AULA 9 - RELAÇÕES INTERNAS E EXTERNAS DO TEXTO

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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO - UFRRJ PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO - PROEXT DEPARTAMENTO DE ARTE E CULTURA - DAC PRÉ-ENEM DA UFRRJ

Língua Portuguesa Prof.ª Lorye de Lucas (Campus Seropédica, Nova Iguaçu e Três Rios) Tutor-supervisor: Prof. Luis Fernando de Souza

RELAÇÕES INTERNAS E EXTERNAS AO TEXTO: IMPLÍCITOS E SUBENTENDIDOS

pensa ser melhor não explicitar, ou seja, todos os

Dando sequência aos estudos textuais de

entrelinhas textuais, aquilo que fica subentendido.

nossa língua, neste capítulo você adquirirá o

Essa ponderação, que depende tanto do autor

conhecimento de dois processos imprescindíveis

quanto do público-alvo para o qual se destina o

para o aperfeiçoamento de sua capacidade

texto, é o que de fato mais instiga a capacidade de

interpretativa, os quais estão envolvidos com as

comunicação textual, pois podemos expressar

relações de referenciação que podemos promover,

sentidos que sejam facilmente captados pelo

tanto intra quanto extratextuais, pois sabemos que

interlocutor, como também fazer com que outros

o sentido de um texto não se estabelece apenas

não sejam exatamente interpretados do modo

nos aspectos internos dos discursos nele contidos

como aparentam, isto é, podemos dizer coisas

(organização estrutural, funções da linguagem,

para além do que está escrito ou do que foi

regras do sistema linguístico etc.), mas também

falado. Essa capacidade decorre a partir das

está relacionado aos elementos externos que o

informações

constituem (a situação de produção discursiva, os

“subentendidas” e se devem a dois processos

interlocutores e suas intenções, o grau de

principais: os pressupostos e as inferências.

“implícitos” nas mensagens, que estão nas

que

estão

“implícitas”

ou

formalidade ou informalidade, o espaço e tempo

• PRESSUPOSTOS

determinados, dentre outros). Em uma produção textual, portanto, o autor deve fazer um “balanceamento” das informações

explícitas

que

acredita

Pense no seguinte exemplo. Na sala de aula, depois de saber do resultado de uma avaliação, o

serem

professor diz à turma: “Nossa, Pedro continua

necessárias à plena compreensão das mensagens,

tirando boas notas”. Neste caso, de modo

lembrando que “explícito” é tudo aquilo que estiver evidenciado no texto (podemos ler, pois está escrito, ou então escutar, por ter sido dito com todas as palavras), bem como aquelas que

explícito, o professor comunicou que Pedro tirou uma boa nota. No entanto, de modo implícito, há informações que antecedem o que foi dito, que são: 1) – Pedro é um de seus alunos,

compreendido pelo contexto situacional; 2) –

enuncia - “mas”, “contudo”, “embora”, “apesar

Pedro

de” etc.



tirava

percebido

pelo

boas notas anteriormente, verbo

“continuar”.

Essas

O

recurso

de

pressuposição

é

muito

informações podem parecer óbvias, porém só são

importante para que, em um texto, não seja

evidentes graças ao mecanismo da pressuposição.

necessário comunicar uma informação óbvia, já

Nem sempre os pressupostos serão tão fáceis de

que é anteriormente apreendida como verdadeira

ser

da

pelo interlocutor, sendo desnecessário evidenciar

mensagem ter conhecimento sobre o contexto

na mensagem. Comunicar o óbvio recebe o nome

global da comunicação estabelecida. Ou seja,

de “truísmo”, o que se deve evitar sempre que

sempre quando houver informações em um texto

possível, pois pode soar como desmerecimento da

que não foram explicitadas nas frases, mas que o

capacidade intelectual do interlocutor com o qual

interlocutor pode perceber facilmente a partir de

se processa a comunicação.

reconhecidos,

devendo

o

receptor

palavras ou situações, dizemos que existem

• INFERÊNCIAS

“pressupostos”, os quais são importantes para a efetiva compreensão da mensagem.

A percepção de informações transmitidas por

Os pressupostos precisam ser, para sua completa compreensão, tidos como verdades ou fatos

para

ambos

os

interlocutores

da

comunicação, ou seja, não são passíveis de questionamentos;

em

contrapartida,

informações, quando explícitas, podem

as ser

contestadas. Eles são marcados linguisticamente, havendo

mecanismos

ocorrência,

chamados

que

possibilitam

sua

de

“marcadores

de

pressuposição”. Veja quais são eles:

indicar as circunstâncias por meio das quais pode haver uma pressuposição - “já que”, “desde que”, “visto que” etc.

inferências,

diferentemente

dos

pressupostos, é devidamente de responsabilidade do

receptor

do

texto,

isto

é,

depende

especificamente do interlocutor para serem reconhecidas,

pois,

além

de

não

virem

explicitadas nos enunciados produzidos, precisam ser correlacionadas ao contexto no qual foram utilizadas, sendo insinuações “escondidas” por trás das palavras explícitas, e por isso mesmo é

mente do leitor ou ouvinte. Apesar de serem informações não expressas, são deduzidas pelo interlocutor,

segundo

outras

informações

relacionadas que já foram evidenciadas por ele ao

- Expressões temporais: Evidenciam o momento que demarca a informação pressuposta “depois de”, “antes de” etc. Conjunções

de

um processo mental, “implícito”, que se dá na

- Conectores circunstanciais: Servem para

-

meio

de

longo da comunicação. Pense na situação em que a mãe chega a casa, depois de um dia exaustivo de trabalho, e se

oposição:

Propiciam

pressuposições opositivas, contrastantes ao que se

depara com a bagunça que seu filho fez, e então diz: “Minha nossa, João, eu não acredito! Você é

mesmo um anjinho, hem!”. A partir do contexto de produção dessa mensagem, a mãe realmente está chamando seu filho de “anjinho”, indicando que ele é quieto e fez tudo corretamente? Obviamente não. Ela quis dizer o contrário disso, fazendo uso de uma figura de linguagem chamada ironia. Neste caso, podemos perceber que há informação implícita, isto é, que não foi expressa pelas

palavras

ditas,

mas

sim

que

está

“escondida”, “por trás” delas, ou seja, há algo a mais para ser compreendido, além do que aparentemente foi explicitado em forma de palavras. Sendo assim, por dedução a partir de elementos contextuais, podemos perceber a inferência no que ela disse: de que o garoto é, na verdade, bastante bagunceiro!
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