02 - Como Estudar a Biblia Sozinho

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Como Estudar a Bíblia Sozinho 2013 Igreja Presbiteriana Metropolitana de Guarulhos Rev. Laércio Rios Guimarães

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A arte e a prática de meditar nas Escrituras desempenham um papel importante no uso devocional da Bíblia. A meditação é apresentada nas Escrituras como um ato de adoração que envolve a comunhão com Deus. (KAISER E SILVA, Introdução à Hermenêutica Bíblica, 2009, p. 162)

O MÉTODO DEVOCIONAL Além da importância do estudo e da interpretação bíblicos, hoje verificaremos o que é e qual a importância do método devocional de estudo da Bíblia, bem como daremos sugestões de como você poderá fazê-lo. Isso é importante cada vez mais, porque as pessoas acreditam que sua meditação espiritual cristã pode ser resumida em uma leitura de um semanário que cita apenas um pequeno versículo. Não se pode perder o hábito edificante de meditar devocionalmente na Escritura.

O QUE É O ESTUDO DEVOCIONAL DA BÍBLIA Este método de estudo bíblico tem suas raízes no forte desejo de se encontrar nos textos das Escrituras aplicações sólidas para a vida diária. Tal estudo não é motivado pela mera curiosidade acadêmica ou histórica, pelo contrário, procura um compromisso de mudanças na vida, nas ações, valores, enfim, uma vida moldada pela própria Escritura. É a busca pela orientação do Espírito Santo perguntando o tempo todo: “e agora, o que eu devo fazer?”. Os termos devoção, ou método devocional estão ligados pelo verbo devotar, que tem como definição o ato de dedicação que envolve o dar-se por completo, tendo o foco da atenção centrado no outro – que o próprio Deus – a fim de que Ele exerça o domínio sobre a vida do leitor que medita. É a leitura para quem quer ter progressos em seu crescimento espiritual e deseja dar frutos. O texto de Josué 1.8 pode ser de grande relevância para entendermos o objetivo da meditação na escritura: 1) Ele deve ser regular (dia e noite) 2) Ele deve ser reflexivo (medita nele) 3) Ele deve ser aplicável à vida (tenha cuidado de fazer tudo quanto nele está escrito) 4) Ele deve ser constante (não cesses) As Escrituras não têm a pretensão de ser um objeto de estudo apenas dos clérigos ou profissionais, pelo contrário elas são dirigidas ao povo, a todos aqueles que a buscam com prazer.

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Sabemos que nem todas as coisas na Bíblia são claras. Contudo, ela é suficientemente clara no que diz respeito aos assuntos da nossa salvação e crescimento em Cristo. Sim, existem aspectos que são difíceis à nossa compreensão, mas que, mesmo assim, devem tentar ser estudados e entendidos – mas, com certeza, tratam-se de uma ínfima minoria. A própria Confissão de Fé de Westminster (símbolo de fé da nossa denominção) quando trata sobre as Escrituras, diz no parágrafo 7: Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em um ou outro passo da Escritura são tão claramente expostas e explicadas, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos meios ordinários, podem alcançar uma suficiente compreensão delas.

Sem sombra de dúvida, grande parte dos problemas do entendimento do texto Sagrado a fim de que seja aplicado devocionalmente à vida particular, está na questão da iluminação do Espírito Santo. Em 1Co 2.14, Paulo trata muito bem deste aspecto, a fim de nos alertar sobre o dever de meditarmos cuidadosamente sobre o que está sendo dito no texto, colocando-nos em uma posição na qual o ministério do Espírito Santo aja de maneira eficaz em nosso coração. O Salmo 77 é um exemplo de meditação que leva o crente à transformação e conhecimento experimental de Deus. Os versículos 1-9 expressam a tristeza e desânimo de alguém que passa por um momento de incertezas em sua vida. Os versículos 10-20 mostram qual foi sua reação e como ele acabou conseguindo a resolução das dificuldades aproximando de Deus e da sua Palavra. A meditação é um exercício da pessoa como um todo. Não é algo semelhante ao que é feito nas religiões orientais – ninguém precisa expirar para esvaziar-se e então chegar a alguma união com a divindade – todo nosso ser é chamado à meditação em quem Deus é, suas promessas, caráter e grandiosos feitos na história a fim de que aprendamos dele (leia os textos de Salmo 19.14; 49.3; Provérbios 15.28; Isaías 33.18).

COMO ESTUDAR A BÍBLIA DEVOCIONALMENTE Antes de qualquer coisa, é importante afirmar que o estudo devocional da Escritura não nos dá a liberdade para interpretá-la ao nosso bel prazer. O texto deve falar aquilo que realmente ele quer dizer, antes que o apliquemos à nossa realidade diária. E, mesmo depois de tomar todas as precauções no estudo, esteja aberto, a quando relê-lo no futuro, à possibilidade de que você possa ter errado em sua interpretação e corrija-a.

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SUGESTÕES PARA ESTUDO DEVOCIONAL Não existe um método pronto para a meditação na Escritura Sagrada. Você pode começar por este que está sendo sugerido em nossa aula. No futuro, você poderá mudá-lo, diminuí-lo, aumentá-lo de acordo com seu tempo e amadurecimento. No entanto, no início, você deverá ter um método específico a fim de segui-lo e conseguir atingir o objetivo de aplicar a Escritura à sua vida. Todavia, é extremamente necessário que você siga as seguintes orientações: 1. Ler Diariamente (Jó 23.12) Assim como precisamos nos alimentar diariamente para sustentar nosso físico, precisamos ainda mais do alimento espiritual regular em nossa vida. Lembre-se que o método sugerido é de apenas 15 minutos. A maioria de nós terá maior vantagem se fizer isso pela manhã. Contudo, não há maiores problemas em fazê-lo em outro horário, desde que você não deixe de realizá-lo. Defina um horário específico e siga-o sistematicamente, mesmo que você tenha que se trancar em algum lugar. 2. Marcar a Duração do Tempo A proposta é a menor possível: apenas 15 minutos. Contudo, se durante o dia você teve alguma dificuldade que o impediu de fazê-lo, faça, mesmo que o tempo seja menor do que este. É difícil, porém, pensar que uma pessoa não possua ao menos 15 minutos por dia para fazer sua devocional (gastamos mais que isso no telefone, em um programa de televisão, dentro do ônibus, etc,). A maioria dos que começam a ler a Bíblia devocionalmente, com o tempo, sem nem perceber, passam a gastar de maneira prazerosa mais do que os 15 minutos recomendados. Enfim, marque o tempo, e tente obedecê-lo dentro das suas limitações diárias. 3. Marcar um Lugar Definido Quando escolhemos um lugar definido para fazermos a leitura, isso ajuda na concentração e persistência. Procure um lugar tranquilo e que não possua nada que possa distraí-lo. 4. Ler Com Material para Anotação Com um lápis ou caneta na mão você poderá tomar nota, a qualquer momento, de algo que foi relevante para você no texto bíblico. Você ficará em oração e pedirá a orientação de Deus a fim de entender o que Ele deseja ensinar para aquele momento específico. Além disso, anotando você terá facilidade em memorizar, ao menos, o local de uma passagem bíblica importante. 5. Ler em Oração Procure, o tempo todo, estar em atitude de oração a fim de que o Espírito Santo guie você ao entendimento e aplicação da Palavra em sua vida. Não force o texto a dizer o que não está dizendo. Procure ler todo o contexto específico (um ou mais capítulos) a fim de que você entenda corretamente o que o texto está ensinando.

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6. Escreva um Diário da Vida Espiritual Forme o hábito de retirar o máximo da leitura devocional que você faz. Não é preciso sequer comprar um caderno novo. Use aquilo que estiver a sua mão: uma agenda do ano, uma agenda de anos anteriores, um caderno que não é mais usado, o verso de uma velha apostila, não importa. Separe uma página ou duas para cada dia, anotando o dia da semana, o mês e o ano no alto da página. Com o tempo você até irá olhar época anteriores nas quais você fez sua meditação e verificará como Deus guiou sua vida no momento e da maneira certa.

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O QUE DEVE CONSTAR NO DIÁRIO ESPIRITUAL? Veremos, a seguir, quais os itens que podem constar em um diário de seu estudo devocional (que pode ser chamado de Diário Espiritual). Lembre-se que esta é uma sugestão. Você pode segui-la ou não, mas este será um bom ponto de partida a fim de que você possa se desenvolver no conhecimento, e mais importante, na prática da Palavra de Deus. Logo em seguida faremos um exercício prático devocional a fim de que você continue-o em casa, todos os dias. 1. A Mensagem de Deus para Hoje Qual a mensagem de Deus para você neste dia? Tudo isso dependerá da passagem estudada e da necessidade daquele momento. 2. Uma Promessa de Deus A Bíblia está cheia de promessas feitas por Deus. Nem sempre as encontraremos em todas as passagens, mas elas são tantas que, frequentemente, poderemos encontrá-las. Se existirem mais do que uma, escolha aquela que você considera mais importante para a ocasião. Veja se a promessa é para você, se é condicional, se é um alerta para os ímpios, etc. 3. Uma Ordem a Ser Obedecida As ordens de Deus são para ser obedecidas e a observância delas prolongarão a nossa vida. 4. Um Princípio Eterno Uma das razões pelas quais a Bíblia é o maior manual sobre o comportamento humano é porque ela contém milhares de ensinos que valem para toda a vida, independentemente das épocas (exemplo: humilhai-vos sobre a poderosa mão de Deus para que em tempo oportuno ele vos exalte, não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos). 5. A Aplicação Depois de tudo isso, escolha um dos itens acima – ou até mais de um – e procure aplicá-lo em sua vida. Suponhamos que o texto que você achou mais relevante ou que está chamando atenção para algo que você precisa mudar, seja sobre submissão aos pais. Anote-o e também registre ações que possam leválo a obedecer de maneira completa o que a Bíblia diz a você.

Que tal fazermos um exercício prático em IJo capítulo primeiro? Tente se prender aos 15 minutos sugeridos.

Como Estudar a Bíblia Sozinho 2013 Igreja Presbiteriana Metropolitana de Guarulhos Rev. Laércio Rios Guimarães DIÁRIO DO CRESCIMENTO ESPIRITUAL (MODELO) DATA:

Mensagem de Deus para Hoje:

Uma promessa divina:

Uma ordem:

Um princípio eterno:

Como posso aplicar isso em minha vida:

TEXTO BIBLICO:

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INTRODUÇÃO À INTERPRETAÇÃO (HERMENÊUTICA) Quando falamos de interpretação de um texto, estamos nos referindo ao uso de ferramentas específicas para se tentar chegar o mais próximo possível do significado dele. Essas ferramentas são fornecidas pela ciência de interpretação chamada Hermenêutica. No caso da interpretação Bíblica, damos um nome mais específico a ela: Hermenêutica Sagrada. A Hermenêutica não é a interpretação em si (a quem damos o nome de exegese), mas dá os meios para que esta ocorra. A título de ilustração, a hermenêutica está para exegese, assim como o serrote e o formão estão para o marceneiro que faz a porta de madeira. Na aula de hoje veremos alguns aspectos introdutórios da interpretação do texto Bíblico 1. Um Breve Tratado sobre as Escrituras

A Bíblia Sagrada não é um único livro (no sentido abrangente do termo, apesar de o ser quando temos a idéia de que Deus é o autor principal). Ela é formada por um agrupamento de vários livros, escritos durante várias épocas, por autores e contextos diferentes. Composta por 66 livros – 39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento – ela é a revelação de Deus para o homem. Quando falamos de revelação, devemos lembrar que Deus teve que se revelar a fim de que o homem pudesse conhecê-lo. Isso se agravou ainda mais depois da queda, que obscurece o entendimento e mantém o homem na incredulidade. Essa revelação feita por Deus se deu de três maneiras A. Pela criação (Salmo 19.1): Deus dá amplas indicações de sua existência e de seu poder através da obra que Ele criou. Infelizmente, o pecado impede que o homem possa reconhecê-lo ali, produzindo pecado e idolatria em seu coração B. Através de Cristo (Hebreus 1.1-3): Jesus é o ápice da revelação de Deus. Nele a glória de Deus estava presente e viva. Quem vê a Ele vê o Pai. Quem quiser conhecer a Deus deve conhecer a Cristo. Todavia, nós não presenciamos seu ministério, morte e ressurreição. Não fomos um dos seus discípulos. Logo, algo mais é necessário para que possamos conhecê-lo e conhecer a Deus, o Pai. C. Através da Bíblia (2Tm 3.16): Na Bíblia temos a mais completa informação de Deus para o homem a respeito de si mesmo e do próprio Deus. Com o seu auxílio e iluminação, Ele promete ajudar-nos a entender sua Palavra. É a ela que temos que recorrer e aprender a fim de entendermos quem Deus é e o que Ele requer de nós.

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O que torna a Bíblia tão especial a ponto de a chamarmos de Palavra de Deus? Sua Estrutura: Apesar de ter sido escrita por vários homens diferentes durante um longo período de tempo, ela revela uma única mente formadora. Toda ela reunida com seus 66 livros revelam um todo harmônico (Ex 3.14; Js 1.1; 1Sm 3.11; 2Sm 23.2; Jr 16.1) que apontam para um único autor. A ordem que temos não obedece a cronologia, mas uma ordem lógica de divisão. Portanto, vejamos como podemos agrupar os livros da Bíblia. 1) O Antigo Testamento a. Pentateuco (ou livros da lei): Também chamados de Torá pelos judeus (torá significa “lei”). Temos neste conjunto os livros de Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Moisés é aceito como o autor de quase todo o Pentateuco (com exceção do trecho que narra sua morte e ocultação do corpo pelo próprio Deus). b. Históricos: Narram a posse da terra prometida até o retorno do cativeiro Babilônico. Compõem este grupo os livros de Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester. c. Poéticos ou de Sabedoria: Contém, em geral, reflexões do autores sobre a vida e orientações a partir de situações pelas quais passaram. Nesse grupo estão os livros de Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares. d. Profetas Maiores: Já para adiantar, estes livros não receberam este nome por ser melhores do que os outros profetas, mas pela quantidade que escreveram. Profetizaram sobre o futuro do povo de Deus e a restauração que Ele concederia depois. Formam este conjunto os livros de Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel e. Profetas Menores: Como já observamos, receberam este nome porque escreveram obras mais curtas. Fazem parte dos profetas menores os livros de Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

2) O Novo Testamento Entre o Antigo e o Novo Testamento transcorreram 400 anos sem que houvesse qualquer profeta e qualquer revelação da parte de Deus (os livros de Macabeus foram escritos neste período, relatam um pouco da história de Israel nesta época, mas não são livros inspirados por Deus). Esta parte da Bíblia pode ser agrupada da seguinte forma: a. Os Evangelhos: São narrativas do ministério de Cristo. Neste grupo é comum chamarmos os três primeiros de sinóticos (que quer dizer semelhantes).

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b. Histórico: O livro de Atos narra a história da Igreja e de seu avanço pelo poder do Espírito Santo c. Epístolas Paulinas: Foram treze as cartas escritas – com absoluta certeza – por Paulo: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filemon. Alguns subdividem este grupo em um segundo chamado de cartas pastorais de Paulo, pois nelas ele dá conceitos ou faz pedido de um pastor aos seus destinatários (são incluídas neste grupo 1 e 2 Timóteo, Tito e Filemon). d. Cartas Gerais: São chamadas assim porque não se sabe ao certo para qual igreja foi remetida e serviram para atender problemas específicos. Aqui temos Hebreus, Tiago 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João, e Judas. e. Profético ou Apocalíptico: Por ter se tornado tão especial e falar sobre eventos do porvir e final dos tempos, o livro de Apocalipse ganhou uma nomenclatura própria e, talvez, seja o livro de mais difícil interpretação da Bíblia.

2. Introdução à Interpretação Bíblica

Iniciaremos a partir deste momento uma breve introdução à interpretação Bíblica. O intuito do leitor é, apesar da distância de tempo, cultura e religiosidade que nos separam dos autores bíblicos, chegar o mais próximo possível do significado do texto. Na verdade, tentaremos, ao ler a Bíblia, ter a resposta à seguinte pergunta: O que significa isto? Ou o que este texto quer dizer? Alguns dos itens que apresentaremos a seguir poderão aparecer novamente, mas de maneira mais profunda. No momento queremos ajudá-lo a ter, já em mãos, recursos básicos para interpretação do texto bíblico: REGRAS GERAIS a. Tente Interpretar Literalmente o Texto Sempre que Possível Uma interpretação literal deve sempre ser precedida de uma leitura figurada ou espiritualizada. Por vezes, o próprio contexto mostrará o significado da figura usada e é a ele que o interprete deve se apegar. Exemplos: Gn 4.1-7; Ne 7.1-4; Is 1.1-20; Dn 2; Ag 1.6; Lc 17.37; 2 Co 2.15; 2 Co 12.7-10; Ef 4.25-31. b. Mantenha-se Dentro do Contexto Todo texto foi escrito em um contexto específico. No caso da Bíblia, podemos nos ater à seguinte regra: o versículo está dentro de um capítulo, este capítulo está rodeado pelos que o sucedem e antecedem,

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este, por sua vez, estão dentro de um mesmo livro e, finalmente, este livro está dentro de toda Bíblia. Se não tivermos isso em mente a interpretação poderá ser errada Exemplos: Is 41.6; Sl 14.1 e 53.1; Mt 18.20; Jo 14.12; At 19.12 c. Fique Atento a Expressões Idiomáticas Toda língua tem expressões idiomáticas. Na língua portuguesa falada no Brasil temos algumas como: cara de pau; santo do pau-oco; ele é um galinha; entre outras. Neste caso, bons comentários podem auxiliar e observar onde elas aparecem. Exemplo: Mateus 24.28. d. Fique Atento ao Uso da Linguagem Figurada É o recurso usado quando o autor quer ensinar algo que seja marcante. Alguns tipos são comuns e usados costumeiramente por nós: Analogia: é a comparação entre dois elementos em que um explica o outro. Exemplo: 1Co 1.18 Hipérbole: é uma comparação exagerada para ensinar um conceito. Exemplo Mt 7.3

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INTRODUÇÃO À INTERPRETAÇÃO (HERMENÊUTICA) – PARTE II I) Considere o Significado das Palavras A Bíblia foi escrita em linguagem humana e deve, portanto, antes de tudo, ser interpretada gramaticalmente. No estudo do texto escolhido o interprete pode iniciar pelo estudo do significado das palavras. Consideremos 3 coisas importantes neste estudo: 1) Significação Isolada das Palavras: Verifique o significado da palavra na época em que o autor escreveu o texto Bíblico. 2) Significação das Palavras no Seu Contexto: Verifique o significado das palavras em seu contexto – são elas utilizadas em seu sentido geral ou particular; no sentido literal ou figurado. Não se pode impor ao estudo da palavra os nossos pensamentos pré-concebidos, mas tentar o máximo possível deixar que o próprio texto fale por si mesmo. (1Co 15.39; Lc 24.39; At 2.26; Ef 2.15; Jo 1.13; Rm 10.18; Rm 7.25; Gl 5.16; Jo 6.53). É igualmente importante verificar o significado que o próprio autor dá em seu próprio livro ou no contexto próximo que estamos lendo (Gn 24.2 – quando se refere ao seu mais antigo servo da casa; II Tm 3.16 quando usa o termo perfeito e perfeitamente habilitado; Hb 5.14 a expressão o alimento sólido é para adultos se explica pela expressão para aqueles que...) 3) Significação Figurada das Palavras: Metáfora: é uma figura de linguagem em que um objeto é assemelhado a outro, afirmando ser o outro, ou falando de si como se fosse outro (Mt 5.13; Sl 18.2; Lc 13.32). É uma figura principalmente quando se refere a Deus onde temos o antropopatismo (atribuir emoções humanas a Deus) e o antropomorfismo (atribuir características humanas a Deus) – para estes dois tipos de metáfora, verificar: Gn 6.6; Dt 13.7; Ef 4.30; Ex 15.16; Sl 34.16; Tg 5.4. Metonímia e Sinédoque – é uma figura em que se substitui a parte pelo todo; o atributo pelo sujeito, símbolo e coisa simbolizada; espécie pelo gênero, ou, em qualquer destas situações o inverso é usado. O fato é que deve haver alguma identificação entre o que é expresso e o que quer se significar (Dn 12.2; Lc 16.29) Símile: é uma comparação feita entre dois elementos a fim de enfatizar o ensino (Sl 2.9; Mt 10.16; Is 1.8) Ironia e Sarcasmo: é uma censura ou ridículo sob a capa de louvor ou elogio (Jó 12.2; IRe 22.15; 1Co 4.6; 1Sm 26.15; IRe 18.27; 1Co 4.8

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Hipérbole: consiste no uso de um exagero retórico ( Gn 22.17; Dt 1.28). 4) Significação das Palavras na Sentença: Verifique a posição das palavras dentro da sintaxe – sujeito, verbo e predicado. Quando há mudança de posição de um desses é porque há um forte desejo de ênfase no texto

II) Considere a Intenção do Autor Os autores bíblicos tinham um propósito definido quando compuseram as diferentes partes dos seus diferentes escritos. Familiarizar-se com o objetivo do autor ajudará sobre o uso de determinadas palavras e expressões (Pv 1.2 e 4; Lc 1.1-4; Jo 20.31; 2Pe 5.12). Nem sempre isso será fácil, pois em alguns livros este propósito nem sempre está claro e o intérprete terá que ler o livro inteiro a fim de tentar descobrir qual o intuito do autor. Primeiramente o intérprete deve tentar saber quem é o autor do livro bíblico. Alguns livros da Bíblia mencionam seu autor, outros não. De qualquer forma, sabendo-se quem ele foi, poderá saber do seu caráter, temperamento, modo de pensar, vocabulário e expressões comuns. Veja, por exemplo, a história de Paulo em Atos 7.58; 8.1-4; 9.1,2,22, 26; 26.9; 13.46-48. Mesmo sabendo quem é o autor, é preciso saber quem é que está falando no texto. Logo, as palavras do autor poderão ser diferentes da palavra da pessoa apresentada pela passagem (Os 9.9,10; Zc 12.8-10; 14.1-3; Ml 3.13-16). É necessário sempre que possível entender quem era o público original a quem o livro foi escrito. Afinal, circunstâncias especiais e necessidades particulares foram levadas em conta. Em Corinto, por exemplo, havia divisões na igreja (1Co 3.20-23). Finalmente, cada autor tem um estilo que lhe é peculiar e isso pode trazer algum significado específico na interpretação do texto. Veja por exemplo a forma introdutória que tanto Moisés quanto Lucas usam respectivamente em Genesis e Atos. Outro bom exemplo nos é dado por Bruggen: Em Gênesis 12 se conta que Abraão foi cumulado de presentes quando Sarai ficou na corte do Faraó. O autor não faz julgamentos explícitos, mas será que essa notícia não funciona como uma forte desaprovação indireta (Abraão permanece quieto e aproveita)? (J. Van Bruggen, Para Ler a Bíblia, p. 103)

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INTRODUÇÃO À INTERPRETAÇÃO (HERMENÊUTICA) – PARTE III III) Considere o Contexto Já falamos sobre a importância do Contexto para a interpretação bíblica. Na aula de hoje vamos nos deter um pouco mais neste tópico a fim de reforçá-lo para você. Os principais recursos históricos para interpretação da Escritura estão contidos nela mesma. Portanto, prefira a Bíblia antes de qualquer outro recurso externo. Afinal, a Escritura Sagrada – como já vimos – possui absoluta unidade em seu pensamento e, desta forma, tanto AT quanto NT formam partes essenciais da revelação especial de Deus. Ambos contêm a mesma doutrina da redenção, pregam o mesmo Cristo e impõem ao homem os mesmos deveres morais e religiosos. Ao mesmo tempo, os dois compõem uma revelação progressiva que nos faz afirmar que o NT está implícito no AT e o AT está explícito no NT. Isso fará com que o estudante crente, antes de qualquer coisa, pergunte: o que diz a Bíblia? Um exemplo sobre isso é o que vemos em 2Cr 30.1 sobre a Páscoa. Onde encontrar algo que fale sobre esta festa? Basta olhar textos como Ex 12.1-21; Lv 23.4-14; Nm 28.16 ss.; Dt 16.1-8. Veja outro exemplo: o caso de Sansão que deveria ser um nazireu (Jz 13.5). O que significava este voto? Números 6 dá a resposta necessária. No NT encontramos a seita dos saduceus. As características deste grupo judaizante podem ser vistas, ainda que em parte, em textos como Mt 22.23; Mc 12.18; Lc 20.27; At 23.8. No NT há freqüente menção sobre os Samaritanos. Trechos do AT como 2Re 17.24-41; Ed 4 e Ne 4 ajudam a esclarecer quem são eles. Busque apoios históricos externamente somente quando o apoio interno não for mais possível, mas, mesmo assim, faça-o com cuidado lembrando que somente a Escritura é infalível e inerrante. Além do aspecto histórico, é importante notar a relação doutrinária e teológica entre AT e NT. Vejamos algumas delas: 1) A doutrina da redenção: Esta foi sempre a mesma tanto no AT quanto no NT. Ritos, cerimônias e sacrifícios eram tipos que apontavam para a redenção exclusiva em Cristo. O sangue derramado nos sacrifícios apontava para o sangue de Cristo, as constantes lavagens indicavam a influência purificadora do Espírito Santo. A própria Canaã terrena apontava para o repouso da Canaã celestial (Lv 20.25,26; 26.41; Sl 26.6; 51.7; Is 1.16) 2) O Povo de Deus: os verdadeiros “israelitas” em ambos os testamentos não são os descendentes naturais de Abraão, mas somente os que partilham da mesma fé que ele possuía(Gn 12.13; IRe 8.41 ss; Rm 4.12; Gl 3.7-8). 3) Lei e Graça: Há um constante vício em querer se apontar para o Velho Testamento como o livro da lei enquanto o Novo Testamento é o livro da graça. Infelizmente, muitos afirmam isso erroneamente, mas cometem, ao mesmo tempo, incoerência quando pretendem destacar algo que não é bíblico, mas humano. Claro que o AT enfatiza a lei, enquanto o NT enfatiza a graça. Todavia, já no AT a lei era obedecida por aquele que a tinha escrita em seu coração, ou seja, por alguém que tinha sido

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transformado interiormente pelo próprio Deus. Já no AT os salvos precisavam de um Mediador e do mesmo Espírito Santo, recebendo por eles a aliança da graça (Sl 6.4; 13.5; 37.31; 40.8 e 11; Is 60.10). 4) Verifique as Passagens Paralelas Verbais: Muitas vezes a mesma palavra, frase, cláusula ou expressão aparece em duas ou mais passagens com uma ligação semelhante, com referência a assuntos que são próximos. É importante que o intérprete comprove esta relação, pois somente a presença de palavras ou expressões semelhantes não indica ligação suficiente entre as passagens. Um exemplo claro deste tipo de paralelismo é o texto de 1Re 19.9,11 que fala de Elias no monte Horebe. Temos aqui o mesmo lugar onde Moisés recebeu a lei da parte de Deus (Ex 33.19 e 22). Assim como Moisés recebeu uma visão dos atributos do Deus vivo que o animaram, Elias precisa de tal ânimo para continuar o seu ministério. 5) Verifique as Passagens Paralelas Tópicas: Há passagens na Escritura que tratam dos mesmos fatos, assuntos, sentimentos ou doutrinas, mesmo que elas não possuam as mesmas palavras, cláusulas ou expressões. É o que acontece com textos dos livros de Samuel, Reis e Crônicas. Outros exemplos são os textos do Salmo 14 e 53; Salmo 18 e 2Sm 22; Salmo 96 e 1Cr 16; Jd e 2Pe 2; Salmo 34 e 1Sm 21; Salmo 57 e 1Sm 24. Ao estudar, por exemplo, os Salmos indicados juntamente com suas passagens paralelas poderão ser encontrados elementos da experiência e da teologia de Davi que se perderiam olhando somente para o Salmo (Veja também Lc 14.26 e Mt 10.37). 6) Verifique as Passagens-Chave: é importante que conheçamos passagens que ensinam conceitoschave na Bíblia. É o caso de textos como Gn 1-2 (criação); Is 40 (o caráter de Deus); Is 53 (a natureza da expiação); 1Co 15 (a ressurreição); 2Co 5.1-10 (a natureza do estado intermediário); Fp 2.1-11 (a natureza da encarnação); Ex 20 (os 10 mandamentos); Mt 5.-12 (bem-aventuranças); Mt 6.9 (Oração do Pai Nosso).Textos como esse podem servir de guia para que o intérprete não abuse da sua interpretação. 7) Tome Cuidado para não criar doutrinas ou interpretações forçadas: Algo muito comum entre nós é querer forçar o texto dizer algo além do que ele realmente diz. Não se pode apelar à consciência dos crentes para que façam ou deixem de fazer além daquilo que o texto bíblico diz. Igualmente, não se pode criar uma doutrina a partir de um único texto, principalmente quando este texto é obscuro comparado com outros textos da Bíblia (1Co 15.29; Rm 6.4)

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INTRODUÇÃO À INTERPRETAÇÃO (HERMENÊUTICA) – PARTE IV IV) Considere o Contexto Literário

Ver o já citado contexto ao qual o intérprete deve se deter: capítulos, livro e toda a Bíblia. V) Interpretação dos Evangelhos 1. Os Evangelhos são Históricos em Seus Relatos Algo importante a se definir na interpretação dos evangelhos é a realidade histórica de seus relatos. Afinal, se os relatos da vida, morte e ressurreição de Jesus não são verdadeiros, o cristão se encontrará perdido quanto à sua fé, que é uma fé histórica. Tudo indica que os escritores dos evangelhos esperavam que suas declarações fossem consideradas históricas (é o caso do já citado evangelho de Lucas e seu outro livro conhecido como os Atos dos Apóstolos). Uma grande dificuldade hoje para que estes livros sejam aceitos em sua historicidade é que eles são diferentes daquilo que é considerado como histórico em nossos dias. Logo, é preciso entender que estes livros têm suas características adicionais. Diferentemente da historiografia moderna que se preocupa com a exatidão cronológica, a seleção equilibrada do material e às citações textuais, os autores bíblicos selecionaram acontecimentos na vida de Jesus de acordo com o seu propósito em escrever a partir da sua visão como pregadores. Nem sempre a ordem sequencial foi obedecida, mas a perspectiva de imprimir sobre os leitores certas verdades específicas. Afinal, a vida e a mensagem de Jesus são tão ricas que precisamos de mais do que uma única perspectiva a ser apresentada. 2. A Interpretação das Parábolas Dentro dos evangelhos o método mais distintivo no ensino de Jesus foi o uso das parábolas. Esta forma de instrução tratava diretamente das realidades diárias. Desta forma o público em geral poderia seguir a história facilmente. Além disso, facilmente se poderia desarmar os oponentes evitando que ficassem ofendidos por causa do verdadeiro teor da mensagem. Não se pode perder de vista a ideia bíblica de que Jesus usou este tipo de linguagem a fim de fazer com que os opositores fossem acusados por não aceitarem seus ensinos de salvação e inauguração do reino (Mc 4.11-12, citando Is 6.9-10). Além disso, cumpria-se a profecia (Mt 13.35 com Sl 78.2).

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INTRODUÇÃO À INTERPRETAÇÃO (HERMENÊUTICA) – PARTE V VI) Interpretação das Narrativas

A narrativa é o gênero mais comum encontrado na Bíblia, chegando a mais de um terço de toda Escritura Sagrada. A narrativa em seu sentido amplo relata acontecimentos específicos no tempo e no espaço com participantes cujas histórias são registradas com um começo, meio e fim. Recursos Literários na Narrativa 1. Considere a Cena da Narrativa É a característica mais importante da narrativa. A ação da história é dividida em uma sequencia de cenas, cada uma apresentando o que aconteceu em um determinado tempo e lugar. O autor usa cenas para concentrar a atenção em um conjunto de ações ou palavras que ele quer que examinemos. Cada cena normalmente é composta por dois personagens. Mesmo que tenha um grupo este funciona como um personagem específico. Frequentemente, Deus é um dos personagens da cena: Deus e Adão em Gn 3; Deus e Caim em Gn 4; Deus e Noé em Gn 6 e Deus e Abraão em Gn 12. O intérprete deve identificar cada uma dessas cenas, da mesma forma como um texto pode ser dividido em parágrafos. Tente encontrar as ações, descrições da cena, palavras procurando identificar a direção que o autor que dar ao texto. 2. Considere o Ponto de Vista As cenas têm um padrão básico, incluindo uma série de relações com um começo, meio e fim. É o que denominamos de trama da narrativa. A trama não pode impedir que vejamos o ponto de vista do autor da narrativa, ou seja, qual a verdade que ele quer transmitir no texto. Veja o exemplo de 1Re 17.1-24. 3. Considere o Diálogo O tema da passagem, no qual o ponto de vista é expresso, é geralmente transportado juntamente com seu movimento pelo diálogo. Observe o lugar em que o diálogo é introduzido (isso poderá revelar o caráter do locutor); e, também, onde o narrador escolheu introduzir o diálogo em vez da narração. Note que o uma narração pode ser feita de maneira direta (com os protagonistas falando entre si) ou indireta (o narrador fala no lugar dos personagens). Normalmente, o narrador prefere esta última forma para iniciar a narração, a fim de acelerar a fluência da narrativa ou evitar excessiva repetição.

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4. Considere o Desenvolvimento do Enredo O enredo é a sistematização dos fatos que constituem a história contada pelo narrador. Estes fatos estão ligados um ao outro por determinadas causas e dentro de um tempo determinado. Uma as maneiras de entender o enredo é através do esquema chamado quinário (5 em latim) que leva a cinco etapas de que se compõem o enredo: A. Situação Inicial B. Nó C. Ação Transformadora D. Desenlace E. Situação Final A narrativa da cura da sogra de Pedro pode ser um bom exemplo para isso (Mt 8.14-15): Situação Inicial – 8.14a Nó (complicação) – 8.14b Ação Transformadora – 8.15a Desenlace (anuncia qual a resolução do problema) – 8.15b Situação Final (expõe o novo estado e ação após o desenlace) – 8.15b 5. Considere os Personagens Os personagens são a face visível do enredo e, no caso da narrativa bíblica, podem fortalecer, contrapor-se ou ser indiferentes quanto ao ensino central que o autor deseja transmitir. Ao ler a narrativa tente localizar o número de personagens; o grau de presença de cada um deles (quem tem um papel principal, um papel secundário e até mesmo são apenas meros figurantes); e os traços que caracterizam estes personagens.

Exercício prático 1)Na interpretação das Parábolas Leia Lc 10.30-37 Responda:

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a) Qual o ensino principal desta parábola? b) Por que Jesus proferiu esta parábola? Você pode encontrar o motivo principal dela ter sido ensinada na época? c) Qual a reprovação para a qual Jesus chama atenção? d) Qual o dever prático para qual somos chamados a partir do ensino desta parábola?

2) Na Interpretação da Narrativa Leia 2Re 5.1-27 Responda: a) Quem são os personagens da narrativa? b) É possível caracterizá-los a partir da narrativa? Se você acha que sim, descreva, a partir desta passagem a característica de cada um deles. c) Você consegue identificar a cena desta narrativa (qual época e em que lugar geográfico)? Se for possível indique-a. d) Use o esquema quinário (situação inicial, problema, ação transformadora, desenlace e situação final a fim de descrever esta história) d) Há algo importante no diálogo entre os personagens? Indique esses pontos. e)Qual o principal ensino que o autor quer transmitir no texto (o ponto de vista do autor)?

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INTRODUÇÃO À INTERPRETAÇÃO (HERMENÊUTICA) – PARTE VI VII) Interpretação das Epístolas

O primeiro passo importante no estudo das epístolas é entender que elas devem ser estudadas integralmente e nunca um trecho de cada vez. Afinal, quando recebemos a carta de alguém conhecido nunca procuramos lê-la aos pedaços. Ninguém que receba uma carta romântica de sua noiva irá ler a primeira parte em um dia, a última do dia seguinte e a terceira parte no último dia. Ler fragmentadamente acabará trazendo confusão. Algo que pareça obscuro em um parágrafo pode ser esclarecido pelo que veio antes ou pelo que virá depois. O contexto é tão importante aqui quanto o é em outros livros da Bíblia. Em segundo lugar o intérprete deve estudar as epístolas historicamente, ou seja, considerando quem escreveu, em que época escreveu, e porque escreveu. Claro que a falta de todas ou parte destas informações não impedirão que o livro seja entendido. Tome o exemplo de Paulo que escrevia suas cartas pensando em um problema específico pelo qual a igreja destinatária estava passando. Este é um erro que cometemos comumente porque, por exemplo, as cartas de Paulo apresentam assuntos perenes. Mas, considere o texto de 1Co 7.1. Olhando superficialmente alguém pode afirmar que a Bíblia diz que o casamento é uma coisa a ser evitada. Todavia, uma afirmação como essa esta em desacordo ao que a Bíblia diz de maneira geral (veja Ef 5.22-33; 1Tm 3.2; 4.3). Ao que parece, entre as muitas questões que dividiam os crentes da igreja de Corinto, estava a que tratava do casamento e do sexo. Alguns cristãos tinham uma visão muito liberal (6.15-16) e, por causa desta opinião um rapaz que se deitava com sua madrasta não era confrontado em seu pecado (5.1-2). Outro grupo, por sua vez, foi a outro extremo. Criam que atém mesmo no casamento o sexo deveria ser alguma coisa a se evitar. Não se casar poderia ser uma opção. E, em apoio à sua posição apelaram à própria situação de Paulo. Ele tinha, portanto, uma grande dificuldade diante de si. Por isso, ainda que não fosse a melhor opção, Paulo preferiu fortalecer este grupo usando o que possivelmente era um lema dos seus integrantes, desenvolvendo em seguida as correções necessárias aos abusos. O estudioso da Escritura encontrará no livro de Atos algumas informações sobre a história dos lugares pelos quais Paulo passou. Quando isto não for possível usará mão de recursos externos e também poderá ver na própria epístola informações que poderão ajudá-lo a entender o contexto histórico. Exercício Prático: Leia Filpenses 4.10-19. Compare com os seguintes textos da epístola – 2.6-11; 1.5; 2.25; 4.6-7; 3.1; 4.4 e também 2Co 8.1-5. Tende entender o motivo pelo qual Paulo ensina este texto para a época e como devemos aplicar para nós hoje. Em terceiro lugar, as epístolas devem ser lidas como documentos literários. Cada carta possui uma estrutura própria que, por normalmente serem longas, ajudarão a compreendê-la melhor. Veja o exemplo da carta de Paulo aos Gálatas:

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Saudação – 1. 1-5 Bênção – 6.18 Introdução – 1.6-10 Conclusão – 6.11-18 Corpo I)1.11-2.21 – Paulo defende sua autoridade II) 3.1-4.31 – Argumentação doutrinária III) 5.1-6.10 – Exortações Práticas Atentar, portanto, para os pontos onde ocorrem mudanças de tópicos nos ajudarão a interpretar melhor o texto. Exercício Prático: Compare a introdução de Paulo em Gálatas 1.6-10 com outras introduções nas cartas aos Romanos 1. 8-10 e 1 Coríntios 1. 4-9. Há algum motivo para estas diferenças existentes entre a primeira e as demais?

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INTRODUÇÃO À INTERPRETAÇÃO (HERMENÊUTICA) – PARTE VII VIII) Interpretação da Poesia A poesia é um gênero tão extenso na Bíblia que, se fosse unido em um único bloco, facilmente excederíamos o Novo Testamento. A poesia mais conhecida na Bíblia pode ser encontrada no livro dos Salmos, depois em Provérbios e outros livros de Sabedoria. Também no Novo Testamento encontramos diversos textos de poesia, como em At 17.28; Fp 2.5-11; Lc 1.46-55; e Ap 5.9-10. É bom citar que, o campo da poesia na Bíblia ainda é carcado de incertezas, o que nos deve levar a uma atitude hipotética na interpretação deste gênero. De qualquer forma, a seguir trataremos de alguns pontos importantes na interpretação dos livros poéticos: Paralelismo É a correspondência de um verso ou linha com outro, no qual há uma proposição emitida e uma segunda associada a ela, extraída a partir dela, equivalente ou contrastante. Paralelismo Sinônimo: a segunda linha, de forma poética, repete com outras palavras o que foi afirmado na primeira linha (Pv 1.20; Lc 1.46b-47a). Paralelismo Antitético: a segunda linha da poesia contrasta ou nega o sentido da primeira linha (Pv 10.1; Pv 27.6) Concisão Enquanto a prosa é organizada em parágrafos, a poesia é dividida em estrofes. Uma das maneiras de se marcar o fim da estrofe é a presença de um refrão (Sl 39; 42, 43; 44; 62; 114 e outros). Recursos Retóricos Não somente a poesia, mas toda a Escritura Sagrada é repleta de imagens e figuras de linguagem (já tratamos deste assunto anteriormente). Todavia, três deles aparecem de maneira especial na poesia: Quiasmo: Um recurso literário que tem este nome a partir da letra (letra grega que se pronuncia “qui”). Tal nomenclatura aponta para o cruzamento ou inversão dos elementos relacionados (Mt 7.6; 13.15)

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Paralelismo Climático: É a repetição de duas ou três palavras em duas ou mais linhas, com a intenção de ênfase (Sl 92.9 e 93.3). Simbolismo Emblemático: Um enunciado se junta a uma figura de linguagem que dá ênfase (Pv 11.22; 25.5). A Natureza dos Salmos 1. Elemento Individual: Os Salmos e a poesia na Bíblia refletem experiências pessoais do autor e, ao mesmo tempo, o caráter de todos os homens (Sl 6, 18) 2. Circunstâncias Históricas: Quando houver uma circunstância histórica ligada ao Salmo, ela deve ser estudada (Sl 3 e Sl 32). 3. O Caráter do Autor: Devido à grande carga emocional que está presente nos Salmos, o intérprete deve estudar o caráter e o momento da composição 4. A Qualificação do Salmo: Existem várias qualificações, entre elas: (1) Messiânicos – que apontavam de uma maneira mais específica para o Messias que viria (2; 22; 45); (2) Imprecatórios - que falam da justiça final de Deus sobre o pecado, o grande inimigo e sobre o ímpio (7 e 35).
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