundo plano e não é vista. Aquela que se mantém discreta e não faz barulho. E aquela que

Página 178 de 551 definitivamente não exige minha atenção. Então você vai andar ou não? Ele está tão puto que eu faço o que ele diz. Eu ando. Eu saio com ele atrás de mim como se ele fosse meu guarda-costas e pegamos o corredor na parte dos fundos que leva ao estacionamento. Algumas pessoas estão do lado de fora, mas ninguém presta atenção em nós enquanto caminhamos para sua moto. Ele ainda está atrás de mim, como se eu também precisasse de proteção aqui. Quando chegamos lá, estou ofegante. Estou com os braços em volta da cintura e não sei o que fazer. Como convencê-lo, nos últimos minutos. Como melhorar isso. Tudo o que queria fazer era uma dura nele por ter sido tão horrível comigo na semana passada e depois fazer as pazes com ele. — Arrow? – digo em voz baixa. Sem responder, ele se inclina sobre o assento de sua moto e agarra seu capacete, estendendo-o para mim. — Coloque. — Podemos conversar, por favor? Seu peito move para cima e para baixo com uma respiração hostil. — Coloque essa porra. Meus olhos ardem. — Por favor. Não sabia que você ia pirar assim. Eu só estava... Você foi tão mau comigo na noite passada e eu só queria fazer uma maldita observação estúpida e sei que fui um pouco dramática lá, mas eu... eu honestamente não queria te deixar bravo. Suas narinas inflam. — Salem. Eu dou um passo para mais perto dele.

Página 179 de 551 Meu nome em seus lábios, mesmo com raiva, me faz querer tocá-lo. Isso me faz querer colocar a mão em seu peito e agarrar sua camiseta e me pressionar nele, mas eu não faço isso. Eu não quero deixá-lo ainda mais bravo. Eu não quero que ele rejeite meu toque. — Por favor? Não fique assim, ok? Eu não gosto disso. Não gosto que estejamos brigando e que você esteja com raiva. E estamos agindo como se fôssemos inimigos. Nós não somos. Você não é meu inimigo, Arrow, e eu não sou sua. Por favor, eu farei qualquer coisa. Só... não podemos ser amigos? Assim que digo isso, meu coração de bruxa começa a bater forte no meu peito. Está batendo repetidamente, fazendo meu corpo vibrar. Com uma certa necessidade, um desejo. Um desejo desesperado de ser sua amiga. Um desejo profundo. Um desejo que emergiu da minha alma e não posso ignorá-lo. Porque por alguma razão muito estranha, continuamos brigando, ele e eu. Por alguma razão maluca, continuamos nos esfregando um no outro da maneira errada. Continuamos criando faíscas e atrito. Continuamos criando chamas. E eu parei. Cansei de lutar com ele. Eu cansei de discutir sobre coisas estúpidas.

Página 180 de 551 Eu o amo. Ele é o garoto que eu amo desde os dez anos. Eu não quero brigar com ele. Eu nunca quero brigar com ele. Portanto, esta é minha oferta de paz. Eu até ofereço a ele minha mão estendida. — Você quer ser meu amigo, Arrow? Eu sei que é uma pergunta infantil. Mas eu não sei mais como expressar isso. De que outra forma dizer a ele que este é um momento importante na história de toda a minha existência. Pedindo a ele para ser meu amigo. Além disso, acho que ele precisa de um, uma amiga. Ele poderia ter alguém para apenas... ficar. Talvez até para conversar, eu não sei. Ele poderia simplesmente ter alguém. Embora Arrow ainda não tenha olhado para minha mão. Ele ainda não moveu seu olhar do meu rosto para olhar para a minha oferta e eu não sei como parar o desespero que está se espalhando pelo meu corpo. Bem quando penso que meu braço não vai ficar levantado e vai cair do meu lado, ele o pega. Ele pega minha mão estendida e me agarra. Desta vez, da minha queda no desespero9. Em tristeza e melancolia. Eu não teria acreditado, se não estivesse olhando para isso, nossas mãos unidas, com meus

Minha queda no desespero: ela mais uma vez faz a referência a queda no abismo quando uma garota se apaixona por um garoto. 9

Página 181 de 551 próprios olhos. Se eu não estivesse sentindo as curvas de sua grande palma contra a minha. Então é assim que ele se sente. Esta é a sensação da pele dele contra a minha. Quente e forte, áspera e macia ao mesmo tempo. Finalmente. Eu sorrio para ele e o encontro me observando, observando meus lábios pintados e sorridentes. Ele lambe os lábios por um segundo antes de apertar minha mão e me puxar para frente. Ele se move também e fica próximo de mim, com o seu rosto malvado, mas tão lindo. — Mas eu ainda estou levando você de volta. – ele murmura. Eu flexiono meus dedos em sua mão, tentando envolver minha cabeça em torno do fato de que estou finalmente o tocando e que nossos dedos estão entrelaçados. — OK. Seu aperto aumenta ainda mais. — E eu estou mantendo meus olhos em você até ver você entrar no prédio do seu dormitório. — Ok. — Então você vai entrar no seu quarto, subir na sua maldita cama e dormir, entendeu? Eu aceno com a cabeça. — E você nunca usará uma camiseta como esta. Nunca mais. Mordo meu lábio com a veemência em sua voz e aceno novamente.

Página 182 de 551 Ele estreita os olhos em minha boca. — Ótimo. — Arrow? Eu sussurro, piscando para ele, segurando sua mão como se fosse minha tábua de salvação. — O que? — Antes de voltarmos para St. Mary's, você me leva em outro lugar primeiro? Ele aperta minha mão a tal ponto que acho que vai atravessar minha pele e esmagar meus ossos. Mas eu não me importo. Ele pode fazer o que quiser comigo. Ele pode me esfaquear com uma faca e eu estarei deitada no chão, morrendo, desenhando pequenos corações com sangue. Seus olhos permanecem nos meus lábios sorridentes por um segundo antes de responder: — Tudo bem.

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Estou sentada na moto de Arrow. Estou passeando com ele, com minha parte interna das coxas envolvendo a sua parte externa, meus braços ao redor de sua cintura e minha bochecha pressionada em sua camiseta de cheiro doce em suas omoplatas. Antes de partirmos, eu disse a ele: — Então, amigo, este é meu primeiro passeio de moto e tenho a sensação de que tenho uma queda por velocidade. O que significa que você realmente deve acelerar. Não vou negar o quanto adorei dizer Amigo. Sempre vou adorar dizer isso. Ele é meu amigo. Meu Arrow. Algo mudou em seu rosto quando disse isso. Uma repercussão de algo que brilhou sob a lua vermelha e cheia. Ele colocou o capacete na minha cabeça. — Claro, eu não estou surpreso. — Por que não? — Porque, amiga. – ele afivelou o capacete embaixo do meu queixo um pouco bruscamente, me fazendo morder o lábio. — Estou começando a perceber que você tem uma queda por tudo que é perigoso e louco. Eu não deveria ter sorrido com isso. Isso não foi um elogio.

Página 184 de 551 Como se não fosse um elogio quando ele disse que eu era pior do que má, mas ainda assim, parecia um. Talvez porque quando ele terminou de colocar o capacete na minha cabeça, ele deu um passo para trás e tirou sua jaqueta de couro vintage. Observei os seus ombros se movendo e os seus bíceps contraindo enquanto faziam o trabalho de tirá-lo e colocá-lo sobre meus ombros. Quando coloquei minhas mãos nas mangas, ele então começou a fechar o zíper, até meu queixo como se eu fosse uma criança ou algo assim. Quando eu disse obrigada, seu queixo se moveu. E então nós partimos e ele acelerou, enquanto eu o segurava. Agora estamos aqui, no meu lugar favorito de todos os tempos. Meu pequeno e querido lugar. É uma ponte em Bardstown sobre o maior e mais azul rio que já vi. Ela liga a rodovia principal da cidade a... nada. Bem, ok. Então, é velha e enferrujada, esta ponte, com dois ferros e uma grade metal, estendendo-se entre uma estrada de terra abandonada que se separa da rodovia principal para a imensa mata. Eu não tenho certeza por que eles fizeram isso. Isso não está realmente servindo para um propósito, ligar uma estrada de terra que ninguém realmente conhece a imensa mata e inavegáveis. Ela simplesmente fica aqui, ocupando espaço, parecendo totalmente escura, desolada e vazia. Muito parecido com um amor condenado de oito anos. Um que também não serve para nenhum propósito. É triste e inútil. Desolado.

Página 185 de 551 E ainda assim tão bonito. Só porque a pessoa que você ama está apaixonada por outra pessoa não significa que seu amor não seja lindo ou verdadeiro. Não significa que seu amor deva ser morto ou arrancado de seu coração e jogado em um rio ou queimado como uma obra de arquitetura extinta. Não, ainda é amor. Como se ainda fosse uma ponte. — Que porra de lugar é esse? – Arrow pergunta distraidamente enquanto olha em volta, na sua moto estacionada de um lado. Eu o observo sob a lua, todo deslumbrante e brilhante. Seu cabelo está todo bagunçado e arrepiado em alguns lugares depois que tirou o capacete - ele me deu o de reserva - e seus dedos não estão ajudando. Ele os passa pelos fios, bagunçando-os ainda mais, deixando-o com a aparência mais deslumbrante que já vi. — Gostou? – pergunto, sorrindo, sentindo-me quente e confortável em sua jaqueta, que eu abri o zíper durante o passeio porque sua proximidade era quente o suficiente, e adorando isso. Com minhas palavras, ele se concentra em mim. Estou perto da grade, segurando a grade de metal, usando-a para esticar minha coluna. Ele me observa, meu corpo ligeiramente oscilante, antes de fixar seu olhar no meu cabelo. Está esvoaçante com a brisa e é tão longo que se eu me esticar ainda mais para trás e ficar paralela ao chão, ele vai tocar a terra. Eu já tentei antes; é divertido. Finalmente, ele levanta os olhos de sua leitura minha. — Se eu gostei? Eu levanto minhas sobrancelhas. — Sim.

Página 186 de 551 — O que há para gostar? Endireitando-me, eu suspiro. — Você está falando sério? Seus lábios se contraem. — Como um ataque cardíaco. Eu balanço minha cabeça para ele e seus lábios divertidos. — Deus, você é tão... sem imaginação. Este é meu lugar favorito no mundo. Eu costumava vir aqui o tempo todo quando andava com minha linda bicicleta amarela, o que sinto muita falta de fazer, mas tudo bem. Olhe para a água. – eu coloco a minha mão no ar e aponto para a água. Na verdade, eu me viro para olhar. — Está brilhando sob o luar. É brilhante. E é tão vasta. É a única coisa que seus olhos podem ver. E olhe para a lua. – eu aponto com minha mão novamente. — É tão vermelha. Como uma bola de fogo ou algo assim. Aposto que é quente. Como o sol. E a mata. – eu me viro para apontar para a mata também. — Tão fechada, misteriosa e silvestre. Tudo aqui é tão lindo. Puro, natural e deslumbrante. Sim. A água escura e brilhante, a lua vermelha e cheia, e a mata fechada de arbustos. Mordendo meu lábio, me viro para olhar para ele novamente. Ou pelo menos tentar, porque em algum ponto da minha virada, meus pés escorregam e eu tropeço. Meus braços se agitam e consigo me agarrar a grade para impedir minha queda, mas descobri que não deveria ter me incomodado. Porque ele está aqui. Meu Arrow. Meu amigo. Ele vem em meu socorro, agarrando meu bíceps e me levantando. Ele até me coloca contra a grade, tudo em três segundos.

Página 187 de 551 — Você... Eu levanto meu dedo e balanço minha cabeça, interrompendo-o. — Uhum. Você não pode dizer nada ruim para mim agora. — Por quê? Ele parece realmente incomodado com isso e eu quero rir de sua expressão descontente. — Porque você é meu amigo agora. Você tem que ser legal comigo. Seus olhos movem entre os meus. — Ah, é? Assentindo, eu sorrio. — Sim. Na verdade, essa é a primeira regra da amizade. Seja legal. – eu fico na ponta dos pés para chegar mais perto de seu rosto. — E para um seguidor de regras como você, isso não deveria ser muito difícil, deveria? Ele me encara, com sua mão ainda segurando meu bíceps. — Se você acha que não é difícil, você está se subestimando. – Eu estreito meus olhos para ele, mas ele continua: — E para uma garota que joga futebol tão gloriosamente, não deve ser muito difícil ficar de pé, não é? Gloriosamente. Eu jogo futebol gloriosamente, disse ele. Ele disse a mesma coisa ontem à noite na biblioteca, mas estava sendo um idiota comigo que não causou o impacto que deveria. Mas agora sim. Essa palavra escorre do meu peito e se estabelece em algum lugar na minha barriga, como uma dose quente de mel ou luz do sol. Meu jogador de futebol favorito em todo o mundo acha que jogo gloriosamente.

Página 188 de 551 Mordendo meu lábio, digo: — Bem, agora estou com você. Para me salvar. Não é verdade? Meu amigo. Algo perigoso e excelente surge em seus olhos. — O que você ia fazer antes? — Antes? Ele aperta meu bíceps como se estivesse se certificando de que eu não caia de novo. — Antes de eu pegar você. Eu engulo com sua pergunta. Com o significado inadvertido disso. O que eu ia fazer antes que ele aparecesse para me pegar? O que eu ia fazer quando não tinha os seus braços para amortecer minha queda e quando não tinha seus olhos lindos olhando para mim como se ele quisesse saber todos os meus segredos? — Eu ia cair. – sussurro. Sua feição fica atenta por um segundo, tensa, e acho que falei demais. Acho que ele sabe tudo agora. Ele ouve tudo agora também, as batidas altas do meu coração e a ligeira mudança na minha respiração. Mas estou errada. Ele não sabe e eu nunca vou dizer a ele. Não se trata nem disso, do meu coração de bruxa e do meu desejo secreto. Isso é sobre ele, sendo meu amigo. — Você caiu. – ele sussurra também, com seu tom ainda mais baixo do que o meu. — Sim. — E bateu com a cabeça? – ele pergunta, com seus olhos inexpressivos.

Página 189 de 551 — O que? — Porque essa é a única explicação de por que você gosta deste lugar. Demoro um segundo para absorver suas palavras e, quando absorvo, empurro seu peito. Como esperado, ele não vai a lugar nenhum; seu peito é uma massa sólida e imóvel. Meus movimentos inúteis só o fazem rir e isso é tão encantador que não consigo manter minha raiva. — Só para a sua informação, isso está beirando a maldade, amigo. Sua risada desaparece. — É mais difícil do que eu pensava, na verdade. — Ser legal comigo? Ele balança a cabeça uma vez. — Ser legal com qualquer um. Não sei de onde vem minha ousadia esta noite - primeiro tirando a camiseta em um bar lotado, depois pedindo a ele para ser meu amigo. Mas está aqui, minha ousadia, e está aqui para ficar, pelo menos por esta noite. Então estico meu pescoço para chegar ainda mais perto dele, onde posso ver claramente a pulsação em seu pescoço, nítida e latejante. Onde posso traçar seus traços eloquentes, as curvas de suas maçãs do rosto. E então, eu o toco. Eu levanto minha mão e coloco em sua bochecha e ele enrijece. Ontem à noite, tudo aconteceu tão rápido que eu não consegui sentir, sentir os ossos e a estrutura de seu querido rosto. O rosto que vejo em meus sonhos. Mas esta noite, eu sinto tudo.

Página 190 de 551 Sua bochecha está tão quente e viva quanto a sua mão, quando apertamos as mãos no estacionamento. Um pouco mais áspera, pela barba por fazer. Quando sinto sua mandíbula mover, sussurro: — Sinto muito por ter batido em você. Ele enrijece ainda mais, se possível. — Não sinta. Eu esfrego meu polegar sobre a curva de sua bochecha. — Eu nunca vi você assim. — Assim como? — Tão... desinibido. Tão áspero nas extremidades e afiado como vidro quebrado. – Sua mandíbula lateja novamente. — Então, corte. Isso é o que ele é, eu sei. Ele é cortante. Como todos esses anos, suas emoções estavam sob controle, elas foram empurradas em algum lugar bem no fundo dele. Ele estava calmo, controlado e sereno com tudo e qualquer coisa, sempre focado em seu jogo. Mas agora elas estão vindo à tona. Agora estão correndo em suas veias e se acumulando sob sua pele, tornando-o intenso, quente e irritado. De alguma forma, tornando-o ainda mais irresistível para mim. Ele estava certo. Tenho uma queda por tudo que é louco e perigoso. — Cortante, claro. – Seus olhos brilham enquanto ele me encara. — Eu sou isso.

Página 191 de 551 Sinto-me compelida a dizer: — Isso não vai ajudar, você sabe. Machucar outras pessoas. A vingança. Sua pele esquenta apenas sob o meu toque, fica mais quente do que antes, e meus dedos deslizam sobre sua bochecha, atingindo todo o contorno afiado e impressionante de seu rosto. Meu sol. — Mas é uma sensação fantástica. – diz ele com um sorriso torto e frio antes de se afastar. Ele encosta na grade e tudo que posso fazer é olhar para ele e esfregar meus dedos aquecidos. Tudo que posso fazer é pensar que sou Ícaro. O tolo com asas de cera. Dizem que foi a arrogância que levou Ícaro a voar muito perto do sol. Eles são loucos. Não foi arrogância. Foi amor. Ele amava muito o sol. E é por isso que ele não conseguia ficar longe. É por isso que eu também não posso ficar longe, então diminuo a distância entre nós e fico onde ele está parado. Ele me dá um olhar distraído antes de desviar o olhar e enfiar a mão no bolso, pegando algo. Um maço de cigarros. Ele tira um com facilidade ensaiada e o coloca na boca, quase o apertando entre os dentes. Então ele estende a mão novamente e tira uma caixa de palitos de fósforo. Ele acende um com um movimento hábil de seu pulso e, colocando a palma da mão em volta do cigarro, ele começa a queimar a ponta.

Página 192 de 551 Ele faz tudo com suavidade, como se fizesse há anos, e eu sei que ele fez. Eu sei. Eu sei sobre seu hábito de fumar. Seu hábito secreto de fumar. Mas, ainda assim, quando ele faz suas bochechas ficarem ocas e envia uma nuvem cinzenta para o céu, eu deixo escapar: — Você está fumando. Ele olha para o cigarro como se estivesse vendo pela primeira vez e dá uma espécie de suspiro. — Sim. Só não diga a minha mãe. Eu sei que ele não está falando sério, mas como a garota maluca que sou, eu não posso deixar de dizer: — Isso é o que você me disse. A primeira vez que nos encontramos. Ele estava prestes a colocá-lo na boca novamente, mas ele para no meio do caminho e vira a cabeça para olhar para mim. — A primeira vez que nos encontramos. — Sim. Então ele vira todo o seu corpo para mim, desistindo de ver o rio. Não só isso, ele faz isso de uma maneira que me faz pensar que prendi toda a sua atenção. — O que eu disse? Nunca pensei que teríamos essa conversa. Nunca pensei que teríamos uma conversa de verdade, muito menos uma conversa sobre a primeira vez que nos vimos, enquanto estávamos em uma ponte deserta, no meio da noite. Então, não hesito quando digo a ele: — Era de manhã. Você entrou pela porta da cozinha depois de sua corrida e não me viu lá. Você tirou o suco da geladeira e bebeu direto da caixa. E então

Página 193 de 551 percebeu que alguém estava observando. Era eu. Então você se virou e disse não conte para minha mãe. Ele também disse outra coisa. Ele me perguntou se eu estava com frio, mas não acho que ele se lembraria disso. Tudo bem, no entanto. Tudo bem se eu me lembrar dos detalhes de nosso primeiro encontro. De qualquer maneira, isso não é seu fardo. É meu. — E você estava escondida entre a parede e aquele velho armário de porcelana. Você tinha um cobertor enrolado em volta de você, não é? Suas palavras cruzaram o ar entre nós e tiraram meu fôlego. Ele lembra. Puxa, ele lembra. Mas isso não é a única coisa de que ele se lembra, porque então, ele vai em frente e diz: — Porque você estava com frio. Um nó estúpido de emoção se forma na minha garganta e eu a limpo acenando com a cabeça e dizendo: — Sim. Porque eu estava com frio. — Porque você está sempre com frio. — Eu estou. – sussurro, agarrando as lapelas de sua jaqueta vintage. Esfrego meu nariz na gola e consumo seu cheiro. E ele me observa fazer isso enquanto leva o cigarro aos lábios e dá uma tragada. — Eu não contei, sabia? – sussurro.

Página 194 de 551 Ele inclina o rosto antes de expirar e a fumaça cinza preenche o espaço entre nós. — O que você não contou? — Eu não contei a ela sobre a coisa do suco. Nunca. – digo a ele quando a fumaça se dissipa e eu posso ver seus olhos brilhantes novamente, em mim. E então digo a ele outra coisa. — E nem disse a ela ou a ninguém, que às vezes, quando todos estavam dormindo, você saia escondido de casa. Que você ia para o quintal e ficava embaixo da minha janela. E você fumava. Mesmo que Leah tivesse dito para você não fumar. Pelo que sei, essa foi a única vez que a Leah ficou com raiva de Arrow. Ela o pegou fumando um dia e realmente o criticou. Até Sarah ficou infeliz e, no final de tudo, as duas o fizeram prometer que não faria isso de novo. Mas então, semanas depois, vi a fumaça vindo de baixo, com finos tentáculos cinzas dela, e quando fui averiguar, encontrei-o fumando. E eu o encontrei repetidamente. Ele não fuma muito, talvez uma vez a cada dois meses ou algo assim, mas sempre fumava embaixo da minha janela no meio da noite e eu nunca contava a ninguém. — Bem, claramente nem todos. Estavam dormindo, quero dizer. – ele me diz, soltando outra nuvem de fumaça. — Não. Mas guardei seu segredo. Sou a melhor guardiã de segredos que você já teve. – digo com orgulho. Ah, ele não tem ideia. Os segredos são minha praia.

Página 195 de 551 Bem, contanto que eu não abra minha boca grande de novo como fiz na biblioteca. — Guardiã de segredos. – ele murmura com uma contração nos lábios. — Sim. — Bem, então eu estou feliz. — Com o que? — Que você era a única que não estava dormindo. E foi você quem descobriu sobre minha lesão. E é com você que estou fumando. Para enfatizar, ele enfia o cigarro de volta na boca e dá uma tragada, deixando sair lentamente, com o tempo todo olhando para mim com um olhar sustentado. Eu estreito meus olhos para ele. — E por quê? — Por que o quê? — Por que você fumou todas aquelas vezes quando prometeu que não fumaria? — Porque eu gosto. — Mas você não quebra promessas. — Eu quebrei esta. — Por quê? Ele me olha sem graça, como se eu o estivesse irritando com minhas perguntas, mas não me importo. Eu preciso saber. E quando parece que ele não vai responder, digo a ele em uma voz breve: — Fumar faz mal à saúde, você sabe disso, não é? Especialmente quando você é um atleta.

Página 196 de 551 Afeta seus pulmões, o que afeta a maneira como você respira. O que, por sua vez, afeta o jogo. E nada deve afetar o jogo. Não é esse o seu lema? Essa é a primeira regra pela qual você vive. Então, eu não sei por que... — Você pode parar de falar agora. – ele me interrompe e eu mordo o interior da minha bochecha para parar o meu sorriso. O que, claro, ele pode dizer, porque os seus olhos se estreitam e um músculo pulsa em sua bochecha. Eu pisco para ele inocentemente. — Eu vou se você me contar. Ele suspira antes de se virar e olhar para o rio. — Eu fumo porque me ajuda a relaxar. É chamado de desestressar. — Desestressar por quê? – pergunto, olhando para a sua fisionomia. Seus ombros se contraem. — De um grande jogo. Um grande teste. Qualquer coisa. — O que? — A outra opção é ficar chapado ou bêbado. Então, isso não é grande coisa, certo? É um cigarro simples. Acalma um pouco o nervosismo. É realmente por isso que ele fuma? Tento pensar em todas as vezes em que o encontrei sob minha janela, fumando. Sempre foi antes de um teste ou jogo? Porque ele estava estressado com isso? — E por que você está fumando agora? – pergunto. Uma brisa surge e bagunça ainda mais seu cabelo e eu não sei se é o fato de que seu cabelo está bagunçado ou se é a minha pergunta, mas Arrow parece ainda mais tenso, com a visão de sua mandíbula mais tensa.

Página 197 de 551 — Porque me ajuda a esquecer. – ele responde após alguns momentos. Eu aperto minhas mãos em torno da grade de metal. — Esquecer o que? — O fato de eu estar aqui. Em vez de onde eu deveria estar, ganhando a porra da copa para o meu time. — Mas você vai voltar, certo? Vai ganhar a próxima copa. Sua mandíbula pulsa uma vez. Duas vezes. — Mas não esta. – Uma terceira pulsação percorre sua mandíbula. — E é por minha causa. É por causa da minha estupidez. Tudo porque quebrei a primeira regra do futebol. — Mas você apenas cometeu um erro. – eu insisto como fiz na biblioteca. — Um erro deve ser permitido, certo? Você não pode ser perfeito o tempo todo. Quer dizer, eu sabia que ele trabalhava muito. Ele ainda trabalha. Eu também sabia que Leah esperava que ele fosse o melhor. Ela ainda espera. Às vezes eu pensava que ela estava sendo um pouco dura demais com ele. Mas, novamente, seu pai foi um grande jogador de futebol e com isso, vem uma tremenda responsabilidade. Eu nunca soube disso sobre ele, no entanto. Eu nunca soube que ele é tão louco por tudo isso. — É? – Arrow pergunta, observando meu rosto angustiado. — É. – digo com veemência. — Você não pode ser. Ninguém pode ser. Você apenas deslizou um pouco, ok? E tudo bem. Você não pode se culpar assim, Arrow. Você não pode se matar de fumar só porque tem que ficar de fora de uma

Página 198 de 551 temporada. Isso é loucura. Além disso, você já é o melhor jogador que eles têm. Você… Meus pensamentos se interrompem quando noto o seu corpo se mover. Como na noite passada na biblioteca, ele se aproxima de mim. Já estávamos tão perto que dificilmente isso seria um avanço. É mais como se mover, se aproximando, mas como ele é tão grande e alto e tem vários músculos, parece que sim. Parece que ele está se aproximando de mim e preparando meu corpo minúsculo como ele gosta com a grade de metal cravando na minha bunda. E novamente como na noite passada, quando ele coloca as mãos em cada lado meu para me prender, parece que ele está fazendo uma flexão, com seu peito abaixando, o seu corpo inclinando e aquela corrente de prata balançando. — O melhor. – ele fala arrastado. Levanto o meu queixo. — Sim. Você é. Tudo o que aprendi sobre futebol, eu aprendi assistindo às suas fitas e clipes no YouTube. E de Beckham. — Beckham. — Sim. Ele murmura. — Ele é bom. — Ele é incrível. — Ele é bom.

Página 199 de 551 — Você está brincando? Ele é uma lenda. Eles fizeram um filme sobre ele. Mas esse não é o ponto. O que quero dizer é... — Pensei que você fosse minha fã. Há um franzido entre as suas sobrancelhas. Alguns de seus fios bagunçados estão movendo sobre esse franzido profundo e estou muito confusa agora. — O que? Ele segura na grade, com sua carranca ficando mais profunda. — Eu não gosto de compartilhar. — Eu... o quê? — Eu não quero que você assista as fitas dele. Eu abro minha boca para responder. Embora, honestamente, não sei o que dizer porque esta conversa é bizarra. Mas então, de repente, faz sentido. Talvez ele esteja com ciúmes. O que é tão ridículo que eu poderia rir de novo. Mas seu franzido estúpido e aquela mandíbula séria e olhos escuros com os quais ele está olhando para mim, todo irritado, me fazem parar. Isso me faz colocar minhas mãos na grade também, com os seus punhos tocando os meus. — Você é ciumento? Suas sobrancelhas franzem ainda mais. — Você vai parar de assistir as fitas dele? — Mas ele é um excelente jogador. — Sim, mas ele não me afeta. Por que ele é tão arrogante? Por que eu gosto disso?

Página 200 de 551 E como passamos de falar sobre ele fumar para isso? Eu arqueio minhas costas e seus olhos se movem. Eles olham para a parte pálida da minha barriga e me pergunto se ele era um dos caras que queria um pedaço dela, um pedaço de mim. Eu me pergunto se o seu ciúme se estende do futebol para outras coisas. Eu sei que é estúpido, mas ainda me pergunto. — Isso não é um pouco arrogante? – eu mordo o meu lábio. Ele levanta os olhos; as suas pupilas parecem estar queimadas e carbonizadas. — Não se for a verdade. Sinto algo vibrar em minha barriga nua, algo repuxando logo atrás do meu umbigo nu. Estendendo a mão, afasto as mechas bagunçadas de seu cabelo, porque sei que ele não gosta. Ele não gosta de coisas fora do controle e bagunçadas. The Blond Arrow. Sua mandíbula fica tensa com a minha ação, mas eu sorrio. — Ok, eu não vou assistir ele. Eu só vou assistir você. Assim que digo, ele agarra meu pulso e o tira de sua testa. Eu flexiono os meus dedos quando vejo algo brilhar em seu rosto, algo insondável, mas escuro. — Então me diga uma coisa. – ele murmura, segurando meu pulso cativo. — Para uma garota que trabalha muito pelo seu dinheiro, uma garota que tinha um emprego. Quem tiraria a roupa para devolver a camiseta que roubou porque claramente não é uma ladra, por que você roubou

Página 201 de 551 aquele dinheiro? Onde você estava indo que era tão urgente que mal podia esperar? Meu coração começa a bater forte. — O que? Por quê? — Havia um cara envolvido? — O que? Outro flash de escuridão passa por suas feições. — Era um cara? Algum perdedor como Beckham, que você achou tão maravilhoso que teve que correr atrás dele? As mechas de seu cabelo que afastei há menos de cinco segundos voltaram a mover. Elas tocam em sua testa franzida, fazendo-o parecer tão despenteado e tão rebelde. Tão bonito. — Por quê? – pergunto, torcendo minha mão em seu aperto, mas não para me livrar - eu nunca quero me livrar de seu aperto - mas para sentir sua força, seus dedos dominantes em mim. — Eu sou seu amigo, não sou? Um amigo deve saber dessas coisas. Diga-me. Você estava fugindo por causa de um cara? Sim. Eu estava fugindo por causa dele. Para que eu pudesse sair de sua vida, deixá-lo em paz antes que meu amor me obrigasse a fazer algo drástico. Antes que meu amor secreto arruíne seu amor. Eu levanto meu queixo e sua corrente atinge minha mandíbula. — E se houver? Sua própria mandíbula fica séria quando ele diz: — Então, gostaria de perguntar uma coisa a ele.

Página 202 de 551 — O que? Ele percorre os olhos pelo meu corpo. Meu cabelo rebelde esvoaçante pelo vento, a ponta do meu nariz formigando, meus lábios separados e pintados. Meu peito arfante sob seu couro vintage. Minha barriga nua. Ele olha para cada parte de mim como se pertencesse a ele. Como se pudesse olhar para aqueles pequenos pontos favoritos quando e por quanto tempo ele quisesse. Ele pode. Ele pode. Mas tudo bem. Isso faz as coisas acontecerem dentro do meu corpo. Isso me faz arrepiar e morder o lábio. Isso me faz arquear minha coluna e meus mamilos endurecem. Ele levanta os olhos, com um rubor cobrindo suas bochechas. — Eu gostaria de perguntar a ele o que diabos ele está fazendo, deixando você correr pela cidade assim. Suas amigas, eu entendo. Talvez sejam um bando de colegiais sem noção como você. Mas qual é o problema dele? Eu recuo. — O que? Em vez de me responder, ele me toca. Com a outra mão, ele toca meu lábio novamente. Seu polegar largo provavelmente está borrando o batom no canto, mas eu não me importo. Eu não me importo com nada agora, exceto ele e seu polegar áspero. — Qual é o nome deste? – ele sussurra. — Dream Broken Darling.

Página 203 de 551 — Você é a querida? Balanço a minha cabeça, hipnotizada. — Não, ele é. – Você é. — Eu... eu gosto de querido. — Então o que ele está fazendo permitindo que sua namorada vá aonde ela não deveria estar, vestindo algo que ela não deveria? Eu agarro seu pulso e cravo minhas unhas. — Meu querido não me controla. Eu posso fazer o que eu quiser. Eu posso… Ele lambe o lábio e eu paro. — Porque se fosse eu. – ele pressiona o polegar no meio do meu lábio inferior, puxando-o. — Você não estaria colocando os pés para fora do seu quarto assim, muito menos andando pela cidade no meio da noite. — Se fosse você? Ele acena lentamente. — Se fosse eu, eu manteria você controlada. Uma garota como você precisa disso. Ele me manteria controlada. Se fosse ele. Se ele fosse meu namorado. Isso é o que ele quis dizer. Ele quer dizer que se estivéssemos juntos, me manteria sob controle. Ele me manteria amarrada como se eu fosse um objeto ou um animal de estimação. Uma boneca inflável como ele me chamou no bar. Uma boneca que está piscando para ele e cujos lábios ele está brincando, cujo pulso ele

Página 204 de 551 mantém preso e cujas unhas estão cravadas em seu pulso. — Uma garota como eu? – sussurro. — Pura, natural e deslumbrante. Ele acabou de... Ele acabou de me descrever da mesma maneira que descrevi esta ponte? Ele fez, não foi? Algo floresce em meu peito. Algo como flores. Gardênias, o símbolo do amor secreto. — Eu... você… Ele pressiona o meu queixo então. — Se você fosse minha, eu também não deixaria você andar por aí naquela sua bicicleta no meio da noite. — Minha bicicleta? — Porque você faz isso, não é? – ele passa o polegar no meu lábio, com um movimento impaciente. — Quando você pensa que todos estão dormindo, você sai escondido de casa. Você pega sua bicicleta e vai passear. Você anda por horas e volta ao amanhecer. Sim, eu faço isso. Eu levo minha bicicleta em um passeio. Venho aqui ou vou para meus outros lugares favoritos e fico fora por horas. Mas tenho cuidado para não acordar ninguém. Leah ficaria furiosa. Mas eu não sabia que alguém estava acordado. Que alguém sabia sobre minhas excursões noturnas. — Vo... você sabe sobre isso?

Página 205 de 551 — Claro, nem todo mundo estava dormindo. — Mas você nunca disse nada. — Talvez eu também estivesse guardando o seu segredo. – ele sussurra com olhos inexpressivos e lindos. Eu não vejo isso acontecendo - o que eu faço a seguir. Talvez seja o fato de que ele me chamou de deslumbrante e está falando sobre eu ser dele. Ou o fato de que ele acabou de me dizer que é guardião do meu segredo. Ele tem sido guardião do meu segredo como eu tenho sido dele. Seja qual for o motivo, isso me faz diminuir a distância restante e soltar seu pulso. Isso me faz colocar minha mão em seu bíceps e inclinar meu pescoço para cima e encontrar sua boca. Isso me faz beijá-lo. Ou tentar. Porque ele me interrompe no último segundo. Ele solta a minha mão, a que ele tinha em suas mãos o tempo todo, e agarra meu cabelo em um punho, me puxando para trás. Com um tom baixo e perigoso, ele me diz: — É hora de voltar.

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Eu preciso fumar. O que é uma surpresa, porque acabei de fumar do lado de fora do prédio da Dra. Lola Bernstein antes de ir para minha consulta. Minha segunda consulta, para ser mais preciso. Sim, estou de volta. Infelizmente. Conversei com meu treinador e ele disse que os figurões na gestão do time não mudam os terapeutas. Ela deve ser a melhor no que faz, então tenho que ficar com ela. E então estou sentado em seu sofá rosa novamente, observando-a se sentar em sua poltrona - poltrona roxa - enquanto sua pulseira barulhenta bate em minha cabeça como um martelo. Daí a necessidade de meu segundo cigarro. É muito raro, na verdade, eu querer fumar de novo. Não sou fumante, ou pelo menos não sou um fumante frequente. Só preciso quando estou tentando relaxar antes de um jogo importante ou algo assim. Comecei no ensino médio, no primeiro ano. Fiz um grande teste de biologia e o treino foi

Página 207 de 551 brutal naquela semana porque também tínhamos um grande jogo chegando. Alguns dos jogadores estavam fumando fora da escola depois do treino e algo sobre como eles estavam de pé, todos relaxados e calmos, com a fumaça saindo de suas bocas como se estivessem expelindo todo seu estresse na forma de uma nuvem cinza, me fez querer tentar também. Eu estava pronto para largá-lo depois de uma tragada. Qualquer tipo de vício é ruim para o jogo. Isso sempre foi ensinado para mim, primeiro por minha mãe e depois por meus treinadores. Eu também teria largado isso, quero dizer. Se não tivesse levado a uma série de tosses, alertando a todos que estavam vendo que esta era a primeira tragada do capitão do time. Você não pode ter sua reputação questionada ou os jogadores não irão segui-lo. Então, para calar sua risada depreciativa, dei outra tragada. E outra e outra até que começou a ser bom. Até que a ardência em meus pulmões se transformou em uma corrida em alta velocidade que se espalhou por todo o meu corpo, fazendo meus ombros relaxarem e a base do meu pescoço formigar. Fazendo-me sentir como se estivesse no topo do mundo. Fazendo-me sentir que posso fazer qualquer coisa. Notável na porra de um teste de biologia e ganhar o jogo contra nossa escola rival. Porém, como disse, conheço meus limites. Eu conheço a sabedoria convencional. Um cigarro e pronto.

Página 208 de 551 Além disso, prometi à minha mãe que não fumaria. Estou quebrando essa promessa, então não posso fumar mais de um de qualquer maneira. Sou um idiota por mentir, mas eu não preciso ser um bastardo completo também. Nos dias que fumo, treino mais duro. Para me punir por não cumprir minha palavra. Mas eu faria qualquer coisa, qualquer merda, para fumar agora. Porque a Dra. Bernstein se sentou e está sorrindo para mim. Desvio o olhar dela e meus olhos pousam em sua mesinha de centro. O objeto de minha fixação na última sessão. Mas não é a mesma. — Você substituiu sua mesa de centro. – digo, focando nela. Balançando a cabeça feliz, ela se inclina para frente e bate na mesa. — Madeira. Menos chance de quebrar. Acidentalmente. Ela levanta as sobrancelhas para mim e tenho que admitir, meus lábios se contraem um pouco. — Você estava preocupado que pudesse quebrar acidentalmente? — Não sei. Diz você. Eu desisto e rio. — É um pouco cedo para dizer. Mas veremos, Dra. Bernstein. Ela ri também. — Você pode me chamar de Lola. — Acho que vou chamá-la de Dra. Bernstein. – respondo. — Parece mais profissional.

Página 209 de 551 Ainda sorrindo, ela acena com a cabeça. — Ok, vamos ser profissionais. Então. – ela cruza as mãos sobre o caderno e eu me preparo para suas perguntas irrelevantes. — Futebol. Eu estreito meus olhos, começando a sentir minha pele enrijecer. — O que é que tem? — Já que você não quer falar sobre o seu término, vamos falar sobre futebol. Como você entrou nele? Quer dizer, sei que seu pai jogou pelo clube de Nova York. Então você sempre se interessou pelo esporte? Eu posso lidar com isso. Posso responder a perguntas sobre futebol. Embora ainda não saiba o que isso tem a ver com meus problemas de raiva e como vamos consertar isso para que eu possa voltar e jogar. Mas pelo menos saímos do assunto da separação. — Eu nasci nisso. – respondo. — Minha primeira lembrança é ver meu pai jogar na TV. — Você já se interessou por algum outro esporte? — Joguei um pouco de basquete. Pratiquei atletismo. Mas foi sempre o futebol. Tal pai, tal filho. Eu sou. Meu pai - que nasceu e foi criado na Inglaterra - jogava futebol pelo New York City FC, antes de morrer repentinamente em um acidente de avião. Ele conheceu minha mãe quando ela estava estudando no exterior e decidiu segui-la de volta para os Estados Unidos e se casar. Se ele não tivesse morrido, provavelmente estaríamos morando em algum lugar da Europa. O sonho do meu pai era jogar pela European

Página 210 de 551 Soccer League. Não me lembro muito do meu pai. Não me lembro como ele era antes de falecer. Só vi fotos dele e ele sempre pareceu um homem tão distinto, meu pai. Um grande jogador de futebol com um sonho. E agora é meu sonho. Para fazer o que meu pai não foi capaz de fazer. É para isso que tenho trabalhado toda a minha vida: chegar ao topo e ser negociado com a European League. Real Madrid, se for preciso ser mais específico. — Portanto, deve ser doloroso ficar de fora da temporada. – comenta minha terapeuta. — Muito. – eu grito. É mais do que doloroso, é horrível pra caralho. Estar de fora quando deveria estar em campo, jogando. Tudo dependia de mim nesta temporada. Eu era a estrela deles. Eu os levei à vitória na temporada passada e isso era o que se esperava de mim nesta temporada também. Mas fui além e fui suspenso e agora todo o meu time tem que sofrer por minha causa. Rodriguez é bom, mas ele não sou eu. Ele não tem minha velocidade e minha precisão. E ele não vai nos fazer ganhar a taça. Eu sei isso. Eles sabem disso. Toda a impressa sabe disso. Portanto, é minha culpa perdermos nesta temporada. Sinto muito, A. Eu não queria que isso acontecesse...

Página 211 de 551 Quando os arrepios começam a percorrer minha pele e meu pescoço começa a ficar quente, eu aperto minhas mãos. Eu as pressiono nas minhas coxas para parar o nervosismo nas minhas pernas. Não tenho certeza se minha terapeuta está alheia ao meu desconforto ou se está ciente, mas simplesmente escolhe ignorá-lo, porque sua próxima pergunta torna tudo ainda pior. — Então, como você está se sentindo sobre seu novo emprego? — Esse trabalho é uma piada. – eu deixo escapar antes que eu possa me conter. Eu não quis dizer isso. Sinceramente, não. Não sou de reclamar quando se trata de pagar por meus erros e sei o propósito deste trabalho. É uma punição. O castigo da minha mãe. Mas acho que minha terapeuta me pegou em um momento ruim. Porque eu tive um dia de merda. Quatro garotas, em ocasiões diferentes, me pararam no corredor para me contar sobre seu amor pelo futebol. Para me dizer como viram cada um dos meus jogos e como sou seu jogador favorito. É a merda do ensino médio de novo. Pelo menos no colégio, tive a Sarah. Não que isso impedisse as garotas muito ávidas, mas tudo bem. Houve algum auxílio. — Por que você diz isso? – Dra. Bernstein pergunta, interrompendo meus pensamentos.

Página 212 de 551 Suspiro e passo meus dedos pelo meu cabelo. — Porque não é sobre o esporte. É apenas uma atividade para regenerá-las. Ensiná-las a formar equipes. É por isso que minha mãe me colocou nisso. — Por que ela faria isso? — Porque ela sabia que isso me incomodaria. Isso me lembraria do meu erro repetidamente. Então, eu nunca farei isso de novo. Isso é o que minha mãe faz. Ela destaca meus erros - que são muito raros e escassos - para que eu nunca os cometa novamente. Ela sabia que eu odiaria treinar colegiais e foi por isso que ela me deu esse emprego. Para me lembrar do que eu poderia estar fazendo neste segundo em comparação com o que tenho que fazer. Lembro-me de um ano em que minha nota de matemática não foi perfeita. Foi um choque para ela e para mim. Porque sou bom em matemática. Eu poderia fazer cálculos dormindo. Minha mãe foi comigo até a escola para bater um papo com a professora e saber se houve erro na minha nota. Acontece que não havia. Eu interpretei mal um número e, portanto, resolvi a equação errada. Ela trouxe meu teste para casa, sublinhou a equação e colocou na geladeira. Então, eu veria isso todos os dias. Então, eu seria lembrado do meu erro estúpido toda vez que fosse pegar um copo de leite ou suco. Desnecessário dizer que nunca mais li mal um número. “Só porque seu pai morreu, não significa você pode relaxar. Na verdade, você tem trabalhar mais duro, Arrow. Você tem trabalhar mais do que todos os outros. Você

que que que tem

Página 213 de 551 que fazer o que ele não teve tempo de fazer. Ter realmente o dom de seu pai." Então, para fazer isso, ter o dom do meu pai, ela me fez perfeito. Ela me puniu por cada um dos meus erros, a ponto de eu nunca cometer novamente. Se eu comia muitos biscoitos antes do jantar e perdesse o meu apetite, ela me obrigava a comer tudo do prato. Vomitei algumas vezes por dor de estômago antes de aprender a não fazer isso. Se eu alguma vez estragasse um jogo ou teste na escola, ela me deixaria no escuro até que eu aprendesse a nunca estragar meus passes ou um erro ortográfico em um teste. Acho que tinha 12 anos quando fui totalmente treinado, quando me tornei o verdadeiro tal pai, tal filho. Bem, realmente me tornei seu filho no dia em que me convocaram para L.A Galaxy e me chamaram de The Blond Arrow. Mas tudo bem. — Bem, isso é um pouco intenso. A voz da minha terapeuta me traz de volta ao momento. — Minha mãe é intensa. Ela é. Ela sempre foi assim. Mas às vezes me pergunto. Se ela era assim quando meu pai estava vivo. Ou se sua morte repentina a deixou ainda mais severa. Porque às vezes pode ser exaustivo. Pode ser cansativo tentar obter a aprovação dela, tentar ser perfeito 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Página 214 de 551 Mas as coisas são o que são. Eu tenho que pagar o preço se quiser ser The Blond Arrow, não é? Além disso, ela é minha mãe. Ela mesma me criou, fez sacrifícios por mim. Eu devo tudo a ela. — Acho que devemos conversar sobre isso, sobre sua mãe. – diz a Dra. Bernstein. — Acho que não deveríamos. Ela me encara por um segundo. — Você não pode simplesmente desistir? Do seu trabalho, quero dizer. — Não, não posso. — Por que não? — Porque cometi um erro e tenho que pagar por isso. — Sabe, não há problema em não se culpar desse jeito. Assim que a maldita Dra. Lola Bernstein diz isso, lembro-me dela. A garota com treze sardas e uma queda por lugares perigosos e desolados. Minha amiga guardiã de segredos. Minha amiga guardiã de segredos que tentou me beijar. Ela tentou colocar a boca em mim como uma espécie de colegial apaixonada. Quanto ingênua tem que ser para fazer isso? Quanto imprudente e descuidada tenta beijar alguém com tanta raiva e irritado quanto eu.

Página 215 de 551 Quanto estúpida? E assim, minhas próximas palavras para minha terapeuta vieram à tona. — Talvez seja bom para você e para as outras pessoas não se culparem. Mas não é bom para mim. Se não me punir a mim mesmo, então cometo erros. Se eu cometer erros, não sou perfeito. Se eu não for perfeito, não posso ser quem eu sou. Não posso ser o The Blond Arrow. Então, talvez seja bom para outras pessoas se darem um desconto. Mas não tenho esse luxo porque tenho que ser filho do meu pai. Tenho que realizar o sonho dele. Trinta minutos depois, quando saio do consultório da minha terapeuta, recebo uma mensagem. É minha mãe. Tenho tentado evitar isso, evito ter uma conversa de verdade com minha mãe sobre tudo. Eu tenho inventado desculpas, ficando longe de casa e morando em uma pensão, mas acho que não posso mais. Porque ela quer jantar na sexta. E se eu não for até ela, ela virá até mim e, embora faltem alguns dias para sexta-feira, minha pele já começou a se arrepiar. Minha raiva já começou a queimar. Porque algo que não deveria acontecer, aconteceu e quase destruiu tudo pelo que trabalhei. O sonho do meu pai. Sinto muito, A. Eu não queria que isso acontecesse...

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Alguém me faz tropeçar e meus livros caem no chão. Não preciso ouvir o riso para saber quem é. É um grupo de quatro garotas que tem uma antipatia especial por mim. Minha colega de quarto, Elanor, é uma delas. Ela não diz nada para mim, apenas me encara com seus grandes olhos escuros quando entro em nosso quarto compartilhado. Então, passo a maior parte do tempo com minhas amigas na sala comunal, na biblioteca ou no jardim até o último segundo antes do toque de recolher. — Então me expliquem isso. – Uma das garotas diz com uma risadinha e um movimento de suas sobrancelhas loiras. — O quanto rejeitada você tem que ser para que sua própria tutora a mande para o reformatório do qual ela é a diretora? A segunda garota, que também é loira, se junta a elas. — Sim. O que você fez, Salem? Certo. Muito engraçado. Uma tonelada de risadinhas acontece com isso. Não quero causar nenhum problema. Não tenho aversão a fazer cenas - não tenho - mas não quero brigar agora. Deus me livre de Miller nos ver no corredor - seu escritório fica a apenas algumas portas ao lado - e me dar mais coisas para fazer. Minhas costas estiveram me matando

Página 217 de 551 durante toda a semana por limpar suas acomodações estúpidas. Acho que não vou aguentar mais abusos. Mas não vou mentir. Esfregar o vaso sanitário e a banheira está pelo menos me mantendo ocupada o suficiente para que não pense em todas coisas malucas e desprezíveis que fiz. Ou seja, na noite em que escapamos para o bar, o que foi há quatro dias. E ele. Sim, está me mantendo ocupada o suficiente para que eu também não pense nele. Bem, quem estou enganando? Claro que penso nele. Eu penso nele o tempo todo e talvez seja por isso que quando ouço sua voz vindo atrás de mim, acho que isso é mágico. Acho que o conjurei. — Posso ajudar vocês com alguma coisa, senhoritas? – ele diz, e eu paraliso. Senhoritas. Ele disse senhoritas. Todas as garotas têm sorrisos em seus rostos por causa dessa palavrinha educada. Até eu estou corando e não ligeiramente. A primeira loira que me chamou de rejeitada começa. — Não, nós somos apenas... — Você vai pegar isso? – Arrow a interrompe. Eu fecho minhas mãos com seu tom. Não preciso me virar e olhar para ele para saber que sua mandíbula está latejando. Ou que deve haver um brilho escuro em seus olhos azuis.

Página 218 de 551 Sei disso tudo. Eu consigo visualizar isso. Também posso sentir tudo. Ele é como uma onda de calor na minha coluna. A segunda garota disse: — Bem, estes não são nossos livros, treinador. A terceira garota do grupo, que é morena como minha colega de quarto Elanor, diz: — Eles são dela. Ela os deixou cair. E eu digo, ainda de costas para o treinador Carlisle: — Sim. Eu só vou... — Não, você não vai. Sua resposta curta e dirigida a mim faz todos nós pularmos. As garotas estão com os olhos arregalados e colados nele e eu estou segurando minha saia agora, precisando de algo para me preocupar e amassar entre meus dedos enquanto seu calor desce pela minha coluna em forma de suor. — Você. – ele diz e a garota que me chamou de rejeitada enrijece. — Foi você quem a fez tropeçar, certo? Ninguém diz uma palavra, embora as alunas ao nosso redor que estavam cuidando de suas vidas tenham parado para testemunhar o que está acontecendo. Elas provavelmente estão pensando que eu estou nisso de novo, a pupila da diretora que fez uma cena no campo de futebol. — Não importa. Eu vou pegá-los. – digo, abaixando minha cabeça e indo para os livros novamente. — Salem. Ele diz meu nome como um aviso e eu paro. Mais uma vez, não preciso olhar para ele para

Página 219 de 551 saber o estado de suas feições, toda tensa e franzida, cortante como uma lâmina. — Estou dando a você a cortesia de fazer a coisa certa por sua livre e espontânea vontade. – diz ele para a garota em uma voz severa. — Mas se não puder, posso facilmente mandar que se abaixe e pegue os livros. Posso facilmente mandar que você fique no chão pelo resto do dia também. – Eu o sinto se mover. — Particularmente, gostaria de abusar um pouco do meu poder. Estou preso aqui de qualquer maneira, certo? É melhor me divertir um pouco com isso. Então, você escolhe. Todo mundo ouviu isso e agora todas estão de boca aberta em estado de choque. Mas eu não. Não estou chocada com o que ele disse e como está se comportando de maneira rude. Não estou chocada que ele seja este novo Arrow aberto. Infelizmente, eu gosto disso. Infelizmente, isso me excita. Essa empolgação que estou sentindo não tem nada a ver com a empolgação que costumava sentir ao ver o velho Arrow, aquele que seria todo contido e sereno. É irreal, essa emoção. É o que deveriam engarrafar e vender nas ruas vazias para almas desoladas e infelizes. Assim, podem injetá-la em suas veias e estar sempre viciadas. Quando a garota que me chamou de rejeitada quase cai no chão para fazer o que ele manda, não consigo parar o tremor no meu estômago e nas minhas pernas.

Página 220 de 551 Eu não consigo parar as batidas do meu coração. Ela me entrega os livros com um olhar feroz e eu os abraço contra o peito. — Boa escolha. – Em seguida, ele diz para todas as outras: — O show acabou. Vocês podem retomar para suas próprias vidas agora. Com medo, todas elas cumprem suas ordens também e eu o ouço murmurar: — Malditas colegiais. Eu me viro então. E o olho pela primeira vez desde que ele entrou em cena. Ele está usando suas roupas habituais, sua camiseta de academia e moletom, tudo cinza, totalmente sexy. As mangas quase imperceptíveis de sua camisa expondo seus bíceps, bronzeados e fortes, cobertos de pelos escuros, e me xinguei por não ter explorado a textura de sua pele, os contornos de seus braços quando tive a chance. Os braços que ele usa para me segurar quando eu caí. Não toquei neles o suficiente naquela noite em que era amiga dele. Salem estúpida. Porque ele nunca mais iria querer ser meu amigo. Eu não quero mais ser sua amiga. Que ideia horrível isso acabou sendo. Sempre soube que era perigoso. Sempre soube que meu amor me levaria a fazer coisas terríveis e desesperadas. Coisas gananciosas. Coisas agressivas. Coisas como atacá-lo com minha boca. — Você não deveria ter feito isso. – digo com uma voz hesitante.

Página 221 de 551 Ele leva seu tempo respondendo, no entanto. Ele preenche o silêncio com seus olhos intensos, que usa para me analisar. E ele faz isso de uma forma tão íntima que estou surpresa que o mundo ainda não tenha entendido. Que ele é mais do que meu treinador. Que ele é meu Arrow. Eu abraço os livros com ainda mais força no meu peito e me coloco de pé. — Feito o que? – ele finalmente pergunta, levantando os olhos. — Me salvar assim. — E por quê? — Po... porque vão pensar que você está me dando um tratamento especial. Já que eu morei com você e tudo. Os músculos tensos de sua mandíbula diz que ele não gostou disso. — Alguém disse algo a você sobre isso? Eu balancei minha cabeça. — Essa não é a questão. — Esta não é a primeira vez que isso acontece com você, é? – ele conclui em um tom baixo, com a corrente de prata em volta do pescoço brilhando perigosamente enquanto ele cruza os braços sobre o peito. Tento não olhar para os músculos em seu torso que fica exposto com aquele movimento. — Não importa. Seu... — Da próxima vez que alguém lhe causar problemas, venha até mim. – ele manda.

Página 222 de 551 — O que? — Eu cuidarei disso. Seu comando em voz baixa envia uma sensação de calor pelo meu corpo. Uma onda de arrepios e batimentos cardíacos acelerados. Ele vai cuidar de mim como fez agora. Mas o fato é que não mereço a ajuda dele. Tentei dar em cima dele quando prometi a mim mesma que não o faria. Quando sei que ele não precisa dessas coisas, já que ele ainda está saindo da separação. Além disso, não sou um rato. Então controlo todos os meus arrepios, respiro fundo e digo: — Você não precisa. Eu posso cuidar disso sozinha. Paro quando ele descruza os braços e, ignorando completamente o que acabei de dizer, declara com a voz mais profissional de todos os tempos: — E gostaria de vê-la em meu escritório, por favor. Depois que você terminar o seu jantar. Eu olho para o lado, confusa. — O que? — Tenho algo que gostaria de conversar com você. — Mas... — E eu decidi que você parará de me evitar agora. – Então ele faz a coisa mais treinada do mundo. Ele bate em seu grande relógio de pulso com pulseira de couro com o dedo e aponta o queixo para me pôr a me mover. — Vejo você em uma hora. Com isso, ele se afasta, me deixando chocada.

Página 223 de 551 Aparentemente, ele ainda pode me chocar porque eu não pensei que ele iria resolver o problema com as próprias mãos. Sobre o fato de que o tenho ignorado. Na verdade eu tenho. Sabia que ele tinha notado também. Quer dizer, é um pouco difícil não notar quando toda vez que o vejo no corredor, abaixo minha cabeça ou me viro e vou embora, corando como uma louca por tentar beijá-lo. Mas não sabia que ele iria me chamar ao seu escritório por evitá-lo. No entanto, é uma coisa boa. Tenho agido como uma covarde. Eu preciso me desculpar pelo que fiz. Eu o fiz se desculpar, não foi? Isso é justo. Além disso, nem acho que vou conseguir falar muito com ele depois disso. Porque lembra da segunda parte do meu grande plano? Aquele que acabaria definitivamente com seu sofrimento. Eu coloquei esse plano em ação. Bem, é mais parecido com o plano de Leah, mas há um jantar na sexta-feira e esse jantar vai mudar tudo. Aquele jantar vai deixá-lo feliz e, enfim, tudo voltará a ser como antes. Arrow e Sarah, juntos, e eu, a irmã mais nova, sozinha, passando o último ano no St. Mary's, esperando por uma oportunidade para fugir. É assim que deve ser. Então, sim, vou me desculpar porque não terei uma chance depois disso.

Página 224 de 551 Com essa determinação, eu tomo o meu banho e janto rapidamente e, quando termino, vou para o escritório dele. Estou com uma calça cargo nova, recém-lavada e passada, e até amarrei meu cabelo com uma fita cor de mostarda em um rabo de cavalo. Toda certinha. Do jeito que ele gosta. Bato na porta e sua voz a atravessa para me atingir no estômago e roubar meu fôlego. — Entre. Engolindo, giro a maçaneta e abro a porta. Ele está sentado em sua mesa. Há um livro aberto sobre a mesa, uma porta-canetas, alguns post-its, uma pilha de cadernos. As bolas de futebol são organizadas em fileira na parede bege, perto de uma estante de livros que tem livros organizados. Tudo tem seu lugar e sua ordem. Até ele. Sentado em sua cadeira de encosto alto, com os ombros largos e as costas eretas, ele parece que pertence a este lugar. Parece que ele comanda a sala tanto quanto domina o campo de futebol. Talvez seja a maneira como ele está olhando para mim, com autoridade completa, posse total. Ou talvez seja a maneira como seu cotovelo está apoiado no braço da cadeira e ele está clicando a caneta na mão, esperando que eu entre na sala. Entre em seu covil. Então eu entro. Eu entro e o calor me envolve de todos os lados. Ele agarra minha nuca, envolve

Página 225 de 551 minha cintura e desliza para baixo em minhas coxas. — Feche a porta. – ele manda, soando como o treinador que ele é. Cada centímetro do famoso The Blond Arrow. Engolindo, eu obedeço. — Tranque-a. – ele manda novamente, clicando na caneta. — O que? — Tranque a porta. Eu prendo a respiração. — Eu... eu não acho que... — Tranque a porra da porta, Salem. — OK. Estendo meus braços para trás e giro a coisinha na maçaneta para trancá-la. No instante em que meu trabalho termina, faço a coisa mais louca de todas. Quero dizer, sou famosa por coisas loucas, então por que parar agora. Eu corro em direção à mesa, em direção a ele. O que pode não ser uma boa ideia, considerando o quanto distante e maduro ele parece. Como um velho professor. Mas isso é como arrancar um band-aid. Preciso me desculpar e não vou esperar nem um único segundo para fazer isso. Já esperei quatro dias sem fazer um pedido de desculpas merecido. Eu estico meus braços. — Antes de dizer qualquer coisa, tenho algo a dizer.

Página 226 de 551 Estou ciente de que foi isso que eu disse a ele no bar, onde exigi que ele se desculpasse, e do jeito que ele me encara, sem mover um músculo a não ser para clicar a caneta, tenho a sensação de que ele também sabe disso. Que ele provavelmente estava esperando que eu fizesse jorrar as palavras como um rio e criasse um drama como a rainha que sou. — OK, então. – eu enxugo minha mão na minha coxa e me inclino contra extremidade da mesa para manter meu tremor sob controle. — Eu sei que tenho evitado você e isso não é legal. Isso não é justo com você, especialmente quando fiz você se desculpar comigo no bar. E fez disso um grande problema. Então, sinto muito por isso. Por não me desculpar antes. Ele me observa de seu lugar e, embora eu esteja olhando para ele ligeiramente, me sinto muito, muito menor do que ele agora. — Você está se desculpando por não se desculpar. Bem, quando ele coloca dessa forma, parece ridículo. — Sim. De certa forma. Mas a questão é que eu não deveria ter feito aquilo. Nunca deveria ter feito aquilo. Eu... – eu tento organizar meus pensamentos. — Me desculpe por ter tentado beijar você. Foi totalmente desnecessário e um grande erro. Você é o namorado da minha irmã... Por que não consigo lembrar o termo correto de nada? — Ex-namorado e isso é de super mau gosto. E estranho. E você não precisa de investidas assustadoras de uma garota estúpida quando você está passando por tanta coisa. E a verdade é que eu queria muito ser sua amiga, sabe? Eu realmente queria ser alguém com quem você pudesse conversar, mas me aproveitei disso e me desculpe.

Página 227 de 551 Respiro fundo quando termino. Embora nenhuma quantidade de respirações profundas acalme meu coração. Está acelerando dentro do meu peito, vacilando e arfando. Entretanto, eu não tenho certeza por causa do que. É porque nossa amizade durou muito pouco e a dor é intensa? Ou é porque ele fica me olhando daquele jeito íntimo dele? Como se ele me conhecesse. Ele conhece cada osso, cada músculo e cada célula do meu corpo. Cada segredo do meu coração de bruxa. Bem quando acho que não aguento mais, sua intensa e dominadora avaliação, ele se inclina para frente e abaixa a caneta, parando de clicar, envolvendo a sala em completo silêncio. Recostando-se, agora com os cotovelos apoiados nos apoios do braço da cadeira e os dedos traçando a curva do lábio inferior, ele pergunta: — Alguém lhe causou algum problema? — O que? — Depois de falar com aquelas garotas no corredor. Eu me pressiono contra sua mesa ainda mais, tentando parar o tremor das minhas pernas. Tentando parar isso pensei nele como... um homem maduro. Mais velho. Quando ele é apenas cerca de cinco anos mais velho do que eu. Mesmo assim, aperto as mãos na minha frente como uma colegial ingênua e balanço a cabeça. — Não. Eu estou bem.

Página 228 de 551 Aquela garotas só me olharam durante o jantar e nada mais. Além disso, eu estava mais concentrada no fato de ter que vir vê-lo em vez de prestar atenção em qualquer coisa ou pessoa. Seus olhos pousam em minhas mãos entrelaçadas antes de assentir. — Que bom. — Eu... — Você não me disse se gostou do passeio de moto naquela noite. – ele me interrompe com uma voz suave e questionadora. Abro e fecho minha boca várias vezes, sem conseguir pensar em nada. — Você gostou? – ele continua com o semblante suave e perfeito, como se ele me perguntando tudo isso fosse completamente normal. E meu peito arfa como se quisesse responder a ele e contar a ele todas as coisas sobre o passeio e tudo o que me aconteceu desde então é completamente normal também. Eu agarro a extremidade da mesa e lambo meus lábios. — Foi ótimo. Obrigada. Eu estou com sua jaqueta. Hum, que você me deu. Eu posso trazer de volta para você se... — Fique com ela. — Mas... é sua. Ele passa o polegar pelo lábio enquanto me observa. — Você gosta, não é? Por algum motivo, minhas bochechas ficam quentes quando ele me pergunta isso. Talvez porque, desde que ele me deu sua jaqueta, eu tenho dormido com ela. Eu estive sentindo o cheiro quando escrevo para ele minhas

Página 229 de 551 cartas noturnas ou quando eu realmente sinto falta dele. Eu concordo. — Sim. — Então agora é sua. – Antes que eu possa argumentar mais, ele me pergunta outra coisa. — Foi seu primeiro, não foi? O passeio, quero dizer. Eu concordo novamente. — Sim. O primeiro e provavelmente o último também. Porque eu acho que nunca serei capaz de sentar em uma moto que não pertence a ele. Acho que nem vou querer isso. Eu não vou… De repente, ele desentrelaça os dedos e empurra a cadeira para trás. O som das rodas e o rangido da velha cadeira me fazem separar os lábios e esticar o pescoço quando ele se levanta. Sem tirar os olhos de mim, ele dá a volta na mesa com passos curtos. — O que você está fazendo? – pergunto enquanto viro meu corpo para mantê-lo à vista. Não que seja difícil. Ele é a maior coisa que eu já vi. O mais alto e o maior. O mais glorioso e o mais impressionante também, e ele está caminhando em minha direção com um propósito. Ele me alcança um segundo depois e como na ponte, ele coloca as duas mãos na mesa em cada lado meu, para ficar na minha altura, com seus olhos todos azuis e sérios.

Página 230 de 551 Mas, ao contrário da ponte, ele está fazendo tudo em seu escritório bem iluminado, onde posso ver cada movimento de seus cílios, cada contração de sua mandíbula, cada pequena mecha de cabelo com reflexo pelo sol. — Arrow. – eu sussurro, agarrando a mesa com tanta ferocidade que meus dedos estão latejando. Ele ainda não me respondeu. Pelo menos não com palavras. Ainda olhando para mim, sua mão estende e puxa o laço da minha fita. Olho para baixo enquanto o laço desajeitado que fiz antes de chegar ao seu escritório se desfaz e meus cachos se espalham por toda parte, principalmente em seus dedos grandes, com minha fita caindo no chão. Arrepios aparecem na minha pele e olhando para ele, eu sussurro novamente: — O que você está fazendo? Seus olhos estão no meu cabelo. — Desamarrando sua fita. — Por quê? — Porque eu não gosto dela. Minha respiração falha. — Ma... mas pensei que você odiava coisas desarrumadas. — Eu odeio. – ele desvia os olhos do meu cabelo crespo e solto e se concentra em mim, no meu peito que respira apressadamente. — Mas estranhamente não em você. Eu gosto de você desarrumada. Eu quero dizer algo e fazer algo. Soltar a extremidade da mesa e agarrar seus ombros nus,

Página 231 de 551 cravar minhas unhas em seus músculos cor de mel. Mas eu me contenho. Embora um segundo depois, a escolha foi tirada de mim porque ele colocou as mãos em mim. Ele me agarra pela cintura, me levanta e me senta em sua mesa, tudo em questão de segundos, e eu tenho que colocar minhas mãos nele porque me sinto tão leve neste momento, tão no escuro sobre suas intenções que eu o agarro e seus bíceps flexionados, para dar sentido ao mundo. E quando ele simplesmente deixa suas mãos lá, em volta da minha cintura, sou compelida a sussurrar: — O que está acontecendo? Por que você está... – lambo meu lábio, com meus pés balançando, pendurados para fora da mesa. — Me tocando assim. Estreitando os olhos ligeiramente, ele circula o polegar em volta do meu umbigo. — Por que, você não gosta? Eu gosto. Por algum motivo, sinto suas palavras logo atrás do meu umbigo, onde ele está me tocando. Tanto que eu passo minhas unhas ao longo de seus bíceps e ofego, — E...eu não acho que você deveria. — Por quê? — Porque... – eu engulo. — Porque você é meu treinador e... E o ex-namorado da minha irmã. E o amor secreto da minha vida e eu sou tão ambiciosa...

Página 232 de 551 — Mas pensei que éramos amigos. – ele murmura. — Você queria ser minha amiga. Você não acabou de dizer isso? Eu balancei minha cabeça. — Eu disse. Mas não somos. Não mais. É melhor se não formos. — Melhor para quem? Eu olho para ele com pesar. — Para você. Eu sou... perigosa. Ele me encara por um segundo. — Acho que vou arriscar. Eu soltei um suspiro, olhando para seus lábios lindos que acabaram de dizer isso e se eu fosse uma pessoa melhor, eu o afastaria e reagiria mais com ele. Eu contaria a ele tudo sobre meu coração de bruxa para que ele nunca me tocasse novamente. Mas Deus, é tão bom. Que ele está me tocando. Que ele está me segurando com suas mãos fortes, então apenas um protesto baixo sai da minha boca. — Eu não acho que amigos se tocam assim. Suas narinas inflam quando ele passa o polegar sobre minha barriga. — Bem, você nunca foi minha amiga. – Antes que eu possa responder a isso, seus olhos descem para meus lábios também e ele pergunta: — Então, você beija todos os seus amigos, Salem? Com a mudança abrupta de assunto, eu meio que pulo. Bem, o máximo que posso com suas mãos na minha cintura, mantendo-me presa à mesa. Piscando, eu balanço minha cabeça. — Não. — Então, só eu. — Eu... – eu abaixo minha cabeça, olhando para o medalhão de prata de sua corrente. — Sim.

Página 233 de 551 — Como o passeio, foi seu primeiro beijo também? Eu fecho meus olhos quando um sentimento de vergonha passa por mim. Não só isso, como minhas pernas balançam, meu corpo balança também e de alguma forma eu acabo em seu peito duro. Minha testa pressiona a curva de seu peitoral e eu aceno com a cabeça. — Sim. — Dezoito anos e nunca foi beijada. – ele murmura e eu sinto isso na minha bochecha. — Imaginei. Eu me afasto dele e olho para cima. — Como? Ele começa a acariciar minha cintura então. — Você estava tão ansiosa para isso. Tão ansiosa pelo seu primeiro beijo. Você estava com os lábios carnudos e escuros franzidos, os olhos fechados, o corpo tenso esticado e o pescoço inclinado. Como uma garotinha impaciente. – ele faz uma pausa para me observar antes de dizer: — Aposto que você é uma daquelas. — Uma daquelas o quê? – pergunto e em vez de responder, ele começa a me ajustar primeiro. Seu corpo estava envolto em mim como um cobertor, com suas mãos na minha cintura, acariciando a pele através da minha camiseta e seus ombros bloqueando a visão da sala ao meu redor. Mas com minha pergunta, ele me arrasta pela mesa e muda de posição. E eu percebo que ele está entre minhas coxas também. Ele está me cobrindo de cima a baixo. Não só isso, no passado - embora muitos minutos - minhas coxas subiram e fizeram um abrigo em torno de sua cintura fina e meus pés

Página 234 de 551 agora estão pendurados na parte inferior de suas costas, em vez de na mesa. Provavelmente já deveria saber coisas assim, mas a sua proximidade me deixou entorpecida. Quando estou conforme o jeito que ele quer, ele responde: — Uma daquelas garotas que tem realmente essa famosa síndrome. Meu peito está meio ofegante com seus movimentos e agora que sei que tenho Arrow entre minhas coxas, aperto-as ritmicamente para sentir sua força. — Que síndrome? – sussurro. — Síndrome da menina carente. — O que? A diversão surge em seus olhos e ao redor de sua boca quando ele responde: — Aposto que é uma daquelas garotas que ligam o tempo todo. Que mandam mil mensagens de textos, comemoram todos os aniversários. Que têm apelidos excessivamente melosos para os seus namorados. Quem faz cartões de aniversário e de dia dos namorados. Aparece sem avisar no apartamento do cara com um jantar caseiro e um filme romântico. Você é, não é? Não sei como ele pode dizer essas coisas do jeito que as está dizendo, todo terno, como veludo e ainda me fazendo franzir a testa para ele, ainda fazendo com que eu me torne totalmente dócil e meiga com ele, tudo ao mesmo tempo. — E daí se eu for? — E o faz assistir esse filme com você enquanto está o abraçando. – ele continua enquanto suas mãos provocam a pele da minha cintura e acariciam ao mesmo tempo. — E ele está pensando em deslizar a mão por baixo da sua

Página 235 de 551 camiseta, tentando sentir, mas não consegue. Porque você está chorando em cada cena romântica. E você chora mais alto no final, quando o herói chega ao aeroporto, na hora certa e diz todas as palavras certas, e se ajoelha. Você chora, não é? Chora em uma cena como essa. Eu o afasto então, ou tento. Acho que tudo que acabo fazendo é acariciar seus bíceps e esfregar minhas coxas contra seus quadris. — Não. – eu minto. O que o faz rir em algum lugar baixo em sua garganta e pairar sobre mim como uma sombra. — Você é a garota que todo cara foge. Você é o pesadelo de todo homem, Salem. Porque é a garota que tem muito amor dentro de você. Com isso, tenho que afastá-lo. Eu preciso. Porque, ah meu Deus, ele é um enorme idiota. Mas quando vou fazer isso, o afasto e ele aperta minha cintura. Na verdade, ele me atrai para mais perto e funde nossas partes inferiores de nossos corpos. Funde o lugar entre minhas pernas com sua pélvis dura. E toda diversão desaparece de seu rosto enquanto ele sussurra asperamente: — Então você estava certa sobre o fato de que foi um erro, você tentar me beijar. Mas não pelos motivos que você pensa. Não porque sou seu treinador ou ex-namorado de sua irmã. Ou seu amigo. — Então por quê? — Porque eu também sou um desses caras. – ele sussurra contra meus lábios, com seus olhos escuros e penetrantes. — Eu sou o cara que é um pesadelo para uma garota como você.

Página 236 de 551 Minhas coxas apertam em torno dele de novo e meus braços sobem e eu os envolvo em seu pescoço. — Por quê? — Porque eu estou vazio. – diz ele com os dentes rangendo e castigando a minha cintura com as mãos. — Estou vazio. Porque tudo o que eu tinha, eu dei a ela. Qualquer porra de amor que eu tinha, ela o usou e jogou fora. Ela pegou e jogou no vaso sanitário, entendeu? — Arrow… — E eu não tenho mais nada agora. Nada além dessa raiva profunda e uma necessidade de destruir algo. Machucar alguém. Com isso, seu corpo estremece e eu o seguro com mais força. Mais apertado, mais apertado, mais apertado. Com meus braços e com minhas pernas. E decido que devo contar a ele. Eu deveria dizer a ele que ele não se sentirá assim por muito tempo. Que tudo está chegando ao fim. Tudo isso. Ele só tem que esperar mais alguns dias e então tudo isso estará acabado. Ele terá o que quer, ela, e toda a sua raiva, seu sofrimento irá embora. — Arrow, me escute, ok? Eu... Mas ele está muito longe, com seus olhos escuros e tristes, seu corpo todo quente. — Então, se você acha que é perigosa, eu sou uma bola de demolição. Perco o controle. Sou um incêndio florestal. Posso queimar casas. Posso queimar cidades também. Portanto, nunca cometa o erro de tentar me beijar novamente. Porque eu não quero uma garota

Página 237 de 551 carente agarrada a mim e você não quer um cara dando a você sua primeira lição sobre um coração partido. Pisco os olhos furiosamente, tentando conter as lágrimas, quando ele diz: — Mas um conselho: todo esse amor, só vai te trazer dor. Isso só vai te deixar infeliz. Então, talvez você deva fazer algo sobre isso. — Fazer o que? — Encontre alguém que possa curar você. Alguém que pode ter todo seu amor. Ele me solta abruptamente então. Ele solta minha cintura e se desprende do meu corpo, e eu não tenho escolha a não ser deslizar da mesa e descer para o chão. Ofegante e tremendo, eu olho para ele e ele aponta o queixo para alguma coisa. — Isso é para você. É uma pequena caixa retangular, uma caixa de sapatos, do tipo onde coloco minhas cartas secretas, em uma das cadeiras. — São chuteiras de futebol. Você vai usá-las de agora em diante. Mas apenas no campo. Enquanto treino com você. Três vezes por semana. Ainda confusa, eu digo: — O quê? Ele range a mandíbula, de uma forma que parece composto e confiante, com os braços cruzados sobre o peito. — Agora você não precisa assistir a fitas de jogos antigos para aprender. Eu olho para ele, sem palavras. — Mais uma coisa. – ele descruza os braços, tira algo do bolso e o coloca na caixa de sapatos. Eu pego e desdobro; é uma autorização.

Página 238 de 551 Para passeios. Aqui está o meu nome, a data e a hora, juntamente com a assinatura dele na parte inferior. — Vejo você no jantar na sexta-feira.

Ele está atrasado. Para o jantar de sexta-feira. O jantar que Leah e eu fizemos. Bem, a Leah veio com isso quando eu entrei em seu escritório e disse a ela que nós precisávamos fazer algo para juntar Sarah e Arrow. E que ela tinha que fazer isso porque, se viesse de mim, minha irmã nunca iria seguir em frente com isso. Ela me disse que já havia providenciado isso. E que a Sarah estava voando para cá no próximo fim de semana. Leah me trouxe da escola para casa e Sarah chegou algumas horas atrás. E agora estamos todas esperando por ele na mesa de jantar, sentadas na beirada de nossas cadeiras, silenciosas e tensas. É a mesma mesa em que me sentei por anos. Eu sempre mantive minha cabeça baixa e, ao mesmo tempo, tentei ter um vislumbre dele. O cara por quem estou apaixonada. Só então a porta se abre. Faz um pequeno ruído e, de repente, a tensão no ar aumenta. De repente, estou corada, irrequieta e ao mesmo tempo ansiosa e com

Página 239 de 551 medo de vê-lo. Passos ecoam na casa silenciosa e eu aperto minhas coxas, com meus olhos baixos olhando para mesa e minhas mãos torcendo no meu colo. E então, ele está aqui. Na soleira da porta. Eu não olhei para ele, mas posso sentir o cheiro dele. Eu posso sentir seu calor. Posso sentir meu corpo começando a suar. Um segundo depois, tenho que olhar para cima porque ouço o barulho de uma cadeira arrastando no piso de madeira. A cadeira da minha irmã. Ela está de pé. É assim que sou enviada de volta no tempo enquanto os vejo juntos. Enquanto eu os vejo olhando um para o outro. Enquanto eu o observo olhando para ela. Como sempre, ele olha para ela como se ninguém mais existisse. Suas feições se preparam para serem as mais impressionantes que podem ser. Seus olhos se tornam os mais lindos que eles podem ser também. E eu me apaixonei por ele novamente. Eu me apaixono por Arrow novamente enquanto ele olha para minha irmã.

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Acho que o jantar foi uma má ideia. Bem, eu sabia que ele ficaria chocado. Eu sabia. Mas eu pensei que quando ele visse a Sarah, ele superaria aquele choque ou aquela explosão inicial de raiva. Mas nada disso aconteceu. Na verdade, acho que ele ficou ainda mais irritado à medida que o jantar avançava. Não que ele tenha mostrado isso. Ele não estava sendo rude ou indelicado ou idiota com ninguém como ele é hoje em dia. Ele comeu sua comida. Na verdade, ele comeu cada garfada e foi o único. Ninguém naquela mesa terminou tudo. Nem mesmo Leah e Sarah. Mas Arrow comeu e quando terminou, ele tomou um gole de água e abaixou o copo delicadamente. Ele até comeu sobremesa e, quando o jantar oficialmente terminou, ajudou a tirar os pratos. Ele era cada centímetro do Arrow que eu conhecia antes. E eu não gostei nem um pouco disso. Não gostei que ele estivesse controlando sua raiva. Mesmo que eu possa ter ajudado a se libertar.

Página 241 de 551 Agora eles estão conversando, Arrow e Sarah. Ou pelo menos eles deveriam estar conversando, porque logo depois do jantar Leah me pediu para ir para o meu quarto e enquanto eu estava saindo eu a ouvi dizendo que eles precisavam conversar. Aquele Arrow precisava agir como um adulto responsável, ter uma conversa e resolver isso. Isso foi há cerca de quinze minutos. Desde então, tenho andado de um lado para o outro, ouvindo meus próprios passos abrindo um buraco no chão e as batidas altas do meu coração de bruxa. Até agora. Até eu ouvir vozes. Bem embaixo da minha janela. Corro para lá e me ajoelho. Agarrando a beirada do parapeito da janela, eu coloco minha cabeça para fora e o vejo. Meu Arrow. Vejo o topo de seu cabelo loiro escuro e a curva larga de seus ombros, encostados na parede. A última vez que o vi aqui, logo abaixo da minha janela, foi quando ele veio passar o Natal com a Sarah. Eu estava tão empolgada, tão animada e trêmula em vê-lo pessoalmente depois de meses que não conseguia dormir. Eu estava prestes a sair de bicicleta quando vi a fumaça subindo pela minha janela. Eu fiz exatamente a mesma coisa que fiz esta noite. Corri para a janela e coloquei minha cabeça para fora. Eu abri minha boca e traguei a fumaça que ele estava deixando escapar, enchendo meus

Página 242 de 551 pulmões com seu cigarro enquanto o amava com todo meu coração. No entanto, esta noite não há fumaça. Ele está simplesmente parado ali, com a casualidade escorrendo de seu corpo como um rio. Mas eu sei que não é bem assim. Eu sei que ele está tenso, posso dizer pela inclinação rígida de seus ombros e como seu cabelo parece bagunçado. Aposto que alguns fios caíram para tocar em sua testa. Eu gostaria de poder ir até ele e afastá-los. Mas eu não posso. Porque ele não está sozinho e não é meu direito, certo? É da minha irmã e ela está parada na frente dele, combinando com ele em todos os sentidos. Sua aparência, sua confiança e sua altura. A maneira como ela se veste com roupa profissional e casual ou o que quer que seja: uma saia plissada e uma camisa de seda com o cabelo preso em um coque francês. Ou pelo menos foi assim que ela chamou quando Leah perguntou. Ela só precisa esticar um pouco o pescoço quando diz: — Você não precisava sair daquele jeito. — Não, eu tinha que sair. – ele diz levianamente. — Eu estava falando. — Eu sei. — Então, isso é melhor? Estar de pé aqui. Neste ponto escuro. — É o meu lugar favorito, na verdade. Normalmente venho aqui quando quero fugir. Por exemplo, quando as pessoas estão falando e eu não tenho interesse no que estão dizendo. Mas, por algum motivo, elas não conseguem entender o sinal e calam a boca.

Página 243 de 551 — Você... – Minha irmã exala bruscamente. — Isso é tão grosseiro, A. — Grosseiro. – ele ri um pouco. — Sim, eu sou isso. Embora, eu acredite que o termo correto é idiota. — O que? – Está meio escuro e os dois são nada menos que silhuetas, então eu não posso saber com certeza, mas sei que minha irmã provavelmente está franzindo o nariz agora. — Sim, é estranhamente satisfatório. – Arrow diz. — Às vezes você leva um tapa na cara. Mas acho que aceito isso. — O que? — Mas vale a pena. Minhas unhas cravam na madeira e eu mordo meu lábio, sentindo uma onda de eletricidade passar por mim. Fui eu; Eu dei um tapa nele. E eu o chamo de idiota. Eu o chamo assim o tempo todo. E estou cheia de tanta necessidade de ir até ele agora, mas esfrego meus joelhos no chão. Porque eu não posso. Você não pode, Salem. Você absolutamente não pode ir até ele agora. Assim que eles voltarem e o casamento acontecer, eu terei que encontrar uma maneira de fugir e deixá-los em paz. — Do que você está falando? – Minha irmã pergunta, exasperada.

Página 244 de 551 Arrow murmura. — Não acho que você vai entender. Está um pouco acima do seu alcance. Então o que você quer? Minha irmã murmura. — A, nós realmente precisamos conversar. — Nós realmente não precisamos conversar porque ninguém precisa realmente falar. – diz ele. — As pessoas falam porque querem. E eu acho que realmente não quero falar. — A, por favor. – diz ela com determinação. — Não sei o que deu em você, mas está na hora. Você tem ignorado todas as minhas ligações e mensagens de texto. — Novamente, isso geralmente é um sinal de que alguém realmente não quer falar. Sarah balança a cabeça, com seu cabelo brilhando sob a luz fraca da lua. — Olha, não quero brigar com você. Eu só quero conversar. Eu só quero resolver isso. — Engraçado. Porque eu estava com a impressão de que não havia mais nada para resolver. — Há e nós podemos fazer isso. Eu sei que nós podemos fazer isso. Podemos fazer qualquer coisa, você e eu. Somos um time. – ela se aproxima dele. — Tenho trabalhado muito para você, A. Você não tem ideia. Mesmo que esteja escuro, ainda noto a rigidez no corpo de Arrow. Isso não se limita apenas aos ombros agora. Ele continuou e todos os seus membros ficaram tensos e até mesmo sua voz. — Bem, por que você não me dá uma ideia, então? — Todo o time foi afetado por suas ações. Provavelmente nem chegaremos às semifinais agora. Rodriguez não é tão bom quanto você e

Página 245 de 551 você sabe disso. O time enlouqueceu, A. Eles culpam você. A confiança deles em você e em seu julgamento foi abalado. Sou a única do seu lado e estou apagando incêndios em todos os lugares. – Minha irmã responde ansiosamente. — As pessoas ainda estão esperando que você se desculpe. Mas disse a elas para lhe darem tempo. Eu disse a elas que você faria a coisa certa. Porque eu me importo com você. Eu te amo. Eu quero você de volta no time. Eu quero você de volta na minha vida. Há silêncio por alguns segundos depois disso. Quando meu coração está batendo forte e acelerando. Este é um momento muito íntimo. Eu deveria me levantar. Eu deveria. Mas, Deus, meus joelhos estão colados ao chão e minhas unhas cravaram na madeira, e não há como soltá-las. Não há como eu me mover e levar minha presença tóxica e invasora embora. — Como está o Ben? – Arrow pergunta. — Ele sabe que você está falando comigo sobre voltarmos? É a vez de Sarah ficar tensa agora. Novamente, eu não consigo ver muito claramente, mas posso sentir tudo. Eu posso sentir a tensão em seu corpo. — Ben não tem nada a ver com isso. – ela diz em voz baixa. Arrow ri novamente. Desta vez, no entanto, falta humor. — Peço desculpas, mas não concordo. — A...

Página 246 de 551 — Porque não parecia assim quando você estava transando com ele. Ou talvez eu esteja errado. Com isso, sinto uma beliscada, uma picada em meus dedos. Uma picada que se torna latejante e toma conta de toda a minha mão. De alguma forma, aquela picada viaja para meu peito também, fazendo um abrigo lá, apertando meu coração com força. Tão forte e dolorosamente que não posso ter certeza se estou ouvindo coisas ou se isso é real. Se ele disse o que disse. Um segundo depois, Arrow se afasta da parede e se endireita. Não só isso, ele agarra o braço de Sarah e dá um puxão que sinto no meu próprio corpo. Inclinando-se mais perto dela, ele resmunga: — Responda-me, Sarah. Estou errado? Minha irmã está tentando se libertar. — A, por favor. Você está me assustando, ok? Pare de agir assim. Pare de ser assim... — Como, com raiva? – ele a sacode novamente. — A terapeuta que você me encontrou diz a mesma coisa. Ela me pergunta “por que você está tão irritado, Arrow? Descreva em suas próprias palavras o que aconteceu para deixá-lo tão irritado”. – ele ri sem humor. — Talvez eu deva dizer a ela. Talvez eu devesse contar a ela a verdade. Que um dia eu acidentalmente vi o celular da minha namorada. Eu acidentalmente li uma mensagem que dizia “Sinto a sua falta. Sinto falta do seu corpinho tonificado. Podemos nos encontrar no mesmo lugar?” Quando perguntei a ela sobre isso, ela mentiu. Ela disse que foi uma única vez, mas, ao que parece, não foi. Porque mais tarde naquela noite peguei o celular dela novamente. Ela não tinha mudado a senha que ela tinha desde os

Página 247 de 551 tempos de faculdade, então foi muito fácil. Talvez ela seja burra ou talvez tenha pensado que eu nunca pensaria em checar seu celular, não sei, mas depois de uma hora de leitura, descobri que minha namorada, a quem eu planejava pedir em casamento, estava tendo um caso. Ela estava fodendo com meu assistente técnico por meses. Então, estou com raiva, Dra. Lola Bernstein, porque a garota que eu amava mentiu para mim, não uma, não duas, não três vezes, mas por meses. Por meses, ela estava dormindo com meu melhor amigo e nenhuma vez ela pensou em me contar sobre isso. Sim, talvez diga isso a ela na próxima vez. Talvez nós devêssemos contar para minha mãe também. Pelo menos então ela vai parar de fazer essas tentativas patéticas de nos juntar novamente. Sarah está chorando agora; Eu posso ouvir seus soluços baixos. Eu não tenho esse luxo, no entanto. Eu não consigo chorar. Meus soluços nunca foram silenciosos. Meus soluços são como uivos. Eles são barulhentos. Eles têm o poder de estourar tímpanos e vidraças. Então, estou mordendo o interior da minha bochecha para evitar que minhas lágrimas caiam. Estou mordendo até sentir o sangue se acumulando na minha língua, todo metálico e quente. — Me desculpe, ok? Lamento ter cometido um erro. Me desculpe por nunca ter te contado. Eu pensei que estava protegendo você disso. Achei que estava fazendo isso para o seu próprio bem. Eu não queria que nada afetasse seu jogo, seu foco. E eu ia terminar com ele, de qualquer maneira. — Mas eu flagrei você primeiro, não é? Sarah estremece. — Eu te amo, A. Eu só estava tentando poupar você do sofrimento. Eu

Página 248 de 551 estava tentando proteger a vida que construímos. Eu estava tentando proteger seu coração. Eu… — Você estava tentando proteger meu coração. – Arrow diz em uma voz baixa e áspera. — Sim. Sim, eu estava. Por favor. Ele a encara por alguns segundos antes de soltá-la e se afastar. — Quero que você vá embora, entendeu? Dê uma desculpa e vá embora antes que esta noite termine. E não volte aqui por mim. Ele está pronto para ir. Ele até dá alguns passos para longe dela. Mas ele para quando está prestes a passar por ela. — Você disse que estava tentando proteger meu coração. Mas você o matou em vez disso. E então se afasta com seus longos passos raivosos e determinados, fazendo-o parecer de alguma forma imparável. Como se ele fosse a bola de demolição que me disse que era, no escritório. Uma força da natureza. Meu Arrow. Meu sol em um caminho de guerra. Assim que ele desaparece na noite, deixo escapar meu primeiro soluço. Eu me afasto da janela e caio de bunda no chão. Eu soluço repetidamente, mas tenho vergonha o bastante para cobrir minha boca, para não alertar o mundo inteiro que estou chorando. Que meu coração de bruxa está se partindo porque alguém matou o coração do garoto que amo.

Página 249 de 551 Seu grande, precioso e querido coração. Como alguém poderia fazer isso com ele? Como minha irmã pôde? Deus, minha própria irmã. A garota que é perfeita em todos os sentidos. Como ela pôde fazer isso? O que ela estava pensando? Eu não consigo entender isso. Eu não posso... acreditar, mesmo. Eu ouço seus passos subindo as escadas e me levanto da minha posição agachada. Eu nem mesmo paro para enxugar minhas lágrimas que ainda estão escorrendo pelo meu rosto. Eu abro a porta. De pé no patamar, Sarah franze a testa com a rapidez de tudo. — O que... — Você o traiu. – digo com uma voz firme. Quase declaro isso para o corredor escuro e vazio. Ela está surpresa, com o seu franzido de testa se aprofundando e, pela primeira vez em toda a minha vida, não gosto de como sua pele é suave e perfeita. Ela estava chorando um segundo atrás, não estava? Por que não há marcas de rastros em suas bochechas? Por que ela é tão perfeita mesmo em sua infelicidade? Por que o mundo dela não está desmoronando como o meu? — Como você... o quê? – ela para. — Eu ouvi sua conversa.

Página 250 de 551 Ela perde o franzido na testa com isso e seus lábios se curvam em um sorriso de deboche. — Você não tinha o direito. Ela está certa. Eu não tinha o direito de escutar. Estava errado. Mas fiz mesmo assim. E eu não me importo com certo ou errado. Não agora. Não quando minha irmã tem tanto a explicar. — Você o traiu. – eu repito. Seus olhos se arregalam e ela caminha em minha direção. — Você pode manter sua voz baixa? — Por quê? Eu não quero manter minha voz baixa. Eu quero gritar, berrar, chutar e socar. Estou com tanta raiva. Estou com muita raiva agora. O fogo ruge em minhas entranhas. Ele ruge e levanta a cabeça como uma espécie de animal. Um dragão cuspindo fogo. É isso que ele está sentindo todo esse tempo? Este... calor e fúria. — Bem, se você ouviu tudo, sabe por quê. – Então ela agarra meu braço e crava as unhas na minha pele, sussurrando no meu rosto. — Isso foi um erro. Eu não quero meu erro espalhado para todo mundo. Eu não sou como você. Não me divirto com mau comportamento. Eu não me orgulho disso.

Página 251 de 551 Um rubor cruza meu rosto, um rubor diferente da raiva que estou sentindo. Um rubor de vergonha pela minha própria traição contra ela. Mas eu não vou deixar isso me dominar agora. Eu não posso. Posso me amaldiçoar e me punir mais tarde. Agora, tenho que ser forte. Por ele. Por meu Arrow. — Erro? Trair o seu namorado não é um erro. – grito com minha irmã pela primeira vez. Nunca pensei que veria esse dia. Nunca pensei que ficaria brava com ela por nada. Mas então, eu nunca pensei que ela trairia Arrow assim. — Ah, e você sabe muito sobre namorados, não é? – ela range os dentes. — Eu sei sobre mentiras. Você mentiu para ele. Por meses. Você mentiu para mim quando perguntei. Você mentiu, Sarah. — E daí? Eu não tenho obrigação de dizer a verdade para você, tenho? Eu não devo nada a você. E eu disse para você ficar fora disso. Eu disse para você parar de fazer perguntas porque esta é a minha vida. E não tem nada a ver com você, mas você não quis ouvir. Eu oprimo a dor no meu peito com suas palavras insensíveis. Eu oprimo a vontade de gritar, eu sou sua irmã. Isso não significa algo para você?

Página 252 de 551 Mas, novamente, isso não é sobre mim. É sobre ele. — E quanto a ele? Você tem obrigação de dizer a verdade para ele, não é? – pergunto, com meu braço ficando dormente com o seu aperto. — Como você pôde fazer isso com ele? Você dormiu com o melhor amigo dele. Não uma vez, mas por meses e você mentiu sobre isso. — Escute, não preciso disso de você, ok? Eu não preciso que você me diga o que é certo e o que é errado. Eu fiz o que fiz porque estava tentando salvar nosso amor. Menti para ele para poupá-lo do sofrimento e não vou me desculpar por isso. Depois que nos casássemos, eu teria parado e nada disso teria acontecido. Aperto minhas mãos, vendo minha irmã sob uma nova perspectiva. — Deus, você está se ouvindo? Você estava tendo um caso com outro homem. Pelas costas de Arrow. Ele amou você. Ele te amava muito, Sarah. E você o amava. Deus, pensei que você o amava. Achei que seu amor fosse isso... épico e intocável e eu... Eu estava errada. Eu estava tão errada. Porque como isso pode ser amor? Como meses de mentira pode ser amor? Como você pode machucar alguém do jeito que Sarah machucou Arrow se você o ama? Você não pode machucá-los. Essa é a coisa sobre o amor. Você não pode machucar quem você ama, não deliberadamente. Não do jeito que Sarah fez. Então, eu estava errada sobre tudo. E Sarah estava certa. Ela me disse para não me intrometer e, ainda assim, eu não dei ouvidos.

Página 253 de 551 Eu me intrometi e os reuni e agora ele foi para algum lugar e eu estou tendo uma discussão com minha irmã. A irmã que eu pensei que não poderia fazer nada errado. Deus, eu fui tão ingênua. Eu nem conheço minha própria irmã. — Você não faz isso com uma pessoa que ama. Você não as machuca assim. E ele está sofrendo. Arrow está... ferido. Você matou meu coração... Meu próprio coração se contorce de dor e tenho que soltar um suspiro. Não é de admirar que ele esteja tão irritado e tão mudado. Não é à toa que ele acredita que está vazio e que o amor não traz nada além de sofrimento. — Como você sabe que ele está sofrendo? – ela pergunta, com sua voz ficando toda grossa e acusadora. — O que? Ela puxa meu braço, cravando suas unhas bem cuidadas em minha pele. Mesmo através do meu suéter grosso e largo, sinto que ela vai furar minha pele. — Ele deveria ser apenas seu treinador de futebol, certo? Como você sabe o que ele está passando? Além disso, você não está um pouco preocupada com um cara de quem você nem mesmo gosta? – ela estreita seus olhos dourados perfeitos para mim. — Você não gosta dele, não é? Você saia da sala toda vez que ele entrava. Você nem mesmo falava com ele. Não ia perto dele. Então, desde quando você chama o A de Arrow? Ou

Página 254 de 551 talvez você também esteja mentindo. Meu coração, em toda sua glória de bruxa, pula na minha garganta. Os rastros de lágrimas em minhas bochechas queimam e ardem, sob os olhos astutos de minha irmã. — Talvez você esteja tão preocupada com Arrow porque você também gosta dele. – ela provoca. — Dá pra ver. Ele tem esse dom. As garotas se jogam nele o tempo todo. Por que você não se jogaria? Você gosta dele, Salem? Eu balancei minha cabeça. — Eu... eu não... não se trata disso. Ela se abaixa e agarra meu braço com mais força. — Você gosta, não é? Eu me contorço em seu aperto, com o meu corpo queimando de vergonha. — Sarah, me solte. Seus olhos brilham com malícia e suas unhas quase tiram sangue da minha pele. — Eu quero que você me escute, ok? Se você tem alguma ideia sobre Arrow, deveria tirá-la da sua cabecinha idiota agora mesmo. Ele é meu. Ele está um pouco bravo agora porque a ferida é recente. Mas temos oito anos juntos. É isso o que você me disse, certo? Oito anos de amor. Oito anos de história. Um erro não pode apagar isso. Eu não vou deixar apagar. Pertencemos um ao outro. Ele tem que voltar para Los Angeles algum dia e, quando isso acontecer, estarei esperando por ele. E se isso não for o suficiente para fazer você entender e acabar com suas fantasias tolas, então deixe-me dizer outra coisa. Ele nunca estará interessado em alguém como você. Alguém tão sem objetivo e sem ambição. Uma vergonha. Isso é o que você é. Até a mamãe ficou com vergonha de você. Ela não iria demonstrar, mas eu sabia. Como ela poderia não ficar? Você é uma anomalia. Alguém que não deveria ter nascido

Página 255 de 551 em nossa família. Uma mancha grande e enorme. E você será outra coisa também, se ao menos se atrever a dar em cima dele, do meu namorado. Algo muito pior. Você vai ser uma vadia, ok? Porque é assim que chamam uma garota que vai atrás do homem de outra pessoa.

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Eu espero por ele embaixo da minha janela. No local onde ele fuma e no local onde conversaram, ele e ela. Sarah foi embora há pouco. Não sei o que ela disse para Leah, mas ela fez as malas e chamou um táxi para o aeroporto. Leah foi dormir então. Ela tem que voar para uma conferência amanhã de manhã e disse que me levaria de volta a St. Mary's antes de partir. Significa que meu tempo está quase acabando. De manhã, voltarei a todas as regras, horários e organização. Vou voltar para o encarceramento, trigonometria e perder minha bicicleta. Eu não me importo com isso. Eu nem esperava obter tanto um indulto. Especialmente quando ainda não tenho o privilégio. Mas ele me tirou de lá. Ele me saltou daquela cerca de concreto como se eu fosse um pássaro preso em uma gaiola. Então eu não consigo dormir. Eu não vou. Estou esperando por ele. Meu emancipador. Parece que ele se foi há muito tempo. Provavelmente, ele voltou para o hotel onde está hospedado. Então ele não vai voltar.

Página 257 de 551 Mas ainda assim, eu espero. Porque por algum motivo, acho que ele virá. Ele vai voltar para a casa. Não sei por que acho isso; não há nada aqui para trazê-lo de volta. Sarah se foi. Ele está irritado com sua mãe. Mas eu estou aqui e sou sua amiga. E algo me diz que ele vai voltar por minha causa. Deus, todo esse tempo. Por que ele não disse nada? Sobre o que Sarah fez. Por que ele não... Um segundo depois, eu ouço o rugido de sua moto e os meus pensamentos agitados se desintegram. Ele voltou. Ele voltou! Estive sentada sob a janela na grama fria de outono, com meus joelhos encolhidos e pressionados ao meu peito, com meus braços em volta deles. Estive balançando para frente e para trás com impaciência, mas eu paraliso agora. Eu paraliso ao vê-lo na garagem, sentado em sua moto. Seus olhos em mim. Seus olhos azuis brilhantes, que parecem tão escuros quanto a noite daqui, estão grudados na minha forma encolhida. Como se ele soubesse que eu estaria aqui. Que eu estaria esperando por ele. Ele tem razão. Não importa a hora, a estação, o clima, eu sempre estarei esperando por ele.

Página 258 de 551 Sem tirar os olhos de mim, ele se move. Ele se inclina para frente, arqueia sua coxa poderosa sobre o assento e desce. Assim que ele se levanta, fico de pé. E quando ele começa a andar, eu saio correndo. Meus pés cobertos de meias de lã batem no chão enquanto eu corro em direção a ele e nos encontramos em algum lugar no meio do quintal, onde eu o observei inúmeras vezes de cima, através da minha janela. Embora, encontro não seja como eu descreveria a maneira como quase atiro meu corpo nele. Como se eu fosse o pássaro voando em sua direção que ele deixou sair da gaiola, ou talvez eu nem mesmo seja um pássaro. Talvez eu seja uma tempestade e ele me absorve com uma postura ampla e um corpo sólido e eu me enterro em seu peito. Eu pressiono meu corpo minúsculo contra o seu grande, com meus braços indo ao redor de sua cintura e minha bochecha pressionada contra suas costelas, bem onde seu coração está. Seu querido coração morto. Eu acho que isso o chocou. Minha ferocidade, a força que estou usando para abraçá-lo, porque ele fica todo rígido. Mas eu não o solto. Eu nunca vou deixá-lo ir. Pelo menos, não do meu coração. E talvez ele saiba disso. Ele sabe que não importa o que aconteça, ele não pode escapar do meu abraço, então o seu corpo perde a rigidez e seus braços me envolvem e cobrem minha coluna.

Página 259 de 551 Eu o aperto então, e fecho os olhos contra o ataque de lágrimas grossas. Eu não quero chorar. Não agora, quando preciso ser forte. Quando eu preciso estar lá para ele. — Onde você foi? – eu sussurro. Suas palmas abertas se movem para cima e para baixo na minha coluna. — Se eu disser que fui a um bar, você não vai começar a agir como uma pequena fã ciumenta, vai? Rindo tristemente, digo: — Eu liguei para você. Eu até mandei uma mensagem. Você não respondeu de volta. Eu mandei. Achei meu celular antigo que Leah tinha me dado quando fomos morar com ela e Arrow. Ela também colocou os números dela e de Arrow em nossos celulares. Nem preciso dizer que nunca usei o número dele. Eu ficava olhando para ele, porém, várias vezes ao dia. Mas eu usei esta noite. Foi meio estranho enviar mensagens de texto para o cara por quem eu estava escrevendo cartas secretas. Um choque de tecnologia moderna e fria com a forma como comecei a amá-lo. De uma maneira antiquada. — Então, está agindo como uma fã ciumenta. – ele murmura. — Eu estava preocupada. – sussurro. Assim que digo isso, pressiono minha testa em seu peito e abro minha boca. Meus lábios estão exatamente onde seu coração está e eu

Página 260 de 551 expiro grandes lufadas de ar como se eu estivesse tentando ressuscitá-lo. Seu coração morto. Como se eu estivesse dando todo o meu ar para aquele órgão precioso dele. Então, ele ganharia vida. Então ele não se sentiria vazio. Mas ele não me deixa reanimar seu coração. Em vez disso, ele agarra meu cabelo e puxa meu pescoço para trás. Quando eu abro meus olhos, eu o encontro olhando para mim com um olhar escuro e intenso. — Sabe, eu pensei que uma das vantagens de não ter uma namorada seria que eu não teria que passar por todo o cotidiano “eu estava preocupada”. Não que eu já tenha passado por isso antes. Mas tudo bem. Eu aperto sua camiseta em suas costas. — Que pena. Você tem uma namorada. Seu semblante irritado é imediato e estrondoso. — O que é isso? — Eu sou uma garota. E sou sua amiga. Então, sou sua amiguinha10. – digo, a coisa mais clichê da história de todas. Ele me observa por um momento. — Você aprendeu isso em um filme romântico? Não sei como ele pode me fazer sorrir em um momento como este, mas ele pode e está. — Sim. Devíamos assistir a alguns juntos. — Claro, sobre a porra do meu cadáver. — Ah, acho que você estará vivo.

Amiguinha: ela ironiza como se fosse uma amiga mais íntima. Como aqui quando usamos esse termo para ironizar a amizade de um homem com uma mulher. “Vai lá com sua amiguinha. =)” 10

Página 261 de 551 Seus dedos puxam meu cabelo como se enfatizassem cada palavra que ele dizia. — Acho que essa coisa de amigos não vai funcionar. Balanço a minha cabeça em seu aperto e observo suas feições e sussurro. — Novamente, que pena. Você está preso a mim. A lua está vermelha novamente esta noite, como uma bola de fogo, e destaca as curvas de seu corpo e os ângulos finos de seu rosto. Trazendo uma mão para frente, eu estendo a mão e faço o que eu queria fazer quando ele estava falando com minha irmã e afasto os fios bagunçados de seu cabelo. Eu os afasto agora e ele fica com a mandíbula tensa. — O que diabos você está fazendo aqui? – ele pergunta, irritado. — No frio. Eu encolho meus ombros e esfrego minha bochecha em sua jaqueta de couro vintage que coloquei depois que Sarah foi embora e Leah foi dormir. — Você me manteve aquecida. Seus dedos apertam meu couro cabeludo, fazendo-me esticar o pescoço ainda mais. — Você não deveria estar lá fora, assombrando alguma ponte ou uma rua vazia em algum lugar? Meu coração incha no meu peito. Torna-se tão grande que pressiona contra minhas costelas. Deve estar pressionando contra o dele também, aposto. Ele deve ser capaz de sentir isso. Sinta o tamanho, a batida do meu coração. Quando eu termino de arrumar seu cabelo para ele, eu abaixo minha mão de volta mais uma vez e agarro sua camiseta. — É por isso que você me deu aquela autorização, não foi? Para que eu pudesse ser livre.

Página 262 de 551 Algo passa por seu rosto, franzindo tudo por um segundo. — É sexta feira. Você teria escapado para ir dançar? Eu mordo meu lábio e aceno. Ele se abaixa então, com seu peito empurrando o meu e, seus dedos apertando meu cabelo em um punho e sua outra mão pressionando minhas costas. — Então, considere isso, eu controlando você. – ele resmunga. — Eu colocando uma coleira em você e fazendo você seguir as regras. Uma energia passa por mim com seu resmungo baixo e áspero, com suas palavras dominantes. — Eu não quero ir assombrar uma ponte ou uma rua em algum lugar. — Então você decidiu me assombrar, em vez disso? Algo sobre isso me faz morder o lábio novamente. — Sim. — E por que isso? — Porque eu quero falar com você. — Falar comigo sobre o quê? Eu engulo em seco enquanto meus olhos ardem com lágrimas. — Eu sei. Eu sei porque você bateu nele. Ben. Seus olhos ficam brilhantes então, violentos até e sua mandíbula range com força. — Por quê? — Porque você queria. – eu sussurro, pressionando meus dedos em suas costas. — Não foi porque ele foi a primeira pessoa que você viu. Não foi por acaso. Foi porque você estava procurando por ele. Porque ele te traiu. Porque minha irmã traiu você.

Página 263 de 551 Não há surpresa em seu rosto quando digo isso. Na verdade, por um segundo, há algo muito semelhante a um tipo sombrio de diversão surgindo em seus traços impressionantes. — Você ouviu. — Você estava parado embaixo da minha janela. — Eu estava. De repente eu entendo. — Você estava... você sabia que eu iria ouvir. Sua boca se curva em um sorriso torto e forçado. — Você parecia muito chateada quando teve que sair da sala depois que o jantar acabou. — Foi essa sua maneira de me colocar uma coleira para que eu não saísse quebrando as regras para descobrir o que aconteceu? — Sim. Minhas mãos se movem então. Eu solto sua camisa na parte inferior de suas costas, e arrasto meus dois braços para cima e coloco-os ao redor de seu pescoço apenas para segurá-lo mais perto e mais apertado. Colocando minha própria coleira em torno dele. — Eu odiei o jantar. – digo a ele. — Odiei tudo sobre isso. Seu peito move com uma leve risada. — Por quê? Eu puxo seu cabelo. — Porque você comeu tudo no seu prato. — E isso é de alguma forma questionável para você.

Página 264 de 551 — Sim. – eu insisto. — Você comeu tudo e ficou tão quieto. Você até mesmo tirou os pratos depois. Quando eu soube, pude ver como... – eu viro meus olhos sobre suas feições nítidas e salientes. — Você estava com raiva. Seus ombros estavam tensos e a maneira como você contraia a mandíbula a cada dois segundos. Mas você nunca disse uma palavra. Você foi tão legal, Arrow. Meu tom soa acusatório e ele ouve também. Isso marca as curvas de diversão em torno de sua boca e olhos, e seus próprios braços se movem, ambas as mãos enterrando-se no meu cabelo solto e indomável. — Achei que você queria que eu fosse legal. Eu mudo de posição, inquieta. — Não assim. Nunca gostei disso. Eu não quero que você esconda suas emoções, nunca. Eu gosto de você do jeito que você é. Todo maldoso e rude. Completamente indelicado. E eu prometo que nunca vou bater em você. — E se eu merecer? Eu mordo meus lábios, pensando sobre isso. — Bem, talvez eu bata em você então. Mas só um pouco. Um sorriso surge em sua boca. — Muito nobre da sua parte. — Pare de fazer piadas. Isso não é engraçado. Isso... – eu agarro sua corrente na parte de trás de seu pescoço. — Por que você não disse nada? Todo esse tempo. Todo esse tempo pensei... eu pensei que poderia fazer algo para unir vocês de novo, e este jantar... – eu respiro fundo. — Fui falar com Leah, Arrow. Fui ver sua mãe e disse a ela que deveríamos fazer algo para... para que ambos vissem a razão. E ela já havia planejado este jantar. Mas quero que saiba que eu sabia disso. Eu sabia sobre o jantar e que Sarah estaria aqui. Eu escondi de você porque pensei que você não iria aparecer e ... Deus, sinto muito, Arrow. Eu coloquei você nisso. Eu

Página 265 de 551 poderia ter salvado você. Poderia ter poupado você do sofrimento... — Ninguém poderia ter me poupado do sofrimento. – ele fala para mim com uma voz quase cortante. — Ninguém poderia ter me salvado. Eu engulo dolorosamente. — Por que você não disse nada, Arrow? Seus olhos movem entre os meus, com um olhar doloroso e atormentado surgindo neles, e meu coração de bruxa aperta e comprime. — Por meses. – ele sussurra, com suas palavras ásperas vibrando entre nós. — Ela mentiu para mim. Ele mentiu para mim. Ele era meu amigo mais próximo. Eu confiei nele. Confiei nele o meu jogo. Ele sabia sobre meus planos. Ele sabia que eu iria pedir ela em casamento. Ele sabia disso. Ele sabia que eu tinha um anel. Mas eu fui estúpido, não fui? — Eu estava cego. Eu fui burro pra caralho. Porque durante meses, eles agiram pelas minhas costas e eu não suspeitei de nada. Eu não tinha ideia. Não tinha a mínima ideia. Achei que estava tudo bem. Achei que estava tudo certo. Que cada maldita coisa era perfeita. Mas não era. Você ouve histórias sobre caras que são levados para uma viagem e pensa: quanto estúpido você tem que ser para perder isso? O quanto estúpido eu tenho que ser para perder isso? Eu sou The Blond Arrow. Eu devo vencer. Eu deveria ser perfeito. Sem falhas. Mas não sou, não é? Eu sou uma falha. Eu falhei no meu relacionamento. Ah, Deus não. Por favor, por favor, não o deixe pensar isso. Não deixe que ele se culpe. Arrow coloca muita pressão sobre si mesmo. Ele acha que tudo é culpa dele e ele se culpa muito por isso. Não quero que ele pense que isso também é culpa dele, seu fracasso. Quando não é.

Página 266 de 551 Isso absolutamente não é culpa dele e ele está me fazendo chorar e eu não posso chorar agora. Se eu começar, não vou parar e não posso fazer isso. Eu tenho que estar lá para ele. Eu tenho que dizer a ele que ele não é um fracasso. Eu agarro o seu rosto então. Eu o agarro e cravo as pontas dos meus dedos nas cavidades de suas bochechas esculpidas. — Você não falhou, Arrow. Você foi traído, certo? Ela traiu você e eu ainda não consigo acreditar que ela fez isso. Mas não é sua culpa. Não é sua falha. Ele range os dentes por exatamente oito segundos - eu contei - antes de dizer: — Bem, eu fui traído, não fui? E eu era o único que não sabia sobre isso, então de quem é a falha, senão minha? Vou dizer outra coisa, algo que o faça entender. Só não sei o que dizer. Não sei como fazê-lo entender quando ele acredita em si mesmo de todo o coração. Quando está estampado em seu rosto, seus traços rígidos e teimosos. Seus traços desapontados. Deus, há tanto sofrimento. Tanto tormento e eu não sei o que fazer. Exceto… Exceto puxá-lo para mais perto e beijar sua mandíbula tensa. E sua bochecha latejante. Faço tudo levemente, apenas um selinho. Mas o efeito disso sobre ele é forte e chocante.

Página 267 de 551 Suas sobrancelhas se juntam enquanto seus olhos focam em mim. Ele perdeu seu olhar confuso e pesaroso, e um brilho surge neles. — O que você está fazendo? – ele murmura, com seus dedos segurando o meu cabelo. — Dando a você a resposta para a pergunta que você me fez há muito tempo. Ou pelo menos parece. Que isso foi há muito tempo. Quando, na realidade, provavelmente apenas algumas semanas se passaram. — Que pergunta? Acaricio sua bochecha e o beijo novamente. Sei que me disse para não beijá-lo. Ele me disse que é um pesadelo para garotas como eu. Um coração partido ambulante e falante. Mas ele não sabe que um coração partido é meu companheiro. Que é o meu companheiro há anos. Desde o dia em que eu o vi na cozinha. Aquele garoto de quinze anos tornou-se um homem atormentado, traído e perigoso e eu estou mais apaixonada por ele agora do que há oito anos atrás. Arrow não sabe que quando seu amor está condenado, você não tem medo de sofrer com um pequeno coração partido. Você anda com isso. Você se move com isso. Você respira com isso. Então ignoro sua regra e reúno coragem para dar um beijo suave em seus lindos lábios excepcionalmente macios. — Você me perguntou se eu seria sua distração. Então, estou dizendo a você que sim, eu serei. Eu serei aquela garota para você. A garota que você procura, para acabar com todas as suas frustrações. A garota que abre as pernas

Página 268 de 551 para você no momento em que vê que você está irritado e você precisa disso.

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Quando termino, dou um último beijo em sua bochecha. É como beijar a ponta afiada de uma faca, aquela bochecha. Essa mandíbula. Eu sempre soube que seria. Eu sabia. O que eu não sabia era o que ele faria quando eu o beijasse. Eu não sabia que ele lentamente se endireitaria. Que ele lentamente, com movimentos deliberados, soltaria meu cabelo e quando o soltasse, eu realmente sentiria falta de seu aperto firme. Sentiria falta da coleira de seus dedos, me sentindo desequilibrada. — Arrow, o que... Minhas palavras são interrompidas quando ele coloca as duas mãos na minha cintura e me pega como fez em seu escritório. Mas esta noite, não há mesa onde ele possa me colocar. Esta noite, há apenas seu corpo e ele me pega no colo. Meus braços vão para seus ombros tensos enquanto ele me levanta e me faz envolver minhas coxas em sua cintura antes de se mover. Sem tirar os olhos de mim, ele começa a andar comigo em seus braços. Ele não me diz para onde estamos indo e eu também não pergunto a ele sobre isso.

Página 270 de 551 Principalmente porque estou ofegante e ocupada ajustando meu corpo em seu colo e sentindo todos seus músculos tensos. Mas também porque, estranhamente, eu sei. Eu sei para onde ele está me levando. E quando minha coluna bate na parede, provei que estou certa. Estamos parados embaixo da minha janela. Seu lugar favorito. — Você quer ser a minha distração? – ele pergunta quando estou entre ele e a parede. — Sim. – eu sussurro, com minhas mãos deslizando de seus ombros para ir para seu peito e fazer círculos. — Você quer abrir suas pernas para mim quando eu precisar? Seu peito se move, para cima e para baixo, e sinto tudo sob minhas palmas, no meu próprio peito. — Sim. — Você quer que eu a use para esquecer todas minhas frustrações. – ele continua repetindo minhas próprias palavras para mim e de alguma forma, isso aumenta minha inquietação. — Sim. Todas elas. Eu até me inclino contra ele para dizer a ele que eu realmente quero dizer isso. E isso não é uma dificuldade, sabe. Não é difícil apertar minhas coxas em torno dele, curvar minhas costas e mover contra seu corpo atlético. Não é difícil deixá-lo saber que preciso dele. O que é difícil e tem sido difícil é esconder.

Página 271 de 551 Minha necessidade por ele. Meu amor. Por oito anos inteiros. Mas não mais. Não vou me impedir. Nem vou ficar envergonhada com meu amor por ele. Porque eu percebi algo. Algo muito importante sobre mim. Minha irmã me chamou de vadia. Ela disse que se eu desse em cima dele, seria uma vadia. Mas é isso, não é? Eu não estou dando em cima dele. Eu não estou tentando roubá-lo. Nos últimos oito anos, tenho vivido com o medo de que um dia meu amor me faça fazer o impensável. Meu amor condenado vai me deixar tão desesperada, tão perigosa que vou tentar pegá-lo, agarrá-lo e mantê-lo para mim. Mas agora sei que nunca teria feito isso. Porque neste momento quando ele está sofrendo, eu estou sofrendo. Quando seu sofrimento faz sua mandíbula ficar tensa, minhas entranhas se contraem. Quando a angústia queima em seus olhos, minha pele sente isso. Neste momento, posso ver tudo com clareza. Posso ver que nunca daria em cima dele. Eu nunca, jamais, teria tentado destruir seu relacionamento para que ele pudesse ser meu. Mesmo minha tentativa de beijá-lo na ponte não nasceu por malícia ou porque eu queria roubá-lo. Nasceu de um amor puro e avassalador.

Página 272 de 551 Um amor que eu não queria sentir, mas senti de qualquer maneira. Eu não fiz isso para machucar ninguém. Eu não me apaixonei por meu Arrow para machucar minha irmã. Eu estou caidinha por ele como as folhas mortas caem do galho de uma árvore e a chuva cai de uma nuvem pesada. Eu estou caidinha por ele como as lágrimas caem quando você está triste e como o sangue escorre de sua pele quando você pisa em cacos de vidros. Isso foi natural. Portanto, é natural eu curar sua dor, ou pelo menos colocar um bálsamo sobre ela. Amá-lo quando ele não consegue amar a si mesmo e pensa que é um fracasso. E quando chegar a hora de ele ir embora, de voltar para onde pertence, será natural eu deixá-lo ir. Porque sua felicidade é minha felicidade. Até então, serei uma garota apaixonada e não terei vergonha disso. Até então, vou ficar aqui e amá-lo. — E depois? – ele diz, com seus olhos escuros brilhando, suas mãos acariciando a pele na minha cintura, onde ele está me segurando. — Descartar você? Comer você e te esquecer? Essa é a função de uma distração. Você sabe disso, não é? Ela deveria ser uma boneca inflável. Ela é uma garota que é fodida e esquecida. Suas palavras são como seu homônimo. Uma flecha. Elas perfuram meu coração. O coração que não é tão de bruxa, afinal. Elas o fazem ficar furado. Fazem ele sangrar.

Página 273 de 551 Mas ainda assim, eu continuo. — Sim. Eu sei. Ele me sacode, com minha coluna pressionando contra a parede de tijolos. — E você se lembra do que eu te disse? O que posso fazer com você. O que sou capaz de fazer com você. — Eu lembro. Lembro-me de cada palavra que ele disse. Que ele pode queimar tudo. Que ele pode destruir coisas. Eu sei. Ele me sacode novamente. Na verdade, ele me puxa para frente antes de empurrar minha coluna contra a parede, quase me fazendo gemer com sua força e domínio. — Então, do que diabos está falando? — Eu... eu estou falando sobre ser seu passatempo. – pego a sua corrente e o puxo para perto de mim. — Isso não será um relacionamento, não é? Você não vai ser meu namorado e não vou ser sua namorada. Portanto, não importa o que você disse. Ele exala uma respiração profunda e sinto isso empurrando em mim, sua respiração e seu peito. Seu corpo inteiro. Estamos em um local mais isolado agora, eu acho. Mais escuro e mais quente. Sinto o suor escorrendo pela minha pele e sua jaqueta de couro me cobrindo. Eu o sinto me cobrindo também, pela maneira como ele está me olhando, mantendo-me presa à parede com suas mãos grandes. — Eu não quero a porra da sua pena. – ele se descontrola. E não posso deixar de dar um tapa em seu peito. — Isso não é pena, seu idiota. Se eu quisesse ter pena de você, teria dito sim à sua

Página 274 de 551 proposta estúpida dias atrás. Você era muito infeliz naquela época também. — Então por quê? Porque eu amo você. Porque você é meu Arrow. Minha flecha quebrada. — Porque você é meu amigo. – digo a ele, uma versão da verdade. Com isso, ele chega ainda mais perto. Tão perto que seu abdômen firme se move e pressiona contra aquele lugar entre minhas coxas e eu suspiro. Suas pálpebras piscam e ele percebe meus lábios entreabertos. — Você fode com todos os seus amigos? — Não. Ele levanta os olhos então. — Então, o quê, eu sou especial? — Sim. E porque tenho o direito. — Que direito é esse? Eu me aproximo do rosto dele, fazendo nossos narizes se tocarem. — Eu morei com você por anos, não é? Essas garotas que você pega no bar, elas não te conhecem. Você mesmo disse. Elas não sabem quem você é. Elas não se importam com você. Mas eu sim. Eu me importo com você. Eu conheço você. Eu sei quem você era e quem você é agora. Então, eu vou ser sua distração e mais ninguém. Porque eu tenho o direito. Eu desafio qualquer um a tentar. Então, talvez eu pareça uma pequena fã ciumenta, mas tanto faz.

Página 275 de 551 Aquelas garotas não o amam. Eu o amo. Elas não sabem como cuidar dele. Mas eu sim. Ele é meu Arrow. Então, se alguém vai aliviar sua dor, serei eu. Arrow me observa e analisa meu rosto. Meu cabelo bagunçado, meu nariz e meus lábios. Ele até desce até meu peito arfante, meu corpo em forma de arco. Minhas coxas que estão abertas ao redor dele. É uma leitura preguiçosa e acaba tão rápido que fico abandonada quando ele volta para o meu rosto, com minha pele latejando e tensa. — Não. – ele grita. — O que? — Eu não vou te foder. — Por que não? – eu quase lamento. Quer dizer, estou disposta, disponível e eu quero. É meu direito. E estou pronta para explicar isso a ele novamente, mas noto algo. Uma mudança nele. Uma mudança no ar, até. Torna-se mais pesado, mais sombrio. Mais aquecido. Como ele. — Você está fazendo beicinho para mim? – ele pergunta baixinho, seus olhos nos meus lábios. Em seu tom baixo, um arrepio quente desce pela minha coluna e eu arqueio ainda mais.

Página 276 de 551 Eu não estava ciente disso. Eu não estava ciente de que estava mostrando meu lábio inferior em decepção. Talvez porque eu nunca tenha feito isso antes. Eu nunca fiz beicinho. Eu não faço beicinho. Mas de alguma forma, estou fazendo isso agora. De alguma forma, estou fazendo isso por ele. — Você está fazendo beicinho para mim, não está? – ele conclui. Ele está certo. Eu estou. E é tão... provocante, tão sedutor estar fazendo isso. Fazer beicinho para o cara que amo porque ele não me fode. Como se ele fosse o homem da casa e eu uma adolescente ingênua. Ele é o homem da casa, não é? Ele sempre foi. Grande e protetor. Ele até me salvou daquelas garotas e me levou no meu primeiro passeio de moto. Então levanto minhas sobrancelhas, sentindo-me ousada. — E daí se eu estiver? Minha ousadia o torna mais perspicaz. — Então eu diria para você parar. – ele berra um aviso; suas mãos se movem da minha cintura e ficam sob a jaqueta de couro vintage que estou vestindo. — Eu não quero. — Você acha que vai conseguir o que quer assim? Você mostra os lábios como uma menina

Página 277 de 551 má e eu te fodo como um homem desesperado e agonizante. Um tremor, grande e pulsante, percorre meu corpo e desce pelo meu couro cabeludo até os dedos dos pés em meias de lã, e eu movo meus quadris. Eu me movo entre ele e a parede e faço algo realmente pior. Eu faço algo pior do que inadvertidamente fazer beicinho para ele. Olhando para ele através dos meus cílios, eu coloco minha mão na dele, onde ele está me segurando pela cintura e o faço me soltar. Bem, fazê-lo está errado; Eu não posso fazer Arrow fazer nada se ele não quiser. Mas, felizmente, ele quer e permite. A suspeita obscurece suas feições, mas ele me deixa tirar sua mão da minha cintura e levantá-la. E então, ele me deixa colocar aquela mão grande no meu peito. Não sei o que estou pensando ou o que espero realizar colocando sua mão lá, mas assim que faço isso, assim que direciono sua mão para minha pele macia e latejante, seus dedos se movem por conta própria. Elas se fecham sobre o meu monte e ele o aperta, me fazendo gemer e me fazendo agarrar seu pulso. Também me faz contar um péssimo segredo. — Não estou vestindo um sutiã. Seus olhos descem para minha camiseta amarela e ficam lá. Como se ele pudesse ver. Como se ele pudesse ver meus seios nus e meus mamilos duros através do tecido. — Você não está. – ele murmura enquanto esfrega a palma da mão aberta em mim, sobre o mamilo.

Página 278 de 551 Uma vez. Só uma vez. E eu estremeço em seus braços. — Sim. Eu nunca uso um. Eu... isso me faz sentir livre e... Ele passa a mão sobre meu mamilo novamente, ainda observando, olhando seus dedos sobre meu seio. — E o que? — E ninguém nunca me tocou aí. Antes. Tudo isso é verdade. Não uso sutiã porque, na maioria das vezes, estou de suéter, então não preciso dele. Além disso, meus seios são do tamanho médio de qualquer maneira. E sim, ninguém nunca me tocou lá antes. Finalmente, ele levanta os olhos, com seus dedos ainda persistentes e ainda apertando. — E quanto a calcinha? Você está usando calcinha? — Estou. – sussurro, de repente sentindo como ela está grudenta, como está úmida e quente. — Mas é só um fio dental. — É? Por que isso? — Eu gosto delas. Eu tenho toneladas. — Porque eu aposto que sente livre também, não é? — Sim. — E ninguém tocou em você lá também, não é? — Não. Ninguém. Com isso, os seus dedos não demonstram qualquer misericórdia ao meu peito. Ele apalpa, aperta e molda como quer. Ele até o usa para me puxar para mais perto, como se este pedaço de carne virgem pertencesse a ele.

Página 279 de 551 Mesmo que ele claramente não queira. Ele claramente tem agressão irradiando de seus olhos e raiva em seus dedos. — Então você coloca minha mão no seu peito e me diz que não está usando sutiã. – ele resmunga, puxando meu mamilo agora. — Você me diz que nunca usa um. E então você tem a audácia de me dizer que adora usar uma tira frágil e inútil entre as pernas, porque isso a faz se sentir livre e ninguém jamais a tocou lá antes. Que ninguém tocou com seus mamilos ou apertou seus seios assim. Ninguém tocou essa coisa apertada entre suas pernas. Isso está certo? Aquela coisa apertada entre minhas pernas tem um espasmo com suas palavras ásperas e vibrantes. — Sim. Ninguém. — Esta é a sua tentativa de me seduzir? – ele me pergunta com outro aperto no meu peito. Quando faz a pergunta assim, quase em tom de deboche, minhas bochechas queimam de vergonha. Elas ficam vermelhas com a minha inexperiência e como eu posso parecer uma adolescente para ele. A irmãzinha. Mas eu fiz isso agora, não fiz? Coloquei a mão dele no meu seio e contei a ele tudo sobre minha ingenuidade, então, embora cada parte de mim esteja tremendo, eu levanto meu queixo. — Sim. Ele olha o meu rosto, observando o tremor de meus lábios e percebe que engulo nervosamente. Quando ele traz seus olhos de volta para mim, ele lambe os lábios. — É apertada, não é? Sua boceta virgem.

Página 280 de 551 — E... eu acho que sim. Seu peito vibra com uma risada tensa e sem humor. — Sim, aposto que sim. Garotas como você sempre têm uma maldita boceta apertada. Uma boceta pela qual os homens lutam. Matam uns aos outros. Arrepios se espalham pela minha pele e eu movo meus quadris novamente. — Garotas como eu? Faço a mesma pergunta que já fiz várias vezes antes e ele me responde com um sussurro rouco e áspero. — Sim, garotas como você. Meninas más. Pirralhas e mimadas. Meninas que fazem beicinho quando não conseguem o que querem. Você sabe que há um nome para isso. — Nome para quê? — Para o tipo de boceta que você tem. — Qual? Ele puxa o meu mamilo, deixando-o todo dolorido. — Bocetinha carnuda. Eu sinto isso lá embaixo. Esse puxão. Esse puxão vicioso de seus dedos. O sussurro vicioso de suas palavras. Eu sinto isso na minha boceta. — O que? – sussurro. — Sim. É assim que chamam. Carnuda e suculenta. Boceta de garota má. E a sua vai ser a mais suculenta. Ela é mais carnuda, não é? Ela é a mais apertada também. Porque você é a pior. Você é pior do que má, não é? Sim eu sou.

Página 281 de 551 Eu nem me importo se sou má ou desesperada ou o que quer que seja. Eu só o quero mais perto. Quero que ele cure essa dor na minha barriga e esse tremor nas minhas coxas. Este espasmo na minha boceta de garota má. — Arrow, por favor... — Mas essa será a sua ruína, Salem. – ele sussurra, inclinando o rosto mais perto e tocando nossos narizes. — Sua boceta mimada e carnuda. Porque quanto mais ela é carnuda, quanto mais se queixa, mais minúscula ela se torna. Mais minúscula e apertada, e você não pode dar a ela exatamente o que ela quer. — O... o que ela quer? – pergunto, como se eu não soubesse. Como se eu fosse tão inocente que não soubesse do que ele está falando. Mas o fato é que estou tão fora de controle que não tenho mais energia cerebral. Quero que ele me diga coisas. Eu quero que ele faça coisas comigo também. Todas as coisas. Más, sórdidas, maravilhosas e gloriosas. E ele sabe disso - como não pode? Estou praticamente atacando-o com minhas unhas em seu pulso e agarrando sua camiseta com a outra mão enquanto me mexo e esfrego contra seu estômago. Arrow conhece minha situação e ele sorri. — Um grande pau grosso. É isso que você quer, não é? Você quer que eu te foda com isso. Ah, Deus. Sim. Eu aceno ansiosamente. — Sim.

Página 282 de 551 Ele move sua pélvis novamente e não sei como ele sabe onde meu ponto está, mas ele acerta, e eu me movo entre ele e a parede, com meus olhos se fechando. — Mas você não pode ter. Você não pode ter exatamente o que deseja. Porque sua boceta é tão apertada e pequena que ela não consegue lidar com isso. — Ah Deus, por favor. – eu gemo, quase dilacerando sua pele com minhas unhas. Quase fazendo ele sangrar porque eu o quero muito. Ele aperta meu seio, beliscando meu mamilo entre os nós dos dedos, fazendo tudo doer e ansiar. — Não, você arruinou sua própria chance. Você deveria ter pensado nisso antes de fazer beicinho para mim, Salem. Antes de você me provocar. Você não será capaz de lidar com meu pau agora. Porque eles não se tornam maiores para o meu pau. Deus, se ele não fizer algo logo, vou explodir. — Você é tão... Sua risada é divertida e pesarosa enquanto ele me interrompe e faz alguma coisa. Ele se inclina e beija o canto da minha boca e eu paraliso. Meus olhos se arregalam quando ele coloca a língua para fora e lambe aquele canto também antes de sussurrar: — Vou te dizer uma coisa. Você esperou por mim, não esperou? Você está preocupada comigo. Sem mencionar que você é minha amiga. Então talvez eu possa te dar uma coisinha. — Como o que? Ele beija o canto da minha boca novamente, com um beijinho suave e reconfortante.

Página 283 de 551 — Seu primeiro beijo. – ele sussurra, com o seu hálito quente soprando sobre minha boca. — Eu disse que não, mas talvez eu possa quebrar minha própria regra. — Você pode? — Uhum. Por você. — Por mim? — Sim. Apenas para ser legal. Ah, Deus. Graças a Deus. E eu abro minha boca para dizer isso a ele, para agradecê-lo, mas ele não me dá uma chance porque está fazendo o que disse que faria. Depois de me torturar por muito tempo, ele está sendo legal comigo. Com sua boca. Ele coloca os lábios sobre os meus e me dá meu primeiro beijo - o beijo que esperei por oito anos - e o calor explode em todas as partes do meu corpo. Calor, luxúria e todo o amor que tenho por ele. O que é bom porque estive no frio por muito tempo. Tenho vivido no inverno rigoroso e, finalmente, fui tocada pelo sol. Mais do que tocada, na verdade. Eu fui consumida por ele. Meu sol me consumiu e me embriagou antes que eu pudesse respirar. Antes que eu possa compreender qualquer coisa, descobrir a textura dele e analisar a suavidade de seus lábios e a

Página 284 de 551 nitidez de seus dentes em detalhes, ele colocou ambas as mãos em meu rosto e as abriu bem. Ele agarrou minhas bochechas e agarrou meu pescoço e me arrumou de uma forma que o fará ir mais fundo em minha boca. Isso o fará devorar, saquear e violar da melhor e mais gloriosa maneira possível. E ele está fazendo tudo isso. Está chupando minha boca, puxando a carne carnuda, mordendo-a, como se estivesse esperando para me morder há muito tempo. Como se estivesse tão quente por mim e seu fogo tivesse queimado tão profundo e tão alto e agora ele está eliminando tudo. Transferindo para mim, e eu aceito com alegria. Eu aceito com gosto. Eu até abro minha boca para que ele possa se servir e enfiar sua língua. A língua que está me deixando louca nas últimas semanas. Porque deixa sua boca fica tão brilhante e sedutora quando ele lambe os lábios. E esta noite, eu vou beijar essa boca. Eu posso beijar meu Arrow. Eu puxo seu cabelo e o puxo para mim. Eu consigo gemer dentro de sua boca e prová-lo com minha língua. Ele tinha gosto de queimada, quente e acentuado. De especiarias. Eu posso brincar com a corrente de prata em volta de seu pescoço e pressionar meus seios em seu peito duro e sólido. Eu consigo esfregá-los contra seus peitorais arqueados e eu consigo me esfregar contra seu estômago também.

Página 285 de 551 Eu consigo lidar com isso e isso só o deixa mais louco. Isso só faz com que seus polegares pressionem a pulsação em meu pescoço e seus dedos agarrem o meu cabelo e sua boca aumentar a intensidade e o calor. E antes que eu perceba, estou gemendo e me esfregando contra ele. Estou percebendo outra coisa dele também. Algo mais. Eu sou tão má, ambiciosa e mimada que também estou tendo um orgasmo com ele. E não é como se ele se importasse. Não, de forma alguma. Na verdade, ele me leva a isso. Ele me incita com seus dentes e seus gemidos, e quando isso não é o suficiente, eu o sinto mover. Eu o sinto flexionando os joelhos levemente e ainda me beijando, eu o sinto soltando meu rosto e indo para minha bunda. Ele agarra as minhas nádegas em suas mãos grandes e possessivas e em um movimento que é tão sexy e excitante, ele me senta em sua coxa poderosa. Assim que aquele lugar entre minhas pernas - aquele lugar úmido, quente e pulsante - encosta em seu membro musculoso, nós dois gememos. Seu peito estremece e também seu abdômen. Como se ele pudesse sentir minha lubrificação escorrendo pela minha calça e minha mísera calcinha e ele gosta disso. Ele gosta de fazer um trono para eu sentar. Um trono para minha boceta de menina malcriada e má que faz beicinho para ele. Ele também gosta quando me movo no trono que ele fez para mim. Eu me movo e me esfrego sem parar. Esfrego meu núcleo para cima e para baixo, perseguindo o

Página 286 de 551 atrito delicioso. Eu movo meus quadris em forma de oito enquanto esfrego seus ombros. Enquanto ele me beija sem parar, com a sua boca toda molhada, quente e macia, o oposto completo de seus dedos na minha bunda. Eles estão tensos e furiosos enquanto movem o meu corpo o segurando. Ele até dá uma palmada forte e ardente, enquanto me move como se eu fosse sua marionete, sua boneca inflável. Sua boneca inflável se perdendo em couro vintage. Assim que eu penso nisso, eu gozo. Ele me faz gozar. Ele me deu meu primeiro orgasmo com ele. Meu sol. Meu Arrow. O gemido que deixo escapar é tão, tão alto e forte que Arrow deixa escapar também. Ele pressiona nossas bocas com força e rapidez e a devora. Até o sinto engolir, com seu pomo de adão movendo com o engolir. Mas eu não posso ter certeza porque estou me quebrando em um milhão de pedaços, me contorcendo sem parar em seus braços, toda inquieta, suada e molhada, e ele ainda está me beijando. Embora seus beijos sejam mais suaves agora. Eles estão pacatos, preguiçosos e vagos. Inertes. Assim como eu, e eu teria perdido o equilíbrio e caído no chão a seus pés se ele não estivesse me segurando. Se ele não estivesse me segurando com força contra seu peito arfante enquanto envolvia minhas coxas em torno de seus quadris

Página 287 de 551 novamente, me fazendo segurá-lo como um macaco-aranha. Enterro o meu nariz em seu cabelo cheiroso e com reflexo. — Obrigada. Ele esfrega o queixo em cima da minha cabeça, permanecendo em silêncio. — Por quebrar sua regra por mim. – eu continuo. Ele murmura. — Talvez você esteja me influenciando. Eu beijo seu ombro. — Então, eu sou sua distração? Ele me puxa e quase me faz bater em seu peito e eu amo isso. Eu o amo. — Não. – Antes que eu possa protestar, ele continua: — Não vou usar você para esquecer sua irmã. Mesmo eu não sou assim tão idiota. Além disso, você não tem o que eu estou procurando em uma distração de qualquer maneira.

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— Você me decepcionou. Eu pensei que havia te educado bem. A voz da minha mãe me para na porta da frente da minha casa. Eu estava prestes a sair depois de carregar uma Salem sonolenta para dentro, para o quarto dela. Seu quarto pintado de amarelo ensolarado. O que eu percebi enquanto a colocava em sua cama. — Existe uma razão pelo qual tudo é amarelo em seu quarto? – perguntei, olhando ao redor de seu pequeno espaço pela primeira vez. — Amarelo ensolarado. – ela me corrigiu sonolenta. — É a minha cor favorita. Lembra-me do sol. Eu coloquei seu cobertor sobre ela. — Você é um pouco obcecada pelo sol, sabia disso? Ela se encolheu, ainda usando minha jaqueta que basicamente a cobre de cima a baixo. — Eu sei. Eu amo meu sol. Mas agora eu paraliso na porta, com a minha mão na maçaneta pronto para girá-la, me perguntando se minha mãe viu algo.

Página 289 de 551 Se ela me viu com ela. Se viu o que fiz com ela. Como vandalizei sua boca virgem que está me provocando desde que a vi no bar. Ninguém nunca me tocou lá. Antes. Jesus Cristo. — Achei que o meu filho não fosse um desistente. – Minha mãe continua, e eu finalmente tenho o bom senso para entender do que ela está falando. Ela está falando sobre sua irmã, Sarah. Ela não. Ela está falando sobre a garota com quem estive por oito anos. A garota que me traiu. A garota que me fez passar por idiota. A garota culpada por eu ser sou um fracasso. Quando me viro para encarar minha mãe, meu ajuste de contas, toda a paz, todo o calor da hora passada se foi. Em vez disso, eu os sinto. Sinto os insetos rastejando e arranhando minha pele. Sinto calor sob meu colarinho. Eu sinto o nervosismo. Eu sinto a vergonha. É isso que é. Essa sensação é de vergonha. Isso é o que minha mãe sempre me reduz e é por isso que eu não queria vir para esta casa. É por isso que não queria falar com ela. Porque eu sabia o que encontraria quando olhasse nos olhos dela. Uma grande decepção.

Página 290 de 551 A mulher que me tornou perfeito. Que me ensinou a nunca cometer erros. Que me arrastou para os treinos, para todos os meus jogos, até que aprendi a dirigir sozinho. Que ficava acordada até tarde da noite para ver meu dever de casa, para ter certeza de que estava preparado para um teste, até que pudesse cuidar de tudo sozinho. Minha mãe. — Eu não sou um desistente. – digo a ela com os dentes rangendo. Eu não sou. Ela se certificou de que eu não fosse. Isso foi o trabalho de sua vida. Tem sido o trabalho da minha vida. — Não é? Como você chama isso então? O que você fez esta noite. – Minha mãe vem ao meu encontro, balançando a cabeça. — Eu te dei tudo. Eu te dei tudo que pude e isso foi difícil, Arrow. Após a morte de seu pai, criar um garoto sozinho foi difícil. Criar um garoto que pudesse continuar seus passos foi mais difícil. Mas me certifiquei de que você continuaria. Eu me certifiquei de manter seu pai vivo em você. Que nunca o deixaria morrer. Garanti que tivesse todas as oportunidades de sucesso, de ser o melhor. Para ser o tipo de filho do qual seu pai e eu teríamos orgulho. Mas olhe para você agora. — Sua carreira está em jogo. Você está indo para a terapia por causa de seus problemas. Problemas que eu nem sabia que você tinha. E você terminou com a garota com quem ia se casar. Do que você chama, se não desistente? Ela me traiu. Eu quero gritar para ela. Eu quero gritar que ela me traiu, porra.

Página 291 de 551 E ela fez isso com meu melhor amigo, e fez isso por meses. Eu confiei nela. Eu confiei nela, mas ela me traiu. Ela me fez passar por idiota e eu fiquei cego. Eu estava cego para tudo isso. Eu ia me casar com ela e o teria feito. Eu teria se não fosse por aquelas mensagens de textos. Eu a teria feito minha esposa e ela teria me tornado um idiota. Eu me pergunto se ela teria continuado seu caso depois do nosso casamento também. Eu sei que ela diz que ela não teria, mas ainda me pergunto. Ainda me pergunto se ela teria se aproveitado da minha confiança com meu anel em seu dedo. O anel que pisei e quebrei no dia em que deixei LA. Mas não vou contar isso para minha mãe. Eu não posso. Ela já pensa que sou um desistente. Ela já está decepcionada. Como ela vai reagir quando descobrir a verdade? Que Sarah estava me enganando e eu nem sabia disso. Que seu filho era tão cego e tão estúpido que não tinha ideia disso. Que o filho dela foi traído. Isso vai arrasá-la saber que o seu filho perfeito não é tão perfeito afinal. Que seu filho perfeito é um fracasso. Eu nem mesmo queria que ela - ou qualquer um, por falar nisso soubesse sobre o rompimento. Mas acho que a notícia estourou em Los Angeles e minha mãe descobriu também. Mas é isso. Isso é tudo que eles vão saber.

Página 292 de 551 É melhor que minha equipe me odeie por dar um soco em Ben do que pensar que sou um idiota. Na temporada passada, nosso lateral esquerda descobriu que sua esposa o estava traindo e ele não tinha ideia. E me perguntei como. Como diabos ele não sabia? Não deveria um homem saber dessas coisas? Isso me fez pensar sobre sua habilidade de jogar em campo. Se ele é tão ignorante em sua vida pessoal, como diabos sei que ele vai dar cem por cento no campo? E não fui o único. Alguns tiveram pena dele, outros pensaram que ele era estúpido. Eu não vou ficar na mesma posição. Eu sou o maldito The Blond Arrow. Ninguém vai questionar minha capacidade em campo. Eu sabia que Sarah nunca abriria a boca porque sua reputação é tudo para ela. Ela não vai permitir que as pessoas pensem que ela abriu as pernas para outra pessoa enquanto estava comigo. Eu também sabia que Ben também nunca diria nada; isso o tornaria menos uma vítima. Além disso, minha mãe ama a Sarah. Ela é a filha que minha mãe nunca teve, e não posso arruinar essa ilusão por ela. Eu não posso machucá-la assim. Não posso desapontá-la mais do que já fiz. — Devidamente anotado, mãe. – respondo sarcasticamente, embora eu mal possa manter meus olhos nela. — Acho que você deveria voltar a dormir agora ou você vai se atrasar para o seu voo amanhã.

Página 293 de 551 — Eu fui contra o seu relacionamento com ela desde o início. Mas você provou a si mesmo. Você provou o seu valor. Mas acho que deveria ter confiado na minha intuição. Eu deveria saber que uma garota faria você perder o foco e estragar tudo pelo que trabalhamos. Não vou deixar você matar seu pai de novo, está me ouvindo? Ele não vai morrer de novo porque você foi tolo o suficiente para perder o foco. Você me entende? Faça o que você tem que fazer para que você possa voltar e realizar o sonho do seu pai. – diz ela e me deixa na escuridão. O sonho do meu pai. Em jogar na European League. O sonho que não se realizou porque ele morreu. Enquanto saio para a noite, eu pego os cigarros do bolso da calça jeans. Eu acendo um e solto uma enorme nuvem de fumaça para o céu. Às vezes me pergunto se meu pai não tivesse visto aquele sonho com os próprios olhos, ele teria se tornado meu? Às vezes me pergunto se... se algum dia eu poderia ter outros sonhos. Meus sonhos. Ou se todo filho herda os sonhos de seu pai por predefinição.

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Há uma pequena caixa de correio fora de seu escritório. Tem uma pequena fenda onde você pode inserir as cartas e documentos internos do escritório e memorandos. Também tem uma pequena fechadura, uma de prata brilhante onde ele pode colocar a chave para abrir a caixa e pegar toda a correspondência que as pessoas o deixou. É onde pretendo deixar um bilhete para ele - um bilhetinho - na segunda-feira, antes do início das aulas. É o primeiro bilhete de uma longa série de bilhetes que espero enviar a ele. Bilhetes destinados a enfraquecer sua determinação. E seduzi-lo. Sim, eu nunca seduzi ninguém. Ou pelo menos não, não até a noite em que nos beijamos. O beijo que abalou meu mundo e me transformou em uma garota gananciosa e com tesão que se esfregou na sua perna e gozou como fogos de artifícios. Mas isso não vem ao caso. A questão é que eu realmente não conheço a arte da sedução. O que quer que eu tenha feito naquela noite foi puro instinto. Isso é o que vou fazer agora também.

Página 295 de 551 Vou seguir meu instinto e seduzi-lo, deixando-lhe bilhetinhos. Essa parece a escolha mais óbvia e natural, certo? Eu tenho escrito cartas para ele há anos. Estou acostumada a dizer coisas a ele no papel, e há algumas coisas que gostaria de dizer a ele agora também. Coisas como ele pode me usar para o que quiser e isso não vai torná-lo um idiota. Ou o fato de que se ele apenas me disser o que quer em uma distração perfeita, eu darei a ele. Mas há um problema. O que não me ocorre até que corro escada acima para o segundo andar, onde fica o escritório dele, com a carta no bolso. O problema de que estou basicamente seduzindo meu treinador de futebol. Os outros problemas, eu estava ciente. Problemas como minha irmã surtar se ela soubesse. Ela me xingaria e me odiaria. Mas ela já me odeia, não é? Ou o fato de que Leah também pode ter uma objeção. Ela ama Sarah e Arrow juntos, como evidenciado por seu plano de um jantar. Então ela não vai gostar que eu - a irmã má e quebradora de regras - esteja planejando seduzir seu filho. Foi um milagre ela não nos ver nos beijando em seu quintal, pelo que venho agradecendo para minhas estrelas da sorte nos últimos dois dias. Mas de alguma forma, tinha escapado da minha mente que Arrow está na faculdade aqui em St. Mary’s - embora temporariamente, mas como corpo docente mesmo assim - e eu sou sua aluna.

Página 296 de 551 Seduzir um professor é definitivamente contra as regras. E para um crime tão grande - ainda maior do que fugir e esconder celulares secretos - eles podem definitivamente me trancar em algum lugar. O que me faz perceber outra coisa também. As cartas debaixo da minha cama. Elas são todas dirigidas a Arrow e depois de anos escrevendo-as, de repente elas se tornaram ainda mais proibidas, não é? Enquanto eu caminho em direção ao seu escritório, com o bilhetinho pesando no meu bolso e as pessoas me dando mais do que um olhar de relance porque eu sou a pupila da diretora, eu decido que vou esconder essas cartas. As antigas estão trancadas na minha mala, mas as que estou escrevendo para ele agora estão debaixo da minha cama. Talvez possa esconder todas elas no banheiro do terceiro andar onde está o celular de Poe ou algo assim. Não tenho medo de ser punida, mas não posso deixar ninguém vêlas. Essas cartas são meu maior segredo. Minhas posses mais queridas. Elas contêm os anseios e confissões do meu coração não tão de bruxa. Elas contêm a história do meu amor condenado e ninguém pode saber sobre elas. Muito menos o cara para quem eu as escrevi. Ele odeia o amor, não é? Não posso permitir que ele saiba que o amo. Eu não posso dizer a ele. Então, essas cartas são minhas e só minhas e preciso escondê-las.

Página 297 de 551 Eu permaneço em seu escritório por alguns segundos, esperando a barra limpar, e quando isso acontece, eu corro e coloco o bilhete. Cinco minutos depois, estou lá embaixo, tirando meus livros do meu armário, com meu coração na garganta e meus dentes fazendo estrago em meus lábios. Eu fico imaginando a expressão em seu rosto quando ele lê. Ele definitivamente vai franzir a testa, por exemplo. Ele também pode ficar com sua mandíbula tensa e aquele músculo em sua bochecha pode pulsar também. E seus olhos podem escurecer. Sim, definitivamente. Não tenho certeza do que ele vai fazer quando ver, mas... De repente, não preciso imaginar sua reação ou me perguntar sobre o que ele fará porque ele está aqui. Estou fechando a porta do meu armário quando ele aparece. Ele está parado perto da escada. A longa e larga escada de concreto com corrimão de metal pintado de bege. Ela está localizada no meio do corredor que está cheio de pessoas andando para cima e para baixo, cuidando de suas vidas. Mas parado no fundo dela, com seus olhos em mim, Arrow está paralisado. E eu estava certa. Seus olhos parecem escuros. Eles também parecem flamejantes e brilhantes ao mesmo tempo, e do jeito que ele está me olhando, não tenho que adivinhar que ele leu o bilhete.

Página 298 de 551 Todo o seu corpo maravilhoso está gritando com o conhecimento. Suas mãos estão fechadas ao lado do corpo, as mãos com as quais ele me esfregou sobre sua coxa musculosa e me fez gozar. As mãos com que ele apertou meus seios. Que despertam, por sinal. Meus seios e meus mamilos. O lugar entre minhas coxas. Tudo desperta e pulsa. Fica inchado. Dou a ele um sorriso artificial e mordo meu lábio. Quando ele estreita os olhos para mim e sua mandíbula fica tensa como eu sabia que ficaria, quero jogar meus livros e correr para ele. Eu quero beijar sua mandíbula tensa e bochechas nítidas. Eu quero beijar seus lindos lábios macios e me esfregar em minha saia de escola contra sua barriga enquanto ele me beija também e zomba de mim por ser gananciosa e mimada. Quero dizer as palavras, sussurrá-las em seus ouvidos, as que eu escrevi para ele.

Meu querido Arrow, Obrigado pelo meu primeiro beijo e meu primeiro orgasmo com um garoto. Isso foi glorioso e excitante. Claramente, meus próprios dedos não têm feito o trabalho que sua coxa incrível fez. Quero que saiba que eles me mantiveram aquecida, seu beijo e seu orgasmo, enquanto eu dormia sozinha na minha cama. Tão quente que eu realmente tive que me levantar no meio da

Página 299 de 551 noite para abrir a janela do meu quarto para que eu pudesse deixar o ar fresco entrar. Achei que seria o suficiente para me livrar dessa febre na minha pele, mas não foi. Aparentemente, beijar você era como beijar o sol. E montar em sua coxa era como montar em um halo de fogo. Então, tive que tomar medidas drásticas. Tive que tirar todas minhas roupas e dormir nua, o que também foi a primeira vez. Então, obrigada. Foi estranhamente libertador. Sua, Distração. PS: Eu também não estou usando sutiã hoje. E eu já disse adeus aos fios-dentais. Eles não fazem muito mesmo. Assim é melhor. E mais libertador. Tenha um ótimo dia!

Aperto minhas coxas enquanto sinto uma pulsação na minha boceta. Na minha boceta nua. Não menti no bilhete; Eu realmente não estou usando nada por baixo da saia cor de mostarda. E de alguma forma, ele sabe que minhas coxas estão pressionadas firmemente. Porque seus olhos descem para minha saia e eu abraço meus livros no meu peito, meus mamilos tão duros e salientes que perfuram minha camisa branca e meu suéter grosso. Juro que vi uma veia grossa em seu braço estourar. Eu até o vejo dar um passo à frente, mantendo seu olhar fixo na minha saia como se ele estivesse vindo para mim.

Página 300 de 551 Como se não se importasse com o fato de que há pessoas perambulando por aí e que estão começando a notar que a celebridade do campus está olhando muito fixamente para a garota má do campus. O sinal toca e ele levanta os olhos, com as bochechas coradas e os tendões do pescoço tensos. Só para ser travessa, levanto meu lábio inferior para ele enquanto ele observa, antes de dizer tchau. O dia inteiro passa como uma neblina. Faço todas as minhas aulas em uma neblina. Eu converso com minhas amigas e almoço e encontro Miller para nosso compromisso semanal em uma neblina. Mas quando abro o meu armário no final do dia, minha neblina se desfaz. Porque dentro, encontro um bilhete dobrado no meio. Estou tão feliz que nem me importo como isso entrou no meu armário em primeiro lugar. Além disso, quem se importa? Recebi um bilhete dele!

Esta é outra tentativa de me seduzir, Salem? Porque, deixe-me dizer que eu fui legal com você da primeira vez. Muito, muito legal. Mas estou ficando sem paciência agora. Portanto, pense com muito cuidado antes de deixar outro bilhete para eu encontrar. Além disso, você deve saber que estou bastante acostumado com as garotas me dando coisas escondido. Embora deva dizer que a maioria delas foram peças de roupa, em vez de um bilhete sensual desajeitado escrito no verso de um caderno de trigonometria.

Página 301 de 551 PS: A equação que você tinha no verso de seu bilhete estava errada. Encontre a solução correta abaixo. PPS: Não se atrase para o treino individual de futebol amanhã depois do jantar.

Eu sorrio. Mesmo sabendo que estraguei tudo, escrevendo para ele aquele bilhete atrás de uma equação de trigonometria, eu não consigo parar de sorrir. Ele respondeu. Ele respondeu! O cara para quem tenho escrito cartas de amor secretas nos últimos oito anos me respondeu. Mesmo que não seja uma carta muito encorajadora por assim dizer. Quero dizer, ele não está dando em cima de mim como um homem agonizante e desesperado, mas já é algo. Algo que faz meu coração disparar e me faz escrever outro bilhete que deixo em sua caixa de correio no dia seguinte.

Meu querido Arrow, Você está me desafiando? Está dizendo que eu não posso colocar peças de roupa escondidas em sua caixa de correio? Você deveria saber bem agora. Você deveria saber que sou muito capaz de deixar minhas minúsculas calcinhas e sutiãs na sua caixa de correio, se você quiser.

Página 302 de 551 O único problema é que eu não uso, lembra? A propósito, realmente deveria parar de me encarar no corredor. Não tenho certeza se sabe disso, mas faz você parecer muito sexy. Também me deixa molhada. Tão molhada, excitada e dolorida que ontem, tive que pedir licença da minha aula de trigonometria e ir ao banheiro para que eu pudesse fazer algo sobre isso. E eu fiz. Toquei-me enquanto pensava na cor escura dos seus olhos e naquela tensão excitante de sua mandíbula. Sua, Distração PS: Obrigada por resolver aquele problema de trigonometria. Miller ficou surpresa com minhas habilidades matemáticas falsas. PPS: Estou muito animada com nosso treino individual esta noite. PPPS: Eu quero que você saiba que o orgasmo que eu me dei não foi nada com o que você me deu tão bem. Além disso, você estava certo. Minha boceta ficou inchada, apertada e carnuda. Perfeita para um pau grande e grosso como o seu.

Mais uma vez, passo o dia em uma neblina mas quando chega a hora de entrar no campo de futebol, estou quase explodindo. Chego lá cedo, na esperança de impressioná-lo, mas ele já está lá. Ele está na beira do campo, me observando caminhar até ele, com sua expressão suave e os braços cruzados sobre o peito.

Página 303 de 551 Abro a boca para dizer oi a ele quando grita abruptamente: — Vamos trabalhar na sua corrida. — O que? — Corrida. – ele diz laconicamente. — Vamos trabalhar nela. — Por quê? — Porque correr envolve os joelhos. E precisamos trabalhar os seus joelhos. Eu olho para meus joelhos pálidos. — O que há de errado com meus joelhos? Ele olha para eles também, mas há uma certa ausência de emoção. Ele faz tudo tão indiferente, tão profissional que estou... desapontada. — Você precisa levantá-los mais quando correr. – ele explica enquanto levanta os olhos de volta para o meu rosto. — Ajuda na postura, ajuda a bater na bola e a fazer gols. O futebol é basicamente isso. Ele parece muito um treinador agora. Como fez em seu escritório. Pelo menos em seu escritório havia um momento de emoção sob sua pele. Aqui, ele está completamente sem emoção. Tem até um apito em volta do pescoço. Junto com aquele grande relógio preso ao pulso, ele parece tão inacessível e autoritário. Ciente de algumas alunas persistentes ao redor do campo, eu me aproximo dele. Ele mal mostra qualquer reação a isso, mas não desanimo. — Não vamos, tipo, falar sobre as coisas? Sua mandíbula se move então. — Envolve futebol?

Página 304 de 551 — Bem não. Mas... — Então não. Não vamos falar sobre as coisas. O sol está se pondo e o céu está todo laranja queimado, iluminando os fios dourados de seu cabelo. Esfrego meus dedos, lembrando-me da sensação aveludada deles. Isso me encoraja a continuar. — Então, eu devo correr ao redor do campo até que você me diga para parar? Ele me dá um olhar indecifrável. — Essa é a ideia. — E você vai me observar. — Eu vou observar você, sim. – ele bate no relógio com o dedo. — Agora mexa-se. Estamos perdendo a luz do dia. Inclino minha cabeça para o lado e dou a ele um sorrisinho. — Tudo bem. Se você quer que eu corra para você, eu vou correr para você. E se quiser observar, você pode. Mas deixe-me dizer uma coisa, treinador, não tenho medo de fazer um show. – Então baixo minha voz em um sussurro. — Para você. E é isso que eu faço. Eu dou um show para ele. Eu movo minhas pernas nuas e corro ao redor do campo. Sorrio para ele toda vez que nossos olhos se encontram. E ele me observa, com aquele sorriso, com uma mandíbula fazendo tiques e os olhos estreitos. E quando terminamos, eu solto meu cabelo e o sacudo. Porque ele gosta de mim desarrumada. Eu até alongo meus músculos por alguns minutos.

Página 305 de 551 Uma vez feito isso, eu me curvo lentamente para pegar todas as minhas coisas. Tudo na frente dele, como parte de um show. Não tenho ideia de onde aprendi essas coisas, mas eu não vou me impedir agora. — Obrigada pelo ensinamento. – digo a ele quando caminho até seu corpo imóvel e observando todo suado e corado. — Acho que realmente trabalhamos meus joelhos e minha postura, não é? Não posso esperar até que você trabalhe mais em mim. Ok, então talvez essa última frase tenha sido um pouco clichê. Mas tudo bem. Eu nunca disse que sou a deusa da sedução. Eu sou apenas a Salem, uma garota com olhos de bruxa e um nome de bruxa. Mas não um coração de bruxa. Estou em êxtase com essa vitória - e eu realmente acho que é uma vitória porque suas veias estavam pulsando em sua pele bronzeada e sua jugular estava permanentemente tensa no final de nosso treino - até que encontro um bilhete em meu armário no dia seguinte.

Foi um show e tanto que você fez para mim ontem. Vou admitir que eu subestimei você. Você parecia realmente determinada enquanto corria pelo campo, movendo suas pequenas pernas e trabalhando duro para mim como se estivesse fazendo uma entrevista para um emprego. Tão tentadora como uma candidata, temo que eu terei que recusar sua oferta de abrir essas pernas para mim e oferecer a sua boceta inchada, apertada e carnuda para o meu prazer. No momento, procuro alguém mais experiente. Alguém que não goza apenas

Página 306 de 551 montando minha coxa e eu brincando com seus mamilos. Alguém com um currículo verdadeiro de foder. Então, não preciso perder meu tempo ensinando suas habilidades básicas, como chupar meu pau grande e grosso ou como montá-lo. Alguém com quem eu posso pular para a parte em que fodo para esquecer todas as minhas frustrações. Boa sorte na próxima vez. Quase amasso seu bilhete quando termino. Quase corro escada acima para o escritório dele e dou um tapa na cara dele por ser um idiota. Ao longo do dia, suas palavras ecoam na minha cabeça e ainda ecoam quando estou na biblioteca com Poe, Callie e Wyn fazendo meu dever de trigonometria. Talvez seja por isso que eu não vejo Arrow andando pelo corredor. Mas minhas amigas o vê. Na verdade, Poe até o chama. — Ei, treinador. Que bom ver você aqui. Minha cabeça está inclinada e eu estava prestes a escrever algo no meu caderno - embora eu não consiga me lembrar o quê - quando o sinto se aproximando da nossa mesa no canto. Assim que ele chega à mesa, Callie diz: — Você está procurando algo em particular? Um livro, talvez. Eu vou matá-la, Callie e Poe. — Talvez possamos ajudá-lo a procurar. – diz Wyn, e eu a adiciono à minha lista. Achei que fossem minhas amigas. Eu achei que se importavam comigo.

Página 307 de 551 Para ser justa, elas não sabem de nada. Tipo, elas não conhecem seus segredos - a lesão falsa e a traição; e eu - que estou apaixonada por ele. Tudo o que sabem é que fico muito vermelha quando ele aparece e eu desapareço nos bares quando o vejo parado em um canto. E às vezes, fico olhando distante por longos períodos de tempo. Ainda estou de cabeça baixa, então só tenho uma visão de seus tênis cinza, mas posso imaginar sua expressão, já que isso é minha especialidade agora, quando ele diz secamente: — É uma oferta muito gentil. Nunca soube como as colegiais poderiam ser úteis. Mas acho que consigo achar. Receio ter que recusar sua oferta de abrir essas pernas para mim... Babaca. Idiota. Poe então se inclina para frente. — Ok, falando sério. Não tenho nenhum interesse em futebol. Mas eu gosto de você. — E o que eu fiz para merecer isso? – ele fala pausadamente. — Você ajudou nossa amiga na semana passada. – responde Callie. — Com aquelas garotas más. — Sim, não ligo para violência. – diz Wyn. — Por que fazer guerra quando pode fazer arte? Mas nós realmente apreciamos isso. Então, obrigada. Ah sim, elas ouviram sobre isso. Elas estavam todas no dormitório quando aconteceu e ficaram realmente impressionadas quando contei a elas sobre isso. Ele não diz nada, mas posso senti-lo levantando o queixo para elas em toda a sua glória arrogante e isso me faz contorcer na cadeira. Estou prestes a levantar os olhos e

Página 308 de 551 colocar um ponto final nessa encenação quando Poe fala novamente. — Bem, já que você é tão prestativo, talvez possa ajudar nossa amiga mais uma vez. O que? — Sim. Ela é péssima em matemática. E a Miller está começando a notar. Talvez você possa falar com a Miller sobre isso? – Callie fala docemente. — Ah, e você também pode ensiná-la um pouco de trigonometria, se tiver tempo? – Poe pergunta em sua voz típica de encrenqueira. Wyn dá uma risada suave. — Eu concordo. Eu abandono toda pretensão de olhar para o caderno e então olho para cima. Apenas para descobrir que seus olhos já estão em mim. Azul escuro e ardente. Mas eu o ignoro por enquanto e olho para as meninas. — Eu não sou péssima em trigonometria. Callie estende a mão e aperta a minha em solidariedade. — Você é sim. — Não. – eu minto. — Eu gosto de trigonometria. É a vez de Poe apertar o meu ombro. — Não, você não gosta. Porque ninguém gosta de trigonometria. — Você sabe... — Miller está lhe causando problemas? – ele me interrompe então. Finalmente, eu tenho que olhar para ele e quando o olho, eu tenho que dobrar o canto do meu caderno porque os seus olhos estão

Página 309 de 551 completamente escuros e ele está me olhando profundamente. Eu olho para ele. — Não. Ela não está. Ele não gosta disso, como evidenciado por sua respiração funda. — Pensei ter dito para vir até mim se você tivesse um problema. Deus, ele me deixa com tanta raiva de seus modos arrogantes. Como se fosse meu dono ou algo assim. Como se ele quisesse matar todos os meus dragões e fazer todos os meus problemas irem embora. Eu escondo a vibração que isso causa na minha barriga e como quero apertar minhas coxas em seu tom dominante. — E eu disse que posso cuidar de mim mesma. Arrow fica em silêncio enquanto olha para mim, com a cabeça erguida e autoritário, com os músculos de seus bíceps e ombros tensos e em exibição em sua camiseta de academia. — Esse é o seu dever de casa de trigonometria? – ele levanta o queixo. Eu puxo o caderno para perto de mim como se estivesse escondendo de sua vista. — Sim. — Eu posso te ensinar. – ele se oferece. — O quê? — Elas estão certas. Você é péssima em trigonometria. E ah meu Deus, eu perdi minha cabeça. Eu a perdi completamente. Fechei meu caderno com um som alto, tão alto que até eu estremeci. — Obrigada pela oferta. Mas receio que vou ter que recusar. Eu não preciso da sua ajuda. – eu até me levanto sob

Página 310 de 551 seus olhos ferozes. — Não preciso que você me ensine nada. Posso aprender tudo sozinha. Na verdade, vou começar esta noite. Aprender coisas, eu quero dizer. As habilidades básicas de trigonometria. E quando eu terminar, vou ser tão boa nisso que você vai lamentar pelo seu destino por ter se oferecido para me ensinar qualquer coisa. Ignorando ele e a forma fortemente encolhida e escura do meu sol, eu me viro para minhas amigas, que estão todas olhando para mim com uma mistura de diversão e admiração. — Estou indo embora. E vocês precisam me seguir para que eu possa fazer uma saída dramática. O que eu faço. Eu faço uma saída dramática e minhas amigas, como as irmãs que eu nunca tive, me seguem. Horas depois, à meia-noite, elas me seguem até o bar também, onde pretendo aprender, o que significa que pretendo encontrar um cara qualquer, transar com ele e me livrar da minha virgindade estúpida. Sei que é uma reação excessivamente emocional e preciso parar e pensar, o que já foi dito por minhas amigas, mas estou com muita raiva. Estou muito irritada e muito ferida. Isso dói, ok? Isso dói. Dói saber que ele vai foder qualquer uma, qualquer garota aleatória que encontrar em um bar, menos eu. Dói que depois de todos esses anos ele finalmente me veja, mas ainda assim, eu não consigo prender sua atenção. Ele ainda não me acha atraente o suficiente para me foder. Não estou pedindo a ele que me ame, estou?

Página 311 de 551 Eu só estou pedindo a ele para me usar, usar meu corpo, e ele nem mesmo fará isso. E estou muito magoada e muito apaixonada por ele, então perdi a cabeça por causa disso. É por isso que vou até a pista de dança para encontrar alguém. Alguém que vai tirar minha virgindade e me tornar perfeita para o cara que amo. Não sei por que quero chorar. Não sei por que estou com vontade de vomitar. A música que está tocando é a minha favorita de todas - “Born to Die” de Lana Del Rey - e meu corpo já está se movendo com ela. Já estou movendo meus quadris, movendo-os na forma de um oito, do jeito que fiz quando estava perseguindo meu orgasmo em sua coxa. Levanto minhas mãos e danço no ritmo lento da música e com a letra. Danço quando meus olhos choram lindas lágrimas que escorrem pelo meu rosto. Eu danço quando quero que minhas pernas desistam e me façam cair. Em algum momento, um cara vem dançar ao meu lado e minhas lágrimas fluem cada vez mais. Ele não pode vê-las embora. Está escuro e ele está bêbado. Ele é perfeito. Ele nem vai saber que sou virgem, completamente inadequada para o amor da minha vida. Estou prestes a pedir a ele que me leve a algum lugar igualmente escuro, onde ele não seja capaz de ver minhas lágrimas e me foder, quando eu sinto alguém nas minhas costas. Alguém alto, forte e familiar.

Página 312 de 551 Alguém cujo peito está movendo, socando minhas costas em um ritmo aleatório. Posso até ouvir sua respiração em meus ouvidos, barulhenta e alta, perturbada. Ele é tão quente que flui como calor líquido em minhas veias. Meu Arrow. Fecho os meus olhos de alívio e a voz de Lana soa ao meu redor. Ele agarra a minha cintura, com seus dedos cravando em minha pele. Uma sensação de calor me atinge e eu suspiro. Tenho sentido frio e calafrios, mas ele faz tudo ir embora quando me puxa para seu corpo. Seu corpo duro e firme e, ah meu Deus, eu sinto isso. Eu sinto sua ereção na parte inferior das minhas costas e não posso deixar de me arquear contra ela, esfregar contra o calor que irradia dela. Ele murmura em meu ouvido, com seus lábios tocando na minha curva delicada da orelha, seus quadris se movem, me pressionando por trás. — Vire-se. Eu me viro e faço o que ele diz. Suas feições estão nas sombras por causa da aba de seu boné de beisebol, mas eu vejo o movimento de sua mandíbula quando percebe as minhas lágrimas. Ele as enxuga com seus polegares ásperos, seus dedos demorando ao redor da área dos meus lábios entreabertos. — Você vem comigo. – ele me diz. — Para onde você está me levando? – eu sussurro. — Onde você pertence.

Página 313 de 551 Meu coração se silencia. — Não vou voltar para St. Mary's. Seus olhos brilham. — Não, você não vai. Porque você pertence a mim.

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Seu quarto de hotel é cinza e sem graça. Essa é a primeira coisa que noto quando entro. Também é muito limpo e muito arrumado. Em geral. Com uma escrivaninha sob a janela, uma cadeira e uma cômoda com gavetas ao lado. Toneladas de pesos empilhados em um canto. Uma porta que provavelmente leva ao banheiro. E uma cama. Não estou olhando para a cama ainda por algum motivo estranho. Mas, pelo que pude perceber pelos cantos dos olhos, ela tem lençóis brancos imaculados com um cobertor cinza escuro nos pés. Eu entro, com o som amortecido dos meus pés no carpete cinza. Ao contrário dos meus batimentos cardíacos. Meus batimentos cardíacos estão altos. Muito alto e aposto que ele pode ouvi-los. Meu Arrow. Que acabou de entrar atrás de mim e fechou a porta com um clique. Sinto aquele pequeno clique em minhas coxas nuas. Bem, esta noite eu estou usando uma saia xadrez que peguei emprestada de Poe. Até que ele apareceu no bar, eu estava sentindo frio mesmo em sua jaqueta.

Página 315 de 551 Mas não mais. Minhas coxas não estão nem um pouco frias. Nem mesmo quando eu estava atrás dele e estávamos acelerando pela rodovia, com o vento batendo contra minha pele. Na verdade, estava quente. Como está agora. Quando chego à parede oposta, me viro e me encosto nela. Arrow está fazendo o mesmo. Ele está encostado na porta, com os braços cruzados sobre o peito e os olhos em mim. Eu pressiono minhas coxas juntas. — Há muito cinza neste quarto. Minhas primeiras palavras para ele desde que saímos do bar. Ele inclina o queixo, com sua mandíbula áspera e mal barbeada captando a luz do teto. — Eu gosto de cinza. Suas primeiras palavras para mim depois que ele disse que eu pertencia a ele. Mordendo meu lábio com a memória, eu digo a ele: — Cinza é superchato. — Ao contrário do amarelo ensolarado. Eu olho para o cabelo dele então. Está todo bagunçado, com os fios caindo sobre suas sobrancelhas arqueadas. E eu me arrependo de estar tão longe dele. Onde não posso tocá-los. Não sei por que escolhi este local para encostar quando tudo que eu quero - tudo que eu sempre quis - é estar perto dele.

Página 316 de 551 Na realidade, eu cravo as minhas unhas em minhas palmas suadas e me movo, sentindo o arranhar da parede na parte de trás das minhas coxas. — Como você sabia que eu estava no bar? — Você queria aprender coisas, não é? – Quando eu concordo hesitantemente, ele murmura: — Não foi difícil descobrir para onde você iria para isso. Aperto minhas coxas novamente, ficando meio inquieta. — Achei que você não queria perder seu tempo me ensinando. — Não quero. – ele clica. — Mas não quero outros caras ensinando você também. Minha respiração aumenta. É uma coisa muito masculina de se dizer - eu não quero você, mas também não quero que ninguém mais tenha você. E talvez porque eu seja uma garota, isso começa a acelerar na parte inferior da minha barriga. — Por que não? Algo sobre o que eu disse o faz se afastar da porta e eu estremeço em sua jaqueta. Seus passos deveriam ser amortecidos como os meus, mas não são. Eles são altos e estridentes. Eles têm uma cadência e vibram. Sinto tudo isso, o som de sua abordagem e o olhar ardente em seus olhos, entre as minhas pernas. Ele para bem diante de mim e meus lábios se abrem com o quanto grande ele parece agora, grande, alto e quente e eu encolho os dedos dos pés nas minhas chuteiras de futebol, as antigas. Não as que ele me comprou. Estou a mantendo em segurança debaixo da minha cama. — Porque você é minha amiga. – ele responde em um tom áspero, com seus olhos

Página 317 de 551 piscando para o meu peito arfante antes de voltar para o meu rosto. Não sei qual palavra ele enfatizou mais, minha ou amiga. Essas palavras enviam um choque que desce pela minha coluna, e eu nem tenho tempo para essas bobagens porque ele se inclina e coloca a mão na parede, logo acima da minha cabeça, e sussurra: — E só eu posso ensinar coisas para você. Eu engulo. — Eu sou... — Como se chama este? Ele não tem que explicar sua pergunta para mim. Eu já sei a que ele está se referindo. Ele está olhando para meus lábios pintados. — Che... cherry Picker. – eu sussurro. Na verdade, eu agi sozinha na minha escolha de cor habitual - tons escuros e diferentes de coral - e optei por algo supervermelho, o favorito de Wyn. Arrow levanta a mão livre e traça a parte inferior do meu lábio com o polegar. — Cherry Picker11. — Achei que fosse adequado para a ocasião terrível. Seu polegar crava no centro do meu lábio e ele força minha boca a se abrir, estreitando os olhos. — Você ia deixá-lo colher sua cereja? Eu passo minhas unhas para cima e para baixo na parede enquanto minha boceta pulsa com seu gesto possessivo. — Eu... eu pensei nisso. Ele quase esmaga o meu lábio inferior com os dentes. — Você pensou, hein.

Cherry Picker: no literal significa algo como “colhedor de cereja”. No contexto de dizer que irão colher (tirar) a cereja (que quer dizer virgindade em inglês). Como é uma cor de batom, optamos por deixar no original. 11

Página 318 de 551 — Digo, eu... — Você pensou em deixá-lo romper esse pedacinho de pele entre suas pernas. – Sua mão desce dos meus lábios e ele envolve seus dedos em volta da minha garganta. — Você pensou em sangrar no pau dele. É isso que você está me dizendo? Um espasmo intenso surge no meu canal com a imagem gráfica que ele pinta - meu sangue em seu pau - e seu domínio possessivo sobre mim. — Arrow, por favor. — Por favor, o que? – ele sussurra, com sua mão como uma marca quente na minha garganta. — Por favor, não diga coisas assim, Arrow? Ou, por favor, não perca sua maldita cabeça pensando nessa boceta virgem sendo violada por aquele filho da puta bêbado? Ou talvez... – ele aperta minha garganta e estou quase fora do chão, cambaleando na ponta dos pés. — Ou talvez não me tranque neste quarto de hotel, Arrow, e vá caçá-lo. Não pense em dar uma surra naquele maldito imbecil. É isso que você está implorando, Salem? Não o mate. O colhedor de cereja que você escolheu para si mesma. Ele não pode bater nele, não é? Quer dizer, foi por isso que ele foi suspenso, por espancar alguém. Ah Deus, ele não pode fazer isso e eu não posso deixar. Mas, ainda assim, todo o meu corpo está vibrando com sua reação violenta. Meu corpo inteiro está em chamas com sua possessividade, seu domínio rude sobre mim. Isso é mau, Salem. Você não pode ter prazer com essas coisas. — Você não pode fazer isso. Não pode bater nele, Arrow. – eu deixo escapar, com meu coração pulando na minha garganta e batendo

Página 319 de 551 contra sua palma. — Seu time não vai gostar disso, você batendo em outra pessoa em um bar, na frente de todo mundo. É como se ele nem me ouvisse enquanto sussurra: — E desta vez, eles não serão capazes de me tirar de cima dele até eu terminar o trabalho. Eu tenho que ranger os dentes para conter o choque de emoção com que suas palavras enchem minhas entranhas e algo realmente estúpido e perigoso escapa da minha boca, mas eu me contenho no último segundo. — Você… — Eu o quê? Não sei o que espero alcançar fazendo esta pergunta, mas não posso evitar. Tenho que saber Porque Deus, ele parece tão zangado e selvagem e tão louco possessivo. — Você sempre foi assim? An... antes. Pergunta estúpida, estúpida. Salem estúpida, estúpida. O que isso traria de qualquer maneira? Por que me importo como ele era antes, quando estava com minha irmã? Mas a questão é que eu não acho que ele era assim. Eu não acho que ele era esse louco dominador e louco possessivo. Sarah teria odiado isso. Porque Jesus Cristo, eu amo cada centímetro disso. Amo cada centímetro de sua necessidade profunda de me controlar. Quando a compreensão surge em seu rosto como o amanhecer, me apaixono por ele ainda mais. Porque isso só consegue escurecer suas

Página 320 de 551 feições. Isso só consegue torná-lo mais agitado, mais possessivo, mais... meu. Ele se inclina para frente, com seu controle sobre mim ainda absoluto. — Não, não era. – Seu polegar crava na minha pulsação vibrante. — Talvez seja você. Talvez você tire o pior de mim. E você me queria, não é? Você queria minha raiva. Meu calor. Minha fúria. Eu aceno com a cabeça. Ele dá um sorriso maldoso e tenso. — Bem, você me tem. Cada pedaço quebrado meu. Ótimo. Eu o quero, não importa como ele venha. Quero que ele me queime, me corte, me abra. Eu não me importo. Eu ainda vou sorrir para ele. Eu ainda vou amá-lo. Eu ainda vou mergulhar no oceano e pular de um avião por ele. Ele é meu Arrow. Meu querido Arrow. Engulo, me sentindo tão louca quanto ele, me sentindo tão submissa e feminina quanto ele se sente dominador e masculino. — Eu só queria ser... perfeita. Para você. Eu queria que ele tirasse esse pedaço de mim que me tornava incapaz, então você... Ele interrompe minhas palavras quando ele se aproxima de mim ainda mais. Além disso, ele empurra o meu pescoço para trás, então o olho diretamente nos olhos.

Página 321 de 551 — Você queria ser perfeita para mim. – ele murmura. — Sim. Um olhar severo surge em seu rosto, e eu não sei se ele quer me beijar ou me matar. — Você sabe o que eu tenho feito a semana toda? Desde que você começou a deixar seus malditos bilhetes sensuais na minha caixa de correio? — O que? — Tenho me masturbado. – diz ele com os dentes rangendo. — Tenho me masturbado como um maldito adolescente, aqui e no meu quarto. Na escola, na porra do meu escritório. Tive que me impedir três vezes - três malditas vezes - de mandar chamá-la para que eu pudesse ver. — Ver o que? — Sua boceta virgem. – ele murmura. — Para que eu pudesse ver se você realmente não está usando calcinha sob essas suas saias de colegial. Se você está realmente andando pelos corredores da escola com aquela peça apertada entre as pernas, toda nua e desprotegida. Então eu poderia ver se sua boceta é realmente tão inchada e carnuda quanto eu penso. Finalmente, eu solto a parede e agarro sua camiseta, com minha boca aberta e ofegante, e meus olhos todos vidrados de luxúria. Mas ele ainda não terminou. Ele fala sua última frase enquanto quase beija meus lábios. — Se você fosse mais perfeita para mim do que já é, eu enlouqueceria. Eu te inclinaria e foderia com você na frente de toda a escola enquanto eles assistem e suspiram e falam

Página 322 de 551 sobre a quebra de regras. Perfeita. Ele me chamou de perfeita para ele. Ah, meu Deus. Eu não... eu não sei o que fazer. Isso é tudo que sempre quis. Ser perfeita para ele. Eu não sei o que dizer, exceto: — Arrow, eu... Mas ele me interrompe novamente, com seus lábios pressionando nos meus com tanta força e os seus dentes cravando em meus lábios carnudos. — Você se lembra das regras? Eu arqueio minha coluna, tentando chegar mais perto dele. — Que regras? Ele vê minha dificuldade, mas não me ajuda. Ele simplesmente afirma: — Minhas regras. Regras de ser minha maldita boneca. Você se lembra do que eu te disse? Eu penso sobre isso. Minha mente está tão confusa e se afogando em luxúria e felicidade por ser chamada de perfeita para ele que eu realmente tenho que me concentrar. Um segundo depois, me ocorre. — Sim. — Quais são? Engulo quando uma agulha fura minha bolha de felicidade. — Vo... você fode com elas e esquece. Sua mandíbula contrai e algo passa por seu rosto, uma sombra que não tenho cabeça para entender agora.

Página 323 de 551 — Há outra regra. – ele diz, guiando nossas bocas para ficarem juntas, e eu coloco minha língua pra fora e lambo seus lábios para sentir seu gosto. Penetrante e ardente. — Qual? – sussurro, prometendo seguir todas as suas regras, embora isso vá me machucar. Seus olhos azuis pegaram fogo com a minha pergunta. Seu corpo inteiro incendeia quando responde, com a sua voz e palavras banhadas em violência. — Que absolutamente ninguém, ninguém mesmo, pode tocar no que é meu. Porque não divido, lembra? Você não deixará ninguém colocar as mãos em você. Você não dançará com homens estranhos. Você não falará com eles. Você não olhará para eles. Você não pensará sobre eles. Está claro? Essa é a regra mais fácil que alguém já estabeleceu para mim. A regra mais fácil em todo o mundo e eu concordo sem hesitar. — Sim. Eu não vou. Eu não quero mais ninguém. Uma satisfação malvada cruza em seu rosto e seu corpo, e eu não consigo me conter. Eu não me impedi de beijá-lo. Eu mordo seu lábio, puxo e o beijo do jeito que estive pensando na semana passada. E ele me levanta do chão, provavelmente da maneira que ele esteve pensando na semana passada. Assim que minhas coxas apertam em torno de sua cintura e meu núcleo esfrega contra o seu abdômen firme, eu solto um gemido. Ele engole com seu próprio gemido.

Página 324 de 551 — Onde você conseguiu essa saia? – ele pergunta, interrompendo o beijo, com as palmas das mãos apalpando minha bunda em apertos fortes e brutais. — Minhas amigas. Ele dá uma palmada forte nela, embora a sua voz seja divertida. — Aquelas que fizeram sua saída dramática? Eu me contorço em seus braços. — Sim. — Diga a elas que eu gosto delas também. Por cuidar de você. Beijo sua mandíbula, toda feliz. — OK. — E diga a elas para não lhe darem mais malditas saias. – Outra palmada punitiva que me faz gemer. — Porque você não vai usá-las depois desta noite. Eu agarro seu cabelo. — Nem mesmo com você? — Não. Porque você não vai usar muita roupa quando estiver comigo. Antes que eu possa terminar de apertar minhas coxas em torno dele com suas palavras sexy, estou em sua cama. Seus beijos eram tão viciosos e quentes que eu nem percebi que ele estava andando, me levando a algum lugar. Agora estou de costas e ele está inclinado sobre mim, com a sua corrente de prata balançando e batendo no meu queixo. Mas ele se afasta muito cedo. Com as bochechas vermelhas e a boca molhada e aberta, ele está aos pés da cama,

Página 325 de 551 olhando para mim enquanto agarro seus lençóis. Eles são frios e suaves sob meu corpo em chamas. — Mostre-me. – ele ordena, com o peito arfando. Só assim, eu sei o que ele quer dizer. Eu sei. Sua ordem flui em minhas veias e me enche de tanto desejo, amor e propósito que eu não posso acreditar que ainda não explodi. Que eu não me quebrei em um milhão de cacos. Mas é uma coisa boa. Porque eu tenho que mostrar a ele. Eu tenho que mostrar a ele minha boceta nua e mesmo que eu não achasse que teria isso em mim, a força, eu ainda fico de joelhos e tiro sua jaqueta em menos de dois segundos. Eu o vejo engolindo em seco, com seus olhos se estreitando e se concentrando na minha saia, bem onde está o meu núcleo pulsante. Como estavam no corredor quando dei a ele meu primeiro bilhete. — Eu tive... – eu sussurro, puxando a bainha da minha saia e seus olhos se fixam nos meus. — Também tive vontade de ir ao seu escritório. Mostrar para você. Minha boceta. Isso é verdade. Estava morrendo de vontade de levantar minha saia de escola e mostrá-la a ele. Por alguma razão, apenas puxar a saia para cima em vez de tirá-la torna tudo mais erótico. Mais ilícito. É mais um tipo de quebra de regras. Como se eu não devesse fazer isso. Eu não deveria querer mostrar a ele aquele lugar entre

Página 326 de 551 minhas coxas, mas estou fazendo isso de qualquer maneira. Estou dando a ele uma rápida olhada no que está debaixo da minha saia, porque ele me deixa com tanto tesão e não consigo me conter. Ele contrai a mandíbula, com os olhos brilhando. — Faça isso então. Seja minha garota má. Mostre-me essa boceta e me deixe louco por ela. Se você ficasse mais perfeita para mim, eu enlouqueceria... Com as suas palavras maravilhosas ecoando em meu coração cheio de amor, eu levanto o tecido. Ele sobe sem parar pelas minhas coxas trêmulas, até chegar aos meus quadris, onde eu o seguro. Eu o movo, em meus quadris, separando os joelhos e, finalmente, mostrando a ele a minha parte secreta. Eu estou sem calcinha e ele pode ver tudo. Ele pode ver a forma e a imagem do meu núcleo, todo molhado e nu para ele. E ele faz um som. Ele até estremece ligeiramente ao vê-lo. Limpando a boca com as costas da mão, ele diz: — Ela está nua. Eu me movo novamente, movendo meus quadris, observando meu sol ficar cada vez mais escuro na frente dos meus olhos. — Gosto de como está. Eu gosto. Então eu a depilo e mantenho toda lisa e limpa. Ele me olha nos olhos então. — Livre, certo? Meus punhos tremem, segurando a saia para cima. — Sim.

Página 327 de 551 Ele exala uma respiração alta com minha resposta antes de estender a mão para trás e agarrar sua camiseta, puxando-a para cima e para fora de seu corpo. Sua corrente de prata balança e cai entre os seus peitorais musculosos com um leve baque. Deus, ele é tão sexy. Tão masculino e atlético pra caralho. Eu não sei para onde olhar primeiro. Começo em sua clavícula, tão bonita e saliente, dando lugar a seu peito fortemente arqueado. Os músculos fortes descem para construir um tanquinho. Todo bronzeado e liso. Tão elegante e poderoso. Corpo de um deus bronzeado pelo sol. Quero ir mais longe. Eu quero seguir o V de sua pélvis e olhar para a protuberância em sua calça jeans, mas assim que meus olhos atingem seu umbigo, ele está em cima de mim. Um de seus joelhos está na cama e sua mão agarrou minha nuca, me fazendo olhar para cima e em seus olhos. — Eu ia pegar leve com você. – ele me diz, com os seus dedos apertando meu pescoço. — Porque esta é a sua primeira vez. Mas você me mostrou essa boceta. – Sua outra mão vem para agarrá-la e eu me movo ao primeiro contato de seus dedos com minha pele mais íntima. Em minha pele mais íntima e com tesão. — E pensei que poderia lidar com isso. Eu pensei que poderia lidar com olhar para sua boceta que carnuda, mas eu estava errado. Eu não posso. – ele aperta meu pescoço novamente enquanto mergulha o dedo no centro da minha fenda, me fazendo dar de novo

Página 328 de 551 um gemido. — Não consigo lidar com o quanto maduro12 isso parece. – ele para no “isso” e esfrega a palma da minha mão na minha lubrificação. — Você sente isso? Você sente como é suculenta, Salem? Tão quente e carnuda pra caralho, pronta para eu dar uma mordida. – ele mostra os dentes com isso e seu polegar bate no meu clitóris como se apontando aonde ele vai me morder. — E eu vou, entendeu? Vou devorar esse pêssego entre suas pernas em um segundo. Mas quero que saiba que não sou eu mesmo. Eu não sou... sádico. Preciso que você saiba disso. Preciso que você saiba que eu iria pegar leve, mas não posso agora. Agora. – diz ele, rangendo os dentes. — Vou destruir sua boceta. Vou acabar com ela e machucá-la tão gostoso e de tantas maneiras que você nem pode começar a imaginar. Então, se quiser desistir, esta é sua última chance. Ele está louco? Não estou desistindo. Nunca vou desistir. Na verdade, solto minha saia e agarro seus ombros nus, com o orgulho feminino explodindo em mim. Muito orgulho, amor e luxúria. — Eu não quero. Só que... – eu sussurro. — O que? — Você vai me beijar quando machucar minha boceta? Ele range a mandíbula em resposta antes de capturar minha boca. É quando eu também me perco. É quando fico louca como ele. É quando perco meu coração e minha alma e me torno sua boneca inflável. 12

É uma referência a quanto madura é a cereja dela.

Página 329 de 551 Então, quando ele interrompe o beijo para tirar minha camiseta, eu simplesmente levanto meus braços e o deixo. Quando ele me empurra na cama, abro minhas pernas para deixá-lo ficar entre elas e dar espaço a circunferência de seus ombros. Quando ele se move para baixo em meu corpo, eu seguro seu cabelo com reflexo e arqueio as minhas costas. E quando ele me lambe bem no centro da minha boceta, eu gemo. Eu gemo sem parar como se tivesse sido eletrocutada. Por sua língua quente e abrasadora e suas mãos que mantêm minhas pernas abertas para ele. Para ele me devorar. Para devorar os lábios carnudos da minha boceta, e aquele buraco virgem que nunca conheceu nada além dos meus próprios dedos. Mas agora eu conheço sua língua. Eu sei que seus lábios podem sugar minha carne até que eu esteja morrendo, e sua língua pode circular o buraco repetidamente até eu gritar e me contorcer por ele. Eu sei que quando ele faz tudo isso, ele faz um som. Emite um som. Um som como se estivesse bebendo algo delicioso. Ele está me bebendo move a cabeça ao fazê-lo. Ele geme também como se eu fosse a coisa mais saborosa que ele já provou, e ele segue aquele gemido com uma palmada no meu clitóris. Ele toca nele com a língua e morde levemente com os dentes. A mordida é o que faz isso.

Página 330 de 551 Isso é o que me faz quebrar. Uma pequena dor de seus dentes no meu clitóris e tudo apertado dentro de mim se desfaz. O aperto que estava começando a se formar no meu estômago se desfaz e eu me empurro e arqueio, entrando em sua boca. Minha bunda sai da cama e ele agarra minhas nádegas e me levanta. Ele inclina minha pélvis e quando eu abro os olhos, o encontro bebendo da minha boceta. Eu o encontro chupando e gemendo, com sua cabeça loira escura enterrada e inclinada sobre meu núcleo, com suas mãos que sustenta a minha bunda. Bem quando eu acho que vou perder minha cabeça ainda mais com a imagem erótica e faminta que ele faz, ele levanta a cabeça e vejo que a sua mandíbula está coberta pelo meu orgasmo e seus olhos estão brilhantes de luxúria. Lambendo os lábios, ele me deita e quase me desfaço nos lençóis brancos amarrotados. Especialmente quando ele sai da cama e começa a desabotoar a calça jeans. Ele faz tudo isso com movimentos bruscos e firmes, como se ele estivesse no limite e odiasse tudo que o mantém longe de mim. Até sua calça jeans. Eu posso acreditar totalmente nisso. Eu posso acreditar totalmente que ele odeia seu jeans agora porque Deus, era a única coisa que ele estava confinando era seu pau. E seu pau é assim. Porra. Grande. E grosso e de aparência escura com uma veia correndo na parte inferior. Também curva o seu

Página 331 de 551 eixo ligeiramente no final, com a cabeça mais grossa que o tronco. Além disso, posso apenas dizer que é tão bonito? Tipo, eu não acho que nunca vi nada mais bonito do que seu pau e me pergunto se algo tão grande e capaz de causar danos reais pode parecer bonito. Para mim, porém, vou dizer isso a ele. Vou dizer a ele que a forma como sua coisa se curva e a maneira como fica ereta, alcançando seu umbigo, é tão bonita, mas um som me distrai. Ele tem uma camisinha em suas mãos que de alguma forma não percebi, e agora ele está desenrolando em seu comprimento. Quando ele termina, ele fica lá, nu e lindo, olhando para mim, e meus pés deslizam para cima e para baixo em sua cama bagunçada. Ele olha para o meu cabelo que deve estar espalhado por todo o travesseiro, seguido por minhas bochechas. Ele fica um segundo a mais no meu nariz, sobre o qual ele sempre foi tão curioso, antes de ir para os meus lábios separados e pintados. Então ele olha para meus seios arfantes, orgulhoso e o meu estômago trêmulo. Ainda estou com a saia xadrez na cintura e as chuteiras de futebol, que não percebi que não tinha tirado. Seus olhos me deixam inquieta e me movo em sua cama, querendoo perto. — Arrow. Ele olha para cima então, e assim que nossos olhos se encontram, eu levanto meus braços, chamando-o para mim, acenando para ele. Uma tensão vem em suas feições e seu corpo por um segundo antes de ele se mover e vir até mim. Em meus braços e sobre meu corpo, seus quadris ficam entre as minhas coxas, com o seu pau pesado esfregando contra meu abdômen.

Página 332 de 551 Quando sua corrente balança e toca meus lábios, e eu a chupo em minha boca e seus olhos se estreitam com luxúria. Empurrando o metal para fora com minha língua, digo a ele: — Eu amo sua corrente. Isso faz você parecer sexy. Seu pau coberto de látex lateja no meu abdômen, com suas mãos agarrando o travesseiro de cada lado meu. — Você quer dizer, como meus olhares. — Sim, desse jeito. — Você é um pé no saco, você sabe disso, não é? Ele diz isso com tanta exasperação misturada com um pouco de ternura que não posso deixar de sorrir. — Sei. Mas acho que você gosta de mim mesmo assim. Ele murmura, com seus lábios se contraindo. — Acho que você não deve abusar da sorte. Eu sorrio e pergunto a ele algo que sempre quis perguntar. — Por que você sempre olha para o meu nariz? Ele olha para ele por um segundo antes de sussurrar: — Porque você tem sardas nele. Treze, para ser exato. E sete sob seus olhos. Algo sobre isso deixa minha garganta com um nó. Um grande, enorme caroço emocional e eu engulo uma, duas vezes, e enfio meus dedos em seus cabelos grossos e abundantes. — Você contou as sardas no meu rosto? — Elas são um pouco difíceis de ignorar com o quanto pálida sua pele é. Eu engulo novamente e seguro firme seus cabelos.

Página 333 de 551 Eu te amo. Meu coração grita, mas eu sei que não posso dizer nada, então digo outra coisa. — Estou pronta. Seu peito se move e toca as pontas dos meus mamilos antes que ele se aproxime. Tanto que as mechas de seu cabelo tocam minha testa. — Vai doer. – ele me diz em uma voz gutural. — Não sei quanto porque nunca estive com uma virgem antes. E... Eu o interrompi com os meus olhos arregalados. Arregalados e questionadores enquanto as minhas unhas cravam em seu couro cabeludo. Eu não faço a pergunta - a pergunta que de repente vem na minha cabeça - mas ele ouve de qualquer maneira e isso esvazia seu estômago com uma grande expiração. Salem estúpida. O que há de errado comigo esta noite? Esta é a segunda vez que eu estrago tudo. — Não tem problema. Você não... Mas é a vez dele de me interromper com uma resposta curta. — Ela não era. O que significa que minha irmã não era virgem quando eles ficaram juntos, e por algum motivo coloco minhas coxas em volta de sua cintura e o aperto mais perto. Meus braços em volta do seu pescoço fazem o mesmo. Aperte e abrace. Sua resposta é olhar para mim por um segundo muito exagerado enquanto seu pau fica mais pesado, mais inchado entre nossos corpos,

Página 334 de 551 mais pronto para me machucar como nunca machucou ninguém antes. — Eu quero que você me segure. – ele ordena. Eu o aperto com meus membros novamente. — OK. — Segure firme, entendeu? Crave suas unhas se for preciso. – ele instrui e eu aceno, com meu coração se enchendo de tanto amor por ele. — E se doer muito, diga-me para parar. Eu mordo meu lábio, tentando manter o sorriso - apesar do momento estúpido um segundo atrás - sob controle. — Arrow? — O que? Eu me inclino e dou um beijo suave em seus lábios. — Obrigada por me ensinar. Seus olhos se movem sobre o meu rosto, todo lascivos e sensuais. — É um transtorno para mim. Então ele se levanta e posiciona o seu pau na minha entrada. Eu respiro fundo e o seguro como ele me disse. Nós nos encaramos por um segundo antes de ele mover os quadris e me penetrar de uma só vez. Calor e uma dor aguda surgem no meu abdômen, mas em vez de chorar, eu sorrio. Eu sorrio, embora me sinta sangrando. Mesmo que sinta seu pau grande e grosso latejando dentro de mim, tentando esticar meu corpo mais do que nunca. Porque ele está dentro de mim. Meu Arrow está dentro do meu corpo e nada vai diminuir minha felicidade.

Página 335 de 551 Nenhuma quantidade de dor ou ardência fará o meu sorriso desaparecer, mesmo quando uma lágrima escorre do canto do meu olho. Arrow vê isso e fica preocupado. Sua testa suada se enruga com um franzir e ele se abaixa. Ele me envolve em seus braços e lambe minhas lágrimas. — Shh, está tudo bem. Está tudo bem, querida. Isso vai parar, eu prometo. – ele sussurra, todo gentil e ternamente. Carinhosamente. Meu sorriso para o teto fica ainda mais radiante então. Ele então começa a esfregar sua bochecha contra a minha como se houvesse carinho. Eu sorrio com a maneira como ele continua me calando, passando suas palmas ásperas para cima e para baixo nas laterais do meu corpo, tentando aliviar a tensão em mim. No jeito que ele sopra um hálito quente na lateral do meu pescoço e ombros. Sorrio ao ver como ele é meu primeiro e também sou sua primeira. Sua primeira virgem. Eu sorrio com este presente inesperado. Eu sorrio sem parar para tudo enquanto sua boca começa a me beijar lento e preguiçosamente como pedi a ele. Para me beijar enquanto ele machuca minha boceta, e de repente eu não consigo parar de tocá-lo, tocar seus ombros quentes, suas costas suadas e seus bíceps musculosos. E antes que eu perceba, estamos nos movendo.

Página 336 de 551 Estamos movendo um contra o outro e ele interrompe o beijo para se levantar sobre o meu corpo novamente, com as palmas das mãos em cada lado da minha cabeça. Suas estocadas são pequenas e gentis; elas mal doem. Na verdade, produzem uma fricção deliciosa que faz as minhas coxas subirem e apertarem em torno de sua cintura, forçando-o a se mover mais rápido. Mas ele espera. Ele me encara. Para realmente se certificar de que estou bem, e quando vê que estou, que estou arqueando as costas e cravando as unhas em seus lados, ele acelera o ritmo. Assim que ele faz isso, minha boceta escorre para ele, sujando o caminho, e ele se aproveita disso. Suas estocas se tornam curtas, penetrantes e ele está se aproveitando disso. Ele está se movendo dentro de mim, estocando em mim e eu sou tão pequena e tão leve que o meu corpo está movendo com os seus movimentos. Gemendo, fecho meus olhos quando ele atinge um ponto profundo dentro de mim. Isso me faz gemer seu nome. Aposto que é aquela cabeça curva de seu lindo pau. Está se esfregando em algo realmente crucial como meu ponto G, e estou tão perto de gozar. Minha boceta está apertando, com espasmos em seu comprimento e o sinto gozar em mim, os cumes salientes de seu corpo movendo contra o meu. Ele se apoia nos cotovelos e exige em um sussurro áspero: — Olhe para mim. Eu olho.

Página 337 de 551 Abro meus olhos com a música erótica de seu corpo batendo no meu. — Quem está te fodendo? – ele pergunta entre os dentes. Sinto o nosso cheiro no ar, o cheiro misto de nossos corpos, almiscarado e delicioso, quando respondo: — Você. — É? Qual é o meu nome? — A... Arrow. — Diga. Mais uma vez, ele não precisa explicar. De alguma forma, já sei o que ele quer que eu diga. — Meu Arrow está me fodendo. Seus olhos brilham com possessividade, com domínio e as suas estocadas se tornam mais fortes. — Quem está dentro de você, Salem? — Meu Arrow está dentro de mim. — Quem está fazendo você sangrar no pau dele? — A... Arrow está me fazendo sangrar em seu pau. – digo, com minhas coxas entrelaçadas em torno de sua cintura, enquanto a pressão em meu estômago se torna um auge de todos os tempos. — E você vai se lembrar disso. Você vai se lembrar de quem esta boceta pertence. – ele murmura. Eu concordo freneticamente entre os dentes. — Sim. Sim, esta é a boceta do Arrow. Isso é tudo que eu tive que fazer. Eu tive que dizer que ela era sua. A boceta do meu Arrow.

Página 338 de 551 E eu gozo. Eu gozo em seu pau. Eu gozo debaixo dele, me contorço e me movo como uma onda e ele fica tenso. Ele diz um palavrão e pressiona, com seu pau se expandindo dentro do meu canal. Sua cabeça está para trás e sua coluna está se curvando. Vejo seu corpo suado e quente ficar tenso e como uma pedra enquanto seu pau pressiona dentro de mim e jorra a primeira quantidade de seu esperma no látex. Nós dois gozamos juntos então. Ele está pulsando dentro de mim como estou pulsando em torno dele. Arranho seu tanquinho e a sua mão segura meu cabelo no couro cabeludo. Eu percebo que é o que ele queria ouvir também - que eu sou dele. Que eu sou do meu Arrow, e sorrio novamente.

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Eu ainda estou sorrindo sobre isso na manhã seguinte. Mesmo que eu não quisesse sair do seu lado e daquele casulo quente de seu quarto cinza chato e lençóis amarrotados, eu tinha que voltar. Então, Arrow, depois de me ajudar a tomar banho, onde ele começou a me lamber até outro orgasmo enquanto acalmava minha boceta dolorida e me vestia com sua camiseta, me deixou em um local na floresta onde eu poderia entrar escondida. Eu não fui dormir embora. Não imediatamente. Não até o amanhecer no céu, mas ainda assim, acordei na hora designada, eu me preparei para as aulas, fui tomar café da manhã e conversei com minhas amigas, todas elas me olharam como soubessem de algo porque saí com ele no meio de minha dança com um sorriso no rosto. É assim que passo o dia todo, sorrindo. Mesmo quando Miller me dá dever de casa extra - porque eu estava sorrindo muito e sonhando acordada em sua aula - que tenho que terminar antes da próxima semana, eu ainda tenho um sorriso e é assim que entro na biblioteca também. Sorridente. Eu até cumprimento a garota atrás da recepção com um aceno amigável, que ela obviamente não retribui, mas está tudo bem.

Página 340 de 551 Eu estou feliz. Eu sou perfeita. Para ele. Isso é o que ele disse, certo? Que eu sou perfeita. Quer dizer, claro, que era apenas para sexo, mas tudo bem. Já era alguma coisa. Nunca tive muito interesse em ser perfeita, mas desde os dez anos queria ser perfeita para ele. Eu queria de alguma forma preencher a distância entre nós e estar à altura dele. Acontece que sim. Eu estou à altura dele e, ah meu Deus, não consigo parar de sorrir. E eu pensei que essa era a extensão da minha felicidade, o que estou sentindo agora. A sensação borbulhante e flutuante em meus membros e estômago. Mas eu estava errada. Minha felicidade pode ser duplicada. Minha felicidade pode estar radiante. Pode estar transbordando, pulsando e escorrendo da minha pele. Porque assim que me viro da mesa da recepção, com meus livros contra o peito, procurando uma mesa vazia onde possa ficar e resolver todas as malditas equações, eu o encontro. Ele está aqui e está olhando para mim. Como se ele estivesse me esperando. Ele está em uma mesa no canto, diretamente sob a luz do teto que traz dourado do seu cabelo. Traz o dourado em sua pele também, especialmente na curva de seu bíceps

Página 341 de 551 protuberante quando levanta o braço para passar os dedos pelas mechas. Meus próprios dedos se contraem quando o vejo fazer isso, pentear para trás os fios caídos, e minha garganta seca ao ver seu belo rosto. Nas cavidades de suas bochechas e no contorno de seus lábios. O azul brilhante de seus olhos. É errado o que dizem. Que quando você morre, seu corpo fica frio e azul. Não, azul não significa frio e morte. Azul para mim sempre significará verão quente e vida. Chamas. Azul para mim sempre significará ele. Meu Arrow. Ele está recostado em sua cadeira, vestindo sua usual camiseta cinza com decote V, e quando simplesmente fico parada no meu lugar, ele cruza os braços sobre o peito e levanta as sobrancelhas, fazendo-o parecer arrogante e sexy. Então isso faz algo ainda mais sexy, que faz vibrar algo em minha barriga. Com os olhos em mim, ele empurra a cadeira ao seu lado com o pé. Em um convite silencioso para sentar ao lado dele. E eu tenho que sorrir para isso também. Eu tenho que sorrir. Não tem como eu não conseguir. De jeito algum eu não posso andar até ele agora, com a minha respiração e batimentos cardíacos caóticos. Minhas coxas também. Pelas pulsações e pela minha lubrificação.

Página 342 de 551 Quando o alcanço e pressiono o ponto dolorido entre as minhas pernas contra a mesa que ele escolheu, seu olhar abaixa para ela. Ele lambe os lábios como se soubesse que eu estou molhada lá e ele está revivendo meu gosto. — Você está aqui. – eu sussurro. Ele levanta os olhos. — Encontrei suas amigas no pátio. Elas me disseram que você estaria aqui. — Então você veio me ver? – pergunto, sem fôlego. Apoiando os cotovelos nos braços da cadeira, ele comanda: — Sente-se. — O que? — Ouvi dizer que você tem lição de casa extra. — Hum, sim. — Então, estou aqui para ajudá-la. Eu pressiono meus livros no meu peito. — Você está aqui para me ajudar com meu dever de trigonometria? Sem me responder, ele repete: — Sente-se, Salem. Confusa e totalmente chocada porque ele veio aqui para me ajudar, eu sento e coloco meus livros sobre a mesa. Ele se endireita e vai até eles quando digo: — Onde você estava o dia todo? Eu estava procurando por você. Ele faz uma pausa então, com sua mão no processo de abrir meu caderno. Com a cabeça baixa, ouço-o suspirar.

Página 343 de 551 Não tenho certeza do que esse suspiro significa, mas eu continuo, mesmo assim. — Até passei pelo seu escritório, mas você não estava lá. Eu fui ao escritório dele durante o almoço. Não tenho certeza por quê. Quer dizer, eu queria vê-lo, mas não tinha certeza do que faria quando o visse. Ok, estou mentindo. Eu sabia exatamente o que faria quando o visse. Eu me jogaria nele e montasse em seu corpo e exigiria que ele me fodesse ali mesmo. Novamente, ele não me responde e eu franzo a testa. Ele simplesmente volta a folhear meu caderno até encontrar uma página em branco. Então, ele escreve algo nele. Observo, hipnotizada. Como se eu nunca o vi escrever antes. Eu vi; morávamos na mesma casa. Eu o vi fazer sua lição de casa na sala de estar com minha irmã, mas por algum motivo eu não consigo parar de observar. Não consigo parar de observar a maneira como ele segura a caneta, de forma tão autoritária, tão possessiva - como ele me agarrou na noite passada - e como seu punho parece grande e dominador. Quando termina de escrever, ele desliza o caderno em minha direção.

Caso você não tenha percebido ainda, estamos na biblioteca e as garotas da mesa ao lado estão nos observando. Elas estão observando cada movimento que você faz. Se elas contarem a alguém e você tiver problemas por flertar com o treinador, eu não vou gostar disso.

Página 344 de 551 Pessoalmente, quando eu não gosto das coisas, escolho demonstrar isso. Muito claro. Mas acho que você não quer que eu faça isso, quer? Já que você está sempre me dizendo para ser legal. Então, a menos que tenha mudado de ideia, sugiro que pare de agir como uma colegial apaixonada e deixe-me ajudá-la com sua lição de casa, que provavelmente você fez por minha causa de qualquer maneira.

Há tantas coisas nesse bilhete que me enchem de felicidade inquietante. Mas há coisas que me fazem olhar para ele com indignação. Eu até suspiro antes de dizer: — Eu não estou agindo... Como uma colegial apaixonada. Eu não digo isso, mas penso, e é claro que ele sabe o que estou pensando. Porque os seus lábios se contraem, divertido com a minha reação. — Dramática. – ele sussurra, balançando a cabeça ligeiramente. Eu suspiro novamente. — Eu não estou… Caramba. Respirando fundo - porque aparentemente algumas garotas estão observando e eu posso sentir seus olhares agora que ele mencionou - eu dou a ele um sorriso encantador. Então, o mais calmamente possível, pego o caderno e o deslizo em minha direção para poder escrever uma resposta bem calma.

Eu não estou dramática.

Página 345 de 551 Ok, talvez seja. Mas, neste caso, estou justamente indignada. Não estou agindo como uma colegial apaixonada, seu idiota. Eu estava muito feliz em ver você. E como sabe que consegui o dever de casa extra por sua causa?

No minuto que levo para terminar o bilhete, meus melodramas estão de volta e empurro o caderno para ele. Ele o pega com um leve sorriso malicioso e suas pálpebras piscam e se abaixam para ler. Quando ele termina, ele escreve algo também e empurra o caderno em minha direção com o dedo indicador.

Porque ouvi que você estava sonhando acordada comigo enquanto Miller explicava a lei dos cossenos.

Qual é a lei dos cossenos, me pergunto. Mas isso não é importante. Existem outras coisas importantes que precisamos discutir.

Como você sabe que eu estava sonhando acordada com você?

Ao que ele responde: Porque te fodi até você entrar em coma ontem à noite. Eu nunca vi uma garota dormir direto depois do sexo. Eu pensei que quem fazia isso era os caras. Portanto, é fácil deduzir que você estava sonhando comigo e com meu lendário pau quando deveria estar se concentrando na aula.

Página 346 de 551 Olho para ele através dos meus cílios quando termino de ler seu bilhete. Seu sorriso ainda está no lugar, mas os seus olhos estão pesados. Pesado com intensidade e conhecimento. Com todas as coisas que ele fez comigo na noite passada, e qualquer pequena indignação que eu tinha se desvanece. Babaca. Por que o acho tão encantador? Por que eu quero bater nele e beijá-lo ao mesmo tempo?

Mordendo meu lábio, finjo estar irritada. Ah, por favor. *revirando os olhos* Eu não estava sonhando com você. E seu pau não é tão lendário.

Ele é. Mas ele não precisa saber disso.

Sua resposta é rápida. É, e você estava. Porque eu também estava sonhando com você.

— Você estava? – pergunto em voz alta e ele suspira novamente, balançando a cabeça uma vez.

Então eu pego o caderno e escrevo outro bilhete. Com o que você estava sonhando?

Página 347 de 551 Comendo um pêssego.

Eu li seu bilhete duas vezes. Depois, três. Quando termino de ler pela quarta vez, minhas coxas estão pressionadas e eu estou me contorcendo na cadeira. Também estou amassando e dobrando o canto da página com dedos suados e trêmulos. Eu realmente gosto disso? Ele lambe os lábios quando lê meu bilhete e quando termina de ler, ele me dá um olhar. Um olhar ardente e quente, e eu engulo em seco.

Em seguida, ele escreve, pressionando a ponta da caneta com muita força no papel: Quer dizer que você realmente tem gosto de fruta madura? Toda doce, macia e feito de açúcar que quando eu dou uma mordida, o suco escorre de você e escorre pelo meu queixo? Foda-se, sim, você é.

Eu estou um desastre lá embaixo. Um desastre total. Mais do que antes. A umidade está penetrando na minha calcinha e indo além. Além disso, acho que eu estou respirando com dificuldade. Estou respirando tão alto que as garotas que ainda estão nos observando - posso sentir seus olhos - podem me ouvir. Elas podem dizer que estou prestes a entrar em combustão e deixar minha lubrificação nesta cadeira.

Página 348 de 551 Minha umidade frutada de pêssego e açucarada.

Você tem que parar de falar assim, escrevo para ele.

Então, deve parar de se contorcer como se seu pêssego estivesse maduro para ser comido. Você está molhada? ele responde. Minha caneta quase escorrega do meu aperto quando respondo, sim. Muito.

Sim, eu aposto que está. Aposto que sua boceta está toda inchada e encharcada. Se queixando por mim, não é?

Sim ela está. Ela quer você. Quero você. Você está duro?

E como, porra! Que até dói. E você vem aqui, cheirando tão bem, tão inocente e tão bonita em seu uniforme de colegial. Tão diferente da garota má que é. Quem quer subir a saia e me mostrar sua boceta. Você quer, não é?

Sim, eu quero. É por isso que estou me contorcendo na cadeira enquanto aquelas garotas nos observam e o resto do mundo está absorvido em seus deveres de casa. É por isso que quero dizer a ele para me encontrar

Página 349 de 551 em algum lugar para que eu possa mostrar a ele o quanto excitada ele me deixa. Na verdade, estou até encostada na mesa, procurando atrito para meus mamilos duros enquanto respondo: Sim. Eu quero. Quero tanto. Quando podemos fazer de novo?

Eu ouço sua risada dolorosa e noto que ele está ainda mais dourado agora, mais brilhante e mais reluzente.

O bilhete dele diz: Não vou fazer sexo com você de novo logo depois que acabei com você e a fiz sangrar. Eu sou um idiota, mas não sou um perfeito bastardo, Salem.

Mais uma vez, li seu bilhete várias vezes antes de poder obter o suficiente para olhar para ele. Não consigo decidir o que gosto mais: ele dizendo meu nome ou escrevendo. Acho que gosto de tudo. Assim como eu o amo. Meu querido, querido Arrow. Eu faço beicinho para ele, por sua regra de não haver sexo e suas narinas inflam.

Então escrevo um pedido para ele. OK tudo bem. Mas você vai me levar para um passeio esta noite?

Página 350 de 551 Ele lê o meu bilhete e pensa sobre isso por um segundo antes de responder, Meia-noite esta noite.

É um encontro. Viva!

Eu ouço seu suspiro e quando ele me passa sua resposta, eu o ouço resmungar em meus ouvidos, me dando vontade de rir.

Podemos voltar à trigonometria agora?

Eu o encontro em sua Ducati à meia-noite. Esta é a primeira vez que escapei sozinha, sem qualquer ajuda das minhas amigas. Eu estava um pouco nervosa com isso, mas acabou tudo bem. O que deveria me deixar mais nervosa, ou pelo menos mais ansiosa, é o fato de que eu estou quebrando uma de suas regras pela primeira vez. Eu estou usando uma saia. Peguei emprestado da Poe novamente, esta é xadrez também, mas com pregas como uma boa menina e com comprimento de menina má que mal cobre minha bunda.

Página 351 de 551 Ele vai pirar, eu sei. Mas de qualquer forma. Ele pode me punir se quiser. Eu estou usando sua jaqueta, no entanto, a que me cobre toda, então não é como se alguém pudesse ver alguma coisa. Enfim, estou aqui agora. Paro por um momento para observá-lo. Ele está encostado em sua moto em suas roupas de costume e familiares que já estão me deixando com calor, fumando um cigarro. Seu pequeno mau hábito. Uma pequena regra que ele quebra porque isso o ajuda a relaxar e desestressar. Deus, ele é tão duro consigo mesmo, não é? Tão duro e crítico. Tão preso em nós severos. É por isso que tive essa ideia. Este passeio à meia-noite. Se eu não consigo fazê-lo acreditar que ele não é um fracasso, então pelo menos posso ajudá-lo a se soltar. Este garoto quebrado. Este novo Arrow. Aquele que parece um excelente bad boy agora - com cabelo aparentemente escuro, intenções sombrias, esperando por sua namorada adolescente que ele vai levar em sua moto. Ele vai encontrar um beco escuro ou um canto solitário sob uma ponte enferrujada em algum lugar e corromper cada pequena parte inocente dela com aquelas mãos grandes e queridos lábios. Começo a caminhar em sua direção e o som de meus pés o faz olhar para mim.

Página 352 de 551 Assim que ele olha, ele se endireita e solta uma tragada de fumaça e eu começo a correr em sua direção como fiz em nosso quintal. Embora eu tropece bem quando o alcanço, ele me pega, como de costume. Ofegante, eu o abraço e fecho meus olhos, pressionando minha bochecha contra suas costelas, exatamente onde está seu coração. — Se você não parar de fazer isso, terei que presumir que está fazendo de propósito. – ele diz lentamente, apertando seus braços em volta de mim. Eu esfrego minha bochecha em seu peito. — Fazendo o que de propósito? — Caindo. — Por que eu faria isso de propósito? — Para que eu pudesse pegar você. Eu beijo seu coração morto e olho para cima. — Talvez eu esteja. Ele estreita os olhos para mim enquanto me aperta com mais força e murmura: — Isso é irritante. Isso eu sou e vou me tornar ainda mais agora. — Você está fumando. – digo a ele enquanto vejo tentáculos de fumaça saindo de sua boca linda. — Você está atrasada. — Por que você está fumando? — Não tivemos essa conversa antes? Sim, e é por isso que eu pergunto, com as minhas sobrancelhas levantadas. — Então, o que você está tentando esquecer esta noite?

Página 353 de 551 Ele me encara por um instante antes de resmungar: — Perdemos. — O jogo? O ranger de sua mandíbula é minha resposta. Eu levanto minha mão para segurar sua bochecha esculpida. — Eu sinto muito. — Sim. – diz ele, com seus olhos fixos nos meus. — Quase conseguimos. Ele foi para a prorrogação e eles colocaram Rodriguez na cobrança de pênaltis. Deveria ter sido eu. Eu deveria ter estado lá, acertando aquele gol. E agora estamos fora da temporada. Eu... — Ei, ei. – eu o interrompi, ficando na ponta dos pés. — Você vai estar lá. Você irá fazer isto. Só precisa esperar um pouco. – Sua mandíbula pulsa sob minha palma e seus olhos brilham com raiva, com ódio de si mesmo e eu beijo seus lábios quentes e com fumaça, tentando acalmá-lo. — Então, você pode apagar seu cigarro para que eu possa lhe dar o presente que trouxe para você? Arrow simplesmente me observa por alguns segundos antes que a agressividade deixe o seu corpo e pergunte: — Você me trouxe um presente? — Uhum. — Não é um poema, é? Dou um tapa em seu peito e uma risada suave escapa dele. — Não, seu idiota. Apenas me ajude a levantar. Mais uma vez, ele me encara por um instante antes de jogar o cigarro fora e me levanta e logo, estou no seu colo, com minhas coxas ao redor de sua cintura fina e meus braços agarrando seus ombros.

Página 354 de 551 Mas essa não é a parte emocionante. A parte emocionante é quando ele percebe. Que eu quebrei sua regra. Suas mãos agarram minhas coxas nuas, antes de avançar lentamente e cobrir as minhas nádegas. Nádegas nuas. — Você está usando uma saia. – ele resmunga, desta vez com uma intenção sexual dominante, em vez de raiva. Ótimo. Pelo menos ele não está se concentrando em jogos perdidos. Eu mordo meu lábio e me contorço em seu colo, com minha boceta nua - não estou usando minha calcinha esta noite também - esfregando contra sua camiseta. — Eu sei. Estou quebrando uma de suas regras. Então você pode me punir se quiser. Mas. Presente primeiro! – eu pego seu presente no bolso da minha jaqueta e o dou com sucesso. — É por isso que eu estava atrasada. Porque parei para trazer isso para você. Ele não olha para isso imediatamente. Na verdade, ele olha nos meus olhos enquanto separa as minhas nádegas com dedos punitivos e quando eu mordo meu lábio, só então ele olha para minha oferta - uma pequena flor, uma gardênia, com um pequeno caule verde que eu cortei para ele no jardim. — Você me trouxe uma flor. – ele murmura, levantando os olhos. Eu aceno. — Sim. Ela é a flor oficial de St. Mary’s, que você já conhece. Mas você sabia que também significa pureza e inocência?

Página 355 de 551 E amor secreto. Também significa amor secreto. Mas não vou dizer isso a ele. Porque não se trata de amor, o que temos. Trata-se de fazê-lo sentir-se melhor, mesmo que por pouco tempo. Em vez de pegar a flor, Arrow agarra um pouco a minha bunda e me move em seu colo. — Pureza e inocência. Eu me esfrego contra ele descaradamente, tentando segurar a flor com meus dedos trêmulos. — Sim. Ele me levanta novamente, causando uma dor no meu clitóris. — Sim, posso ver isso. Como você parece inocente agora, me dando esta flor. Sem sutiã. Sem calcinha. Nada para cobrir seus seios empinados e saltitantes e sua boceta fora de controle. – ele se inclina para frente e morde meu lábio inferior. — Quanto inocente parecia na noite passada, na minha cama, quando desistiu dessa flor entre as pernas. Eu tremo. — Uhum. Totalmente. Inocente. Mas ninguém chama isso de flor, Arrow. — Não? Então, como isso é chamado? Sua pergunta casual é acompanhada por um movimento muito casual de seu polegar ao longo da curva da minha bunda, me fazendo gemer. Mas, de alguma forma, eu consigo responder modestamente. — A palavra com p13. — Ah, a palavra com p. – Seu polegar ainda se move para cima e para baixo na minha curva. — Pêssego14, você quer dizer. P: ela está se referindo a palavra “pussy” que significa boceta em Inglês. Pêssego: ele brinca com ela ao comparar a boceta dela com um pêssego. No arquivo original é “peach”que significa “pêssego”. Como podemos ver 13 14

Página 356 de 551 Balanço minha cabeça e mordo seu lábio. — Você sabe o que quero dizer, idiota. Pare de me provocar e pegue minha flor. Ele ri antes de arrebatar minha boca para um beijo e trazer o polegar para a minha boceta encharcada, onde ele causa danos no meu clitóris. Ele não me solta até que eu chegue ao clímax. Até eu gozar em sua camiseta. Só então desce com os olhos meio fechados, pega a minha flor e me leva para um encontro. A primeira parada é na sorveteria da cidade universitária de Middlemarch. Está quase deserta, com apenas um pouco de pessoas dentro da loja. Quando ele pede uma casquinha de baunilha para si mesmo, eu grito e digo ao cara atrás do balcão que meu amigo vai levar uma casquinha de chocolate com tudo, granulados e confeitos, assim como eu. Quando Arrow me dá um olhar, digo: — Você quer ser chato para o resto da vida ou quer ser incrível como eu? Com isso, Arrow agarra minha nuca e dá um beijo forte em meus lábios, bem na frente do balconista. Assim que temos nossos sorvetes, vamos para fora e eu monto a Ducati que ele estacionou na rua vazia, e lambo minha casquinha. No início, ele está simplesmente encostado na moto, com seu rosto iluminado e sombreado pela luz insuficiente da rua enquanto ele me observa lamber meu sorvete. Então ele joga fora sua casquinha e monta na moto também. Com os olhos meio fechados, ele agarra minha cintura e me puxa para ele, minha umidade tanto a palavra pussy (boceta) em inglês e peach (pêssego) em inglês tem a mesma inicial “p”.

Página 357 de 551 provavelmente deixa um rastro em seu assento de couro. — Eu molhei seu assento. Ele envolve minhas pernas nuas sobre as suas coxas poderosas, abrindo-as. — Ainda não, você não molhou. Antes que eu possa dizer qualquer outra coisa, ele enfia a mão por baixo da jaqueta que estou vestindo e, por sua vez, sob a bainha da minha saia e me beija com lábios gelados pelo sorvete. Tremendo, retribuo o beijo, esquecendo-me da casquinha em minha mão. Eu pulo quando sinto algo na minha boceta. Algo diferente de seus dedos. Algo como minha flor. A flor que dei a ele de St. Mary's que ele guardou, bem onde está seu coração morto. Arrow está me tocando com ela. Não sei quando ele tirou e quando ele escondeu debaixo da minha saia, mas ele está deslizando a flor ao longo da minha fenda, girando-a sobre o meu clitóris. — Arrow... – eu gemo, com minhas coxas tentando se fechar, mas não conseguem porque ele as tem presas sobre suas coxas e ao redor de seus quadris. — Agora tem uma flor entre as suas pernas, não é? – ele murmura, rindo, soprando um hálito quente e doce sobre meus lábios enquanto brinca com meu núcleo e, novamente, não me solta até eu gozar.

Página 358 de 551 Até que eu molhe seu presente e seus dedos com meu orgasmo. Até eu sujar meus dedos também, com o sorvete derretido grudento. Então ele me leva embora novamente. Ele me leva a qualquer lugar que eu queira ir. Até eu dizer a ele para nos levar em um lugar isolado, porque quero chupá-lo e lambê-lo como minha casquinha de sorvete. Paramos sob uma ponte enferrujada em Bardstown e, em menos de cinco segundos, eu o coloco contra um pilar de tijolos e fico de joelhos, olhando para ele. Eu estico minha mão e esfrego seu pau duro através de seu jeans. Eu esfrego a minha bochecha no vestígio do seu pau, sentindo seu calor infernal na minha pele, enquanto ele olha para mim. — Estou sempre com tanto frio, Arrow. – digo a ele. — Você é o único que me faz sentir quente. Você é meu sol. Sua mandíbula fica quase dura e cruel, com as mãos fechadas em punhos ao lado do corpo. — Então, você vai me agradecer por isso? Eu estendo a mão e beijo um, o punho dele, quero dizer. Beijo seus dedos, lambo, tentando acalmá-los, e funciona. Seus dedos se abrem. Eles seguram o meu queixo, me forçando a olhar para cima. — Baixe o meu zíper. Claro, eu pulo para fazer o que ele manda. Quando termino, ele abaixa a calça jeans e, um segundo depois, estou olhando para seu pau, seu lindo pau com um belo arqueado e aquela veia correndo por baixo, todo grosso e suculento

Página 359 de 551 para mim. — Seu pau é tão bonito. – sussurro enquanto o encaro com os olhos arregalados, meus joelhos rangendo no concreto e as minhas unhas arranhando suas coxas parcialmente cobertas. Seu abdômen contrai e seu lindo pau balança. — Bonito. — Uhum. Tão, tão bonito. Ele agarra meu cabelo e puxa, me fazendo arquear meu pescoço, minhas costas, me fazendo perder o equilíbrio e cair contra sua coxa. — Bonito não é a palavra que eu diria para meu pau, mas vou te dar um desconto esta noite. Eu aperto minhas coxas. — Por quê? — Porque você vai colocar na boca e chupar como se a sua vida dependesse disso. E porque vou foder seus lábios carnudos como comi sua boceta carnuda ontem à noite. E quando você tiver dificuldade para me engolir, porque sou tão grande e grosso para a sua boca inocente de colegial, você vai me fazer gozar. Direto na sua boca, e quando eu fizer isso, você vai engolir tudo, não é? Você vai engolir tudo que eu te der como uma boa menina. Então você pode chamar do que quiser, baby, porque tudo que me importa é deslizar em sua boca e levá-la para o céu. – diz ele entre os dentes e as bochechas coradas, todo dominador e grande como o sol que ele é. Minha respiração sai como uma série de gemidos enquanto aceno ansiosamente, com minha bochecha batendo na curva de seu pau. — Eu vou, ansiosamente.

eu

vou.



eu

sussurro,

Seus olhos brilham. — Então o que você está esperando?

Página 360 de 551 Com isso, eu o coloco em minha boca. Chupo sua cabeça com os meus lábios carnudos, com o seu sabor explodindo. Não apenas na minha língua, mas em todos os lugares. Meus dedos dos pés, minhas pernas, meu estômago e meu peito. Em todos os lugares eu sinto seu calor e seu tempero. Ele puxa sua camiseta para cima e a tira do caminho para me ver dar prazer a ele. Seus olhos penetrantes encontram os meus e isso me deixa tímida e ousada ao mesmo tempo. Ou pelo menos, isso deixa minha boca ousada e eu começo a passar a chupá-lo. Mas meus olhos não conseguem acompanhar. Seu olhar é demais e eu tenho que fechá-los. Mesmo assim, sinto seu olhar com luxúria. Eu até o vejo na minha cabeça. Eu o vejo, encostado na parede como um deus ou um rei, enquanto o sirvo como a fã fanática que sou. Eu passo minha língua na pequena fenda de seu pau, circulando-a para tirar seu esperma, e quando ele geme acima de mim, com os seus quadris arqueando na parede, eu sinto isso em todos os lugares também. Assim como seu gosto, sinto seus ruídos vigorosos e animalescos em cada parte do meu corpo. Especialmente em minhas mãos quando as envolvo em torno de seu lindo pau, antes de envolvê-lo em minha boca o máximo que posso e fodê-lo. Deus, seu pau é lindo. Uma obra de arte na minha língua. Tão pesado e carnudo.

Página 361 de 551 Tão saboroso. Seu pau é meu e eu faço amor com minha língua e meus lábios. Funciona porque ele geme de novo. Não só isso, seus quadris estão se movendo, arqueando e quando eu abro meus olhos para olhar para cima, vejo que sua cabeça está jogada para trás, juntamente com um franzido na testa e ele tem sua camiseta presa entre os dentes enquanto ele move os quadris. Essa tensão. Caralho. A tensão em sua mandíbula e os músculos tensos em seu abdômen. O suor umidificando seu corpo quente enquanto ele agarra meu cabelo. Tudo nele é tão lindo que redobro meus esforços. Eu movo minhas mãos mais rápido. Eu movo meus lábios mais rápido também. E ele fica mais duro, mais grosso, mais bonito e mais saboroso na minha boca. Muito mais agressivo e duro até que ele simplesmente goza. Seu pau empurra e atira esperma na minha garganta e eu engulo tudo como ele me disse para fazer. Bebo o líquido quente de seu orgasmo. Ele desce pela minha garganta e fica no meu estômago, me aquecendo. Eu continuo fazendo isso até que ele termine. Até que ele suspira fundo e seus punhos se afrouxam. Até que ele relaxa contra a parede e olha para mim com os olhos meio fechados. Quando nossos olhares se encontram, eu ofego e limpo minha boca com as costas da minha mão. — Obrigada. Uma grande lufada de ar escapa dele e, se abaixando, ele coloca as mãos sob minhas axilas

Página 362 de 551 e me puxa para cima, me pegando no colo mais uma vez. Apoio minha cabeça em seus ombros. — Você é como o fogo, todo quente e penetrante. Sua resposta é dar um beijo suave e silencioso na minha testa e caminhar de volta para sua moto. Uma hora depois, quando ele me deixa em St. Mary's e volto furtivamente para o meu quarto, eu ainda posso sentir o gosto dele em meus lábios. Estou tão entusiasmada com isso, tão focada em seu gosto ardente, que o meu coração quase sai do meu peito quando ouço as primeiras palavras da minha colega de quarto para mim. — Você foi a algum lugar? Eu estou quase totalmente deitada na cama, com o meu cobertor pairando sobre mim quando ela me pergunta isso. E eu não sei como, mas eu respondo a ela. — Sim. No banheiro. Isso sai estridente e alto e todas as coisas que deveriam dizer a ela que eu estou mentindo. Estou mentindo, porra. Mas ela aceita isso e se vira na cama para me dar as costas e imediatamente ela começa a roncar.

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Elanor me dá olhares estranhos no dia seguinte, no dia seguinte e no dia depois disso. Ou talvez seja eu. Talvez eu esteja imaginando coisas. Porque, honestamente, ela sempre me dá olhares estranhos, junto com suas outras três amigas. Embora elas não me assediem mais. Não desde que Arrow as colocou em seus lugares. Então, não sei se devo me preocupar com o que aconteceu naquela noite, na noite em que voltei do meu passeio com Arrow. Não sei se devo ficar preocupada que minha colega de quarto possa saber de algo. E se ela souber, então outras pessoas podem vir a saber também. Pessoas como a diretora, minha tutora, Leah. Ela vai ficar superdecepcionada comigo por fugir e quebrar regras como esta, quando seu principal objetivo ao me enviar aqui foi aprender a segui-las. Se ela descobrir que fui ver o Arrow, então não sei o quanto severamente ela reagirá. Eu não sou uma candidata ideal para o filho dela. Não que nós estejamos em algum tipo de relacionamento, mas tudo bem. E minha irmã.

Página 364 de 551 Ela definitivamente vai pensar que sou uma vadia. Mesmo que em meu coração eu saiba que não sou. Sem falar nas minhas cartas. Eu ainda preciso escondê-las. Mas a ideia de não tê-las por perto me dá tanta ansiedade que não consigo me desfazer das caixas de sapatos. Mas eu vou. Prometo a mim mesma que serei inteligente e irei escondê-las assim que tiver uma chance. Enquanto isso, eu devo parar. Eu sei. Eu não deveria correr o risco. Se por algum milagre Elanor não sabe de nada e estou imaginando tudo, então tive muita sorte naquela noite. Eu não deveria desafiar o destino. Na verdade, eu não sou a única que está desafiando o destino. Há outra pessoa também. Callie. Ela foge como eu, sozinha. Acho que ela sai para ver Reed Jackson. O cara que vimos no bar algumas semanas atrás. Eu a flagrei algumas vezes, mas nunca disse nada porque ela sempre me deu meu espaço. Mas decido dizer algo depois do incidente com Elanor. — É ele? – pergunto a ela um dia, puxando-a de lado na biblioteca, e ela cora. Eu não tenho que explicar a ela quem ele é. Seu vilão lindo.

Página 365 de 551 — Não de verdade. Mas sim. – Em seguida. — É ele? E ela não tem que elaborar sobre quem é meu ele também. Meu querido Arrow. — Sim. – eu aceno. — Você vai parar? Ela morde o lábio por um segundo antes de balançar a cabeça. Eu sorrio tristemente para ela. — É, nem eu. — Você o ama, não é? – ela pergunta, mas quando eu me calo, ela levanta as mãos. — Tudo bem. Você não tem que me dizer e não preciso de uma resposta... para saber. Eu sorrio. — E você? Você o ama, quero dizer. Ela não nega, mas há um sorriso triste em seus lábios. — Caras assim, você não os ama. Você é consumida por eles e então se pergunta se houve um momento em que você não pensou sobre eles, os sentiu ou os ouviu. Ou vê-los em seus sonhos. Sim. Ela está certa. Você não ama caras assim. Você é devorada por eles e adora cada mordida que eles dão em você. Então, nós dois estamos desafiando o destino. E a verdade é que provavelmente continuaremos fazendo isso. Ou pelo menos eu vou. Vou continuar escapando do meu quarto, escalando a cerca e encontrando Arrow à meia-noite. Vou continuar saindo em passeios com ele, onde ele acelera e eu me inclino para trás e abro os braços, deixando meu cabelo voar. Eu continuarei indo para seu quarto de hotel com ele também.

Página 366 de 551 Aquele quarto cinza monótono onde me tornei sua. Porque como eu não posso? Ele precisa de mim, não é? Ele precisa de mim para distraí-lo de todas as coisas dentro dele. Ele precisa que eu seja um grande pé no saco e dizer a ele para apagar seu cigarro idiota quando ele fica estressado com seus supostos fracassos. Sobre o fato de que ele não estava com o time, ajudando-os a vencer. Quando ele não me escuta e apaga seu cigarro, ele precisa que eu coloque minha boca na dele e o beije, inalando a fumaça em meus próprios pulmões. Quando ele segura o meu cabelo e puxa minha boca para trás, parecendo todo quente e zangado, ele precisa que eu diga a ele: "Se você quiser se matar, então eu morrerei com você também." E quando ele fica todo excitado por isso, ele precisa que eu abra minhas pernas para que ele possa tirar tudo de seu sistema. Ah, e ele precisa que eu mostre a ele todos os filmes românticos para que ele não fique assistindo as fitas do jogo sem parar, analisando cada movimento de seu time. E quando ele treina muito, ele precisa que eu enxugue seu suor. Porque Jesus Cristo, ele soa. Ele trabalha muito duro. Todos aqueles pesos no quarto que eu vi na primeira noite, são para o treino dele. Só porque ele está de fora nesta temporada não significa que ele pode relaxar.

Página 367 de 551 Na verdade, ele está trabalhando mais duro do que nunca. Todas as manhãs, ele sai para correr. Ele trabalha em seus próprios exercícios no clube local. Todas as noites, quando vou dormir depois do sexo incrível - ele estava certo; Eu caio em um cochilo em estado de coma após o sexo ele faz exercícios de novo, a poucos metros de distância da cama. Uma noite, acordo da minha soneca e eu o pego fazendo flexões no chão. Com uma maldita mão. Seu outro braço está levantado e flexionado na parte inferior das costas, e ele está sem camisa. Quando viro meu estômago para dar uma boa olhada nele, os olhos de Arrow se levantam. Eles estão todos escuros e ardentes com essa agressão dentro dele. O suor escorre de sua testa enquanto ele me observa e faz repetição após repetição. Vejo os músculos em suas costas se movendo sem parar, como algum tipo de asas. Músculos tensos que se contraem e relaxam. Ou talvez montanhas, emergindo de suas costas antes de desaparecer dentro de seu corpo a cada repetição. Isso é uma coisa tão agressiva e masculina, o movimento de seus músculos e seu olhar severo, que me levanto da cama. Deixei o lençol cair de meus ombros e em meus joelhos, deixandome nua, com o meu cabelo balançando nas minhas costas. As narinas do Arrow inflam ao me ver, mas ele não vacila. Ele continua subindo e descendo, com sua respiração barulhenta e ruidosa, e com os seus

Página 368 de 551 músculos em um estado de constante subir e descer. Quando estou no chão, fico de quatro e começo a engatinhar até ele. Ele estreita os olhos para mim, ainda subindo e descendo, e eu engatinho sem parar até chegar a ele. Até que eu esteja tão perto dele que seu cabelo encharcado de suor toque meu peito e minha barriga. Até que as lufadas de sua respiração ofegante sopram na minha pele nua e a sua corrente de prata atinge minhas costelas e meu umbigo. Coloco a minha mão em seu ombro para descobrir que ele está queimando. — Pare. – eu sussurro. Seus músculos flexionam e ele se esforça mais, se possível. — Pare, Arrow. Sem efeito. — Por favor? Por mim? Isso resolve. Ele para então. Mas se pensei que ele iria cair no chão em uma pilha de músculos cansados e queimando porque Deus, eles devem estar queimando, então eu estou errada. Porque ele fica de joelhos, com o suor escorrendo como um rio entre os seus peitorais arfantes, e agarra o meu cabelo em um punho, me fazendo olhar para ele.

Página 369 de 551 — Eu tenho que fazer isso. – ele diz, olhando para mim. Eu coloquei minha mão em seu peito brilhando de suor; seu coração morto está acelerando. — Eu sei que você tem. — Mais vinte repetições e eu teria terminado. – ele ofega. — Eu teria quebrado meu recorde. Vê? Eu sabia. Eu sabia que ele estava tentando quebrar algum tipo de recorde. Meu estúpido e querido Arrow, sempre tentando provar algo. Sempre tentando ser perfeito quando ele já é tão, tão perfeito. — E provavelmente se matar no processo. Ele se inclina sobre mim e as gotas de seu suor caem no meu corpo como chuva. — Eu. Tenho. Que. Fazer. Isso. Eu o observo por um momento, seu corpo ofegante e tenso, e envolvo meus braços em volta de seu pescoço. Eu fico na altura do seu peito, com seu suor espalhando-se em meus seios e barriga. — Você se lembra daquela época em seu primeiro ano? – pergunto contra seus lábios, com minha língua saindo para lamber o suor e eu mal posso conter meu gemido com seu gosto almiscarado. — Você teve um jogo. E estava jogando em sua escola rival e vocês estavam tentando marcar de mano a mano pela primeira vez? Seus olhos movem entre os meus. — Sim. — E como era novo para você, você treinou como um louco e, na noite anterior ao jogo, nem voltou para casa. Porque estava treinando. Ele não voltou; Eu me lembro disso.

Página 370 de 551 Eu me pergunto se ele estava fumando naquela época. Se o estresse do jogo foi demais para ele e ele quase se matou por isso, como está fazendo agora. — O que tem isso? Balancei a minha cabeça para ele. — Era estúpido na época e é estúpido agora. Seu punho agarra meu cabelo e ele finalmente coloca a outra mão em mim. Na minha bunda; ele ama minha bunda. Ou, pelo menos, ele adora espancá-la, analisando e apertando a polpa. Arrow puxa minha nádega. Forte. — O quê? Mas não desanimo; Eu puxo seu cabelo suado em resposta. — Você era e você é. — Ganhamos aquele jogo. Eu sei. Eu estava lá. Ele não sabe disso, mas tudo bem. — Então? Vencer não significa que você se mataria por isso. Se é isso que está fazendo o tempo todo, todo esse estresse e toda essa pressão, como você se diverte? O jogo que você tanto ama. — Eu não jogo para curtir o jogo. Eu jogo para ganhar. — Então, o que você faz quando quer se divertir? — Eu te fodo. Eu aperto minhas coxas. — Então você vai? — É por isso que você engatinhou até mim? Toda nua e bonita. Porque você quer ser fodida? Meu canal está pulsando com seu tom áspero. — Sim. Mas também para te impedir.

Página 371 de 551 — De me matar. — Sim. – eu puxo seu cabelo novamente. — Porque se você quiser se matar, eu morrerei com você também. Lembra? Seus dedos no meu corpo apertam sem parar a ponto de doer tão deliciosamente. — Você é um pé no saco. — Mas você ainda vai me beijar? – pergunto, toda tímida e boazinha como uma boa menina. E ele faz. Ele me beija e então me fode no chão e eu abro minhas pernas o máximo que podem e arqueio minhas costas. Eu o deixo tirar toda a sua frustração em meu corpo enquanto ele se esfrega em mim com o seu grande e pau grosso. Mas não é só para isso que ele precisa de mim. Ele também precisa que eu coloque pequenos bilhetes sensuais em sua caixa de correio em St. Mary's. Porque outro dia, ele me mandou parar ou corro o risco de ser pega flertando com o treinador. Sem mencionar que é sua regra não fazer nada nas dependências da escola. Por favor. Obviamente, eu quebro ambas as regras para que ele também possa quebrá-las e ver que o mundo não desmoronará quando ele fizer isso. Então, mando bilhetinhos sobre o quanto preciso dele e continuo enviando até que ele me chame. Quando chego lá, vestindo minha saia cor de mostarda e meu cabelo preso em uma trança, o encontro sentado em sua cadeira que parece um trono.

Página 372 de 551 Ele me diz para trancar a porta primeiro. Então ele me diz para desamarrar meu cabelo e quando eu faço isso, ele ordena: — Mostre-me. Com minhas costas contra a porta, eu subo minha saia. Eu deslizo minha calcinha para fora do meu núcleo e mostro a ele o pêssego entre minhas pernas. Ele o encara por alguns segundos, com seus dedos agarrando o braço de sua cadeira em um aperto forte e violento antes de me mandar brincar com minha boceta. Eu também faço isso até molhar meus dedos e minhas coxas, e até ele levantar da cadeira e vir para cima de mim. Pegando-me, ele me leva até a sua mesa e me espalha como uma refeição que está prestes a consumir. Levantando minha saia, ele entra em mim de uma só vez e arqueio minhas costas. — Mas pensei que você tinha uma regra. – digo a ele, arranhando seu abdômen sob a camiseta enquanto ele me dá uma palmada. — Eu mudei de ideia. – ele murmura, agarrando o meu cabelo bagunçado. — Você precisa do meu pau. Para que eu possa dar um jeito em sua boceta de menina má, transando com ela. Mordendo meu lábio, eu sorrio, gemo e o arranho. — E vê? O mundo ainda está bem e vivo ao nosso redor, mesmo se você quebrou uma regra para me tornar uma boa menina. Isso o faz parar por um segundo, com seus lábios entreabertos e inchados por causa dos meus beijos, e seus olhos ardentes de luxúria. — Você se acha muito inteligente, não é? – ele murmura, enfatizando essas palavras com

Página 373 de 551 uma estocada forte de seu pau, fazendo meu corpo inteiro balançar. — Mas não é isso que você é, lembra? Eu ofego, com minhas coxas tremendo em torno de seus quadris. — Arrow… Agarrando a extremidade de sua mesa sobre a minha cabeça, ele enfia seu pau em mim novamente, movendo aquele móvel pesado para cima com a força. — Me diga quem você é. Cravo minhas unhas em seu abdômen quando ele para, esperando pela minha resposta. — Sua boneca inflável. — Sim, então você não dita as regras, não é? — Não. — Quem dita então? — Meu Arrow dita as regras. Ainda assim, ele não se move, me fazendo esperar, esperar e esperar... — Arrow, por favor... — Dói, não dói? – ele pergunta, com sua corrente acumulando na minha garganta, sobre minha veia loucamente pulsante. — Dói esperar. Sua boceta mimada está doendo, Salem? Eu contorço minha bunda em sua mesa. — Sim. Seu pau move dentro de mim, lateja como meu canal encharcado, e ainda assim ele está teimosamente parado. — Quem está fazendo doer, baby? – ele sussurra, indo para o meu lábio, mordendo a curva carnuda dele.

Página 374 de 551 — Você. – eu respondo. — Meu Arrow está fazendo minha boceta doer. Assim que eu digo isso, ele me dá o que eu quero. Ele retoma seus movimentos e eu fecho meus olhos de alívio. — E quem está fazendo sua boceta se sentir bem agora? – ele lambe o ponto no meu lábio que acabou de machucar com seus dentes afiados. — Meu Arrow. – eu agarro os seus quadris suados, incitando-o a se mover mais rápido. — Meu Arrow está fazendo minha boceta se sentir bem. Quando ele me faz gozar alguns minutos depois e se esvazia dentro de mim - ou na camisinha, na verdade - quase simultaneamente, me pergunto de novo. Como posso parar? Ele precisa de mim. Ele precisa que eu o ame. Porque se eu não fizer isso, sua raiva o devorará vivo. Suas regras e agressividade. Sua busca pela perfeição. Sua raiva. Então, sim, eu não consigo parar. Eu tenho que desafiar o destino. Por ele.

Página 375 de 551 Já passa da meia-noite e acabei de acordar após minha soneca póssexo semelhante a um coma. Estou aos pés de sua cama e eu pisco os meus olhos abertos para encontrá-lo diretamente oposto a mim, apoiado nos travesseiros, com o peito nu e um dos joelhos encolhido. Ele está lendo algo em seu iPad que está apoiado em sua perna encolhida, com um franzido de concentração entre as sobrancelhas. Bem, pelo menos ele não está se matando no chão como costuma fazer. Eu o observo por um segundo, focado em tudo o que ele está lendo, todo iluminado e sexy sob a luz amarela de seu abajur. É exatamente assim que ele costumava olhar antes quando morávamos juntos enquanto ele fazia o dever de casa ou estudava para uma prova. Eu o observava, escondida atrás de uma parede ou um móvel, desejando poder ir falar com ele. Eu poderia dizer a ele boa sorte ou sei que você se sairá bem no teste ou algo assim. O que me faz perceber que posso fazer isso agora. Eu posso dizer coisas a ele. Pelo menos algumas coisas. Então eu me movo. Fico sob o lençol e deslizo em direção a ele na escuridão amarelada. Eu beijo seu pé e a panturrilha nua de sua perna que está esticada. Ficando de quatro, eu dou beijos em seu lindo pau. Antes estava mole, mas agora está duro e irradiando seu calor característico.

Página 376 de 551 Cada vez que meus lábios tocam sua pele quente, ele aperta e seus músculos se tensionam e seu pau fica ainda mais duro. Eu sinto o cheiro e gemo. Eu chupo sua cabeça e murmuro, com o meu corpo se contorcendo por conta própria, deleitando-me com seu gosto. Estou prestes a cravar minha língua na pequena fenda no topo para extrair mais de seu présêmen, mas sua mão se arrasta para dentro do lençol e segura o meu cabelo. Ele me afasta e me força a rastejar sobre o seu corpo sexy e musculoso. Até que eu esteja fora dos lençóis e montada em seu abdômen firme, com o seu pau na dobra da minha bunda. — Oi. – eu sussurro, sorrindo. Arrow leva seu tempo me observando, minha forma nua. Seus olhos meio fechados percorrem o meu rosto enquanto ele conta minhas sardas antes de descer. Ele encara meus mamilos pontudos e escuros - ele os chama de mimados - antes de torcer um com os dedos, tornando-o mais duro e dolorido. Ele sorri. — Ei. Eu coloco minhas mãos em seu peito e brinco com sua corrente. — Por que você me fez parar? — Porque precisamos ir daqui a pouco. — Não posso ficar com você? – eu faço beicinho. Afastando-se do meu seio, ele leva as duas mãos à minha bunda e agarra a polpa. — Não. — Talvez um pouco mais? — Não.

Página 377 de 551 Eu faço beicinho cada vez mais. — Por que não? — Porque não preciso de uma garota carente agarrada nas minhas costas. Eu bato em seu peito e ele bate na minha bunda. Então: — E porque eu tenho algo a dizer. Com isso, fico completamente sóbria. Arrow nunca tem algo a dizer. Nunca. Sou eu que tenho tudo a dizer. Então eu franzo a testa e olho em seus olhos; eles se divertem um pouco. — Você tem algo a dizer? — Sim. Lambo os meus lábios e seus olhos percebem o movimento como sempre fazem. Ele me perguntou como meu batom se chamava assim que o encontrei em sua moto. Quando eu respondi Good Bad Girl15, ele começou a limpar meus lábios com a boca antes de abrir minhas pernas em sua moto e comer minha boceta de menina má. Eu estremeço com a memória, mas consigo me controlar. — Bem, o que é? Ele me observa um pouco e começo a morrer com toda a ansiedade quando ele murmura: — Acho que você deveria se inscrever no programa na categoria juniores do Galaxy para o próximo verão. — O que? — Sim. – ele acena pensativamente. — Eles escolhem pessoas do ensino médio e faculdades e as treinam para se tornarem profissionais. E eles 15

Good Bad Girl: No literal, significa “Boa menina má”.

Página 378 de 551 têm acampamentos de verão todos os anos. Joguei com eles, na faculdade um verão. Eles são muito bons. Me ensinaram muito. Eu sei que sim. Ele era um júnior quando foi. Durante todo aquele verão, senti saudades dele como uma louca. Não senti a luz do sol até que ele voltou. Como sempre, eu queria correr até ele, mas não consegui. Então, eu o observei de longe, enquanto ele cumprimentava sua mãe e abraçava minha irmã. — Você quer que eu vá lá. – digo. — Para o programa juvenil, sim. Abro e fecho a boca por um segundo antes de conseguir perguntar: — Você está dizendo para eu... eu jogar futebol. De verdade. Em um time. — Sim. — Mas eu nunca joguei futebol de verdade. Quer dizer, eu nem sei jogar com uma equipe. Você mesmo disse naquela primeira semana. Não sou... não sou boa o suficiente para isso. Quer dizer, eu melhorei. Eu jogo com a equipe agora e tento avaliar suas jogadas e ajudá-las. Além disso, Arrow me treina três vezes por semana. Fazemos todos os tipos de exercícios e, Deus, a maneira como ele me faz correr. É apenas por uma hora, mas quase quero morrer no final. Na outra noite, ele me ensinou como cabecear a bola. Ele me disse que você realmente não usa a cabeça. Você usa os ombros e a parte superior do corpo. A partir daí você obtém força e equilíbrio com as pernas e depois acerta com a cabeça, o

Página 379 de 551 tempo todo movendo sem parar meu corpo e me posicionando. — O que acontece se eu não seguir essas regras? – perguntei, apenas para provocá-lo porque ele estava começando a parecer muito sério. Ele girou a bola em seu dedo antes de lançá-la no ar e a acertando. Ela voou sobre o campo e acertou a rede bem no centro. — Então você quebra o pescoço e morre. Ou você quebra o pescoço e passa o resto da vida em uma cadeira de rodas. Agora podemos começar? Deus, ele é tão sexy e autoritário, não é? Além disso, assistimos às fitas do jogo juntos. Bem, quando eu não o estou forçando a assistir filmes românticos. Ele me ensina coisas com isso. Por exemplo, por que ele não tentou aquele lance ou por que ele tentou aquele que ele tentou. E às vezes, eu argumento. — Sabe, você é muito cuidadoso com essas coisas. Você poderia facilmente ter feito aquele gol. – eu disse sobre uma das jogadas que ele errou deliberadamente. — Viu isso? – ele apontou para a tela. — Esse é um zagueiro. Ele está bem lá. Ele teria impedido. — Não, ele não teria. Se você apenas dobrasse a perna um pouco, tivesse impulso suficiente em seu corpo para chutar a bola com mais força do que você normalmente faz, a bola teria passado direto por ele e acertado a rede. — Eu sabia o que estava fazendo. Você não se arrisca assim em um jogo do campeonato. — Eu teria feito isso. — Isso é porque você é imprudente.

Página 380 de 551 Eu mostrei minha língua para ele e disse em uma voz cantante: — E você é chato. Isso não combinava bem para ele. Ou combinou bem, se você contar que ele me fodeu até a final, enquanto o jogo acontecia no fundo e ele ganhava o troféu. Então não sei. Quer dizer, eu não acho que sou boa o suficiente para jogar em um time, sabe? Posso chutar uma bola com ele e falar de estratégias, mas um time de verdade? Caramba. — Você não é boa o suficiente. – ele murmura, me trazendo de volta ao momento. — Eu, hum, quero dizer, eu não sei. Eu não sou… — Eu disse isso? – ele pergunta. — Não, Sarah... Eu paro assim que digo o nome dela. O nome da minha irmã. Sua ex-namorada, a garota que o traiu, enquanto estou sentada nua em seu abdômen, com minha lubrificação provavelmente espalhando-se em sua pele. Sua mandíbula contrai. Esse músculo em sua bochecha também pulsa. Eu não quis dizer isso. Não queria falar dela. E eu não falei.

Página 381 de 551 Desde aquela noite em nosso quintal onde ele me contou sobre Sarah e Ben e como eles o machucaram, eu não disse uma palavra sobre isso. Não tentei falar mais com ele sobre o que ele sente. Eu sei que ele não falaria. Eu sei disso. Quer dizer, ele ainda não contou a ninguém sobre a traição. Ele tem tanta vergonha disso. Leah e todos em sua equipe ainda não sabem. Então ele não acreditaria em mim mesmo se eu dissesse que ele não é um fracasso. Os erros de Sarah e seu rompimento não significam que ele não seja perfeito. Ter sido expulso do time por causa disso é apenas um contratempo e que não há problema em cometer erros e desanimar. Tudo bem. Mas talvez, apenas talvez eu deva tentar novamente. Eu deveria tentar fazê-lo entender e... Arrow escolhe aquele momento para se afastar do travesseiro e se levantar na minha frente. Não só isso, suas mãos na minha bunda se tornaram brutalizantes. Tão deliciosamente brutalizantes - apesar da seriedade da situação que tenho que arquear minhas costas e segurar seus ombros para me manter equilibrada. — Sarah. – ele diz, olhando tão severamente nos meus olhos que me faz recuperar o fôlego. — Não entende. Ela não tem a capacidade de entender como alguém diferente dela pode ser tão magnífico. Como alguém diferente dela pode se permitir voar, fluir pelos espaços e brilhar pelas rachaduras. Ela não entende como alguém que não é como dela, alguém que não segue as regras, alguém que faz as suas próprias regras, pode

Página 382 de 551 manipular a direção de um rio quando tudo o que ela fez em toda a sua vida foi tentar fluir com ele. E o que ela não entende a assusta pra caralho. Seus dedos cravam sem parar em minha polpa até que eu tenho que morder o interior da minha bochecha para manter meu gemido. Até que sinto meus olhos se enchendo de lágrimas. Mas também pode ser porque... ele disse algo que eu nunca pensei antes. Nunca pensei isso sobre mim antes. Sempre soube que não era perfeita e que estava tudo bem com isso, mas nunca pensei que poderia... fazer todas essas coisas que ele acabou de mencionar. Todas essas coisas fantásticas e mágicas e... Deus. — Você entende isso? – ele pergunta, com seus dentes rangendo e as veias em seu pescoço saltando. Eu engulo em seco, tentando controlar todas as minhas emoções. Todas as emoções violentas e ardentes. Eu acho… Eu acho que estava errada. Todo esse tempo pensei que ele precisava de mim. Mas eu também precisava dele. Para me dizer. Para dizer coisas maravilhosas para mim.

Página 383 de 551 Uma grossa torrente de lágrimas ainda escorre, o que o faz ficar tenso. Mais tenso do que antes. — Que porra é essa? – ele pergunta, em total descrença de que estou chorando. Ele está me olhando com total descrença também. Na verdade, suas mãos saíram da minha bunda e chegaram ao meu rosto, onde ele está enxugando as lágrimas e dizendo: — O que... Agarrando seus pulsos, eu balanço minha cabeça enquanto mais lágrimas caem. — Nã... não. Não estou... – eu aceno com a mão na frente do meu rosto e respiro fundo. — Eu não estou chorando. Tipo, eu não estou triste. Eu estou feliz. Estas são lágrimas de felicidade. Ele me observa por um momento, com as mãos ainda nas minhas bochechas. — Você chora quando está feliz. — Sim. – eu aceno e sua expressão é tão divertida e encantadora que deixo escapar uma risada nervosa. — Também danço com canções tristes. Ele abre e fecha a boca, totalmente confuso. Eu me inclino e o beijo nos lábios. — Minha favorita é da Lana Del Rey. — Quem diabos é essa? — Vou tocar algumas músicas para você. Ela é a deusa das canções tristes de amor. — Vou acreditar na sua palavra.

Página 384 de 551 Beijo sua bochecha enquanto ele ainda enxuga minhas lágrimas. — E eu gosto de pontes em ruínas vazias. — Isso eu sabia. — E todos os lugares estranhos e solitários do mundo. E eu gosto de cenas de aeroporto nos filmes e adoro granulado no sorvete e uso minhas chuteiras em todos os lugares. – sussurro, começando a mover contra ele novamente. — E ninguém nunca foi tão legal comigo antes. Finalmente, os seus lábios curvam. — Não é a primeira regra da amizade? — Sim. — Bem, eu não sou nada se não um seguidor de regras. Eu murmuro, e nossos beijos estão ficando salgados. Eu me levanto ficando de joelhos e me posiciono sobre o seu pau duro. Olhando em seus olhos, pego uma camisinha da mesa de cabeceira e desenrolo sobre seu comprimento - algo que ele ensinou a sua maldita boneca virgem - antes de colocá-lo dentro do meu corpo. Então eu o monto. Todo o tempo eu digo a ele com meus olhos, todas as outras coisas sobre mim. Coisas como, eu escrever cartas. Cartas de amor para ele. Eu as coloco em um envelope para nunca enviá-las e depois as escondo em uma caixa de sapatos. Eu guardo aquela caixa de sapatos debaixo da minha cama. Porque não consigo me imaginar dormindo sem elas.

Página 385 de 551 Faço tudo isso porque o amo. Estou apaixonada por ele desde os dez anos e ele quinze. Digo isso a ele com o meu corpo se contorcendo, porque ele é meu Arrow. Ele é meu sol. E como o sol que ele é, ele me deu um presente. Ele acendeu uma chama dentro de mim, no meu interior. De ambição. Como se ele acendesse um fogo em meu coração no dia em que me apaixonei por ele. Esse fogo arde sem parar até segunda-feira chegar e eu encontro um bilhete dele no meu armário, depois todo o fogo apaga do meu corpo e deste mundo.

Quando você encontrar isso, terei partido. Eu tenho que ir para LA - algo aconteceu. Mas estarei de volta em uma semana.

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Quando saí de Los Angeles há alguns meses, estava com raiva. As pessoas também estavam com raiva de mim. Meus companheiros de equipe e meus treinadores. A equipe de relações públicas e os dirigentes. Todo mundo. Eles pensaram que eu tinha enlouquecido, vindo treinar bêbado e arrumando uma briga com um membro importante da equipe, alguém que trabalha para o time há mais tempo do que eu. Especialmente quando esse membro era um bom amigo meu. O único amigo. Especialmente quando eu nunca tive um problema de temperamento antes. Eu acho que por um segundo, quando eles descobriram que fiz isso porque tinha acabado de terminar com minha namorada de oito anos, eles foram solidários. Mas quando eu me recusei a pedir desculpas depois de bater nele, a solidariedade deles acabou. Da noite para o dia, eu me tornei perigoso. Que precisava se acalmar antes que pudesse ser

Página 387 de 551 um trunfo para o time. Ou, pelo menos, foi isso que o treinador me disse. Não me lembro de muito além do nervosismo habitual em minhas coxas e o arrepio da minha pele. A vergonha de falhar. A vergonha de errar e quebrar uma regra. Enfim, ele também me disse para ir a essa festa em que estou para parecer mais um jogador de equipe, o que nunca foi um problema antes porque sempre joguei com o time. Um bom jogador - o melhor jogador entende que não pode vencer um jogo sozinho. Você pode ser o melhor jogador, mas isso é sempre um esforço de equipe. Além disso, não pensei que seria bem-vindo aqui. Mas está tudo bem. Se o treinador quiser que eu mostre minha cara e prove a eles que sou um jogador de equipe - mesmo que eles já devam saber disso - eu farei isso. Mesmo que isso signifique suportar os seus olhares irritados e suspeitos. Olhares acusatórios. Todos pensam a mesma coisa: perdemos por minha causa. Eu posso ver em seus olhos. Posso sentir na rigidez da minha pele e no calor sob meu colarinho. Mas é o preço que tenho que pagar por quebrar as regras e bater naquele idiota. A festa é uma coisa pequena que minha equipe organizou após a exaustiva semana promocional que nós tivemos. Já que nós estamos fora da temporada agora, a equipe de relações públicas pensou em visitar escolas e faculdades para falar sobre o programa juvenil do Galaxy e incentivar

Página 388 de 551 os jogadores a se juntarem ao próximo verão é uma maneira inteligente de gastar nosso tempo livre inesperado. Eu não sou muito de fazer viagens ou ir em festas; Prefiro estar em casa, fazendo exercícios, descansando meu corpo ou assistindo a fitas de jogos. Portanto, não é uma surpresa para ninguém - na verdade, acho que todos ficam muito aliviados - quando escolho sair da sala e ficar na varanda, sozinho. Embora esta noite, em vez de observar as ondas - é uma propriedade à beira-mar em Malibu -, estou observando meus companheiros de equipe. Estou observando como se misturam bem. O quanto eles gostam um do outro. Como eles estão rindo e dando tapinhas nas costas. Esta não é a primeira vez que vejo tudo isso, mas tudo bem. É tão estranho para mim. Sempre acreditei que nada deveria tirar meu foco. Nem amigos e nem festas. Nada deve ficar entre mim e o jogo. Acho que nunca bati nas costas de alguém. Bem, a menos que eles tenham marcado um gol em campo, mas tudo bem. Ao olhar para eles agora, me pergunto. Talvez haja outra maneira. Talvez eu devesse tentar... aproveitar mais as coisas, por falta de uma palavra melhor. Mas então todos os meus pensamentos se dissipam, exceto um. Sarah.

Página 389 de 551 Ela acabou de entrar na sala e eu violentamente tomo um gole de cerveja da garrafa esquecida em minha mão. Por um segundo, pensei que fosse ela. A garota com treze sardas e olhos de bruxa. É assim que ela os chama; ela me disse uma noite. — Veja como eles aparecem. – ela apontou para os cantos, sentada na minha moto, com as pernas balançando. — Meus olhos são de bruxa. Como meu nome. Salem. É um nome de bruxa, não é? Ela piscou para mim com um olhar tão amplamente e inocente que eu respondi: — Quem disse? — Não sei. As pessoas. — Fodam-se as pessoas. Ela sorriu então. — Então você acha que gosta? — Se eu disser que sim, você não vai me fazer escrever um poema sobre eles, vai? — Cale-se. Você acha que saberia? — Eu acho que nunca conheci uma Salem antes de você. — É? – ela sorriu. — Então, eu sou sua primeira Salem? — Sim. — Ótimo. Porque você é meu primeiro Arrow também. Ela me soprou um beijo então e eu tive que retaliar. Eu tive que devorar seus lábios, pintados de I Jinx U16 e seu sorriso. Mas não é ela. 16

I Jinx U: é o nome da cor do batom dela. Optamos por deixar no original.

Página 390 de 551 Não é a menina com olhos de bruxa, é a irmã dela. A garota que me traiu. A garota que chama minha atenção um segundo depois e começa a andar em minha direção. Aperto os meus dedos em torno da garrafa quando a vejo se aproximando. Quando comecei a namorar com ela, ela era bonita. Sexy também. Mas ao longo dos anos, ela se tornou uma beldade. Em um vestido preto justo, mas de bom gosto, ela é facilmente a mulher mais bonita da sala. Alguém que eu poderia ter ao meu lado enquanto me concentrava no futebol. Alguém que viajaria comigo se quisesse, mas que tinha sua própria carreira, alguém que sabia como lidar com a atenção que estar com um atleta traz. Sarah era uma parceira perfeita. Bem, até que ela não foi. Até que ela escolheu foder meu amigo pelas minhas costas. — Oi. – ela diz assim que abre a porta de vidro e sai. Eu tomo um gole da cerveja. — Não esperava ver você aqui. É a verdade. Ela ainda mora em nosso apartamento, então optei por ficar em um hotel durante a semana, o que me lembra de que terei que procurar um lugar diferente antes de voltar. Além disso, ela tem estado longe de todos os eventos, o que tem sido desejável, mas muito estranho. Dado o fato de que sua equipe teve essa ideia.

Página 391 de 551 Ela enfia o cabelo atrás da orelha. — Bobby é meu amigo também. Além disso, isso são negócios. Todos da equipe e da chefia estão aqui. — Exceto seu novo namorado. Eu queria saber se finalmente veria Ben. Como Sarah, não o vi a semana toda e acho que é porque todo mundo está tentando nos manter separados. Bem pensado. — Eu disse a ele para não vir. – ela responde. — Eu sabia que você não gostaria disso. — Ainda cuidando de mim, hein? Desta vez, quando aperto meus dedos em torno da garrafa, quase sinto o vidro quebrar com a força do meu aperto. Ela suspira, com uma carranca adornando seu rosto. — Eu te disse, A. Eu ainda me importo com você. Isso não vai acabar apenas por causa do que aconteceu entre nós. Estivemos juntos por oito anos. — Sim, ou talvez esteja com medo de que eu quebre a mandíbula dele de novo. Sarah se aproxima de mim e sou atingido por seu cheiro familiar de lírios. — Você não faria isso. Sei que você não faria. Você se preocupa com o jogo. Você se preocupa com seu lugar na equipe. Você trabalhou tanto para isso. Você não faria nada para comprometer isso. Eu conheço você. Bem, ela me conhece. Porque ela está certa.

Página 392 de 551 Não posso me dar ao luxo de perder meu lugar na equipe. Eu trabalhei muito, muito duro para isso. Eu trabalhei minha vida inteira para isso. Trabalhei toda a minha vida para ser The Blond Arrow, filho do meu pai. E por mais zangado que esteja ao ver minha ex-namorada, não vou destruir o trabalho da minha vida por ela. Eu me recuso a quebrar outra regra. Principalmente por minha ex-namorada. — Sabe, a terapeuta que você me encontrou? – digo, esfregando o gargalo da garrafa. — Não tenho certeza se ela é tão prestativa quanto você pensa. — O que você quer dizer? — Isso significa que estou muito perto de parar de me importar e quebrar alguma coisa. Então, se não quer ser atingida no meio disso, você deveria ir embora. Eu tomo outro gole amargo da cerveja - cerveja não faz nada para mim; Eu preciso fumar. Talvez eu devesse encerrar a noite e ir embora. Temos uma última escola na turnê para visitar amanhã, então preciso da minha força para suportar isso de qualquer maneira. E não é como se eu estivesse me divertindo. Mas um segundo depois Sarah me toca e eu paraliso ao sentir sua pequena mão. Sua mão pequena e delicada que eu sempre achei que combinava muito bem com meu corpo grande.

Página 393 de 551 Ela também achava. Disse que nos fazia parecer um casal perfeito ela, frágil e feminina; eu, dominador e masculino. Aposto que ela nunca bateu em alguém com essa mão. Não, Sarah nunca faria algo violento assim. Ela não é como ela. — Eu só queria dizer olá, A. – Sarah sussurra, interrompendo meus pensamentos sobre sua irmã. — E ver como você está indo. Não fique bravo. Olho para ela rapidamente, para seu lindo rosto antes de responder com falsa educação: — Estou bem, obrigada. — Você não vai me perguntar como estou indo? — Eu perguntaria, mas eu não me importo de qualquer maneira. Ela sorri tristemente e acaricia meu peito. — Bem, eu só... sinto sua falta. Meu corpo fica tenso. — Isso é verdade? — Sim. Você não? Quero dizer, apesar do que aconteceu, você não sente um pouco de minha falta, A? Seus olhos descem para os meus lábios e isso não é uma surpresa. Eu sei que ela me quer. Ela me quer de volta desde que descobri sobre ela. E eu tenho que admitir que há uma certa satisfação em me negar a ela. Em fazê-la se contorcer. A propósito, esse é seu movimento clássico, quando quer que eu a beije. Palavras sussurradas

Página 394 de 551 e olhares furtivos para os lábios. Um jogo sutil de feminilidade que sempre achei muito sexy. O que posso dizer? Eu gosto de sexo. Sempre foi um relaxante natural. Algo para amenizar. Além de fumar, quero dizer. E o sexo entre nós sempre foi muito quente. Ela é pequena em todas as maneiras que gosto e eu sou grande em todas as maneiras que tornam as coisas equilibradas e interessantes. — Você quer ser beijada. – eu concluo em um sussurro baixo que sei que a faz gozar. Ela olha para meus lábios novamente, com sua mão no meu corpo cada vez mais urgente, agarrando. — Não sei. Eu só... eu quero você. O que significa, sim, ela quer ser beijada. Essa é sua maneira de parecer tão feminina quanto possível. Novamente, não vou negar que isso me afeta; Gosto de dominar e ela não se importa. Ela aceita tudo. E por um segundo isso quase me excita. Até eu perceber que é tudo o que ela faz. Ela aceita, mas não retribui. Ela não se contorce debaixo de mim, tentando me foder também. Ela não agarra meu cabelo para puxá-lo. Ela não me arranha com as unhas, me provoca quebrando minhas regras.

Página 395 de 551 Ela não usa saias minúsculas ou me deixa malditos bilhetes sensuais. Ela não gosta da minha agressividade e me desafia a fodê-la com mais força. Para controlá-la. Olho para Sarah, a boa garota perfeita, a garota com quem estive nos últimos oito anos, e percebo que... ela é um pouco perfeita. Um pouco chata demais. Beijá-la também é chato. A mesma música e dança que temos feito por oito longos anos. — O que você acha que seu novo namorado diria para você sobre beijar seu antigo namorado? Ou talvez você já tenha feito isso tantas vezes agora com seu antigo namorado - você sabe, agindo pelas costas e tudo mais - que você não consegue mais distinguir entre certo e errado. Sarah recua como se eu a tivesse esbofeteado. Tanto faz. Eu me afasto dela, pronto para sair e dar o fora dessa festa, mas, novamente, ela me impede. Desta vez com suas palavras. — Isso não é sobre Ben. — Mas você ainda está transando com ele, não é? — Por que você está com ciúmes? Penso sobre isso e minha resposta automaticamente escapa. — Estranhamente, não.

Página 396 de 551 Antes que eu possa analisar, ela diz: — Então, qual é o problema? Por que você não pode deixar isso pra lá? — Talvez porque você me traiu e mentiu para mim. Isso tende a irritar as pessoas. Zombando, ela balança a cabeça. — Você tem ideia do tamanho do erro que está cometendo agora? — Por que você não me conta? Ela exala bruscamente. — Por que você acha que estávamos juntos, A? Por que você acha que ficamos juntos em primeiro lugar? É porque combinamos em todos os sentidos. Eu era ambiciosa e você também. Eu fui determinada e você também. Tínhamos essa atração mútua. Você é tão bonito quanto eu. Estávamos juntos porque fazia sentido estarmos juntos. Estar um com o outro era fácil. Era conveniente. Eu olho em seus olhos, seus olhos dourados que eu achava tão raros. Tão fascinante e originais. Algo a ser valorizado. Algo como perfeição. Mas agora, como ela, eles parecem chatos. Eles não se curvam nos cantos. Eles não brilham tanto. Tão entediante que uma palavra sai da minha boca em um tom monótono e entediado. — Conveniente. — Sim. – Sarah sorri em triunfo. — Era conveniente. De alguma forma, o destino ou o que quer que seja nos colocou na mesma casa. Nossos pensamentos combinaram. Nossos objetivos combinaram. Nós dois trouxemos algo à tona. Você sabe como isso é difícil de encontrar? Esse nível de perfeição entre duas pessoas? — É difícil, A. Mas nós temos. Todas essas pessoas, essas pessoas comuns, elas correm atrás

Página 397 de 551 do amor e todas essas coisas estúpidas. Mas temos algo maior. Nunca foi sobre amor entre nós. Temos nossa perfeição. Temos nossas ambições. Nossos planos. Somos uma equipe, você e eu. Nós somos o casal poderoso, você não vê? Sou bonita, educada e sofisticada; Eu fico bem ao seu lado. E você é meu namorado superastro. Por que você acha que eu inventei a mentira da lesão? Por que você acha que acalmei a todos enquanto você estava fora? Eu não queria que você perdesse tudo pelo que trabalhou. Nós temos trabalhado. Lembra de todos os planos que fizemos? Indo para faculdade juntos. Você está se tornando profissional. Você está sendo negociado para a European League. Meu Deus, íamos morar na Inglaterra ou na Irlanda. Espanha. Íamos fazer tantas coisas juntos. Íamos. Ser profissional sempre foi meu sonho. Jogar pela European League sempre foi meu sonho também, porque foi o sonho do meu pai e minha mãe fez questão de que eu também o visse, quando fechava os olhos. Mas então Sarah apareceu, e ela parecia tão parecida comigo que todos os meus planos e sonhos se tornaram dela. Ela me deixou focar no jogo. Ela me deixou desaparecer completamente em mim mesmo quando eu estava obcecado por uma estratégia. Ela me deixou assistir às fitas do jogo sem parar. Ela me deixou em paz. Simplesmente fazia sentido. Era conveniente pra caralho. — E ainda podemos ter isso. – ela continua, se aproximando e colocando as mãos em mim novamente, no meu corpo aquecido rapidamente. — Nós ainda podemos ser aquele casal, você e

Página 398 de 551 eu. Um erro não pode apagar oito anos de união, A. Não pode. Eu não vou deixar. Não podemos ser como as outras pessoas e ficar atolados em coisas comuns. Somos especiais. Trabalhamos muito para isso, você e eu. Ela está certa. Não somos comuns, ela e eu. Somos perfeitos. Nós combinamos. Estamos destinados a coisas maiores. Isso é o que me dizem desde que nasci. Grandeza e perfeição, sendo filho do meu pai. — Você e eu, hein. – eu murmuro e os seus olhos brilham com um brilho forte de suas ambições. — Eu sei que te machuquei com Ben. Eu sei disso, mas não era minha intenção de jeito nenhum. — Então, qual era a sua intenção? — Você estava tão envolvido no seu jogo, na temporada, e eu era nova na cidade. Eu tinha acabado de começar o novo trabalho. Eu estava sozinha. Eu não tinha muitos amigos naquela época. Você continuou trazendo ele e sim, eu deslizei. Eu admito isso. Mas não queria distraí-lo do jogo por causa de algo tão inconsequente. Eu não queria que você perdesse seu foco. É por isso que escondi isso por tanto tempo. Eu não queria te magoar. Eu ia parar de qualquer maneira, uma vez que nos casássemos. Você é mais importante para mim do que um treinador adjunto. Ele está no time há quatro anos, A, e ainda é o treinador adjunto, dá para acreditar? Você alcançou o topo em um ano. Ele não afeta você. Ele não afeta nós. Eu tenho que soltar uma risada áspera. Tenho tentado manter isso dentro de mim, essa risada aguda, mas ela explode como uma

Página 399 de 551 bala. Como se meu corpo fosse uma arma carregada por tanto tempo e, finalmente, o tiro foi disparado. Porque finalmente, eu entendo. Finalmente, as coisas fazem sentido. Elas fazem todo o sentido. Conveniência. É isso. É disso que se trata nosso relacionamento. Estamos juntos porque, de alguma forma, as nossas ambições combinaram e tudo veio fácil. Nós dois trouxemos algo à tona - eu era o atleta popular e ela a boa menina. Eu dei a ela o status que ela desejava e ela foi a namorada perfeita que esteve ao meu lado durante os anos enquanto eu realizava meus sonhos. Que me encorajou e nunca me distraiu do meu objetivo principal. Meu foco principal, o futebol. Na verdade, quando me formei um semestre antes dela e fui convocado, nem pensei duas vezes antes de deixá-la para trás. Eu estava tão extasiado com isso. Ela estava em êxtase com isso. As coisas estavam se encaixando para nós. Nossos sonhos estavam se tornando realidade. Mas quando me traiu, toda aquela conveniência foi embora, não foi? Todos os planos foram quebrados. De repente, tudo que eu conseguia pensar era ela quebrando minha confiança. Tudo o que eu conseguia pensar era ela fodendo com o meu amigo em nosso sofá, em nossa cama e em

Página 400 de 551 quartos de hotel. Ela transando com ele com meu anel em seu dedo e eu não conseguindo descobrir. De repente, minha namorada perfeita se tornou uma distração, um fracasso. Meu relacionamento perfeito acabou sendo uma mentira. Não conseguia me concentrar no meu treinamento. Não conseguia me concentrar no jogo. E eu não poderia... vencer. Sim. Perdi um jogo, não foi? Uma semana depois de ler aquelas mensagens no celular de Sarah e descobrir sobre sua traição, tivemos um grande jogo. Eu estava tão chocado, tão abalado e fora de si, que não estava cem por cento. Perdi alguns gols e perdemos. Não esqueci essa derrota, não. Lembro-me muito claramente. Mas o que esqueci foi o fato de que foi quando bati em Ben. Isso foi quando minha raiva explodiu e quebrei a regra. No dia seguinte, perdemos o jogo. Eu bati nele porque perdi. Porque eles me fizeram perder, Sarah e Ben e o que eles fizeram. Porque eles me distraíram do meu único foco e porque mancharam meu relacionamento perfeito. Jesus Cristo. É por isso. É por isso que estou com tanta raiva. Eu fui tão atormentado e torturado pra caralho.

Página 401 de 551 Porque perdi meu foco. Porque meu relacionamento não era tão perfeito quanto eu pensava. Minha namorada não era tão perfeita quanto eu pensava. Eu estava com raiva porque não consegui me agarrar à perfeição. Não porque eu não consegui segurar minha namorada de oito anos. Não é? Nunca foi sobre amor entre nós; Ela está certa. O que tínhamos era maior do que isso. O que tínhamos era conveniência e uma necessidade inata de perfeição, e só agora estou percebendo isso. Oito anos depois. Oito anos e finalmente entendi. Oito anos e ela me tirando do foco, para entender que sempre foi sobre ser perfeito em todos os aspectos da minha vida. Sempre foi sobre ser The Blond Arrow. Mesmo agora, estou mais dividido com o fato de que não consegui jogar a temporada do que o fato de não poder morar com ela. Eu nem estou com ciúmes, estou? Não, eu não estou. Eu nem sinto falta dela. Em todo esse tempo em que estive com raiva por sua traição, nenhuma vez eu lamentei a perda dela. Eu rio de novo, e desta vez é mais cansado do que brusco. Mais exaurido.

Página 402 de 551 Afrouxando meus dedos em torno da garrafa, coloquei-a sobre a mesa. — A? Por um segundo, esqueci completamente que ela estava aqui. Eu tinha esquecido completamente que ela estava esperando que eu falasse e quando ainda não digo nada, ela agarra as lapelas do meu paletó outra razão pela qual eu odeio ir a essas coisas, paletós. — Você está indo? Você ouviu alguma coisa que eu disse para você? Nós somos... Eu agarro seus pulsos, seus delicados pulsos femininos que posso quebrar facilmente se quiser. Mas em vez de me dar a emoção de antes, penso... que é conveniente demais. Muito fácil. — Eu ouvi. Eu ouvi cada palavra. — Mas... — Você disse que era conveniente e está certa. – eu ranjo minha mandíbula, flexionando meus dedos em torno de suas mãos. — Tudo sobre nós era conveniente e fácil. Nós combinamos um com o outro em todos os níveis e devemos voltar a ficar juntos. Ela sorri. Mas seu sorriso desaparece quando solto seus pulsos e dou um passo para trás mais uma vez. De uma vez por todas. — Mas olhe ao seu redor, Sarah. Você está cercada por pessoas ambiciosas. Toda essa equipe é ambiciosa. Ouvi Rodney, um dos zagueiros. É um verdadeiro iniciante. Sem mencionar que ele

Página 403 de 551 é solteiro, e eu ouvi os caras dizendo que ele gosta de morenas. Eu acho que é conveniente, não é? Seu rosto se contrai de raiva e de choque. — O que deu em você? Por que você está se comportando dessa maneira? Eu rio sem humor, me sentindo mais oco, mais vazio do que nunca. — Eu acredito que o termo correto é idiota. Ela fecha as mãos ao lado do corpo. — Então este é o fim? Fim. Sim. Fim de uma era. Um capítulo de oito anos da minha vida. Um relacionamento de oito anos que nunca deveria ter existido e tudo que sinto é alívio. — Eu acho que sim. – eu virei meu queixo para ela então. — Boa sorte com Ben. Rodney. Tanto faz. — E o que você vai fazer? – ela pergunta com veneno em sua voz. — Encontrar alguém como eu para amar? Alguém que não o distrai de seu jogo precioso e de seus objetivos? Amar. Foi isso que ela disse? Que eu encontraria alguém para amar? Algo se move em meu corpo. Algo que devora meu alívio de curta duração. Não é a vergonha de costume, essa coisa. Não é minha pele arrepiando. Não é nem raiva. É outra coisa. Algo mais violento, mais visceral. Algo fundamental.

Página 404 de 551 Doloroso, até. Algo que está sentado no meu peito, pressionando minhas costelas. Ranjo os meus dentes e aperto o meu corpo contra ele antes de responder. — Não. Você me curou disso, na verdade. Porque acabou de me fazer perceber algo sobre mim. — O que? – ela cruza os braços sobre o peito, a própria imagem da indignação perfeita. — Que um cara como eu não sabe nada sobre o amor. Um cara como eu que mede sua vida com os gols que marca e os troféus que ganha, que vive sua vida em busca da perfeição, que leva oito malditos anos para perceber a verdade sobre seu relacionamento, não tem ideia do que é amor. The Blond Arrow não tem ideia do que é amor. A dor no meu estômago aumenta e eu quase agarro o corrimão para me manter de pé. Eu preciso sair daqui. Eu preciso ficar longe dela e irei, em um segundo. Porque me lembro de algo. Algo que quero dizer a ela. — Ah, e uma última coisa. Ela fica alerta. — Sua irmã... – eu faço uma pausa e os olhos de Sarah ficam maliciosos, deixando-me me perguntando se esta é a primeira vez que ela parece tão feia com a menção de sua irmã ou se ela sempre pareceu assim. Eu gostaria de saber.

Página 405 de 551 Eu gostaria de ter notado. — O que tem ela? — Ela é uma jogadora de futebol e tanto. — O quê? — Eu não acho que vejo o tipo de talento dela há muito tempo. Mas ela acha que você não aprecia isso. Você acha que ela está perdendo tempo. — E daí? — Então, eu sugiro que você tome cuidado ao falar sobre sua irmã. Porque se você não fizer isso, então terei que lhe dar uma lição sobre o que realmente significa ser um idiota. E acredite em mim, eu adoraria fazer isso. Eu adoraria fazer você entender o que deu em mim. Com isso, eu saio. Meu peito queima de dor, com algo do qual não tenho ideia. Eu não sei o que é. Eu não sei como conter isso. Tudo que sei é que não consigo respirar. O mundo inteiro está se fechando. Eu preciso sair daqui. Eu preciso sair desta merda de cidade. Eu preciso voltar, porra.

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Desde que ele foi embora e me deixou com um bilhete, tenho pensado em Sarah. Muito. Ela disse que estaria esperando por ele quando ele voltasse. Ela estava? Aposto que sim. Ela disse que oito anos de amor são maiores do que seu único erro. Sinceramente, também pensei. Até eu descobrir sobre seu erro. Sobre o que ela fez com ele. Com o meu Arrow. Eu sei que ele não é meu, mas ainda assim. Ainda assim, estou tão brava com ela. Quer dizer, eu não estou na posição dela, ok? Não sei o que passou pela cabeça dela quando fez o que fez, quando dormiu com Ben. Mas certamente havia outra maneira. Uma maneira melhor. Uma maneira melhor do que mentir para o homem que você ama e fazê-lo pensar que falhou, fazê-lo se punir assim. Então, na semana passada, pensei sobre isso.

Página 407 de 551 Sobre o erro que ela cometeu e como eu superei isso, e como ainda me esforço para entender e gostaria de poder ligar para ela. Eu gostaria de poder falar com ela. Porque embora eu nunca tenha entendido o relacionamento deles admito isso agora, depois daquele jantar desastroso de sexta-feira - eu entendo algo sobre cometer erros. Estou apaixonada pelo ex-namorado dela. Eu me apaixonei por ele exatamente ao mesmo tempo que ela. Embora eu saiba agora que nunca teria feito nada para prejudicar o relacionamento deles, ainda não estava certo. Você não faz isso com a sua própria irmã, e eu sempre vou me arrepender disso. Não do meu amor por Arrow, mas o que ele foi e ainda é para minha irmã. Então, talvez devêssemos conversar e resolver as coisas. Talvez. Eu não sei. Eu não sei de nada, exceto que ele se foi e pode estar voltando para minha irmã. O que é ótimo porque tudo ficará bem em seu mundo. Ele não se sentirá um fracasso. Toda a sua raiva irá embora. Ele será como o velho Arrow, calmo e controlado, imperturbável por qualquer coisa ao seu redor. Então, por que eu quero chorar? Por que eu quero sofrer em meus lençóis à noite?

Página 408 de 551 Por que eu quero dizer a ele para nunca mudar? Para ser assim para sempre. Mas isso não é tudo que eu quero. Eu também quero contar a ele. Quero dizer a ele que o amo, o que é loucura. Fiz um grande esforço para proteger esse segredo. Eu estava fugindo por causa disso. Não sei o que eu espero conseguir contando a ele porque somos completamente opostos um ao outro. Ele é um grande perfeccionista que odeia cometer erros e eu sou tudo menos perfeita. Ele tem todas essas regras e adoro quebrá-las. Ele é um superastro do futebol e, até recentemente, eu nem tinha jogado em um time de verdade. E embora eu tenha esse pequeno sonho de me inscrever no programa para o próximo verão na categoria juniores, ainda não sou uma namorada adequada para um atleta celebridade. Além disso, pelo que eu sei, ele está de volta com Sarah e se minha irmã o faz feliz, então que seja. Eu nunca vou ficar no caminho de sua felicidade. Pelo menos é sexta-feira e estou saindo com as garotas do Ballad of the Bards, e não preciso pensar em todas essas coisas. Além disso, Miller foi particularmente desagradável comigo durante toda a semana, então eu realmente preciso de uma pequena pausa. Eu não estou bem vestida nem nada. Estou usando minhas roupas normais, minha calça cargo e uma camiseta simples com meu suéter grosso por cima. Eu também não estou usando batom.

Página 409 de 551 Não adianta usá-lo se eu não posso fazer beicinho para ele e ser punida por isso. Ah, e esta noite eu escolhi não dançar também. Então, estou sentada no bar com Wyn, que tem um caderno de desenhos, enquanto Poe flerta com um cara em uma mesa próxima e Callie está em algum lugar. Com Reed Jackson. Ele já estava aqui quando todos nós entramos e como seus olhos escuros estavam fixos na porta, ele avistou Callie imediatamente. E como Callie já sabia que ele estaria aqui, ela flertou com seu amigo barman e dançou com alguns caras antes de desaparecer. Como amigas, deveríamos estar mais preocupadas com o fato de que ela desapareceu completamente de vista. Mas, como amigas, também sabemos que há algo entre ela e ele. Algo louco e volátil e bem, épico. E depois há suas saídas noturnas, que só ela e eu sabemos, mas tudo bem. Portanto, não estamos tão preocupadas quanto deveríamos. Mas, de qualquer maneira, minha regra de não dançar hoje à noite quebra quando o amigo barman da Callie, que conheci por estar sentada perto dele há uma hora, é um grande amante de Lana Del Rey como eu, me convida para dançar durante um intervalo. Ele nem mesmo me dá tempo para recusar, me pegando no colo e me fazendo girar ao som de uma das canções mais deprimentes, que por acaso adoro, "Pretty When You Cry" da Lana. Surpreendentemente, eu rio.

Página 410 de 551 É a primeira vez que ri durante toda a semana, eu acho. Não posso acreditar que estou fazendo isso com a música que mais chorei enquanto sofria pelo cara que eu amo. É assim que ele me encontra alguns minutos depois. O cara que eu amo, quero dizer. Do nada ele está aqui e me encontra rindo e dançando, nos braços de outro homem. Por um momento, acho que estou imaginando ele, o que não pode ser tão absurdo porque enquanto eu estava dançando com Will, que é corpulento e barbudo, eu o estava imaginando. Meu Arrow. Mas então eu dou uma boa olhada nele. Ele está vestindo um paletó - uma coisa amassada agora, algo que eu sei que ele só usa durante seus eventos com a equipe. Além disso, seu cabelo parece bagunçado também, mais bagunçado do que eu já vi antes. Todos os fios com reflexo pelo sol estão desarrumados. Sem mencionar que ele não está usando o boné de beisebol, o que ele geralmente usa em lugares públicos. Ele parece tão diferente do normal e, ao mesmo tempo, tão familiar que sei que está aqui. Ele está de volta de LA e de alguma forma, ele sabia que me encontraria no bar. Bem, é sexta-feira e eu tenho o hábito de fugir. Portanto, não é realmente improvável. Mas tudo bem. Ele está aqui.

Página 411 de 551 Eu paro de dançar assim que o conhecimento é absorvido e o peso e o frio da semana passada saem do meu corpo. Estou aquecida agora. E feliz e... Percebo que algo está muito errado quando ele começa a se mover em minha direção. Porque enquanto os meus lábios estão curvados em um sorriso repletamente maravilhado e meus olhos estão arregalados de felicidade, Arrow parece exatamente o oposto. Ele parece tenso e implacável. Seus lábios estão contraídos e seus olhos estreitados. E em vez de estarem concentrados em mim, eles estão grudados em Will enquanto ele marcha em nossa direção com passos violentos. Puta merda, eu entendo por quê. Porque eu estava dançando com ele, com outro homem e porque Arrow me disse para não dançar. Ele me disse para nunca deixar outro homem colocar as mãos em mim e eu quebrei sua regra, e agora ele parece que vai matar aquele homem. Ah, Deus. Sou uma idiota. Ele é um idiota também porque nada estava acontecendo e eu tenho que ir impedi-lo antes que ele faça algo louco. Eu me afasto de Will que me olha com espanto. Mas eu não tenho tempo para explicar. Tenho que parar o trator que está vindo muito rapidamente sobre nós e que está ficando fora da temporada porque fez algo semelhante. E se suas palavras na noite em que tirou minha virgindade contiverem

Página 412 de 551 alguma verdade nelas, ninguém será capaz de afastá-lo de Will até que Arrow realmente o mate. Então corro para interceptá-lo e nos encontramos a poucos metros do balcão do bar. Eu coloquei minhas duas mãos em seu abdômen, com as palmas bem abertas, e eu juro que é como parar uma pedra gigante. — Arrow, pare. Não. – digo a ele, esperando e rezando para que ele me escute antes que alguém perceba o fato de que The Blond Arrow está entre eles e ele está muito zangado. Sua mandíbula contrai com a minha voz, mas ele não desviou o olhar de Will. Eu aperto a camisa cinza que ele está vestindo. — Arrow. Por favor. Ele é apenas um amigo. Com isso, finalmente, ele olha para mim. Parece que ele faz isso em câmera lenta. Seus olhos se afastando de Will, com os seus cílios piscando e seu olhar, tão escuro e intenso, pousando em mim. — Amigo. Ele diz essa palavra em um resmungo baixo e eu recuo. Ah, merda. Essa é a pior coisa que eu poderia dizer. Balanço minha cabeça e cravo meus dedos em seu corpo. — Não quis dizer isso. Você sabe que não. Arrow, ele estava apenas... Minhas palavras são interrompidas quando ele se afasta de mim.

Página 413 de 551 Acontece tão de repente que não consigo acreditar. Eu não estava segurando ele com força? Meus dedos não estavam agarrando sua camisa? Como ele conseguiu se afastar tão facilmente? Como se não significasse nada, eu segurando ele. Como se eu não quisesse dizer nada. E então ele dá uma última olhada em mim antes de se virar e sair. Ele está indo embora. Ele está apenas... indo embora. Ele acabou de voltar de LA e de alguma forma apareceu no bar e agora ele está indo embora. Porque eu estava dançando estupidamente com um cara que não significava nada. Ah, Deus. Corro atrás dele quando o vejo saindo pela porta da frente. Eu saio para noite e freneticamente, olho ao redor. Ele está andando em volta do bar, provavelmente indo para o beco que liga ao estacionamento detrás. — Arrow. Pare. – eu chamo. Mas ele não quer parar. Eu não esperava que ele parasse, honestamente. Então movo minhas pernas mais rápido. Ele me ensinou muito sobre corrida nas últimas semanas e uso isso a meu favor agora e o alcanço assim que ele passa pela fileira de grandes lixeiras pretas.

Página 414 de 551 Dou a volta por ele e coloco as minhas mãos em seu abdômen novamente. — Arrow, por favor. Não... eu não fiz nada. – digo a ele, aproximando-me dele, agarrando sua camisa mais uma vez, embora eu saiba que não fará diferença. Mas isso é mais uma razão para fazer alguma coisa porque ele está tão rude agora. — Você o deixou colocar as mãos em você. – diz ele, asperamente e firmemente. A luz no beco é questionável. Há uma pequena lâmpada em algum lugar a poucos metros dele, embora seus ombros que parecem ter crescido durante a noite a estejam escondendo. E a lua está avermelhada como sempre em sua presença, mas está tão longe esta noite que deixa o Arrow nas sombras e misterioso. O que eu odeio totalmente. — Arrow, escute, ok? Escute. – eu puxo sua camisa, olhando para ele. — Eu estava sentada lá no bar e uma música começou. E Will, o cara com quem você me viu dançando, ele me disse que era fã de Lana Del Rey e me puxou para dançar, certo? Você sabe o quanto eu a amo e... Ele se inclina sobre mim então, meio que saindo das sombras, onde posso vê-lo claramente. Posso ver a nitidez de suas maçãs do rosto. Elas se projetam de seu rosto, de seu rosto anguloso e deslumbrante, como cacos de vidro quebrado.

Página 415 de 551 — Você gostou das mãos dele em você? – ele pergunta com seus olhos brilhantes na escuridão. — Não. Absolutamente não. — Você gostou quando ele a girou e puxou contra seu corpo? — Não, Arrow. Eu não gostei. — Não? Então, por que diabos você estava rindo? — Porque eu estava imaginando você, seu idiota. – eu agito sua camisa. — Porque eu estava imaginando você na minha cabeça. Uma emoção misteriosa cruza seu rosto, rápido e de curta duração e eu me aproximo dele. A ponta da minha chuteira bate com a ponta de suas botas lustradas e eu deixo escapar a primeira coisa que vem à minha cabeça: — Eu nunca vou fazer isso com você. Nunca vou fazer algo assim com você, ok? Eu não sou… Ela. Eu não sou a Sarah. Eu não digo isso, mas ele ouve. Porque a emoção misteriosa que cruzou por seu rosto toma conta do seu corpo também. Seu corpo rígido e tenso estremece um pouco antes que ele dê um passo. Na minha direção. Ou melhor, me empurra para trás com as pontas das botas enquanto avança. — Imaginando-me. – ele diz com a sua voz rouca, referindo-se a minha declaração anterior

Página 416 de 551 sobre imaginá-lo dançando, e ignorando o que eu disse a ele agora. Ignorando minha espécie de declaração sobre lealdade. — Sim. – eu aceno, ainda segurando sua camisa, quase arrancando os botões com o meu aperto forte. — Eu estava imaginando que era você. Que você era o único me girando em círculos e dançando comigo. — Você estava. — Sim. E então você entrou e eu não pude acreditar. — Por quê? — Porque meu desejo se tornou realidade. — Que desejo? — Você. – eu sussurro com todo o amor em meus olhos, enquanto os dele estão turbulentos. — Não sou desejo de ninguém. Você é meu. Você é meu desejo. Você é meu Arrow. — Esperei por você esta semana inteira. – eu engulo em seco, contando a verdade a ele, deixando transparecer na minha voz, no meu rosto. — E eu estava... eu senti tanto sua falta. — Você sentiu a minha falta. – ele repete em um tom estranho, enquanto continua avançando até mim, enquanto ele continua me empurrando para trás. Sussurro: — Sim. E... e eu estava preocupada. — Preocupada com o quê?

Página 417 de 551 Estava preocupada que você voltasse com ela. Que você se tornaria o antigo Arrow e que eu o perderia. — Estava preocupada que você... – O novo Arrow. — Não voltaria. — Eu disse que voltaria. – ele resmunga. — Eu disse que voltaria em uma semana. Eu engulo em seco e dou a ele um sorriso trêmulo que só consegue enervá-lo ainda mais, eu acho, se seu grande passo em minha direção é qualquer indicação de que ele está inquieto para me empurrar para algum lugar. Para um lugar que eu não conheço. — Mas você voltou mais cedo. – eu sussurro. — Voltei, não foi? Essas palavras são ditas entre os dentes, forçadas, e eu abro meus punhos e acaricio o seu abdômen. Deixo as minhas mãos vagarem e circularem sobre o algodão de sua camisa enquanto o acalmo. — Por quê? – eu lambo os meus lábios e seus olhos descem para o meu gesto. Ele permanece lá, seu olhar, sobre meus lábios por alguns segundos antes que ele levante os olhos. Eles estão ardentes. Em chamas. — Por sua causa. – ele murmura quase acusadoramente, e um suspiro sai de dentro de mim. Eu pisco. E eu paro de me mover.

Página 418 de 551 Porque naquele exato momento, chegamos ao nosso destino. Ou melhor, seu destino, a parede contra a qual ele pode me prender. Ele pode me prender entre seu corpo rígido e os tijolos. — Você voltou mais cedo por mim? – eu repito, incrédula, chocada, estupefata... feliz. Ele coloca as duas mãos em cada lado da minha cabeça e eu não posso evitar. Eu arqueio minhas costas. Eu empurro minha bunda contra os tijolos aquecidos e estufei meu peito. — Voltei mais cedo porque você tem algo de que preciso. — O que? Assim que faço a pergunta, entendo o que ele quer dizer. Eu entendo o que ele precisa de mim. A consciência me atinge no estômago, em algum lugar atrás do meu umbigo antes de repuxar, fazendo a coisa que ele precisa apertar. Minha boceta. E Deus, minha boceta precisa dele também. Sim, não é a declaração mais sincera, mas é algo, não é? Isso já é algo - ele estava pensando em mim enquanto estava lá, enquanto ele talvez estivesse até com... ela - e eu mordo meu lábio com amor e desejo por ele. — Você sabe o que quero dizer, não é? Eu concordo. — Sim. Seus olhos encontraram os meus então. — Diga-me por que voltei. Eu estremeço ao seu comando.

Página 419 de 551 Ao seu comando familiar habitual, e isso faz o meu canal pulsar. De alguma forma, também aperta o meu coração, expandindo meu amor por ele enquanto sussurro. — Meu Arrow voltou por causa da minha boceta. Seus olhos piscam quando o obedeço e talvez eu seja patética, mas isso faz meus dedos do pé se encolherem de prazer. — Sim, está certo. Eu voltei por causa da sua boceta de menina má. – ele murmura, pairando sobre meus lábios. — É por isso que mudei meu voo, lidei com a tripulação mais incompetente da história de todas as companhias aéreas durante todo o dia e voei 24 horas antes. Porque eu não a tenho há uma semana. Ele empurra a palma da mão contra a parede, flexionando os dedos. — E porque o meu punho não é bom. Meu punho não é apertado o suficiente, não importa o quanto aperte. E meu punho não está molhado o suficiente, por mais que eu cuspa na palma da mão e lubrificar o meu pau, entendeu? Então, vou precisar dela. Os tendões em seu pescoço vibram e a corrente de prata brilha ainda mais enquanto ele continua: — Vou precisar da sua bocetinha. Vou precisar da sua boceta escorrendo como um rio por mim porque eu sinto falta disso. Senti falta de você lubrificando meu pau, fazendo-o brilhar com sua lubrificação como se fosse uma espécie de troféu. Algum tipo de prêmio cobiçado que você quer polir e esfregar entre as pernas. É por isso que voltei mais cedo. É isso o que eu preciso de você. Quando ele termina, ele está esfregando nossos lábios. Ele está meio me beijando e eu estou meio delirando de luxúria. Estou meio delirando com o seu calor e o seu cheiro e a maneira como ele respira em grandes rajadas. — Eu senti falta...

Página 420 de 551 — Shh, não fale. – ele balança a cabeça lentamente. — Tive uma maldita semana, ok? E então eu venho até você em busca de alívio e a encontro dançando com outra pessoa. É um milagre eu não ter perdido a cabeça ainda. Portanto, não diga uma palavra. Apenas me deixe foder essa boceta. Eu agarro seu rosto então. De alguma forma, no meio de toda a luxúria e amor dentro de mim, consigo tirar minhas mãos de seu peito e colocá-las em suas bochechas ásperas e tensas. — Arrow, o que aconteceu? O que você está... — Apenas me faça sentir bem. – diz ele e eliminam todas as minhas palavras com as suas roucas. Com suas guturais e carentes. Então deslizo minhas mãos para longe de seu rosto e em seu cabelo grosso, com reflexo pelo sol e bagunçado. Porque todas as minhas perguntas e palavras podem esperar. Elas são irrelevantes de qualquer maneira. Diante de sua necessidade. — OK. Foda-me. Sinta-se bem. – eu sussurro. Seu peito se expande em uma longa respiração e eu juro que suas pálpebras ficam tão pesadas que seus olhos estão quase fechados antes que ele cobre minha boca com um beijo. Um beijo quente, úmido e desesperado. O tipo de beijo que você dá a alguém quando a vê depois de um ano. Uma década, um século. Uma vida inteira, talvez.

Página 421 de 551 Não é assim que você beija alguém quando está ausente há apenas uma semana. Você não morde os lábios um do outro e não enche sua boca com ruídos carentes e língua ansiosa. Você nem mesmo puxa as roupas um do outro assim. Como estamos fazendo. Minhas mãos puxam seu paletó e seus dedos se atrapalham com os botões da minha calça cargo. Eu abro sua camisa, para tentar chegar ao seu peito nu, seu calor e ele puxa meu suéter grosso, tentando chegar à minha cintura nua e meus seios macios. Você definitivamente não fica tão excitado e carente, e quase nu em menos de dez segundos, no beco de um bar, escondido apenas parcialmente pelas lixeiras. Mas talvez você faça tudo isso, se você for eu e ele. Arrow e Salem. Arrow e sua boneca inflável; e Salem e o amor de sua vida. Isso é o que somos, não somos? Ele me fode e eu o amo. Mas o que quer que sejamos, quem quer que sejamos um para o outro, neste momento, sei que ele precisa de mim e eu preciso dele. Então, quando ele interrompe o beijo, eu lamento. Eu literalmente gemo e puxo seu cabelo, tentando trazê-lo de volta. Mas ele não dá atenção. Ele se afasta de mim, e eu fico lá, ofegante. Fico lá apenas com a minha calcinha e a minha camiseta enquanto eu considero o dano que eu fiz a ele.

Página 422 de 551 Observo sua camisa meio aberta e amassada, a calça desabotoada e o cinto aberto, a fivela de prata brilhando como o sol. Ele está brilhando como o sol, sua boca brilhando e inchada com meus beijos, seus olhos brilhando enquanto ele faz o mesmo comigo, talvez para verificar o dano que ele me fez. — Arrow? – sussurro, com o meu peito arfando e os mamilos carnudos cutucando através da camiseta. Ele levanta o olhar, com sua expressão séria e insondável antes de agarrar minha cintura e me virar. Minhas mãos se atrapalham e batem na parede enquanto ele agarra meus quadris e me puxa para trás. Minha coluna arqueia sozinha e minhas unhas cravam na parede de tijolos. Eu me viro para vê-lo agachado e estremeço. Mas não é do frio da noite. É pelo fato de que, assim que Arrow abaixa, suas mãos grandes agarram as minhas nádegas e puxa. Ele as separa. Ele arranca a tira da minha calcinha entre minhas nádegas e a puxa para o lado. O elástico crava na pele da minha bunda e fecho os olhos com força. Eu apoio minha bochecha na parede de tijolos enquanto meu corpo queima de excitação e vergonha por ele poder ver tudo. Minha boceta e meu cu. Mas então, ele se inclina e cheira tudo. Ele enfia o nariz no vinco da minha bunda e o passa para cima e para baixo, sentindo o meu

Página 423 de 551 cheiro almiscarado e eu gemo com isso, e eu esqueço toda a vergonha e constrangimento e empino a minha bunda. Eu empino para sua boca e ele lambe. Ele lambe minha boceta e fico na ponta dos pés, separando minha boca para que eu possa respirar. Mas eu não acho que posso. Respirar, eu quero dizer. Porque ele não me dá tempo para fazer isso. Cravando seus dedos em minha bunda e mantendo minhas nádegas separadas e os buracos esticados, ele dá outra lambida. Esta cobrindo os lábios da minha boceta, todo o caminho de volta para a minha bunda. E ele continua fazendo isso. Ele fica me dando lambidas por toda parte, tanto em meus buracos e Jesus Cristo, nunca me senti tão quente em minha vida. Mais quente, lubrificada e mais excitada. Chego ao ponto de puxar minha camiseta. Tento tirá-la porque estou suando e tremendo como uma louca, tudo porque ele está devorando não apenas minha boceta de pêssego, ele também está provando a minha bunda. Mas acho que superestimei minha força porque só consigo levar minha camiseta até o pescoço, para expor meus seios à noite, antes que minhas mãos desistam. Antes de eu gozar na língua dele e ele beber tudo como sempre faz. Ele está chupando e movendo sua boca na minha boceta para conseguir tudo, para nem mesmo perder uma gota.

Página 424 de 551 Quando ele termina, eu o sinto tirar a boca e se levantar. Estou muito fraca para olhar para ele, mas ainda assim, abro os olhos e eu o vejo levantar do chão. Observo sua mandíbula e boca brilhantes, fazendo-o parecer ainda mais com o sol. Eu o observo enquanto ele tira o pau da calça, seu grande e lindo pau, e coloca a camisinha. Eu observo enquanto ele me observa, todo em silêncio e respirando com dificuldade enquanto ele agarra meus quadris nus e posiciona seu pau na minha ainda pulsante entrada. Mas quando eu vejo os músculos de seu abdômen flexionar e seus quadris empurrando para frente, eu não posso mais. Não posso assistir porque ele está dentro de mim e tenho que fechar os olhos com força. Porque, ah meu Deus, é tão grande e bom e foda-se, dói tanto que tudo que eu posso fazer é pressionar o rosto na parede e gemer. Minha boceta pulsa sobre seu comprimento enorme e ele geme alto, mais alto do que nunca antes, e sua testa cai no meu ombro e minha própria cabeça de alguma forma volta para apoiar na dele. Quando sua outra mão, a que não está segurando meu quadril, se instala no meu abdômen nu, eu suspiro. — É tão grande. Por que parece tão grande? Como isso… Seu pau se empurra dentro de mim e eu ofego novamente. — Porque você ainda está apertada pra caralho. Como uma virgem. Mesmo depois de esticar seu buraco cem vezes. – ele geme, pressionando a testa no meu ombro. — E porque nunca tive você assim.

Página 425 de 551 — Assim como? – eu ofego, com as minhas mãos escorregando na parede. Ele levanta a cabeça, sua bochecha áspera tocando na minha, e sussurra em meu ouvido: — Como um cachorro no cio. Meu canal pulsa com suas palavras rudes - grosseiras e deliciosas e de alguma forma tão eróticas - e ele tem que me penetrar. Uma, duas vezes, com movimentos curtos e bruscos. E tenho que colocar minha mão sobre a dele, onde está agarrando meu abdômen. — Eu sinto você no meu... — Onde? – ele pergunta quando eu não continuei. Eu ia dizer estômago. Que o sinto em meu estômago, mas isso está... errado. Eu não o sinto no meu estômago. Eu o sinto em algum lugar mais profundo. Muito, muito mais profundo. Eu viro minha cabeça para olhar para ele. — No meu útero. Seu peito estremece nas minhas costas e seu rosto fica maldoso de luxúria. Eu acho que até mesmo seu pau incha dentro de mim, cresce para proporções insanas e obscenas enquanto pressiona em meu útero, minha própria feminilidade. A mesma coisa que me torna quem eu sou. A garota com todos os sentimentos, todas as emoções. A garota do amor condenado. Com o cara que está transando com ela.

Página 426 de 551 Que pressiona a mão no abdômen dela e a acaricia, como se estivesse sentindo a cabeça de seu pau grosso invadindo meu corpo de maneiras tão dolorosas e maravilhosas. — Estou te machucando? – ele pergunta e seus olhos se estreitam, com sua mão me massageando. — De uma boa maneira. Ele crava os dedos no meu abdômen enquanto seus olhos ficam escuros, mais escuros do que antes. — Bom. – ele move seus quadris, sua pélvis movendo contra minha bunda nua, me fazendo gemer com a pressão. — Porque eu quero foder esse útero também. Eu preciso foder esse útero. Eu preciso de tudo que você tem. Cada coisa, Salem. Tudo que você tem pertence a mim. É meu. Tudo. Suas palavras, possessivas e murmuradas, me atingem exatamente o que ele quer foder, meu útero, e eu empino minha bunda. Eu o acolho enquanto gemo: — Sim, tudo. Tudo pertence a você. Ele me fode então. Ele me estica de novas maneiras, abrindo espaço para si mesmo nos cantos que eu nem pensava que existiam antes. Ele pressiona a palma da mão no meu abdômen, como se quisesse obter meu orgasmo e lubrificar seu pau ainda mais, e eu gemo de novo. Eu aperto seus dedos no meu abdômen e tiro minha outra mão da parede e coloco na sua nuca enquanto ele se move dentro de mim. Ele está lentamente pegando o ritmo e seu corpo está me empurrando com cada estocada de seu pau. E eu o deixo me foder enquanto o seguro.

Página 427 de 551 Ele me penetra sem parar e percebo que ele entra tão facilmente agora. Tão maravilhosamente como se estivesse obtendo uma manteiga cremosa e homogênea. Cada vez que ele entra, ele me dá uma estocada no útero e eu gemo. E toda vez que eu gemo, ele empurra com mais força dentro de mim, sua mão crava mais fundo em meu abdômen, massageando-o com estocadas amplas como se acalmando a dor que ele está causando. Mas a dor é tão boa, tão deliciosa que só quero mais. Então eu me rendo. Eu fico rente à parede, com os meus mamilos raspando contra ela enquanto me contorço entre os tijolos e ele. O tempo todo ele fica me fodendo, praticamente me fodendo em seu colo e percebo que a parede na qual estou presa também está vibrando. Tanto com nossa foda violenta e apaixonada, quanto com a música. As tristes canções de amor. Não tenho certeza de que música é, mas ouço violinos e melancolia e deixo os anos e anos de amor tomarem conta do meu corpo. Eu deixo a música - aquela que ele está criando com seus gemidos e seus quadris movendo, e aquela que atravessa as paredes - penetrar em minha pele. Soltando o meu quadril, ele estende a mão e a envolve em volta da minha garganta. Em seguida, inclina meu pescoço para o lado e, pela primeira vez, morde sobre meu pulso latejante e o chupa. E como uma garota louca, eu sorrio.

Página 428 de 551 Eu sorrio porque ele está me dando um chupão. Ele está dando uma mordida na minha pulsação, meu coração, o coração que está cheio de todo o amor por ele, e eu gozo. Meu útero se contrai. Minha boceta aperta sobre seu comprimento e eu tenho que desistir dos violinos atravessando a parede e me arquear contra seu peito. Mas está tudo bem. Vou desistir de tudo por ele, todas as canções de amor tristes e todos os passeios de bicicleta. Todas as pontes desoladas e lugares solitários. Vou desistir de mim mesma porque pertenço a ele. Eu pertenço ao meu querido Arrow. Assim que eu penso isso, ele goza também. Ele goza com um rugido, com suas mãos apertando sem parar meu corpo e seus quadris movendo e empurrando contra mim. Seu pau se expande tanto que acho que o látex vai estourar e todo o seu esperma preencherá o meu útero. E o meu útero ganancioso e apaixonado vai absorvê-lo como absorvi os violinos e sua foda violenta. Meu corpo inteiro vai absorvê-lo. Absorver tudo que ele me dá. O cara por quem eu estou perdidamente apaixonada. Meu Arrow.

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Algo está errado. Muito, muito errado. Quer dizer, é claro que sabia disso. Eu sabia que algo estava errado porque ele não apenas voltou de Los Angeles parecendo misterioso e estranhamente inquieto, ele também me disse que teve uma semana horrível. Então, eu sei que as coisas não são tão boas. Mas então, assim que terminamos no beco atrás do bar e ele me vestiu como se eu fosse realmente sua boneca - sem olhar nos meus olhos e com movimentos muito tensos e raivosos - começou a nevar. A primeira neve da temporada. É quando eu percebo que agora é novembro. Meados de novembro. Estou em St. Mary’s há dois meses e meio. É quase a mesma quantidade de tempo que Arrow - o novo Arrow - voltou. Desde que ele chegou, perdi a noção do tempo. Eu tenho vivido um sonho, andando nas nuvens e não gosto do lembrete. Eu não gosto dessa realidade. Eu também não gosto da neve. Sei que as pessoas acham que a neve é bonita e propícia e tudo mais. Mas sou a garota que ama o verão, o sol e as estradas abertas.

Página 430 de 551 A neve interfere em tudo isso. Agora tenho um pressentimento no peito de que algo terrível vai acontecer. Mas tento deixar isso de lado. Tento ser racional e forte enquanto desço de sua moto quando chegamos a St. Mary's. Assim que meus pés tocam o solo, o vento traz flocos de neve em meu rosto e eu me encolho dentro de sua jaqueta de couro vintage que usei para ir ao bar. E me lembro da primeira noite em que o vi, beijando aquela garota. Ele era tão inacessível naquela época, tão deliberadamente calado. E agora, ele aparece exatamente como na primeira noite. Tenso e agitado. Ele nem olhou para mim, na verdade. Ele está olhando para frente, para a escuridão, com as costas rígidas. Seus dedos estão fechados com tanta força em torno do guidão que quero abri-los e soltá-los um pouco. Eu quero relaxá-lo. Agarrando as lapelas de sua jaqueta em volta do pescoço, pergunto: — O que aconteceu? ‘Em LA’ está implícito, eu acho. Estou certa quando ele contrai a mandíbula e diz sem olhar para mim: — Você deve ir. Dou um passo mais perto. — Arrow, me diga o que aconteceu? Desta vez, o aperto dura mais tempo. Ele até flexiona os punhos em torno do acelerador. — Eu disse que você dever ir.

Página 431 de 551 Quanto mais ele não olha para mim, mais altos meus batimentos cardíacos se tornam, e eu tenho que agarrar a manga de seu paletó amassado. — Arrow, por favor. Diga-me. Você a viu? Você viu a Sarah? Não tenho certeza se é porque estou segurando a manga de seu paletó úmido ou se é a menção do nome dela, mas ele vira os olhos para mim. Seus olhos escuros e furiosos. E Deus, novamente, penso na primeira noite no bar. Quando a menção do nome da minha irmã mudou tudo. Mudou tudo em que eu acreditava. Tudo que pensava ser verdade. Isso apenas me deixa ainda mais frenética e mais desesperada. Desesperada o suficiente para puxar sua manga não com uma, mas com as duas mãos. — Arrow, me diga. Você a viu? O que ela disse? — Vá. – diz ele secamente. Mas não escuto. Eu não consigo ouvir. Como posso ir quando ele está assim? Quando ele parece... tão furioso e tão vermelho de raiva. Tão escarlate, como se seu sangue estivesse correndo muito perto da superfície. — Não até que você me diga. – balancei a minha cabeça. — Apenas me diga o que aconteceu. Diga-me o que ela disse. — Salem. Apenas vá embora. Sua voz é baixa, mas está pingando com a advertência. Está pingando autoridade e uma grande ameaça. Eu deveria prestar atenção.

Página 432 de 551 Eu sei disso. Mas a próxima pergunta que sai da minha boca é tão imprudente, tão impensada e, ao mesmo tempo, tão urgente e importante que não sei de que outra forma eu poderia ter dito, se não em uma voz estridente e alta, com minhas unhas cravando em seu braço e meu corpo tremendo de pavor. — Vo... você a ama? Você ainda ama minha irmã? Acho que gritei. Acho que todo mundo ouviu. Todos em St. Mary’s ouviram que perguntei ao cara que amo se ele ainda ama minha irmã. Ou pelo menos é o que sinto por alguns segundos, porque meus tímpanos estão zumbindo. Meu peito está vibrando. A única coisa silenciosa e fria, congelada pela neve, é ele. O cara para quem fiz essa pergunta. Se eu achava que ele estava tenso antes, me enganei. Se eu pensei que ele estava furioso e com raiva antes, eu estava errada novamente. Ele está queimando agora, e eu não ficaria surpresa se ele derretesse toda a neve no chão. Especialmente, quando ele olha para baixo - pela primeira vez - para meus punhos em seu paletó e eu sinto minhas mãos ardendo. Mantendo o queixo abaixado, ele levanta os olhos. — Sai da minha frente. — O que?

Página 433 de 551 — Apenas saia da minha frente antes que eu perca o controle, ok? — Mas eu... Ele sacode o braço em seguida e o solto, me fazendo tropeçar um pouco para trás. Mas é o suficiente. É o suficiente para dar a ele o espaço que ele provavelmente queria, porque seu pé pisa para arrancar com a moto, e eu sei que assim que ele fizer isso, ele irá embora. Ele vai me deixar aqui, parada na neve, com tantas perguntas sem respostas. Com tantas emoções e sentimentos que vou explodir. Eu não vou sobreviver à noite. Então, faço a única coisa que posso. A única coisa em que consigo pensar. Eu jogo meu coração a seus pés, meu coração batendo e disparando, e espero que seja o suficiente para fazê-lo ficar. — Eu amo você. Eu gritei isso também, eu acho. Todo mundo ouviu. Todos ouviram meu segredo. Meu Deus! Caramba. Pressiono a mão no meu abdômen porque não consigo respirar. Porque todos meus órgãos estão desordenados ou pelo menos parece porque acabei de contar a ele.

Página 434 de 551 Eu disse a ele. Meu segredo de oito anos. Meu segredo pelo qual roubei, menti, chorei e vivi no sofrimento por oito longos anos. Meu segredo, pelo qual fui enviada para cá, para St. Mary's. Eu apenas disse a ele e descobri que foi o suficiente para ele parar. Foi o suficiente para aquele pé parar, o que estava apoiado naquela alavanca. Foi o suficiente para ele olhar para mim. Não só com os olhos, mas também com o corpo. Ele vira seu torso em minha direção como se ele estivesse completamente sintonizado comigo agora. Completamente sintonizado com o que acabei de dizer. E talvez, talvez eu tivesse feito isso. Eu teria arriscado pela forma como seu corpo parece tenso e inclinado, virado para mim. Mas então, ele vai em frente e sai de cima da sua Ducati. Ele realmente gira a coxa e fica de pé e tenho que dar um passo para trás. Porque ele está parado na minha frente, com os pés bem separados, as mãos nas laterais do corpo em punhos cerrados e o peito se movendo para cima e para baixo, todo quente e com neve. — O que você acabou de dizer? – ele pergunta em voz baixa. Com a voz mais perigosa que já ouvi. Uma voz que faz meu chupão - a primeira mordida de amor que ele me deu - arder e latejar. Eu engulo, pressionando minha mão ainda mais em meu abdômen, me sentindo com frio. — Eu... eu…

Página 435 de 551 — Você me ama. Eu engulo novamente. — Eu não quis dizer isso. — Então você não me ama. — Não, eu amo. Eu… Seus olhos se estreitam. — Bem, sim ou não? Ah, Deus. Por que ele tem que parecer tão intimidante agora? Tão alto, grande, sombrio e o cabelo com reflexo. Eu não sei como lidar com isso. Mas tenho que lidar com isso, certo? Eu apenas disse isso. Eu não posso voltar atrás. Eu não vou voltar atrás. Só porque é assustador, não significa que eu não deveria fazer isso. Só porque era apenas uma ideia meio formada na minha cabeça para dizer a ele, não significa que não seja verdade. Então, respiro fundo e digo: — Ok, deixe-me começar do início. Eu escrevo cartas para você. Não as que trocamos nas últimas semanas, mas outras. Tipo, realmente longas em que eu conto a você sobre meu dia e o que fiz e com quem conversei e quem eu vi e você sabe, onde apenas tenho uma conversa geral com você. E tenho feito isso nos últimos oito anos. Faço uma pausa aqui para olhá-lo nos olhos; eles se tornaram insondáveis agora, seu olhar junto com seus traços suaves e imperturbáveis enquanto a neve cai ao nosso redor.

Página 436 de 551 — Desde que tinha dez anos. – eu continuo. — Desde o dia em que te vi na cozinha e me disse para não contar a sua mãe sobre o negócio do suco e me perguntou se eu estava com frio. Eu... eu queria te responder. Eu queria te dizer que não estava. Quer dizer, eu estava. Mas aí você entrou pela porta, todo suado e ofegante e o cômodo todo amarelo, sabe? Porque o sol estava entrando pelas janelas e você parecia tão... atingido pelo sol. E assim que te vi, senti um estranho calor fluindo dentro do meu corpo. E isso me fez sentir tão bem e eu queria te dizer isso. Mas então… Separo meus lábios e minha respiração sai toda nebulosa e branca e eu mordo meu lábio para me recompor. Eu mordo meu lábio porque ele está todo congelado agora. Congelado, calmo e ouvindo. Ele está me ouvindo, minha história. Como se estivesse fascinado. Ou talvez eu esteja imaginando coisas porque quero tornar isso mais fácil para mim. — Mas então, não consegui. Não conseguia te dizer que não estava com frio. Que você fez meu frio desaparecer. E não conseguia falar com você como queria. Então eu comecei a escrever cartas para você. Todas as noites eu escrevia uma carta para você e a dobrava e colocava em um envelope laranja, e então colocava em uma caixa de sapatos que escondia debaixo da minha cama. Quando me mudei para St. Mary’s, trouxe aquela caixa comigo. São algumas, mais do que algumas caixas de sapatos, na verdade, porque escrevi muitas cartas para você. E eu as tinha comigo na noite em que estava fugindo também. Fungo e esfrego o meu nariz gelado com as costas da minha mão antes de endireitar minha coluna e começar a parte terrível da história. — Você me perguntou por que eu estava fugindo

Página 437 de 551 naquela noite e se havia um garoto envolvido. Havia e aquele garoto é você. Minha confissão arrancou uma pequena reação de sua parte. Uma palavra minúscula de uma sílaba que ele diz em um tom neutro. — Eu. Eu aceno com a cabeça. — Sim. Eu estava fugindo por sua causa. Porque você ia se casar com ela. Porque no dia em que te vi e você me perguntou se eu estava com frio e não pude te responder. Foi porque Sarah veio naquele exato momento e você olhou para ela e... você nunca desviou o olhar. – sussurro, pensando em todas as vezes que eu queria que ele olhasse para mim, mas ele olhava para Sarah. — Acho que você esqueceu que eu estava lá. Uma criança de dez anos, desarrumada e enrolada em um cobertor. E então você nunca mais se lembrou de mim depois disso. Nunca realmente prestou atenção em mim, mesmo quando eu estava lá. – eu balanço minha cabeça, desejando que as coisas pudessem ser diferentes. — De qualquer forma, você costumava ser tão fascinado por ela, sabe? Eu observava você observá-la e sabia que estava se apaixonando por ela. E ela estava se apaixonando por você e eu vi tudo acontecer. E o tempo todo... o tempo todo eu estava me apaixonando por você também. Pelo namorado da minha irmã. Passei anos me sentindo péssima e horrível sobre isso. É por isso que me mantive longe de você. É por isso que nunca olhei para você ou falei com você ou apenas saí da sala quando você estava lá, porque eu te amava. Porque você era da Sarah e que tipo de irmã eu seria se fizesse algo que prejudicasse o seu relacionamento. É por isso que eu estava fugindo. Não queria manchar seu casamento com a minha presença. Eu não queria estar lá, a garota com um

Página 438 de 551 coração de bruxa, apaixonada pelo noivo de sua irmã. Mas naquela época, eu não sabia algo sobre mim. Algo muito importante. — O que? Eu aperto minhas mãos ao meu lado e levanto meu queixo. — Que eu nunca faria nada para prejudicar o que você tinha com ela. Eu nunca faria nada para ficar entre vocês dois. Não importa o quanto desesperada eu ficasse. Porque sua felicidade é minha felicidade. Quando você sorri eu sorrio. Quando você se machuca, eu me machuco. Então, se você a ama, você deve ficar com ela. Quando paro, fico tensa. Meus músculos se contraem e eu flexiono meus punhos. Mantenho meus olhos nele inabalável. Se ele quer me odiar por me apaixonar por ele, por amar o exnamorado da minha irmã enquanto ele ainda estava com ela, então ele pode fazer isso. Vou aceitar seu ódio e tudo o que ele tem a me dizer. Porque, como eu disse, me arrependo. Lamento ter me apaixonado por ele quando ele estava com a Sarah. Mas me recuso a lamentar o próprio ato de amá-lo. Eu me recuso a me arrepender de amá-lo até o ponto do sofrimento e da ruína. Mas tudo o que ele faz é piscar e dizer: — E se eu não fizer isso? Eu me movo, mais pronta do que nunca. — Se você não fizer o quê? — Amá-la. Demoro alguns segundos para entender o que ele quis dizer. Se eu não a amá-la...

Página 439 de 551 Isso é o que ele quis dizer, certo? Se ele não a ama, o que acontece? Até agora, eu sentia que minha respiração estava congelada. Eu pensei que meu corpo estava gelado até os ossos e eu nunca seria capaz de ter qualquer sentimento de volta nele. Mas tudo volta correndo. Tudo vem de volta e me dá um soco no peito. Isso me dá um soco no estômago e eu solto um suspiro chocado. — Então eu diria... – eu abro meus punhos e relaxo meu corpo. — Me escolha. — Você. Eu aceno com a cabeça. — Sim, me escolha. — Por quê? Esta é a coisa mais fácil para eu dizer, a mais fácil de todas as coisas que já disse a ele. — Porque eu te amo, Arrow. Eu te amo há anos e se você me der uma chance, posso te fazer feliz. — Você pode me fazer feliz. Eu engulo. — Sim. — Me amando. Ele está dizendo todas essas coisas em um tom neutro, mas não é com isso que estou preocupada, ou pelo menos não é a única parte. O fato de ele ficar repetindo tudo o que digo me preocupa ainda mais. — Si... sim. – eu respondo. Ele concorda.

Página 440 de 551 Em seguida, ele abaixa a cabeça e muda de posição antes de olhar para cima. — Eu só tenho uma pergunta, no entanto. — Que pergunta? Ele inclina a cabeça para o lado e pergunta muito casualmente: — Eu pedi amor? Para você. — Eu… — Responda-me! Ele grita as palavras e é um choque tão grande depois de seu tom curioso que recuo e sussurro: — Não. — O que eu pedi? — Arrow... — Responda a porra da pergunta, Salem. O que eu pedi? — Meu corpo. Ele estreita os olhos. — Bingo. Pedi para você abrir as pernas para mim. Tudo que eu pedi de você foi sua boceta apertadinha. É isso. Eu pedi uma boa foda. Porque você deveria ser minha boneca, caralho. Ou você esqueceu isso? Você esqueceu qual deveria ser sua função? Sua função é calar a boca e aceitar. Essa é sua função. Essas são as regras. – ele zomba então, balançando a cabeça. — Mas então, com quem eu estou falando? Você não pode seguir a porra de uma regra para salvar sua vida, pode? Eu torço minhas mãos geladas como a neve e deixo escapar: — Mas eu só pensei que se você pudesse tentar... Tentar me amar… — Tentar fazer o quê?

Página 441 de 551 — Te... tentar abrir seu coração e talvez amar... Algo sobre isso o faz rir. Isso não só o faz rir, ele até joga a cabeça para trás e solta aquele som - um som de vidro quebrado - até o céu nevando. Os flocos pousam em seu rosto áspero e desaparecem. Eles caem em seu peito subindo e descendo, em seus ombros, em seus cabelos com reflexo e desaparecem. Eu os observo, desejando poder ser assim. Eu gostaria de ser como a neve. Eu gostaria de poder tocá-lo. Eu gostaria de poder desaparecer. Eu desejo… Um segundo depois, ele abaixa o rosto e fica... angustiado. As cavidades de suas bochechas, o arquear de suas sobrancelhas, o contorno de sua mandíbula, banhados por algum tipo de sofrimento. Algum tipo de tortura. — Você queria saber o que aconteceu em LA, certo? – ele diz, com sua voz tensa e pesada com raiva e algo que eu não entendo de imediato, exceto que está o machucando. — Você queria saber se eu ainda a amava. Você queria saber disso, certo? – ele ri novamente. — Sim, ok. OK. Deixe-me dizer-lhe. Deixe-me dizer que não, eu ainda não a amo. Eu nunca a amei. — O que? Ele zomba, olhando para o céu novamente, passando os dedos pelos cabelos, quase agarrando as mechas, antes de olhar para mim com olhos atormentados e desolados.

Página 442 de 551 — Todo esse tempo achei que o nosso relacionamento era perfeito e que ela era perfeita e que ela jogou tudo fora. E não conseguia descobrir o porquê. Eu não conseguia descobrir por que ela faria isso comigo, por que quebrou minha confiança daquele jeito, por que ela iria me trair e destruir oito anos de nosso amor. Eu não conseguia descobrir como o meu relacionamento perfeito, meu amor perfeito se despedaçou. Mas a verdade é que não era amor. Não havia amor entre nós. Nunca existiu. — O que eu pensava que era amor, o que eu achava que era o amor, acabou sendo uma conveniência. Aparentemente, era fácil estar com ela. Era fácil estar com alguém que era exatamente como eu. Ambiciosa, perfeita e determinada. Alguém que não interferia na porra do meu precioso futebol. Alguém que não me distraia de meus objetivos. — Bem, até que ela fez isso. Até que li aquelas malditas mensagens e perdi meu foco. Até que minha namorada perfeita se tornou uma distração e eu perdi um jogo. E ontem à noite em LA, percebi que estou mais irritado com aquele jogo perdido do que com o fato de ter perdido minha namorada. Estou mais irritado com o fato de que o meu relacionamento perfeito acabou sendo uma mentira do que com o fato de que ela dormiu com outra pessoa. — Ontem à noite em LA, percebi que nunca estive apaixonado por ela e ela nunca esteve apaixonada por mim. Éramos apenas duas pessoas perfeitas, apaixonadas pela perfeição. E eu estava tão focado na minha carreira, no meu jogo, nas minhas jogadas, chutes e no quanto eu consigo fazer supino, que eu nunca percebi. Nós estivemos juntos por oito anos e eu nunca percebi, porra. Eu nunca percebi que a garota com quem eu ia me casar estava comigo porque ela tinha grandes ambições e eu estava com ela porque ela nunca interferiu nessas ambições. Ele faz uma pausa aqui.

Página 443 de 551 Mas eu não acho que seja para respirar fundo ou organizar seus pensamentos. Ele faz uma pausa porque quer deixar que suas palavras sejam absorvidas. Ele faz uma pausa para que possa me olhar, me olhar nos olhos e dizer: — O fato de eu não ter visto você não foi porque estava me apaixonando por sua irmã, era porque eu estava cego pra caralho. Porque eu nunca notei nada além do meu futebol. Então você não a traiu porque o que você pensava que era amor, o que eu pensava que era amor, acabou sendo uma simples questão de conveniência. Foi o que você pensou, não foi? Que eu a amava. É por isso que você queria que voltássemos. É por isso que você estava tão atormentada com a nossa separação. Sim, você deveria se poupar. Aquilo não foi amor. Sim, foi o que pensei. Que era amor. Isso é o que ele pensava também. Posso ver em seu rosto. Posso ver em seu corpo rígido. Ele pensou que estava apaixonado. Ele acreditava nisso. Ele acreditava nisso com cada fibra de seu ser, mas de alguma forma, isso acabou sendo uma mentira. De alguma forma, Arrow e Sarah eram uma mentira. Eles eram uma mentira perfeita. E a dor disso é tão visceral. A dor é tão grande e imensa que quase parece que está aqui. Está aqui conosco. Ela está parada em algum lugar ao lado, lançando sua sombra sobre ele e tenho que ir até ele. Tenho que abraçálo e absorvê-lo em meu corpo.

Página 444 de 551 Eu tenho que escondê-lo disso. Mas ele não me dá uma chance porque continua. — Então agora já sabe o que aconteceu. Agora você tem todas as respostas, não é? Agora você sabe que não sou apenas seu pesadelo, sou pior do que isso. Sou pior porque ela não me deixou vazio, estive vazio o tempo todo. Ela não matou meu coração, meu coração estava morto o tempo todo. Estava morto porque eu mesmo o matei. Eu o matei em minha busca pela perfeição. Eu o matei porque queria ser um perfeito filho da puta. Eu queria ser o melhor dos melhores, estar no topo. Eu queria ser a porra do The Blond Arrow. — E então destruí todas as outras emoções dentro de mim. E sabe de uma coisa? Estou feliz. Estou feliz porque é assim que deve ser. É assim que eu deveria ser. Eu deveria ser o filho do meu pai. Eu deveria ser The Blond Arrow. Esse é o meu destino. Ser o melhor. Sendo uma maldita lenda. É por isso que nasci. É para isso que venho trabalhando. — Então saia da minha frente, certo? Pegue seu amor e desapareça da minha frente. Eu não o quero. Não sei nada sobre isso e eu não me importo. Tudo o que me importa, tudo o que eu deveria me preocupar, é futebol. Tudo o que devo me preocupar é em ser filho do meu pai. E o filho do meu pai não se apaixona. Ele não tem emoções. Ele não tem tempo para emoções, amor ou amizades do caralho. Quase destruí minha carreira, meu sonho, o sonho de meu pai com um suposto amor. Eu falhei. Mas não mais. Então apenas vá embora. — Não. Estou surpresa por ter dito isso. Estou surpresa por ter dito qualquer coisa, por ter a força para dizer qualquer coisa depois de todas as coisas que ele acabou de me dizer.

Página 445 de 551 Depois de todas as coisas que ele disse sobre si mesmo e todas as coisas que percebeu sobre si mesmo. Mas eu tenho que dizer algo porque há muito tempo quero dizer e, depois de dizer isso, vou embora. Vou levar meu amor e vou embora. Eu vou sair da frente dele. — Você está errado. – digo a ele, e seu peito para de se mover, ou pelo menos parece que sim. — Você não é um fracasso. Você nunca foi. Você não falhou porque seu relacionamento não foi tão perfeito quanto você pensava ou porque você deu um soco em um cara ou porque foi expulso do seu time. Ou porque você perdeu um gol ou não ganhou um troféu. Cair e cometer erros não significa automaticamente falhar. Isso significa que você é humano. Isso significa que além de ser The Blond Arrow, o grande jogador de futebol, você também é o Arrow. Você é um ser humano e você sangra, se machuca, tropeça e atinge o chão como o resto de nós. Então não, você não é um fracasso. Você é apenas humano. — Mas isso não é tudo. Há algo mais. Outra coisa sobre a qual você está errado. Algo muito importante. Seu coração não está morto. Você não o matou. Porque quando Sarah te traiu, doeu. Quando ela quebrou sua confiança, doeu. Quando ela te traiu, isso doeu. E quando algo dói, significa que você pode sentir. Isso significa que seu coração não está morto. Esse é todo o problema, não é? Porque um coração nunca morre. Você pisa nele; você o esfaqueia com uma faca; joga gasolina sobre ele e ateia fogo; você o ignora e o enterra em busca da perfeição. Faz o que quiser, Arrow, mas ele não morre. Ele bate sem parar e sente. Sente todas as coisas, boas ou ruins, como este pequeno maníaco louco que não sabe como parar. — E sabe como sei disso? Porque o coração é a razão pela qual uma garota se apaixona por

Página 446 de 551 um garoto aos dez anos e permanece apaixonada por ele por anos, mesmo sabendo que ele nunca poderá ser dela. O coração é a razão pela qual uma garota chora por aquele garoto todas as noites e ainda assim sorri ao vê-lo de relance. O coração é a razão pela qual ela escreve cartas de amor secretas para ele e por que ela foge à noite para ver o garoto para quem as escreve. O coração é a razão pela qual uma garota como eu se apaixona perdidamente por um cara sem noção como você. Então não, seu coração não está morto, Arrow. Você pode ser The Blond Arrow, mas nem mesmo você tem o poder de matá-lo. Quando termino, sinto que uma era se passou. Eu sinto que já vivemos mil anos e, nesse tempo, a neve ficou mais espessa. Em vez de desaparecer, está grudando no chão agora. Está grudando nas folhas, na grama e na terra. Está grudando nele. Os flocos estão caindo em seu cabelo e em seus cílios. Eles ficam na gola de sua camisa úmida. Eles molham o ângulo de sua mandíbula, grudam como gotas em suas maçãs do rosto e lábios. Até vejo algumas gotas escorrendo de sua testa e atingindo seus olhos. Mas em vez de piscar, ele continua me observando. Ele continua me olhando como se estivesse... ainda tão fascinado. E ainda furioso ao mesmo tempo. O garoto que amo. Tão frio com a neve, mas tão quente com todas as coisas dentro dele. Eu gostaria de poder fazer algo sobre isso. Gostaria de poder fazer mais por ele.

Página 447 de 551 Mas eu não posso, posso? Eu não posso salvá-lo se ele não quiser se salvar. Eu só posso amálo. Acontece que ele também não quer isso. Então é isso então. Isso é tudo que posso fazer. Com um último olhar para ele, para sua forma alta e escura, respiro fundo e me viro. Eu pego meu amor e vou embora como ele me disse para fazer. Eu caminho pela neve. A neve linda e odiosa. Deus, eu odeio isso. Eu odeio tudo sobre essa coisa deslumbrante e linda. Tanto que em algum ponto entre escalar a cerca e entrar pela porta dos fundos do prédio do dormitório, comecei a chorar de novo. Eu não estou chorando abertamente. Ainda não. Eu não sei por quê. Talvez eu precise de outro empurrão. Um empurrão maior. Um empurrão mais forte. Um empurrão que me trará de volta à realidade que o que acabou de acontecer, realmente aconteceu. Disse a ele que o amava e ele me disse para pegar meu amor e desaparecer. Contei a ele o meu maior segredo e ele me rejeitou. Poucos segundos depois recebo aquele último empurrão que derrete esse frio e

Página 448 de 551 dormência que estou sentindo, quando entro escondido de novo no meu quarto, toda molhada e tremendo, e tropeço em algo. É uma das minhas chuteiras de futebol. As que ele comprou para mim. Geralmente as coloco debaixo da cama, mas de alguma forma devo ter esquecido e então agora eu tropeço e caio por causa delas. E então, eu simplesmente não consigo parar de chorar no meu travesseiro quando a mordida de amor que me deu lateja dolorosamente no meu pescoço.

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Escrevo cartas para você... tenho caixas de sapatos cheias delas... Essa é a única coisa que ecoa na minha cabeça enquanto volto para o meu hotel na neve e cruzo a porta. Eu caminho até a minha mesa de cabeceira e a abro. E aí estão elas. Não as cartas, não. Não aquelas que ela tem escrito para mim há oito anos. Estas são os que ela tem me deixado nas últimas semanas. Aquelas em que sou viciado. Todos os dias eu abro minha caixa de correio, aquele pedaço de lixo que fica lotada e tenho que sacudi-la para abrir, dizendo a mim mesmo que estou fazendo isso porque é o que se espera de mim. Como membro do corpo docente, preciso ser informado sobre o que está acontecendo em St. Mary’s. As reuniões de equipe, um memorando sobre a limpeza do refeitório e todas as besteiras que acontecem em uma escola do ensino médio. Mas quando eu enfio a mão para pegar esses papéis, o primeiro que abro é o envelope laranja dela.

Página 450 de 551 Eu a dobro e coloco em um envelope laranja... Isso é o que ela disse, certo? Que ela a coloca em um envelope como este, aquelas que espalhei pelo chão acarpetado cinza enquanto me ajoelho. Quando vou pegá-las nesses envelopes, porém, percebo que meus dedos estão molhados e com neve. Então, eu os enxugo na minha calça. Enxugo-os nos lençóis da minha cama, seco-os antes de tocar nessas cartas. Antes de ler o que já li mil vezes. Mil vezes, porra. Na verdade, gosto de lê-los quando ela está aqui. Quando ela está dormindo porque eu a cansei depois do sexo. Para que eu possa olhar para suas bochechas rosadas enquanto leio suas palavras. Então, seus gemidos estão recentes em minha mente. Eu as leio e fico nervoso. Então, ou eu a acordo para transar de novo ou malho como um demônio. Porque suas palavras escritas fluem em minhas veias, flutuam em meu peito como a fumaça de nicotina de um cigarro e eu não sei mais o que fazer. Ela acha que estou me exercitando, quebrando os meus ossos, dilacerando meus músculos porque tenho algum tipo de desejo de morte. Porque quero estar no topo do meu jogo quando voltar. Eu não digo a ela que é por causa dela.

Página 451 de 551 Porque eu não sei o que fazer com ela. Eu não a entendo. Eu não entendo de onde ela veio e como ela me afeta assim. Não entendo o que fazer com as palavras que ela me deixa. Não digo a ela que sou obcecado por suas cartas. Porque o que diabos isso vai conseguir, afinal? Eu estou voltando. Vou estar no topo mais uma vez. Esse é o meu destino, não é? Isso é o que eu sempre quis. Isso é o que me ensinaram a querer, meus pais. Minha mãe. Grandeza e perfeição. Então, eu não entendo por que há uma dor no meu peito. Por que ela não sumiu desde ontem, quando apareceu na festa. Por que é tão intenso, tão grande que meu coração - a coisa que eu pensei que tinha morrido há muito tempo - quase sai do meu peito e atinge o chão, manchando as cartas espalhadas diante de mim? Ele está batendo sem parar. Meu coração está acelerando. Como se fosse realmente um pequeno maníaco louco, como ela me disse. A coisa mais viva do meu corpo. A coisa mais viva do mundo. A mais viva que já existiu. Pela a garota que me escreve cartas.

Página 452 de 551 Centenas e centenas de cartas. Milhares mesmo. Porque ela as tem escrito nos últimos oito anos. E isso porque ela está apaixonada por mim há oito anos. Ela está apaixonada por mim. Por mim. Ela está estupidamente apaixonada por um homem que não sabe nada sobre o amor. Que sabe ainda menos sobre isso e relacionamentos do que uma porra de uma criança de quatro anos. Jesus Cristo, Salem. Baby, você fodeu tudo. Você estragou tudo. Eu solto uma risada. Por algum motivo, não consigo parar de rir esta noite. Por alguma razão, dói toda vez que faço isso. Dói estar inclinado sobre suas cartas espalhadas. Dói pra caralho ler suas palavras repetidamente, enquanto balanço para frente e para trás enquanto meu coração renascido bate contra minha caixa torácica. Ela me ama. Ela. Me. Ama. Por que ela me ama? Por que dói que ela me ame? Por que dói não poder ser outra coisa senão o que sou?

Página 453 de 551 Por que eu não consigo respirar? Por que o mundo ainda está se fechando com o pensamento de que eu sou The Blond Arrow? O maldito perfeccionista que não consegue amar a garota que está apaixonada por ele.

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Certa vez, ouvi uma música sobre uma garota dançando em minas terrestres. Dança lenta. Porque queria ficar com o garoto por quem ela estava apaixonada. E mantê-lo era como segurar um explosivo nas mãos. Então ela ficava na ponta dos pés perto dele para que pudesse amá-lo. Até que um dia tudo explode na cara dela. Coisas explodem e ela pega fogo. Bem, o que mais você espera quando se apaixona por uma granada? O que mais você espera quando se apaixona pelo sol? É o que o sol faz. Ele queima tudo. Derrete tudo. Transforma tudo em pó. É por isso que Ícaro, o tolo que voou muito perto do sol com asas feitas de cera, foi estúpido. É por isso que eu sou estúpida. E infeliz e triste. Mas não estou com raiva. Não estou com raiva dele. Por ser quem ele é. Por ser o sol que ele é. Embora, eu tente.

Página 455 de 551 Especialmente no dia seguinte, quando acordo e vejo, através das grades da minha janela, que não há neve no chão. Não é que ame a neve ou algo assim. Achei que haveria alguma evidência do que aconteceu entre nós, eu e ele, apenas algumas horas atrás. Algumas evidências do frio e dos destroços. Até mesmo sua mordida de amor se foi. Não a vejo no meu pescoço, no espelho. Como se eu tivesse imaginado tudo. Imaginei seus dentes. Imaginei a neve. Mais uma vez, tento ficar com raiva de alguma coisa. Dele. Mas não posso ser porque não é culpa dele. Não é culpa dele não querer o amor. Ele não precisa disso. Ele nem sabe o que fazer com isso. Não é culpa dele ser The Blond Arrow. Ele treinou para isso durante toda a vida. Ele trabalhou para isso. Eu vi com meus próprios olhos. Sua dedicação, sua determinação. Seu foco obstinado. Portanto, não é culpa dele que, na busca de tudo, ele tenha se esquecido de ser outra coisa. Para ser outra pessoa. Não é culpa dele estar perdido. Porque é isso que ele é, não é? Depois do que aconteceu com minha irmã, o que ela fez e como seu relacionamento acabou.

Página 456 de 551 Até eu estou perdida porque eu também pensei que o relacionamento deles era perfeito. Arrow não fez isso consigo mesmo; isso aconteceu com ele. Então, eu não posso ficar com raiva dele. Mas estou triste. E descobri que também é algo que eu não deveria estar. Porque já sabia que havia muita pouca chance de ficarmos juntos. Muita pouca chance de que ele me amasse. Alguém como eu. Alguém tão oposto a ele. E eu sei disso desde que tinha dez anos. Mas meu coração, meu maldito coração, não entende isso. Não entende a lógica e as racionalizações e todas as explicações que venho dando a mim mesma desde que me virei e o deixei parado na neve. Porque desde que eu tinha dez anos, eu também queria apenas uma coisa. Ele. Ser perfeita para ele. Ser especial para ele. Sim, meu coração é estúpido e isso dói. Isso dói tanto que eu ando por St. Mary's com um lacrimejar permanente nos olhos. Minhas lágrimas caem enquanto eu trabalho no jardim com o resto das garotas. Quando eu secretamente pego uma gardênia e a coloco no bolso, uma lágrima cai e escorre para meus lábios trêmulos. Outra cai quando faço o meu dever de trigonometria mais tarde na biblioteca e faço

Página 457 de 551 todas as perguntas erradas porque ele não está aqui para me ensinar. As garotas são tão solidárias como sempre foram. Principalmente quando conto tudo a elas. Digo a elas que o amo desde os dez anos e que não deveria porque ele estava com minha irmã. Então digo a elas que na noite passada, quando gritei eu te amo para ele, ele me disse para ir embora. Eu não conto a elas sobre o rompimento, porém, e todos os outros segredos que ele tem. Porque eu nunca vou contar, nem em um milhão de anos. Sei que, sem preencher essas lacunas, posso parecer uma garota com um coração de bruxa que vai atrás do namorado da irmã. Mas, como ele, elas não julgam. Como ele, elas me absolvem, o que é algo que eu realmente não pensei, ele me absolvendo, quero dizer. Porque se o fizer, talvez nunca me levante da cama. Posso nunca parar de chorar pelo que ele fez por mim. Algo maravilhoso. Enfim, minhas amigas ouvem e quando eu choro pela milésima vez, elas enxugam minhas lágrimas. Então Poe diz que vamos sair hoje à noite. Porque eu precisava de uma distração. Na verdade, eu não sou a única. Callie também precisava de uma distração. Porque o humor dela é como o meu. Seu humor está pior, na verdade. Talvez porque, nos últimos dois dias, ela tenha estado meio doente. Quer dizer, isso vem e

Página 458 de 551 vai. Como ontem, ela estava vomitando de manhã, mas ficou bem o dia todo depois disso. Hoje também, ela vomitou antes de caminhar para o café da manhã. Eu não sei o que está acontecendo. Talvez seja algum tipo de problema estomacal. Mas seja o que for, decidimos que se não melhorar logo - como ela insiste - vamos arrastá-la para a enfermaria nós mesmas. Então, talvez sair seja uma coisa boa. Embora não ache que nada possa me animar, não por muito tempo. Mas se ajuda Callie, então eu sou totalmente a favor. É por isso que horas depois, eu coloco meus travesseiros na cama e os cubro com um cobertor antes de sair na ponta dos pés para fora do quarto. Eu caminho pelo corredor escuro e encontro as garotas na saída. No entanto, em vez de empurrar a porta, todas me olham com seriedade. Callie, que parece tão saudável como sempre, mesmo depois do que aconteceu pela manhã, é a primeira a falar. — Ok, então não surte. Assim que ela diz o meu coração começa a bater forte e deve ser visível no meu rosto porque Poe dá um tapa no braço de Callie. — Você a está assustando ao dizer isso. Callie faz uma careta. — Caramba. Desculpe. Sinceramente, só queria amenizar o golpe. O golpe. Meu coração fica preso na garganta com isso e eu tropeço e gaguejo com minhas palavras. — O... o que…

Página 459 de 551 Quando eu não consigo completar a minha frase, Wyn intervém. — Vocês duas a estão assustando. Ela agarra meu braço e sorri. Embora não haja nada alegre nisso, quando ela diz: — Ele está indo embora. — O que? Poe toca o meu ombro para chamar minha atenção. — Ouvi de alguém ontem à noite. Arrow está indo embora. A técnica TJ será a técnica principal até que encontrem um substituto. Eles provavelmente farão o anúncio amanhã. Callie me dá um olhar simpático. — Não queríamos dizer nada antes. Porque você não teria sido capaz de fazer nada sobre isso. — Mas agora você pode. – diz Wyn. — Sim, vá até ele. – Essa é a Poe. Elas estão todas em pé ao meu redor, segurando alguma parte do meu corpo, meus braços e meus ombros, enquanto me dizem que devo ir até ele e fazer algo a respeito. Só não sei o quê. Não sei o que posso fazer se ele for embora. Ele está indo embora. Indo embora. Quer dizer, eu sabia que ele iria embora, mas não sabia que seria tão cedo. Que aconteceria apenas dois dias depois de eu dizer a ele que o amo. É por isso que ele está indo embora, não é? Porque eu disse a ele que o amava.

Página 460 de 551 Porque agora ele pensa que vou declarar meu amor a ele a cada dois segundos. Ele provavelmente pensa que vou dar em cima dele como já fiz inúmeras vezes antes. Pegue seu amor e desapareça da minha frente... E ah Deus, eu tenho que dizer a ele. Eu tenho que dizer a ele que não vou. Que eu não vou incomodá-lo ou dificultar sua vida. Eu não vou falar com ele ou ser dramática sobre isso. Na verdade, prometi a mim mesma que nem mesmo ficaria com ele em St. Mary's. Não vou vigiá-lo nos corredores ou na sala de jantar, na biblioteca ou no campo de futebol. Então isso é estúpido, ele ir embora. — Eu tenho que pará-lo. – eu explodi, finalmente chegando a uma conclusão. Eu também falo isso alto. Mais alto do que deveria, porque as garotas ficam em silêncio ao meu redor. Todas elas me olham assustadas e eu balanço minha cabeça. — Eu não... eu não queria que fosse assim... — Não, está tudo bem. Vá. – Callie aperta meu ombro. — Sim, chamei um táxi para você. Então você precisa ser corajosa. – Poe me diz com um aceno determinado. — Mas... e quanto a sairmos? Poe acena com a mão. — Isso foi apenas uma farsa. Algo que tínhamos que dizer para que você estivesse pronta à meia-noite.

Página 461 de 551 Wyn sorri com orgulho. — Eu inventei isso. Apesar de tudo, eu rio. Puxa, elas pensaram em tudo, não é? Minhas amigas, e elas nem sabem de toda a história ainda. Quem diria que faria amigas em um reformatório? Que eu adoraria todas elas. E que elas me empurrariam porta afora quando eu simplesmente ficasse ali, me sentindo oprimida e pasma, para que eu pudesse ir e impedir o amor da minha vida. Mas assim que o ar da noite me atinge, eu saio correndo. Estou cheia de determinação e propósito. Estou cheia de serenidade. Ou o máximo que posso sentir em um momento como este. No momento em que ele está indo embora. Porque declarei meu amor a ele. Deus. Que coisa idiota de se fazer e que maneira idiota de reagir. Mas está tudo bem. Eu vou impedi-lo. Não me lembro de ter dado o endereço ao taxista, mas de alguma forma, estou aqui. Estou na frente de sua porta cinza e estou batendo. Sei que nunca fiz isso antes, quero dizer bater na porta dele. Sempre que eu vinha aqui, para este edifício em forma de L com seu parapeito cinza, voltado para a estrada, ele estava sempre comigo.

Página 462 de 551 Então eu acho que vai ser um pouco chocante quando ele me ver em sua porta. E isso é. É chocante quando, um segundo depois, Arrow abre a porta e me encontra - a garota que o ama. Ele realmente recua um centímetro e coloco as minhas mãos em punhos ao lado do corpo. Provavelmente sou a última pessoa que ele esperava ver, mas aqui estou. Por inteira com meu amor e tudo. Por inteira com o meu cabelo bagunçado, sardas, suéter grosso e chuteiras. E o coração batendo forte fora de controle. Em minha defesa, tento controlar meu coração e não cobiçar ele. O que é muito difícil porque ele não está de camisa. Seus músculos tensos estão em exibição e estão suados. Além disso, eles estão ofegantes e arfando. Tento não olhar para suas costelas em expansão e tanquinho, e a maneira como ele está franzindo a testa para mim, com a boca aberta e narinas infladas. Porque ele não precisa disso. Ele não precisa que eu olhe para ele com olhos de cachorrinho e suas próximas palavras provam isso. — Que diabos você está fazendo aqui? Tento não vacilar, mas não posso fazer nada neste momento. — Eu...

Página 463 de 551 — Como você chegou aqui? – ele pergunta, mas não me dá tempo de responder porque ele coloca a cabeça para fora para olhar de um lado para o outro no corredor como se para verificar as coisas. Como se só de olhar ele pudesse deduzir como vim parar aqui. Eu me afasto um pouco enquanto ele faz sua inspeção. Enquanto seu cheiro almiscarado enche meu nariz e seu peito quase toca o meu. Porque, novamente, ele não precisa disso. Quando ele se endireita, ele adverte: — Salem. Saindo do meu estupor, eu digo: — Eu... você está indo embora. Com as minhas palavras, sua mandíbula contrai e ele pergunta novamente: — Como diabos você chegou aqui? — Peguei um táxi. Ele me encara, imóvel e paralisado, com seus olhos escuros. — Entre. — Eu não... — Apenas... – ele suspira. — Está frio. Você está tremendo. Entre. Assim que ele diz isso em seu tom áspero e rouco, sinto o primeiro arrepio percorre minha coluna. O primeiro tremor de minhas pernas e meu abdômen. E eu percebo que ele está certo. Eu estou tremendo. Provavelmente eu estive tremendo esse tempo todo sem meu conhecimento. Mas não é o frio. É ele.

Página 464 de 551 É da visão dele, todo suado e tão familiar em sua calça de moletom cinza escuro, pendurado baixo em sua pélvis e seus pés descalços. Seu cabelo loiro escuro que parece castanho escuro agora, bagunçado em sua testa. Aposto que ele estava tentando se matar de novo, trabalhando muito duro. Quando eu ainda não me movo, ele se afasta da porta e a mantém aberta, com seus bíceps flexionados. — Você poderia apenas entrar? — Certo. Desculpe. – eu murmuro, tentando novamente agir sem emoção. Apenas se recomponha, Salem. Enxugando as minhas mãos em minha calça cargo, abaixo a minha cabeça e entro, cuidadosa, extremamente cuidadosa, para não tocá-lo. Quando ele fecha a porta, me viro para encará-lo e repito: — Você está indo embora. — Eu vou. — Por quê? Seus olhos movem de um lado para outro entre os meus por um segundo antes de ele responder: — Porque esse sempre foi o plano. Porque eu deveria ir embora. Plano. Sim, ele é obcecado por planos. — E quanto a sua terapeuta? – pergunto, mais uma vez toda calma. — O que tem ela?

Página 465 de 551 — Ela não deveria dizer quando você pode ir? Ele me encara por um instante. — Ninguém me diz quando eu posso ir. Certo. Nem mesmo eu. Não que eu já tivesse dito, mas tudo bem. Ele suspira novamente. Embora eu não ache que isso ajude a relaxá-lo de forma alguma. Seu corpo, seus músculos estão tão tensos como sempre. Eles estão quase sofrendo com o que está acontecendo dentro dele. — Além disso, posso encontrar outro terapeuta. – diz ele, em pé e ereto. — Em Los Angeles. — E seu time? – eu engulo. — Eles estão bem com você voltando tão cedo? — Eu voltaria um dia. Então sim. Eu mordo o interior da minha bochecha para evitar que meus lábios tremam e meus olhos se encham de lágrimas. — Mas um dia, certo? Não agora. — Um dia. Hoje. Agora mesmo. Qual é a diferença? Ele faz a pergunta com calma. Muito, muito calmamente e aposto que não preciso ir até o fim para saber o que eu estou falando. Parece assim. Porque de repente me ocorre. Ele está agindo como o velho Arrow. Aquele que costumava ser sereno e determinado.

Página 466 de 551 Como a neve e a mordida de seu amor que desapareceu no dia seguinte, o novo Arrow – meu Arrow - se foi. Em seu lugar está o Arrow por quem me apaixonei, mas não tinha ideia de quem ele era. Isso deixa um gosto amargo na minha boca. Um sabor amargo. Como se eu estivesse bebendo minhas próprias lágrimas. — É por minha causa? Com isso, eu vejo um hesitar. Vejo os músculos de seu abdômen nu se contraindo e se levantando em completo alívio como se eu tivesse dado um soco nele. Mas seu rosto não mostra nenhum efeito. — O que te faz pensar que é por sua causa? – ele pergunta em um tom áspero. — Porque eu amo você. Eu respiro com a minha declaração. Com a minha declaração estúpida, estúpida. Deus. Não é à toa que ele está indo embora. Eu simplesmente não consigo parar de dizer isso. Simplesmente não consigo parar de dizer a ele o quanto eu o amo. Quando cheguei aqui, pensei que simplesmente sugeriria isso. Mas parece que é muito fácil dizer agora que o segredo foi revelado e é muito difícil para ele ouvir.

Página 467 de 551 Porque seu abdômen contrai novamente. Então limpo minha garganta e altero a declaração. — Quero dizer, porque eu disse que te amo. — E? — E você vai embora dois dias depois. – eu quase grito com ele, com minhas mãos em punhos e minhas pernas abertas. Ele percebe. Ele percebe minha postura de batalha e algo sobre isso o faz suspirar novamente. Desta vez, porém, o suspiro funciona e ele se solta um pouco. Me fazendo pensar se isso é o que ele queria. Me provocar para que eu perdesse a calma e me tornasse a Salem louca e dramática que ele conhece. — De novo, que diferença isso faz? Eu ia embora de qualquer maneira. – diz ele. Faz diferença porque eu não quero que você vá, seu idiota. Eu gostaria de poder dizer isso a ele. Eu realmente, realmente gostaria de poder dizer isso, gritar na cara dele e sacudi-lo. Mas eu não posso. — Se você pensa... – eu começo, lambendo meus lábios. — Que eu vou dar em cima de você de novo ou declarar meu amor por você andando aleatoriamente pelo corredor ou algo assim, então está errado. Recebi a mensagem. Eu entendi, ok? Você não quer o meu amor. Você não precisa

Página 468 de 551 dele. Você não sabe o que fazer com ele. Então você não tem que deixar a cidade, todo o maldito estado, só porque eu disse a você o que sinto. Ok, eu não queria chegar até o fim. Não deveria ter levantado minha voz, inclinado meu pescoço e rangido os dentes. Mas eu fiz. Porque como ele pode apenas ficar lá e não ser afetado quando estou me despedaçando aqui. Quando estou me quebrando e há essa dor épica no meu peito e não sei se ela vai passar. Não sei se algum dia vai parar de doer. Ele engole e passa os dedos pelo cabelo úmido. — Olha Salem, o que aconteceu naquela noite... — Não podemos simplesmente esquecer isso? Não podemos simplesmente esquecer aquela noite? Sobre o que eu disse? — Não. — Eu... — Não consigo esquecer. – Sua voz se eleva então. — Não consigo esquecer... o que você disse. Sua mandíbula se move para frente e para trás como se ele estivesse esmagando minhas palavras - aquelas três palavras que eu disse a ele entre os dentes. — Então isso é o melhor. – ele continua. — Esta separação clara. Você segue seu caminho e eu o meu. Além disso, como eu disse, eu iria embora de qualquer forma. Tudo isso foi temporário. Antes que eu possa dizer mais alguma coisa, ele se move.

Página 469 de 551 Eu o observo cruzar seu quarto cinza sem graça e pega um envelope que estava em sua mesa. Ele o traz de volta para mim e minha mão automaticamente se estende para pegá-lo. Como se eu tivesse que aceitar tudo que ele me dá. Como se eu fosse incapaz de recusar qualquer coisa a ele. Eu sou patética, não sou? Balançando a cabeça, olho para ele. Um envelope bege indefinido. — Eu ia deixar com a treinadora TJ, mas já que você está aqui, pode ficar com isso. – explica ele. Eu franzi a testa. — O que é? — Inscrição para o programa juvenil do Galaxy no próximo verão. Eu preenchi para você. E minha carta de recomendação. Meus dedos têm espasmos e eu olho para baixo novamente. Meu novo sonho, minha ambição que ele me deu algumas semanas atrás. Algo que nunca pensei que pudesse ter: um objetivo. A chance de jogar futebol de verdade, porque nunca pensei que fosse boa o suficiente. Até ele. Até que ele me disse que sim e me fez perceber que eu poderia fazer isso. Eu tinha esquecido isso, na verdade. Por causa de tudo. E eu percebo agora que se ele não tivesse me dado isso, eu nunca teria me lembrado.

Página 470 de 551 — Você preencheu minha inscrição e me deu uma carta de recomendação? – repito quando olho para cima, me sentindo... chocada. Espantada. E com tanta dor. — Sim. Eu... – ele contrai a mandíbula antes de engolir. — Nunca vi ninguém como você - jogando como você. Você é talentosa, Salem. Você é muito talentosa e não importa o que decida fazer com isso, quero que saiba que tem meu apoio. Você tem minha crença. – ele engole novamente, com o azul em seus olhos brilhando. — Acredito em você. Eu acredito que você pode ir a lugares. Você deve escolher. Eu poderia me afogar no azul de seus olhos. Eu poderia me afogar no calor que ele está causando em meu corpo. Eu poderia me afogar em meu amor por ele. Em sua crença. Em mim. Eu poderia me afogar e morrer. Não só poderia me jogar contra ele também. Eu poderia me jogar a seus pés, envolver minhas mãos em torno de sua perna e me deixar ser arrastada pelas ruas, arrastando-me atrás dele enquanto ele vai embora. Só para atrasá-lo. Só para detê-lo. Só para ficar com ele. Eu poderia fazer tudo isso e poderia fazer tudo certo neste segundo. As mesmas coisas que prometi que não faria. Tudo porque ele acredita em mim quando ninguém mais fez isso.

Página 471 de 551 É por isso que abraço o envelope contra o peito e pisco. Eu também aceno e sussurro: — Obrigada. Hum, você pode me chamar um táxi, por favor? Eu gostaria de voltar. Seus olhos brilham como se estivessem surpresos. — O que? Eu abraço o envelope com mais força e cravo as unhas na cintura. — Por favor? Com isso, a resignação cobre seu rosto e ele acena com a cabeça. — Vou levá-la de volta. Não discuto; quanto menos tempo gasto em sua companhia, melhor. Então eu aceno também e com um último olhar para mim, ele se move. Ele vai até o banheiro, pega uma camisa e a veste, embora esteja suado de seu treino. Agarrando suas chaves com movimentos firmes, ele caminha até a porta. Ele a abre para mim e eu ando até ela. E então, estamos voltando para St. Mary's, eu sentada atrás de suas costas, segurando seu corpo rígido e o envelope. Abraçando o amor da minha vida e sua crença em mim. Sua crença preciosa, incomensurável e inestimável. Assim como no percurso de táxi, eu também não me lembro desse, o que é uma pena, porque é a minha última carona de moto. Sempre soube que se não pudesse andar com ele, não iria querer andar de moto. Logo chega ao fim, minha última viagem. Logo, estou descendo de sua moto e parando no chão. Eu estou olhando para o rosto dele, o seu rosto lindo e deslumbrante. Características

Página 472 de 551 nítidas e salientes. Meu Arrow. Mesmo ele usando um capacete, seu cabelo está todo bagunçado, meio úmido de seu treino e meio caindo sobre suas sobrancelhas, emoldurando seus olhos azuis marinhos. Olhos que têm emoções tão intensas. Abraçando o envelope contra o peito, digo: — Eu... Suas mãos apertam no guidão e ele diz em uma voz que soa ao mesmo tempo ansiosa e baixa: — Você o quê? — Eu, hum, sempre pensei, quando morávamos juntos, que você era esse cara perfeito. – digo, mordendo meu lábio e noto outra contração, esta em sua mandíbula. — Você era tão calmo, determinado e focado, sabe? Tão dedicado ao jogo, aos seus objetivos. Acho que nunca vi ninguém com o seu foco. Nem mesmo minha irmã ou minha mãe. Eu admirava isso em você. Muito. The Blond Arrow. — Mas então, anos depois, comecei a conhecer você. Na verdade, pude conhecer você. Quer dizer, é engraçado porque eu tinha todos esses planos de ir embora e você estava em outro lugar. Mas de alguma forma acabamos no mesmo lugar. Mas de qualquer maneira, eu conheci um lado diferente de você. Um novo lado. Esse cara que fuma porque está estressado. Esse cara que pode ficar muito bravo quando sua confiança é quebrada. Que pode ser tão vulnerável, forte e torturado ao mesmo tempo. Esse cara que pode ser tão mau e rude. Às vezes tanto que quero bater nele. Mas às vezes ele pode ser tão doce, sabe? Sorrio hesitante. — Quero dizer que… eu gosto desse cara. Esse Arrow. E isso me dói que você pense que esse cara é um fracasso. Que se tornou uma inconveniência. Que deve ser

Página 473 de 551 ignorado. Que qualquer coisa diferente de The Blond Arrow, qualquer outro instinto que tenha, está errado. Isso dói quando você culpa esse cara por seus defeitos. Porque esse cara tem algo a oferecer, sabe? Esse cara tem muito a oferecer. Você sabe como eu sei disso? Sua mandíbula está pulsando repetidamente. E sei que o coração que ele pensa estar morto está batendo forte dentro de seu peito. Eu posso ver a veia contraindo em seu pescoço latejando assim como sua mandíbula. — Como? – ele murmura, com os seus olhos de alguma forma fundidos e em chamas. — Porque ele é o cara que me deu isso. – eu aponto para o envelope preso no meu peito. — Ele é o cara que me deu uma chance. Para mim. Uma garota que nunca seguiu uma regra. Uma garota que nunca quis ser perfeita. Ele me deu uma chance. Ele me inspirou a ser mais. Não só isso, esse cara me perdoou. Por algo pelo qual tenho me culpado há anos, por me apaixonar pelo namorado da minha irmã. Ele me perdoou, Arrow. Como esse cara pode ser nada menos do que perfeito quando ele me deu um presente tão perfeito? — Por favor, por favor, não o rejeite, Arrow. Por favor. Ele está dentro de você e ele é bom. Ele merece mais. Ele merece sua aceitação. Não rejeite essa parte de você. Dê uma chance, como você me deu. Você me disse que eu poderia ir a lugares, certo? Esse cara pode ir a lugares também. Esse cara pode fazer o que quiser. Esse cara pode ser quem ele quiser. Apenas... por favor, dê uma chance a ele. Dê a si mesmo uma chance. Você pode ser ambos. The Blond Arrow e apenas Arrow. E você sabe como eu sei disso? Desta vez, ele não diz nada. Ele simplesmente me encara com tanta emoção que os meus joelhos ficam fracos.

Página 474 de 551 Mas eu aguento. Porque eu quero vê-lo uma última vez, vê-lo uma última vez. Eu me concentro em sua mandíbula perversa e maçãs do rosto nítidas. Eu me concentro em seus ombros largos e tensos. Os bíceps esguios, suas coxas musculosas e poderosas. O corpo construído para ser o melhor. The Blond Arrow. Apenas Arrow. Meu Arrow. Estendo minha mão e coloco seu cabelo com reflexo para trás pela última vez. Eu me inclino com meus lábios e beijo sua bochecha antes de sussurrar: — Porque eu também acredito em você. E então, eu me viro e corro. Eu corro, segurando o envelope contra o peito enquanto as lágrimas escorrem pelo meu rosto. Enquanto meu coração bate forte no meu peito e minhas pernas me fazem correr mais rápido do que nunca. Eu corro mesmo quando o ouço chamar meu nome. Não uma, mas duas vezes. Na verdade, corro mais intensamente. Não quero ouvir o que quer que ele tenha a me dizer, porque sei que não será o que eu quero ouvir: que ele ficará. Então eu continuo. Eu escalo a cerca como já fiz mil vezes antes. Eu corro pelo terreno e de volta para o prédio do dormitório e giro a maçaneta novamente como já fiz mil vezes antes.

Página 475 de 551 Mas quando eu entro, tudo é diferente. Eu não tinha visto isso antes, tudo iluminado e barulhento, em vez de escuro e silencioso. Corredor lotado em vez de um vazio e tranquilo. Mais à frente estão as garotas, um grande grupo delas. Todas em suas roupas de dormir, seus cabelos bagunçados, rostos virados para longe de mim porque estão todos olhando para alguma coisa. Algum tipo de comoção. Há vozes, gritos, murmúrios e suspiros. Demoro um momento para descobrir que é a doce voz aguda de Callie. — Pode simplesmente abaixar isso? Isso é mesmo necessário? — Sim, por que você está sendo uma maldita vadia? – Essa é a Poe em sua voz rouca de causar problemas. — Ela merece um pouco de privacidade. – diz Wyn, suave e baixo. Loucamente, acho que é estranho como posso diferenciá-las apenas por suas vozes. É uma prova do fato de que eu as amo muito e deveria ir até elas porque estão com problemas. Eu também teria, se não fosse pela voz nasalada que se eleva acima de tudo. Aquela que ouço na aula de trigonometria todas as semanas e em nossas sessões individuais. Sra. Miller. — Estou sendo uma vadia, Poe, porque uma aluna está faltando. E se uma aluna está faltando, Wyn, então ela não tem privacidade e sim, Callie, isso é absolutamente necessário. Especialmente quando acabamos de encontrar caixas e mais caixas de cartas endereçadas a quem só posso

Página 476 de 551 deduzir ser o filho da diretora. Que também é o treinador. E eu sei que vocês três definitivamente tiveram algo a ver com o desaparecimento dela. O que significa que todas vocês receberão detenção junto com ela. A garota que os policiais estão procurando agora, Salem Salinger. Meu nome explode no corredor como uma bomba. Essa granada na música que eu cantei nos últimos dois dias. Talvez isso devesse me congelar no meu lugar. Talvez isso devesse me congelar até os ossos e me fazer desmaiar de choque. Mas isso não acontece. Porque elas têm minhas cartas. Só então um espaço se abre no grupo e eu vejo Miller. Eu a vejo com um envelope laranja, e a vejo pegando uma página dobrada antes de ler, em voz alta. — Meu querido Arrow... E então, o envelope em minha mão, sua crença em mim, escorrega e cai no chão e eu estou correndo novamente. Estou correndo pelo corredor e percebo que a batida dos meus pés é a mais alta neste espaço de caos, ainda mais alta do que a voz nasalada de Miller, lendo minha carta. A carta que pertence a mim. A carta que escrevi para ele. E preciso recuperá-la. Esse é o único pensamento em minha mente. Pegue aquela carta de volta. Percebo que as garotas começaram a se afastar de Miller e se concentrar em mim. Elas estão olhando para mim. Olhando para a garota maluca que não apenas escreveu essas cartas, mas também estava

Página 477 de 551 desaparecida. Que agora está correndo em direção a uma professora de olhos vermelhos, gritando: — Pare. É minha. É minha. Minha. Minha. Mas eu não me importo. Eu preciso daquela carta de volta. É minha. É minha, porra. Estou tão perto disso. Tão perto daquele pedaço de papel, a única coisa que posso ver agora, mas algo sacode meu corpo. Algo se fecha em volta do meu abdômen e me faz parar, e isso me deixa tão furiosa, tão zangada, tão arrasada que chuto. Eu agarro o braço em volta da minha cintura, o tempo todo gritando e olhando para aquela carta, agarrada por dedos estranhos. — Me solte. Me solte. Mas eles não soltam. Eles não me soltaram e foi então que a explosão me atingiu, a explosão que aconteceu há dois dias e a que ocorreu agora há pouco. Tudo me atinge como um terremoto e tudo fica escuro.

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Eu não vou embora. Não posso. Eu não posso ir. Porque tenho que contar a ela. Eu tenho que dizer a ela que o cara de quem ela estava falando, o cara que pode ser bravo, maldoso e fofo pra caralho, o cara que a inspirou, aquele cara não existia. Não antes dela. Não antes de vê-la no bar, parecendo tão radiante e deslumbrante. Não antes de ela ir até mim e mudar toda a porra da minha vida. Ela o trouxe à existência. Seu. Ela construiu esse cara. Ela criou a sua impetuosidade, o seu temperamento, suas necessidades e seus desejos. Ela criou seu desejo. Seus anseios.

Página 479 de 551 Anseios tão profundos e grandes que, quando a vi se afastando na noite passada, percebi uma coisa. Eu percebi que a dor que eu estava sentindo, a dor que não parava de pressionar meu corpo desde aquela noite em LA era desejada. Foi o resultado de meus desejos recém-nascidos. Algo que eu nunca tive antes. Algo que me fez gritar o nome dela, uivar como um animal ferido e desesperado, mas ela não parou. Ela continuou correndo, me enchendo de tanto pânico, tanto terror... E eu sei agora que eu nunca teria sido capaz de ir embora. Eu nunca teria sido capaz de embarcar naquele avião e deixá-la para trás. Porque toda a minha vida eu sempre quis apenas uma coisa - futebol - mas ela me fez querer outra coisa. Durante o tempo em que esteve comigo, ela me ensinou a querer algo além de um troféu, um gol ou um jogo. Ela me ensinou a desejar algo mais do que a perfeição fria e solitária. Algo quente, confortável e encantador. Algo impetuoso, louco e provocador. Sua. Eu anseio por ela. Anseio por suas risadas, sua voz, seus desafios e ousadia. Eu anseio como ela quebra as regras, como ela escala a cerca para vir me ver. Anseio vê-la coberta pela minha jaqueta de couro e sentada na parte de trás da minha Ducati. Eu anseio levá-la para a estrada do amor de que ela falou, mas nunca tive a chance de ir. Eu

Página 480 de 551 anseio ensiná-la todos aqueles movimentos que fiz uma lista: Elastico17, Maradona18, Forward Pull19, V-Pull20. Eu anseio por seus bilhetes. Suas cartas. Todas as coisas que ela inspira em mim. Eu as desejo tanto, tanto que meu coração não para de disparar. Não parou desde aquela noite na neve quando ela me disse que estava vivo, e eu tenho que contar a ela tudo isso. Eu tenho que dizer a ela que eu a quero, eu anseio por ela, mas não sei como mantê-la. Como não estragar tudo porque é a primeira vez que quero alguma coisa. Algo diferente de futebol, e estou em pânico. Estou tremendo de medo. Mas estou disposto a acreditar em mim mesmo. Como ela acredita em mim. Isso é o que ela me disse, certo? Ela me disse que acredita em mim e se ela pode acreditar em mim, então posso aprender a acreditar também. Posso aprender a acreditar que posso ser quem eu quiser.

Elastico: é um drible no futebol, usado para enganar um zagueiro fazendo-o pensar que o atacante, com a posse da bola, vai se mover em uma direção que eles não pretendem. 18 Maradona: é um movimento de ataque usado para escapar de um ataque de um zagueiro. 19 Forward Pull: é onde o jogador faz uma arrancada na jogada. 20 V-Pull: eles são chamados de movimentos de tração em V porque incluem um recuo e um empurrão em uma nova direção, semelhante ao formato da letra “V”. 17

Página 481 de 551 Sempre pensei que se aceitasse minhas falhas e me perdoasse por meus erros, se não me culpasse ou me envergonhasse por estragar tudo, não seria filho de meu pai. Ou se me concentrasse em outra coisa mesmo por um segundo, não seria filho da minha mãe. Eu não seria The Blond Arrow. Mas talvez haja outra maneira. Da maneira dela. Da minha maneira. Uma maneira que posso aceitar todas as minhas partes ser inteiro. Ser dela. Seu Arrow. Então, sim, eu tenho que contar a ela tudo isso. Na verdade, estou indo até ela agora, neste segundo. Eu sei que é segunda-feira e a escola começou, mas foda-se. Eu não vou esperar. Vou tirá-la da aula se for preciso, mas eu vou falar com ela e talvez ela me rejeite. Depois de tudo, eu não a culparia. Mas eu vou aceitar. Vou aceitar como um homem e vou continuar tentando. Vou continuar tentando ser seu Arrow. Mas, quando estou prestes a dar partida na minha moto, meu celular toca no meu bolso. Quase ignoro, mas algo me faz pegá-lo. É a minha mãe.

Página 482 de 551 Realmente não quero falar com ela agora, mas pode ser importante. Pode ser sobre Salem e sua permanência em St. Mary's. Minha mãe está fora da cidade para alguma conferência ou algo assim, mas um dia atrás, liguei para ela e disse que ela precisava tirar Salem daquele inferno e trazê-la de volta para casa. Minha mãe estava relutante - porque cada erro deve ser pago integralmente - mas eu fui inflexível. Ela pode me punir o quanto quiser e pode continuar me punindo pelo resto da minha vida, mas ninguém está tocando em Salem. Ninguém nunca tocará em Salem. Até minha mãe, a mulher que me criou e a mulher a quem devo tudo. Então, já estou esperando desligar, mas assim que atendo, ela diz: — Arrow. Apenas meu nome. E meus dedos agarram o celular apertado. Com força. Acho que ela sabe que tem minha atenção porque ela suspira. — É sobre Salem. Algo me agarra pelo estômago. Algo cruel e implacável. Algo que me faz segurar o celular com ainda mais força. — O que tem ela? – pergunto devagar. — Encontraram cartas. – diz a mãe. — Elas foram endereçadas a você. Eu te escrevo cartas... — Alguém alertou ao vigia que Salem não estava na sua cama. – ela continua. — E o vigia

Página 483 de 551 contou a Samantha Miller. Eles encontraram caixas e mais caixas de cartas no quarto dela e... Tenho caixas de sapatos cheias delas... A coisa no meu estômago se espalha, percorre minhas veias e em cada canto do meu corpo. Isso é quente, selvagem e animalesco e tem garras. Estão cavando dentro de mim, em meus músculos, me fazendo rosnar ao celular: — O que fizeram com ela? — As pessoas disseram que ela surtou quando viu Miller lendo em voz alta e ela investiu contra ela. Os seguranças tiveram que se envolver. Eles tiveram que contê-la; ela desmaiou. Ela está no hospital. Ela está bem, no entanto. Está bem. Acham que ela ficou realmente histérica e é por isso que ela desmaiou. — Qual hospital? — Aquele na cidade. Ouça, Arrow, você sabia sobre as cartas? Ela estava fugindo para ver você? As garras se retorcem em meus órgãos e eu sufoco. — Sim. Porque eu era um idiota teimoso e tolo que iria deixá-la. — É por causa dela, então? É por isso que você não vai voltar com Sarah? Porque você tem alguma coisa com a irmã dela? Já ouvi esse tom da minha mãe antes. É um tom que traz uma onda de vergonha. Uma onda de insetos rastejantes. Mas os esmago agora. Essa coisa dentro de mim esmaga a vergonha em um milhão de

Página 484 de 551 pedaços e é quando percebo o que é essa coisa selvagem. É meu coração. Ele se transformou em um animal. Ele se transformou em um órgão de fúria. Um órgão de raiva com garras e rugidos e está batendo tão rápido, tão ferozmente que está me fazendo tremer. — Não, mãe. – digo com uma voz que também está tremendo. — Não estou mais com a Sarah porque não deveríamos ter ficado juntos em primeiro lugar. Todo nosso relacionamento foi um erro e a prova disso é o fato de que ela me traiu. E não contei porque estava com vergonha. Porque eu pensei que tinha falhado e não era perfeito. Porque achava que a perfeição era tudo e não queria decepcionar você. Mas estou feliz que aconteceu. Estou feliz que ela me traiu. Estou feliz por não ser perfeito, porque se eu fosse, não a teria notado. Eu não teria notado a garota por quem vou destruir essa Samantha Miller. Esse é o nome dela, não é? Por ela, vou despedaçar aqueles seguranças porque eles ousaram tocá-la. E eu vou aniquilar cada pessoa que estiver no meu caminho. E vou fazer tudo isso porque ela é a garota por quem eu farei qualquer coisa. Ela é a garota por quem eu serei qualquer coisa. Você entendeu? Ela é minha garota e eu estou indo encontrá-la.

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Eu me esqueci de esconder minhas caixas de sapatos. Eu me esqueci de colocá-las em um lugar seguro e agora minhas cartas sumiram. Continuei dizendo a mim mesma que sim. Que eu carregaria todos elas na minha mochila e atravessaria o campus e as esconderia no banheiro do terceiro andar ou as enterraria perto das gardênias ou algo assim. Quer dizer, há muitos lugares onde eu poderia tê-las escondido. Mas não escondi. — Eu esqueci. Ouço minha própria voz áspera e acho que disse isso em voz alta. Mas eu não posso ter certeza, porque as coisas estão um pouco confusas, bem como um pouco barulhentas. Ouço bipes ao meu redor e acho que meus olhos também estão fechados. Quando eu pisco para abri-los, vejo uma sala que nunca tinha visto antes, mas imediatamente sei o que é. Esse fedor de alvejante e o teto branco imaculado só podem pertencer a um lugar. Além disso, a máquina de bip perto da minha cabeça e os pingos do soro que está ligado ao meu braço são uma indicação clara. Eu estou em um hospital.

Página 486 de 551 Porque eles pegaram minhas cartas. Porque eu me esqueci de escondê-las e elas estavam lendo um em voz alta e eu não sabia como fazê-las parar. — Ei, você está acordada. É Callie. Eu viro minha cabeça para olhar para ela. — Ei. Sim. Ela está sentada em uma cadeira ao lado da minha cama e parece abatida. Seus olhos estão inchados e com olheiras. Ela ainda está sorrindo para mim, com os cotovelos na cama. — Como você está se sentindo? Pisco várias vezes, tentando pensar. Até tento mover o meu corpo, mas tudo parece tão pesado e desajeitado. Tão letárgico e confuso. — Tonta. Lenta. Ela ri. — Tudo bem. Acho que você está apenas fraca. O médico disse que seu nível de açúcar estava muito baixo. E você só precisava comer algo. Então lhe deram isso. – ela aponta para o soro que está ligado ao meu braço. — Mas está tudo bem. Você vai ficar bem. — O que aconteceu comigo? Ela suspira. — Você estava gritando e correndo em direção a Miller. Continuamos dizendo para você parar, mas você não quis ouvir, então aquela vadia estúpida chamou os seguranças para você. E você completamente... – Seus dedos imitam uma explosão. — Estourou. E então, desmaiou.

Página 487 de 551 Pisco novamente, várias vezes na verdade, enquanto um caroço se instala na minha garganta. Mas de alguma forma, eu prossigo. — O que você está fazendo aqui? — Eles concordaram em nos deixar vir ver você. Mas não no começo. Mas discutimos um pouco. Além disso, a diretora Carlisle ligou quando descobriu que Miller estava nos segurando em seu escritório. Ela nos manteve lá por horas, nos interrogando. A diretora Carlisle ficou muito brava com isso. Disse que deveríamos ficar com você até ela voltar de Nova York. Poe e Wyn também estão aqui, a propósito. Elas estão no refeitório. Lambo meus lábios secos. — Obrigada por me apoiar. Callie aperta meu braço e percebo que estou com roupas de hospital, um avental amarelo. — Você está bem? Esse nó de emoção fica maior, obstruindo a minha garganta novamente, e tudo que eu posso fazer é sussurrar: — Eu esqueci. De escondê-las. Os olhos de Callie lacrimejam. — Sinto muito. Sinto muito, Salem. Eu sinto que é nossa culpa. Pedimos que você fosse e... De alguma forma, consigo energia suficiente para colocar minha mão sobre a dela. — Não. Não é sua culpa. Não é culpa de ninguém. Eu deveria ter escondido em algum lugar e eu sabia... – eu tento engolir de novo. — Sabia que eu estava correndo o risco de fugir. Especialmente depois do que aconteceu com Elanor naquela noite e... Eu paro porque de repente eu percebo algo. Algo que eu ignorei antes em minha dor. Na noite em que nevou e eu voltei chorando, tropecei na chuteira.

Página 488 de 551 Sei que atribui isso por estar desarrumado, mas eu me lembro de especificamente tê-las guardado embaixo da cama, então, quando faço minha próxima pergunta, já sei a resposta. — Foi ela? Ela contou a orientadora? Callie acena com a cabeça. — Sim. Assim que você saiu. — Ela sabia sobre as cartas, não é? — Ela contou a orientadora sobre elas e o inferno começou. Miller levou todas as caixas para seu escritório. – Callie aperta o meu braço novamente. — Nós tentamos detê-las, eu juro, Salem. Deus, não posso acreditar que Miller estava sendo tão cruel. Ela é uma vadia. — Ei, está tudo bem. Está tudo bem. Ela sempre me odiou. Eu deveria ter escondido, mas... – eu olho para o teto novamente, com meus olhos ardendo com lágrimas. — Eu simplesmente não conseguia, sabe? Eu não podia me separar delas e isso era estúpido. Mas isso não é nada novo, realmente. Sempre fui estúpida. Estúpida, sem esperança e condenada. Isso é o que eu sou e sempre soube disso. Sempre. Mas eu nunca soube que iria perder minhas cartas por causa disso. Por causa da minha estupidez. Eu pensei que elas sempre estariam comigo. Que eu sempre as teria ao meu lado. Elas são minha história de amor, sabe. Pensei que enquanto eu as tivesse, não estaria sozinha. Que isso não importaria, eu não teria a única coisa que eu quero tanto na minha vida.

Página 489 de 551 Não importaria que eu estivesse condenada. Mas elas se foram agora. Elas se foram e, Deus, nunca me senti tão só. — Você não é estúpida, Salem. – diz Callie, interrompendo meus pensamentos. — Você está apaixonada. Você simplesmente o ama. Eu ri baixinho. — Sim. Eu o amo. E ele se foi também, não foi? Meu Arrow. O garoto para quem escrevi aquelas cartas. Ele também foi embora. Ele provavelmente está em um avião agora, indo para o lugar ao qual pertence. Porque ele iria embora mesmo. Porque tudo o que tínhamos era temporário e isso é o melhor. Isso é o que ele me disse e ele estava certo. Isso é o melhor. Sempre estive sozinha no meu amor. Então, por que algo deveria mudar agora? Por que meu amor, que sempre foi condenado, de repente ganharia uma nova vida? Por que ele deveria me amar quando não pode amar ninguém? Eu não sou tão especial. Então, eu estou feliz que ele se foi. Estou feliz que acabou e eu estou feliz que posso chorar e soluçar e ser totalmente emocional sem ser um incômodo para ele.

Página 490 de 551 Sim, feliz. Feliz é o que eu estou. — O que aconteceu com ele? – Callie pergunta, hesitante. Eu encolho os ombros. — Nada. Ele está indo embora. — Você está falando sério? – Quando aceno, seus olhos brilham de raiva. — Deus, garotos são tão estúpidos, não são? O que está errado com ele? Ele não consegue ver que você o ama? Eu rio novamente. E, novamente, é vazio e dói meu peito, minha garganta e meu coração. Isso dói tudo. — Ele pode. É por isso que ele está indo embora. Ela zomba, recostando-se na cadeira. — Que babaca gigante. Eu odeio garotos, porra. E assim, suas olheiras se tornam proeminentes. Elas nem mesmo são círculos; são buracos e as maçãs do rosto dela estão enterradas e eu percebo que minha amiga também precisa de mim. Reunindo toda a energia que tenho, me arrasto e me sento. — Callie, você pode me dizer o que está acontecendo entre você e ele? – ela enrijece e agarro sua mão. — Sei guardar segredos, ok? Eu sei. Mas, por favor, deixe-me ajudá-la. Por favor, me diga o que está acontecendo com você? Lágrimas brilham em seus olhos enquanto ela sussurra: — Nada. – ela funga. — Tudo. — Fale comigo. Diga-me, por favor. Talvez eu possa ajudar.

Página 491 de 551 — Ninguém pode me ajudar. — Callie, vamos. O que é? Ela abre a boca e expira. Uma lágrima escorre por sua bochecha enquanto ela sussurra: — Eu acho... acho que estou grávida. Meus dedos apertam sua mão. — O que? Abaixando a cabeça, ela balança a cabeça. — Estou grávida. Eu não fiz o teste ma... mas eu sei. — É por isso... É por isso que você está vomitando? Seus ombros caem e quando tremem, eu recebo minha confirmação. Puxa, eu fui uma idiota. Todas nós temos sido. Callie tem vomitado de manhã, mas ela ficava bem o dia todo. Não é esse o sinal mais óbvio? Inclinando-me para frente, eu afasto seu cabelo loiro liso para trás e insisto para ela olhar para mim. — Deus, Callie. Eu sinto muito. Eu estou... – Meus olhos se enchem de lágrimas também. — Por que você não nos contou? Ela levanta os olhos, todo avermelhado e com raiva. — Porque eu sou uma idiota, Salem. Eu sou a maior idiota do mundo. Ele partiu meu coração, ok? Aquele idiota quebrou meu coração e eu prometi a mim mesma que nunca mais me apaixonaria por ele. E ele volta para a cidade e eu faço exatamente o que disse a mim mesma que não faria. E agora estou grávida. Desse... bebê do vilão e...

Página 492 de 551 Eu esfrego suas costas em círculos. — Ei, está tudo bem. Tudo bem. Nós vamos resolver as coisas. Nós vamos... — Não há nada para resolver. Você não vê? Não é como se eu pudesse manter isso em segredo. As pessoas irão saber e irão me expulsar de St. Mary’s e Deus, meu irmão vai ficar tão bravo comigo. – ela cobre o rosto, chorando, e minhas lágrimas começam a cair também. — Ele... Reed sabe? Ela balança a cabeça antes de levantá-la, com os seus olhos lacrimejantes cheios de determinação, com um olhar que diz que ela é uma garota traída no amor. — Não, e também não vou contar a ele. — Mas ele não deveria saber? Quero dizer, ele... ele é o pai. — Foda-se ele, ok? Foda-se ele. Ele mentiu para mim anos atrás. Achei que ele me amava, mas não amava. Eu era a única apaixonada, e aparentemente ainda sou, porque olhe para mim, abrindo minhas pernas para ele como uma vadia estúpida. Mas é isso. Isso é tudo que ele está tirando de mim. Eu não vou dar a ele meu bebê. — Mas Callie, acho que você realmente deveria... Minhas palavras desaparecem quando ouço uma comoção lá fora. Muito parecida com a que ouvi ontem à noite quando entrei no prédio do dormitório e encontrei minha história de amor exposta a todos na escola. Mas esta é muito mais violenta. Esta comoção tem sons estrondosos e passos estrondosos e uma voz rouca. — Onde ela está? Onde diabos ela está? A voz dele.

Página 493 de 551 Ela chega até mim através do corredor e pelas janelas de vidro do meu quarto e se eleva acima do bip, bip, bip das máquinas e das batidas do meu coração. Ela não apenas me alcança, ele se envolve em torno de mim como um par de braços - seus braços musculosos e esguios - me aquecendo, me fazendo perceber que eu estava com frio antes. Mas ele está aqui e todo o frio se foi. Posso até vê-lo pela minha janela. Ele está olhando ao redor, frenético, passando os dedos pelos cabelos com reflexo, a mandíbula com a barba por fazer e despenteado, a corrente em volta do pescoço brilhando como sempre. Um segundo depois, ele me encontra. Seus olhos pousam em mim e todo o seu corpo estremece. É um tremor visível que percorre seus músculos. Isso eu posso sentir em meu próprio estômago. Olhamos um para o outro através do espaço e sinto que ele sabe tudo. Eu sinto que ele sente o que eu estou sentindo. Toda a dor e toda a tristeza de perder aquelas cartas e eu só quero que ele coloque aqueles braços fortes em volta de mim e me abrace. — Aparentemente, ele não foi embora. – murmura Callie ao meu lado e o momento acaba. Tudo volta correndo. Ele estava indo embora, não estava? Sim, ele estava.

Página 494 de 551 Não sei o que ele está fazendo aqui, mas minhas cartas sumiram e estou mais solitária do que nunca. E assim que ele começa a caminhar em minha direção, eu olho para longe. Callie me dá um sorriso trêmulo. — Acho que já vou. Vou descobrir o que Wyn e Poe estão fazendo. Eu agarro seu pulso, de repente sentindo medo. Eu não olhei, mas sei que ele está na porta agora. Ele vai entrar no quarto a qualquer segundo e eu não quero ficar sozinha com ele. Especialmente quando estou me sentindo tão vulnerável. — Eu não... eu... – eu tento dizer a ela, mas não sei o que dizer. — Tudo ficará bem. Não se preocupe. – ela se levanta da cadeira. — Você vai ficar bem? – pergunto. — Sim. – ela sorri, dá risada na verdade. — Acho que para um babaca que não te ama, ele parece um pouco preocupado demais com você. Não tenho tempo para comentar sobre a observação dela porque ele escolhe aquele momento para entrar no quarto. Depois disso, não tenho escolha a não ser ignorar todo o resto e olhar para ele. Para os seus olhos azuis marinhos e seu peito respirando pesadamente, e eu agarro os lençóis da minha cama. Com força. — O que... – eu engulo. — O que você está fazendo aqui? — Você desmaiou. – diz ele, com seus lábios mal se movendo, eles estão franzidos com tanta força.

Página 495 de 551 — Certo. – eu balancei minha cabeça. — Não é nada. Estou bem. Ele contrai a mandíbula antes de dizer em voz áspera: — Disseram que seu nível de açúcar estava baixo. E você estava desidratada. Eu suspiro. — Sim, isso. Está, hum, tudo bem. Eu estou... — Não, não está. – ele se descontrola. Ele fala isso tão alto e tão violentamente que eu pulo. — O que? – pergunto, puxando o lençol e enrolando os dedos dos pés dentro do cobertor. — Não está tudo bem, Salem. – ele diz as palavras e eu acho que elas estão custando muito para ele porque juro que ele está tremendo. — Não está nada bem, porra. Significa que você não estava comendo. Ah, Deus. Ele e sua louca obsessão pelo que como. Não é uma grande surpresa que Arrow coma tudo direitinho e saudável. E quando... bem, quando eu fugia para vê-lo, até alguns dias atrás, ele me fazia comer todas aquelas coisas estranhas e saudáveis também. Ele até me fazia aqueles shakes verdes nojentos. Eu os odiava, mas amava como ele cuidava de mim e me fazia beber cada gota. Mesmo agora, mesmo depois de tudo, meu peito transborda de ternura com a preocupação aguda em seu tom. — Eu estava comendo. Eu estava... — Você não vai voltar para lá.

Página 496 de 551 Pressiono minha coluna nos travesseiros. — O que? — Você não vai voltar para St. Mary's depois disso. – declara ele. — O quê? — Eu vou te levar para casa assim que eles derem alta. Eu... Levanto minha mão. — Espere um segundo. O que... Do que você está falando? Ele flexiona os punhos, os fecha e os abre, ao lado do corpo por um segundo antes de resmungar: — Não vou deixar você naquele maldito lugar. Aquele lugar com todas aquelas regras e bullying. Você não pertence aquele lugar. Você... – ele enfia os dedos no cabelo e quase arranca uma mecha de seus fios castigados pelo sol. — Você está lá por minha causa. Você foi enviada para lá por minha causa. E tudo isso, você não comer, você fugir, aconteceu por minha causa também. Porque eu estava sendo um idiota teimoso. Mas não serei mais. Não... — Pare. Desta vez, é ele quem recua porque eu falo tão alto. Tão abrupto. Mas eu tive que fazer isso. Eu tive que impedi-lo. Porque olhe para ele. Ele está... encharcado de arrependimento. Suas feições estão pulsando com isso. Pinga de seu corpo, de seus olhos vidrados e de seus movimentos agitados. Meus dedos soltam os lençóis. Meus dedos dos pés se desenrolam. Paro de pressionar a minha coluna contra os travesseiros enquanto o observo. Enquanto o vejo fazer exatamente o que eu nunca quis que ele fizesse.

Página 497 de 551 Culpar a si mesmo. Ele está se culpando, não está? É por isso que ele está aqui. Porque acha que é culpa dele. Porque ele acha que é uma obrigação estar aqui. Não porque ele queira estar. E eu consegui. Eu estou farta dele. — Vá embora. Ele fica rígido com minhas palavras. — Vá embora. – digo novamente. — Eu estou... — Não, você não pode falar. Você não pode dizer nada. Apenas vá embora. Eu quero que você vá. Ele contrai a mandíbula antes de balançar a cabeça uma vez. — Salem. E Deus. Deus. Estou com tanta raiva dele por dizer o meu nome assim, por transformá-lo em um apelo áspero e coberto de areia. Como se eu o estivesse fazendo passar por uma provação ao mandálo embora. — Vá embora. – grito e antes que eu possa pensar sobre isso, jogo um travesseiro nele. Forte. No entanto, nada acontece.

Página 498 de 551 Ele simplesmente atinge seu peito forte e maciço e bagunça seu cabelo um pouco antes de deslizar para o chão como um perdedor. Nem mesmo o faz piscar. — Eu não quero você aqui, entendeu? Eu não quero sua pena e sua porra de “ah meu Deus, é minha culpa” de sempre. Não quero isso de você. Eu não quero que você fique aí como se o seu mundo tivesse acabado porque você acha que cometeu um erro. Você não cometeu. Ok, Arrow? Você não cometeu um erro. Foi minha culpa. Eu fugi. Eu não estava comendo. Não tem nada a ver com você. Então vá embora. Você está livre. Você não precisa parecer tão perdido e torturado. Você pode ser o astro do futebol como sempre quis. Estou respirando com dificuldade e tremendo agora. E ele não está respirando de jeito nenhum. Na verdade, não há um único movimento em seu corpo. É como se eu tivesse absorvido todo o seu calor e todo o seu ar, e agora ele ficou sem nada. Agora está devastado e tem olheiras sob os olhos, olheiras escuras, e seus lábios estão contraídos e sua pele está toda pálida e sem cor. É como se eu tivesse drenado meu sol. É evidente em sua voz superficial. — Salem, não é... o que você pensa. Eu tenho muito a dizer e... — Eu não quero ouvir. – eu grito. Porque não tenho outra opção a não ser gritar com ele e chutá-lo para fora do quarto. Porque a alternativa é correr para ele.

Página 499 de 551 Sair desta cama e correr para ele e me agarrar em seus ombros porque ele parece tão abatido pelo sofrimento. Ele parece estar de luto pela perda de minhas cartas tanto quanto eu, e isso não pode ser verdade. Isso não pode ser verdade. — Salem... — Deus, pare de dizer meu nome. Pare de dizer a porra do meu nome, ok? Eu jogo outro travesseiro nele, o meu segundo e outro. Mas, aparentemente, eles têm apenas três travesseiros e eu estou sem eles e ele ainda está aqui, então eu grito de novo. Grito mais alto enquanto as lágrimas enchem os meus olhos e eles ficam embaçados e tudo o que aconteceu desde que ele voltou de LA me arrasa, me sufoca e quase me mata. — Saia do meu quarto. Apenas me deixe em paz. Eu não quero você aqui. Vá embora, por favor. OK? Apenas vá. Eu não aguento. Eu não posso. Eles pegaram minhas cartas. Você entende isso? Eram minhas cartas, minha história de amor e eles as levaram e parece que você se importa. Parece que você até sabe o que isso significa. Você não sabe. Você não se importa. Você não tem ideia do que significa se preocupar com outra coisa que não seja futebol, não foi isso que você me disse? Você me disse que não precisa de amor ou de emoções. Você me disse que não quer ter nada a ver com isso. Então, por favor, apenas saia. Você estava indo embora de qualquer maneira, certo? Então, pelo amor de Deus, vá embora agora. Eu não posso lidar com isso. Eu não posso lidar com você. Apenas saia da minha frente.

Página 500 de 551 Aparentemente, eu também estou sem palavras e não posso mais falar. Eu não posso. Estou chorando e soluçando em minhas mãos e nem sei quando as coloquei no rosto. Mas elas estão lá agora, minhas mãos, e eu levanto meus joelhos também, então eu lamento a morte do meu amor. Então eu posso lamentar... — Você está errada. Eu levanto meu rosto com suas palavras calmas. Calmas, mas determinadas, e uma repetição do que eu disse a ele na noite em que nevou e eu contei a ele meu segredo. Tento enxugar as lágrimas dos olhos para poder vê-lo claramente. Mas eu só consigo olhar para ele por um ou dois segundos e perceber que sua expressão se reduziu como uma navalha afiada e seu corpo está disposto em uma posição de batalha, pés largos, peito largo, antes que minhas lágrimas dominem. E eu ouço sua voz novamente. — Porque eu quero. O que? Eu não sei o que isso significa e eu não posso perguntar a ele porque assim que ele disse essas três palavras, quase as anunciou, ele se virou e foi embora. Depois disso, todas as apostas são encerradas. Eu não consigo parar de chorar ao ouvir suas últimas palavras sem parar.

Página 501 de 551 Porque eu quero…

Horas depois, acordo em uma escuridão parcial. Meus olhos estão ardendo e pesados e desta vez eu sei por quê. É porque não conseguia parar de chorar depois que ele saiu. Chorei o dia inteiro até que me deram um sedativo leve e me colocaram para dormir. Mas estou acordada agora. Quando meus olhos pousam sobre as fileiras e mais fileiras de caixas de sapatos, eu até me arrasto na cama. Não me sinto tonta ou confusa com meus movimentos repentinos enquanto estendo a mão e pego uma caixa. Abro a tampa e lá estão eles. Meus pequenos envelopes cor de laranja como o sol. Minhas cartas. Elas estão aqui. Estou segurando-as em minhas mãos e não entendo... Então meus olhos pousam em outra coisa. Um envelope solitário, colocado em cima de uma das caixas. É cinza. E tem uma carta dentro. Uma resposta à primeira carta que eu escrevi para ele, há oito anos.

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Querido Arrow, É estranho escrever uma carta para você porque meio que moramos na mesma casa. Mas acho que essa é a opção mais segura. Eu não entendo por que, mas é. De qualquer forma, gostaria de responder sua pergunta desta manhã. Sabe, quando você me perguntou se eu estava com frio? Eu não estava. Quer dizer, estou agora porque sua casa está muito fria, cara. Mas não estava com frio na cozinha. Porque assim que você entrou, você eliminou o frio, o que eu não entendo. Mas tudo bem. Talvez você tenha o sol em seus bolsos. Você tem? Ah e eu não vou contar. Sobre você beber o suco. Eu não sou uma dedo-duro. Seu segredo está seguro comigo. Tudo bem então. Isso é tudo que eu tinha a dizer.

Salem

Página 503 de 551 PS: Ah! Tenho uma pergunta. Onde você conseguiu essa corrente de prata? É tão brilhante e bonita. Eu não gosto de joias. Gosto mais de andar de bicicleta e talvez até um pouco de futebol (por falar nisso, sei que você é um grande jogador de futebol. Tipo, supergrande. Eu absolutamente morreria se você me ensinasse. Talvez um dia você possa? Não sou a melhor jogadora, mas posso aprender!) OK, desculpe. Eu me perdi totalmente. O que eu quis dizer é que absolutamente amo isso! Sua corrente. PPS: Não sei por que comecei com “querido”, mas parecia certo. Parecia que “prezado” é muito comum para você e não acho que você seja comum.

Salem, Lamento ter demorado tanto para responder para você. Oito anos. É muito tempo, não é? Mas enfim, respondendo à sua pergunta: não sei se carrego o sol nos bolsos. Mas se eu carrego, então realmente fico feliz pra caralho. Realmente feliz pra caralho. E acho que nunca te agradeci por guardar meu segredo. Aquele do suco e todos os outros segredos ao longo dos anos.

Página 504 de 551 Então, obrigado. Por ser minha guardiã de segredos. Respondendo a sua outra pergunta: meu pai me deu essa corrente. Mas acho que você já sabe disso. Ele me deu porque eu marquei mais gols em um jogo que, acredite ou não, nem me lembro. Na verdade, estou sentado aqui, tentando pensar sobre isso. Pensar em que jogo foi, mas pela minha vida, não me lembro. Tudo que me lembro é de que estava chovendo naquele dia e tive que ficar acordado até tarde mais uma hora naquela noite porque tínhamos vencido. Achará ela dentro do envelope. Agora é sua.

Seu, Arrow

PS: Encontrei essas caixas no escritório de Miller. Não tenho certeza se você vai gostar do fato de eu ter ajudado na demissão dela. Mas você apenas terá que se conformar com isso. PPS: Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, quero que diga à minha mãe. Falo sério, Salem. Quero que você diga a ela e eu cuidarei disso. PPPS: A esta altura, espero que saiba que você é a melhor jogadora de futebol que já vi.

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Há uma caixa de correio do lado de fora da casa de Leah. É onde ele deixa uma carta para mim. Toda manhã. E ele tem feito isso nas últimas duas semanas, desde que recebi alta do hospital. Todas as manhãs eu acordo e desço correndo as escadas até a porta da frente. Corro pela calçada de pijama para chegar à caixa de correio e abri-la, e todos os dias encontro um envelope cinza com meu nome. Dentro desse envelope cinza, há sempre um papel branco e conciso, dobrado uma vez. Nesse papel, ele me escreve uma resposta. Para uma das cartas que escrevi para ele ao longo dos anos. O que me faz pensar que antes de devolver aquelas caixas de sapatos para mim, ele se deu ao trabalho de ler minhas cartas. Mas, mais do que isso, acho que ele as guardou. Ele guardou algumas das minhas cartas para poder respondê-las uma por uma. Isso é roubo, eu me pergunto? Quero dizer, elas foram escritas para ele. Elas sempre foram escritas para ele. Então eu não sei.

Página 506 de 551 Nem sei qual é o seu plano. Tipo, ele vai continuar escrevendo para mim assim? Enviar uma carta todos os dias? Além disso, por que ele ainda não voltou? Porque ele não voltou. Duas semanas atrás, quando o mandei embora após uma dramática demonstração de raiva, pensei que ele iria. Que ele voltaria para a Califórnia, o lugar ao qual ele pertence. O lugar para o qual ele queria voltar, antes do planejado. Mas então ele trouxe minhas cartas e me deu sua corrente bonita. Eu não queria colocar, você sabe. Eu não queria ter nada a ver com isso; Eu estava tão brava com ele. Por se punir como sempre, por me tratar como um erro, como uma obrigação. Eu estava tão, tão brava. Mas acho que sou fraca. Sou uma idiota quando se trata dele porque eu a coloquei. Eu coloquei. Eu a tenho em volta do meu pescoço agora. Ela fica no meu peito sob todas as minhas camadas de roupa - entre o vale dos meus seios, grudada na minha pele. Cada vez que toco, eu o sinto. Eu também o ouço. Ouço suas últimas palavras antes de ele ir. Você está errada. Porque eu quero… Agora, o que isso significa? O que ele quer?

Página 507 de 551 E então há Leah. Ela interrompeu sua reunião em Nova York quando soube do que aconteceu comigo em St. Mary’s. Eu esperava que ela me desse um sermão, me repreendesse por minha fuga e, é claro, pelas cartas. Talvez até me castigasse, mas ela não disse nada. Na verdade, ela estava... cuidando de mim. Leah e eu, sempre tivemos um relacionamento complicado. Ela sempre foi uma figura materna severa que tentou o seu melhor para me fazer seguir as regras. Embora ela nunca tenha me feito sentir como se eu fosse um fardo para ela, também nunca me fez sentir particularmente querida e confusa. Então, sua mudança repentina foi surpreendente. O que foi ainda mais surpreendente foi o fato de que, depois que recebi alta, ela me deu duas semanas de folga do St. Mary's. Eu teria entendido que ela me deu alguns dias de folga, especialmente porque o médico disse que eu precisava descansar, mas duas semanas era muito. Mesmo que esse período incluísse o feriado de Ação de Graças. Mas isso não é o mais surpreendente. A surpresa mais épica foi quando ela entrou no meu quarto uma noite e me disse que se eu não quisesse voltar para St. Mary's, ela concordaria. Ela até se desculpou por Miller e como era sua culpa ter dado rédea solta a Miller porque ela sempre tinha estado muito ocupada com reuniões e conferências fora da cidade. Ela continuou: — Sempre fui dura com ele, com Arrow. Extremamente dura. Mais dura do que o necessário. Mais dura do que... o que é humano mesmo. Disse a mim mesma que estava tentando moldá-lo em um alguém de quem Atticus se orgulharia. Mas agora acho que talvez estivesse

Página 508 de 551 fazendo isso porque sentia falta do meu marido. Eu sentia tanto a falta dele que queria mantê-lo vivo. Através do meu filho. Antes que eu pudesse tentar responder a isso, responder às suas palavras francas sobre como ela tratou Arrow, ela abaixou a cabeça e pigarreou. — Isso chegou para você. – ela tinha um envelope cinza na mão que, de alguma forma, eu não percebi, e o colocou na minha cômoda. — Estou feliz por ele ter você. Ela saiu então, me deixando atordoada. Essa foi a primeira carta dele, duas semanas atrás. No qual ele me disse que deixaria uma carta igual a que eu estava segurando na caixa de correio todos os dias. É por isso que estou aqui esta noite, na frente da porta de seu hotel. Porque eu quero saber o que tudo isso significa. Eu quero saber por que ele está fazendo essas coisas. Por que ele não está indo embora? Por que Leah pensa que ele me tem quando ele nem mesmo me quer? Se esta é uma tentativa maluca de pagar pelo que ele pensa ser seu erro, quero que ele pare. Eu quero que ele pare de me torturar, me fazendo me apaixonar por ele ainda mais. Antes que eu possa me convencer do contrário, porque caramba, eu estou apavorada e parece exatamente como na noite em que vim para impedi-lo de ir embora, batendo em sua porta.

Página 509 de 551 Duas batidas fortes e altas que fazem meus dedos latejarem. Eu os esfrego para afastar a dor e a porta se abre antes mesmo de eu terminar a tarefa. E ele está lá. Bem na minha frente. Apenas alguns metros de distância. O amor da minha vida. Esta é a primeira vez que o vejo depois daquele dia no hospital, e ele parece... exatamente o mesmo. Parado na soleira, vestindo uma calça jeans desbotada e sua camiseta cinza com decote V, ele parece exausto, meu sol. Ele ainda tem olheiras sob seus olhos azuis brilhantes e suas feições ainda são nítidas e severas. — Salem. – diz ele em uma voz áspera. Com uma voz que parece não usada. Meus lábios se abrem. — Oi. — Que porra você está fazendo aqui? – ele grita, com as suas sobrancelhas franzidas em uma cara fechada. É a mesma pergunta que ele me fez na outra noite também e, como naquela noite, meu nervosismo aumenta, mas tento me acalmar. Tento parecer calma. — Eu vim ver você. – digo. — Como você chegou aqui? – ele pergunta novamente a mesma pergunta da outra noite, o que não está me ajudando a ficar calma, mas novamente, eu tento.

Página 510 de 551 — Peguei um táxi. Algo sobre isso o faz ranger a mandíbula e me olhar severamente. — Que porra você está pensando? Você acabou de sair do hospital. Você deveria estar descansando. Você deveria estar se recuperando. Apesar de todas minhas tentativas de não ser afetada, coloco minhas mãos em punhos ao lado do corpo. — Saí do hospital há duas semanas. Era um pequeno problema de açúcar no sangue. Eu estou melhor. — Se você continuar andando pela cidade assim, não vai estar. Você não deve se estressar. Foi isso que o médico disse, não foi? — Como você sabe o que o médico disse? Você não estava lá. Com isso, uma expressão resignada surge em seu rosto. — Essa não é a questão. — Leah te contou? Ele permanece em silêncio, mas recebo minha resposta e então foda-se a calma. Foda-se ficar calma. — Então você tem falado sobre mim com Leah. Mas você não veio me ver. Porque estou brava com isso. Estou brava, ok? Tipo, ele vai me deixar cartas todos os dias. Ele falará comigo por meio delas, mas não virá me ver. E eu esperei. Todo. Dia.

Página 511 de 551 Todos os dias em que ele me deixou uma carta na caixa de correio, eu realmente esperei que ele batesse na porta. Esperei que ele viesse me ver, falar comigo, me dizer por quê. Muitas vezes eu queria pegá-lo no ato eu mesma. Eu queria armar acampamento na minha janela e interceptá-lo quando ele viesse entregar as cartas. Mas eu me contive. Porque eu já implorei o suficiente e estava dando a ele a chance de confessar. Para me dizer. Agora eu descubro que ele está falando sobre mim com a Leah. Que cruel da parte dele fazer isso. Que cruel da parte dele preferir me deixar louca com todas essas emoções e perguntas do que vir falar comigo ele mesmo. Ele suspira então, passando os dedos pelos cabelos. — Entre. Eu o encarei por alguns segundos e ele me encara com um olhar calmo, mas um tanto triste. Então, eu entro. Porque preciso de respostas. Mas, ao contrário da última vez, quando tive o cuidado de manter distância dele ao entrar, eu o toco. Bem, na verdade, bato em seu peito com o ombro quando passo por ele. Porque estou com raiva e quero que ele sinta isso.

Página 512 de 551 Sua única reação, porém, é uma respiração suave, como se ele estivesse me cheirando ou algo assim. Mas me recuso a pensar nisso. Eu me recuso a pensar sobre ele dando uma cheirada em mim ou como seu corpo estava quente ou quanto tempo se passou desde que eu o toquei. Eu me recuso absolutamente a me perguntar sobre qualquer coisa relacionada a ele. Mas quebro essa promessa um segundo depois, quando dou uma olhada em seu quarto pela primeira vez. Eu paro no meio do caminho e movo meus olhos pelo espaço em que estive tantas vezes. O espaço de que me lembro cada centímetro. Sempre foi tão limpo, organizado e arrumado. Agora, porém, é o oposto disso. Os lençóis estão amarrotados; travesseiros estão espalhados. Seu cobertor cinza está no chão como se ele tivesse brigado com ele e o jogou fora com nojo. Roupas descartadas formam uma pequena colina perto da porta do banheiro. E existem livros. Em todos os lugares. Em cima da cama; no chão. Alguns estão totalmente abertos; alguns estão fechados. Alguns estão empilhados em uma grande pilha na mesa e em sua cadeira. Desde quando ele lê livros? Desde quando ele não limpa o quarto?

Página 513 de 551 — O que aconteceu? – eu respiro, olhando ao redor, com meu coração acelerando. — Eu só... não limpei. Não estava esperando companhia. – diz ele atrás de mim e eu me viro para encará-lo. Ele está perto da porta, parado com os pés afastados e os punhos fechados, me observando. — Desde quando você não o limpa? — Já que minha terapeuta disse que eu posso ter um caso leve de TOC. – ele responde. — Ela quer que eu abrace o caos. — Sua terapeuta? – eu solto o ar, pensando em todas as vezes que ele insinuou que odiava ir para ela. — Aquela... que você não gosta. Seus olhos movem entre os meus. — Acho que fui um pouco precipitado em meu julgamento. — Então você gosta dela agora? — Ainda estou decidindo. Olho ao redor do quarto novamente, me sentindo atordoada. — Ela também te disse para ler livros? Ele estreita os olhos. — Não, ela me disse para ter uma vida. – Eu franzo a testa e ele continua: — Aparentemente, eu não tenho uma. Bem, se você não contar o futebol. E ter uma vida envolve uma coisa chamada hobbies. Ela me disse para escolher um. — Então você escolheu ler? — Parece que sim. Ele passa os dedos pelo cabelo novamente e bagunça, fazendo com que os fios caiam em sua testa, me fazendo fechar os punhos novamente

Página 514 de 551 para que eu não corra acidentalmente até ele e os afaste. — Eu me lembrei. – começa ele com uma expressão ligeiramente perdida no rosto. — Que gostava de ler. Quando eu era criança. O que não é uma surpresa, porque sempre fui um aluno com boas notas. Se pudesse escolher, preferiria assistir às fitas do jogo do que sentar e ler, mas... — Mas? Ele encolhe os ombros, sacudindo os ombros para cima e para baixo com força. — Mas acho que eu estou tentando ver se funciona, ler. Conseguir um hobby. – ele engole com força, até mesmo de forma audível. — Não tenho certeza de como meu pai reagiria a isso. Eu, hum, tento imaginar sua expressão. Você sabe, se ele soubesse que eu estava usando meu tempo lendo, por prazer. Algo diferente de livros didáticos, em vez de trabalhar no meu jogo. Mas eu não posso. Eu não consigo imaginar. Eu sei o que minha mãe diria. Ela me disse que, embora fosse louvável eu estar interessado em livros, ainda estou perdendo meu tempo lendo literatura inglesa. Ela provavelmente os jogaria fora. Meu peito está apertado e solto um suspiro enquanto o observo, observo como ele está, um pouco longe da porta, como seus dedos do pé cravam no tapete, como seus punhos estão cerrados. Como ele parece à deriva e sem perdido. — Você não está. Você não está perdendo seu tempo e não acho que seu pai se importaria. – digo a ele, desejando novamente que eu pudesse tocá-lo. Gostaria de poder ir até ele e perguntar como foi enquanto ele estava crescendo.

Página 515 de 551 Só sei partes depois que vim morar com ele e gostaria de poder conversar com ele sobre tudo isso. — Na verdade, acho que mesmo que ele se importasse, eu não me importaria. Não muito. Não tanto quanto pensei que faria. Eu acho que... – ele faz uma pausa e lambe os lábios, ponderando suas próximas palavras. — Acho que me importaria mais se não conseguisse ler. Se eu não conseguisse descobrir o que mais gosto. O que mais posso fazer. O que mais está escondido dentro de mim além de The Blond Arrow. Meus joelhos tremem. Eles quase se dobram com suas palavras. É realmente um mistério como sou capaz de me levantar. Na verdade, estou mentindo. Eu sei como. É ele. São seus olhos, o poder e a intensidade neles. Ele está me mantendo presa e equilibrada. — É isso que sua terapeuta disse a você? Para descobrir o que está escondido dentro de você? – pergunto com respirações irregulares. Ele balança a cabeça lentamente. — Não. Foi outra pessoa. Eu levo um momento para apenas... respirar. Levo um momento para só ficar de pé e observá-lo. Para absorver o que ele acabou de dizer. Nas últimas duas semanas, tenho enlouquecido. Tenho inventado teorias na minha cabeça. Sobre por que ele está fazendo o que está fazendo. Isso é para se punir e se redimir pelos seus supostos erros quando se trata de mim? Ou há algo mais?

Página 516 de 551 Algo... maravilhoso. Algo que me assusta. Algo que rouba o fôlego e me dá esperança. Isso está me dando esperança agora e estou petrificada. — Já se passaram duas semanas. – sussurro depois de um tempo. — Eu sei. — Por que você não veio me ver? Suas narinas inflam e seu peito move com uma respiração profunda. — Eu estava indo ver você. — Você estava? — Sim. — Quando? — Amanhã. — Estou indo embora de St. Mary's amanhã. Eu estou. É por isso que vim hoje à noite em busca de respostas. É por isso que é tão importante para eu saber. Deus, eu só quero saber. — Eu também sei disso. – diz ele. — Estou levando você. — O que? Ele acena em confirmação. Mas isso não é a única coisa que ele faz. Ele também se move.

Página 517 de 551 Ele dá um passo lento, mas deliberado em minha direção e, estranhamente, eu recuo. — Achei que duas semanas seriam tempo suficiente para você repensar sua decisão de voltar para aquele inferno. – ele me diz enquanto se aproxima. — Mas se você não mudar de ideia, então serei eu quem levarei você. Meus pés tropeçam um pouco, mas eu continuo. Eu continuo me movendo para trás enquanto sussurro: — Foi você. Você teve duas semanas. — Você precisava descansar. Mas mais do que isso, você precisava de um tempo longe daquele lugar. Depois de tudo o que aconteceu. – Um olhar escuro surge através de suas feições impressionantes, um olhar ameaçador. — E pensei que isso lhe daria tempo para tomar a decisão certa. Mas acho que já deveria saber, não é? Ninguém pode controlar você. Ninguém pode prendê-la com regras ou colocá-la em uma caixa ou controlá-la. Você é a Salem. Você provavelmente é o motivo pelo qual dão nomes a furacões e catástrofes naturais em homenagem a garotas como você. Eu engulo com a possessividade em seu tom, na possessividade em seus olhos. Na verdade, é mais do que isso. É mais do que possessividade. Também há alguma ternura. Algum desamparo e tormento. Uma sugestão de diversão. Tudo ao mesmo tempo. E isso faz seus olhos brilharem.

Página 518 de 551 — Eu tenho que voltar. – sussurro, ainda me movendo para trás. — Minhas amigas estão lá. Elas precisam de mim. — Eu sei. É por isso que vou levar você. E eu vou garantir que ninguém, absolutamente ninguém, se atreva a olhar para você de forma errada, muito menos dizer qualquer coisa para você. E se fizerem isso, então vou me dar um grande prazer de cuidar deles. Para cuidar de quem te incomoda. Finalmente, eu paro. Minha bunda bate em alguma coisa. É a extremidade de sua mesa que está cheia com seus livros. Seu novo hobby. Apesar de querer voltar, de ver minhas amigas e principalmente estar ao lado de Callie, estou muito nervosa. Estou nervosa com as fofocas, os olhares que vou receber das garotas e das professoras. Agora todas devem saber que tenho uma queda por ele. Agora devem me odiar ainda mais, se possível. Portanto, sua promessa a mim, dita em um tom tão autoritário e possessivo, torna meu corpo todo preguiçoso e pesado. Confortável. Mas eu não posso ceder a isso. Eu não posso. É perigoso. Ele é perigoso. A esperança é perigosa. Pelo menos para uma garota como eu. Uma garota com um amor tão desesperador. — E depois? – pergunto hesitante.

Página 519 de 551 — O que? — Depois de me deixar em casa e se certificar de que eu estou cuidando de mim, você vai embora, então? É quando ele me alcança, com a minha pergunta. E meu coração pula na minha garganta. Especialmente quando ele abaixa o rosto, inclina o corpo e me prende como sempre faz. — Não. – ele murmura, olhando-me nos olhos, com as mãos em cada lado meu. — Por que não? — Porque tenho outras coisas em mente. — Outras coisas além de... futebol? – pergunto, agarrando a extremidade de sua mesa. — Sim. O futebol pode esperar. — Vo... você está brincando. — Não. – ele balança a cabeça. — Foda-se o futebol. Há outras coisas em que estou pensando. Deus. Deus, estou com tanto medo. — Como o quê? Algo acontece com ele então. Uma tensão se apodera dele e seus braços se flexionam, com seus dedos dobrando as páginas do livro aberto que eles estão pressionando.

Página 520 de 551 — Como uma garota com olhos de bruxa e treze sardas. – ele responde. — O que? — Sim, e como estraguei tudo por causa dela. Tanto que tudo dói. — Tudo dói? – eu sussurro, cravando minhas unhas na madeira e apertando meu abdômen. — Sim. Tudo. — Por quê? — Porque eu fui um idiota que não tinha nada sob controle quando a encontrei e então a fiz chorar. E porque mesmo quando decidi parar de ser um idiota e me recompor, eu a fiz chorar também. – Então: — Eles tiveram que sedar você, não foi? O dia em que apareci. Porque você não parava de chorar. É por isso que fiquei longe. Por duas semanas inteiras. É por isso que não te vi. Eu não merecia ver você porque eles tiveram que injetar uma droga em você para fazer você dormir. Só porque eu estava lá. Só porque fui para te contar. — Arrow... — Queria te contar na noite em que fugiu para me ver também. – ele continua, com as suas palavras ásperas e guturais, interrompendo as minhas e seus dedos abusando das páginas do livro. — Mas você fugiu de mim. Então pensei, vou contar a ela amanhã. Eu irei até ela de manhã e a tirarei da aula. Eu estava até fazendo planos e pensando em situações onde você me recusaria e eu faria você ouvir. Eu imploraria que você escutasse. – ele engole. — Mas então minha mãe me ligou. E não tive a chance. Mas eu ia aproveitar minha chance amanhã. Eu ia te contar. — Me contar o quê?

Página 521 de 551 — Que você é aquela garota para mim. — Que garota? Ele lambe os lábios antes de dizer: — A garota que me assombra. — Eu... eu te assombro? Ele concorda. — Sim. Você é a garota que me mantém acordado à noite. A garota que me faz olhar pela janela e contar as estrelas no céu. Eu não apenas as conto. Procuro por padrões. Procuro formas que combinem com as sardas em seu nariz e sob seus olhos. Você é a garota por quem espero à meia-noite porque ela quer dar uma volta e tem uma queda por velocidade. Mas está sempre atrasada e quando ela aparece, eu reclamo disso porque sou um idiota. Mas a verdade é que você é a garota por quem eu esperaria horas. Você é a garota que eu esperaria e esperaria apenas para ter um vislumbre de você na minha jaqueta de couro. Só para ver a cor de batom que você está usando e só para ouvi-la dizer a porra do nome estranho com sua voz doce. — Você é a garota por cujas cartas eu esperei como um viciado em St. Mary's. E alguns dias você me escreveria duas cartas e eu estaria nas nuvens. Mas eu esconderia. Eu esconderia porque, novamente, sou um idiota. Eu sou um idiota viciado em suas palavras. Por suas cartas. É por isso que as roubei. Roubei as suas cartas apenas para poder lê-las indefinidamente e escrever de volta para você. Só para poder escrever para você todas as noites. — Você é a garota, Salem, que me faz querer. – ele diz, com os tendões do pescoço tensos. — Eu quero. Tantas coisas, entendeu? E não sei o que isso significa. Eu não sei, porra. Eu não entendo e isso me apavora. Isso me abala até a alma, mas ainda quero descobrir. Eu quero saber. Eu quero saber por que dói ver você chorar. Por que dói quando você está sofrendo, quando alguém a perturba. Por que pensar em você

Página 522 de 551 naquele lugar esquecido por Deus com janelas com grades me dá vontade de quebrar alguma coisa. Quebrar o mundo. Por que isso me deixa mal do estômago, sempre que penso em você se afastando de mim como fez naquela noite. Eu quero saber o que tudo isso significa. Porque nunca me senti assim. Eu nunca senti essa... necessidade. Esse desejo. Nunca até você. Nunca até que você se aproximou de mim naquela noite no bar, como uma espécie de visão. Uma visão que me assombra. Isso assombra meu corpo e minha alma. Meu coração. Então, sim, você me assombra, Salem. Seus olhos estão vidrados e brilhantes quando ele termina e eu também estou confusa. Acho que os meus olhos refletem o mesmo brilho. O mesmo esplendor. Acho que o meu coração está batendo tão rápido quanto o dele quando deixo escapar um sussurro baixo: — Sei o que isso significa. Eu sei porquê. Suas narinas inflam, com seus olhos penetrantes. — Por quê? Eu solto a mesa então. Eu solto meus dedos da madeira e levanto as minhas mãos. Eu coloquei as duas em seu peito, plano e dilacerado. E ele estremece. Violentamente. Acho que ele até rasga as páginas que estava atormentando. Ouço o som e ele ecoa no meu estômago.

Página 523 de 551 Em todos os lugares que ficaram vazios em meu corpo desde a noite em que a neve fria e brutal caiu sobre a terra. — O fato de você me escrever cartas todas as noites. O fato de você ter roubado e de se machucar quando eu me machuquei. A razão de eu te assombrar é porque você me assombra também. Você tem me assombrado por oito anos. E isso significa apenas uma coisa. Finalmente, ele também tira as mãos da mesa e as coloca no meu rosto. Ele segura minhas bochechas e inclina meu pescoço para cima. — Diga isso. Eu pisco. Respiro fundo e agarro sua camiseta, antes de responder: — Isso significa que você me ama. Mais uma vez, um arrepio o percorre. Mas este é ainda mais violento. É um terremoto. Todo seu corpo treme. Suas pálpebras tremem. Sua mão flexiona. É como uma explosão dentro de seu corpo. A queda de uma montanha dentro de seu peito. A queda de uma ponte, um edifício dentro de suas entranhas. A queda dele. Mas está tudo bem porque estou aqui para pegá-lo. Estou aqui. — Eu estava errado da primeira vez. – ele sussurra, com seus dedos agarrando meu cabelo. — Eu estava errado. Eu não sabia há oito anos. Não queria estar errado de novo. Eu não queria...

Página 524 de 551 Balanço minha cabeça, com meu coração se contorcendo dentro do meu peito. — Você não estava errado. Você não estava. É isso o que se parece. Seus lábios se abrem e uma respiração escapa dele, soltando seu corpo e soprando em meus lábios, quente e doce. — É isso o que se parece. — Sim. Você me ama. — Eu te amo. – ele sussurra, como se testando as palavras em sua boca. Acho que ele gosta delas, do gosto delas. Porque diz isso de novo e firmemente, com seus dedos possessivos e carentes girando em meu cabelo. — Eu te amo pra caralho, Salem. É quando me ocorre. Isso me atinge bem no centro do meu peito. Ele me ama. Arrow me ama. É por isso que ele está me escrevendo cartas. É por isso que ele não foi embora. É por isso. Porque ele me ama. Porque eu o faço querer. Porque eu quero… Porque eu sou a garota para ele. — Você me ama. – sussurro de novo, com os meus olhos ficando embaçados e um sorriso trêmulo em meus lábios.

Página 525 de 551 Sua mandíbula contrai por um segundo antes de ele sussurrar guturalmente: — Sei que te machuquei, Salem. Eu sei disso. Eu sei que não mereço você. Você estava certa em me mandar embora do hospital. Você estava certa em gritar comigo e me bater e... eu sou rude e rígido. Tenho tantas regras Eu posso ser tão focado e egocêntrico. Tão atrofiado emocionalmente. Eu tenho essa doença, essa necessidade de ser perfeito o tempo todo e isso pode me consumir. Mas farei tudo ao meu alcance, cada maldita coisa ao meu alcance, para te fazer feliz. Você disse isso para mim, lembra? — Sim. Seus olhos fixam nos meus. — Agora, estou dizendo isso a você. Vou fazer tudo o que puder para te fazer feliz. Vou arrancar meu coração e jogá-lo a seus pés se for preciso. Porque é seu. Meu coração que pensei ter matado é seu. Ele bate por você, Salem. Como um maníaco louco que não sabe quando parar. E se você quiser, pode pisar nele, incendiá-lo e esfaqueá-lo com uma faca. Você pode fazer o que quiser, ele ainda estará vivo. Ainda vai bater por você. Só me dá... — Eu não vou. – sussurro e ele paralisa. Mas está tudo bem. Está tudo bem porque estou prestes a contar a ele também. Todas as coisas. Todas as coisas lindas e adoráveis. — Não vou pisar nele. – eu inclino meu corpo contra o dele, dando a ele meu toque suave, e ele se agarra a ele. — Eu não posso. Porque você é aquele cara para mim também. Você sempre foi aquele cara para mim, Arrow.

Página 526 de 551 — Que cara? – ele pergunta e ouço o som encantador de esperança nisso. — Aquele que me aquece. – eu respondo, mal acreditando que vou contar para ele, mal acreditando que ele me ama. — Aquele que me protege e me leva para passear. Que me compra sorvete e reclama dos meus filmes românticos, mas ainda assiste comigo, que faz todas as regras que eu adoro quebrar. Você é o cara que me deu isso. – eu tiro a corrente de debaixo do meu suéter e mostro a ele. — Eu coloquei no dia em que você me deu. Estou usando há duas semanas. Ele lambe os lábios, com seus dedos agarrando meu cabelo e seu corpo empurrando no meu. — Eu não quero que você tire. Nunca. Sinto um aperto no meu estômago no seu tom áspero e de comando. — Eu não vou. Então você vê? Eu sei que você me magoou e me fez chorar. – eu levanto meus braços ao redor de seu pescoço e ele coloca as mãos na minha cintura. — E provavelmente você também vai me fazer chorar no futuro. Mas está tudo bem. Porque você é o cara por quem chorarei. Porque você também é o cara que vai enxugar todas as minhas lágrimas quando eu fizer isso. Então, vamos resolver. Juntos. — Juntos. — Sim. Juntos. Isso é o que eu sempre quis, sabe? Sempre quis ser sua garota e quando vim aqui esta noite, estava com tanto medo. Eu estava com medo de não ser... — Você é. – diz ele ferozmente. — Você é aquela garota. A minha garota. — Sua garota. — Sim. Eu sorrio para ele e uma respiração rápida escapa dele então.

Página 527 de 551 Uma grande rajada de ar. Isso afasta o cabelo na minha testa e o calor explode no meu peito. Calor, combustão e flores. Todo o mundo de emoções brota sob minha pele, mas então algo me ocorre. — Ah meu Deus, espere. Ele fica alerta. — O que? Eu seguro seu cabelo. — Eu vou para St. Mary's amanhã. Arrow lentamente relaxa, com seus dedos voltando a acariciar a pele na minha cintura e seu nariz próximo ao meu. — Eu sei. Estou levando você, lembra? — Mas Arrow. – eu aperto minhas coxas ao redor de seu corpo porque caramba, como ele pode ser tão sem noção? — Eles não vão me deixar ter nenhum privilégio, seu idiota. Depois do que eu fiz, e acho que não posso mais fugir. Ele me dá um sorriso de lado. — Então, eu ligo para você todos os sábados. Vamos conversar por dez minutos. E quando tiver fins de semana de visita, eu serei o primeiro no portão. — Você irá? — Sim, porra. — E quando você voltar? Para LA? Sua mandíbula se fecha, teimosamente. — Eu disse que o futebol pode esperar. — Mas você terá que ir algum dia. Você tem que... — Eu não tenho que fazer nada.

Página 528 de 551 — Mas... — Shh. Eu não me importo com isso agora. – ele sussurra. — Você disse que vamos resolver as coisas, certo? Eu mordo meu lábio. — Sim. — Então é isso que vamos fazer. Vamos resolver tudo. Eu olho em seus olhos azuis. Determinados, ardentes e em chamas. Houve um tempo em que eles me lembravam de verões calmos. Mas agora eles me lembram de uma chama quente. De uma chama selvagem e indomável. Uma chama que eu amo. Uma chama que me fez acreditar em mim mesma e me inspirou a ser mais. Sei que a chama, a chama dele, pode queimar o mundo, se for o caso. Então ele está certo. Vamos resolver, eu e ele. Tudo isso. Todas as coisas que são incertas, mas não importam realmente se queremos ficar juntos. Por enquanto, vou apenas me divertir neste momento. Vou apenas me divertir com o fato de que o meu amor não está condenado. Meu amor está florescendo. Tem uma vida. Ele vai crescer. Ele vai viver. Vai se tornar algo agora. Com ele.

Página 529 de 551 — Você me ama, não é? – eu sussurro, brincando com o cabelo castanho com reflexo na nuca dele. Diz ele com aqueles seus olhos comoventes. — Sim. — E você roubou minhas cartas. — Eu roubei. — Então você é um ladrão. – eu provoco. Lentamente, um sorriso malicioso estica seus lábios. — Parece que sim. — Sim. — Eu não sou apenas um ladrão. Eu aperto minhas coxas em torno de seus quadris. — Não? Ele balança a cabeça lentamente. — Não. Eu também sou um poeta. — O que? Ele se inclina sobre mim, envolve o seu corpo ao meu redor, tornando-se o meu mundo. Movendo os olhos por todo o meu rosto, ele sussurra: — Cachos escuros; Olhos dourados. – ele esfrega nossos narizes. — Treze sardas; Flores entre as coxas. – ele toca seus lábios nos meus. — Doce; Tão doce; Meu coração; Minha querida. Meus lábios se abrem em uma respiração instável. — Você me escreveu um poema. Seus lábios se abrem também para inalar o ar dos meus pulmões. — Bem, você tem uma queda por poesia, afinal. — Você me chamou de sua querida.

Página 530 de 551 Quero dizer, que ele já me chamou de "baby" antes, no calor do momento. Mas nunca disso. Nunca, querida. — Porque você é meu amor, não é? — Eu sou. – eu aceno, sentindo que vou explodir. — E você é meu querido. — Eu sou. Eu pisco, segurando minhas lágrimas. — Eu amo isso. — É? — Eu amo você. Ele me encara por um segundo antes de sussurrar: — Eu também te amo. Eu beijo o meu querido então. E meu querido beija sua querida.

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Dois Anos Depois... O boné de beisebol. Essa é a primeira coisa que vejo quando termino de falar com uma garota e me viro, o boné que ele tem há anos, escondendo seu glorioso cabelo com reflexo. Ele está na barraca de sorvete, fazendo nosso pedido. Com um sorriso feliz no rosto, eu o observo. Observo seus ombros maravilhosamente musculosos envoltos em sua jaqueta de couro vintage. Não a jaqueta original que sempre amei e agora me pertence porque ele me deu em St. Mary's - a que estou usando agora sobre a minha camiseta e calça cargo de costume - mas uma diferente. Essa compramos juntos em LA. Ele também está usando sua típica camiseta cinza com decote V junto com um jeans desbotado. Normalmente, digo a ele para usar outras cores, mas hoje não queria incomodá-lo. Eu queria ser legal. Porque hoje é especial. Claro que não acho que ele se lembra. Se os últimos dois anos me ensinaram alguma coisa, é o fato de que o amor da minha

Página 532 de 551 vida às vezes pode ser esquecido. Ele pode se lembrar de todas as jogadas e estratégias. Ele também pode se lembrar do enredo de um livro, um pequeno trecho de um poema que ele leu; a leitura é seu hobby? Definitivamente. Mas se esquece de datas e marcos importantes. Ele definitivamente tenta, mas é uma batalha perdida. Mas ei, ele me tem, certo? Sempre o lembro. E então, o cobro um pouco. Apenas por diversão. Vou lembrá-lo de hoje também. Mas, primeiro, quero ver quanto tempo leva para ele descobrir que eu quebrei sua regra. Acontece que não demora tanto. Porque uma vez que fez seu pedido, ele se virou para me verificar. Mas quando ele não me encontra no meu lugar original, onde me deixou antes de ir buscar nossos sorvetes, sua mandíbula contrai. Ele olha de um lado para o outro, tenho certeza que seus olhos estão escuros agora, até que pousam em mim. E eu sorrio. Ele franze a testa. Meus lábios se abrem com seu olhar sexy e meus dedos agarram a corrente de prata no meu peito que ele também me deu em St. Mary's. Que ele me disse para nunca tirar e eu não tirei. Nenhuma vez nos últimos dois anos. Seu olhar move para onde estou segurando sua corrente antes de voltar para meu rosto. Só para brincar com ele, eu pisco e faço beicinho.

Página 533 de 551 Seus olhos brilham - perigosamente e sedutoramente - antes de seus lábios se curvarem. Antes de sair para pegar o sorvete que eu disse que queria desesperadamente, ele me disse para ficar parada porque o lugar estava lotado e ele queria poder me ver da barraca. Estamos em um parque de diversões e admito que o lugar está lotado. Mas vamos. Não sou uma flor delicada nem uma criança. Posso ir aonde quiser. É só que meu namorado - namorado; viva! - é meio possessivo e dominador e pensa que é meu dono. O que ele realmente é. Mas tudo bem. Ele gosta de cuidar de mim como se eu fosse seu bem mais precioso - de novo, o que eu sou - e então ele tende a exagerar. Mas como também o possuo, às vezes o coloco em seu lugar. Como agora. Ao quebrar sua regra. Assim que o sorveteiro lhe entrega as casquinhas, Arrow começa a andar de volta. Seus olhos ainda estão brilhando e, nossa, a maneira como ele está andando, quase me cercando, até mim, me faz apertar minhas coxas. Me faz estremecer. Dois anos e eu ainda não estou preparada para lidar com a sua sensualidade.

Página 534 de 551 Não estou à altura e sei que, assim que ele me alcançar, vou me jogar contra ele como uma colegial apaixonada, o que não sou. Não mais. Eu me formei em St. Mary’s há dois verões. Mas não é segredo que posso ser um pouco louca e emotiva. Um pouco imprudente. E no tempo em que estivemos juntos, eu fui. Muito. Talvez porque não tenha sido fácil nos últimos dois anos. Primeiro, foi St. Mary's. Como Arrow prometeu naquela noite - a noite em que ele confessou seus sentimentos e disse que resolveríamos tudo - ele me deixou em St. Mary’s no dia seguinte. Ele não tinha permissão para entrar no prédio do dormitório, o que não gostou nada, então me deu um beijo de despedida na porta na frente de todos e me disse que me ligaria no sábado. Ele fez isso, também. Ele me ligou todos os sábados até eu me formar. Ele também vinha me ver nos fins de semana de visitas e me levava para sair. Novamente, como ele havia prometido. Houve alguns rumores como eu temia e ninguém em St. Mary’s se aproximou de mim afinal - bem, exceto as minhas amigas incríveis com quem ainda mantenho contato - mas nada que eu não pudesse lidar. Enfim, o resto do tempo, até minha formatura, nós mandávamos um e-mail. Escrever cartas tradicionais um para o outro o que também fizemos - era divertido, mas a tecnologia tem as suas vantagens. Especialmente quando está em um relacionamento à distância

Página 535 de 551 com seu namorado, que também é um atleta muito ocupado e brilhante. Arrow passou o Natal na cidade naquele ano, antes de partir para LA. Ainda me lembro de como foi difícil quando ele foi embora. Mesmo que eu não estivesse fugindo para vê-lo como costumava fazer antes de eles encontrarem minhas cartas, o pensamento de que ele estava por perto, naquele quarto cinza de hotel, tinha sido um conforto. Mas então ele foi embora porque precisava. Então, aqueles primeiros meses não foram bonitos. Eu chorei muito durante nossas conversas ao telefone nos sábados e ele tentava me consolar. Escrevia e-mails longos para ele e ele me escrevia ainda mais longos. Às vezes, ele ficava triste em vez de mim, o que basicamente demonstrava ao ser breve e mordaz, sempre culpando o futebol pela nossa distância. Eu fui a única a acalmá-lo e dizer-lhe que essa separação duraria apenas alguns meses. E eu estava certa. Porque depois que me formei, entrei para o programa de verão na categoria juniores do Galaxy na Califórnia. Sinceramente, fiz isso mais para ficar perto dele do que pelo futebol. Mas não importa. Foi um momento feliz porque pude vê-lo e falar com ele sem todas as milhões de regras e restrições absurdas. Bem, no geral foi feliz. Porque foi também nessa altura que dei a notícia à minha irmã. Eu não estava ansiosa por isso, mas tinha que ser feito.

Página 536 de 551 Eu tive que contar a ela. E eu tive que fazer isso pessoalmente. Então, eu pedi a Arrow - e também a Leah - para manter o nosso relacionamento em segredo até que eu pudesse ter a chance de ver Sarah. Arrow não ficou feliz com isso, mas ele fez isso por mim. Ele também queria estar lá quando eu contasse a ela, mas recusei. Eu tinha que fazer isso sozinha e fiz. Nós nos encontramos para um café - ela não concordou em almoçar - e eu disse a ela. E ela me disse que eu era uma vadia. Que quebrei sua confiança e a traí da pior maneira possível. Quer dizer, isso não foi inesperado. Eu sempre soube que ela diria essas coisas. Eu sempre soube que ela nunca me perdoaria por amar Arrow. Mas ainda assim, doeu. Isso me fez chorar por alguns dias quando voltei do nosso pequeno encontro na cafeteria. Agora, minha irmã e eu, não nos falamos. Não conversamos há anos. Ela não retorna a nenhum dos meus telefonemas ou e-mails. Ela até largou o emprego na equipe e se mudou para Nova York algumas semanas depois de eu ter contado a ela a notícia. Por mais que ainda doa, eu entendo. Eu entendo sua raiva. É a mesma raiva que tenho dela, por fazer o que ela fez com Arrow. Por trair o cara que amo. Mas Arrow não entende isso. Ele está bravo. Com a Sarah, eu quero dizer.

Página 537 de 551 Não por causa do que ela fez com ele. Acho que ele esqueceu toda a sua raiva na noite em que percebeu a verdade sobre o relacionamento deles. Acho que ele nem mesmo considera o que teve com Sarah como um relacionamento. Ele está bravo por mim. Ele está bravo porque Sarah nunca me tratou como uma irmã e ele não gosta disso. Eu tento acalmá-lo, no entanto. Tento dizer a ele que está tudo bem. Que eu o tenho e ele é o único de que preciso para ser feliz. Mas ele é inflexível em seu ódio e fúria. Honestamente, eu também entendo. Eu sei como ele se sente. Porque isso é exatamente o que eu sinto por Leah. O que tenho sentido por Leah nos últimos dois anos, desde que descobri toda a verdade sobre o que ela fazia quando Arrow era criança. Depois que Arrow decidiu que ficaria em St. Mary's por um tempo, ele também começou a ver a Dra. Lola Bernstein frequentemente. Ele levou algum tempo para se abrir, mas lentamente, ele contou coisas de sua infância. Ele também me contou coisas. Coisas que eu não tinha ideia. Coisas horríveis. Coisas que me fizeram chorar pelo garotinho que ele era, assustado e tentando ser perfeito para uma mãe que nunca foi feliz com nada.

Página 538 de 551 Coisas que agora chamo de abuso, e com razão. Foi um abuso. O jeito que Leah o fez trabalhar mais do que qualquer outra criança. A maneira como ela sempre esfregava a morte de seu pai como a razão para ele ser o melhor. Sempre soube que ela podia ser muito rígida e exigente. Sempre esperando o melhor do Arrow. Eu também sabia - depois que ele voltou à minha vida - que ele podia ser muito autocrítico e intenso com relação à perfeição. Mas, nossa, é pior do que eu pensava. Muito pior. Só fui morar com eles quando ele tinha quinze anos. Até então, Leah o havia treinado com sucesso para ser um filho perfeito. Então, eu realmente não sabia sobre isso - a profundidade do dano que Leah havia causado - até que ele se abriu para mim no ano passado sobre as coisas que ele passou quando era apenas uma criança. Sua mãe foi cruel com ele. Foi além de cruel. E acho que jamais poderei perdoá-la. Eu posso ser civilizada com ela pelo bem de Arrow, mas a minha lealdade está com o meu sol profundamente danificado e escuro. Então essa é a segunda coisa que tem sido difícil para nós: Leah e como suas ações afetaram Arrow. Mas dissemos que lidaríamos com isso e foi isso que fizemos. E é isso que estamos fazendo.

Página 539 de 551 Volto ao momento em que ele me alcança, alto e bonito, com seus grandes dedos segurando em torno das delicadas casquinhas de sorvete. — Oi, namorado. – digo, antes de pegar uma das casquinhas de sua mão. — Obrigada. Eu lambo o sorvete de chocolate com granulado enquanto o observo através dos meus cílios e ele resmunga: — Você não pode seguir uma regra para salvar sua vida, pode? Eu faço beicinho. — Desculpe. — Você se desculpa? Mordendo meu lábio, eu balanço minha cabeça antes de me inclinar para beijar sua bochecha com os lábios com sorvete. — Não. Eu me movo para me afastar, mas ele agarra a parte de trás do meu pescoço e me mantém presa ao seu corpo rígido enquanto ele murmura: — Talvez eu deva fazer você se desculpar. Eu levanto minhas sobrancelhas. — Talvez você deva. — Houve uma razão pela qual eu disse para você ficar parada. Você poderia estar perdida. — Eu estava perfeitamente segura. Só queria dizer oi para Cleo21. — Quem é Cleo? Ah, sério? Deus, meu namorado. Ele não se lembra de nada, certo? Eu já falei sobre a Cleo mil vezes antes. Já falei sobre o marido dela, Zach, mil vezes antes Cleo: ela se refere a protagonista do livro Bad Boy Blues da Saffron A. Kent. 21

Página 540 de 551 também. Estamos no show dele, pelo amor de Deus. Zachariah Prince, também conhecido como The Dark Prince, é um artista que faz coisas incríveis com sua moto. Ele pula sobre os buracos. Ele dá voltas na parede da morte - como fez no show que acabamos de ver. Ele pula de rampas e faz todo tipo de coisas ousadas e perigosas. Cleo Prince, sua esposa, lida com todas as suas redes sociais e foi aí que nos tornamos amigas. Porque eu não parava de me comportar como uma fã fanática no Instagram do Zach e de alguma forma, ela descobriu que eu sou a namorada de Arrow e ela é uma grande fã do The Blond Arrow, eeee sim. Hoje foi a primeira vez que eu a conheci pessoalmente e a amei totalmente. Estamos planejando sair para jantar juntos, nós quatro. Eu só tenho que convencer Arrow e ela tem que convencer o Zach porque Zach fica com um pouco de ciúme quando Cleo se comporta como uma fã fanática do Arrow. E bem, todos nós sabemos como Arrow fica quando sou fã de outra pessoa que não seja ele. Mas vamos, The Blond Arrow e The Dark Prince juntos? Isso está acontecendo. De qualquer forma, eu me lembro de ter contado a Arrow sobre encontrar Cleo no parque de diversões. Eu suspiro. Eu não deveria achar isso tão encantador, mas acho. Tanto que beijo sua mandíbula novamente.

Página 541 de 551 — Ela é a esposa do cara que viemos ver. – explico melhor quando ele parece não entender. — The Dark Prince. Zach. O cara incrível que faz coisas maravilhosas enquanto pilota uma moto, lembra? Acabamos de vê-lo. Finalmente, o sino toca e um franzido grosso aparece entre as suas sobrancelhas. — Eu não diria maravilhosas. — Está brincando, né? É além de maravilhosas. Muito além. Seu aperto no meu pescoço intensifica e fica mais forte. — Pensei que você fosse minha fã. Um calor surge em meu peito com seu tom possessivo. — Você é ciumento? — Continue assim e você descobrirá. Eu balanço minha cabeça em seu tom irritado. — Você é tão fofo. — Fofo. Eu gostaria que ele estivesse sem boné para que eu pudesse segurar seu cabelo. Seu cabelo maravilhoso, volumoso, com reflexo, e bagunçálo todo. Porque ele parece um pouco tenso, um pouco irritado para uma ocasião tão maravilhosa. — Sim. Você é o único que pode escrever o nome dele no meu peito. Você não sabe disso agora? Seus lindos olhos se movem para o meu peito e minha respiração começa a sair em suspiros suaves. Meus seios sem sutiã formigam e meus mamilos ficam duros e doloridos.

Página 542 de 551 Talvez porque ele escreveu seu nome lá, ontem à noite. Ele também escreveu seu nome no meu abdômen e bem alto nas minhas coxas. Ele gosta de fazer isso. Escrever seu nome em todo o meu corpo. E então, ele gosta de me foder muito, muito forte enquanto olha para mim, para a garota que pertence a ele. Para a garota que tem o nome dele na pele. Porque ele colocou lá. Porque ele quer declarar ao mundo que eu sou dele. Ele me reivindicou. Acho que eu vou mandar tatuar um dia, o nome dele, nas minhas costelas, onde está meu coração. Um rubor surge em suas lindas maçãs do rosto salientes quando ele levanta os olhos. Estou tão ocupada olhando em seu olhar escuro que nem percebo quando ele estende a mão e agarra a corrente que está entre meus seios arfantes. Ele puxa, me puxando para frente e me fazendo arquear as costas. — Sim, não é? — Sim. Seus olhos percorrem meu rosto da maneira habitual. Meu cabelo e meu nariz. Meus lábios. Ele inclina o queixo. — Como se chama este? — Sweet Little Sweetheart22. — Sweet Little Sweetheart. – ele repete murmurando. Sweet Little Sweetheart: no literal é “Doce queridinha”. Como também é o nome da cor do batom, optamos por deixar como no original. 22

Página 543 de 551 — Há uma razão pela qual eu escolhi isso. – eu digo a ele. — Eu sei. — Você sabe? Seu olhar volta a subir e prende todas as minhas respirações e batimentos cardíacos. — Porque já se passaram dois anos desde que chamei você assim e você gosta de comemorar cada pequena coisa como a namorada carente que você é. Eu suspiro, deixando cair o meu sorvete - porque quem diabos se importa com sorvete quando seu namorado acabou de dizer que se lembra - e agarro sua camiseta com as duas mãos. — Você lembra? Já se passaram dois anos desde então. Desde a noite em que fui vê-lo em seu quarto de hotel. Dois anos desde que me tornei sua e ele se tornou meu. Nosso aniversário. Largando sua casquinha também, ele puxa a corrente novamente. — Por que você acha que estamos aqui? — Por... porque eu estava perturbando você para vir ver o show. Eu o tenho perturbado. Assim que soube que Zach faria um show na Califórnia, tão perto de Los Angeles, eu comecei a implorar para que Arrow viéssemos. Não apenas porque sou uma grande fã, mas também porque Zach e Cleo pertencem à minha cidade natal, Princetown, onde morei antes de me mudar para St. Mary's. Arrow nunca mostrou nenhum interesse em vir.

Página 544 de 551 Só que um dia ele me surpreendeu com os ingressos. Mas, honestamente, não acho que ele tenha feito isso para o nosso aniversário. — Achei que as datas eram uma coincidência. Você nunca disse nada. – digo em uma voz ofegante e admirada. — Isso se chama surpresa. Lágrimas ardem em meus olhos. — Você me surpreendeu. Em nosso aniversário. Um sorriso de lado aparece em seus lábios, mesmo quando uma grande emoção toma conta de suas feições. — Bem, não passamos muito tempo juntos nos últimos dois meses. Por causa dos meus treinos e minhas coisas. Isso é verdade. A temporada já começou - eles têm o último jogo do campeonato na próxima semana - então ele tem estado muito ocupado com o treino de futebol. Outra razão pela qual pensei que ele não se lembraria. Além disso, tenho estado ocupada com minhas próprias coisas. Sim, eu tenho coisas agora. Ou seja, faculdade. É um pouco estranho. Nunca pensei que iria para a faculdade. Mas nunca pensei que jogaria em um time de futebol de verdade naquela escola e faço isso também. Depois do programa de verão na categoria juniores, eu decidi ficar na Califórnia com Arrow. Obviamente. Conseguimos um ótimo apartamento e eu trabalhei por um tempo em uma cafeteria próxima enquanto decidia o que fazer da minha

Página 545 de 551 vida. A faculdade não estava no meu radar até que minhas amigas de St. Mary's me disseram para tentar. Arrow também me apoiou e eu pensei, por que não. Minha mãe me deixou com uma poupança para a faculdade e eu tinha o melhor cara do mundo para me dar aulas particulares, se eu precisasse, então comecei a faculdade no início deste ano. É muito trabalho e junto com os treinos de Arrow e a agitada agenda de viagens, às vezes é difícil encontrar tempo livre. Mas eu entendo. Embora às vezes estejamos ocupados, sei que nos amamos. Sei quando deixo bilhetes sensuais para ele por todo o apartamento e ele sempre responde. Sei disso quando ele me escreve um lindo poema e o coloca em meus livros para que eu os encontre mais tarde. Quando fazemos piqueniques improvisados no chão da nossa sala de estar porque não temos tempo para ir a um restaurante ou ao cinema. Quando ele chega em casa exausto, nós simplesmente nos abraçamos no sofá em silêncio antes de adormecer. Eu sei. — Mas está tudo bem. Eu não... — E eu esqueci. – ele me interrompe. — Ano passado. Mas eu não queria esquecer de novo. Eu não... Seguro sua mandíbula. — Ei, está tudo bem. Sei que você está ocupado. Sei que você esquece coisas. Mas não me importo. Eu não me importo, Arrow. Está tudo bem. Você está apenas tentando resolver as coisas. Nós dois estamos.

Página 546 de 551 Ele está. Deus, ele está tentando. Só porque ele aceitou que quer mais da vida não significa que foi uma mudança divertida. Alguns dias são fáceis para ele. Alguns dias, Arrow lembra que não precisa ser perfeito o tempo todo. Ele não precisa provar a si mesmo constantemente. Mas também há dias difíceis. Quando está nervoso, em pé de guerra. Quando sente esse desejo, essa sensação de ansiedade e nervosismo de se matar de trabalhar. Nesses dias, eu o lembro de que ele é meu Arrow agora. O cara por quem estou apaixonada, e ele é perfeito do jeito que é. Eu o lembro de que ele não precisa ser o que disseram que ele deveria ser. Ele deve ser ele mesmo. Dra. Lola Bernstein também ajuda. Ele ainda a vê, mas a maioria das sessões deles são no Skype, já que ela mora no leste e nós estamos aqui na Califórnia. Ele também conversa com a sua mãe, tentando construir um novo relacionamento, se possível. Eles falam muito sobre o pai dele, sobre como ele era antes de morrer. Acho que ele está apenas tentando descobrir seu pai, cujo sonho ele estava perseguindo com tanto foco. Ele está tentando descobrir se seu pai era realmente o homem que sua mãe retratou ou se havia mais nele do que o desejo de jogar pela European League. Entretanto, a European League está em espera para o Arrow.

Página 547 de 551 Ele está apenas se concentrando em seu jogo aqui e tentando pegar leve. — As coisas conosco e comigo, não têm sido fáceis. – diz ele, com os traços de suas feições sérios e firmes. — Nunca pensei que pudesse... viver assim. Que eu poderia ser alguém. Alguém. Eu mesmo. Nunca pensei que pudesse sentir tanto. E nos últimos dois anos, foi isso que fiz. Eu senti. E senti e, Jesus Cristo, é fantástico pra caralho. Meu coração, eu posso ouvir. Posso sentir o sangue correndo quando você me toca. Posso sentir minha respiração parando e aumentando quando olho para você. E quando você sorri... – ele captura meus lábios novamente e um sopro de ar escapa dele. — Meu peito dói. Dói e eu sei que tenho que beijar você ou vou explodir. — É? Ele lambe os lábios e levanta os olhos, abertos e brilhantes. — É, e estou com medo de estragar tudo. Vou foder com tudo e você vai perceber que está melhor e... eu estaria perdido de novo e... Coloquei um dedo em seus lábios. — Você não estará. Você não estará perdido, Arrow. Porque eu não vou a lugar nenhum. Ele engole. — Não? — Não. Sou a garota do Arrow, lembra? A garota que você beijou na frente do mundo inteiro. Ele beijou. No ano passado, no jogo do campeonato. Quando Arrow acertou o gol da vitória, eu fiquei tão feliz que realmente corri para o campo para abraçá-lo. Sempre quis fazer isso, sabe. Sempre quis assistir a todos os seus jogos e torcer por ele nas

Página 548 de 551 arquibancadas e, no ano passado, quando ele voltou, depois de ficar de fora metade da temporada anterior, eu consegui. Apenas a segurança me parou. Mas eu não deveria ter me preocupado, porque através de todo o caos, Arrow de alguma forma percebeu minhas tentativas de chegar até ele e abandonando tudo, ele começou a vir em minha direção. Ele veio até mim ofegante e suado e me libertou dos seguranças, de onde eles tentavam me segurar como um pássaro preso. Então ele me pegou no colo como ele geralmente faz e me beijou pra caralho. Na frente de todo o mundo, a imprensa me deu um novo nome: A garota do Arrow; seus colegas de equipe ainda dão momentos difíceis para ele, mas ele não se importa porque agora são seus amigos. Então, sim, eu sou a garota do Arrow. Os olhos do Arrow brilham novamente, desta vez com um brilho possessivo. — Sim, foi para dizer a eles. — Que eu sou sua? — Porra, sim, você é minha. Esse cara é louco, não é? E eu o amo muito. Muito, muito. — Vê? Você não terá que ficar sem mim. Eu sou sua garota. Agora e sempre. Sua namorada louca e carente e você é meu namorado idiota perfeito. Um leve sorriso surge no canto de sua boca. — O que você é. Carente. E louca e perfeita. Perfeita para mim.

Página 549 de 551 Envolvo meus braços em volta do seu pescoço e estico meu corpo. — Diga. Seu peito se move com uma respiração longa, uma respiração longa e suave, antes que ele agarre meu rosto e diga: — Meu coração. Minha querida.

Durante toda a minha vida, fui ensinado a perseguir a perfeição. Fui ensinado a perseguir a grandeza e rejeitar minhas falhas, minhas emoções. Meu coração. Minha própria alma. Mas estou começando a entender que nossas falhas, a determinação em nossos corações, a estrutura de nossas almas, são exatamente as coisas que nos tornam únicos. Isso nos torna, nós. É por isso que algumas pessoas estudam ciências enquanto outras estudam arte. É por isso que algumas pessoas dançam e outras cantam. Algumas escrevem poesia e outras não entendem o significado delas. É por isso que o mundo é grande, vasto e diferente. Porque todos nós temos algo a oferecer.

Página 550 de 551 Porque somos todos perfeitos à nossa maneira. E eu também sou perfeito. Não no sentido convencional. Mas para ela. Pelo menos, é o que ela me diz. Ela me diz que sou perfeito para ela e, atualmente, esse é o único tipo de perfeição que me interessa. Tornar-se perfeito. Seu Arrow. Para a garota com treze sardas e olhos de bruxa. Para a garota que mudou minha vida e me ensinou coisas sobre mim. Para a garota por quem estou apaixonado. Minha doce Salem.

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Saffron A. Kent - St. Mary’s Rebels 01- My Darling Arrow (rev) R&A

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