LITERATURA_ 2a GERAÇÃO DO MODERNISMO POESIA- JORGE DE LIMA E MURILO MENDES

17 Pages • 1,951 Words • PDF • 374.5 KB
Uploaded at 2021-09-24 13:15

This document was submitted by our user and they confirm that they have the consent to share it. Assuming that you are writer or own the copyright of this document, report to us by using this DMCA report button.


INFORMAÇÕES SOBRE A AULA

• DISCIPLINA: LITERATURA • PROF.ª: HILDALENE PINHEIRO • CONTEÚDO: 2ª GERAÇÃO MODERNA: POESIA – JORGE DE LIMA E MURILO MENDES

JORGE DE LIMA Era filho de um comerciante rico e mudou-se para Maceió em 1902, com a mãe e os irmãos. Em 1909 foi morar em Salvador onde iniciou os estudos de medicina. Concluiu o curso no Rio de Janeiro em 1914, mas foi como poeta que projetou seu nome. Neste mesmo ano publicou o primeiro livro, XIV Alexandrinos. Voltou para Maceió em 1915 onde se dedicou à medicina, além da literatura e da política. Quando se mudou de Alagoas para o Rio, em 1930, montou um consultório na Cinelândia, transformado também em ateliê de pintura e ponto de encontro de intelectuais. Reunia-se lá gente como Murilo Mendes, Graciliano Ramos e José Lins do Rego. Nesse período publicou aproximadamente dez livros, sendo cinco de poesia. Também exerceu o cargo de deputado estadual, de 1918 a 1922. Com a Revolução de 1930 foi levado a radicar-se definitivamente no Rio de Janeiro. Em 1939 passou a dedicar-se também às artes plásticas, participando de algumas exposições. Em 1952, publicou seu livro mais importante, o épico Invenção de Orfeu. Em 1953, meses antes de morrer, gravou poemas para o Arquivo da Palavra Falada da Biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos da América.

CARACTERISTICAS DO POETA

Jorge de Lima foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro. Inicialmente autor de belíssimos alexandrinos, posteriormente transformou-se em um modernista. ✓ No início de sua carreira de escritor, demonstrou influência do Parnasianismo e do Simbolismo. ✓ Presença de elementos literários características do regionalismo do Nordeste. ✓ Na poesia, podemos destacar elementos ligados ao cristianismo (imaginário religioso católico), surrealismo, temas sociais, misticismo e imagens ligadas à sonhos (temas oníricos). ✓ Presença e elementos barrocos, principalmente ligados à temas bíblicos (apocalíptica e simbolismos bíblicos). ✓ Abordou também, em suas obras literárias, temas ligados ao negro (principalmente questões sociais). ✓ Há também em sua obra referência à imagens de recordações da infância.

▪ Poemas ▪ XIV Alexandrinos (1914) ▪ O Mundo do Menino Impossível (1925) ▪ Poemas (1927) ▪ Novos Poemas (1929) ▪ O acendedor de lampiões (1932) ▪ Tempo e Eternidade (1935) ▪ A Túnica Inconsútil (1938) ▪ Anunciação e encontro de Mira-Celi (1943) ▪ Poemas Negros (1947) ▪ Livro de Sonetos (1949) ▪ Obra Poética (1950) ▪ Invenção de Orfeu (1952)

Jorge de Lima: Essa Negra Fulô

Essa Negra Fulô que faz parte do livro Poemas Negros lançado em 1947. Disponível em: http://culturafm.cmais.com.br/radiometropolis/lavra/jorge-de-lima-essa-negra-fulo-1

Ora, se deu que chegou (isso já faz muito tempo) no banguê dum meu avô uma negra bonitinha, chamada negra Fulô. Essa negra Fulô! Essa negra Fulô! Ó Fulô! Ó Fulô! (Era a fala da Sinhá) — Vai forrar a minha cama pentear os meus cabelos, vem ajudar a tirar a minha roupa, Fulô! Essa negra Fulô! Essa negra Fulô! Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô! (Era a fala da Sinhá) vem me ajudar, ó Fulô, vem abanar o meu corpo que eu estou suada, Fulô! vem coçar minha coceira, vem me catar cafuné, vem balançar minha rede, vem me contar uma história, que eu estou com sono, Fulô!

Essa negra Fulô! "Era um dia uma princesa que vivia num castelo que possuía um vestido com os peixinhos do mar. Entrou na perna dum pato saiu na perna dum pinto o Rei-Sinhô me mandou que vos contasse mais cinco".

O Sinhô foi ver a negra levar couro do feitor. A negra tirou a roupa, O Sinhô disse: Fulô! (A vista se escureceu que nem a negra Fulô). Essa negra Fulô! Essa negra Fulô! Ó Fulô! Ó Fulô! Cadê meu lenço de rendas, Cadê meu cinto, meu broche, Cadê o meu terço de ouro que teu Sinhô me mandou? Ah! foi você que roubou! Ah! foi você que roubou!

Essa negra Fulô! Essa negra Fulô!

TEXTO 1 “O Sinhô foi açoitar sozinho a negra Fulô. A negra tirou a saia e tirou o cabeção, de dentro dêle pulou nuinha a negra Fulô. Essa negra Fulô! Essa negra Fulô! Ó Fulô! Ó Fulô! Cadê, cadê teu Sinhô que Nosso Senhor me mandou? Ah! Foi você que roubou, foi você, negra Fulô? Essa negra Fulô!” (Jorge de Lima, Poesias Completas, v.1. Rio de Janeiro/Brasília: J.Aguilar e INL, 1974, p. 121.)

TEXTO 2 “A Sinhá mandou arrebentar-lhe os dentes: Fute, Cafute, Pé-de-pato, Não-sei-que-diga, avança na branca e me vinga. Exu escangalha ela, amofina ela, amuxila ela que eu não tenho defesa de homem, sou só uma mulher perdida neste mundão. Neste mundão. Louvado seja Oxalá. Para sempre seja louvado.” (Idem, p.164.) Essas duas cenas de ciúmes concluem dois textos diferentes de Jorge de Lima. A primeira pertence ao conhecido poema modernista “Essa negra Fulô”; a segunda, ao poema “História”, de Poemas Negros (1947).

1. (Unicamp – 2017) Em relação a “Essa negra Fulô”, o poema “História”, especificamente, representa a) a reiteração da denúncia das relações de poder, muito arraigadas no sistema escravocrata, que colocam no mesmo plano violências raciais e sexuais. b) a passagem de uma caracterização da mulher negra como sedutora para uma postura solidária em relação à escrava, que explicita as estratégias compensatórias de que se vale para sobreviver. c) a permanência de uma visão pitoresca sobre a situação da mulher negra nos engenhos de açúcar, que oculta os mecanismos de poder que garantiam sua exploração. d) a superação da visão idílica da vida na senzala, graças a uma postura realista e social, que revela a violência das relações entre senhores e escravos.

(Unicamp-2018) “A raça que te enforca, enforca-se de tédio, negro! E és tu que a alegras ainda com os teus jazzes. Com os teus songs, com os teus lundus!” (…) Não basta iluminares hoje as noites dos brancos com teus jazzes. Olá, Negro! O dia está nascendo! O dia está nascendo ou será a tua gargalhada que vem vindo?” (Jorge de Lima, Poesias completas. v. I, Rio de Janeiro / Brasília: J. Aguilar / INL, 1974, p.180-181.) 02. Considerando o livro Poemas Negros como um todo e a poética de Jorge de Lima, é correto afirmar que o último verso citado a) manifesta o desprezo do negro pela situação decadente da cultura do branco. b) realiza a aproximação entre a alegria do negro e uma ideia de futuro. c) remete à vingança do negro contra a violência a que foi submetido pelo branco. d) funciona como um lamento, já que o nascer do dia não traz justiça social.

Murilo Mendes Nome Completo: Murilo Monteiro Mendes Tipo de Escritor: Poeta Nasceu em:13 de maio de 1091, Juiz Fora, Minas Gerais, Brasil Faleceu em:13 de agosto de 1975, Lisboa, Portugal Profissão: Professor ✓ Murilo Monteiro Mendes nasceu em Juiz Fora, Minas Gerais, em 13 de maio de 1901 e morreu em Lisboa, no dia 13 de agosto de 1975. Jamais escreveu um verso ou poema banal. ✓ Foi barroco e surrealista. Moderno e tradicional; sempre mantendo uma independência e um certo desprezo, pelo enquadramento dos manifestos. ✓ Defensor da liberdade, Mendes se declarou inimigo pessoal de Hilter, como foi e seria sempre de quaisquer tiranos. Talvez, por isso, o governo General Franco o tenha considerado "persona non grata", quando deveria ir à Espanha. Em tudo foi revolucionário.

✓ Até sua conversão para o cristianismo, tão incompreendida, na polaridade angelismo/demonismo, foi ao contrário um ato de resistência, (que estava ao mesmo tempo acontecendo na Europa, principalmente na França) e não se tratava de aceitação e sim, uma nova proposição: a saber, a proposta de um catolicismo mais voltado para os problemas humanos, terrenos. ✓ Surgiu como poeta em 1930 e foi logo saudado por Mário de Andrade. Publicou Poemas, seu primeiro livro, e ligou-se a Manuel Bandeira, Carlos Drummond, Oswald de Andrade, Raul Bopp, Ismael Nery e outros combatentes do Modernismo. Participava, eventualmente, nas revistas do movimento. Aos 24 anos, escreveu na Antropofagia o poema Mapa, onde diz não se enquadrar em nenhuma teoria. ✓ Em 1941, conheceu Maria da Saudade Cortesão, filha do grande historiador português, Jaime Cortesão, exilado no Brasil. Seis anos depois Murilo e Saudade casaram-se. ✓ Em 1956, ele e Saudade mudaram-se para a Itália, onde foi ser professor de Cultura Portuguesa e Literatura Brasileira em Roma, ficou bastante conhecido como poeta, tradutor e crítico de arte. Responsável pela apresentação de várias exposições de pintura, mantinha contato e relações de amizades com Ezra Pound, Albert Camus, Miró, Breton, entre outros. O casal formou um círculo lítero-artístisco-cultural (no mesmo prédio morava Audrey Hepburn, amiga do casal), frequentado por músicos, artistas plásticos, atores, homens de letras e artes; críticos, como o linguista Roman Jakobson, que muito o admirava. ✓ Influenciou e foi reverenciado por alguns dos maiores poetas brasileiros de sua época. Foi um arrebanhador de poetas futuros. Com seus poemas, grafittis e murilogramas, o Poeta era apenas e sempre *o Poeta*. Um Imperador das Palavras, que sofreu, se atormentou sempre, com o descaso e a indiferença com que o Brasil costuma tratar e dedicar a seus filhos grandiosos.

Canção do exílio Minha terra tem macieiras da Califórnia onde cantam gaturamos de Veneza. Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de ametista, os sargentos do exército são monistas, cubistas, os filósofos são polacos vendendo a prestações. A gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos. Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda. Eu morro sufocado em terra estrangeira. Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia. Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade e ouvir um sabiá com certidão de idade!

03. Sobre o poema afirma-se: I – critica os costumes brasileiros e apresenta um eu lírico satisfeito com o exílio. II – apresenta a dura realidade dos pobres que não têm dinheiro para alimentarem-se com dignidade. III – é uma paródia de um famoso poema romântico de Gonçalves Dias. IV – é, de certa forma, autobiográfico, pois Murilo Mendes passou muito tempo de sua vida vivendo fora do Brasil. V – demonstra a fé de Murilo Mendes, católico praticante cujo projeto lírico era “restaurar a poesia em Cristo”. Estão corretas: a) I e III b) II, IV e V c) III e IV d) I, II e V e) todas estão corretas

04. O livro de poemas em que Murilo Mendes se despede do Brasil, sobretudo de Minas Gerais, estado em que nasceu e cuja presença barroca do Aleijadinho influenciou-o profundamente, tem como título: a) Poesia Liberdade b) A poesia em pânico c) As metamorfoses d) Mundo enigma e) Contemplação de Ouro Preto

05. (ENEM-2001) Murilo Mendes, em um de seus poemas, dialoga com a carta de Pero Vaz de Caminha: “A terra é mui graciosa, Tão fértil eu nunca vi. A gente vai passear, No chão espeta um caniço, No dia seguinte nasce Bengala de castão de oiro. Tem goiabas, melancias, Banana que nem chuchu. Quanto aos bichos, tem-nos muito, De plumagens mui vistosas. Tem macaco até demais Diamantes tem à vontade Esmeralda é para os trouxas. Reforçai, Senhor, a arca, Cruzados não faltarão, Vossa perna encanareis, Salvo o devido respeito. Ficarei muito saudoso Se for embora daqui”. MENDES, Murilo. Murilo Mendes - poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

Arcaísmos e termos coloquiais misturam-se nesse poema, criando um efeito de contraste, como ocorre em: a) A terra é mui graciosa / Tem macaco até demais b) Salvo o devido respeito / Reforçai, Senhor, a arca c) A gente vai passear / Ficarei muito saudoso d) De plumagens mui vistosas / Bengala de castão de oiro e) No chão espeta um caniço / Diamantes tem à vontade

GABARITO 1–B 2–B 3–C 4– E 5–A
LITERATURA_ 2a GERAÇÃO DO MODERNISMO POESIA- JORGE DE LIMA E MURILO MENDES

Related documents

14 Pages • 6,486 Words • PDF • 492.7 KB

1 Pages • 433 Words • PDF • 50.1 KB

6 Pages • 2,171 Words • PDF • 510.9 KB

2 Pages • 82 Words • PDF • 4.6 MB

1 Pages • 71 Words • PDF • 568.8 KB

21 Pages • 9,659 Words • PDF • 1.8 MB

96 Pages • 26,283 Words • PDF • 4.9 MB

5 Pages • 809 Words • PDF • 793.5 KB

2 Pages • 608 Words • PDF • 29.7 KB

1 Pages • 89 Words • PDF • 110.3 KB