Thomas E. Sniegoski - The Fallen 2.5 - Reckoning

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The Fallen

A série The Fallen foi lançada em 2003–2004, com 4 volumes. Sendo que em 2010 foram republicadas com apenas 2 volumes. A capa nova do primeiro volume contém os dois primeiros livros – The Fallen (1) e Leviathan (2). E a capa do segundo volume contém o terceiro e último volume – Aerie (3) e Reckoning (4). Após 7 anos da finalização do 4º livro, o autor decide continuar a série com mais dois livros: End of Days (5) e Forsaken(6).

Capas Anteriores:

Sinopse A hora chegou para Aaron Corbet, o filho de um anjo e um mortal de 18 anos, para enfrentar seu pior inimigo. Verchiel, o anjo caído líder dos Poderes, está determinado a derrotar a profecia que prediz a Aaron poderes sobre todos os Anjos. E para fazer isso, ele tem a intenção de matar Aaron, esperando que remover tal "praga" irá restaurar Verchiel perante aos olhos do Criador. Aaron vinha treinando para seu confronto final, trabalhando para entender e controlar a força que reside profundamente dentro dele. Ele sabe que irá ganhar. Depois de tudo, Verchiel tem tirado tudo e

todos

que

alguma

vez

significaram

algo

para

Aaron.

Ele não tem nada a perder... Até Verchiel apresentar a Aaron seu há muito tempo perdido Pai.

Talvez seja a hora de seguir em frente, considerou as Malakim Peliel enquanto ele estava empoleirado no topo do Monte Kilimanjaro, 19 mil pés acima das áridas planícies Africanas da Tanzânia. O ser angelical poderia contar em uma mão o número de vezes que teve este pensamento em sua estadia de dois milênios sobre a montanha vulcânica adormecida. Mas sempre algo o distraiu a partir destas reflexões. A vinda da chamada civilização, como aldeias viraram-se cidades, parecendo crescer da terra para substituir as selvas primordiais. As vastas migrações de primavera de antílopes, zebras, gazelas, leões e como eles fizeram o seu caminho através das planícies do sul do Serengeti para pastagens mais verdes nas proximidades do Quênia . Há muito para ver aqui, o espírito em si. Tanto para sentir, para ouvir, cheirar. E não era esse seu propósito — o propósito de ser Malakim? Ele e seus irmãos ao redor do globo atuavam como os sentidos de Deus, permitindo que o Ser Supremo experimentasse as maravilhas do mundo que Ele criou.

No entanto, hoje era diferente. Algo no fino e frio ar de Kilimanjaro estava dizendo a ele — o alertando — que talvez fosse sábio procurar outro abrigo. Lentamente, Peliel flexionou a rigidez milenar de suas asas. As camadas de sujeira e gelo, que tinham se apegado à sua forma estacionária sobre os milhares de anos, caíram para revelar uma criatura do Céu, que parecia ser apenas uma outra formação natural saltando da paisagem congelada. — Aí está você. — disse uma voz ainda mais fria do que os ventos que sopravam do outro lado da montanha. O Malakim graciosamente se virou, encontrando-se na presença de outra das crianças celestiais de Deus. Esta estava vestida em trajes humanos, acompanhado por vinte dos seus congêneres, e parecia ser a fonte de mal-estar de Peliel. — Que hospedeiro é você? — Peliel perguntou, casualmente

escovando

a

sujeira

de

sua

intricada

armadura. — Eu sou Verchiel. — o intruso respondeu, curvando-se ligeiramente — Do hospedeiro celestial dos Poderes. Peliel estudou os seres diante dele, tomando nota das múltiplas e raivosas cicatrizes que adornavam a carne exposta de seus corpos. Este exército angelical havia estado em batalha contra um inimigo que também exercia o poder do divino, não havia outra maneira de explicar as marcas do conflito que carregavam. ‘O que tem acontecido, enquanto minhas atenções estavam aqui?’ O Malakim se perguntou. — Ah sim, os caçadores do caídos. — Peliel comentou em voz alta, o vento uivando sobre ele como se estivesse em alerta.

— Você tem procurado por mim, Verchiel dos Poderes? — Para seus próprios ouvidos, sua voz era rouca de milênios de não-uso, como a fricção das placas tectônicas no interior da terra. — E por que isso? Ele gostava de falar de novo, e sua mente vagou de volta para a última vez que tinha usado a sua voz para se comunicar. Passado muitos

séculos,

inexplicavelmente

um subido

gato perto

selvagem, do

cume

um

leopardo,

ocidental

da

tinha grande

montanha. Curioso sobre as intenções da criatura, Peliel tinha aparecido ante ao animal. Ele estava morrendo, o clima gélido da temporada de inverno do Kilimanjaro roubando o calor de seu ágil e manchado corpo e na língua de sua espécie, o Malakim perguntou-lhe por que tinha vindo a um lugar tão inóspito. Enquanto ele estava deitado, agora para morrer, o leopardo tinha respondido que tinha estado caçando pela montanha, tentado pelo desejo de testemunhar algo maior que a si mesmo - atraído pelas emanações poderosas do Malakim. Peliel sorriu, imaginando se essa era a razão pela qual esses Poderes tinham chegado, atraído por um senso de sua onipotência. — Eu estou precisando de algo que você tem em sua posse. — interrompeu o Verchiel Malakim. Peliel riu, divertindo-se com a arrogância deste anjo. — E o que eu poderia ter que possivelmente lhes interessa, pequeno mensageiro? — Você e os outros de sua espécie são canais diretos com Deus. — Verchiel explicou. — Extensões de Seu Santo poder, recipientes para o seu conhecimento.

Peliel cruzou os braços sobre o peito largo, silenciosamente pedindo ao anjo que continuasse com um assentimento de sua cabeça. — Eu exijo informações sobre a desconstrução da Palavra de Deus... E eu vou ter isso, não importa o custo. — Verchiel proclamou. A ira de Peliel foi inflamada pela presunção. Como ousa este anjo pensar-se digno de fazer exigências a um Malakim? — Vá com cuidado, Verchiel. — o Malakim rosnou, — Pois está dentro do meu poder vê-lo punido por sua vaidade. — Ele desfraldou suas grandes asas de um cinza metálico, o próprio ar ao seu redor estalou com contidas energias sobrenaturais. — Sinto muito dizer que há pouco que você pode sujeitar-me, santo Malakim, isto é pior do que já suportei. — Verchiel respondeu, um sorriso maldoso apareceu em sua pálida e queimada feição. — Dê-o que eu peço e eu vou deixar você com sua observação deste... Continente fascinante. — Malícia pingava de suas palavras desrespeitosas quando ele deu uma casual observada no horizonte Africano. Existe um ódio perigoso neste aqui, o Malakim observou, e novamente se perguntou o que poderia ter acontecido enquanto suas atenções centraram-se neste lugar. Ele não teve escolha senão colocar este imperioso anjo, e aqueles que o seguiam, em seus respectivos lugares. Essa arrogância irresponsável não poderia ser permitida e continuar não contida. — Filhote insolente! — Peliel gritou, sua voz retumbando através da montanha como o rugido de uma avalanche. Ele estendeu a mão

para o céu de azul gelo para desenhar uma arma de energia, uma espada de poder divino. E ele bateu a sua arma para baixo sobre o topo da montanha. O chão se soltou e se dividiu onde foi atingido, uma fenda rochosa surgiu na carne do Kilimanjaro, ziguezagueava a esmo em direção ao Anjo dos Poderes enquanto o solo a seus pés tremeu. — Zangue-se o quanto quiser, guarda de Sua Palavra. — Verchiel disse, levantando voo, suas asas poderosas levantando-o da terra trêmula. — Isso não vai mudar nada. — E então ele levantou a mão e trouxe-a para baixo em um comando silencioso para aqueles que o serviam. Os anjos do exército dos Poderes subiram em direção ao Malakim, gritos de violência saindo de suas bocas abertas, as armas de fogo materializando-se em suas garras. Peliel respondeu na mesma moeda, a sua própria arma forjada a partir do poder da tempestade, incinerando os primeiros celestiais atacantes guerreiros. Eles não eram páreo para ele, mas ainda assim eles vieram, um após outro, até suas mortes. Quando o último deles gritou em fracasso e as cinzas de seu corpo percorreu o topo da montanha congelada, Peliel virou o rosto para seu mestre. Verchiel ficou imóvel, com as mãos cruzadas atrás das costas. Não havia o menor sinal de remorso para o destino daqueles que obedeciam a seu comando. — Você sabia que eles não tinham uma chance contra mim. — o Malakim disse, a brilhante espada cantarolando e piscando em suas garras, ansiosa para voltar a atacar.

O líder do exército, que tão insensivelmente os enviou para seus destinos, acenou com a cabeça em concordância. — Mas ainda sim você mandou-os para o ataque. Por quê? É esse seu desejo de morte, Verchiel hospedeiro dos Poderes? Você tentar salvar-se por ser vencido por uma maior do que você? O anjo sorriu e, nesse instante, Pelielof o Malakim estava certo de que a doença da loucura tinha realmente infectado esta criatura do céu. Era um sorriso que lhe disse que o anjo estava além de cuidados, além do medo de represálias. E pelo mais breve dos instantes, o emissário de Deus temia o modesto mensageiro. — O que aconteceu para fazê-lo desta maneira? — Peliel perguntou. O corpo de Verchiel cresceu em linha reta e rígida. — Eu sou o que Ele me fez — o líder Poderes rosnou. — As mortes dos que estão na minha custódia tem servido a um propósito. — Seus olhos brilhavam em preto sólido, com a mácula de insanidade, e ele abriu suas asas como se para enfatizar sua louca declaração. — A distração era necessária. Peliel percebeu a presença dos Arcontes antes de seu ataque sobre ele, à sintonia com a delicada magia de anjos - magia que fora ensinada pelo Malakim. Virou-se para enfrentar a ameaça quando uma porta para um lugar que cheirava a morte e decadência se fechou atrás deles. Ali estavam apenas cinco Arcontes quando deveria ter sido sete, outro sinal de que as coisas estavam erradas. O Malakim começou a perguntar aos seus alunos o que se abatera sobre o mundo dos

homens de Deus, enquanto ele estava preocupado, mas as palavras não tiveram a chance de deixar sua boca. Peliel conhecia as magias que fluíam de suas bocas, poderosas magias que imobilizavam uma presa de grande força, e ele estava se preparando para combater o ataque quando foi violentamente atingido por trás. O calor feroz da espada de Verchiel tinha derretido através do metal de sua armadura e perfurou a carne angelical abaixo. O Malakim girou para confrontar a fonte desta última afronta quando as últimas

palavras

do

comandante

dos

Poderes

tornaram-se

assustadoramente óbvias. — A distração era necessária. Verchiel já se afastara e Peliel sentiu os feitiços dos Arcontes tomarem posse. Já era tarde demais. Ele tinha perdido a sua oportunidade de lutar de volta. A magia entrou em seu corpo, fazendo seu caminho debaixo de sua carne, em seus músculos e ossos, congelando-o solidamente como o terreno frio e acidentado em que tinha morado nesses últimos dois mil anos. Seus alunos tinham aprendido bem a força dos feitiços angelicais, e eles cercaram sua forma

imobilizada,

gentilmente

abaixando-o

no

chão

congelado

enquanto os ventos giravam febrilmente em torno deles. Peliel não podia sentir, mas estava plenamente consciente de tudo o que transpirou sobre ele. Quatro dos Arcontes pairavam acima, murmurando os encantamentos que o mantinha incapacitado. De dentro de suas vestes, o quinto usuário da magia — cujos olhos, Peliel notou, tinham sido removidos de seu rosto — produziu uma ferramenta, uma faca que brilhava e brilhava sedutoramente. Sua

lâmina era curva e serrilhada, e o Malakim estava certo de que sua mordida seria feroz, de fato. O Arconte cego mergulhou a lâmina para baixo na testa Peliel com tal força que seu crânio dividiu. O mundo começou a escurecer, e quando o véu da inconsciência percorreu os olhos, Peliel viu que Verchiel tinha tomado o lugar ao lado de seu fornecedor de magia angelical. — Você vê isso? — ele estava perguntando sobre a repetição monótona do feitiço dos Arcontes, um fôlego impaciente em sua voz. — É, lá está. — disse o usuário da magia com uma inclinação de sua cabeça encapuzada, as cavernas vagas de seu olho cheio de piscinas sem fundo turbilhadas de trevas. — Então pegue para mim. — Verchiel exigiu com um silvo fervoroso. E com dedos trêmulos, o Arconte cego alcançou dentro do crânio do Malakim para levar o prêmio que seu mestre tão desesperadamente procurava.

Vilma Santiago pressionou o telefone no ouvido, escutando os sons de tristeza e decepção. Ela odiava mentir para sua tia e tio odiava como a fazia se sentir como uma menina idiota, mas a alternativa era algo que ela mesma tinha apenas começado a compreender, imagina seus guardiões. Não, eu realmente não fugi de casa por uma conexão com um garoto que eu mal conhecia, mas estava convencida de que tinha se apaixonado, ela queria dizer para eles. Não, não mesmo. Na verdade eu fui sequestrada por reais anjos como isca para Aaron — você sabe, aquele menino que eu estou apaixonada — em uma armadilha. Os anjos maus queriam matar Aaron antes de algum tipo de profecia antiga, que ele deveria representar, se tornasse realidade. Você vê, Aaron é um Nephilim, o filho de uma mãe humana e um anjo e, adivinhem, eu também sou. Isso não é maravilhoso? Ela ouviu a voz de sua tia, de repente como se ela ainda estivesse lá, e Vilma empurrou de lado a verdade em favor das mentiras. No momento, mentiras eram muito menos problemas.

— Estou aqui. — ela disse, tentando manter o tom de sua voz alegre e otimista. — Desculpe por isso, acho que temos uma má conexão. Questões de mulheres zumbiam mais e mais, as mesmas perguntas que ela havia perguntado durante a primeira ligação de Vilma, há uma semana. Ela estava em apuros? Será que ela tinha um lugar para ficar? Quando ela estaria voltando para casa? Vilma contemplou através da divisória de vidro na parte traseira da cabine telefônica, o trânsito zunindo por ela na estrada em frente à parada de beira de estrada. Ela não queria nada mais do que estar em um desses carros, acelerando longe de sua vida, fugindo de tudo que tinha aprendido sobre si mesma. Mas ela sabia que era impossível, porque não importava o quão longe ela dirigisse ou o quão rápido ela corresse, ela nunca poderia escapar do que ela realmente era. Nephilim. A palavra continuou a assombrá-la. Ela tinha lido sobre esses descendentes de anjos e seres humanos em inúmeros livros sobre os seres celestiais que ela tinha gostado de ler ao longo dos anos, mas ela nunca tinha imaginado que o conhecimento que ela tinha recolhido seria de forma alguma, a respeito dela. Era apenas tudo tão louco. — Você tem certeza que está tudo bem? — sua tia perguntou mais uma vez, e Vilma pausou antes de permitir que a mentira fluísse de sua boca. A única coisa que fez dela uma Nephilim — Aaron descreveu como uma essência angelical — tinha despertado na meia-noite em

seu décimo oitavo aniversário. Com cada dia que passava ela podia senti-lo cada vez mais forte. E isso assustava. — Estou bem. — ela disse ao telefone. — Eu te disse, eu só preciso de um pouco mais tempo para descobrir o que eu quero fazer com minha vida. Assim que fizer isso, eu virei para casa. Eu prometo.

‘Isso é realmente uma mentira?’ Ela perguntou, mal ouvindo a centésima vez que seu tio ofereceu para buscá-la, onde quer que fosse, a qualquer hora do dia ou da noite. Tudo o que ela tinha que fazer era ligar, deixá-lo saber onde encontrá-la, e ele estaria lá para ela. Será que

um

dia

serei

capaz

de

voltar

a

Lynn,

Massachusetts,

especialmente sendo do jeito que eu sou agora? Vilma sentiu o poder mexer dentro dela e se perguntava se isso era semelhante aos sentimentos experimentado pelas mulheres quando grávidas. Ela seriamente duvidava que ter um bebê crescendo dentro dela poderia assustá-la como isso. Além disso, se ela fosse ter um filho seria porque ela queria isso. Vilma não queria que este poder angelical, e às vezes ela suspeitava que a coisa dentro dela sabia disso. Era imprevisível, E ela nunca sabia quando iria despertar a essência e causar uma confusão. Ela tentou com todas as forças mantê-la sob controle, mas era como tentar segurar um espirro — exceto que um espirro não

tinha o poder do Céu por trás disso. Cada dia parecia um pouco mais forte do que no dia anterior, e Vilma se preocupava que chegaria um momento em que a força seria mais forte do que ela. De repente, ela não queria mais estar no telefone, apenas no caso do poder Nephilim decidir tomar conta. Na maior parte do tempo, isso era um pouco doloroso, e ela não queria dar à sua tia e tio qualquer razão para estarem mais preocupados com ela do que já estavam. Vilma disse a eles que ela tinha que ir e que iria ligar novamente em um par de dias. Ela lhes disse que os amava, sua tia e tio, muito, lembrou-lhes para não se preocupar, e assegurou-lhes que ela estaria de volta para casa em breve. E então, quando a ligação foi interrompida, o poder dos anjos zumbia através de seu corpo, como o som de um baixo do estéreo de um carro colocado ao máximo, e Vilma se perguntou se esse seria o momento. A hora que ela não poderia segurá-lo de volta.

Aaron Corbet não conseguia puxar os olhos da entrada do restaurante em frente ao estacionamento. Os idosos, famílias, caminhões e motoristas, pessoas de todas as formas e tamanhos, indo para o café da manhã e saindo satisfeitos. Isso tudo era tão chato - tão mundano.

O que ele não daria por chato e mundano em sua própria vida. — O que você acha que aquele cara grande e gordo, com a cabeça careca comeu? — seu labrador e melhor amigo, Gabriel, perguntou do seu lado — Eu acho que ele arrotou; Eu posso cheirar salsicha Eu amo salsicha, não é, Aaron?

O jovem não respondeu, ainda pego no fluxo do normal. Por apenas um breve momento queria lembrar como era ser eles - as pessoas indo e vindo da lanchonete, ignorando os seres do céu, os anjos, que andavam entre eles. — Você está pensando em linguiça, Aaron? — Gabriel de repente lhe perguntou, afastando sua breve fantasia. — Ou pode ser panquecas. O que eu não daria por alguns deles. Tem certeza de que não podemos entrar e ter algo para comer? Estou com muita fome. — Não, nós não podemos. — Aaron respondeu, sentindo novamente o peso das novas responsabilidades que tinha de suportar. Ele tinha as aceitado, mas isso não as tornava mais fáceis de transportar. Os anjos caídos que tinham fugido para a Terra depois da guerra no Céu acreditavam em uma antiga profecia, uma revelação de que na primavera um filho de uma mulher mortal e um anjo iria nascer para o mundo dos homens. Esta amálgama das maiores criações de Deus, este Nephilim, seria especial, diferente dos outros de sua laia e traria consigo uma maneira em que aqueles que haviam caído em desgraça poderiam ser perdoados de seus pecados e se reunissem com seu Pai

Santo no Céu. Aaron Corbet era este Nephilim - o salvador - quer ele goste ou não.

A família saiu do restaurante — mãe, pai e o menininho provavelmente cerca de sete anos. O menino segurava com força o cordão de um balão do Bob Esponja, e naquele momento parecia ser a criança mais feliz no mundo. Aaron os assistia atravessar o estacionamento para o seu carro e não podia deixar de pensar na família que havia sido perdida para ele, violentamente arrancada como resultado de seu destino angelical. Depois de passar os primeiros anos de sua vida pulando de uma família adotiva para outra, ele finalmente foi colocado com os Stanleys, um casal com amor verdadeiro, e seu filho, o jovem autista. Eles o tinham aceitado como um dos seus, e vieram ser a única família que Aaron realmente conhecia. Mas eles foram todos embora agora, assassinados por uma série de anjos dos Poderes para certificar-se que a profecia de perdão nunca viria a acontecer. Seu líder, um desagradável, chamado Verchiel, queria vê-lo morto na pior das maneiras, mas Aaron simplesmente não conseguia encontrá-lo em seu coração para obrigar. — É essa coisa de cachorros, não permitido de novo, não é? — o Labrador interrompeu os pensamentos de Aaron, frustrado pelo fato de que ele não podia comer. Gabriel gostava de comer e de falar... Falar e falar. — É porque eles acham que fedemos, Aaron? — Perguntou o cão. — Eu não acho que eu cheiro pior do que a maioria dos bebês.

Ser capaz de entender o cão — ser capaz de entender a linguagem de todas as coisas vivas — era apenas um dos pontos fortes de Aaron pelo direito de nascimento de um Nephilim. Com a ajuda de seu anjo mentor, Camael, um velho e anjo caído chamado Belphegor, ele havia conseguido se fundir com o poder de Deus que fluía através de seu corpo. Isso lhe proporcionou a força e a habilidade que ele precisava para alcançar seu destino, bem como lidar com a ameaça ainda representada por Verchiel e os Poderes. — Eu acho que você cheira melhor do que a maioria dos bebês também. — elogiou o cão — mas ainda não vão deixá-lo comer lá dentro. Nós conseguiremos alguma coisa quando voltar a Aerie. Não se preocupe... Eu não morrerei de fome. Aerie era seu lar agora, um assentamento de anjos caídos e Nephilim

dedicado

à

crença

na

antiga

profecia

que

Aaron

supostamente representava. Aerie também havia se tornado a sua responsabilidade. O

cão

não

resmungou,

completamente

satisfeito

com

o

compromisso, mas sabendo que ele tinha pouca escolha. Aaron sabia esse sentimento bem o suficiente. Ele poderia reclamar tudo que queria, mas não mudaria o fato de que ele tinha um destino para cumprir.

Ele

tentou

não

permitir

que

seus

novos

deveres

o

dominassem, mas era um desafio. Não só tinha que proteger os cidadãos de Aerie, sabendo que Verchiel ainda estava lá fora à procura de vingança, ele também tinha que cuidar de Vilma e lidar com a revelação mais recente que Lúcifer era o anjo que o gerou. Quem disse que ser um salvador era tudo diversão e brincadeira?

Aaron se afastou do restaurante e olhou para a cabine telefônica, onde Vilma pareceu estar encerrando sua chamada. — Estou preocupado com ela. — Gabriel disse, colocando palavras aos sentimentos de Aaron, enquanto a ambos viam cair o telefone e sair do cubículo de vidro e metal. Vilma havia sido parte da antiga vida de Aaron, antes do poder dos anjos se afirmar e transformar o mundo como ele havia conhecido em sua orelha. Apesar de ter mantido contato através de e-mail, ele realmente não tinha pensado que iria vê-la novamente, uma outra parte de sua vida que ele foi forçado a abandonar. Mas ali estava ela, inexplicavelmente fazendo parte de sua nova existência — um Nephilim também. Ele sempre achava que ele era apaixonado por ela, sempre soube que havia alguma conexão poderosa, mas isso acabou fazendo seu envolvimento no turbilhão de vento que sua vida havia se tornado ainda mais assustador. — Está tudo bem em casa? — ele perguntou quando ela se aproximou deles. A menina deu de ombros, penteando uma mão nervosa através de seu brilhante cabelo preto, na altura dos ombros. — Tão bom quanto se pode esperar, eu acho. — ela disse, sem olhar para ele. Ela estava suando, mesmo que a temperatura não estivesse acima de quinze graus, e ele também notou os escuros círculos sob os seus lindos olhos castanhos. Aaron estendeu a mão cautelosamente para tocar no ombro de Vilma. — Você está bem? — ele perguntou suavemente.

Vilma levantou o rosto para olhar para ele, os olhos cheios de emoção. — Não. — ela respondeu, sacudindo a cabeça quando as lágrimas começaram a cair pela pele escura de suas bochechas. — Eu fui tirada de minha casa e minha escola, fui torturada por... Monstros, eu estou tendo sonhos que me fazem ter medo de ir dormir, e... E há algo ganhando vida dentro de mim que eu não posso sequer começar a entender. Não, Aaron, eu não estou bem. Ela estava com raiva e com medo, e ele sabia exatamente como se sentia, pois não foi há muito tempo que experimentou o despertar da essência angelical dentro de si. Ele tentou pensar nas coisas certas a dizer para tranquilizá-la, mas não conseguia, ele não queria mentir. Aaron não tinha ideia de como as coisas iriam ser no futuro, para ela, para si, para os anjos caídos. A vida era incerta agora, o que era algo que ele estava aprendendo a conviver. Era uma coisa que Vilma ia ter que aprender também. Como em um momento certo, Gabriel inclinou seu corpo grande e amarelo contra a menina, empurrando-lhe a mão com o nariz frio e úmido. — Não chore, Vilma. — ele disse consoladoramente, seus olhos escuros olhando para a dela. — Tudo vai ficar bem. Só você esperar e ver. Ela começou a acariciar a cabeça do cão, e Aaron poderia ver o imediato efeito calmante que a presença do cão tinha sobre ela. Na semana, uma vez que a salvou das garras Verchiel, Gabriel tornou-se a âncora de Vilma à sanidade. — Estou muito cansada. — ela disse, sua voz não mais alto que um sussurro. — Eu acho que eu gostaria de ir para ca... — Vilma interrompeu, a palavra presa na garganta dela antes que pudesse sair

de sua boca. Ela ia dizer — casa — Mas não era casa para ela, embora tivesse que ser até que a ameaça de Verchiel e seus Poderes tivesse acabado para todos. — Eu vou levar você de volta para Aerie. — Aaron disse calmamente, colocando o braço em torno dela e puxando-a para perto. Ela concordou e não disse mais nada, quando Gabriel, também, se aproximou. Usando outro dos dons de sua natureza angélica, Aaron quis todos eles invisíveis, em seguida, permitiu que a maciça asa preta brilhante saísse de suas costas. Pensou em Aerie, retratada em sua mente, o bairro abandonado construído sobre um cemitério de resíduos tóxicos, envolveu Vilma e Gabriel em seu abraço de penas, e os levou lá. Memórias profundas dentro do porão do esquecimento, Lúcifer havia procurado a fuga do tormento, e em vez encontrou memórias de tempos que preferia esquecer. Ele viu tudo isso como sempre fazia quando fechava os olhos: os crimes que ele cometeu contra Deus, a guerra travada nos céus em nome de ciúmes mesquinhos. Mas quando essas lembranças foram gastas, as feridas do seu passado reabertas, o primeiro dos caídos viu que as evocações dolorosos de sua mente ainda não tinham terminado com ele. Fazia anos desde a última vez que sonhou com ela — pensou sobre ela — e gemia em protesto quando as lembranças muito reprimidas se desenrolavam em seu sonho. O nome dela era Taylor, e a

memória dela era tão dolorosa como qualquer coisa que ele tinha sido forçado a suportar desde sua captura por Verchiel e seus seguidores. Ele a via como tinha visto na primeira vez: uma mulher bonita, um ser humano que emanava vida e vitalidade, com ricos os olhos escuros da cor do mogno polido, e cabelos negros que sedutoramente enrolavam ao redor de seus ombros. Ela usava um vestido fluído amarelo, sandálias de couro sobre os seus pés delicados, e estava brincando com um cão retriever, um dourado, chamado Brandy. Havia algo sobre ela que chamou-o, algo que o fez acreditar que poderia não ser o monstro que seu próprio tipo achava que o fosse. No breve tempo que ele tinha estado com ela, Lúcifer tinha quase sido capaz de se convencer de que era apenas um homem, não o líder de uma rebelião contra Deus. Quão maravilhosamente mundana sua vida havia se tornado, o desejo de vagar pelo planeta, como tinha feito há milhares de anos, de repente sufocado pelo amor de uma mulher terrena. Era como se tivesse sido tocado pelos próprios Arcontes; havia uma magia inerente a ela que parecia acalmar seu espírito inquieto e anestesiar a dor da maldição que iria levar para sempre como o instigador da guerra do céu. Lúcifer lutou em direção à consciência, mas a corrente do passado era muito forte, e afogou-se em memórias adicionais, puxadas mais profundamente. Foram, de fato, os sonhos que foram precursores para o fim de sua felicidade com a mulher. Ele tinha começado a experimentar sonhos turbulentos pelos quais era responsável, e o sangue e morte — os rostos daqueles que tinham morrido por sua causa assombrando suas tentativas de paz. Os sonhos eram implacáveis. Eles despertaram nele a enormidade de seus pecados, e

sabia que devia seguir em frente. Ele ainda não tinha conquistado o direito à paz e à felicidade. Como ele tinha sido estúpido em pensar que sua penitência podia estar no fim. Embora doesse, ele deixou a bela e mágica Taylor e começou suas andanças de novo. E em sua mente febril, ele a viu como tinha visto na última vez, dormindo na cama que eles tinham compartilhado como homem e mulher. Como ela era bonita. Ele a tinha deixado durante a noite, furtivamente em silêncio na escuridão e fora de sua vida. Isso foi o melhor, ele disse a si mesmo, ele podia trazer para ela nada além de miséria. Mas desta vez a memória era diferente e ele não a deixou. Em vez disso Taylor se agitava em cima da cama, como se sentindo seu olhar sobre ela, e ela rolou mais para olhar para ele, um sorriso sedutor espalhando por todo seu rosto, vestida com as sombras da hora mais cedo. — Olá, Lúcifer. — ela disse em uma voz cheia com a rouquidão do sono interrompido, e ele sentiu seu amor pela mulher inchar dentro dele. Era como se ele nunca a tivesse deixado.

Lorelei suspirou quando o tumulto continuou a crescer. Ela colocou as mãos em cima da mesa plana, tomou uma respiração profunda, e se forçou para não proferir um encantamento que teria chamado

para

baixo

um

relâmpago

do

céu

silenciando,

permanentemente, os cidadãos agitados que se reuniram na sala de reuniões do centro da comunidade de Aerie. — Pessoal, por favor — ela disse, erguendo a voz para ser ouvida acima do barulho frenético. — Não vamos conseguir fazer nada aqui, por que estamos todos falando ao mesmo tempo. Os cidadãos a ignoraram e continuaram a sua conversa animada, o volume dentro da sala de teto baixo se intensificou. Ela se lembra de como parecia fácil para Belphegor presidir essas reuniões. Tudo o que o antigo anjo caído tinha a fazer era se levantar da cadeira e fazer um barulho com a sua garganta, e logo todos se calavam,

esperando suas palavras com muita atenção. E isso era apenas uma das coisas que ela não atendia sobre ser líder. Belphegor tinha sido mortalmente ferido durante o ataque dos Poderes sobre Aerie, em um violento duelo com seu comandante, Verchiel. Eles ficaram perto da morte, mas Aaron Corbet o libertou da carne e do sangue, o perdoando e todos os outros que tinham caído na batalha devastadora, os permitindo voltar para o céu. Lorelei tinha ficado feliz por eles, era o que cada caído mais queria. Voltar para casa, mas a ausência Belphegor foi sentida a cada dia. — Tem havido bastante conversa. — disse um anjo caído chamado Atliel. Ele estava de pé ao lado de sua dobrável cadeira de metal, o seu único olho e rosto queimado severamente chamava a atenção das pessoas ao redor dele. O anjo tinha sido marcado na batalha com os Poderes, mas pelo menos ele tinha sobrevivido quando tantos outros cidadãos não tinham. Lorelei olhou em volta da sala e foi lembrada de quantos tinham sido perdidos tentando defender Aerie dos soldados de Verchiel. Nem todos os dele morreram; Aaron tinha libertado muitos anjos caídos que tinham conseguido se pendurar em um fio de vida. Mesmo assim, os seus números haviam sido cortados facilmente pela metade, e isso não contava os Nephilim que tinham sido gravemente feridos. Eles ainda estavam tentando curar, a questão de sua sobrevivência não muito certa. — Devemos agir imediatamente ou sofrer o destino de nossos irmãos. — Atliel proclamou, olhando em torno do quarto, seu rosto cheio de cicatrizes acalmando a congregação muito mais eficazmente do que tinha Lorelei quando levantou sua voz.

— E o que você propõe? — o Nephilim perguntou, levantando da cadeira que ela tinha visto Belphegor fazer no passado, esperando que ela pudesse manter algum controle da reunião. Ela sabia que muitos dos cidadãos não estavam satisfeitos que ela, uma Nephilim, uma mestiça, havia assumido o controle do assentamento angelical com a morte de seu fundador, mas esse tinha sido desejo de Belphegor. Sua confiança em sua capacidade de liderar tinha sempre a surpreendido. Mesmo que os anjos caídos e os Nephilim vivessem juntos em relativa harmonia, havia ainda uma certa quantidade preconceito, especialmente quando isso formavam as decisões que regeriam o futuro de Aerie. Atliel virou-se para fixá-la com seu olho bom. Era óbvio que ele não apreciou a interrupção. — Devemos fazer o que fizemos no passado, quando fomos ameaçados. — ele respondeu, uma pitada de petulância em sua voz. — Aerie devem ser realocada. Não podemos ter a possibilidade de outro ataque dos Poderes. Lorelei observou as reações das pessoas em sua frente. Eles estavam em uma mistura de aceitação e choque, quieta aceitação, e completo desespero. Aerie tinha estado em muitos lugares através dos milênios que existiram, movendo-se de um local secreto para outro quando os Poderes chegavam mais perto de encontrá-los. Muitos no santuário são novos residentes, o bairro abandonado de Ravens child Estates era o único lar verdadeiro que tinha conhecido, e isso ela sabia por experiência pessoal. — Você não acha que nós viemos de muito longe para isso? — ela perguntou, alimentando as chamas da ira do Atliel. — Você acha que Belphegor e que todos os outros cidadões que caíram durante a

batalha fizeram isso apenas para que pudéssemos correr e nos esconder novamente? Eu seriamente duvido disso. Atliel agarrou a borda da cadeira em frente a ele, os nós dos dedos brancos com a força de sua frustração. — Verchiel e seus seguidores sabem onde estamos. Eles podem voltar a qualquer momento para terminarem o que começaram. Aerie deve sobreviver se alguma vez quisermos encontrar o perdão de nosso Pai no Céu. Nada mais importa. Lorelei saiu de trás da tabela. Ela sabia que eles estavam com medo, mas ela não podia acreditar que eles estavam tão cegos por seu temor de que não viam os sinais de mudança que ia em direção a eles, as mudanças que tinha começado logo após Aaron Corbet ter chegado a Aerie. — Acredito que o tempo que você estava esperando, o perdão que você está procurando, está sobre nós, Atliel — ela disse, recostando-se contra a borda da mesa e cruzando as botas na altura dos tornozelos. — Você está se referindo à aquele Nephilim, Aaron Corbet. — respondeu

o

anjo

caído,

um

tom

zombador

danificava

suas

características. — Sim. — ela respondeu enfaticamente: — eu estou. Atliel balançou lentamente a cabeça. — O salvador da profecia. — ele resmungou, olhando para as pessoas reunidas em torno de ele. — Eu estou tendo grandes dificuldades em acreditar.

— Você viu o que ele pode fazer. — Lorelei gritou, afastando-se da mesa para enfatizar seu ponto. — Você viu o que ele fez para Camael - o que ele fez para Belphegor e todos os outros que tombaram em batalha. — Sim, mas... — Ele os perdoou. — continuou Lorelei acima do protesto de Atliel. Ela não tinha paciência para ele ou qualquer dúvida dos outros. Aaron Corbet era The One, e ela não ia deixar que uma voz discordante entre eles desvirtuasse o que finalmente, depois de milhares e milhares de anos, estava prestes a acontecer com eles. — Aaron permitiu que eles voltassem para o Céu, e eu acredito que ele vai fazer o mesmo por você. O quarto estava quieto e de repente Lorelei viu que todos os olhos estavam finalmente em cima dela. Ela estava orgulhosa de si mesma por falar. Os cidadãos de Aerie já não podiam permitir-se ser governados pelo medo. Estes eram novos tempos para eles, e eles precisavam de uma nova perspectiva. — E onde está o nosso salvador? — Atliel perguntou para a sala em geral. — Ele não estava ciente desta reunião? — Sim, ele estava, mas... Foi a vez de Atliel interromper como um baixo barulho de movimentação no meio da multidão. — Ele estava consciente, mas ele não escolheu participar. É isso que você está nos dizendo, Lorelei? Que

o destino de nossas esperanças e sonhos está à beira de um precipício, e Aaron Corbet não podia ser incomodado? — Olha. — ela começou, exasperada pela inexplicável ausência de Aaron, pelo questionamento persistente de Atliel, por sua própria falta de controle. — Tudo o que eu estou dizendo é que precisamos considerar todos as opções antes de virar as costas e correr. Pelo menos conversem com Aaron, ele pode ser capaz de nos dar... — E eu vou perguntar, Lorelei — Atliel disse, cortando-a de novo — é para nosso salvador começar a agir como um e oferecer-nos alguma orientação? Ela não sabia como responder, escolheu ao invés disso, não dizer nada, e em questão de segundos a comoção estava em ascensão novamente, vozes de anjos caídos e Nephilim, todos falando de uma só vez, clamando para serem ouvidos.

Porra, Aaron pensou, de repente, lembrando da reunião no centro da comunidade Aerie que ele tinha prometido à Lorelei que iria comparecer. Ele estava no processo de transportar Vilma, Gabriel, e ele de volta à sua casa em Aerie, atravessando o vazio. Foi uma das poucas habilidades angelicais que ele realmente apreciava. Tudo o que ele tinha que fazer era imaginar em sua mente o lugar que ele queria estar, envolver-se dentro de suas asas, e em uma questão de segundos, ele estava lá. Neste momento particular, porém, ele foi

forçado a mudar sua imagem da viagem, e ele abriu suas asas para surgir na rua em frente ao centro comunitário. — Eu realmente sinto muito sobre isso. — ele pediu desculpa aos seus companheiros de viagem quando sua asa retrocedeu sob a carne de suas costas. — Eu acabei de lembrar que prometi a Lorelei que eu iria para a reunião da comunidade hoje... Vilma sorriu fracamente, e ele não podia acreditar em como ela parecia cansada. — Tudo bem. — ela disse. — Eu acho que preciso deitar de qualquer maneira. Ainda estou me sentindo muito esgotada. Aaron olhou para a entrada do centro comunidade e pegou uma vista de Lehash sentado, observando-os. O anjo caído encarregado da segurança de Aerie tirou o seu chapéu de cowboy em cumprimento, cada polegada dele parecia como se tivesse saído de um velho faroeste. Aaron sorriu e acenou brevemente antes de virar sua atenção de volta para Vilma. — Gabriel vai com você. — disse para menina. Ela estendeu a mão e coçou o alto da cabeça do labrador. — É isso que você quer fazer, Gabe? — perguntou-lhe na linguagem dos cães. — Você vai me dar café da manhã? — Claro que eu vou. — ela assegurou-lhe. — Então vamos — disse Gabriel, já começando a caminhar na direção da casa onde iam ficar. — Eu estou morrendo de fome. Vilma riu, depois fez uma pausa para olhar para trás, para Aaron.

— Eu te vejo mais tarde? — ela perguntou, e ele podia ouvir a tristeza permeando em sua voz. Isso quase quebrou seu coração. Mas não vai durar para sempre, ele tentou tranquilizar-se. Ele deu um passo para frente e colocou os braços em torno dela provisoriamente. — Vai dar tudo certo. — ele sussurrou em seu ouvido, apertando com força. Vilma o abraçou de volta, mas não disse nada para provar que ela acreditava no que ele lhe dissera. — Vamos lá, Vilma. Vamos. — Gabriel chamou, seu rabo balançando ansiosamente enquanto ele pedia para ela seguir. Ela foi a primeira a quebrar o abraço, olhando profundamente nos olhos de Aaron, e forçando um sorriso antes de seguir o cão. É um ajuste enorme, ele disse a si mesmo, observando como ela se afastava dele. Ela só precisa de tempo. Ele podia sentir a essência angelical dela se tornar mais forte, e orou por uma fácil fusão. Imaginando que não levaria muito mais tempo para que o processo se completasse. Aaron se virou e correu em direção ao centro comunitário. — Lorelei vai me matar. — ele acabou de dizer ao anjo caído que por acaso era o pai dela. Lehash havia inclinado a cadeira para trás com as duas pernas e estava encostado contra a parede do edifício. — Não tenho certeza se você quer entrar agora. — ele disse no sotaque do Velho Oeste. — As pessoas estão irritadas no momento. Lorelei está tentando acalmá-los. — Com o que eles estão chateados?

— Você. — Lehash respondeu, baixando as pernas da cadeira para o chão. — Eu? — Aaron perguntou incrédulo. O anjo caído assentiu com a cabeça. — Yep. Eles estão preocupados que não você não assumiu o cargo de salvador a sério o suficiente. O anjo pistoleiro inclinou a borda de seu chapéu e olhou nos olhos de Aaron. — Eles querem saber por que você não está aqui para salvá-los. — Filho da puta. — Aaron sibilou quando ele agarrou as mãos em punhos e atirou a porta aberta. — O que você vai fazer? — ouviu Lehash falar depois dele enquanto ele invadia para dentro. — Eu vou ter uma conversinha com os cidadãos de Aerie. Lehash gargalhou, sua cadeira deslizando sobre o chão quando ele abruptamente se levantou, seguindo o Nephilim no edifício. — Isso eu tenho que ver. — Aaron ouviu o anjo dizer. Aaron entrou na sala de reuniões por meio de uma porta nas costas e imediatamente se sentiu como se estivesse no meio de uma daqueles bizarros sonhos indo-para-escola-nu. Ele tinha os ouvido falando enquanto ele se aproximava, cada um tentando ser ouvido acima do outro e Lorelei gritando por ordem. E eles se calaram, mas só porque o viram chegar.

Todas as cabeças viraram em sua direção, e todos os olhos o assistiam enquanto ele caminhava pelo corredor para se juntar à Lorelei na frente. Ele não fez contato com qualquer um deles, mas podia sentir suas hostilidades e sua frustração. Os sentimentos eram mútuos. — Desculpe o atraso. — ele disse calmamente para Lorelei enquanto ela se afastava para permitir-lhe o espaço. Ele enfrentou a sala lotada. Lehash estava atrás, braços cruzados, pernas contra a parede, um astuto sorriso em suas feições desfiguradas. Eles estavam todos lá - anjos caídos e Nephilim. E por que não estar? Os cidadãos de Aerie estavam preocupados com seu futuro, um futuro em que Aaron tinha uma grande parte. Isso era uma pesada responsabilidade, e ele sentiu como se estivesse começando a se dobrar sob esse peso tremendo. Ele estava fazendo o melhor que podia, mas às vezes simplesmente não parecia ser o suficiente. — Desculpe o atraso. — ele disse novamente para o salão. Mas antes que ele pudesse continuar, Atliel interrompeu. — Aerie deve ser realocada. — ele declarou, seu único olho olhando intensamente. — Nós não podemos arriscar mais vidas. O sonho de Aerie deve sobreviver, e não pode ser aqui. — Eu não acho que precisamos nos preocupar sobre Verchiel agora. — Aaron tentou tranquilizar os cidadãos. — Ele sofreu baixas até maiores que a nossa, graças a Lorelei. Acredito que estamos a salvo por agora. — Ele olhou para Lorelei por apoio, e viu que ela estava balançando a cabeça em concordância.

— Você acredita que estamos seguros? — Atliel disse apontando um longo dedo para ele. Aaron se encolheu. Ele não queria que isso virasse uma argumentação. Ele queria entrar, dizer-lhes o que ele havia planejado para o seu futuro, e depois passar o resto do dia com Vilma. — Sim, eu acho. A expressão do anjo virou-se para um de completa repulsa. — Que direito você tem de dizer que estamos seguros, quando você sabe muito bem do que Verchiel é capaz? Ele sentiu o coração acelerar, o seu sangue começar a correr em suas veias. Ele se forçou a se acalmar. Era uma democracia aqui em Aerie, e os cidadãos tinham todo o direito de falar o que tinham em mente. — Ele matou seus pais. — Atliel rosnou. — Transformou seu irmão em um monstro. Matou seu mentor e usou sua mulher como isca para levá-lo à sua morte. Aaron sabia de tudo isso. Isso estava com ele todos os dias, um lembrete constante de quanto sua vida tinha mudado, do que o seu destino como o salvador tinha tirado dele. — Verchiel é uma força imprevisível. — Atliel continuou. — Todos nós temos temido a sua ira desde a queda do Céu. Não me diga que estamos salvos. Não poderíamos estar mais longe da verdade. — A raiva de Aaron estava crescendo e ele sentiu o poder de sua herança angelical correr através de seu sangue e músculos, inflamando a sua própria essência. — Eu estou fazendo o meu melhor. — ele disse através dos dentes. Ele viu que Lehash tinha se movido da parede e foi

se aproximando da frente. O anjo guerreiro, obviamente, suspeitou que algo estava para acontecer, e ele não poderia estar mais certo. — Nós da Aerie esperamos mais do nosso salvador do que o melhor. — E com essas palavras, Atliel espalhou suas asas, assim como alguns outros no centro da comunidade, e eles começaram a bater suavemente em união, o estreito espaço da reunião se encheu com o som de asas batendo no ar. Eles fizeram isso para mostrar o seu desprazer, para mostrar sua dúvida de que Aaron era capaz de cumprir a profecia. Os sibilos subiram para a superfície de sua pele e Aaron sabia que não podia segurar mais sua raiva. Ele soltou um grito de raiva quando suas asas explodiram a partir de suas costas, e ele também começou a bater o ar, mais duro, singularmente abafando os sons dos outros. Ele viu as expressões de choque e surpresa espalhando por todos os rostos dos cidadãos enquanto ele lhes revelava o formato de seu Redentor. Suas poderosas asas continuaram a bater, obrigando-os a ir para trás, derrubando as cadeiras em cima deles e criando um mini-redemoinho de poeira e sujeira. E tão abruptamente como tinha começado, ele parou, enrolando suas asas nas costas e encarando todos eles. — Por que vocês, pessoas, apenas não me dão uma folga? — Sua voz retumbou como o rosnar de uma perigosa e selvagem besta, cheia de potencial violência. — Você acredita seriamente que eu entendo o que significa ser um salvador? Bem, no caso de você não perceber isso ainda, eu não tenho uma pista.

Anjos caídos e Nephilim estavam igualmente em silêncio. Até Atliel decidiu que poderia ser melhor segurar sua língua. Lehash estava nas proximidades e Aaron podia ver as faíscas de fogo dourado dançando em suas mãos, o pistoleiro estava pronto para evocar suas pistolas de fogo celestial, se necessário. — Tudo o que eu estou pedindo é para que vocês me deem um tempo. Eu sei que vocês estão assustados, estou assustado também, mas isso não vai fazer bom para ninguém, vir atrás de mim por não atender às suas expectativas. Aaron fez contato visual com eles e cada um desviou o olhar, aceitando sua posição de dominador. — Eu não tenho ideia do que o amanhã reserva para mim ou para vocês. Mas eu sei que, para garantir algum futuro, temos que trabalhar juntos. Nós não podemos correr de Verchiel, temos de lidar com ele — Ele deixou as suas asas recuarem abaixo de sua carne quando os sigilos começaram a desvanecer-se. — E isso é exatamente o que eu pretendo fazer. — ele declarou finalizando enquanto andava pelo salão. — Reunião suspensa.

O pequeno roedor se encolhia em um bolso de sombras, observando, com amplos olhos cheios de medo, enquanto seu amigo era torturado. Ele queria correr, fugir da cena feia, mas por um motivo seu pequeno cérebro não poderia começar a funcionar, o rato não deixaria o homem que tinha se tornado seu amigo. Amizade com um homem? Questionou. Seu processo de pensamento primitivo confrontava com o conceito, porque este ser era muito mais do que apenas um homem. Ele lembrou a primeira vez que o tinha visto. Ele estava vivendo em um monastério longe nas montanhas, muito longe, e Lúcifer chegou no meio de uma terrível tempestade de neve. Os irmãos que habitavam o mosteiro não tinham ideia de quem batia na sua porta, mas o acolheram no interior, convidando-o para partilhar a sua noite de refeição. Ele tinha alegado ser um viajante, cansado de suas andanças, procurando um lugar para descansar e refletir sobre uma vida cheia de arrependimentos. Os irmãos ofereceram seu mosteiro como um refúgio e Lúcifer aceitou sua oferta para ficar. O rato assistiu aos cinco seres que abusavam de seu amigo içando-o, nu, no ar, pendurado por grossas correntes negras presas em seus pulsos e tornozelos, com o rosto apontado para o chão. Eles agacharam para ele, examinando cuidadosamente seu ventre exposto.

Ao primeiro encontro, o estranho tinha pedido ao rato um favor. Lúcifer falou com ele na língua de sua espécie e deu-lhe um pedaço delicioso de pão como como pagamento. Ele simplesmente pediu-lhe para abrir os olhos quando vagasse pelo o mosteiro, e deixá-lo saber se ele visse algum estranho como ele. A relação que nasceu beneficiava muito a ambos, e logo floresceu em algo maior, uma admiração mútua, genuína amizade. O pequeno observador assistiu um Arcanjo parar enfrente de seu amigo enforcado, e em sua mão, formou uma faca de fogo. Com um movimento súbito e selvagem, o Arcanjo cortou seu amigo, o seu sangue fazendo uma poça no chão. Ele queria ajudar seu amigo, mas ao invés, ele se retraiu mais para dentro da escuridão do canto. O que poderia possivelmente fazer? Era apenas um rato. A cerimonia era proibida. Arcanjo Oraios tinha se certificado disso. Mas lá estavam eles, fazendo preparações para inverter a Palavra de Deus. — Rápido! — Arcanjo Jao guinchou, agachando na frente do corpo quando as primeiras gotas de sangue do prisioneiro derramavam a partir do corte de seu ventre. — Traga-me a taça. Não podemos perder uma gota! Arcanjo Domiel recuperou uma taça de ouro cerimonial de seus pertences e cuidadosamente deslizou sob a ferida pingando de um Lúcifer enforcado.

— Excelente. — Jao disse esfregando as longas mãos juntas enquanto observava as gotas carmesins quentes de sangue começar a encher a taça. — Há muito a ser feito com esse sangue. Cada gota deve servir a causa de nosso mestre. Arcanjo Oraios virou o seu olhar de um inconsciente Lúcifer para Jao ao lado dele. — É isso que ele é para nós agora, irmão? — perguntou o anjo. —

Quando, no começo, nos unimos à busca de

Verchiel para livrar o mundo do Deus dos infratores, fizemos de igual para igual, compartilhando a aversão dos Poderes para aqueles que tem pecado contra o céu. Mas agora parece que somos nada mais do que servos de sua raiva. — Cuidado, Oraios. — Arcanjo Jaldabaoth advertiu, ajoelhado, mergulhando os dedos nas gotas que manchavam o chão. — Lembrese do destino dos nossos irmãos, Sabaoth e Erathaol. Seus atos não agradaram Verch... Nosso mestre e por isso pagaram um preço mais caro. — Jaldabaoth começou a pintar um grande círculo de sangue no chão de madeira sob o primeiro dos anjos caídos. — Porque você não pode dizer isso, irmão? — Oraios perguntou. — Pagaram um preço mais caro, de fato. — ele rosnou. — Verchiel os matou em um ataque de raiva. Parece que nosso mestre se tornou bastante encantado com o ato de assassinato. Arcanjo Domiel se virou com um silvo. — Eu não quero ouvir isso. — ele disse, balançando sua cabeça. — Sacrifícios devem ser feitos para alcançar os próprios objetivos. A causa de Verchiel é apenas uma tentativa final de corrigir o que está gravemente errado.

O ar estava pesado com o cheiro de sangue quando Jao se juntou à Jaldabaoth no chão. — Essa discussão está acabada. — ele disse, mergulhando os dedos no sangue coletado do seu inimigo e completando o círculo. — Há muito a ser feito para debater isso agora. — O assassinato do nosso Malakim, com mais a seguir se quisermos ter o que precisamos para completar a cerimônia para desvendar as palavras do Santíssimo e desatar o Inferno em cima do mundo. É assim que um erro grave é corrigido, meus irmãos Arcanjos? — Oraios perguntou, ignorando Jao. — É tarde demais para pensar em tais coisas. — Katspiel disse calmamente do canto. Ele lentamente ergueu a cabeça, as sombras da sala correndo para preencher os buracos vazios dos olhos como petróleo. Em um ritual antes, ele tentou olhar o Inferno dentro de Lúcifer, e pagou o preço por sua visão. — Os eventos transpiraram além das nossas habilidades para controlar. — ele arquejou. — Nós somos apenas engrenagens do grande mecanismo que está em movimento. — Então você diz que devemos continuar como estamos. — Oraios pediu a seu irmão sem olhos — Cuidando das vontades e desejos de alguém que poderia muito bem condenar a todos nós. — Sim. — Katspiel disse, com a cabeça escorregando para frente, quando ele começou a cair em um sono meditativo que lhe permitiria localizar o próximo Malakim. — Mas eu não iria me preocupar com potencial condenação, Irmão Oraios. Pelo o que temos feito, e o que está prestes a acontecer, já estamos condenados.

Verchiel ficou nu diante do curador, permitindo que o humano cego administrasse seus ferimentos, tanto os velhos como os novos. O cheiro rico de óleos antigos flutuavam enquanto Kraus mergulhava panos em seu medicamento restaurador e gentilmente os aplicava a várias lesões no líder dos Poderes. — Peço desculpas pela dor que devo estar causando, meu senhor. — disse o homem. — Mas devo tentar remédios fortes se eu quero consertar suas feridas completamente. As lesões de Verchiel eram extensas e curavam muito mais lentamente do que o normal para um anjo de tal poder. Alguns não estavam curando de qualquer modo. Outro pedaço de evidência de que o Criador verdadeiramente abandonou seu mais fiel soldado, ele pensou, amargamente, a agonia da cura com óleos era nada em comparação a ser abandonado. O líder dos Poderes estremeceu quando seu servo aplicava mais do bálsamo medicinal. — Se eu pudesse compartilhar a sua dor, meu mestre. — Kraus disse quando inclinou a cabeça em tristeza. — Eu iria com prazer arcar com o ônus para diminuir o seu ferimento. Verchiel olhou para baixo para seu curador ajoelhado a seus pés. — O caminho diante de nós está coberto com perigo. — o anjo disse, colocando sua mão sobre a cabeça do ser humano. — O potencial para lesões excruciantes é grande. Você ainda anseia participar da minha dor, pequeno macaco?

Kraus levantou a cabeça para contemplar Verchiel com os olhos cegos, seu velho rosto virou em adoração. — Seria o mínimo que posso fazer. — Kraus disse, seu corpo tremendo. — Mas desde que eu não posso suportar sua dor, eu vou aliviar e curar suas feridas enquanto o presente da vida ainda preenche estes ossos e estou permitido a atendê-lo. Verchiel pensou em seu próprio mestre e no que Verchiel havia perdido. Como ele amava o seu Criador, mas obviamente, não foi suficiente para impedi-lo de virar-se para longe de conceder Suas bênçãos sobre a mais miserável das criações, os criminosos e as abominações sem raça definida. O anjo fervia de raiva. Ele queria rasgar e rasgar, queimar até às cinzas tudo e todos que lembravam de sua perda. Um chiado fraco puxou o líder dos Poderes de seu devaneio perturbado, e ele viu que tinha agarrado o homem cego pela garganta e estava apertando a vida de seu corpo. O macaco se debatia, mas o olhar de êxtase, de pura adoração, ainda estava em seu rosto. Verchiel deixou cair o curandeiro de sua mão com raiva, pois não era culpa desta forma de vida humilde que o Criador tinha optado por abandoná-lo. O curandeiro cego lutava para respirar enquanto ele estava deitado no chão da sala. — Desculpe. — ele ofegou uma e outra vez, certo que ele tinha feito algo para ofender seu mestre. Mas as desculpas do macaco - suas solicitações de perdão - não recairiam sobre ouvidos surdos, como os de Verchiel faziam. Ele iria ouvir as alegações de seu servo, e ele responderia.

Verchiel desfraldou suas asas e se ajoelhou na frente do servo trêmulo e suplicante. — Eu ouço suas suplicas. — ele disse enquanto segurava o homem assustado em seus braços e chamou-o perto. — Mas você não tem nada para se desculpar. Kraus começou a chorar, a umidade vazando das órbitas cegas dele. — A raiva tomou conta de mim, um tumulto no interior, isso quase causou a sua morte. — Verchiel disse a ele. — E por esse erro eu lamento. A dor de seus ferimentos foi subitamente embora e Verchiel foi preenchido com o poder da sua própria divindade. Ele soube então, verdadeiramente entendeu como era ser um deus-abençoado com o poder da condenação ou absolvição. — Eu vou te mostrar a profundidade do meu arrependimento. — disse o anjo, chamando mais perto um Kraus ainda tremendo. Verchiel inclinou a cabeça para frente e colocou um beijo suave sobre cada leitosa órbita coberta. E o curador começou a gritar. A dor foi como nada que Kraus alguma vez tinha experimentado. Ele saiu dos braços de seu mestre, tropeçando no salão enquanto a dor em seus olhos inúteis se intensificava. Ele tinha memorizado o layout da sala, bem como toda a abandonada igreja e orfanato de Santo Atanásio onde os Poderes estavam reunidos estes dias, mas o puro pânico e dor o fez descuidado. Ele correu de cabeça para uma parede, caindo para o chão em um amontoado tremente.

Por que ele faria isso comigo? O pensamento o atingiu. Kraus o tinha insultado? Ele queria perguntar ao seu mestre, mas sua angústia era muito grande. Parecia que metal fundido havia sido derramado em seus olhos, e em vez de arrefecimento com a passagem do tempo, foi crescendo mais quente e mais ainda. Ele pensou que ia morrer. Kraus se enrolou no chão e esperou que a morte o levasse. O tormento era tão grande que ele pensou que realmente receberia o final de sua existência miserável. Olhos bem fechados, uma bola tremente de sangue, osso e carne, ele preparou-se e, em seguida, ele ouviu a voz de seu mestre. Revelando-se no ar como as notas da canção mais bonita que ele já tinha ouvido. — Abra seus olhos. E Kraus fez como lhe foi dito. A dor tinha passado, mas ele mal notou. Ele podia ver! Ele estava olhando para o chão. Era de madeira, coberto com décadas de sujeira e poeira. E Kraus estava vendo tudo isso pela primeira vez, os meandros, os padrões e as cores da madeira, e sujeira acumulada. De alguma forma, mesmo que nunca tenha visto antes, era cego desde o nascimento, ele sabia o que estava olhando, a identidade de cada coisa com os olhos novos caiu sobre ele preenchendo sua cabeça.

— Levante a cabeça do chão e contemple o mundo. — o anjo Verchiel disse, sua voz crescendo ao redor da sala. — Este é o meu presente para você. Kraus olhou para cima, sua nova visão pousando na parede acima do piso. Foi pintada de um cinza sujo, e acima, o quadro negro, os finos traços da última lição ensinada dentro da sala de aula ainda evidente na superfície suja. Não matarás, ele leu, apesar de nunca ter aprendido a ler.0 Tudo que sua nova visão viu, todas as cores, as formas, os itens deixados para trás quando a escola foi abandonada, ele sabia sua identidade, seu propósito, e foi preenchido com a maravilha de tudo. O ar se agitou atrás e Kraus virou para ver, pela primeira vez a criatura que tinha lhe dado o presente mais maravilhoso. Quão abençoado ele era por servir um emissário de Deus, tão misericordioso que curou uma humilde besta como ele. Seu mestre estava diante dele, nu, as poderosas asas abertas de modo que pudesse olhar para a total glória do anjo, do próprio céu encarnado. E Kraus realmente viu o mestre que ele tinha servido por muitos anos. As cicatrizes da batalha, o queimado - profundo e vermelho - e as asas, agora cor de sujeira. — Eu sou a glória do Céu. — proclamou Verchiel. Mas o curador, uma vez cego, e agora viu o seu mestre pelo que ele realmente era. Ele viu um monstro.

Aaron saiu do centro comunitário, a sensação persistente de sua transformação ainda causando que sua carne formigasse. Lembrou-se de um tempo não muito tempo atrás, quando uma mudança de sua forma humana para a angelical não teria causado nada além da dor. Agora isso tinha quase se tornado uma segunda natureza, as duas metades do seu ser, lados opostos da mesma moeda. Ele tomou algumas respirações profundas e calmantes. O ar estava surpreendentemente fresco, apesar do fato de que era quase Abril. Sim, houve alguns dias quentes, mas parecia que o inverno estava tendo um momento difícil abdicando de sua sede sazonal do poder. Aos poucos, ele começou a sentir o corpo deixar essa tensão. Aaron nunca esperava que ser um salvador iria ser fácil, mas ele queria que os cidadãos de Aerie lhe dessem a chance de descobrir as coisas

em

sua

própria

velocidade.

Decisões

tão

gravemente

importantes como o que fazer com Verchiel não podiam simplesmente ser apressadas. Havia muito em jogo. — Droga. — disse uma voz familiar por trás, e Aaron se virou para ver Lehash se aproximando. — Acho que você deu lhes algo um

pouco 'para mastigar’. — ele disse, um grande sorriso se espalhando em suas características geralmente austeras quando ele acenou com seu dedo para a porta atrás dele. — Fizeram-me louco. — Aaron disse, soando banal e nada orgulhoso de sua reação. — Não brinca. — disse Lehash. — Desejaria que Belphegor estivesse aqui para ver você colocar Atliel e seus comparsas em seus lugares. Isso o faria mais feliz do que um porco na poça. Aaron riu também. — Eu acho que não é como você espera que um messias aja. O anjo retirou um charuto fino de dentro do seu bolso empoeirado e acendeu-o com a ponta do dedo indicador de suas luvas. — Inferno, menino, você colocou Verchiel no chão e nos leva de volta para o Céu, você pode agir de qualquer maneira como você condenadamente quiser. Sentindo que eles não estavam mais sozinhos, Aaron e Lehash se viraram para ver os cidadãos saindo do centro comunitário. Atliel e seus comparsas ficaram ao lado da entrada do prédio olhando para eles. — Acho que alguém está ficando com um olhar de soslaio. — Lehash disse, chupando o final de seu cigarro e soprando uma nuvem de fumaça no ar. — E eu não acho que sou eu. — O que você acha que eu deveria fazer? — Aaron perguntou ao pistoleiro, sua voz em um sussurro. — Devo pedir desculpas ou apenas deixá-lo ir?

O anjo caído rolou o charuto na boca. — Pessoalmente, eu ia deixá-lo 'ensopado', mas, novamente, não sou nenhum messias. Você vai fazer o que você achar que é certo. O pai adotivo de Aaron havia lhe ensinado que nove de dez vezes era mais fácil pedir desculpas e mover passando o problema. Tom Stanley tinha sido um bom homem e um pai maravilhoso, e Aaron sentia muito sua falta. Ele decidiu que iria honrar a memória do único pai que tinha conhecido fazendo o que ele faria. Aaron se moveu ao redor de Lehash e andou através do bando de anjos caídos. — Olha, me desculpe pelo meu comportamento lá dentro. — ele disse com sinceridade genuína. Se ele ia ser o seu líder, ele adivinhou que provavelmente não faria mal para eles verem que ele sabia que não era infalível e podia admitir quando estava errado. — As coisas têm sido meio loucas para mim e eu só queria... — É verdade que eles estão dizendo? — Atliel subitamente interrompeu. — Eu pensei que era apenas um rumor selvagem, mas vê-lo lá dentro, manejando sua raiva, eu quase posso acreditar que seja verdade. Seus três companheiros acenaram em acordo. — Eu não entendo. — Aaron disse. — Que rumores você está falando? Atliel olhou para seus irmãos por apoio e depois voltou-se para Aaron, reforçado por sua admiração. — Que você é o filho da Morningstar, a cria de Lúcifer. — ele cuspiu.

Aaron não sabia como responder. Ele sabia o que ele tinha dito, mas ele não podia ainda acreditar. — Eu... Eu não estou certo disso... — ele gaguejou. —

Veja

como

ele

responde.



Atliel

disse

aos

seus

companheiros. — É verdade que estamos entregando nossa salvação para a progênie do monstro que levou à nossa queda. Lehash avançou, uma pistola de ouro celeste reluzindo fogo em sua mão enluvada. — Isso é suficiente, irmão. — a lei de Aerie disse, pisando entre o Nephilim e o grupo de anjos. — Está tudo bem Lehash. — Aaron disse rapidamente. — Eles têm razão em sua preocupação. Como eles deveriam confiar no filho do diabo para liderar-lhes para a salvação? — ele perguntou em voz baixa enquanto ele se afastava. Embora ele não tivesse desejo de fazer isso, e tinha evitado isso por dias, Aaron Corbet sabia que tinha de enfrentar o mistério da sua herança antes que pudesse finalmente assumir o papel de salvador de Aerie.

Vilma confundiu a súbita onda de pânico com outro exemplo do despertar da essência angelical, mas quando ela e Gabriel entraram na casa de estilo rancho que ela dividia com Lorelei e Lehash, lembrou-se que esta semana havia provas finais na escola. O sentimento era de repente, como uma descarga elétrica, e seu corpo inteiro eclodiu em um suor estanho. Não demorou muito tempo para perceber que isso não tinha nada a ver com o poder residindo dentro dela, e tudo a ver

com sua carreira acadêmica desmoronando-se.

Ela bateu a porta atrás dela, e Gabriel começou a partir do ruído. — Você está bem? — O labrador perguntou, sua cabeça inclinando para a direita com preocupação. — Estou bem. — ela respondeu com um suspiro. — Desculpe por ter batido a porta. — Tudo bem. — ele disse, passando por ela, em direção à cozinha. Ele se virou e olhou para ela. — Que tal esse café da manhã agora? Grata pela distração, Vilma encheu a tigela do cachorro com alimentos e pegou um pouco de água fresca. — Aqui está. — ela disse, pisando para trás ao vê-lo devorar sua refeição em tempo recorde. Ele lambeu os beiços, tomou uma lambida da bebida, e depois limpou a tigela com sua língua. — Feliz? — ela perguntou quando o seguiu para a sala de estar. — Sim, obrigado. — Gabriel pulou para o sofá e virou várias vezes em círculo antes de sentar. — Preciso de um cochilo, no entanto. — Ele respirou ruidosamente fechou os olhos. Vilma balançou a cabeça, olhando para ele por um momento. Ela nunca havia possuído um cão e estava assombrada pela forma como Gabriel dormia muito. Este era um dos muitos cochilos que tirou, durante o dia anterior, foi para a cama e dormiu durante toda a noite. Aaron sempre brincou que era o trabalho de Gabriel dormir, e se

o animal pudesse coletar um cheque por cada cochilo, eles seriam milionários. Ela sentou-se numa cadeira grande e estofada puxou os joelhos até o queixo. Ela sentiu frio por dentro, mas não tinha nada a ver com a atual temperatura. Ela estava com medo de novo. Até um mês atrás, ela sabia exatamente o que estava fazendo com sua vida: terminaria seu colegial, uma faculdade de licenciatura em educação e em seguida, ensinar, de preferência o primeiro ou segundo grau. Ela sorriu tristemente, lembrando como conversava com seus amigos sobre o futuro, e quão animada isso a deixava. Eles achavam que ela era uma louca, nunca realmente entendendo que esta era a coisa que a fazia verdadeiramente feliz, que isto era tão emocionante para ela como eles achavam que era dançar em um clube ou alguém comprando bebidas para eles. Seus planos para o futuro eram suas esperanças e sonhos, e tudo estava indo maravilhosamente até que ela conheceu Aaron Corbet. Ira de Vilma queimou. Ela não queria culpá-lo por seus problemas, mas era tão fácil. O que teria acontecido se ela não tivesse falado com ele aquele dia na biblioteca? Ela se sentou com os joelhos embaixo do queixo, balançando de lado a lado, pensando como sua vida seria sem ele. Ela tentou desesperadamente acreditar que seria melhor, mas no fundo ela sabia que não era verdade. Ela sentiu uma estranha atração por ele na primeira vez que o notou em seu armário em frente ao dela, como se o estar juntos era parte de um plano bem maior. E quando Aaron tinha ido embora depois das mortes de sua família adotiva, Vilma nunca teve se sentido tão solitária, tão incompleta.

E agora eles estavam juntos novamente, mas ainda sim se sentia solitária e com medo, embora soubesse que Aaron estava fazendo o melhor que podia para ajudá-la a ajustar-se às mudanças em sua vida. Algo agitou dentro dela, mas dessa vez a sensação não tinha nada a ver com a ansiedade. O poder angelical, agitou-se muito rapidamente à maturidade pelas torturas de Verchiel, estava acordado de novo, e ela sentiu isso provando os limites do sangue e carne que era sua gaiola. Aaron tinha tentado explicar que a essência tinha sido parte dela desde sua concepção, o poder tinha simplesmente adormecido dentro dela, esperando que ela amadurecesse e abraçasse isso. Para a maioria dos Nephilim, a unificação dos lados humanos e celestiais eram um processo que ocorriam naturalmente, mas para outros... Vilma não queria pensar nisso mais. A ideia da coisa dentro dela estava deixando-a insana. Ela deixou cair os pés no chão e ficou rapidamente em pé, olhando em volta da sala por alguma coisa, qualquer coisa, que pudesse distraí-la. Gabriel acordou, levantou a cabeça e olhou lentamente para ela. — Sinto muito, Gabriel. — Vilma disse, nervosamente mordendo as cutículas de um de seus dedos. — Eu estou me sentindo um pouco impaciente. Eu preciso fazer algo para ter minha mente fora das coisas por um tempo. — Ela só tinha uma lembrança do pedaço de torrada naquela manhã, e pensou que a comida seria tão boa quanto qualquer distração. — Eu vou pegar algo para comer, quer vir? — Ela sabia que era uma pergunta estúpida, para o sempre faminto labrador.

— Não me importa ir. — ele disse, rapidamente descendo do sofá e seguindo-a para a cozinha pequena onde ele tinha comido alguns minutos antes. Vilma foi até a geladeira e abriu a porta, olhando para dentro de alguns vegetais e leite de questionáveis idades. Gabriel apertou-lhe a cabeça na perna para dar uma olhada. — Hmmm. — ele resmungou. — Nada de bom aqui. O poder dentro dela tinha se acalmado, mas estava ainda acordado. Ela podia senti-lo experimentando o mundo através de suas ações. Ela fechou a geladeira e olhou em torno da cozinha. Na cesta em cima da pia ela avistou algumas deliciosas maçãs vermelhas. — Que tal uma maçã? — ela perguntou enquanto o cachorro arrancou a maior da cesta. — Eu amo maçãs. — Gabriel já tinha começado a babar. Vilma pegou uma faca de uma gaveta e cortou a maçã pela metade. — Você come a casca ou você quer que eu descasque para você? — A casca é fina. — ele disse, abanando a cauda, formando uma poça no chão debaixo de sua boca molhada. — Só tire o centro, por favor. As sementes me fazem sufocar. Vilma segurou a metade da maçã com uma mão e afundou a ponta da faca dentro da fruta para cortar o núcleo para fora como ela tinha feito para suas sobrinhas inúmeras vezes antes. Foi então que a essência

angélica

escolheu

para

exercitar-se,

surgindo

para

a

superfície para lançar-se contra a prisão de seu corpo. Ela ofegou em

voz alta quando a lâmina da faca afundou pela carne da maçã e na palma de sua mão. Sangrando, ela caiu no chão da cozinha. Mas tudo o que ela podia fazer era tremer, vendo como o líquido escarlate escorria da ferida na palma da mão, descendo pelo braço dela. O

poder

estava

gritando

dentro

dela,

despertado

pelo

derramamento do seu próprio sangue, e não importava quantos pensamentos calmantes ela tentou colocar dentro da sua cabeça, a força angelical continuou a aumentar. Ela não poderia prendê-lo, era exatamente o que temia. — Vilma! — Gabriel gritou, movendo-se em sua direção, tentando acalmá-la como havia feito no passado. Mas era tarde demais, e o poder era forte demais. Deus ajude-a, isso estava livre.

Aaron se aproximou da casa degradada. Scholar havia pedido para vê-lo faz dias, mas Aaron sempre achou alguma razão para evitar o encontro com o protetor de informações e cronista da história de Aerie. Aaron sabia que o anjo estava certo. Ele tinha percorrido um longo caminho nas últimas semanas, mas ele ainda tinha muito a aprender, sobre a profecia de que ele encarnava e sobre o anjo caído que o tinha gerado. Lúcifer. Ele subiu os degraus da varanda e bateu na porta. Embora tivesse chegado a aceitar seu destino, Aaron ainda não queria acreditar

que seu pai era o diabo. Mas ele devia isso aos cidadãos de Aerie, pelo menos, ouvir a prova de sua herança. Se ele iria liderar e esperar que eles o seguissem, ele tinha que ter todos os fatos claros. Aaron bateu uma segunda vez, mas não houve nenhuma resposta. Ele brevemente teve a ideia de voltar mais tarde, mas sabia que se saísse, as chances de estar de volta em breve eram diminutas. Não, pensou, agarrando a maçaneta e girando. Eu tenho que fazer isso agora. A porta se abriu e uma rajada de ar fresco e pesadamente perfumado estendeu a mão para cumprimentá-lo. O ar cheirava papel, e livros antigos. Isso o lembrava das pilhas no porão da Livraria Pública de Lynn. Havia algo estranhamente reconfortante sobre o aroma, trazendo de volta lembranças dos dias quando terminar um trabalho e obter uma boa nota foram as únicas coisas mais estressante de sua vida. Aaron entrou e parou em descrença. O quarto individual em que ele estava era enorme. Quão longes quantos seus olhos podiam ver, havia estantes e pilhas de livros de todos os tamanhos imagináveis e forma. Ele pensou que seus olhos poderiam estar jogando truques sobre ele, pois parecia que dentro desta casa tinha apenas uma sala e pelo menos cinco vezes maior do que parecia ser por fora. Ele considerou sair pela porta e voltar depois. Scholar saiu de trás de um das prateleiras, vestida com sua habitual camisa branca abotoada até a gola, e calças pretas, com o rosto enterrado em um antigo livro. — Eu pensei ter ouvido alguém batendo. — ele disse sem olhar para cima. Ele continuou a andar pela sala, de alguma forma conseguindo evitar os livros empilhados

precariamente ao seu redor. — Entre. — ele insistiu, soando impaciente. — Eu deveria saber que você viria quando eu estaria ocupado com outra coisa. Aaron se moveu mais para dentro do enorme armazém de conhecimento. — Desculpe. — ele se desculpou. — Se você quiser, volto outra hora, quando você não estiver tão ocupado. Scholar finalmente apartou seu olhar de seu livro, sorriso petulante em seu rosto pálido e magro. — Diga-me, quando não estarei ocupado? Aaron ergueu as mãos. — Eu não sei. Eu estava apenas sendo educado. — Salvador de todos nós e com maneiras. — Scholar disse drasticamente à medida que fechava seu livro e o colocava em cima de uma pilha de já quase um metro e meio de altura. A pilha balançou, mas não caiu. Estranho, parecia que as leis da física não se aplicavam aqui. Aaron olhou novamente para a enorme sala, para o teto abobadado, pelo menos, 15 metros. — Sou eu ou este lugar é maior do que parece por fora? Um apito estridente da chaleira sobrepôs sua pergunta quando Scholar sinalizou para ele seguir. — Não é possível puxar a areia dos seus olhos, podemos, Aaron? — ele repreendeu. — Antiga magia de anjo — ele explicou enquanto caminhava para uma pequena mesa em um canto da sala. — Gostaria de tomar um copo? — Ele perguntou, desligando a chaleira elétrica e derramando a água fervente em um

caneca com um saco de chá. — Acho que há água suficiente para outro. Aaron sacudiu a cabeça. — Não, está tudo bem. Obrigado, de qualquer maneira. — A última vez que ele aceitou uma xícara de chá de um anjo, isso tinha estado envenenado. Ele não conseguia descobrir o tamanho da sala e o número de livros. — É muito impressionante o que você tem aqui. — ele comentou, olhando para trás para Scholar.—

Eu nunca teria

imaginado. O anjo se virou para Aaron, soprando sobre o líquido fumegante em sua caneca. — Nós poderíamos ter enchido cada casa em Aerie e ainda não teríamos um lugar para tudo. — ele disse entre os goles.— Isso é quando a magia de anjo pode ser colocada em bom uso.

Aaron não se lembrava de ter se movido, mas de repente a pilha de livros caiu por acidente, enviando três outras pilhas próximas ao chão. Scholar engasgou. — Eu não toquei em nada. — Aaron gritou. — Realmente, eles só caíram por conta própria. — Ele fez um movimento para começar a recolher os livros e escutou o engasgar de Scholar ainda mais alto. — Por favor, apenas dê um passo para longe das pilhas. — o anjo caído instruiu, apontando para o menino se mover para ele. — É isso — pediu suavemente. — Sem movimentos bruscos.

Aaron manobrou entra as pilhas cuidadosamente, e notou que o anjo respirou um suspiro de alívio quando ele chegou sem mais incidentes. — Eu realmente sinto muito sobre isso. — ele disse quando Scholar se serviu de mais chá. — Está tudo bem. — ele disse com um sorriso tenso em suas feições comprimidas. — Por que não simplesmente lidamos com a razão de você ter vindo, e então você pode voltar no seu caminho, hein? Se Aaron não ouvisse suas palavras, ele poderia ver nos olhos do anjo que ele se arrependeu de ter convidado-o para seu local de trabalho. Mas ele empurrou para frente com suas perguntas. — Como sabe? — Ele perguntou. — Como você sabe com certeza que... Ele é meu pai? — Ele não se sentia confortável em dizer o nome. Isso o fez nervoso, as conotações do mal e tudo. — Lúcifer? — Scholar perguntou, parecendo que tinha um tipo de prazer perverso em ver a Aaron reagindo ao nome do primeiro dos caídos.



Você

mostrou-nos

tanto

no

primeiro

dia

que

nos

conhecemos. — ele explicou, — Quando você manifesta as suas habilidades angelicais, mesmo através das algemas. Belphegor e eu sabíamos que só um anjo de enorme poder poderia ter desejado alguém como você. — Mas não há outros anjos poderosos que poderiam ter saído com a minha mãe? Por que tem que ser... — Os sigilos. — o anjo interrompeu, fazendo referência para as marcas que sempre apareceram na carne de Aaron quando ele manifestava o poder total de sua herança angelical. — Acreditamos

que os sigilos foram significativos para a entidade angelical que gerou você, mas nós não imaginamos o quanto. Aaron

estendeu

o

braço

e

pensou

fortemente

sobre

as

marcações. A carne nua começava a arder sempre ligeiramente quando os formatos arcaicos surgiam à superfície. Lembrou-se que Scholar fez uns esboços para Belphegor no primeiro dia em Aerie. Agora ele o examinou na carne. — Ok, então o que eles querem dizer? — ele perguntou. — Eles são símbolos especiais que representam os nomes dos soldados de elite que juraram fidelidade a seu pai e sua causa. — Scholar explicou quando ele traçou as formas nos braços de Aaron com a ponta do seu dedo. — Soldados que morreram durante a batalha no céu. De repente, tudo fez sentido para Aaron quando ele recordou a bizarra viagem interior que tinha feito sobre a assistência de Belphegor e uma xícara de chá envenenada. Dentro de sua mente, ele tinha visto a consumação do poder que residia dentro dele, representado pelo mais magnífico dos anjos quando ele dava seu melhor presente sobre as suas tropas reunidas. — Eu... Eu vi isso. — ele gaguejou, olhando os olhos intensos de Scholar. — Eu vi Lúcifer... Eu vi meu pai... Scholar assentiu lentamente, encorajando-o a aceitar a verdade. — Antes da luta começar, a Morningstar deu a cada um de seus soldados uma marca especial para mostrar o quão importante eles eram para ele, foram para ele. Era com um pedaço de si mesmo que ele os adornou - um pedaço de seu poder.

Sentindo-se fraco, de repente, Aaron se esqueceu dos símbolos e permitiu-lhes desvanecer em sua carne. — Mas por que fazer-me têlos? — Ele perguntou, sentando-se no chão, a cabeça nadando na tontura. — Por que eles estão na minha pele? Scholar virou. — Belphegor e eu estávamos tentando descobrir isso direito antes do ataque de Verchiel. — o anjo acadêmico disse. — Nós acreditamos que se Lúcifer está realmente buscando absolvição dos seus pecados, então você representa o seu pedido de desculpas para Deus e para todos aqueles que morreram por sua causa insana. Oprimido, Aaron enterrou a cabeça em suas mãos quando visões do mais esplendoroso anjo que ele jamais poderia imaginar encheu sua mente novamente. — Como poderia alguma coisa tão bonita ser responsabilizado por tanto horror? — Ele perguntou. Scholar estava sobre ele quando Aaron se sentou no chão, imerso na emoção da revelação. — Ele estava com medo de não ser mais amado. — ele disse suavemente olhando para o espaço. — Assim como todos nós estávamos.

— Aonde vamos? — Lorelei perguntou ao anjo que ela ficou sabendo que era seu pai. Os dois caminharam até o centro da rua para o lugar que eles chamavam de casa. Era meio-dia, um pouco mais tarde, e de cada lado deles os cidadãos de Aerie estavam cuidando de seus negócios usuais. Alguns estavam mantendo pequenos jardins, trazendo vida a partir do solo tóxico, outros simplesmente sentados em cadeiras no gramado velho, com o olhar perdido no espaço, refletindo sobre tudo o que lhes acontecera e estava para acontecer. Lehash fumava um charuto, soprando uma nuvem de fumaça desagradável do canto da boca. — O que é Aerie? — ele perguntou. — Sei lá. Provavelmente algum destroço abandonado de um lugar como todos os outros que nós escolhemos ao longo dos milênios. — Ele deu outro sopro no charuto. — Eu não sei por que não podemos ir a algum lugar agradável, como Montana, ou talvez até o Texas. — disse o pistoleiro, sobre os lugares que tinha vivido há muito tempo.

— Não. Tem sido um tempo desde que você foi a um desses lugares, Pai? — Ela perguntou, a dica de um sorriso puxou os cantos de sua boca. — Faz apenas um pouco de cem anos ou mais — ele comentou, seus olhos de águia varrendo as ruas de Aerie por quaisquer sinais de problemas. — Quanto eles poderiam ter mudado? Lorelei não se conteve e riu alto. No que diz respeito à Lehash o local ainda estava parado no tempo, e-mails ainda estavam sendo entregues por Pony Express, e Butch Cassidy e seu Wild Bunch ainda estavam roubando bancos e fugindo a cavalo. Lorelei balançou a cabeça. Ela não poderia sequer começar a imaginar as mudanças que seres como seu pai havia visto na Terra desde seu exílio após a guerra do céu. — Eu não quero sair daqui. — ela proclamou e qualquer traço de humor agora saiu de sua voz. Ela apontou para os outros ao seu redor. — E eu tenho certeza que eles compartilham meus sentimentos também. O policial arranhou a lateral do rosto com o dedo, raspando como se fosse feito de uma lixa. — Não é o lado ativo de um vulcão ou o casco de um navio afundado, mas tem servido ao seu propósito. Lehash olhou à volta do bairro desolado e esquecido que era a sua responsabilidade proteger. — Mas se o garoto conseguir puxá-lo todos juntos, nós não estaremos precisando nos preocupar se vamos estar aqui ou não.

Parecia estranho ouvir o pai falar de tais coisas. Durante anos apenas Lehash tinha sido a proteção Aerie e de suas pessoas, não importando o local. Aerie era a sua vida, e seu mundo; não havia outro lugar para ele. O céu era algo que ele tinha desistido a um longo, longo tempo atrás, mas isso foi antes de Aaron Corbet. O Nephilim o fez acreditar que a profecia era verdade, que havia uma chance dos caídos serem perdoados, que ele seria perdoado. — Não se preocupe comigo. — ela disse batendo o seu ombro contra o dele. — Você vai para o Céu, e nós vamos viver muito bem sem você. A profecia foi vaga sobre o destino dos Nephilins, só insinuando um propósito especial para eles sobre o mundo dos homens de Deus. Lorelei sentiu uma estranha combinação de medo e excitação quando pensou no seu próprio futuro, sabendo muito bem que havia muito a ser tratado no presente, antes que a estrada longa e desconhecida pudesse ser percorrida. Eles haviam chegado a sua casa e foram casualmente andando pelo caminho de concreto que levou para a porta da frente. — Vou fazer uma refeição rápida e verificar a Vilma. Você quer uma xícara de café ou... Lehash de repente parou, e ele estava parado no início do caminho, os olhos brilhando como se sentindo algo no ar. — Está tudo bem? — ela perguntou com cautela, movendo um fio de seu cabelo com neve para longe do rosto. Ela também estava começando a sentir algo. A porta da casa explodiu, suas dobradiças em uma explosão de incêndio, arrancando a porta de tela junto com

ele. Lorelei foi jogada para trás pela força da explosão, os ouvidos zunindo enquanto ela lutava para se levantar. Lehash já estava se movendo em câmera lenta em direção a ela, com as armas de fogo douradas tomando forma em suas mãos. Então ela viu Gabriel através de um buraco onde a porta tinha sido arrancada, o seu pelo amarelo e com pontos pretos e ardentes olhos selvagens em pânico. — Gabriel! — ela gritou quando o cão correu na direção deles. — Corra! — ele latiu, caindo no chão e rolando para apagar o seu pelo queimado. — Não havia nada que eu pudesse fazer para impedir isso, — o labrador gritou, ofegante e descontroladamente. — Está fora de controle! — Filho da puta. — Lorelei ouviu o pai murmurar sob sua respiração, e ela olhou para frente da casa. Vilma Santiago estava lá rigidamente, com um halo de fogo natural irradiando de seu corpo. — Ajude-me. — ela assobiou quando levantou lentamente as mãos, olhando com terror quando os fogos do Céu dançaram sobre a ponta dos seus dedos. Ela estava tentando contê-lo, mas já tinha experimentado a liberdade e claramente queria mais. Em seguida, o corpo de Vilma ficou rígido de repente, seus olhos de um preto brilhante, como duas bolinhas brilhantes flutuando dentro de uma expressão contorcida de miséria. E, então como quem também está desaparecendo, Vilma Santiago se foi de repente, não mais com eles, substituída por algo completamente diferente. Algo selvagem e perigoso.

Agora que ele tinha o dom da visão, seus outros sentidos foram substituídos por uma espécie de cegueira, e agora estava diminuindo. Mas esse não era o caso. Seus sentidos estavam todos tão nítidos talvez um pouco mais com a adição da visão. E outra coisa tomou o seu lugar entre os seus cinco sentidos, outro sentimento que o avisou que tempos difíceis virão, uma sensação de pressentimento tinha se tornado o sexto de seus sentidos. O curador se virou despercebido, ainda sob seu domínio. Ele parou para verificar os pontos que havia costurado no braço de um dos soldados dos Poderes em cima da borda do telhado do orfanato. Outras

oito

pessoas

estavam



também,

olhando

silenciosamente para fora através do leste de Massachusetts com olhares escuros inabaláveis. — O que você acha deles, irmãos? — perguntou o guerreiro, cujo braço Kraus cuidadosamente tinha examinado, sua voz grossa como se tivesse sido drenada de vitalidade. — Está vindo, uma maldição para a nossa causa sagrada. — O anjo estava falando do Nephilim. Como os Poderes detestavam aquele mestiço, mas agora era tarde, eles não tinham sido autorizados a caçar a maldita prole dos caídos. — Nosso mestre nos diz que há preocupações mais importantes agora, mas eu também senti a ameaça do Nephilim em ascensão. — disse outro.

— Eu pergunto a você, o que poderia ser mais importante do que o extermínio dessas abominações? A infecção tinha encontrado o seu caminho na ferida do anjo e Kraus poderia sentir o aroma pungente de decadência. — Verchiel ordenou-nos a ficarmos quietos. — um anjo do rebanho disse, inclinando a cabeça estranhamente para um lado enquanto ele se dirigiu a seus irmãos. — E não é nosso dever questionar. — Não é o nosso dever é sentar e permitir que os agressores de sua vontade fiquem impunes. — respondeu outro. Todas as penas de suas asas se arrepiaram ameaçadoramente. O medo estava se formando nas fileiras dos Poderes, algo que Kraus nunca tinha percebido. É este o motivo de eu sentir medo assim? Ele perguntou. Ou há algo mais? Pensou o enigmático Arconte. E o prisioneiro

misterioso

que

ainda

continua

preso

no

Orfanato

abandonado de Santo Atanásio. Em seguida, um tremor passou entre o curador quando lembrou do que viu nos olhos de seu mestre. Kraus sentiu vergonha, pois aquele ser que tinha dado a sua vida miserável a um propósito, deu-lhe o dom da visão, e ao invés de sentir amor e gratidão, ele sentia apenas repulsa inexplicável e medo. Houve uma perturbação no céu acima do telhado, e Kraus observava maravilhado enquanto o ar começou a brilhar como a água, crescendo cada vez mais escura quando Verchiel apareceu. O anjo líder pousou em cima do telhado, abrindo suas amplas asas para revelar o Archonte, Katspiel, encolhido dentro de suas dobras. Ele estava curvado, seu corpo torcido com a fadiga.

Kraus podia ouvir a falta de ar chocalhar em seus pulmões. Ele estava prestes a ir para o Archonte, para ver se poderia ajudar, quando começou a tratar o que restava do seu exército. — A Vitória, meus irmãos — proclamou seu líder, — porque eu tenho as habilidades precisas de um guerreiro! Os anjos sorriram e abriram suas asas saltando para o ar para o círculo sobre seu mestre, gritos agitados de antecipação emitiram de suas bocas. Arconte levantou o braço, a mão trêmula tecendo um feitiço de magia no ar, como uma pequena aranha afixando, sua presa. — Os últimos dois Malakim foram encontrados. — Verchiel berrou e o ar em torno deles começou a ficar mais espesso. — Os fragmentos finais do ritual que buscamos em breve estará em nosso alcance. — Sabe como eu sei. — Katspiel pronunciou, ainda lançando o seu feitiço. — Vejam como eu vejo. Um por um os anjos balançaram a cabeça, sabendo onde eles devem ir para obter o prêmio de seu mestre. Com o vento evolvendo suas asas eles foram embora. Verchiel foi o último a partir, fechando os olhos e sorrindo como seus soldados, suas penas lentamente fechado sobre ele e o arconte. — Cada vez mais próximo. — ele disse, sua voz manchada com a emoção da antecipação, e então ele também tinha ido embora. A sensação de mau agouro foi com Kraus, novamente, mais forte do que com os outros, e uma pequena parte dele desejava que as coisas fossem como antes, antes dele ter ganhado o dom da visão e ter começado a ver.

As coisas pareciam muito mais claras depois. Aaron se sentou no chão desordenado e folheou um livro de arte. O livro tinha ilustrações do Céu e do Inferno por artistas com nomes como Blake, Dore, e Bosch. Ele estava dando toda a sua atenção para a versão dos artistas para a interpretação do inferno. — Então deixe-me ver se eu entendi isso. — ele disse, olhando para cima a partir de um particularmente perturbador submundo que mostrou os condenados sendo atacados por demônios e comido por animais mutantes em uma paisagem de incompreensível caos, pintado pelo artista holandês Hieronymus Bosch. — De acordo com você, não há inferno. — Scholar estava no processo de preparar outra xícara de chá. Aaron tinha notado as muitas estantes colocadas em pontos estratégicos da ampla biblioteca de modo que o anjo caído poderia desfrutar de seus livros, quanto bebia alguma coisa quente. — Vamos tentar de novo, vamos? O inferno não é um lugar, para se perecer — o anjo disse, tirando o saquinho de chá pingando de sua xícara e soltando-o em um prato sobre a mesa. — É mais um estado de ter, uma experiência, se você tiver vontade. Aaron fechou um volume grande e se levantou para devolver o livro para sua plataforma. — Mas há um céu? — ele perguntou, só para ter certeza.

Scholar o interceptou antes que ele pudesse chegar a estante de livros. Provavelmente preocupado que o menino iria colocá-lo de volta no lugar errado ou talvez derrubar as estantes. — Claro que há um Céu. — ele respondeu bruscamente, exasperado que Aaron poderia sequer perguntar tal questão. — Caso contrário, toda a razão para o seu nascimento nem sequer existiria. Ele incisivamente devolveu o livro para o seu lugar. Aaron deu de

ombros,

recostando-se

casualmente

contra

uma

de

suas

prateleiras. — Eu pensei que um não poderia existir sem o outro. Scholar voltou para sua bebida fumegante, escolhendo uma caneca para beber. — A humanidade sempre foi fascinada pelo conceito de um submundo, um Inferno, desde o princípio contanto histórias em torno de fogueiras ardentes, especulando sobre o destino de suas almas após a morte. — Ele tomou um gole e fechou os olhos, o líquido quente passando sobre os lábios, parecendo trazer o anjo tenso, certa quantidade de calma. — Eles se perguntavam o que aconteceria quando eles já não existissem mais, lutando para desvendar os mistérios vastos da vida em um estranho e desconhecido mundo. Os primeiros seres humanos teceram todo tipo de contos fantásticos sobre divindades do submundo e viagens perigosas para a vida após a morte. As histórias eram passadas de pai para filho de boca em boca, com cada geração adicionando um pouco de seu próprio tempero à mistura. A religião organizou essas teorias, elaborou cenários de efeito, mas

sempre significou o mesmo: bom comportamento significava a salvação; o mal era condenado. — Então, se o inferno não é um lugar, o que é realmente? — Aaron perguntou. Scholar riu, mas não havia divertimento em sua resposta quando olhou para o espaço. — Se você perguntasse a cada um de nós que caiu, você provavelmente receberá uma resposta diferente de cada um — ele disse. — Para alguns, ser banido do Céu foi à condenação final. O anjo parou e chamou a atenção de Aaron antes de continuar. — Mas foi seu pai, o filho da manhã, o Lúcifer, que causou isso, que provavelmente ainda perdura, em um nível do inferno em que todos os outros empalidecem em comparação. — Era o seu castigo — Aaron declarou firmemente, — pelo que fez ao Céu. Scholar balançou a cabeça lentamente, e Aaron sabia que estava revivendo o momento em que Deus puniu o anjo que era seu próprio pai. — Toda a dor, toda a violência que ele foi responsável, foi coletada em uma massa fervilhante de miséria. — O rosto do anjo estava torcido. Ele ergueu a mão vazia, como se segurando uma bola de algo terrível. — E ela foi colocada dentro dele para que ele sempre pudesse sentir a extensão do sofrimento que ele causou. Scholar tocou o peito, mostrando o destino de Lúcifer.

— Ele foi o primeiro dos caídos, e aqueles que tinham tomado sua causa seguiram para a Terra, compartilhando seu banimento do céu. — Aonde ele foi? — Aaron perguntou. Se não há um inferno, o que o Diabo faz e onde mora? Ele se perguntou, lembrando alguns bairros em sua cidade que o Diabo teria ficado bastante confortável. — Lúcifer vagou pelo mundo. Alguns dizem que ele estava tão amargamente zangado com Deus que ele se virou para o mal, fazendo tudo em seu poder para corromper o mundo que o Criador era tão orgulhoso. Scholar terminou o que poderia ter sido sua décima xícara de chá desde que Aaron chegou e começou a estudar. — E o que você acha? — Aaron perguntou. — Ele estava mal ou foi apenas uma reação ruim que o seguia por causa do que ele fez no céu? — Se ele era uma criatura má — Scholar começou pensativo. — Se ele era o flagelo que a sua cultura popular sugere, não teria sido possível para ele conceber um ser cuja única razão da vida é trazer a redenção não só para si, mas para todos os que foram tentados por ele? Acho que não. — Eu posso ver porque Verchiel e seus poderes não estão tão emocionados comigo. — Aaron disse, e as coisas começaram a cair em algum lugar no fundo de sua mente. — Se tudo vai de acordo com a profecia, eu vou ser responsável por conceder o perdão ao pecador final, aquele que Verchiel acha que deveria sofrer por seus crimes por toda a eternidade.

Scholar acenou com a cabeça em concordância. — Verchiel ainda acredita em sua missão, não importa o quão suja e torcida tenha se tornado. Ele ainda acredita no último castigo para aqueles que questionaram a Palavra de Deus. A enormidade de sua responsabilidade para com os anjos caídos, ao seu pai, ao próprio Deus, pousou sobre os ombros de Aaron como uma tonelada de tijolos. Ele finalmente estava se acostumando com a ideia de reunir os caídos com Deus, mas para reparar um abismo entre Deus e o Diabo? Isso era outra coisa completamente diferente. — Você acha que ele merece ser perdoado? — Aaron perguntou a Scholar. O anjo caído sorriu tristemente e encolheu os ombros. — Isso não é para eu decidir. — Mas se fosse. — Aaron persistiu. — Então sim, eu iria perdoá-lo, — disse Scholar. — Se nós patéticas criaturas podemos receber o perdão, então ele também merece, por que ele fez apenas o que nós não tivemos coragem para fazer. Aaron pensou por um momento. — Acho que vou ter de encontrar este Lúcifer e ver por mim mesmo. — Ele disse com o toque de um sorriso. — Mas não antes de eu lidar com um certo comandante dos poderes. — Ele estava prestes a perguntar à Scholar se ele tinha que aprender alguma coisa mais sobre Verchiel e os Poderes, quando em algum lugar distante do quarto, ele ouviu uma porta se abrir e seu nome ser violentamente chamado. Aaron reconheceu o som da voz Lehash, bem como a intensidade nela

e correu para encontrar o chefe da segurança de Aerie, com um Scholar curioso atrás. Aaron correu por uma parede de estantes e quase tropeçou em uma arma. — O que há de errado? — ele engasgou, não gostando do olhar que viu nos olhos de Lehash. — Há problemas na casa, — o anjo começou. — É Vilma, ela... Aaron não esperou que ele terminasse. Imediatamente a imagem da casa em que a garota que ele amava estava hospedada se formou em sua mente. Suas asas pretas apareceram em suas costas, derrubando pilhas de livros quando elas se fecharam em torno dele, um suspiro frenético foi à última coisa que ele ouviu durante um piscar de olhos.

Atravessando o vazio entre o aqui e ali, Verchiel ouviu os gritos dos seus temíveis soldados. Eles sentiram a batalha que virá, e se deleitavam com a oportunidade de homenageá-lo, os seus gritos de guerra, uma inspiração para a sua causa. Verchiel nunca havia confiado em Malakim. Ele sempre foi suspeito do nível de conhecimento e poder que havia sido conferido à trindade angelical pelo Ser Supremo. É irônico que esses mesmos dons seriam usados contra seu Pai Santíssimo. Isso quase o divertia, mas desde a horrível realização que ele tinha sido jogado em uma deriva pelo mesmo Mestre tinha mais zelosamente servido desde o início da época, havia muito pouco espaço para diversão. Eles estavam perto agora; Verchiel podia sentir sua presença, suas magias complexas já não conseguia mais escondê-los. O Arcanjo Katspiel tinha provado o seu valor novamente. Embora esgotado, sua força de vida como um sedento deserto nômade sugando avidamente sobre uma cantina, o usuário de magia angelical tinha conseguido

tecer um feitiço complicado que revelou a localização secreta dos dois Malakim sobreviventes. O que é que a expressão de macaco que eu ouvi tantas vezes? Verchiel ponderou. Dois coelhos com uma única rocha, pensou enquanto suas asas se separaram para revelar o fim de sua jornada. Dois Malakim, vestidos com tecidos cintilantes, aparentemente feitos partir da luz pura do sol, estavam parados sobre o corpo do primeiro de sua espécie morto em Kilimanjaro. Seu corpo com armadura havia sido colocado em cima de um antigo altar de pedra e cercado com velas acesas de várias alturas. As inescrutáveis criaturas do Céu acreditavam estar tão perto de Deus como qualquer um de Suas criações, estavam de luto por seu parente de passagem. Tão curiosamente... Humano, Verchiel pensou enquanto pesquisava seus paradeiros. O cheiro dos mortos pendurava pesado no ar estagnado. Com base nos adereços religiosos em torno da caverna, Verchiel percebeu que eles estavam de alguma câmara em uma primitiva funerária cristã, há muito esquecida e, provavelmente, escondida nas profundezas de alguma metrópole. O Malakim sempre foi fascinado com as formas dos macacos humanos, observando cada movimento seu ao longo do caminho evolutivo. Verchiel ainda acreditava que as espécies eram pouco mais que animais inteligentes e não via futuro real para eles. E se ele conseguisse o que ele se propôs a fazer, não teriam de fato algum. Eles tinham viajado para uma caverna enorme, as paredes do tamanho de um homem manchadas e cavidades cheias de restos ressecados.

— Você não foi convidado aqui, anjo. — um dos Malakim disse, sua voz gotejando com presunção. — Tomem seu anfitrião e partam. Nós respeitamos a sua empatia, mas queremos afligir pelo o nosso irmão que partiu sozinho. Esse era o menor indício de medo que Verchiel viu nos rostos destes seres supostamente superiores quando estava sobre os restos mortais de seu irmão? Como perturbador deve ter sido para eles, encontrar um deles derrubado ao chão, seu recurso mais precioso rasgado a partir do seu corpo. — Não queríamos que fosse dessa maneira. — ele disse ao Malakim, aproximando-se. Ele notou que eles haviam limpado o corpo, mas pouco fez para esconder os estragos da procura dos Poderes pelo seu prêmio. — Nós imploramos para ele se render, mas ele preferiu lutar. Os dois seres angélicos trocaram um olhar rápido antes de olhar para trás para Verchiel. Era exatamente como tinha sido com o primeiro de sua laia: tão arrogante que não poderiam sequer começar a entender a ideia de que logo estariam cercados. — Era como se ele quisesse morrer. — Verchiel disse, olhando para baixo para o cadáver com falsa tristeza e, em seguida, sorrindo um sorriso predador. Naquele momento, o Malakim finalmente entendeu, e o olhar sobre os seus oh-tão-superiores rostos era impagável. O líder dos Poderes levantou a mão. — Peguem-nos. — ele latiu para suas tropas. Seus guerreiros surgiram sob o seu comando, as armas de fogo apareceram para a batalha. Assustado com essa exibição ostensiva de

hostilidade, o Malakim se afastou do altar de pedra em que o seu camarada caído havia sido sepultado. — Os outros chegaram. — Arconte Katspiel sussurrou, com a cabeça inclinada para trás, invisível, sem mágica, e Verchiel viu que ele estava correto. O ar atrás do Malakim distraído começou a distorcer, uma entrada mágica para os Arcontes. Os Malakim estavam de costas, a luz bendita da sua divindade que irradiava de seu corpo, iluminava a feiura da câmara de sepultamento em torno deles, o calor lançado a partir de sua onipotência inflamou os restos do sepultado. Armas crepitaram, a força azul tinha aparecido em suas mãos, e eles lutaram com os soldados de Verchiel com uma ferocidade que impressionou muito o líder dos Poderes. Se apenas eles dessem o seu conhecimento de bom grado e se juntasse a ele em sua empreitada contra um Criador que tinha enlouquecido. Mas Verchiel sabia que nunca viria a ser, pois ele imaginava que ainda estavam sob o equívoco de que seu Deus podia fazer nada errado, e nada iria influenciá-los de sua fé. Pobres tolos iludidos. Seus poderes fizeram o que era esperado deles, a sua fúria implacável, seus números prescindíveis para o bem maior. Muitos começaram a queimar, o intenso calor que irradiava do Malakim devorando sua carne com uma fome voraz, mas ainda assim eles lutaram, a primeira onda de um assalto em duas vertentes. Os Arcontes tinham tomado as suas posições por trás da batalha, com os braços balançando no ar enquanto recitavam encantamentos que tornariam sua presa indefesa. Do lado do Verchiel,

Katspiel juntou a sua voz com as dos seus colegas magos enquanto movia a lâmina sagrada de extração de dentro das dobras de seu manto. Um grito estridente ecoou pela câmara de sepultamento, e um dos Malakim caiu, contorcendo-se e contraindo no chão do mausoléu, lutando contra a magia dos Arcontes. Mas o outro agiu quando seu parceiro caiu, conjurando um escudo, uma bolha protetora que impediu o feitiço de incapacitação, bem como a fúria dos soldados restantes dos Poderes. Verchiel espalhou suas asas e saltou para o ar, uma espada vindo à vida em suas mãos. — Saiam. — ele berrou enquanto caía ante a explosão da esfera de energia mágica que continha sua presa. Seus guerreiros sobreviventes, enegrecidos e empolados, rapidamente se dispersaram. — Dê-me o que eu quero, e vou deixá-lo viver. — Verchiel disse assim que colocou a mão contra a esfera. Houve um clarão de energias sobrenaturais e o comandante dos Poderes puxou rapidamente para longe a palma da mão enegrecida pela descarga. — Sabemos o que você tirou do irmão Peliel. — o Malakim disse de dentro da bolha. Ele tinha caído de joelhos, exausto pelo esforço. — Você mexe com forças muito além de sua capacidade de entendimento. Eu peço a você, anjo hospedeiro dos Poderes, abandone essa loucura antes que seja tarde demais. Verchiel sorriu, mais um rosnado, então, passou sua língua sobre a carne macia de sua mão queimada. Ele afastou-se da esfera

para olhar para o Arconte Katspiel. O feiticeiro cego tinha encontrado o seu caminho para outro lado da sala e agora estava sobre o corpo do Malakim que eles tinham abatido, segurando uma temível ferramenta de extração... — Katspiel — Verchiel disse, olhando de volta para o Malakim magicamente protegido. — Pegue o que eu quero. O Arconte cego levantou o braço, preparando-se para trazer o punhal para baixo. — Por favor. — implorou o divino ser de dentro de sua esfera de energia protetora. — Permita-nos as nossas vidas e nós vamos dar-lhe o que quiser. — Raphael, não! — gritou o Malakim sob o horrível punhal, os olhos arregalados em desafio. — Silêncio! — Verchiel ordenou, virando a sua atenção de volta para o Malakim Raphael. — Largue o feitiço de proteção e eu vou considerar sua oferta. Raphael encarou o Comandante dos Poderes por um momento, em seguida, fez como lhe foi ordenado, a bolha mágica de energia se dissipando no ar, como a fumaça das sobras queimando dentro da câmara mortuária. — Está feito. — Ele disse. — Sim. Sim, está. — Verchiel respondeu. — Katspiel. O Arconte trouxe o punhal para baixo, para o crânio do Malakim imobilizado, o som do crânio sendo quebrado explodiu no ar tranquilo da tumba.

— Sua oferta é muito cara. — Verchiel disse para o Malakim sobrevivente. — Você e seu irmão são muito perigosos para ser deixados vivos. Eu espero que você possa entender minha posição. O ser angelical balançou a cabeça enquanto os Arcontes o cercava, o feitiço de imobilização começou a derramar de seus lábios. — Como eu espero que você possa entender a minha. — Raphael disse. A energia da espada saltou de repente a vida em suas mãos e ele virouse para mergulhá-la no peito do mago angelical mais próximo. Caos entrou em erupção. Os Arcontes começaram a gritar, a sua concentração quebrada quando Jaldabaoth escorregou para o chão, a lâmina de luz saindo de seu peito. Os soldados sobreviventes dos Poderes avançaram em uma tentativa de apreender o último dos Malakim. Mas Verchiel já sabia que era tarde demais. Raphael aproveitou o momento e, antes que conseguisse colocar as mãos sobre ele ou reformular suas magias, e brotaram as asas douradas e ele levantou voo.

Aaron sentiu o chão aparecer abaixo de seu pé e abriu suas asas, seu sangue correndo gelado com à vista diante dele. A menina que amava estava atacando Lorelei e Gabriel. Não, não a menina que amava, ele corrigiu si mesmo, mas o antigo poder que girou fora de controle dentro dela.

Vilma estava gritando, uma mistura de raiva e dor, como se chamas sobrenaturais ameaçassem alcançá-la e consumir tudo o que tocava. Lorelei tinha estendido o braço, e um feitiço de defesa derramou de sua boca enquanto tentava conter a Nephilim. Tentáculos galopantes de força mágica explodiram de sua mão estendida, atingindo Vilma que bateu violentamente para o chão. Aaron estava se movendo para ajudá-la quando a menina começou a gritar – um grito que tinha ouvido antes. Um grito que ele mesmo tinha dado em tempos de batalha. Era um grito de guerra. Aaron abriu a boca para alertar Lorelei do perigo iminente, mas já era tarde demais. O flash foi cegando, uma explosão de fogo celestial que impulsionou a feiticeira Nephilim para trás, seu corpo pouso em uma pilha quebrada no jardim da frente. Vilma estava de pé novamente e ela começou a vagar em direção à rua, mas Gabriel surgiu à frente para bloquear seu caminho. — Vamos lá, Vilma,— ele disse a ela. — Você tem que se acalmar antes que alguém realmente se machuque. E Aaron notou então que o seu cão se queimou, manchas no lindo e amarelo pelo de ainda latejavam a partir da picada da essência angelical. Ele prendeu a respiração, observando como a menina olhou para o obstáculo canino, ela moveu a cabeça estranhamente para um lado, a angelical essência flutuando para fora através de seus olhos. — É isso aí. — o cão continuou em um calmante, rumor de voz. — Não há necessidade de estar tão chateada, nós podemos resolver isso.

Eles ainda estavam inconscientes de sua presença e Aaron permaneceu perfeitamente imóvel; no momento Gabriel parecia ter a situação sob controle e ele não queria perturbar se isso tinha a chance de funcionar. Desde seu renascimento, o cão tinha desenvolvido uma série de habilidades únicas. Parecia que havia uma estranha conexão psíquica entre o Labrador e as coisas sobre os Nephilim. Se havia alguém que poderia acalmar a fúria da essência angelical, era Gabriel. — Eu estou... Eu estou tentando. — Vilma disse, sua voz baixa e tremendo. Ela parecia muito longe. — Mas está lutando contra mim. Aaron viu as lágrimas escorrendo pelo seu rosto e seu coração quase quebrou. Lembrou-se quão doloroso foi para ele quando ele tentou segurar sua própria essência angelical emergente. — Eu vou te ajudar. — Gabriel disse. — Apenas me deixe entrar dentro de seus pensamentos e vamos ver se não podemos colocá-lo de volta para dormir. É isso.— o cão arrulhou. A menina começou a balançar lentamente, seus olhos fechando bem apertados. Gabriel balançou também, psiquicamente conectado, adicionando suas próprias forças nas dela. Mas de repente o seu corpo se enrijeceu e um engasgo de agonia escapou de seus lábios. Gabriel gritou bem como, recuou a partir da dor psíquica. E então Aaron ouviu o som de algo rasgando. — Gabriel, se afaste dela!— ele gritou em aviso, agitando os braços quando correu em direção a eles, seus pés deslizando na grama molhada, o cheiro de coisas queimando atacando seu nariz.

Vilma gritou quando as asas, escondidas debaixo da carne das costas, começaram a crescer. Sua roupa rasgou quando elas lentamente se abriam. Se o momento não fosse tão intenso, Aaron teria pensado que eram as mais belas asas que já viu, penas cor de caramelo, salpicadas com pontos de branco, marrom e preto. Seu corpo estremeceu com a liberação, suas novas asas abanando o ar. Ela olhou para baixo, para Gabriel, um sorriso de escárnio, de crueldade em seu rosto riscado por lágrimas. O cão parecia atordoado quando se sentou diante da Nephilim fora de controle, furiosamente balançando a cabeça. A linguagem de mensageiros, a linguagem dos anjos-derramando da boca de Vilma. Ela estendeu seus braços em direção ao indefeso Labrador e fogo começou a dançar nas pontas dos dedos. Aaron empurrou as asas de suas costas e saltou a distância restante para seu melhor amigo. A cascata de chama batendo em suas costas, sobre as suas estendidas asas pretas, e ele gritou quando puxou Gabriel em seu abraço protetor. — Você vai correr agora. — ele sussurrou no ouvido do cão com os dentes cerrados enquanto o fogo lambia à sua de volta. Gabriel pareceu reunir o seu juízo, e correu dos braços de seu mestre para a segurança atrás de uma árvore próxima. Aaron se virou, o cheiro de carne queimada e penas asfixiava o ar. Ele saltou do solo, impulsionando-se para Vilma, conectando o ombro com seu meio. Ele não queria machucá-la, mas ela tinha que ser parada. O poder dentro dela, se deixado não reprimido, ameaçaria não só Aerie, mas o mundo humano fora também.

Ele a levou para trás, na frente da casa. A força de seu golpe quebrando a janela acima de suas cabeças. — Ouça-me, Vilma.—

disse ele, tentando prendê-la contra a

casa. — Ouça o som da minha voz. Ela gritou um grito estridente de pássaro enquanto se debatia de lado a lado. — Você é mais forte que isso. — ele continuou, tentando manter a voz calma, mesmo que as queimaduras nas costas vibrassem com cada movimento seu. — Você tem que forçá-lo a recuar, onde isso pertence. Não é mais forte do que você, ele só quer que você pense que é. Ela

parou

de

lutar,

seu

corpo

ficando

mole,

e

Aaron

equivocadamente afrouxou o domínio sobre ela. Ainda firmemente nas garras do poder angelical, Vilma levou o joelho para cima em sua virilha e ele caiu no chão com falta de ar. Ela continuou a bradar e bufar na língua dos anjos enquanto ela lentamente bateu o ar com as suas asas, preparando-se para seu primeiro voo. Uma palavra se destacou de todo o resto. — Fuja! Mas isso era algo não permitido para Aaron. Através da névoa de dor, ele tentou virar seu corpo o suficiente para agarrá-la, mantê-la no chão, mas seus dedos apenas roçaram barra da calça jeans quando ela se elevou para o ar. E então uma mancha amarela passou por ele, agarrando a perna de Vilma com um aperto furioso.

Gabriel resmungou quando Vilma chutou ele, mas manteve o agarre, dando tempo suficiente para Aaron se recuperar e se elevar para o ar. Ele conseguiu agarrar a menina, mas ela batia suas asas furiosamente e eles ainda subiam mais alto. Gabriel liberou o seu domínio sobre ela, caindo inofensivamente para o chão, onde ele estava olhando para eles, presos em uma luta acima do telhado. Fogo de novo saiu de suas mãos estendidas, jogando Aaron para longe com a sua explosão. Ela estava voando para longe dele agora, freneticamente tentando fugir, e ele percebeu que havia apenas uma coisa que poderia fazer para pará-la. Ele convocou as palavras de fogo, observando

enquanto

tomava

forma

em

seu

alcance.

Depois,

impulsionou-se através do ar, como um tubarão faminto em cima de sua presa. Esse é o único jeito, ele repetiu em sua mente enquanto voou acima dela e açoitou com sua arma, cortando uma de suas belas asas novas. Seu

grito

foi penetrante

quando ela afundava,

tentando

permanecer no ar, mas a dor era muito grande, a lesão muito extensa, e Vilma começou a cair do céu. Aaron desejou que sua espada desaparecesse e mergulhou para pegá-la. — Deixe-me ajudar. — ele suplicou. Mas a essência rugiu sua ira, explodindo chamas de suas mãos e levando-o embora. Impotente, ele seguiu seu caminho de descida, observando como ela aterrissou na rua abaixo, espalhando uma multidão de cidadãos que se reuniram para assistir a batalha.

Ele se agachou ao lado dela e tomou-a nos braços. Ela estava viva, mas parecia estar mergulhada em um pesadelo, gemendo e se debatendo em seus braços. Era só uma questão de tempo antes de ela voltar à consciência e ele não saberia o que fazer. — Você pode querer se afastar dela, — ele ouviu Lehash dizer de algum lugar perto, e se virou para ver o anjo visando um de suas armas douradas, já engatilhada. — É provavelmente a coisa mais misericordiosa a fazer. Aaron puxou-a mais perto, protegendo-a com seu corpo. — Você quer matá-la? — exclamou, incrédulo. — Você está louco? É assim que resolve os problemas aqui, colocando balas neles? Lehash baixou a arma com um suspiro e se aproximou. — Você sabe que é não é o que estou falando, menino. — ele disse calmamente.—

A fusão só não aconteceu certo com ela. Ela é um

perigo para si mesma, para nós e o mundo. — O anjo pistoleiro agarrou o ombro de Aaron e apertou.— Colocá-la para dormir poderia ser a coisa mais certa para ela. — Eu não posso deixar você fazer isso. — disse o garoto, olhando de Lehash para Vilma. — Eu tenho que tentar ajudá-la. A arma na mão Lehash desapareceu em um flash de luz, mas Aaron sabia que poderia ser instantânea convocado. — E se você não puder? E se isso é um dos que não pode ser salvo? Aaron não respondeu ao anjo caído. Em vez disso ele puxou a menina ainda mais perto, sussurrando baixinho em seu ouvido que

tudo ficaria bem, e desejando com todas as suas forças para isso ser verdade.

Profundamente dentro do reino da inconsciência, Lúcifer fugiu para um lugar de sua própria criação para escapar das agonias da tortura. Ele estava deitado sobre a cama ao lado dela, sabendo muito bem que ela era apenas uma invenção de seu passado, uma criação de sua confusa mente. Mas ele não pode evitar, exceto sentir uma ponta de alegria por ter Taylor ao lado dele novamente. — O quê?— ela perguntou, olhando em seus olhos. — Tem algo errado? Por onde começar? Lúcifer ponderou. Ele desejou isso tudo sumindo, voltar à escuridão do esquecimento, à realidade sombria da sua situação, mas ele não conseguia fazê-lo. — Não. — ele finalmente disse, sentindo de alguma forma culpado pela mentira, mesmo que ela fosse apenas uma criação da sua mente. — Tudo está bem. Porque você não volta a dormir? Taylor sentou na cama, a alça de sua camisola escorregando do ombro para expor as curvas de sua carne delicada. — Você não é um bom mentiroso, você sabe disso? — ela disse com um sorriso

conhecedor. — Talvez se nós falássemos sobre isso, você se sentisse melhor, chegar a algo que não pensou antes. Ele achou estranhamente divertido que ele tentou mentir para uma invenção de sua própria imaginação, como se isso não estaria já ciente dos perigos que estava. Lúcifer rolou e saiu da cama. — Não há realmente nada para falar. — O ambiente mudou de repente, como uma cena em um filme, o quarto calmo e escuro borrando em uma parque em um dia maravilhoso de sol. — Tente. — Taylor disse, com a mão em seu firme braço. Sua camisola de seda tinha sido substituída por um simples vestido, sandálias e um chapéu de abas largas. Era a roupa que ela usava quando eles se conheceram há muito tempo. Um cão, um golden retriever que ele já sabia foi nomeado de Brandy, andava na direção deles, um pedaço de pau em sua boca, ansioso por um jogo de vai pegar. Era um dia absolutamente lindo, assim como ele se lembrava. O céu estava mais azul do que ele já havia visto, finas nuvens, como teias de aranhas por todo o amplo espaço azul-turquesa. Foi um dia diferente de qualquer outro que ele tinha passado sobre o mundo de seu banimento – o dia quando ele considerou pela primeira vez que poderia ser algo mais que o primeiro dos caídos, o monstro que havia trazido uma guerra ao Paraíso. Como tinha sido um tolo.

Taylor pegou o pau do cachorro e atirou-o. — Você acha que ele vai realmente fazê-lo? — ela perguntou, observando o cão correndo por toda a verde grama em busca de seu prêmio. Ela estava falando sobre Verchiel e a intenção do anjo em usar Lúcifer como um instrumento de morte para atacar o coração do Criador, destruindo o mundo dele. Ele teria gostado de acreditar que nada que surgisse a partir de Deus poderia fazer tal maldade, mas ele tinha olhado dentro dos olhos do comandante dos Poderes e viu algo raivoso e torcido – algo familiar - e ele sabia a resposta. — Sim, eu acho que ele vai. — Lúcifer disse. Brandy regressou feliz com a vara, e ele notou que o céu tinha ficado de repente escuro, como se não fosse uma tempestade. Isso não fazia parte do seu dia original e Lúcifer ficou cauteloso. — E você acha que ele vai conseguir? — a mulher perguntou, agachando para o cão, correndo as unhas através de sua pele dourada e esfregando as orelhas. O

céu

tinha

se

tornado

da

cor

da

noite

e

roncou

ameaçadoramente à distância. — Para Verchiel destruir o mundo do homem, ele deve de alguma forma desfazer a Palavra de Deus. — Lúcifer respondeu enquanto a escuridão fechava em torno deles. — E eu duvido que mesmo um tão tenaz quanto ele pode inventar uma maneira para se fazer isso. A chuva começou a cair em torrentes, e ele a tomou pela mão e a puxou para seus pés, e eles correram para se proteger. Brandy, já os tinha abandonado, fugindo para a meia-noite permanente, que estava consumindo toda a evidência de um parque.

Ele colocou seu braço envolta de Taylor, segurando-a perto, temendo que ele pudesse perdê-la na tempestade. Ela estava encharcada, e ele a sentiu tremer enquanto tropeçavam através da paisagem à procura de abrigo. A caverna estava subitamente diante deles, como a boca aberta da grande baleia pronta para engolir Jonah, e enquanto eles se aproximaram, um sentimento de mal-estar varreu-o e ele recuou. — Qual é o problema? — Taylor perguntou, empurrando os cabelos molhados para longe do rosto. — Você conhece esse lugar? E ele sabia muito bem que ela sabia que ele conhecia. — Não é um lugar que eu gostaria de visitar. — ele disse, olhando para o espaço além entrada da caverna. Taylor puxou sua mão, puxando-o para a caverna. — Devemos ir para dentro. — sugeriu. — Só por um pouco, para sair da chuva. Cada instinto gritava para ele correr, mas se permitiu ser puxado, e a escuridão os envolveu em um abraço que congelou à sua própria essência. Tochas vieram à vida enquanto andaram para o interior da caverna. Havia brutos desenhos nas paredes que descrevia a criação de Deus do universo, dos seres que ele iria chamar de Seus anjos. Viuse sentado diante do Criador quando a Terra se formou debaixo deles. — Isso realmente te irritou, não é? — Taylor perguntou. A passagem em que eles andavam fazia um ângulo acentuado para baixo.

— Sim. — Lúcifer admitiu, olhando a interpretação do Éden e seus primeiros habitantes humanos. Ele ainda sentia a fúria, como se pela primeira vez. — Eu estava com ciúmes deles. Eu pensei que Ele estava nos empurrando para o lado dos seres humanos, que Ele amava-os mais do que à nós. Eles continuaram sua descida, a passagem se abrindo, as pinturas agora engolindo-os com seu tamanho. — Você tinha que começar uma guerra? — Ela deu a sua mão um aperto amoroso. — Você não poderia ter uma boa conversa? Contar a ele como você estava se sentindo? As imagens mostravam Lúcifer reunindo seu exército e dandolhes um presente de sua força interior. — Eu estava com raiva. — Não brinca. — Taylor disse, apontando para a representação particularmente temível de si mesmo, espada flamejante na mão enquanto conduziu as suas tropas para a batalha contra as forças do céu. A arte da parede que se seguiu foi uma das coisas que não se importava de ver. Pinturas de seu exército derrotado, da mortes daqueles que tinham jurado lealdade a ele, os sobreviventes fugindo do Céu para se esconder sobre a terra. — Eu aposto que ver isso o faz sentir muito estúpido. — Taylor disse com um suspiro.

— Você não sabe da missa a metade. — Lúcifer respondeu. — Mas de alguma forma você aprende a viver com isso e aceitar os erros que você fez. Eles tinham chegado ao fim da passagem com desenhos, o final diante deles, uma imagem de si mesmo, quebrado, derrotado, pele enegrecida e queimada, enquanto a mão de Deus desceu dos céus para dar seu veredicto sobre ele. — E Sua punição? — Ela perguntou, inconscientemente esfregando seu próprio peito onde Deus o tinha tocado – onde toda a dor e tristeza que ele tinha causado foi colocada. — Você já aceitou isso? Lúcifer lentamente acenou com a cabeça, seus olhos fixos na representação artística de seu destino. — É o que eu mereço. — ele disse, estendendo a mão para colocar a palma da mão sobre a fria parede de pedra que marcava o fim de sua jornada. E quando a mão entrou em contato com a parede, um estremecimento

percorreu

a

rocha

pintada.

Largas

rachaduras

apareceram, dividindo a pedra. Lúcifer foi rápido a agir, agarrando Taylor pelo braço e puxando-a do caminho quando a parede de pedras diante deles caiu para revelar algo escondido por trás dele. Eles olhavam com admiração quando a poeira começou a baixar, e olharam para uma enorme porta de metal. Isso lembrava o cofre de banco, apenas maior, a sua superfície atravessada com grossas correntes e enriquecida com fechaduras múltiplas de tamanho inimaginável.

Instintivamente, ele sabia o que ele estava olhando – o que eles estavam olhando

- e estava temendo isso. Aqui estava uma

representação psíquica da Palavra de Deus, a maldição que manteve a dor e a tristeza acumulada da guerra no céu trancada dentro dele. — E Verchiel teria que começar por isso para atingir os seus planos? — Taylor perguntou, apontando para a enorme porta. Lúcifer estava prestes a responder, para tranquilizá-la que nada exceto o próprio Deus poderia ter acesso ao obstáculo que mantinha a sua penitência infernal na borda, quando sentiu um tremor passar pelo túnel, e a grande porta sacudir em seu quadro de rochas antigas. Ambos assistiram horrorizados quando um cadeado conectado a dois elos de uma corrente poderosa abriu-se, retinindo ao chão. — Isso é exatamente o que ele teria que fazer. — Lúcifer disse, uma garra gelada de pavor fechando em seu coração quando outro dos bloqueios caiu.

Aaron abafou um grito de desconforto quando Lorelei limpou alguns dos bálsamos sobre as feridas que sofreu durante sua briga com Vilma. Cheirava absolutamente horrível e picava ainda pior. Mas ela já tinha o castigado uma vez sobre ser um bebê, envergonhando-o na frente de Lehash, então ele rangeu os dentes e suportou a dor. — Você está terminando aí atrás?— Ele perguntou. — Quase,—

ela disse quando sentiu anexar uma bandagem

umedecida no ombro. — Isso deve cuidar.—

Ela pressionado

levemente o curativo contra a sua pele queimada. Parecia bom, quase reconfortante, mas então o latejar estava de volta. — Até que surtar novamente. — Lehash acrescentou, puxando um dos seus mal-cheirosos charutos do bolso de trás. — Isso não é nem um pouco engraçado. — Aaron olhou para o anjo. — Não era para ser, menino,— o pistoleiro disse, levantando o dedo indicador da ponta do fino charuto na boca.

— Não se atreva a acender essa coisa suja aqui. —

Scholar

berrou do outro lado da sala. — Os livros cheiram mal por meses. — O anjo estava sentado em uma mesa pequena de madeira, de costas para eles, enquanto continuou a folhear os livros que havia reunido, na esperança de encontrar uma solução para problema de Vilma. — E você quer saber porque eu não o visito. —

Lehash

resmungou, tirando o charuto da boca e devolvendo-o bolso. O clima era sombrio e deprimente. Nem Lorelei nem Lehash estendeu muita esperança para Vilma, mas Aaron não estava disposto a desistir tão facilmente. Se alguém no Aerie poderia ajudá-la, era Scholar. O anjo caído ergueu as mãos em exasperação e se levantou de seu assento. — Eu achei nada. — ele disse, começando a andar. — Há abundância sobre os Nephilim, mas nada sobre como controlá-lo, uma vez que está fora de equilíbrio. Lehash recostou-se contra uma estante de livros e cruzou os braços. — E você sabe por que isso acontece?— Ele perguntou. — Porque não há qualquer forma, e isso é uma das razões pelas quais os Poderes começaram a matar Nephilim. Uma essência angelical às vezes é demais para o aspecto humano de lidar, é muito forte e toma o controle, fazendo-o louco, perigoso. — Ela não está louca ou perigosa. — Aaron resmungou, escorregando em uma camisa limpa. — Agora ela não está, e isso é só porque a temos nocauteada com uma das poções especiais de Lorelei, e vestindo-a com um par dos braceletes mágicos. Inferno, ainda tem o cachorro lá tentando impedila de elevar seus ânimos.

Os pensamentos de Aaron correram. Ele não gostava que isso estivesse acontecendo. Tinha que haver algo que eles poderiam fazer para ajudá-la. — E o ritual que eu passei com Belphegor?— Ele perguntou. — Não foi para ajudar as minhas duas naturezas unificar corretamente? Por que não poderíamos fazer isso com... Scholar balançou a cabeça. — Ela nunca sobreviverá a isso. A natureza angélica já está mais forte do que sua metade humana. Está comendo-a viva e nós teríamos o mesmo problema que começamos: Puro poder angelical funcionando em um modo frenético. — E nós não podemos ter isso, Aaron. —

Lehash disse

severamente. — Pode não ser o que você quer, mas alguma coisa tem que ser feita antes que ela fique fora de controle de novo. Aaron sacudiu a cabeça. Eles já haviam desistido dela. — Eu não estou ouvindo isso. — ele disse, voltando-se para enfrentá-los todos. Lorelei não fez contato visual, organizando suas garrafas e frascos de remédios de cura em uma rosa caixa de maquiagem de plástico. — Eu me recuso a acreditar que não há nada que podemos fazer por Vilma, exceto matá-la como um animal doente. Eles não disseram nada, recusando-se a fornecer-lhe sequer o menor brilho de esperança. — Lorelei. — Aaron disse, vendo como ela se encolheu visivelmente, — com sua magia de anjo, não há nada que você possa fazer para ajudar? Ela balançou a cabeça, finalmente encontrando o seu olhar. — Você está falando da ligação de uma essência divina. Eu não tenho o treinamento ou o conhecimento para...

Aaron de repente bateu palmas e girou para Scholar. — O conhecimento. — ele repetiu se movendo em direção ao anjo. — Lorelei não tem o conhecimento, mas talvez alguém tenha. — Ele parou diante do anjo acadêmico. — Quem teria mais conhecimento do que Lorelei? Como ela aprendeu o que sabe? Quem ensina o usuário de magia? Scholar encolheu os ombros e puxou sua orelha, nervoso. — Belphegor

lhe

ensinou

um

pouco,

e

depois

existem

livros

e

pergaminhos. Mas o problema de Vilma, como eu já lhe disse, não é abordada em... — Quem ensinou Belphegor?— Aaron persistiu. — Quem escreveu os livros e os pergaminhos?— Ele fez um gesto pela ajuda deles. — Vamos lá pessoal, dê-me algo, qualquer coisa. — A maioria do que temos vem dos Arcontes. — Scholar disse lentamente. — Mas o que sobrou deles estão ligados com Verchiel e os Poderes. — Lehash disse afastando-se da estante. Aaron sentiu o reflexo da raiva e se esforçou para evitar que suas asas de irrompessem e os sigilos de crescessem sobre a sua carne. — Maldição. — ele jurou sob sua respiração, sentindo o seu próprio raio de esperança começando a escurecer. — Quem ensinou os Arcontes? — Lorelei disse suavemente e todos olharam para ela, embora Scholar e Lehash permanecessem estranhamente silenciosos. — Bem? — Aaron empurrou. — A senhora perguntou uma questão. Quem ensinou os Arcontes?

Scholar voltou-se para seus livros. — É muito de um tiro no escuro. — ele disse, empilhando os textos. — Eu não quero que você tenha muitas esperanças. — Tarde demais. — Aaron disse caminhando para Scholar e agarrando seu braço. — Quem são eles? — Você está se segurando em palhas aqui, rapaz. —

Lehash

ecoou. — Nós não temos o tempo para estar desperdiçando com... Aaron se virou para olhar o pistoleiro, desta vez deixando os sigilos dos guerreiros que morreram servindo a vontade de Lúcifer aparecer em sua carne. — Eu não quero ouvir isso. — ele rosnou, e viu como Lehash recuou, desviando os olhos. — Quem ensinou os Arcontes?— ele perguntou à Scholar firmemente, e não haveria debate. — Eles são chamados de Malakim. — Scholar respondeu, um ar de reverência em seu tom. — E se você não consegue um encontro com o Senhor Deus Todo-Poderoso, então eles são a próxima melhor coisa.

Será que nós realmente entendemos o que estamos fazendo? Arconte Oraios se perguntou quando levantou a tampa do baú de ouro contendo a parafernália de sua mística arte. Ou estamos cegos pela obsessão daquele que nos comanda – puxando-nos para sua teia de loucuras, não sendo mais capaz de escapar?

— Onde está a sujeira?— Arconte Jao guinchou, agachando-se dentro do círculo de contenção abaixo do corpo pendurado de Lúcifer. O anjo freneticamente verificava e reverificava os grampos de metal afixadas no primeiro dia, no peito do caído para manter sua ampla incisão puxada e esticada. O sangramento tinha parado há algum tempo atrás, e agora a dica de um brilho vermelho pulsante podia ser visto vazando de sua cavidade torácica. — Eu devo ter a sujeira. — Jao ordenou. Archon Oraios continuou a procurar. O saco de terra sagrada era crucial para a sua preparação. Era o solo dos campos dos céus, um componente poderoso de feitiçarias angelicais, usada para fortalecer e manter a força das mais perigosas magias. Uma pequena, assustada parte dele esperava nunca encontrá-lo, forçando-os a abandonar esse ritual perigoso e blasfemo. Mas, infelizmente, lá estava ele em um lugar que já havia verificado antes. Uma maior força mística tentando intervir, para impedi-los de cometer um erro terrível? Ponderou. — Você achou?— Arconte Domiel perguntou, tensão enchendo sua voz. Com a morte de seu irmão Jaldabaoth nas mãos do Malakim Raphael, seus números eram menores, e todos estavam sentindo a tensão. Apenas mais um Malakim permanecia, um fragmento final de informação proibida, e, em seguida, eles fariam o impensável: inverter a Palavra de Deus. E uma praga de desespero, um gosto de que o mundo jamais havia conhecido, lavaria sobre a terra.

— Aqui. — Oraios disse, tirando do peito a bolsa, feita a partir da pele de um animal que tinha prosperado no jardim antes da morte do Éden. — Rapidamente agora,— Jao insistiu, acenando sua mão estendida para o precioso componente mágico. Oraios entregou a bolsa ao seu irmão e viu como Jao cuidadosamente derramou uma porção do rico conteúdo negro na palma da mão aberta. A essência do Céu flutuava no ar viciado da escola abandonada, e Oraios viu-se transportado de volta para o Paraíso pelas memórias armazenadas dentro do aroma perfumado da terra abençoada. Ele sempre acreditou que iria voltar lá algum dia, para mais uma vez testemunhar os altos pináculos de cristal alcançando o sempre, os campos intermináveis de capim dourado, sussurrando baixinho, acariciado pelo suave vento, e deliciar-se novamente no esplendor da sua glória. Mas então Oraios retornou à realidade e contemplou a forma da Morningstar, suspenso por correntes acima de um círculo místico desenhado em seu sangue e enriquecido com a sujeira da providência. O Arconte sentiu seus tristes sonhos escapar para longe, resignandose ao seu destino. — É só uma questão de tempo agora. — ele meditou em voz alta, observando como seus irmãos continuarem suas preparações, as imagens do céu em sua mente já começando a desaparecer.

— Eu não acho que você entende o que estou tentando dizer. — Scholar disse ao salvador de Aerie, mergulhando o seu saco de chá de novo e de novo na xícara de água acabada de sair da chaleira elétrica. — Malakim são mistérios mesmo para nós. — Então, eles são um mistério, tudo bem. Eu estou bem com isso.— Aaron disse, um brilho de otimismo em seus olhos. — Tudo que eu preciso saber é se eles podem ajudar Vilma. — Scholar tomou um gole de bebida, sem retirar o saco. Uma bebida boa e forte era necessária para esta conversa. — Sim, eu poderia imaginar. Se há quaisquer seres de natureza angélica lá fora, que pode ter o conhecimento para resolver o problema da Senhorita Santiago, seriam eles, mas... — Sem ‘mas’ —

Aaron disse com um movimento rápido da

cabeça. — Este é o mais próximo que chegamos a uma solução e eu não estou prestes a perdê-la. — Mas ele não está perto o suficiente. —

Lehash disse. O

policial de Aerie serviu-se de uma xícara de café e um assento, inclinando a cadeira para trás contra a parede. Ignorando olhares de desaprovação do Acadêmico, ele continuou. — Os Malakims tornaram-

se lendas sobre nós, como Merlin ou Paul Bunyan e seu boi azul para o humanos1. Aaron fechou os olhos e respirou fundo. — Então, eles são reais ou são inventados? O pistoleiro engoliu o resto do seu café e trouxe as pernas dianteiras da cadeira para baixo sobre o chão com um baque. — Pode haver alguma verdade em todos os contos, mas tem sido misturados ao longo do anos, e é difícil dizer o que é a fato e o que é ficção. Lorelei falou de cima de uma mesa de trabalho onde ela estava sentada de pernas cruzadas, lendo um texto antigo onde os Malakim foram brevemente mencionados. — Diz aqui que eles eram os arquimagos de magia angelical e detentores do conhecimento proibido. — Ela jogou o cabelo branco de neve por cima do ombro e fora de seu rosto. — Conhecimento conhecido apenas por Deus. — O que sabemos com certeza, — Scholar continuou, — é que o Malakim foi criado para ser extensões de Deus, os recipientes de toda a sua sabedoria e conhecimento, proibidos ou de qualquer outra forma. — É essa coisa de conhecimento que eu estou interessado,— Aaron disse. — Onde podemos encontrar estes Malakim?— ele perguntou.

1

Paul Bunyan é a figira de um lenhador no folclore e tradição da América do Norte. Um dos mais famosos e populares heróis folclóricos americanos, ele é geralmente descrito como um gigante, bem como um lenhador de habilidade incomum, e é muitas vezes acompanhado de seu companheiro animal, o Boi Azul .

— Você sabe... — O Malakim supostamente veio para a Terra depois da guerra no Céu, —

Scholar nterrompeu. — Para estudar e registrar as

mudanças causadas pela queda. — Como eles podem ser contactados? — Aaron perguntou, sua paciência claramente se esgotando. Scholar abaixou sua caneca, imediatamente ansiando outro copo. — Isso é o que eu venho tentando lhe dizer, Aaron. O Malakim esconderam-se afastados. Não houve qualquer contato entre nossa espécie há milhares e milhares de anos. — Eu não posso acreditar nisso. — o Nephilim disse, sentandose no chão nu e correndo os dedos por seu cabelo. Sua voz estava pesada com a decepção. — Você nunca realmente viu um?— ele finalmente perguntou, olhando para Scholar. — Não, mas... — Algum de vocês viu um? — Aaron empurrou-se de pé. — Bem, pode ter sido um Malakim,— Lehash começou, coçando o queixo. — Mas eu não posso dizer com certeza. Scholar rapidamente se virou e caminhou para o fim do quarto. Aaron queria provas da existência dos Malakim, e provas ele teria. Foi

mantido em uma caixa de vidro, juntamente com outros tesouros de Aerie. Ele cuidadosamente abriu a tampa e retirou o cilindro ornamentado de seu lugar de descanso em cima de uma almofada de veludo vermelho. Estavam todos olhando para ele quando voltou, ainda surpresos com sua saída abrupta. Ele segurou a vasilha até onde Aaron pudesse ver. — Você quer saber como nós temos certeza que os Malakim existem? —

Ele perguntou, indo para a estação de trabalho onde

Lorelei sentou-se. Ela pulou quando ele se aproximou. — Belphegor me deu isso para guardar. —

Scholar disse, lentamente, abrindo a

parte final do tubo. — Eu provavelmente posso descobrir onde ele conseguiu,— Lehash disse, olhando para os outros. Scholar cuidadosamente derrubou a lata, permitindo que o pergaminho enrolado caísse na sua mão esperando. — Foi dado ao Fundador quando criou-se o primeiro refúgio seguro para a nossa espécie.— Lentamente, ele começou a desenrolar o rolo, revelando o script angelical sobre o pergaminho dourado. — É uma magia,— Lorelei disse, curvando-se para examinar a escrita. — Sim, é,— Scholar disse. — A primeira passagem de ocultação de sempre a ser colocada sobre o nosso santuário. O Malakim que

visitou aprovou o que Belphegor estava fazendo e nos deu sua bênção, o que significava a bênção de Deus. — Bem, droga, — Lehash disse, empurrando mais perto para dar uma olhada. — Um real e ao vivo Malakim deu isso à Belphegor.— O pistoleiro sorriu. — Sempre me perguntei se tinha Deus do nosso lado, não sabia que tinha a papelada para provar isso. Aaron chegou mais perto, movendo-se por Lehash para estar ao lado de Scholar. Ele olhou para baixo sobre o livro, um olhar estranho em seus olhos. — Um Malakim escreveu isso? —

Ele perguntou, o

dedo indicador traçando a forma do alfabeto celestial no ar acima da rolagem. — Sim,— Scholar respondeu. — Então isso significa que ele tocou,—

disse o menino

sonhador, seus pensamentos aparentemente e completamente em outro lugar. — Claro que ele tocou,— Scholar respondeu com irritação. — Como ele poderia ter escrito isso?— Ele levantou sua mão, permitindo que o pergaminho rolasse para fechar. — Eu tenho uma ideia,— Aaron disse, voltando-se para sair. — É provavelmente um tiro no escuro, mas não pode doer tentar.

— Onde você vai, garoto? — Lehash perguntou, seguindo de perto. — Ver Gabriel.

— O tempo é curto. — Verchiel sibilou, sua voz ecoando através da igreja abandonada.— Encontre o último Malakim. Katspiel

convulsionou

violentamente

sobre

o

altar

não

consagrado da igreja de São Athanasius. Seus olhos olharam cegamente para a imagem desaparecendo do céu pintado no teto arredondado, com o rosto abatido, torcido em uma máscara de agonia. As magias que os Arcontes tentavam comandar eram selvagens e indisciplinadas, levando embora a sua força de vida em troca da localização do último dos usuários da magia do Céu. — Tão fulgaz. —

ele grunhiu, alcançando com as mãos

agarradas, como se para rasgar o ar. — Prata movendo a partir daqui, para lá, em todo o mundo dos homens de Deus, em seguida, foi, como a escuridão sendo afugentado com a aurora que vem.

O anjo enrolou-se em uma bola apertada. — Eu devo descansar. — ele gaguejou. Mas Verchiel não quis ouvi-lo. Ele voou de seu poleiro na parte de trás de um banco de madeira e caiu sobre o altar, ao lado do Arconte tremendo. — Não haverá descanso até o Malakim ser encontrado — , ele gritou, segurando Katspiel pela nuca, puxando-o, batendo, no ar. — Misericórdia. — o mago anjo implorou, com a voz trêmula. — Tudo o que eu peço é por algum tempo... — Você não entende, verme? — Verchiel resmungou, puxando o Arconte mais perto de seu rosto rosnando. — Surpresa está perdida para nós. Nossa presa sabe que está sendo caçada. — Tão cansado... — Katspiel gemeu quando pendia inerte no aperto de seu mestre. — Haverá tempo de sobra para descansar uma vez que o Malakim for encontrado e a peça final do conhecimento for extraído de seu crânio. — Verchiel caiu no chão empoeirado. — Continue — ele ordenou. Lentamente

Katspiel

levantou

os

braços,

um

feitiço

de

convocação em seus lábios, o zumbido de sua voz fraca puxando para baixo as forças mágicas ansiosas para partilharem de sua força de vida já esgotada. Verchiel observava atentamente até que o som de alguém entrando na igreja o distraiu. Ele se virou e viu Kraus pelo corredor central em direção a ele. O ser humano movia-se de forma diferente

agora, seus recém-regenerados órgãos sensoriais levando-se em tudo, devorando a visão em torno dele. Kraus

aproximou-se

do

altar,

e

Verchiel

observava

com

curiosidade, como uma expressão de horror lentamente se espalhou pelo seu rosto. — O que é, curandeiro? — E então ele também percebeu o que o curador viu. Verchiel começou a sangrar. Novas feridas tinham aparecido, e feridas antigas, há muito curadas, tinha reaberto, sangue escuro chovendo em respingos sobre o altar e uma poça aos pés do anjo. — O tempo é curto. — ele disse ao Arconte. Palavras mais verdadeiras nunca foram ditas.

O ar ao redor da garota dormindo crepitava com uma energia suavemente sobrenatural, e Aaron podia sentir o cabelo em seus braços e as costas de seu pescoço levantado. Vilma estava deitada em um colchão nu no chão, colocado no porão de uma casa abandonada fora da Aerie, longe das casas dos cidadãos. Ela parecia pequena em cima do colchão king-size - frágil, como se o poder dentro dela estivesse consumindo-a em massa, acabando com tudo o que era humano para que somente a angelical permanecesse.

Um brilho de suor estava em sua testa, e ela murmurava em seu sono. Mas a linguagem que ela falava não era nem Inglês nem o seu Português nativo. Era a língua dos anjos, e Aaron sabia que a essência dentro dela estava cada vez mais forte, apesar das restrições sobrenaturais colocadas sobre ela. Gabriel estava fielmente a lado de Vilma, seus olhos castanhos escuros nunca deixando-a enquanto ela dormia. Suas queimaduras já tinham começado a cicatrizar, as manchas chamuscadas preenchendo com nova pele dourado amarelo. — Como ela está? — Aaron perguntou, alcançando a cabeça do cão. — Ela está machucada — ele respondeu, com a voz cheia de preocupação. — Eu estou tentando com todas as minhas forças, mas eu não consigo acalmá-la. Ele quer sair, ele quer correr solto. — O cão olhou para longe de seu cargo para segurar Aaron em seu olhar cheio de alma. — Mas eu não vou deixar isso acontecer. — Você é um bom cão, Gabriel. — Aaron disse, e inclinou-se para beijar o topo de sua cabeça dura e óssea. — O que eu faria sem você? O

cão

parecia

levar

a

declaração

literalmente.



Que

pensamento horrível. — Ele inclinou a cabeça para um lado, considerando a realidade alternativa. — O que você faria sem mim? Aaron sorriu, divertindo-se com a percepção estranha do animal sobre as coisas. Mas o humor foi fugaz quando de novo se encontraram olhando para uma Vilma inconsciente, trancada dentro do aperto de um poder mais antigo que a criação.

— O que eles estão fazendo para ajudá-la? Aaron suspirou. — É só isso, Gabe. — ele começou. — Eles não têm ideia do que fazer. Normalmente, quando algo assim acontece, eles... — Ele não conseguia dizer. — Eles o quê? — Gabriel perguntou. — Eles não fariam mal a Vilma, fariam? — Ele ficou em pé. — Eu não vou deixá-los, Aaron. — Eles não querem, mas pode vir a acontecer se algo não pode ser feito. — Aaron explicou. — Ela está se tornando perigosa, Gabe, e para evitá-la de ferir alguém... Pode não haver escolha. O Labrador cheirou o corpo adormecido da menina, sua cauda começou a abanar. — Ela não quer magoar ninguém, e nem a coisa dentro dela. Ele só precisa ser treinado. — Eu sei disso. Olha, Gabe, há uma pequena possibilidade, que certos anjos chamados Malakim possam ser capazes de ajudar Vilma, mas a coisa é, ninguém sabe onde eles estão. Aaron praticamente podia ouvir as engrenagens clicando na cabeça quadrada de Gabriel enquanto ele tentava processar a informação. — Nós temos que encontrá-los, então. — disse o cão com naturalidade. — Exatamente. — Aaron respondeu. — Desde seu acidente. — ele continuou, — Desde que o fiz melhor, seus sentidos se tornaram mais poderosos, não foi? — Sim.

— Você acha que poderia pegar um cheiro antigo de alguma coisa? — Aaron perguntou. O cão pensou por um momento. — Quantos anos? Aaron deu de ombros. — Eu não tenho certeza. Alguns milhares de anos, talvez. — Isso é tudo? — O cão respondeu, um brilho malicioso em seus olhos castanhos escuros. — E aqui eu estava pensando que ia me dar algo difícil.

Algo estava tirando Lúcifer de sua inconsciência, puxando-o para longe do retiro que ele havia criado no fundo de seu subconsciente. Ele não queria sair, lutando contra a corrente que ameaçava seu mundo interno e a mulher que ele amava, mas foi em vão. Então ele deixou Taylor de pé nervosamente diante da porta do cofre trancado e prometeu voltar logo que fosse capaz. Ele se permitiu ser puxado para cima, a força poderosa arrastando-o através da consciência, e quanto mais perto ele chegou à superfície, pior a dor se tornou. Mas ele suportou, abraçando-a, pois ela tinha sido sua companheira constante desde sua queda. Era sua penitência, e ele não merecia menos. Olhos de Lúcifer abriram, uma sensação seca quando as pálpebras

se afastaram devagar. Ele piscou o borrado, seu olhar

ardendo, focando sobre o círculo místico que tinha sido desenhado no chão debaixo dele. Uma dor nos braços e pernas desviaram suas atenções alheias, e ele percebeu que ele estava suspenso por correntes, pairando sobre o anagrama de um círculo protetor, o tema de algum tipo de ritual. Era mais do que a mera dor física que sentia; essa sensação desagradável era muito mais profunda do que isso, e ele percebeu em um assustadora realidade que Verchiel estava de alguma forma tendo sucesso com seus loucos planos, de que o anjo tinha encontrado uma maneira de desfazer a Palavra de Deus. A imagem da grande porta do cofre dentro de sua mente, seus bloqueios caindo em sua cabeça, e ele recuou disso. — Você não pode fazer isso. — ele disse em voz alta, lutando pateticamente contra as suas amarras, seu corpo balançando com seus esforços inúteis. — Ah, mas eu posso. — disse uma voz inquietante de perto, e Lúcifer levantou a cabeça para olhar para Verchiel, ou pelo menos ele acreditava ser ele. Vestido com uma armadura que uma vez brilhou como o sol, a figura que cambaleou para ele era um pesadelo para ser contido. A carne exposta do rosto do anjo, braços, pernas e foi envolta em ataduras, sangrentas por feridas escorrendo. — É você, Verchiel? — Lúcifer perguntou, lutando para manter a cabeça para cima, os músculos de seu pescoço começando a ter uma cãibra. — O que aconteceu? Cortou ao se barbear? — Então ele viu os

olhos que se alastraram por entre a atadura manchada e sabia exatamente quem estava diante dele. — Insolente, mesmo em face de sua própria morte. — Verchiel assobiou. Em todos os seus anos de existência, Lúcifer nunca tinha visto um ódio como ele via agora no líder dos Poderes. Aqui estava um ser nascido de Deus que de alguma forma perdeu o contato com tudo o que fez dele uma criatura divina. Mesmo Lúcifer ainda se lembrava de como era servir a Deus, depois de tudo que tinha passado. — Acredite ou não, Morningstar, pedi a um dos Arcontes para acordar você. — Verchiel disse, sua voz um sussurro rasgante através das vendas que parcialmente obscurecia sua boca. — Eu quero que você esteja completamente ciente do próximo ato catastrófico que você será parte. — O anjo se aproximou mais, cuidando para não perturbar o círculo místico, e agarrou o queixo de Lúcifer, erguendo o rosto para contemplar o rosto perturbador de Verchiel. — Eu pensei que nós poderíamos ter uma conversa particular em primeiro lugar, enquanto os Arcontes descansam. Eles têm trabalhado muito duro para completar sua tarefa. — O que aconteceu com você? — Lúcifer perguntou. O cheiro nauseante de decomposição do corpo de Verchiel flutuava, e ele queria virar a cabeça, mas o comandante dos Poderes ainda segurava firmemente o queixo com a mão. — Este é mais um exemplo de como o Senhor fere aqueles que o servem fielmente. — Verchiel rosnou amargamente. — Todas as minhas feridas, recebi a serviço de Sua santa causa.

Lúcifer dirigiu seu olhar para os olhos frios de Verchiel. — Você não acha que talvez ele esteja tentando dizer-lhe alguma coisa? — ele perguntou, esperando alcançar uma pequena parte da sanidade no comandante dos Poderes. — Sim. — Verchiel disse com um aceno lento de sua cabeça enfaixada. — Sim, eu acredito que ele está tentando comunhão comigo. Através de Suas ações, ou a falta delas, Ele está me dizendo que o pecado tem vencido, que os miseráveis e os malditos, os criminosos e as abominações cuja mancha tem envenenado os céus e a terra abaixo, têm força indomável sobre tudo. Verchiel inclinou o rosto mais perto de Lúcifer, o cheiro de podridão quase sufocante. — Mas eu não vou escutar isso. — ele disse, apertando o queixo prisioneiro mais acentuadamente, recusando-se a permitir que ele desviasse o olhar. — Eu não vou me entregar a quem deveria ter morrido debaixo do meu calcanhar. Vou ver tudo isso virar o inferno antes que eu desista. E com o último pronunciamento de sua fúria, Verchiel o soltou e recuou para fora do círculo. — E pensar que, o que começou tudo isso, quem trouxe a guerra para o Paraíso, e ainda teve a audácia de acreditar

que

seus

pecados

poderiam

ser

perdoados,

será

o

instrumento de minha provocação. — Verchiel estudou o primeiro dos caídos, a dica de um sorriso grotesco sob os panos sujos. — Isso me traz uma certa satisfação, saber que a profecia nunca será levada a termo, que o fundador da nossa miséria nunca vai encontrar perdão nas mãos de seu filho. Lúcifer não podia suportar ouvir mais devaneios do anjo. Ele queria voltar para a escuridão do esquecimento, para o conforto de sua

preciosa memoria na forma de um grande amor perdido. Mas havia algo que Verchiel disse que ele não chegou a compreender. Ele se esforçou para levantar a cabeça e olhar para o comandante dos Poderes para fazer a pergunta. — O perdão na mão do meu filho? Verchiel riu, um som molhado e estrondoso. — Não me diga que você não sabe, ou pelo menos suspeita, Estrela da Manhã. — ele brincou. — O que você está dizendo? — Lúcifer lutou para perguntar, o feitiço que o Arconte usou para devolver-lhe a consciência estava o esgotando. — Ora, o Nephilim da profecia, o chamado Aaron Corbet, ele é seu filho.

— Este lugar é muito maior no interior. — Gabriel observou enquanto entrava mais fundo na sala aparentemente infinita, suas unhas clicando sobre os pisos de madeira nus. — Nessa primeira fila, pegue... — Aaron começou a lhe dizer, mas o cachorro já estava a caminho para encontrar os outros. — Não me diga Aaron. — Gabriel disse, seu nariz deslizando sobre a superfície do chão. Soou como um contador Geiger2 procurando por perigosos níveis de radiação enquanto seguia o cheiro. — Deixe-me encontrá-los por conta própria. Gabriel não queria deixar Vilma, temendo que sua ausência causasse

seu

despertar

novamente.

Mas

ele

finalmente

tinha

concordado quando Aaron explicou que era a única forma de ajudar a menina. Além disso, Scholar não permitiria que o pergaminho deixasse sua casa. Aaron seguiu o cachorro através dos múltiplos corredores sinuosos de várias estantes de livros enquanto o animal rastreava sua presa. Ele estava satisfeito com a forma que Gabriel estava fazendo, 2

instrumento de medida usado para medir certas radiações ionizante.

mas os sentidos olfativos do Labrador eram realmente bons o suficiente para encontrar um ser angelical que havia deixado seu perfume em um pergaminho há milhares de anos? Essa era a pergunta de um milhão de dólares, e uma chance que teriam que tomar. Scholar tinha ridicularizado a ideia, dizendo que ele nunca tinha ouvido falar de algo tão ridículo, e os outros não estavam muito preparados para se juntarem ao passeio também. Aaron defendeu sua teoria, dando exemplos de capacidade de cães para procurar pistas. Ser capaz de encontrar uma fatia de queijo escondida em algum lugar da casa não tinha tido muito o impacto que ele tinha imaginado, mas o exemplo de Gabriel ser capaz de rastrear o cheiro de anjos caídos foi pelo menos aceita com uma curiosidade relutante. Ele explicou que os sentidos de Gabriel tinham se intensificado desde que ele tinha sido curado e que ele não era mais apenas um cão. Gabriel era especial e capaz de coisas incríveis. O cachorro de repente parou por perto, farejou o ar, e inverteu sua direção. — Quase o perdi — ele resmungou. — Muitos outros cheiros aqui, mas posso cheirar aquele charuto fedorento acima dos outros. E com essa declaração final, o cachorro acelerou seu passo, Aaron quase correu para acompanhar. Em uma porta fechada ele começou a latir, seu rabo abanando furiosamente. — Bom cachorro — Aaron disse, acariciando sua cabeça e abrindo a porta para permitir que o animal confrontasse sua presa. Eles estavam esperando, sentados ao redor de uma mesa redonda. Lehash e Lorelei sorriram enquanto Scholar fez uma careta.

— Aí está nosso poderoso cão de caça. — o pistoleiro disse, estendendo a mão para dar ao cão um afago. Gabriel lambeu sua mão. — Não sou um cão de caça. Sou um Labrador de caça, e encontrei você muito facilmente por causa de seu fedor. O policial para brincar fungou debaixo de seus braços. — Não imaginava que eu estava no ponto, mas talvez estivesse enganado. — Não estou impressionado — Scholar disse, ajustando os punhos em sua engomada camisa branca. — Claro, ele foi capaz de nos encontrar aqui, mas estou curioso para ver seu nível de sucesso quando se assume o mundo inteiro. Gabriel andou ao redor da mesa até que estava em pé na frente de Scholar. Sentou-se aos pés do anjo caído, nunca tirando seus olhos do dele. — Nunca saberemos até tentarmos, não é? — o cão disse, sua voz cheia com muito mais compreensão que Aaron poderia ter imaginado. — Ele está certo. — Lorelei disse, tentando esconder sua diversão. — Temos que pelo menos deixá-lo tentar. O que pode doer? O pergaminho tinha retornado a sua caixa protetora e Scholar tentativamente alcançou por ele. — Sinto-me tão fortemente sobre a presença de animais em meu local de trabalho quanto sobre fumar um cigarro. Lehash revirou os olhos, cruzando os braços sobre o peito. — Basta deixar o cão cheirar o maldito livro.

Scholar cuidadosamente deslizou o pedaço de pergaminho fora do tubo e dentro de sua mão. A cabeça de Gabriel girou em direção a ele, farejando o ar, e Scholar recuou, puxando o rolo para longe. — É perto o suficiente. — ele retrucou. — Não, não é. — Gabriel disse. Aaron deu um passo adiante, estendendo sua mão para Scholar. — Dê-me isso. — ele disse firmemente. Scholar começou a se opor, mas Lehash se mexeu na cadeira, seu olhar de aço intenso. — Você ouviu o menino. — ele falou ameaçadoramente. Como se fosse à coisa mais difícil que ele já teve de fazer, Scholar colocou o pergaminho no centro da mão de Aaron. O Nephilim se ajoelhou ao lado do cão e começou a desenrolar o pergaminho. — Assim está bem melhor. — Gabriel disse enquanto Aaron o colocou sob o seu nariz úmido e rosado. — Cheira muito antigo. Aaron podia sentir a tensão de Scholar atrás dele enquanto uma gota de umidade começou a formar por baixo de uma das narinas de Gabriel, ameaçando escorrer sobre o documento de valor inestimável. — Calma, Scholar. — Lehash advertiu. — Ou você pode se mijar. — Terminei. — o cão disse, e Aaron moveu o rolo longe enquanto a gota de umidade rolou do nariz de Gabriel e pingou inofensivamente no chão. — Não foi tão ruim, não é? — Lorelei repreendeu enquanto Aaron entregou o pergaminho de volta para Scholar.

O anjo não disse nada, rapidamente rolando o rolo firmemente e o colocando de volta em sua embalagem protetora. — Bem? — Aaron perguntou a eles enquanto se virava para Gabriel. O nível de expectativa na sala estava extremamente alto. Muito estava sobre as costas do cão, e Aaron não tinha muita certeza de como lidaria com a situação se Gabriel falhasse. O que aconteceria com Vilma então? Ele não queria pensar sobre isso. Ao invés, ele se concentrou no Labrador. O cão ignorou a pergunta, levantando-se de onde estava sentado e andando ao redor da sala em círculo, cabeça inclinada para trás farejando o ar. — A expectativa está me matando, cão. — Lehash rosnou, mas Gabriel não lhe prestou nem um pouco de atenção enquanto continuava a vaguear pela sala. De repente o cão soltou um enorme espirro, fez uma pausa, e então espirrou novamente. — Eu o tenho. — sua voz plana, e Aaron estava prestes a ficar animado quando percebeu que os pelos do pescoço de seu amigo haviam subido. — O que é, Gabriel? — ele perguntou se ajoelhando ao lado do cão. — O que está errado? — Eu sei onde o Malakim está. — O cão olhou nervosamente para a sala, seus ouvidos estáveis contra sua cabeça. — E está em um lugar muito estranho...

Katspiel não sabia quanto tempo tinha. A

magia

tinha

lhe

dado

a

informação

que

ele

tão

desesperadamente procurava, mas agora isso exigia pagamento, e ele não tinha mais força para segurá-lo na baía. O proibido estava nele, movendo-se

livremente,

completamente

desimpedido,

partilhando

carne e sangue, osso e espírito – tudo o que o definia. Ele era um Arconte, um anjo dotado com a facilidade de exercer as artes místicas do Céu. Nem todos eram adequados a vestir este manto, apenas alguns selecionados pelo poderoso Malakim. Katspiel era o único como tal, e ao longo do tempo ele aprendeu a natureza proteica do poder que ele iria tentar dominar. Isso o estava matando agora, mas ele foi deixado com pouca escolha. Isso também podia morrer enquanto a invocação afastava sua força, ou ser brutalmente assassinado pela insatisfeita fúria de Verchiel. De qualquer maneira, Katspiel sabia que era só uma questão de tempo agora antes de sua vida chegar ao fim. O Arconte levantou cambaleando a seus pés sobre o altar da igreja, balançando-se no escuro que tinha se tornado seu mundo desde que as magias que ele procurava romper, vinculadas pelo anjo caído, Lúcifer pela mão de Deus, atacou e tirou seus olhos. Ele e seus irmãos deveriam ter parado em seguida, atendendo a advertência do Senhor, afastando-se do plano louco de Verchiel. Mas eles tinham

chegado a chamar de mestre o líder dos Poderes, suas existências inexoravelmente interligadas, seus destinos tornando-se um só. A localização do último Malakim queimava em sua mente, e Katspiel convocou suas asas antes que fosse tarde demais. Encobria-o dentro de seu abraço de penas, e ele foi até seu mestre, o tempo todo tentando imaginar como seria o mundo depois que a Palavra de Deus fosse desfeita e a punição de Lúcifer fosse solta sobre a terra. E enquanto suas asas abriam na escola e ele sentiu que estava na presença de Verchiel e o primeiro dos caídos, Arconte Katspiel percebeu que estava feliz que não estaria vivo para experimentá-la. — Mestre Verchiel. — ele anunciou, ouvindo os sons de um ser angelical no controle do sofrimento, e o riso baixo retumbando de seu mestre. — O último dos Malakim foi encontrado. — ele se defendeu, e caiu no chão, os músculos sob sua decrépita carne, já não capaz de sustentar seu corpo. — Você me serviu bem, Katspiel. — Verchiel disse, uma estranha calma em sua voz, perfeitamente a vontade com o horror que seu comando em breve desencadearia. — E sua lealdade será lembrada por muito tempo após a punição ser distribuída e a ordem reestabelecida para os céus e terra. Ah, sim. Katspiel estava certo de que o comandante do Poderes estava correto nisso. Ele e seus irmãos de fato seriam lembrados pelo que haviam feito. Lembrados na infâmia. Isso quase o matou por ver desta maneira.

Aaron cuidadosamente sentou-se no colchão ao lado de Vilma. Ela tinha chutado longe a suave coberta que tinham providenciado para ela, se contorcendo e gemendo como se apanhada nas garras de um sonho ruim. Sua respiração era leve, e as algemas de ouro cobrindo-lhe os pulsos cintilou e zumbiu enquanto o poder dentro dela testava os limites da magia do anjo. Ela tinha se tornado mais inquieta desde que Gabriel tinha ido, mas seu amigo canino era necessário em outro lugar se eles estavam indo ajudá-la. A menina soltou um choro patético e golpeou sua cabeça sobre o travesseiro. Uma única lágrima se soltou de um canto do olho bem fechado e desceu ao lado de seu rosto. Ele sentiu um obstáculo de emoção ficar preso dolorosamente em seu peito e estendeu a mão para segurar a mão dela. Estava quente e seca na sua, e Aaron tentou com todas as suas forças infundir um pouco de sua própria força nela. — Ei, — ele sussurrou, não querendo alarmar ou assustá-la. — Apenas queria parar e vê-la antes de partir. Mas estarei de volta logo que eu puder. Eu prometo. Ele não tinha certeza se ela ainda podia ouvi-lo, mas isso não importava. Ele precisava conversar com ela, precisava mostrar a si mesmo por que ele estava fazendo o que estava prestes a fazer. Se havia alguma dúvida, ele não se importava agora.

— Estamos indo em busca de um anjo – um Malakim, como são chamados – e acho que ele pode ser capaz de ajudá-la. Vilma parecia um pouco mais calma, e ele gostava de pensar que talvez fosse por causa de sua presença. Aaron sabia que não era sua culpa, mas ele não podia deixar de sentir certa quantidade de culpa. Esta não era para ser a vida de uma mulher linda de dezoito anos. Ela deveria estar pensando em exames finais, formatura, e o baile, não sobre ser uma força angelical, o Céu vivendo dentro dela fazendo com que enlouqueça. Ele esfregou seu polegar delicadamente através da parte de trás da mão dela. — Então, eu preciso que você espere por mim, seja forte, porque ainda há muitas coisas que precisamos conversar uma vez que fique melhor. A vida de Vilma tinha sido virada de cabeça para baixo por sua associação com ele. Ele se sentia como uma espécie de super vírus, infectando qualquer um que chegasse muito perto. A taxa de vítimas da doença de Aaron Corbet é bastante elevada, ele percebeu, pensando em todos aqueles que tinham morrido apenas por ser parte de sua vida: seus pais adotivos, seu psicólogo, Stevie, Zeke, Camael, e Belphegor. Apertando a mão dela mais forte, Aaron decidiu que não iria deixar Vilma fazer parte dessa estatística deprimente. Ele preferia morrer a deixar qualquer coisa ruim acontecendo com ela. Aaron aliviou sua mão, deixando-a gentilmente cair ao seu lado. Ele tinha que partir; os outros estariam esperando por ele. Ele se inclinou para frente, colocando um beijo carinhoso em sua testa. — Sinto muito por isso, — ele sussurrou. — Vou fazer tudo que posso para compensar você.

Ela não ofereceu resposta e aquilo estava bem para ele. Vilma parecia estar descansando pacificamente no momento, e ele tomou isso como um sinal para se despedir. Silenciosamente ele se levantou, seus olhos nunca deixando sua forma, e se afastou. Ele se virou e quase saiu de sua pele quando viu que Lorelei estava no pé das escadas, sua caixa de plástico com maquiagem, cheia de remédios angelicais na mão. Ele não tinha a ouvido descer, e colocou a mão contra o peito para mostrar que ela lhe deu um ataque do coração. — Desculpe, — ela sussurrou. — Não queria acordá-la. Aaron olhou para trás para a menina em cima do colchão. — Está tudo bem. Ela está dormindo muito bem agora. — Ele continuou olhando para ela, seu coração doendo. — Não quero dizer o óbvio, Aaron, — Lorelei disse. — Mas você sabe que isso não é sua culpa, certo? Ele não respondeu, não totalmente acreditando que o que ela disse era verdade. — O que está acontecendo com Vilma teria ocorrido mesmo se você não estivesse perto. — Ela estendeu o braço e pousou uma mão de apoio em seu ombro. — Ela é uma Nephilim, Aaron, e você não fez isso a ela, não importa quão culpado você se sinta. Ele pensou sobre tudo o que Vilma tinha passado. — Verchiel a usou para chegar até mim. Eu deveria ter... — Verchiel apenas fez uma situação já complicada um pouco mais, complicada. — Lorelei interrompeu. — Não importa o quão podre

você pensa que é. É melhor Vilma ter você em sua vida que não. Todos nós. Ele afastou seus olhos de Vilma e olhou para a Nephilim de cabelo branco neve a quem ele havia aprendido a confiar como uma amiga e confidente. — Você realmente acha isso? — ele perguntou, o peso de suas responsabilidades sentindo talvez um pouco menor, mais manejável. Ela riu baixinho e sorriu para ele. — Sou filha de Lehash, pelo amor de Deus. Eu não diria se não fosse verdade. Ele se apegou ao que valia a pena, e naquele momento seu valor estava muito alto. — Obrigado, — Aaron disse, virando-se para Vilma para um último olhar. — Cuide bem dela até eu voltar, tudo bem? — ele perguntou a Lorelei enquanto começava a subir as escadas. — Você apenas se preocupe em encontrar o Malakim e conseguir o que precisamos. — Lorelei respondeu. — Neste momento, Vilma deve ser a menor de suas preocupações. E ela estava certa, Aaron sabia enquanto descia o corredor e saia pela porta da frente. Eles estavam esperando por ele na calçada da frente, Gabriel abanando o rabo enquanto o garoto fechava a porta atrás dele e saía da varanda. — Pronto? — Aaron perguntou, uma nervosa sensação se formando na boca de seu estômago. — Eu estava pronto há quinze minutos. — Lehash resmungou, terminando seu último cigarro. — Agora estou apenas mamando um pouco na ameixa.

— O que é mamando um pouco? — Gabriel perguntou ao anjo. — Formigas nas minhas calças — ele respondeu, sacudindo os restos fumegantes de seu cigarro na rua. — Você realmente não tem formigas nas calças, não tem? — o cão perguntou, confuso pela nova expressão. — Se você tem isso, deve tirálas antes que te mordam. — Obrigado pelo conselho — Lehash rosnou, não tendo paciência para explicar ao animal nada mais. Aaron decidiu que era hora e invocou seu poder que era direito de nascimento. Flexionando seus músculos das costas, ele aliviou suas asas abaixo de sua carne e abriu por completo sua impressionante extensão. — Abraço grupal. — ele disse, surpreso por sua própria tentativa de leveza. — Vamos fazer isso. O anjo pistoleiro e o cão se reuniram perto. E ele os tomou dentro de suas asas de ébano, partindo de Aerie em uma missão mais terrível, o destino da mulher que ele amava na balança.

— Dia difícil no escritório? — Taylor perguntou. Lúcifer encontrou-se de volta dentro de sua psique. Era bom estar

longe

da

dor

física,

mesmo

começando

a

sentir

uma

desconfortável sensação no peito. Ele se perguntava quanto tempo seria antes da dor encontrá-lo, mesmo nesta profunda paisagem psíquica de sua própria invenção. Eles estavam sentados em uma pequena mesa na cozinha, muito parecida com aquela que tinham compartilhado uma agradável refeição. E como no passado, esta Taylor, esta criação da mente febril de Lúcifer, tinha feito um agradável jantar à luz de velas. O primeiro dos caídos estremeceu enquanto as luzes das velas gêmeas iluminavam uma larga porta flutuando na escuridão ao redor deles. Ele estudou a grossa monstruosidade de aço criado por sua psique para manter a calma dos horrores que ele tinha feito no Céu.

Isso tinha perdido mais de seus cadeados e correntes? Ele se preocupou. Ele tinha certeza que tinha. — O quê? Você não vai responder minha pergunta? — Taylor perguntou enquanto ela pegava seu guardanapo e o colocava em seu colo. — Acho que Verchiel está tendo sucesso. — Lúcifer disse olhando para a porta. Ele podia ter jurado que ouviu movimento do outro lado da porta. — Ele encontrou uma maneira de desfazer a Palavra de Deus. Taylor cortava sua refeição enquanto falava: bife com cogumelos e molho grosso e marrom. Ele adorava cogumelos. — Não podemos permitir que ele faça isso. — Ela delicadamente colocou um grande pedaço de carne em sua bonita boca, e ele a observou mastigar enquanto considerava sua resposta. Ela era magra – saborosa, realmente - mas a menina podia comer, e aproveitava fazendo isso sem o menor sinal de preocupação, ele se lembrou com carinho. — Não, não podemos. Mas não sei por quanto tempo seremos capazes de aguentar. — Ele sabia que a refeição era apenas uma invenção de seus pensamentos, mas parecia fabuloso, e ele cavou com fome. — É apenas uma questão de tempo antes que ele tenha tudo o que precisa para libertá-lo. — ele disse, ouvindo outro cadeado cair. Dois copos de vinho apareceram na mesa, e Lúcifer assistiu Taylor pegar o dela em uma delicada mão e tomar um pequeno gole. — Não que isso não seja o suficiente. — ela disse, pousando o copo. — Mas tem alguma coisa mais incomodando você?

Algo do outro lado da porta bateu três vezes, e outra fechadura estalou aberta para balançar inutilmente da extremidade de uma ligação de corrente. — Ele me disse que gerei uma criança. Eu tenho um filho. Taylor não respondeu; ela simplesmente cortou outro pedaço de carne. Como poderia qualquer coisa que ele dissesse a ela ser uma surpresa? Afinal, ela era uma criação de sua imaginação. — Como eu não sabia disso? — ele perguntou, empurrando seu prato, seu apetite de repente indo embora. — Lembre-se, houve um tempo quando você não queria mais ser a Morningstar, quando você tentou abandonar sua verdadeira natureza. — Taylor respondeu enquanto pegava seu guardanapo em seu colo e enxugava o canto de sua boca. Ela tinha limpado o prato. — Foi quando eu estava com você. — Lúcifer disse. A porta de repente tremeu, e ele sentiu as vibrações do assalto como algo arremessado contra seu peso. Taylor sorriu para ele e assentiu. — E você quase esqueceu. — ela disse, cruzando suas longas pernas e deixando sua simples sandália que ela usava balançar de seu pé. — Éramos felizes – pelo menos, pensei que éramos. Lúcifer sentiu uma dor florescendo em seu peito e quase confundiu com a Palavra de Deus sendo desfeita, até que ele percebeu que era a agonia de seu coração partindo mais uma vez com a memória de deixá-la. — Comecei a ter sonhos – sobre o que eu tinha feito, as vidas que foram perdidas por minha causa – e temia por sua segurança.

Ele se levantou e se moveu ao redor da mesa em direção a ela. Ela se ergueu para encontrá-lo e eles gentilmente se abraçaram. — Nunca foi minha intenção machucá-la. — Lúcifer disse, segurando-a com força. — Mas eu estava louco ao pensar que poderia experimentar a felicidade depois do que eu tinha feito. — ele sussurrou. — Minha penitência não foi terminada, então tive que partir, para sua segurança tanto quanto a minha. A porta balançou sobre suas dobradiças e mais fechaduras caíram enquanto Taylor olhava em seus olhos. — Você o tem visto, não tem? Nosso filho? Lúcifer se lembrou da visão que tinha tido logo após ser capturado por Verchiel e tornou-se consciente da profecia do Nephilim. Era a imagem de um homem jovem, um cão enorme fielmente ao seu lado. — Sim. — ele respondeu sonhadoramente. — Acho que tenho. — Seu nome é Aaron — Taylor disse, inclinando sua cabeça sobre o peito. — Isso significa glorificado – nas alturas. Lúcifer sorriu e a beijou gentilmente no topo de sua cabeça. E a porta vibrou ameaçadoramente como se o castigo de Deus se enfurecesse do outro lado.

Aaron sempre acreditou que compartilhava um vínculo especial e quase psíquico com Gabriel, e que tinha apenas sido intensificado após o poder emergente do Nephilim salvar a vida do cão. O menino estava testando essa teoria enquanto eles viajavam através do vazio

entre o local de partida do anjo e seu destino final. Os dois já haviam compartilhado

sonhos,

assim

Aaron

avaliou

que

compartilhar

pensamentos no mundo acordado não era de tudo improvável. Enquanto saíam de Aerie, ele tinha pedido ao cão para pensar sobre o que ele tinha visto enquanto farejava o pergaminho e direcionar aqueles pensamentos para ele. Era uma experiência avassaladora. A mente de Aaron foi bombardeada com pensamentos de Gabriel. No início eram simples, lidando com necessidades básicas como comida, abrigo, calor, e companheirismo. Mas então se tornaram mais

complexos:

lembranças

de

lugares,

eventos,

momentos

importantes na vida do Labrador. Aaron nunca imaginou como um jogo de ir buscar no parque significava para o cão, ou tendo seu estômago esfregado, ou pedaço de bife na mochila do cãozinho de um restaurante chique. E Aaron se viu através dos olhos do cão, e através daqueles amáveis olhos, ele não podia fazer nada errado. Se ele pudesse ser metade do que o cão acreditava dele, então ele seria verdadeiramente digno de tal adoração. Ele finalmente foi capaz de se focar o suficiente dentro do labirinto de pensamentos de Gabriel para encontrar o que precisava. Aqui era onde o cheiro do pergaminho os tinha trazido. Era um lugar diferente de qualquer outro na Terra. Na verdade, não era na Terra afinal, e ele pode ver o porquê o cão tinha estado tão assustado. Aaron pegou a imagem e enxergou da sua própria maneira, e sentiu uma pontada de tontura, como em uma descida de uma grande altura de elevador, antes de suas asas se abrirem para revelar sua localização. — Você procurava por isso. — Lehash disse em reverência.

— Estamos no Céu? — Aaron perguntou. Ele olhou com admiração sobre as planícies de grama dourada, para os céus de um azul riquíssimo. Os ventos gentis cheios com suaves melodias passeando, estavam os mais bonitos sons que ele jamais tinha ouvido. — Não. — Lehash disse, inclinando sua cabeça para trás e farejando o ar. — Talvez um pedacinho dele, mas não o Céu em sua totalidade. — A pessoa que escreveu o pergaminho está sobre aquela colina. — Gabriel disse ao lado de Aaron, seu focinho apontado para a brisa. — Onde você acha que estamos, Lehash? — Aaron perguntou enquanto viravam e seguiam o Labrador para uma pequena colina. — Parece-me que alguém construiu um pequeno refúgio diretamente entre o aqui e o lá. — O anjo caído tirou seu chapéu de vaqueiro, penteando seus longos cabelos brancos para trás com seus dedos, e devolveu o chapéu para sua cabeça. — Estou surpreso que o cão foi capaz de encontrá-lo. — Sou muito especial. — Gabriel o lembrou. — Claro que é. — Lehash concordou, sorrindo. — Eu não esperava nada como isso. — Aaron disse de repente. Eles tinham alcançado o topo da colina e ele estava apontando para baixo em direção a uma pequena casa de campo com telhas marrons escuras, com telhado de alcatrão, e uma base de rocha. Nuvens de uma grossa fumaça cinza subiam de uma chaminé de pedra, e ele tinha

a

impressão

de

aconchegante no interior.

que

estava,

provavelmente,

bastante

— Depois de tudo que vi ultimamente.. — Lehash disse conduzindo-os para descer a colina, — Você ainda pode ser surpreendido? Eles pararam em frente a uma pesada porta de madeira. — Ele está lá dentro. — Gabriel garantiu, seu aguçado nariz contraindo enquanto farejava o ar. — Eu deveria bater? — Aaron perguntou ao anjo caído a seu lado. Lehash encolheu os ombros. — Não pode machucar ser educado, eu acho — ele respondeu e Aaron bateu seus dedos na porta. Eles esperaram, e quando nenhuma resposta veio, o pistoleiro se inclinou para frente e acrescentou seus dois centavos. Ainda ninguém respondeu. — Não temos tempo para isso, — Aaron disse impaciente. Ele estendeu a mão, agarrou a maçaneta e abriu a porta. Estava muito escuro lá dentro. — Olá? — ele perguntou, sua voz ecoando estranhamente, e rapidamente percebeu o porquê. A sala que eles entraram era enorme, e ele se lembrou da biblioteca de Scholar, embora o tamanho e a opulência desta sala colocava a residência do anjo caído em vergonha. — Filho da puta — Lehash disse, olhando para a curva, o teto de trinta metros, e em seguida o piso de mármore sob seus pés. — Mas então, o que eu esperaria de um Malakim?

Gabriel farejou ao redor da entrada, suas garras soando como sapatos de sapateado sobre o chão de pedra lisa, enquanto Aaron admirava os grandes pilares de pedras que ladeavam os dois lados. — O quão alto são esses Malakim? — ele perguntou, tomando nota das enormes portas duplas no fim do corredor a sua frente. As aldravas, enormes cabeças de leões segurando os grossos anéis de metal, eram pelo menos trinta metros do chão. — Eles são extensões de Deus, chorando em voz alta, — o pistoleiro rosnou. — Eles podem ser tão altos quanto queiram. E como se na deixa, as portas duplas foram escancaradas com um estrondoso clamor que causou ao grande salão um tremor, e uma criatura do tipo que Aaron nunca tinha visto ou imaginado veio movendo-se rapidamente no corredor em direção a eles. Isso era pelo menos uns quinze metros de altura e usava uma armadura que brilhava e borbulhava como se forjada a partir de metal fundido. Sua cabeça era de um gigante carneiro, e tinha asas da cor do pôr do sol no deserto. Em suas mãos igualmente prodigiosas, ele segurava um temível machado de guerra que Aaron achava que era pelo menos três vezes maior que ele. Eles mal saltaram para longe no tempo em que o machado desceu em um arco borrado para crivar no chão de mármore. Embora tenha errado, os tremores do impacto sacudiu o chão abaixo deles como se eles estivesses no controle de um grande terremoto e se esforçavam para se manter em pé. — Não serei pego como meus irmãos foram. — o grande homem fera rugiu enquanto puxava sua arma do mármore quebrado e se preparava para atacar novamente. — O conhecimento que você deseja furtar permanecerá comigo e só comigo.

— Pare! — Aaron pediu se movendo em direção ao Malakim, mãos estendidas. — Nós apenas queremos... Mas Lehash tinha convocado sua pistola de fogo angelical, e enquanto a fera se virava para lidar com esta nova ameaça, uma de suas poderosas asas atacou e golpeou Aaron longe. Ele viu uma galáxia de estrelas enquanto pousava no chão de pedra, lutando para permanecer consciente. Vendo seu mestre cair, Gabriel pulou no temível gigante, afundando suas presas no metal fundido da armadura da criatura, apenas para sair com um grito de dor enquanto sua boca começava a sair fumaça e arder a fogo lento. A arma de Lehash rugiu para a vida e balas de fogo celestiais explodiram sobre a armadura da criatura louca de raiva, explosões minúsculas através da superfície de sol, mas com pouco efeito. O monstro abriu suas amplas asas e elevou-se sobre Lehash. O anjo caído continuou a disparar suas armas enquanto a blindada fera brandia seu machado, a parte plana da lâmina capturou o pistoleiro e o enviou aceleradamente através do ar em um dos grandes pilares. O policial permaneceu imóvel no chão de pedra fria, entre peças do pilar quebrado enquanto a fera aterrissava agachada ao seu lado. Jogando o poderoso machado de uma mão para outra, ele levantou a arma sobre sua cabeça com um berro de raiva e se preparou para acabar com o anjo inimigo. Aaron se esforçou para seus pés, sentindo a transformação de seu corpo para um mais adequado à batalha. Ele não queria que fosse dessa forma. Tudo o que ele queria era pedir ajuda, mas eles estavam lá agora, e o combate era a única resposta. Ele se impulsionou para frente, pousando entre Lehash e o machado. Ele ouviu o grande

assobiar da lâmina enquanto cortava através do ar, sua própria espada de fogo celestial inflamando em sua mão para encontrá-la. Os símbolos queimando sobre sua carne e ele sentiu que suas asas explodiram em suas costas enquanto as duas impressionantes lâminas se conectaram com um repique clamoroso, a força explosiva das duas armas se encontrando os arremessando separados. Os ouvidos de Aaron tocaram. Rapidamente ele se levantou, pronto para encontrar a próxima agressão do monstro blindado. Mas a fera simplesmente ficou em pé, o grande machado de guerra descansando ao seu lado. Ele estava o encarando, seu frio olhar animal intensamente o examinando. — É você. — ele disse, um estranho sorriso brevemente surgindo sobre suas características selvagens. — Não queremos lhe causar nenhum dano. — Aaron disse cuidadosamente, e o observou enquanto a massa do gigante diante dele começou a mudar, diminuir, o machado de guerra desapareceu em um brilho suave. Não havia mais um guerreiro temível diante dele; ele tinha sido substituído por uma figura alta e marcante com o cabelo branco prateado e uma pele cor de cobre. — Estou bem ciente disso... Agora. — disse o ser angelical. — Sou Raphael de Malakim, e peço seu perdão. — Sua voz era como o vento lá fora: melódica, estranhamente reconfortante. — Pensei que você era um servo do renegado Verchiel, mas é claro que não é. Não há como confundir os símbolos sobre seu corpo, filho da Morningstar. Aaron permitiu que sua arma dissipasse. — Você sabe sobre a coisa de Lúcifer também? — ele perguntou enquanto se aproximava

para verificar Gabriel. A boca do cão estava levemente com bolhas, mas ele parecia estar bem. — O Malakim sabe sobre sua vinda por um longo tempo, — a criatura angelical disse simplesmente, virando-se para caminhar de volta para a porta elevada. — De fato, fomos responsáveis – meus irmãos e eu – por fornecer o vidente com a visão que descrevia a profecia de que você é uma parte muito importante. Aaron observou a figura desaparecer dentro da sala enquanto ele se apressava para o lado de Lehash. O anjo caído estava sentado no meio dos escombros do pilar danificado, esfregando a nuca e estremecendo em desconforto. — Você o ouviu? — Aaron perguntou excitadamente enquanto ajudava o pistoleiro para seus pés. — Sempre fiquei curioso para saber quem tinha a bola rolando, — Lehash disse, batendo a poeira de suas roupas com seu chapéu. — Faz sentido que eram eles. Raphael apareceu novamente na porta. — Se apressem. — ele disse, gesticulando com a delicada mão para eles se juntarem a ele. — Não temos muito tempo, e há muito para discutir. — Ele desapareceu novamente na sala para além das enormes portas. Os três entraram cautelosamente na sala para além do enorme corredor. Aaron não podia acreditar em seus olhos – outro exemplo bizarro da mágica angelical. Da real grandeza do corredor, para isso: era como se eles tivessem vagando em um salão a moda antiga. O Malakim estava sentado no canto mais distante em uma pequena

mesa de madeira, vasculhando uma das gavetas. — Por favor, fiquem à vontade. — ele disse, ativamente procurando por algo. — Impressionante lugar você tem aqui. — Lehash disse, olhando a sala. A decoração era quente e rica: muita madeira escura, e longas cortinas de veludo que cobriam dois conjuntos de janelas, o material grosso e vermelho descia até o piso de madeira polida. Gabriel pulou sobre um sofá, estofado em um material carmesim e emoldurado em madeira escura e brilhante. — Gabriel, desce. — Aaron ordenou automaticamente. — Mas ele disse para ficar à vontade. — o cão protestou enquanto lentamente esgueirava-se do seu lugar sobre a mobília. — Está tudo bem. — o Malakim disse, fechando a gaveta e subindo para se aproximar deles. — Isso é o que o nosso refúgio sempre tem sido, — ele disse, erguendo seus braços e gesticulando sobre a sala. — Um lugar para eu e meus irmãos ficarmos longe de deveres, para relaxar e refletir sobre o que vimos. Gabriel deitou-se sobre um tapete bordado e com um pesado suspiro colocou seu focinho entre suas patas e fechou os olhos. Não importa onde eles estavam ou o que eles estavam fazendo, o animal sempre poderia encontrar tempo para roubar um pequeno cochilo. — Por favor, sente-se, relaxe. Use esse local como é suposto ser usado. Lehash educadamente tirou o chapéu, e ele e Aaron sentaram-se no sofá desocupado por Gabriel. O Malakim escolheu uma cadeira de couro em frente a eles.

Aaron se inclinou para frente hesitantemente. — Você disse algo sobre seus irmãos e Verchiel? O Malakim assentiu e pousou sua cabeça contra o encosto da cadeira. — Ele matou ambos, levando-lhes o conhecimento que não é para um anjo de sua casta. Lehash pareceu atordoado. — Verchiel matou dois de você? — ele perguntou incrédulo. — Ele realmente matou dois Malakim? Como isso é possível? A criatura de pele bronzeada fechou os olhos, seu rosto torcido em dor enquanto ele recontava a história. — Eles nos pegaram de surpresa, usando mágicas poderosas que nós mesmos ensinamos aos magos em serviço. Por um momento a sala ficou desconfortavelmente em silêncio. A respiração pesada de Gabriel era o único som. Raphael continuou, sorrindo tristemente enquanto abria os olhos. — Com nossa capacidade de ver o futuro, nós deveríamos ter sido capaz de nos preparar para isso. Mas então, talvez porque fosse inevitável, inconscientemente optamos por não vê-lo. Aaron se contorceu em seu assento, imagens de Vilma em lances de

dolorosa

transformação,

enchendo

sua

cabeça.

Ele

estava

despedaçado pela razão que ele tinha vindo para essa missão e pelo que Verchiel estava fazendo. Apesar de sua lealdade estar para Vilma, ele achou extremamente desconcertante saber que tanto ele quanto o comandante dos Poderes pareciam estar procurando a mesma coisa.

— O que ele quer? — Aaron perguntou curiosamente. — O que ele está tentando tirar de você? O Malakim se mexeu em sua cadeira e cruzou suas longas pernas. — No começo eu não tinha ideia, mas agora faz perfeito sentido. — Ele alcançou dentro das dobras de seu manto e tirou um frasco de vidro, suas extremidades seladas com metal dourado ornamentado. Aaron pode ver que havia líquido dentro enquanto o Malakim passava para ele. — Antes de nosso tempo acabar, entretanto, este é para sua companheira. — ele disse enquanto Aaron pegava a oferta. Aaron piscou várias vezes, sem saber se ele tinha ouvido o anjo corretamente. — Companheira? — ele perguntou. Raphael assentiu enquanto sentava-se de volta em seu assento. — Sim, sua companheira. E que eu possa ser o primeiro a dizer que seus filhos serão absolutamente magníficos. Cinquenta mil volts de eletricidade poderiam ter passado pela cadeira de Aaron e teriam praticamente o mesmo efeito sobre ele. — Meus filhos? — ele uivou, chocado com as palavras do Malakim. Gabriel sentou-se de repente, despertado pela exclamação de seu mestre. — O que está acontecendo? — o cão perguntou em um latido resmungado, olhando ao redor da sala. — O que está acontecendo?

— Acho que seu mestre apenas obteve um pedacinho de seu futuro. — Lehash disse, diversão em sua voz rouca. Ele se abaixou e deu um tapinha na cabeça do cão. — Isso é tudo. — Não. — Gabriel disse enfaticamente. — Você não ouviu isso? — ele perguntou, seu nariz se contorcendo, o pelo de seu pescoço levantando. O cão levantou, seu corpo tremendo em antecipação. O Malakim suspirou, levantando-se de sua cadeira. — Tudo parece tão breve — ele disse tristemente, escovando as rugas de frente de seu manto, — quando finalmente confrontado com seu inevitável fim. Aaron estava prestes a pedir uma explicação quando ouviu também. Ele conhecia o som; era o barulho feito quando um anjo viajava de um lado para outro, implosões de som como o tecido da realidade sendo rasgado por um breve instante e permitir fechar. Só que desta vez ele ouviu várias vezes, e entendeu exatamente o que significava. — Estamos sob ataque. — ele deixou escapar enquanto formas aladas explodiam dentro da sala debaixo das cortinas em uma chuva de vidro e fogo. — Não brinca. — Lehash rosnou. Suas pistolas brilharam para a vida em suas mãos e começou a disparar. Os símbolos tinham subido sobre a carne de Aaron e uma ideia para uma arma tinha entrado em seus pensamentos, quando ele sentiu um forte agarre sobre seu braço. Ele virou para enfrentar Raphael, que estava balançando a cabeça.

— Você precisa sair daqui agora. — ele disse sobre o barulho das armas de Lehash e latidos frenéticos de Gabriel. Aaron começou a protestar, mas o olhar no rosto do feiticeiro angelical o deixou sem palavras. — Não há nada que você possa fazer por mim agora. Retorne para Aerie, ajude sua companheira, e encontre seu próprio destino. — o Malakim ordenou. Aaron jogou um olhar para seus amigos. Os soldados dos Poderes tinham momentaneamente parado suas cargas através da janela, mas Gabriel e Lehash estavam prontos, apenas no caso. A calma antes da tempestade. — Pegue seus amigos e vá. — Raphael disse a ele. E embora doesse Aaron deixar o ser celestial, ele sabia que coisas muito maiores que ele estavam no trabalho aqui. — Vamos, temos de ir. — ele chamou seus amigos enquanto as asas negras que os levariam de volta a Aerie emergiam de suas costas. O Malakim inclinou sua cabeça para Lehash e Gabriel enquanto eles passavam por ele, seu características

tornando-se

corpo

mais

já mudando, suas suaves

animal,

a

armadura

fundida

novamente aparecendo em sua expansiva forma. Aaron estava prestes a levar seus companheiros em seu abraço, quando a parede da sala explodiu e mais soldados dos Poderes surgiram dentro. Raphael encontrou o ataque com fúria desenfreada, soldados dos Poderes morrendo sob o cortar de seu machado monstruoso.

E então Aaron o viu, o ponto central da raiva do Nephilim, partes de seu corpo não cobertas pela armadura envoltas em ataduras manchadas de sangue. Verchiel entrou na sala atrás de suas tropas, lanças de fogo agarradas as suas mãos, asas esfarrapadas batendo no ar enquanto ele procurava por sua presa escolhida. Aaron sabia que deveria ter partido então, mas ele hesitou, mantido no lugar por seu ódio pelo líder dos Poderes. O Malakim se virou, como se sentindo que eles ainda não tinham ido. — Vão. — ele gritou em uma voz como um gato selvagem. — Não é hora para o confronto final. Vão. E enquanto Aaron fechava suas asas, ele testemunhou a mais horrível das visões: uma multidão de Poderes sobre Raphael, cortando o Malakim em um turbilhão sem sentido de selvageria. Verchiel avançou passando à violência, fixada sobre o Nephilim. — Saiam. — Aaron ouviu a última mágica gritar debaixo do enxame angelical. Ele finalmente fez o que lhe foi dito, tomando seus companheiros dentro do abraço de suas asas. — Não desta vez. — Verchiel chiou, deixando voar a lança de fogo com toda a sua raiva e fúria por trás dele. Aaron desejou voltar para Aerie. Mas a lança do anjo foi mais rápida.

Kraus acordou enrolado debaixo de um cobertor esfarrapado no chão, um grito de terror em seus lábios. Por um momento ele pensou que a escuridão o tinha reclamado novamente, que talvez Verchiel tinha tirado de volta seu dom maravilhoso, mas então ele percebeu que era apenas a noite ao seu redor. Estantes vazias e mesas de metais empilhadas surgiram da escuridão enquanto sua nova visão se ajustava ao preto escuro da noite. Ele tinha estado sonhando, vividamente recordando um tempo antes de servir ao seu Senhor e Mestre, Verchiel. Um tempo de aflição e sofrimento. Jogando para trás seu cobertor, ele ficou de pé na escuridão da sala. Algo estava errado; ele podia sentir. Havia um zumbido antinatural, uma vibração pulsando como a batida de um coração de um monstro pré-histórico no ar ao seu redor. O som estava em todo lugar – parecia estar em todo lugar – e ele sentiu o desespero disso serpentear dentro dele, trazendo a tona lembranças de tempos mais

escuros antes de ele jurar sua fidelidade ao guerreiro Deus e sua santa missão. Kraus saiu da sala, procurando escapar das lembranças de seus primeiros dias de tormento, para distrair-se em outros lugares, mas a batida

alienígena estava

com ele, não importa

aonde ele

ia,

estimulando lembranças de um passado há muito tempo reprimido. Antes de servir os Poderes, tudo o que ele havia conhecido era escuridão e dor, a piedade e o desprezo da visão. Ele havia sido criado em um lugar muito parecido a este, muito parecido com a Igreja Santo Atanásio e o Orfanato tinha sido antes das portas estarem fechadas. A Escola Perry para os Cegos. Era a única casa que ele tinha conhecido. Kraus se moveu para os corredores escuros, sentindo as intensificadas ondas de desconforto. Ele não podia manter o passado na baía; as memórias escaparam, explodindo em camadas de tempo, tão vividas como se tivessem ocorridas apenas momentos antes. Havia outros como ele na Escola Perry, que nasceram sem visão, desistindo daqueles que cuidavam dos menos favorecidos. E importou o que eles fizeram. Oh sim, ele se lembrava de seus cuidados, de fato. Kraus se aproximou de uma porta aberta e uma escada que descia profundamente para uma escuridão. A sensação era mais forte aqui, e ele desceu, atraído em direção a fonte de desespero, tudo o que ele lembrava. O pessoal da escola para cegos os tratavam como formas de vidas inferiores, abaixo até mesmo do cão feroz do Dr. Albert Dentworth, o

administrador chefe. Kraus reviveu o terror que o apertava cada vez que ouvia o barulho da corrente do animal e suas unhas clicando e batendo sobre os pisos de madeira enquanto se aproximava. Ele não era nada além de cargas para o mundo e para o pessoal cujo trabalho era cuidar deles, e foram muitas vezes ditos como quantidade. Para a maioria de sua existência ele viveu no inferno, e toda noite orou para ser trazido para o céu. A escada o levou para o ginásio e para o covil dos Arcontes. Naquele momento, eles foram embora, com Verchiel em sua mais recente incursão. Um círculo místico e complexo tinha sido desenhado no chão com o que parecia ser terra, e acima dele, de correntes grossas, o prisioneiro pendurava. Um corte profundo e vertical tinha sido cortado do peito do prisioneiro até seu estômago, a ferida mantida aberta com pinças de metal, e Kraus se perguntou como era possível o prisioneiro ainda estar vivo. Quando criança, cada momento acordado, e antes de dormir à noite – exausto de tarefas que deixavam seus dedos duros e sangrando – Kraus tinha rezado a Deus para levá-lo embora. Ele não se achava mais merecedor do que qualquer outro que vivia sob o teto da Escola Perry, isso era apenas o que ele tinha ansiado e queria que parasse. Ele não podia viver assim por muito mais tempo, e cada noite implorava ao Criador misericordioso para acabar com sua vida. O primeiro dos caídos gemeu lastimosamente, e uma estranha nuvem vermelha soprou de seu peito aberto para ser aprisionada dentro dos limites do círculo místico abaixo. Kraus se encontrou repelido por uma esmagadora sensação de desolação que de repente permeou a atmosfera. Ele tinha encontrado a fonte de seu mal estar, e

o que quer que fosse, ela tinha vindo de dentro do corpo do anjo caído, Lúcifer. Kraus ouviu o anjo que mais tarde viria a chamar de mestre, como ele tinha muitos anos atrás – Verchiel, sussurrando em seu ouvido, dizendo a ele que tinha sido enviado por Deus, e que por causa de suas ferventes orações, ele tinha sido escolhido para ajudar os soldados do Senhor na mais importante das missões. Kraus lembrou-se da alegria incrível, a euforia pura de saber que Deus ouvira suas súplicas, mas na época ele tinha sido preenchido com uma grande tristeza. Ele sabia que somente ele conheceria essa felicidade, e esses irmãos e irmãs na escuridão com quem tinha partilhado o inferno da Escola Perry continuaria a conhecer somente o sofrimento. Como ele poderia fazer o trabalho de Deus, sabendo que outros como ele ainda sofriam? E o anjo Verchiel tinha oferecido a ele uma solução. — Você pode acabar com o sofrimento deles, ele tinha dito. — Tudo o que você precisa fazer é me obedecer, pois este será meu pagamento a você, pela fidelidade que você irá jurar. Tudo o que você precisa fazer é pedir. Então Kraus tinha implorado ao mensageiro do Céu para liberar os outros da Escola Perry de suas vidas de tristeza e sofrimento. E Verchiel tinha penhorado. A memória daquela noite deixou Kraus de joelhos. Ele estava tremendo, inundado em carne viva, não constrangido de emoções daquele momento há muito tempo. O que quer que estava vazando do corpo de Lúcifer, era muito eficiente em trazer à tona os ecos do passado.

Kraus recordou a noite em que ele renasceu como um servo dos Poderes, retirado do relativo calor da escola para as alturas de um céu de noite fria, o som das asas batendo de Verchiel, quase ensurdecedor. E ele ouviu os gritos de outras criaturas celestes ao seu redor enquanto era levado mais e mais alto. — Eles não conhecem mais o sofrimento. — o anjo que seria seu mestre rugiu, e o céu ao redor retumbou como se estivesse em acordo. O relâmpago que seguiu de alguma forma permeou a escuridão que foi sua existência. Ele se lembrou da luz branca abrasadora e o barulho do trovão que abalou o ar. Kraus engoliu em seco, seu corpo deslizando na parede de concreto frio do ginásio. As memórias eram impiedosas, seus sentidos crus. De alguma forma ele podia sentir o relâmpago golpeando sobre a escola, o cheiro disso como se o queimado enchesse suas narinas, os gritos dos que estavam presos enchendo seus ouvidos. Ele sempre disse a si mesmo que isso era para o melhor. Os alunos da Escola Perry tinham sido libertados de uma existência patética; ele realmente acreditava nisso. Mas ultimamente ele tinha começado a ver as coisas mais claramente, e foi preenchido com horror. Desde o dom de Verchiel para ele, suas percepções foram mudando lentamente, revelando a feia realidade de tudo isso. O ar ao redor dele brilhava e estremecia, e Kraus sabia que seu mestre tinha retornado, mas ele não sentiu a alegria como teria no passado, apenas apreensão.

Os anjos apareceram diante dele. Haviam menos soldados dos Poderes, e aqueles que permaneceram eram meras sombras de si mesmos, uma vez gloriosos. Eles pareciam mal-assombrados, a armadura que usavam penduradas livremente sobre suas estruturas reduzidas. E então havia Verchiel, a visão dele preenchendo o curandeiro com uma estranha mistura de tristeza e medo. Sua placa no peito uma vez de ouro, estava manchada quase de preto com sangue de sua presa, e as feridas recém abertas continuavam a chorar, saturando as bandagens que o curandeiro tinha usado para cobri-las. Verchiel caiu de joelhos diante do círculo místico. — A hora está próxima. — ele disse, e o restante dos Arcontes se apressou sobre seus preparativos. Mas para quê? Kraus se perguntou, um enorme sentimento de medo descendo até as profundezas de sua alma. Ele queria perguntar ao anjo que era seu mestre e senhor, mas teria qual seria a resposta.

Aaron pensou que o tinha perdido. Ele hesitou apenas alguns momentos enquanto lutava com a ideia de que ele poderia finalmente colocar sua loucura para descansar uma vez por todas. Mas o olhar no rosto do Malakim – a intensidade em seu olhar escuro e comovente – tinha dito que ele deveria partir,

que talvez um ser que viveu milhões de anos pode ter uma ideia melhor do quadro geral do que ele. Ele honestamente acreditava que a lança de fogo de Verchiel tinha passado inofensivamente através do ar onde ele e seus amigos tinham estado momentos antes, confiando que suas novas habilidades eram muito superiores à arma de fogo do comandante dos Poderes. Aaron se lembrou de fechar suas asas, abraçando Lehash e Gabriel firmemente contra ele e pensando em Aerie, vendo-o claro como dia em sua cabeça. Eles tinham conseguido escapar livres. Ou assim ele pensava. Com uma precisão mortal, a lança vinda do fogo do Céu tinha finalmente encontrado seu alvo. Ele tinha conseguido voltar para Aerie, desenrolando suas asas e liberando seus amigos, antes de cair de joelhos. Aaron não conseguia recuperar seu fôlego, seu corpo estranhamente entorpecido, mas ele podia ouvir tudo o que eles estavam dizendo. Lorelei estava lá, exigindo saber o que tinha acontecido enquanto ela se ajoelhava sobre ele na rua. Lehash estava próximo, explicando o ataque sobre o covil do Malakim. Aaron adivinhou que Lorelei estava usando algum tipo de mágica sobre ele, pois ele podia sentir suas mãos sobre seu peito sondando onde ele imaginava que a lança havia pregado nele. Realmente não doía muito; na verdade ele não sentia muita dor em tudo. Talvez eu esteja apenas cansado de toda a correria, ele pensou.

Gabriel estava com ele, nervosamente ofegante em seu ouvido. Aaron queria dizer a seu amigo que tudo ficaria bem, que ele estava bem, mas por alguma razão ele não podia falar. Todos ao seu redor pareciam estar em pânico. Talvez eu devesse estar preocupado, ele pensou, mas então recusou como um tolo. Ele estava bem, eles teriam que tê-lo consertado em algum momento. Eles estavam o carregando agora, levando-o para a casa de Lorelei. Isso era bom, ele pensou com um cansaço pesado fechado ao redor dele. Tudo que ele precisava era somente um pouco de descanso e então ficaria bem. Tudo o que precisava era de descanso. — Ele parece morto. — Gabriel disse de uma vez, sentado ao lado da cama de seu mestre. Ele tinha estado ao lado de Aaron desde que voltaram da missão, examinando cada espasmo, cada movimento – o qual havia muito pouco. Isso preocupava o cão, para Aaron era um sono muito agitado, e vê-lo deitado assim era muito perturbador. — Mas ele não está. — Lorelei disse, se abaixando para coçar atrás da orelha do cão. Gabriel moveu sua cabeça longe, muito distraído para a afeição dos outros. — Eu sei que ele não está morto. — ele respondeu, seus olhos nunca deixando os de Aaron. — Acredite-me, eu sei. Sou um cão, posso cheirá-lo. Morte tem um cheiro muito forte. Ambos ficaram em silêncio. Lorelei se inclinou para verificar a bandagem de Aaron enquanto Gabriel observava de perto. Havia muito

pouco sangue, o calor intenso da ponta da lança cauterizou a ferida quase instantaneamente. Ela havia colocado algo sobre a lesão, algo que cheirava muito estranho, muito amargo. Ela havia dito a ele que era um velho remédio da raiz de uma Árvore do Conhecimento, de um lugar chamado Éden. Gabriel não se importou com seu perfume – o que o fez espirrar e seus olhos arder – mas se isso estava ajudando Aaron, estava bem para ele. Vilma, por outro lado, estava ficando muito melhor. O conteúdo do frasco que Raphael tinha dado a Aaron parecia ser exatamente o que a menina precisava. A essência angelical tinha tranquilizado quase imediatamente, e parecia que ela ficaria bem. Gabriel ficou repentinamente frustrado. Ele amava muito Vilma e certamente não queria que nada de ruim acontecesse a ela. Mas se ela ficasse bem e Aaron não, como ele se sentiria em relação a ela? O cão empurrou os pensamentos de lado, retornando sua atenção para seu mestre. — Quando vamos saber se ele vai viver? — Gabriel perguntou a Lorelei enquanto ela examinava a ferida de Aarom. A Nephilim gentilmente substituiu a bandagem e se afastou. — Ele está confortável. — ela disse com um ligeiro encolher de ombros. — Estou mantendo a ferida limpa para evitar qualquer infecção. — Mas quando vamos saber? — o cão latiu, seu comportamento muito mais nervoso do que ele pretendia. Ele abaixou sua cabeça, envergonhado, suas orelhas murchando contra seu crânio. — Sinto muito, eu lati. — ele se desculpou. — Só estou preocupado.

— Está tudo bem. — Lorelei disse com compreensão, abaixandose para alisar sua cabeça novamente. Desta vez ele não se afastou. — Fizemos tudo o que podíamos fazer. — Então temos que esperar? — Gabriel se virou para ela enquanto continuou a alisar o pelo curto e aveludado em cima de sua cabeça. Lorelei assentiu. — Temo que sim. Ele voltou observar Aaron, o aumento muito fraco da subida e descida de seu peito, desejando com toda a sua força que ele ficasse bem novamente. — Estou indo pegar alguma coisa para comer. — Lorelei disse. — Você gostaria de vir comigo? — Não, obrigado. Acho que vou ficar aqui com ele. — Gabriel lentamente baixou o rosto para apoiar o queixo na cama perto da mão assustadoramente calma de Aaron. — Não estou com muita fome.

A porta que conteve o resultado da loucura infernal da Morningstar tremeu violentamente em suas dobradiças psíquicas. Ele queria sair. A

grande

abóbada

da

porta

gemeu

enquanto

começava

lentamente inchar para fora. Tudo o que restou era o próprio aço: as

fechaduras, parafusos e correntes, todos quebrados pela fúria do turbilhão injuriando atrás dele. Lúcifer estava sozinho agora. Taylor se foi. Ela o havia deixando quando a dor em seu peito tornou-se muito grande, como se ela não aguentasse ver o que ia acontecer. Não, ele pensou, de joelhos diante do bloqueio psíquico. Não posso deixá-lo sair. Ele se concentrou na porta espancada e viu que havia novas fechaduras, deslizantes parafusos, e grossas correntes negras – todos fortes – ou mais fortes do que tinham sido antes. O inferno não seria liberado este dia, o primeiro dos anjos caídos disse a si mesmo, encontrando força para subir aos seus pés antes do obstáculo que separava o mundo do holocausto. Toda a dor, miséria, e sofrimento que ele foi responsável ficariam dentro dele, onde pertencia, onde tinha sido colocado. Ele sempre achou estranhamente divertido que a punição dada a ele por Deus tinha de alguma forma conseguido se tornar uma coisa de lenda no mundo humano – um lugar real de condenação eterna para quem pecou contra sua escolha de fé religiosa. Gehenna, Sheoul, Ti Yu, Jahannam, Hades, inferno – tantos nomes para o que era dele e só dele para suportar. A força sobre o outro lado se intensificou, e ele foi arremessado para trás pela selvageria do seu furor. Suas novas e mais fortes restrições foram arrancadas, jogadas na escuridão, ineficazes contra o implacável ataque violento feito contra a representação psíquica da Palavra de Deus.

A Morningstar arrastou para seus pés, tentando novamente fortalecer a barreira, mas a agonia afiada e cortante em seu peito o levou aos joelhos. Ele olhou para baixo e viu a ferida. Um corte sangrento de doze polegadas tinha aparecido lá, e ao vê-lo o encheu de medo. Ele estava ficando mais fraco, sua força drenando da abertura vertical entalhada em seu centro. A porta estremeceu e vibrou dentro de sua moldura, e Lúcifer assistiu em horror mudo enquanto o canto superior direito começou a dobrar, o aço gemendo e gritando sua objeção. — Por favor, Deus, não! — Lúcifer sibilou, atirando-se na porta, pressionando seu corpo contra. A dor, culpa e tristeza do que seu ciúme causou cresceu mais forte ao longo de milênios, e ele sempre tinha encontrado a força para protegê-lo dentro de si, para isso era seu fardo designado. Agora ele tentou com todas as suas forças que essas barreiras mais fortes, para adicionar sua força mental à penitência original de Deus, mas podia sentir as vibrações terríveis de uma força impossível de ser parada através das muitas polegadas do que deve ter sido um metal super forte. Do canto espiralado ele primeiro viu, uma mecha de luminescente vapor. Lúcifer conhecia essa coisa intimamente. Tinha sido uma parte dele que pareceu uma eternidade, fundido à sua essência angelical desde a queda de seu encanto. Ele conhecia sua raiva, tristeza, e sua crueldade infinita, e se desesperou com o destino do mundo de Deus se isso fosse permitido ser livre. — Não deixe que isso aconteça. — ele orou, seu rosto pressionado contra o metal tremendo, e ele estava feliz que Taylor, apesar de uma criação de sua mente, já não estava lá para testemunhar seu fracasso

horrendo. — Por favor. — ele implorou enquanto a porta dobrava e o metal torcia. E ele tinha praticamente desistido de toda esperança de parar o cataclismo do Inferno de inundar o mundo. Quando veio uma voz. — Parece que você poderia usar uma mão aqui. — isso disse. E Lúcifer se virou para olhar para o rosto da salvação. Era um belo rosto – com seus olhos.

Verchiel ouviu atentamente as poderosas palavras arcanas roubadas das mentes do Malakim, enquanto elas saiam dos lábios fiéis do Arconte. É apenas uma questão de tempo. O comandante dos Poderes pensou, divertido que ele era realmente mesmo ciente da passagem do tempo. Ele tinha existido desde o início da criação e nunca tinha realmente dado muito pensamento ao conceito, até agora. Os três magos restantes de Arconte ficaram dentro do círculo místico debaixo do prisioneiro suspenso de Verchiel, seu instrumento de vingança. Tudo estava correndo suavemente, as peças de seu mecanismo de vingança caindo perfeitamente no lugar, quase como se estivesse destinado a ser. Como se Ele soubesse que Ele devesse ser punido por aquilo que Ele permitiu acontecer. Os Arcontes zumbiam o conhecimento do Malakim ajudando a desvendar o edital de Deus. Lúcifer gemia sob o domínio da

inconsciência enquanto as obstruções mágicas que seguravam sua punição eram metodicamente desfeita. O primeiro dos anjos caídos estava lutando contra eles, mas Verchiel teria esperado nada menos de um que tinha sido o mais amado do Criador – e a maior decepção. O líder dos Poderes se aproximou do ritual arcano, cuidando para não abrir suas próprias feridas que tinham finalmente parado de sangrar. — Renda-se Morningstar. — ele pediu ao anjo caído. — Aceite a sua responsabilidade, não somente para o declínio do Céu, mas agora para a ruína da humanidade também. Ele caminhou ao redor do círculo místico, em torno de seu adversário desprezado, aquele cuja corrupção tinha agido como um câncer, corroendo a missão santa de Verchiel – em tudo o que definiu seu propósito no abençoado esquema das coisas do Santíssimo. — A dor que você deve ter experimentado nesses incontáveis séculos, meu irmão. — Verchiel arrulhou. — Agora você tem a chance de ser livre dela – para deixar sua punição ser compartilhada por todos os que pecaram. Lúcifer bateu em suas correntes, gotas de suor chovendo de seu corpo maltratado para ser absorvido pelo solo do Céu que compreendia o círculo mágico abaixo dele. Sua boca tremia enquanto ele se esforçava para falar. — O que é isso irmão? — Verchiel perguntou em um sussurro. Ele se aproximou ansioso para ouvir a voz de seu prisioneiro em agonia, talvez até mesmo por um apelo de misericórdia. — Fale para mim. Compartilhe comigo suas aflições.

O anjo caído falou. Foram apenas duas palavras, e falou em voz tão baixa que o líder dos Poderes não tinha certeza se ouviu corretamente. — O que foi isso novamente, Lúcifer, Morningstar? — Verchiel perguntou, inclinando-se ainda mais perto do primeiro dos anjos quebrados e lábios trêmulos. — Obrigado. Verchiel recuou como se tivesse sido atingido. Isso é algum tipo de jogo perverso que o criminoso está jogando? Verchiel perguntou. Alguma forma bizarra para mostrar sua força? Sua superioridade? É tudo em vão se este é o caso. — Você me agradece por isso, seu monstro? — ele vociferou, sentindo suas próprias feridas começarem a chorar. — Para suportar o tormento agora? — Sua voz tremeu com fúria. Lúcifer estava lutando para manter a consciência, seus olhos lentamente rolando para trás em sua cabeça enquanto suas pálpebras começaram a cair. — Diga-me! — Verchiel gritou, alcançando dentro dos limites do círculo mágico para pegar o anjo caído por seu cabelo curto e encaracolado e puxou sua cabeça em direção a ele. Os olhos de Lúcifer arregalaram e um sorriso demente floresceu em suas características atormentadas. — Diga-me! — Verchiel gritou novamente. — Se não fosse por isso... Por você... — A Morningstar sussurrou. — Eu nunca teria conhecido meu filho.

O estômago do rato doía de fome. Não tinha procurado por comida desde que seu amigo tinha sido trazido aqui para esta sala. Não poderia, não enquanto o homem estava sendo atormentado assim. Nas sombras o rato se encolheu, parou de se mover. Havia algo no ar aqui, algo sobrenatural que fez seu pequeno coração palpitar como uma mariposa tentando escapar da teia de aranha. Cada um dos seus instintos primitivos gritava para correr, que aqui era morte certa. Mas ele permaneceu – com medo de abandonar o único que tinha sido seu amigo. Lealdade para uma culpa. Eles estavam machucando seu amigo novamente. O rato não queria assistir, mas não pode afastar seus olhos. Ele desejava fazer alguma coisa, qualquer coisa para ajudar aquele que tinha mostrado a ele tal amizade, mas sua pequena mente não poderia nem mesmo implorar para compreender o que aquilo pode ser. Ele não tinha tamanho nem ferocidade para assustar criaturas enormes e mais poderosas ou força em sua mandíbula para roer sobre as grossas correntes de metal. Por isso, se encolheu nas sombras, observando e com medo. Muito pequeno para a questão.

Aaron não tinha certeza do que esperava do anjo caído que era seu pai. Ele era Lúcifer, afinal, e todos os tipos de coisas loucas passaram por sua mente: pele vermelha, bigode fino, cavanhaque, patas rachadas, chifres, cauda pontuda, tridente. Ele era curioso, mas nunca esperou que as respostas fossem iminentes. Ele sabia que estava inconsciente, em algum lugar interno e escuro, sozinho, ou então ele acreditava. Ele tinha vagado pelas sombras por muito tempo, descendo cada vez mais profundo no mundo interior das trevas, até que ouviu os gritos de socorro. — Por favor, Deus, não. Instintivamente Aaron se moveu em direção à melancólica voz, cortando através do oceano preto. — Não permita que isso aconteça. A distância ele viu um homem de pé diante de uma enorme porta de metal, pressionando-se contra sua superfície, como se tentando impedi-la de abrir. — Por favor. — implorou o estranho como se algo martelasse e protestasse do outro lado. Aaron se sentiu compelido a ajudar e timidamente se aproximou. Mas enquanto o homem se virou para encará-lo, um sorriso que só poderia ser descrito como eufórico espalhou por suas belas feições ainda tensas. E naquele momento Aaron conheceu a identidade do estranho. Era Lúcifer, Morningstar, o primeiro dos caídos. Seu pai.

— Não tenho certeza de quanto tempo isso pode resistir. — Aaron murmurou, abrindo seus olhos e olhando para o teto rachado e manchado do quarto onde ele tinha estado desde que veio para Aerie. — Você está acordado. — Gabriel disse muitas e muitas vezes, lambendo seu rosto, cabeça, orelhas e mãos sem moderação. — Você está acordado. Você está acordado. Você está acordado. Ele não tinha certeza de quanto tinha estado inconsciente. A afeição de Gabriel não poderia ser utilizada como um indicador preciso. Houve dias em que Aaron havia saído para pegar algo em seu carro e tinha sido recebido com o mesmo tipo de saudações exuberantes, como se ele não tivesse visto o Labrador por meses. Aaron afastou o rosto do cão do seu próprio, coçando atrás de suas orelhas. — Ei, cara. — ele disse. — Bom ver você também. Quanto tempo estive fora? — Cerca de dois dias. — respondeu uma voz enquanto a porta de seu quarto abria e Lorelei entrou carregando uma bandeja carregada com suprimentos médicos. Ela colocou a bandeja em cima da cômoda e pegou uma garrafa de anti-séptico, ataduras, algumas bolas de algodão e um rolo de fita. — Eu pensei que fosse pelo menos uma semana. — Gabriel disse enquanto se deitava ao lado de seu mestre, com sua anca pressionada fortemente contra o lado de Aaron. — É realmente verdade o que dizem sobre os animais não terem noção

de

tempo.



Lorelei

disse,

sentando-se

cuidadosamente desenrolando o curativo do seu peito nu.

na

cama

e

— Ele tem uma tendência a exagerar. — Aaron disse. — Eu viverei? — Isso ficou sensível e ficará por um tempo. — ela disse honestamente, examinando a ferida. — Mas parece que você já se curou muito bem. — Ela limpou a punção ainda frágil em seu peito com uma bola de algodão embebida no anti-séptico. — Lehash nos contou o que você fez, pendurado ao redor de uma partícula tempo demais depois da merda bater no ventilador. Muito estúpido, Aaron Corbet. Se não tomar cuidado, eles vão revogar a licença do seu salvador. — Ela colocou uma nova atadura sobre o ferimento e colou. — Como está Vilma? — ele perguntou, afastando o cobertor fino que o cobria, começando a se levantar da cama. — Ei. — a fêmea Nephilim protestou. — Ela está descansando confortavelmente, o que é exatamente o que você deve fazer. — Ela meio que tentou empurrá-lo de volta, mas teve pouco sucesso. Aaron se sentiu um pouco fraco e tonto, e colocou sua mão contra a parede para se firmar. — Não há tempo para isso. — ele disse, esperando na sala para se estabelecer. — Não tenho certeza de quanto tempo ele pode aguentar. — Ele se moveu para sua mochila para pegar uma camisa nova. — Você disse isso antes — Gabriel ainda estava deitado na cama. — Sobre quem você está falando? Aaron deslizou uma camiseta vermelha sobre sua cabeça e gentilmente a puxou para baixo sobre seu peito, de modo que não perturbasse o curativo. — Enquanto eu estava fora, eu fui a algum lugar. — ele disse, colocando suas meias e tênis. — Aqui dentro. —

suas mãos se agitaram ao redor de sua cabeça antes de começar a amarrar seus tênis. — E conheci meu pai – conheci Lúcifer. — Você conheceu Morningstar? — Lorelei perguntou em choque. Gabriel saltou da cama para se juntar a Aaron perto da porta. — Ele era legal? — Ele perguntou, abanando o rabo. — Eu o conheci, e agora eu sei o que Verchiel está fazendo. — Aaron disse, deixando o quarto. — E é muito horrível. — Você está pronto para isso, Aaron? — Lorelei perguntou enquanto o seguiu até a porta da frente. — Você quase morreu, e aqui está você fazendo de novo. Ele parou e olhou para ela, realmente não sabendo o que dizer. — Há algo horrível em cima de você e... — E nada disso importará se Verchiel ter seu caminho. — Aaron interrompeu. Lorelei olhou como se pudesse protestar, mas claramente pensou melhor. — Prometa para mim que terá cuidado.— ela disse ao invés. — Vou ter cuidado. A mulher assentiu. — Ótimo. Você é o primeiro salvador que tive como amigo, e eu odiaria ter de encontrar outro.

Tinha sido uma boa visita. Lúcifer só queria que eles pudessem ter feito algo um pouco mais agradável, algumas bebidas, talvez, um bom jantar, uma conversa, que corresse bem até as primeiras horas da manhã. Segurar o Inferno não era a atividade que ele teria escolhido para seu primeiro encontro com seu filho. Ele parece ser um bom garoto, Lúcifer refletiu. Ansioso para ajudar, e ele tinha os olhos de seu pai, mas realmente não havia muito que pudesse fazer sobre a Situação atual do Morningstar. Ele tinha apenas ajudado a atrasar o inevitável um pouco mais. As coisas estavam ruins. Os mágicos de Verchiel quase tinham tido sucesso em quebrar todas as barreiras que permaneciam, e a dor foi se tornando insuportável. Lúcifer não queria que seu filho o visse desta maneira, então ele tinha se despedido, o mandando colocar sua força em outro lugar, por que a sua era uma causa perdida. Mas no fundo, o primeiro anjo caído não queria acreditar que era completamente verdade. A profecia de perdão veio por causa dele,

porque ele tinha a esperança de que algum dia o Senhor Deus entendesse o quanto ele estava arrependido e lhe daria a chance de se desculpar. Infelizmente Verchiel faria tudo em seu poder para ter a certeza de que Lúcifer nunca tivesse a chance de proferir aquelas palavras de expiação, e gostaria de fazer dele o responsável por mais um crime hediondo contra Deus e que Ele possui de mais precioso. O líder dos Poderes não acreditava que Lúcifer tinha o direito de ser perdoado, e havia dias em que ele acreditava que Verchiel poderia muito bem estar certo. Mas essa não era uma questão para eles decidirem. Deus perdoa, ou não. Era simples assim, ou pelo menos costumava ser. Lutar como ele fez, Lúcifer sabia que não poderia manter a porta fechada por muito mais tempo. Inferno enfureceu-se com as costas, a dor no âmago de seu ser, metodicamente o feria como as camadas múltiplas de uma cebola. A Estrela da manhã3 tinha vergonha, acreditando que ele deveria ter sido mais forte, capaz de conter o que havia sido uma parte tão crucial dele por tanto tempo. O inferno veio para defini-lo, mostrando o que a sua pequena inveja e arrogância tinha sido responsável. No mundo da escuridão interior soou como tiros quando a primeira dobradiça de metal grosso explodiu a porta do cofre. Foi seguido por um segundo, e quando ele apertou seu corpo de volta contra a superfície fria da porta, ele sentiu o ar mudar novamente. Não vai demorar muito agora, Lúcifer sabia. A descarga gasosa do sofrimento acumulado sobre o outro lado flutuava em torno dele. Isso

3

Morningstar, Lúcifer

o fez ver tudo de novo, experiência é como se estivesse acontecendo. Ele encarnou o Inferno. — Eu sinto muito. — ele gritou em voz alta quando a porta caiu, prendendo-o sob o seu peso enorme. E o que veio a ser conhecido como o inferno surgiu de dentro para fora dele, um mar de raiva, dor, tristeza, miséria e obtida a partir do evento mais horrível que se abateu sobre o reino de Deus. — Sinto muito.

Ela parece muito melhor, Aaron pensou, observando Vilma enquanto ela dormia pacificamente. Silenciosamente, ele agradeceu ao Malakim pelo o que ele tinha feito para ela, para ele, e jurou que Verchiel iria pagar por seus crimes. Ele estendeu a mão e puxou o cobertor para cima da menina. O porão era úmido, e ela tinha problemas suficientes sem pegar um resfriado para piorar a situação. — Ela está muito melhor, graças a você. — Gabriel disse de perto. Aaron não conseguia parar de observá-la. — Você a ama, não é? O primeiro impulso de Aaron era negar isso, ele nunca admitiu isso em voz alta antes. Mas o fato era que ele amava Vilma Santiago, e

enquanto observava seu sono, ele não podia imaginar sua vida sem ela. Aaron lembrou as palavras de Malakim sobre sua companheira, e os filhos lindos que eles teriam juntos. Vilma era parte de seu futuro. Ele só esperava que ela quisesse que ele fosse uma parte do dela. — Sim, acho que sim. — ele finalmente respondeu. Ele olhou para o cão que estava deitado no chão de concreto não muito longe do pé do colchão. — Isso está legal para você? Gabriel estava olhando para Vilma também, e Aaron podia sentir a emoção que emanava dos olhos escuros do Labrador. — Está legal. — ele disse, piscando lentamente. — Ela vai ser boa para o nosso grupo. Aaron sorriu. — Ela não vai embora? — ele concordou, levantando-se do seu lado. — Você tem que ir? — O Labrador perguntou, subindo para seus pés também. Aaron balançou a cabeça, sabendo que suas opções eram poucas e o tempo era crescente. Seu pai tinha enfraquecido, e ele sabia que o tipo de poder que Verchiel agora tinha à sua disposição. Se o que Lúcifer disse a ele era verdade, o líder dos Poderes não era apenas uma projeção para os Anjos caídos e Nephilim, ele tinha contas a acertar com todo o planeta. — É isso, Gabe. — disse ao animal. — Verchiel está indo para baixo pelo menos desta vez.

— Meu exato sentimento, — Lehash disse enquanto descia as escadas, chegando até eles. Aaron estava esperando por eles para tomar uma decisão, certo de que Lorelei teria falado alguma coisa, logo que ele tinha revelado suas intenções. Aaron parecia pálido quando virou em torno de Lehash. — Lorelei nos disse o que você aprendeu. — ele disse, um tremor em sua voz. — Verchiel perdeu completamente. Já era ruim o suficiente para que ele nos queria mortos, mas intencionalmente desencadear esse tipo de força sobre a terra ... — O anjo caído estava, sem palavras pela primeira vez desde que Aaron pudesse lembrar. As pistolas de Lehash ganharam vida em suas mãos e ele as virou em seus dedos de uma maneira que um cowboy de verdade faria. — Nunca conheci um filho da puta que merecia sofrer mais. — proclamou. Vilma agitou ao som de suas vozes, rolando de um lado para o outro antes de voltar ao abraço do sono da cura. — Eu estou fazendo isso sozinho. — Aaron disse suavemente. As armas celestes de Lehash se dispersaram em um flash. — Deve ser a acústica daqui. — o pistoleiro disse, colocando um dedo em seu ouvido e o barulho ao redor. — Mas eu poderia jurar que você disse que ia acabar com Verchiel. Aaron concordou. — Isso é o que eu disse. Lehash fez uma careta e Aaron se preparou para o ataque que ele sabia estaria vindo. — Você não vai a lugar nenhum sozinho,

menino. — ele rosnou. — Olhe para você. — o vaqueiro disse, lançando um aceno para ele. — Com esforço você fica em pé, pelo amor de Deus. Você acabou de ser preso com uma lança e quase morreu! Está ficando maluco? Aaron levantou a mão instintivamente e tocou o curativo em seu peito. A ferida ainda estava dolorida, mas ele estava se recuperando rapidamente, outra vantagem de ser um Nephilim. — Não é que eu não queira a sua ajuda. Na verdade nada me faria sentir mais seguro do que ter vocês ao meu lado quando ele, finalmente, cair. Lehash estudou-o, lentamente, cruzando os braços sobre o peito enquanto Aaron simplesmente olhou. — Mas eu vim a perceber que eu tenho que fazer isso sozinho. Lehash balançou a cabeça. — Não é verdade. — ele resmungou. — É. — respondeu Aaron. — Isso tem sido sobre mim desde o início. Verchiel se perdeu por causa da profecia. — Ele apontou para si mesmo. — Eu sou a profecia, eu sou a manifestação física de tudo o que ele odeia. E sou eu quem o levará para baixo. — Ele quase matou você, Aaron. — Gabriel disse, com a sua voz rouca de animal cheio de preocupação. — A palavra chave é quase. — Aaron respondeu. — Eu não estava pronto antes. Eu não entendi o que o anjo realmente era. Mas eu entendo agora. Eu sei o quanto está em jogo. Não são só os anjos caídos e os Nephilins que estão em perigo. É o mundo inteiro.

Lehash esfregou a mão sobre a pele áspera do rosto. — Ele não vai para baixo facilmente. Ele é como um animal, e se torna mais perigoso quando é colocado contra a parede. — Ele está certo sobre isso. — Gabriel disse, fortalecendo as palavras do pistoleiro. — Acredite em mim, eu sei que eu poderia muito bem ser morto, mas também sei o que é para eu fazer, e tenho que fazer sozinho. Eu tenho que ser o que acaba com isso. O quarto ficou muito quieto, a respiração da Vilma era o único som suave enquanto ela dormia. — E o que virá, trará o fim de sua dor, com a sua luta furiosa para construir uma ponte entre o penitente e o que foi perdido. — Scholar disse, seu olhar vago, como se ele estivesse olhando para além do quarto, talvez para o futuro. — Essa é uma linha da profecia. — ele disse, com os olhos focados novamente. — Sua profecia. E Aaron sabia que era hora de ir. Ele se aconchegou dentro de si e recorreu ao poder dos anjos, sentindo os nomes de todos aqueles que morreram lutando pela causa de Lúcifer subindo à superfície para enfeitar sua carne. Isto é para eles, ele pensou. Seus sentidos ficaram mais ansiosos, a fúria dos céus vibrando em seu sangue. Ele trouxe suas asas cor da noite, as abrindo lentamente sentindo o ar em antecipação. — Eu tenho que ir agora. — ele disse em uma voz grave que tinha reconhecido como sua, uma voz cheia de força e propósito.

Ele olhou para todos eles, talvez pela última vez, e uma mensagem não dita passou entre eles. Isto foi difícil o suficiente sem o impedimento de palavras finais, e ainda que não fossem as suas nesta última batalha, que seria de fato com ele em espírito, proporcionando a força que ele precisava para lutar. — Veja você, quando isso estiver terminado. — Aaron disse, zelando o sono tranquilo de Vilma seu antes de partir para cumprir seu destino. Ele nunca tinha conhecido uma conexão tão forte com outra coisa viva.

Seu pequeno

coração bateu

rapidamente, sua respiração

acelerou quando escutou o gemido de seu amigo em agonia. Os outros de sua espécie foram machucá-lo novamente, seu zumbido cantava fazendo-o se contorcer e gritar. Sentaram-se do lado de fora de seu círculo, balançando de um lado para o outro quando eles repetiram sua canção dolorosa. Algo vazou para fora do corpo da criatura torturada. O rato se lembrou da névoa da manhã no rio diante da montanha no mosteiro que costumava ser a sua casa, apenas nevoeiro que não era da cor de sangue seco e não trazia consigo esses sentimentos de desconforto.

Alguma coisa que não pertencia estava vindo ao mundo e o amigo do rato gritou de abandono, uma canção triste cheia de vergonha por não ser forte o suficiente para impedi-lo. O chamado Verchiel impacientemente passeou diante da figura suspensa com o olhar fixo sobre o torturado. Era ele quem estava por trás de tudo isso, ele que era o responsável por toda a dor. O roedor não podia suportar ouvir mais, não queria que o seu amigo pensasse que ele sofreu sozinho, e contra todos os instintos, correu pelo chão de madeira, não se importando se iria ser visto ou não. O rato passou entre dois soldados, atingindo o anel de sujeira fétida. Ele pulou para frente correndo, seus minúsculos olhos fixos no rosto do chamado amigo. Ele tinha apenas um propósito agora. A sujeira no chão era fria e úmida e cheirava a morte, mas não impediu o rato quando forçou seu caminho através da lama, interrompendo a perfeição da curva do círculo. Ele tinha quebrado o círculo e os padrões para além, sem aviso prévio, o medo, a sua conquista atingiu o seu amigo. De pé sobre as patas traseiras, o rato elevou seu rosto pontiagudo e chegou-se com suas duas patas dianteiras para a figura triste pendurado ao vê-lo. — Você não está sozinho. — ele guinchou no mais rudimentar dos idiomas. Triunfante, ainda sem saber o que tinha realmente feito. Verchiel estava hipnotizado pelo sofrimento de Lúcifer. Ele não conseguia puxar o seu olhar para longe, observando como o maior dos pecadores se esforçava para manter o Castigo de Deus dentro de si.

— Deixe-o ir, maldito. — Verchiel sibilou, a antecipação quase mais do que ele podia suportar. Em breve eles vão pagar tudo, o anjo pensou com um sentido perverso de satisfação, dos macacos humanos correndo sobre o pensamento de muito mais, os anjos caídos e seu Nephilin desonrou o Senhor Deus. Como é triste que tenha chegado a este ponto. O comandante dos Poderes ruminou enquanto assistia o primeiro dos caídos se contorcer. Verchiel estava surpreso que alguém como Lúcifer cuidar tanto do mundo primitivo em que havia sido banido. Ele já não podia esconder o seu desagrado para o lugar e sua influência corruptora sobre o seu Pai Celestial. — Vou mostrar-lhe o erro de seus caminhos. — ele falou em voz alta, esperando que o Todo-Poderoso ouvisse suas palavras e soubesse o quão errado ele tinha sido ao descartá-lo. Verchiel iria mostrar o Criador a loucura de tudo isso. De repente, Lúcifer, o primeiro dos caídos, soltou um grito que falou de sua renúncia final. O horror que era a sua punição fluía de seu corpo, derramando a partir do corte da abertura em seu peito, um espesso e ondulante vapor ansioso para fazer o conhecimento do mundo. — Como absolutamente horrível você é. — Verchiel sussurrou com uma espécie de admiração torcida, aproximando-se do círculo mágico que atuou como gaiola do castigo. — O que você deve colher é o terror sob o meu comando. Ele

olhou

sobre

o

quarto

e

último

de

seus

soldados,

ensanguentado e espancado por uma cruzada. Uma vez que tinha

comandado centenas, mas agora menos de 20 permaneceram sob seu comando. E uma vez que eles teriam lutado contra uma ameaça como essa, não desbloqueado sua gaiola para libertá-lo sobre um mundo ingrato. Os anjos tremularam nervosamente suas asas, sentindo a virilidade do temível poder que estava sendo desencadeado. Eles o lembravam da guerra e o que tinha feito a todos eles, as cicatrizes que tinha deixado. — Não tenham medo, meus irmãos — Verchiel proclamou, — por uma força como essa vamos ser reivindicados, e todo o ser vivo seja de carne e sangue ou do divino, irão saber que a nossa missão era justa, e vão implorar por perdão. Os Arcontes começaram a gritar, e olharam para a Verchiel. De alguma forma, o poder que saía do corpo de Lúcifer conseguiu se libertar de seu confinamento, ultrapassando o círculo místico de solo do Céu e do sangue de seu adversário, girando em torno de seus feiticeiros fiéis como um enxame de insetos. Os gritos de Arcontes eram frenéticos, ao contrário de qualquer coisa que ele nunca tinha ouvido falar antes. Arconte Oraios correu para o comandante dos Poderes, com a cabeça envolta em uma nuvem que se agarrava teimosamente como uma coisa viva. — Como pudemos ter sido tão tolos! — o mágico lamentou, agitando os braços em pânico. — E pensar que tínhamos o direito de pensar que poderíamos apagar a Sua Palavra! Verchiel agarrou o anjo por suas roupas enquanto ele passava, jogando-o violentamente para o chão, e ainda a nuvem permanecia. A

espada de fogo veio à vida no aperto do comandante. — O que está acontecendo aqui? — ele cuspiu, observando como o castigo de Deus continuou a vazar do corpo de Lúcifer, passado do círculo de contenção e para o ambiente. — Está solto. — Oraios gritou, se debatendo no chão quando a nuvem se expandiu para englobar corpo do mago. — De alguma forma, o círculo foi quebrado e agora isso está livre. Como pudemos ter sido tão estúpidos a ponto de achar que poderíamos controlá-lo! O ginásio explodiu em uma cacofonia de gritos e gemidos quando o castigo do Senhor se familiarizou com os outros na sala. Verchiel assistiu horrorizado como os guerreiros que lutaram ao seu lado nas mais horrendas das batalhas foram reduzidos a animais choramingando.

Gritavam

personificando

a

nuvem

de

todo

o

sofrimento causado pela guerra no céu. Ele devastou a todos eles, levando-os a se destruir. Um arrancou seus olhos, enquanto outros usavam suas próprias armas de fogo em si mesmo. Seus gritos foram ensurdecedores. — Você tem que fazer alguma coisa. — Verchiel latiu para os Arcontes quando um anjo dos Poderes repetidamente voou em um dos quartos das paredes de concreto, como se estivesse tentando quebrar todos os ossos do seu próprio corpo. Os três Arcontes amontoados no canto mais distante do ginásio, tentando se esconder da força que tinham desencadeado. — Faça alguma coisa! — Verchiel gritou de novo, mas eles só estavam reunidos mais perto, tremendo violentamente.

— Eles estão com medo. — disse uma voz, um pouco mais que um sussurro. Verchiel olhou para ver que Lúcifer estava acordado, mesmo que o poder continuasse a vazar de seu corpo. — Você fez isso. — Verchiel disse grunhido, apontando sua espada de fogo para o prisioneiro. — Você fez isso dar errado. Outros Poderes tiraram a própria vida, seus lamentos tristes reverberando horrivelmente para fora das paredes frias antes de quebrar o silêncio. Lucifer riu dolorosamente, o riso estrondoso se transformando em uma molhada, tosse seca. — Eu sou o único que paira sobre um círculo místico com o peito aberto, e esta é minha culpa. — ele disse com admiração. — Como isso pode ser? De repente Verchiel pegou movimento dentro do centro do círculo e notou o verme, o animal de estimação, limpando a sujeira e o sangue de seu estômago sujo. Ele estava prestes a abocanhar a incômoda criatura e espremer a vida para fora de seu corpo, mas então ele percebeu que não teria importância. Houve um súbito clarão escaldante de calor e Verchiel olhou para trás para ver que os Arcontes se colocaram em chamas. Ele podia ouvir as suas vozes em uníssono quando o fogo consumiu as criaturas místicas, implorando o perdão do Criador. Eles permaneceram vivos por muito mais tempo do que ele teria imaginado possível, antes de seus apelos comoventes cessassem e eles caíssem no chão de madeira em uma pilha de cinza ardente e preta oleosa.

— Liberte-me. — Lúcifer disse quando Verchiel voltou sua atenção para seu prisioneiro. — Faça a coisa certa. Redima-se. Deixeme recuperar a minha punição. Deixe-me colocar ela de volta onde ela pertence. — o primeiro do caídos implorou. — Há uma chance de que ainda posso ser capaz de parar isso. Verchiel olhou para fora sobre o ginásio onde as formas quebradas e sangrando de seus seguidores restantes estavam espalhados pelo chão. A nuvem de miséria estava se expandindo, rolando inexoravelmente em direção a ele. Já tinha terminado com seus soldados e agora desejava fazer um banquete com seu líder. Ele ficou tenso, à espera de seu toque terrível com uma antecipação estranho. — Quem falou que eu quero parar com isso? — Verchiel respondeu quando ele estava envolto na névoa fome vermelha. Ele sentiu que se agarraram ao seu corpo, e faziam seu caminho dentro dele através das feridas abertas que adornavam sua carne. Ele esperou sentir os horrores implacáveis do Todo-Poderoso, a punição, mas sentiu a sensação que estava sempre presente, uma raiva que ele sentia desde que foi abandonado por Deus. E então

o

líder

dos Poderes

chegou

surpreendente. Eu já vivo os tormentos do inferno.

a uma

conclusão

Em sua mente, Aaron viu seu destino, em um cartaz pouco legível que dizia:

IGREJA E ORFANATO Santo Atanásio: Fundada em 1899.

Este era o lugar onde a batalha final ocorreria. Houve vários edifícios, incluindo uma igreja, mas ele sabia que precisava estar dentro da escola. Era ali que o seu pai estava. Essa era à imagem de Lúcifer havia colocado dentro da mente do Nephilim. A imagem do ginásio dentro de sua cabeça o fez pensar brevemente em sua própria escola, Kenneth Curtis, e tudo o que tinha desistido. A graduação, a faculdade, uma vida humana. Ele tinha ficado tão irritado no início, uma vez que a sua vida normal tinha sido virada de cabeça para baixo por profecias angelicais e anjos sedentos por sangue, circunstâncias além de seu controle, um destino que ele não sabia nada sobre. E mesmo que o tempo lhe tinha permitido uma aceitação relutante de seu destino, ele não tinha feito seus sacrifícios menos difíceis.

Ele abriu suas asas como as cortinas de um palco se abrindo de volta para apresentar o último ato de uma grande produção. É isso, ele pensou em antecipação ao voo, o capítulo final de uma história que começou na manhã de seu aniversário de dezoito anos, o dia em que sua vida mudou para sempre. Ele enrolou suas grandes asas negras sob a carne de suas costas, seu movimento mexendo uma névoa estranha e avermelhada que estava à deriva acima do piso do ginásio. Uma atmosfera de perigo rondava o ambiente, e os cabelos na parte de trás do seu pescoço formigava, uma espada de fogo ganhou vida em sua mão. Ele estava pronto para acabar com isso. Seus olhos examinaram seus arredores. A névoa era espessa, mas ele era capaz de distinguir as funções do antigo ginásio, o piso de madeira coberto com anos de poeira debaixo de seus pés, uma claraboia no teto acima, salpicada com excrementos de pássaros. Ele moveu sua mão através do vapor denso, querendo saber o que era, sabendo que não poderia ser bom. Isso fez os seus braços formigarem e peito doer quando ele relutantemente tomou-o em seus pulmões. Em seguida, ele bateu-lhe com a força de uma onda de tempestade. Sua arma de fogo caiu de sua mão quando seu corpo foi sacudido por espasmos violentos. O que está acontecendo? Aaron perguntou à beira do pânico quando as sinapses4 em seu cérebro explodiram como fogos de artifício no dia quarto de Julho. Era como se cada emoção raiva, desespero, amor, alegria, tivessem ganhado vida de uma só vez, mais incapacitante do que 4

A sinapse é uma região de comunicação entre os neurônios ou entre neurônios e células musculares e epiteliais glandulares

qualquer ataque físico. Ele foi entorpecido, tropeçando através da névoa esvoaçante vermelha, tentando recuperar controle de suas paixões descontroladas. Ele não tinha dúvida agora do que estava acontecendo. Era tarde demais. A maldição de seu pai tinha sido desencadeada. O castigo de Deus estava livre. Por mais que tentasse, Aaron não conseguia tomar o controle de suas emoções. A névoa caiu sobre ele, inflamado, chamando-o como uma infecção a partir de uma ferida. Sem nenhum impedimento os sentimentos que corriam eram de tristeza a raiva e à alegria foram liberados dentro dele. Novamente e novamente ele viveu os momentos que havia criado, profundamente desde os alegres a os miseráveis. Medo brilhou através dele quando viu a primeira casa adotiva que podia realmente lembrar, as pessoas horríveis que tinham lhe colocado ali, enquanto o estado pagava por sua manutenção. Ele sentiu a solidão e raiva, revivendo o abuso e negligência. Então a experiência foi violentamente arrancada para ser substituída por outra, e depois ainda outra. Era como se todos os momentos decisivos emocionais de sua vida estivessem acontecendo simultaneamente: o fluxo interminável de vários lares adotivos, as lutas na escola, sua descoberta por Gabriel, um cachorro imundo amarrado a uma árvore no quintal de um membro da gangue, o primeiro dia que ele viu Vilma Santiago, e as mortes dos Stanleys, a verdade sobre os pais que ele nunca conheceu. Aaron tentou bloqueá-las, para mantê-las no cofre, mas as experiências foram implacáveis, um assalto todos os seus sentidos. Sua confusão virou raiva, e depois em pânico. Ele atacou com uma

lâmina recém-convocada de fogo, inutilmente cortando o turbilhão carmesim de vapor, fazendo qualquer coisa para lutar, mas sem sucesso. O nevoeiro cresceu mais grosso, avidamente fechando em torno dele. E de repente, como se sua própria turbulência emocional não tinha

sido

suficiente,

todos

os

aspectos

da

guerra

no

Céu

bombardearam os seus sentidos já desgastados. Ele viu os cristais manchados com o sangue de discórdia, sentiu o aroma adocicado de carne de anjo queimada, e ouviu os gritos de irmãos, uma vez que todos os anjos eram irmãos de gloria, trancados em um combate furioso. E facilmente se tudo se desfez e ele, infelizmente, não só observou como experimentou a desgraça de Deus, um desespero do tipo que ele não poderia nem começar a descrever. Ele criou um vazio que o sugou para dentro e devorou toda a esperança. Naquele momento devastador Aaron compreendeu totalmente a magnitude dos crimes de seu pai e as consequências que se seguiram. Por ir contra o Criador, por atacar a Deus, era o auge do pecado, o mais triste de todas as coisas. Ele não poderia pensar em nenhuma maneira de escapar dessa angústia. O mal-estar era como uma enorme mão empurrando-o para baixo para o chão, esmagando-o, e ele chegou à conclusão revoltante que nada importava, que a luta dos anjos caídos para o perdão era em vão. Não tinha jeito. Todo o seu sacrifício e luta tinha sido em vão. Com a mão trêmula Aaron trouxe sua arma de fogo para sua garganta e se preparou para acabar com a sua vida, para fazer a

miséria terminar. Ele sentiu a mordida chamuscada da ponta flamejante da lâmina sobre a carne do seu pescoço, mas não se afastou. Foi um alívio abençoado sentir algo diferente da tristeza do Senhor Deus. — Pare. — implorou uma voz um pouco mais alta sobre a névoa vermelha. E estranhamente a lâmina de fogo sumiu de sua mão. Aaron tropeçou em meio à neblina artificial, passando por cima dos corpos de outros que tinham sido libertados da dor da queda do Céu, atraídos para voz, uma ilha de esperança num mar de desespero. A imagem de um homem pendurado no teto apareceu sobre o vapor turvo. Aaron se aproximou e pôde ver os símbolos brilhantes, arcaicos gravados sobre o metal escuro, símbolos infundidos com a capacidade de drenar toda a força Angelical. Ele estendeu a mão para ajudar o homem a descer quando ondas de desespero e emoção tomaram conta dele, e ele novamente encontrou-se contemplando sua espada. Vai ser rápido e relativamente indolor, ele pensou, levantando a lâmina de fogo para sua garganta. Qualquer coisa para ficar longe a dor... — Esse não é o caminho. — o homem pendurado resmungou, e ergueu a cabeça com os cabelos pretos encaracolados olhando para Aaron com os olhos profundos, escuros e velhos, olhos cheios de séculos de dor. Aaron sabia que este era o homem, que há muito tempo era associado com tudo o que era mal e errado do mundo. Ele levantou os olhos para o olhar de Lúcifer e inesperadamente se sentiu como se

tivesse sido lançado um salva-vidas, à deriva em um mar furioso e raivoso. — É... dói muito. — ele disse, segurando um momento precioso de consolo, temendo que ele não tivesse a força para suportar a nova onda de sofrimento. — Mas pense em como ele vai se sentir quando parar. — Lúcifer sussurrou, a cabeça caindo lentamente para frente novamente. A nuvem vermelha agitou o anjo caído, proveniente de uma ferida, aberta verticalmente que começou no centro de seu peito, um talho horrível aberto com grampos de metal. Aaron se lembrou do gato que ele teve de dissecar em sua classe júnior biologia, ele não podia suportar a ideia de que de alguma forma o animal ainda poderia estar vivo. — Você tem que usá-la. — Lúcifer murmurou. — A dor. Use-o como combustível para mover além do sofrimento, a luz no fim do túnel, a punição para a absolvição. É o que me mantém relativamente são desde que eu caí. Aaron aproximou-se do prisioneiro, lutando para manter seus sentimentos controlados. — Deixe-me ajudá-lo. — ele disse, se preparando para usar sua lâmina celeste para cortar as correntes debilitantes e liberar o anjo caído que era seu pai. A cabeça de Lúcifer se levantou. — Olhe à sua volta, — ele resmungou em advertência, e Aaron se virou, instintivamente, levantou sua espada, bloqueando outra arma de fogo que descia da névoa para acabar com sua vida. — Você vai fazer tal coisa. — Verchiel gritou, emergindo da névoa mortal.

Aaron ficou momentaneamente chocado com a aparência decadente do anjo. A armadura celestial que uma vez brilhou como o sol agora era cinza sujo. A carne geralmente firme e modelada de seus braços e pernas estavam manchadas com sangue e ataduras. Seu rosto era como uma ferida aberta. Suas armas falharam quando ele tentou atacá-lo novamente, estilhaços de fogo celestial cortaram o ar. Aaron gritou de súbita dor, olhando seu rosto sobre as brasas ardentes da espada. — O fim está sobre nós. — disse o líder dos Poderes quando ele golpeou Aaron com a sua arma tentando fazer Aaron ficar de joelhos. — Isso é provavelmente a primeira e última vez que eu nunca vou concordar com você, seu filho da puta. — Aaron rosnou, chamando suas asas, empurrando para frente, indo em direção ao seu atacante, usando as emoções raivosas como seu pai ordenou. As duas entidades angelicais deslizaram pelo ginásio, trancados em uma luta furiosa, a punição do Criador fluindo em torno deles, tornando-se mais escura, mais grossa, como se incitando-os. Ele estava trazendo tudo o que Aaron tinha tentado ignorar, a infinidade de emoções que o fez querer largar a sua espada, ceder à tristeza e desespero ao redor deles. Ele se enfureceu contra os sentimentos depreciativos, lembrando-se de todos aqueles que estavam de acordo com ele. Verchiel pressionou o ataque, a espada vindo perigosamente perto de arrancar a cabeça de Aaron de seus ombros. O Nephilim bateu suas asas poderosas, as enviando contra a luz silenciosa da

claraboia. Então, de repente, virou a espada para baixo, abrindo caminho para o anjo, jogando os dois no chão do ginásio. Eles atingiram a madeira dura com uma força incrível, fazendo as placas subirem e se fragmentar com o impacto. Verchiel gritou, caindo por baixo dele. Ele estendeu a mão e passou as garras no rosto de Aaron, quase furando seus olhos. O Nephilim saltou para longe e notou que ele estava coberto de sangue. Ele levou uma batida de coração, para perceber que não era seu, mas de Verchiel. As lesões do anjo sangravam muito e ele fedia a podridão. Verchiel

se

levantou

ficando

de

pé,

suas

grandes

asas

flexionadas, penas derramando como folhas que caíam. Ele olhou para si mesmo, o sangue de seus ferimentos escorrendo pelo corpo em riachos formando uma piscina em seus pés. — Isto é para o que veio. — o líder dos Poderes disse, com um desespero em sua voz que só aumentou a angústia que assolava sobre eles. — Tudo foi tirado de mim. — Ele olhou para Aaron com ódio nos olhos. — Você tirou isso de mim, você e o monstro que gerou você. — Você realmente acredita que isso é nossa culpa? — Aaron olhou para o anjo, com seu olhar firme. — Isso de alguma forma é uma punição de Deus, e você é a única pessoa que sabe sobre isso? — Ele sacudiu a cabeça em desgosto. — Você está como um monte de porcaria. Verchiel fervia, punhos cerrados diante dele, sangue negro escorrendo entre os dedos tamborilando como chuva suave sobre o chão.

— Pecados foram cometidos. — Aaron continuou. — Crimes tão inimagináveis que você nunca poderia ser perdoado. Ou será que não? A névoa rodopiava sobre Verchiel, como se de alguma forma tentando confortá-lo. — Você não sabe nada do que vivemos. — ele rosnou. Aaron estendeu os braços manchados de sangue, mostrando ao líder Poderes as marcas negras que enfeitavam sua carne. —Mas isso é onde você está errado. — ele disse. — Eu uso seus nomes, aqueles que morreram lutando pela causa de Lúcifer. E dentro de mim mora um pedaço de todos e de cada um deles. O rosto horrível do anjo torceu em revolta. — Você é mais monstruoso do que eu pensava. — ele rosnou com nojo. — Uma monstruosidade que sabe do seu ciúme. — Aaron respondeu. — Era isso que eles sentiam quando Deus parecia afastar para abraçar outra criação de um novo mundo. Eu sei o quão desesperados eles estavam para recuperar seu posto. Desesperado o suficiente para fazer algo tolo. Verchiel olhou para o acúmulo de sangue aos seus pés. — Eles quebraram a sua confiança santa e por isso mereceram uma punição mais severa. Ele olhou de volta para Aaron. — Eu estava fazendo o que me disseram para fazer. Era minha santa missão levá-los para baixo. — O caído finalmente percebeu que eles estavam errados, mas e você? — Aaron perguntou. — Se Deus lhe disse agora, que eles

deveriam ter uma chance de fazer uma penitência para provar que estão verdadeiramente arrependidos, você seria capaz de ouvi-lo? — Eu segui os meus mandamentos. — Exatamente. — Aaron concordou com um leve aceno de cabeça. — Você seguiu o seu comando. Verchiel virou de repente, indo para longe dele. — Estou cansado de tudo esta... Vida. — ele disse. Aaron notou que as mãos de um dos anjos cobertos de sangue começaram a brilhar, e ele se preparou para a próxima rodada de conflito. — Então vamos ver o que eu posso fazer para te tirar da sua miséria. — ele respondeu, espada de fogo celestial queimando em suas mãos. O líder dos Poderes virou, sua mão direita brilhando com calor incrível, o sangue escorrendo das feridas em seu braços, como uma cobra, evaporando como fumaça antes que pudesse escorrer sobre a mão branca e quente. Ele riu, um sorriso vazio de som ou de qualquer humor. — Eu me pergunto se ele está ouvindo agora? — Ele virou os olhos para os céus e levantou a mão em chamas. Um fio de chama viva irrompeu explodindo através da claraboia e iluminando a noite além dele com o brilho do fogo do céu. — Qual é a declaração depreciativa que muitas vezes um ser humano fala para o outro? — Perguntou o anjo, quando peças irregulares de vidro quebrado choviam para cima dele. — Vá para o inferno?

E Aaron percebeu o que estava acontecendo. Ele assistiu atônito e com horror quando a névoa vermelha se uniu, serpenteando pelo chão como uma serpente pré-histórica, passando sobre os corpos com um toque maligno, ansiosa para invadir o mundo para além destas paredes. — Sim, isso é certo. — Verchiel disse com uma alegria óbvia. — Vocês todos podem ir para o inferno.

Kraus tentou apertar-se mais profundamente no canto escuro de uma sala de aula abandonada, uma cacofonia de emoções trazendo-o para a beira da loucura. Toda a angústia, raiva e solidão que tinha sido parte de sua infância estavam com ele de novo, os sentimentos intensificados o atingindo três vezes mais. Com seus novos olhos, ele tinha visto o ritual angélico ser realizado sobre o anjo caído Lúcifer. Mesmo antes de o último rito ser concluído, o curador sabia que nada de bom viria a partir dele, e ele tentou esconder-se. Por

décadas

ele

tinha

servido

os

Poderes

angelicais,

desenvolvendo um sentido sobrenatural certo para as coisas além da norma.

Como

a

maioria os seres

humanos

eram

alheios

ao

paranormal, Kraus descobriu que ele tinha se tornado extremamente sensível. Esses sentidos estavam gritando agora, e ele tentou dobrar-se

mais apertado em uma bola, para se proteger das forças que tinham sido soltas neste dia. Como eu pude ter sido tão cego? Embora com uma força do Céu, Verchiel se tornou cego, obcecado com a conclusão de seu cargo sagrado, não importa o quão alto fosse o custo. E Kraus havia ajudado. E com isso o líder recompensou o anfitrião dos Poderes com o dom da visão para ele realmente ver como as coisas realmente eram. Eu estava cego, mas agora eu posso ver. Kraus ouviu os gritos de seus colegas na Escola Perry quando eles foram consumidos pelo fogo, e ele estremeceu na escuridão. Não houve nenhum ato de misericórdia naquela fatídica noite, só assassinato. De repente ele se lembrou de algo que Lúcifer tinha dito a ele apenas alguns dias atrás, e ele lutou com uma onda implacável de medo para lembrar-se exatamente o que tinha sido dito. O curador se viu atraído para a gaiola do prisioneiro, embora nunca tivesse sido instruído a entrar no quarto em que o cativo dos Poderes estava preso. De alguma forma, ele sentia que era necessário, que suas habilidades como um curador estavam sendo chamadas. Ainda condenado à escuridão, ele reuniu seus instrumentos e poções de cura, fazendo o seu caminho para a sala de aula, onde a personificação de tudo o que era mal estava preso. O mal personificado. Kraus teria rido se não estivesse com tanto medo.

O Diabo o acolheu na sala, e Kraus ficou forte contra ele. Ele sabia que tinha que ficar cuidadoso com o prisioneiro, formas de manipulação eram lendárias. Ele havia bravamente informado ao prisioneiro que ele era um curandeiro e tinha vindo apenas para cuidar das feridas anjo. Lúcifer disse que entendia, e embora a maioria de suas queimaduras haviam curado, ele desejava que Kraus tratasse algumas manchas teimosas. O curador tinha estoicamente se obrigado. Era seu dever, afinal cuidar das criaturas angelicais ao seu redor, independente se eles fossem soldados ou prisioneiros. Mas ele encontrou-se com medo de tocar e cuidar das feridas esse prisioneiro. Esse era o Príncipe das Trevas, o Senhor das Mentiras, preso pelas forças do bem, e tudo o que ele falou era que gostava da primavera, e pediu um favor: Um pouco de pão para o seu amigo, um rato. Foi, então, que as primeiras sementes de dúvida foram plantadas? Kraus perguntou. Ou tinha sido com essas palavras finais, ele completou a aplicação de cura colocando uma pomada nas queimaduras de Lúcifer? — Vai ficar pior por aqui antes que possa ficar melhor. — Lúcifer avisou. — Essa é a maneira que tem que ser, mas eu pensei que você pudesse querer saber. Ele queria pedir para explicar, pois ele já tinha começado a suspeitar, que o futuro próximo estava manchado com um perigo em potencial. As palavras estavam na ponta da língua, prontas para cair de sua boca, quando Verchiel retornou de sua última derrota nas mãos

do Nephilim. Ele teve sorte que o comandante dos Poderes não tinha lhe matado em seguida, mas o anjo estava preocupado com seus planos para o futuro e Kraus rapidamente fugiu. O futuro. As palavras de Lúcifer novamente ecoaram por sua mente. — ‘Vai ficar pior por aqui antes que possa ficar melhor.’ Kraus desenrolou-se e encostou-se o gesso frio da parede. Ele se lembrava da última vez que tinha visto o prisioneiro, pendurado no teto, seu tronco cortado e algo indescritível vazando para o mundo. — Muito ruim. — ele murmurou, com medo de mover, com medo de incitar outra onda vermelha da força sobrenatural que parecia ter diminuído por um momento, o que lhe permitiu reunir sua inteligência sobre ele. — Por que ele me disse isso? — Kraus perguntou a opressiva melancolia. Em sua mente, ele viu a névoa vazando para fora da ferida de Lúcifer e como ele lutou para mantê-la lá dentro e Kraus sabia que ele tinha que fazer alguma coisa. A ideia de deixar seu esconderijo o encheu de terror mortal. O que estava acontecendo além das paredes da sala de aula não era feito para ser visto por um simples homem. E, além disso, o que ele poderia fazer para evitar isso? — ‘Essa é a maneira que tem que ser.’

Kraus finalmente encontrou a força dentro de si próprio para ficar de pé, e antes que ele pudesse questionar a sanidade de suas ações, e foi até a porta. ‘— Mas eu pensei que você poderia querer saber.’ Andou através da escola escura, o vapor misterioso que uma vez tinha sido contido dentro do primeiro caído se tornando mais espesso enquanto ele se aproximava do ginásio. Kraus tentou com todas as suas forças não deixar isso afetá-lo, para não ser reduzido a destroços humano tremendo pelo seu toque. Foi a coisa mais difícil que já tinha feito, mergulhando de cabeça na névoa debilitante. Ele esperou que ela fosse vencê-lo, esmagá-lo sob o peso avassalador do seu desespero, mas isso não aconteceu. Talvez mais do que a capacidade de ver foi dada a mim pelo toque restaurador de Verchiel, Kraus considerou. Era como estar cego novamente quando fez seu caminho através do turbilhão névoa, tropeçando nos corpos daqueles que já haviam caído vítima em toda a extensão de malignidade. Ele não podia olhar para eles, pois eles tinham sido seus encargos por décadas, o seu bemestar era responsabilidade sua, lhe doeu profundamente saber que não havia nada que ele poderia ter feito para aliviar a sua dor. Uma forma mole humana, pendurada em vigas do teto de metal por correntes grossas de metal, que surgia da névoa à deriva. Mas agora que ele tinha alcançado seu objetivo, Kraus não tinha certeza de por que exatamente ele tinha vindo. Ele podia ouvir sons de dentro do nevoeiro, vozes de raiva, e ele suspeitava que o Nephilim tinha chegado a desafiar a insanidade de Verchiel.

— É ruim. — Kraus murmurou para a figura consciente, segurando a bolsa de ferramentas em seu peito como se pudesse de alguma forma protegê-lo. O som ensurdecedor de uma explosão e a destruição de vidro fez o curador estremecer, e ele protegeu a cabeça da possível dor. — Muito ruim. — sussurrou, e ele sentiu o toque frio do ar fresco da noite invadir a atmosfera estagnada do ginásio. Ele notou que a névoa estava sendo atraída para uma abertura no teto, onde uma luz do céu tinha estado, e as imagens de pesadelo, o vapor que iria se expandir em todo o mundo encheu sua cabeça. — Eu não posso imaginar o que é pior. — Kraus falou abatido. E Lúcifer lentamente levantou a cabeça. — Ajude-me. — disse ele. — Eu acho que essa é a minha sugestão.

Aaron assistiu em terror quando Verchiel levantou-se ao lado do nevoeiro, asas batendo no ar quando ele seguiu a massa efervescente de seu percurso ondulado em direção à claraboia aberta, em direção à sua liberdade. Então instinto assumiu e Aaron abriu as asas e saltou para o ar. A manifestação de pesar do Céu tornou-se algo semelhante a um único grande tentáculo, deslizando através do ar apontando para o buraco aberto no teto. — Você tem que parar com isso! — ele gritou para Verchiel, sua espada de fogo passando inutilmente através da massa gasosa. Ao

mesmo tempo em que o líder dos Poderes deve ter tido um pensamento racional, e ele esperava de alguma forma, apelar para o que restava da criatura, se alguma coisa ainda tivesse restado. — Você que se diz ser um fiel servo de Deus, vai permitir que isso aconteça? Pense sobre o que você está fazendo! Verchiel ficou pouco abaixo do teto quebrado da claraboia, sua asa esfarrapada batendo furiosamente para manter a forma no alto. Seus olhos escuros, horríveis estavam fixos na neblina. A noite já estava alta, e apesar do horror do que estava acontecendo abaixo, as estrelas no céu brilhavam lindamente. Se a névoa escapasse, Aaron se perguntou se algum dia iria olhar este belo céu novamente. — Ele tem que ser mostrado. — Verchiel disse sonhador, acenando para o vapor mortal flutuando mais rápido. — Se eu tivesse sido autorizado a completar a minha missão, isso nunca teria acontecido. — Ele balançou tristemente a cabeça como se não houvesse mais nada que ele pudesse fazer. — É tarde-tarde demais para todos nós. Aaron voou para o comandante dos Poderes, tentando pensar rápido. Não tinha nada que ele pudesse fazer para detê-lo. Nada. — Vai ser a morte de todos nós! — ele gritou para o anjo, tentando desesperadamente chegar a qualquer parte do divino ainda escondido dentro de Verchiel. Ele tinha soltado esta neblina monstruosa, ele tinha que saber como pará-la. O líder dos Poderes trouxe sua própria espada de fogo, passando por Aaron, levando-o de volta. — Sim, será a nossa morte! — ele gritou, seu rosto uma máscara de sangue coberto de feridas abertas. — e Ele o fará ser forçado a suportar essa culpa.

Aaron evitou a ponta da lâmina de Verchiel, indo perigosamente perto da massa infernal. O anjo veio para ele novamente, a mão enfaixada fechando sobre a garganta do Nephilim, o forçando-o de volta para o castigo de Deus. Aaron lutou violentamente para ficar livre, mas o aperto Verchiel era como aço. Ele se sentia como se estivesse se afogando, cada fibra do seu ser invadido pela experiência que foi a guerra no céu. Ele finalmente conseguiu fugir, caindo em direção ao chão, incapaz apenas de lidar com o que seu corpo estava experimentando. Ele aterrissou com um ruído surdo e dolorosamente rolou para trás, olhando para o teto. Ele pensou no mundo além do ginásio. Ele tinha visto o inferno de Lúcifer, havia feito aos angelicais seres celestiais de incrível poder e força, e estremeceu ao pensar nos horrores que logo se abateria sobre o povo do mundo. Lutando para se recompor, Aaron gritou ao anjo pairando perto o teto acima dele. — Você tem que parar com isso! Verchiel simplesmente sorriu, a pele pálida de mármore de seu rosto escondido no sangue. — Eu não posso. — ele disse com um aceno de cabeça. E o seu sorriso cresceu ficando duas vezes mais terrível. Verchiel reconhecida à miséria que o vapor estava fazendo com o seu corpo. A raiva se voltando para tristeza e indo para o desespero esmagador, que todos eles tinham experimentado durante a Guerra da Morningstar no Céu e durante o seu recente abandono. Ele contribuiu poderosamente para o que estava acontecendo, e agora o caos iria ser lançado sobre o mundo.

Os olhos negros do anjo olharam para o teto aberto a partir do qual o Inferno iria escapar, através da luz fria das estrelas acima, e tentou ver o Paraíso. Ele sempre imaginou que após sua missão, sua guerra privada, ele acabaria voltando para o Céu como o herói da causa. As coisas seriam como tinham sido: caos silenciado, a ordem restaurada, e a memória de Lúcifer, Morningstar e suas atrocidades expurgadas das memórias de todos os seres divinos. Verchiel se viu na luz celestial de seu Senhor e Pai Celestial, sendo o filho preferido de Deus, e tudo estava certo no Céu e no universo. Mas não era para ser, o anjo tristemente se lembrou, desviando o olhar do céu para a cobra monstruosa se contorcendo no ar abaixo dele. Aquilo era a personificação de sua própria raiva, sua maneira de punir todos aqueles que o tinha machucado. A maneira era horrível, mas necessária para fazer as coisas direito novamente. A Morningstar não tinha sido esquecida. Sua presença tinha continuado infectando o domínio celeste como um tumor maligno, um erro na profecia cancerosa do perdão, e eventualmente o estado em que Verchiel atualmente se encontrava no mundo. Ele não poderia mais suportá-lo, a difamação tinha que ser interrompida. — Você está vendo, meu Senhor? — ele olhou para o espaço aberto acima dele. As estrelas piscavam como que em resposta. — Você pode ter sido capaz de perdoar as suas ofensas, mas eu não posso. Ele disparou para cima e para fora, através da claraboia danificada na noite, olhando para baixo observando como o vapor

gasoso subia, ele foi mais para cima para além da claraboia para o ar fresco da noite. — É isso. — o anjo sentia uma satisfação perversa enquanto observava o mal se espalhar. — Este mundo de pecado pertence a você agora. Deixe-os sentir o que nós sentimos, sofremos terrivelmente por Seu amor. Verchiel olhou para o centro de Massachusetts, indo para além da Nova Inglaterra e por fim olhando para o planeta inteiro do homem. — Perdoe-me, Pai Celestial? — ele sussurrou. — Quando meu pecado for perdoado e a minha penitência for cumprida, você vai me levar de volta para o seu abraço? Ele novamente olhou para a coisa monstruosa que tinha sido a ruína de Lúcifer e que se preparava para fazer o seu caminho no mundo. Mas algo estava errado. Ele hesitou. Verchiel voou mais perto e observou com surpresa quando a massa infernal começou a recuar para dentro do prédio. — Volte! — rugiu lamentavelmente, seus gritos de decepção ecoando pela calada da noite. Ele desceu, seguindo a forma de serpentina de volta para o edifício, tristeza se alastrou em seu peito. Lúcifer estava ajoelhado no chão do ginásio, a ferida ainda estava aberta em seu peito, uma expressão de sofrimento puro gravado em suas características, quando ele gradualmente colocava para

dentro o vapor vermelho. Em pé ao lado dele, uma mão solidária estava no ombro nu do primeiro caído, e parado ali estava o próprio curador de Verchiel, o macaco Kraus. — O que é isso? — o anjo rosnou horrorizado, não tanto por o Morningstar estar livre, mas por aquele que tinha lhe servido tão fielmente, a quem ele deu um presente tão grande, poderia ser parte da traição de Verchiel. — Eu estou tomando de volta. — disse Lúcifer, ficando em pé, com a ajuda do animal humano. — Esse não é o fardo do mundo. — O enorme volume de névoa vermelha lentamente entrou de volta para dentro de seu corpo. — É o meu castigo. Eu sou o seu mestre, e ela é só minha para suportar. — Você sempre foi um egoísta, Lúcifer Morningstar. — Verchiel vociferou quando ele caiu do teto, colocando toda a sua força por trás do que seria um golpe mortal.

O tempo estava em câmera lenta quando a lâmina de Verchiel caiu em direção a ele. Por poucos momentos gloriosos Lúcifer experimentou o que era ser livre do seu fardo. Tinha sido bem-aventurado, e por um instante ele considerou a possibilidade de uma vida de novo sem a sua punição. Já fiz penitência mais do que suficiente, pensou, tentando se convencer de que não seria tão ruim para que Deus o castigue. Eu realmente sinto muito por todos os meus pecados. Ele deve saber que Lúcifer racionalizou. Quem sabe esse show era suposto ser. É assim eu estou livre da ira do Senhor? Ele olhou para cima agora e viu Verchiel acima dele, a armadura manchada, a pele coberta de bandagens cobertas de sangue e feridas abertas, as decadentes asas bem abertas quando ele caiu em direção a ele, a arma de fogo sibilando e caindo em direção a seu rosto. É este é um mensageiro de Deus? Lúcifer perguntou a si mesmo. Um que o

Criador enviou para me dizer que estou perdoado? Não importa o quão duro tentou se convencer, Lúcifer sabia a resposta. Ainda não era seu tempo para absolvição. Cansado, ele começou a pegar de volta toda a dor, tristeza, raiva e sofrimento gerado por seu ciúme. A tarefa era difícil e dolorosa, e o primeiro caído não tinha certeza de sua força para terminá-lo. Mas o curador humano, Kraus, lhe emprestou um pouco da própria força, e Lúcifer tinha conseguido completar a tarefa dele. O inferno agitou dentro dele novamente. Pertencia a ele e ninguém mais. Seria seu até o dia em que fosse perdoado, ou sua vida levada para um fim. E não antes. O que o trouxe de volta, ao aqui e agora. A lâmina de Verchiel estava perigosamente perto. Lúcifer pensou em conjurar sua própria arma escolhida, um tridente de fogo, que poderia facilmente ter desafiado a lâmina de tristeza de Verchiel. Mas em seus milênios na Terra, ele tinha desenvolvido aversão à violência, e tinha sido tanto tempo desde a última vez que conjurou uma arma de seu arsenal. A imagem da arma de três pontas começou a se formar em sua mente. Ele não era tão rápido quanto já foi, podia sentir o calor da lâmina de Verchiel em cima de sua face como faíscas de fogo celeste enchendo suas mãos. Esperemos que ele não fosse muito lento. Seria triste ter chegado tão longe apenas para morrer agora. Tudo bem que ele teve dificuldades com os detalhes, o tridente começou a tomar forma e Lúcifer levantou o braço. A arma não estava pronta, e ele

temia que não tivesse substância o suficiente para evitar a espada da tristeza de clivar seu crânio, mas não há tempo de sobra. Ele tinha que tentar. Empurrou Kraus longe, fora do alcance do dano e preparou-se para enfrentar o ataque de Verchiel. O portador da tristeza cortou a arma de Lúcifer como se não estivesse lá, e o primeiro dos caídos se preparou para a mordida ardente da lâmina. Lamentava que tivesse chegado a isso, pena que ele não tinha mais tempo para gastar com seu filho, pena que não tivesse sido perdoado. Então ele parou a menos de uma polegada de seu nariz, a lâmina impressionante do Céu de forma desigual bloqueou o ataque de Verchiel com um estalo retumbante do fogo divino. Lúcifer virou-se para ver seu filho em toda sua gloria Nephilim, as asas de corvo preto, o corpo adornado com nomes daqueles que tinham jurado fidelidade ao Morningstar e morrido por sua causa. Ele certamente era um espetáculo para ser visto. — Obrigado — Lúcifer disse com um suspiro de alivio. — De nada — Aaron respondeu antes de voltar sua atenção total ao comandante dos Poderes. — Vamos acabar com isso — o Nephilim disse impacientemente, e o anjo Verchiel apareceu ansioso demais para obrigar. Lâminas ainda tocando, as forças opostas pulverizando e provocando

raiva,

Aaron

Morningstar. Era a sua vez agora.

colocou-se

entre

Verchiel

e

Lúcifer

Lembrou-se da primeira vez que ele havia visto a criatura angelical que impiedosamente roubou tanto que era importante para ele, impecavelmente vestido em seu terno escuro e casaco, deslizando na casa adotiva dos pais em Baker Street como se pertencesse ali. Ele realmente acreditava que o que estava fazendo era correto, Aaron pensou amargamente. Matar os pais, queimando suas casa e sequestrar seu irmão mais novo. Ah sim, isso era exatamente o que Deus queria, com certeza. A visão diante de Aaron agora era nada menos do que patéticosujo, coberto de sangue e esfarrapado, mas não menos perigoso. Ele pensou em pedir à criatura para desistir, fornecendo-lhe uma chance de colocar para fora sua espada e parar o inevitável, mas ele sabia que não iria acontecer. — Então, vamos fazer isso? — Aaron perguntou seu olhar de aço inabalável. Verchiel cuspiu no chão um muco grosso, sangrento que pelo som disso estava cheio de dentes. — Oh simmmm — ele sussurrou enquanto limpava sua boca com as costas de uma mão enfaixada e atacou. Aaron defendeu-se do seu ataque seguido de um dos seus, dirigindo o último dos Poderes para longe de Morningstar. Ele ainda se recuperava. É como lutar com um animal selvagem, ele pensou, o anjo rosnando e cuspindo a cada movimento adversário cortando o outro no chão do ginásio.

Aaron bateu de volta contra a parede de concreto fresco e conseguiu se esquivar da lâmina de Verchiel cortando toda a superfície, deixando um sulco profundo, latente na pedra do edifício. O anjo se preparou para atacar novamente e o menino viu sua oportunidade, uma memória de lutas incontáveis enquanto crescia. Usando suas asas, ele impulsionou-se para frente e deu um soco no rosto do seu adversário. Era como o derretimento do gelo molhado na beira de ceder, mas ainda não a ponto de quebrar. Verchiel virou para trás, as asas batendo freneticamente enquanto caía no chão. Certo de que ao menos dois de seus dedos haviam sido quebrados, Aaron sacudiu a dor de sua mão. — Isso é pelo Dr. Jonas — ele disse, lembrando-se de seu psiquiatra, a primeira vítima da caça dos Poderes por ele. O

rosto de

Verchiel era uma confusão sangrenta, uma

combinação de dentes e sangue escorrendo da boca inchada quando ele rolou de joelhos, começando a subir. Raiva explodiu em Aaron e ele subiu em direção ao anjo de novo, se preparando para entregar um potente chute de lado. O comandante dos Poderosos puxou sua perna, torcendo-a selvagemente para um lado e Aaron caiu ao chão. O anjo remexeu pelo chão em direção a ele, uma horrível visão manchada de sangue, o sorriso insano irregular de Jack-Lanterna em seu rosto uma vez imaculado. O Nephilim atacou com o salto do seu sapato, conectando ao lado da face do anjo. Ele fez pouco para atrasá-lo quando riscou

Aaron, asas batendo, dedos longos sinuosos de aranha sobre sua garganta e começando a apertar. — Eu tenho ansiado por esse momento, monstro, — Verchiel gorgolejou saliva com sangue pingando de suas feridas na boca e escorrendo pelo rosto de Aaron. — Para matá-lo com minhas próprias mãos, assistir a vida deixando seus olhos. — Flores de cores vibrantes explodiram nos olhos de Aaron antes do aperto do anjo aumentar. Instintivamente uma arma de fogo começou a se formar em sua mão, mas ele não conseguia se concentrar, as imagens em sua cabeça em uma bagunça confusa. A escuridão começou a se infiltrar em torno das bordas de sua visão. Ele pensou em uma faca, uma coisa simples feita para um único propósito. Falhou ao dirigir a lâmina para o lado de Verchiel. A ponta da faca desviando da placa encouraçada de seu peito, faíscas de fogo explodiram entre eles, mas foi o suficiente para distrair seu inimigo e seu aperto relaxou. Aaron conseguiu puxar um joelho para cima, debaixo do seu atacante, e com a última de suas reservas ele virou Verchiel para trás, sobre ele. Flexionou suas asas e brotou a partir do chão, girando em torno quando a faca cresceu em uma espada de fogo. Verchiel já estava de pé, carregando a Portadora da Tristeza no alto com as duas mãos. — A profecia morre com você Nephilim! — ele gritou quando trouxe a lâmina para baixo sobre Aaron. — Eu posso ficar satisfeito com a vitória por si só. A força do golpe foi devastador, levando Aaron de joelhos quando ele bloqueou a descida da espada flamejante. — Odeio desapontá-lo — ele rosnou quando saltou de pé, empurrando Verchiel longe com sua

espada — Mas a vitória hoje é apenas para os anjos caídos, quando eu colocar você fora de uma vez por todas. — Ele podia sentir a força dos guerreiros anjos cujos nomes enfeitavam sua carne através do corpo. Nunca se sentiu tão seguro de algo, como fez nesse momento, perfeitamente sintonizado com o que ele era e o que ele deveria fazer. Verchiel atacou novamente, sua espada de fogo celeste caindo novamente na tentativa de derrubá-lo, mas sua lâmina não podia tocar o Nephilim. Era como se Aaron estivesse antecipando cada movimento do Comandante dos Poderes, combatendo cada ataque de Verchiel, esquivando como um dos seus próprios. Tornou-se mais selvagem, mais frenético, mais ainda o Nephilim não caía. Sua paciência diminuindo, Aaron finalmente atacou sozinho, golpeando a arma na mão de Verchiel. O anjo rosnou, convocando mais um instrumento de morte, mas Aaron respondeu de forma semelhante, desarmando o comandante anjo com facilidade perversa. — Está feito — ele disse sua voz cheia de confiança. De repente o anjo guerreiro parecia murchar diante de seus olhos, como se a luta finalmente houvesse sido roubada dele. Verchiel caiu em um joelho, à cabeça baixa. — Faça isso — ele cuspiu, recusando-se a olhar para o Nephilim. Aaron segurava o cabo de sua própria lâmina mais apertada, sentindo o calor de seu percurso através do seu braço. A essência do guerreiro alojado dentro dele gritou de raiva. Aqui estava seu inimigo de joelhos diante dele em suplica, um inimigo que tinha tirado tanto e ainda ficou na sua mão. Se ele fosse atacar Verchiel agora não seria melhor do que um assassino.

Verchiel levantou seu rosto inchado e coberto de sangue para consertar isso no olhar mais horrível. — Mate-me agora — ele exigiu. Embora Aaron quisesse levantar sua espada e cortar a cabeça do monstro em dois, ele se conteve. — Talvez eu seja uma abominação aos seus olhos — ele disse — mas eu não sou um assassino. Verchiel moveu-se como um raio, surgindo a partir do chão, uma faca de fogo em suas mãos. — Misericórdia para seu inimigo mais odiado — ele sussurrou como uma serpente, golpeando a garganta exposta de Aaron. — Teria me machucado menos se você tivesse tomado minha cabeça dos meus ombros. Aaron bloqueou com a mão a faca cortando a palma ao invés de sua garganta. Ele pulou longe do anjo enfurecido. Verchiel balançava sobre seus pés, segurava ainda em suas mãos a faca de fogo, mas ele não atacou novamente. — Isso está longe de terminar. — Ele abriu suas asas e voou em direção da claraboia aberta. — Talvez outra hora — ele clamou quando escapou pela noite com o bater de asas poderosas e uma perda de penas de neve. Aaron sabia o que tinha que fazer. — Tenha cuidado — ele ouviu uma voz dizer desde o ginásio, e ele viu que seu pai estava observando. O curador humano se ajoelhou ao seu lado e estava costurando e fechando a ferida vertical em seu peito com uma agulha um pouco grande e que parecia ser fiada em fio de ouro. — Temos muito para discutir quando tudo isso acabar — Lúcifer disse.

Aaron assentiu com a cabeça quando abriu suas asas para o voo. — Nós certamente faremos — Então ele subiu pelo buraco no teto na busca do Anjo Verchiel. O ar da noite estava frio sobre sua pele, uma espécie de balsamo para sua mão ferida e que revigorava seus sentidos, limpando a cabeça, seus olhos percorreram o céu da noite em busca de sua presa. Ele não pode ter ido longe, Aaron refletiu. Não teria ido longe. Verchiel deve saber que vou persegui-lo. Ele duvidou que o líder dos Poderes deixasse passar a oportunidade de matá-lo de uma vez por todas. Não parecia como se o anjo estaria vivo por mais tempo. Esta tinha sido a última chance de Verchiel para estragar tudo, para que a profecia se torne realidade. Aaron escutou primeiro, o crepitar do fogo celeste cortando seu caminho através do ar. Ele mergulhou para o lado, quatro punhais de fogo passaram inofensivamente através do local que ele havia pairado meros segundos antes. Mas um quinto tinha sido lançado antecipando sua reação. A lâmina de fogo penetrou em sua coxa com um silvo borbulhante, queimando através das suas calças, mergulhando muito para baixo da carne até o osso. Era como se alguém tivesse derramado lava derretida dentro da ferida. Aaron gritou, segurando a perna ferida, tentando permanecer no ar. Então como algo fora dos pesadelos, Verchiel caiu do céu. O anjo realmente parecia estar em situação ainda pior, a carne em vários estágios de decomposição, feridas com infecção. Mesmo quando eles pairavam no céu aberto, Aaron podia sentir o cheiro nauseabundo de podridão. Era como se todo o mal e insanidade que moldaram uma vez

essa criatura celestial no que ele era hoje, seu rosto fervilhava, mostrando ao mundo sua verdadeira face. Eles lutaram, suas poderosas asas batendo sem piedade. Foi difícil se concentrar com a dor na perna, e a resistência de Aaron foi rapidamente diminuindo. O conflito amargo teria que acabar em breve. A espada de fogo brilhava com o aperto de Verchiel e Aaron atacou, chutando violentamente no pulso do anjo e fazendo-o cair, mas outro já estava se formando em seu lugar. Aaron chutou novamente, desta vez com a perna ferida, e as explosões de agonia irregular penetrava seu corpo. Verchiel parecia sentir que a força do Nephilim diminuiu. Aaron podia ver isso em seus olhos avermelhados quando mais uma espada de fogo apareceu em sua mão. — Você conhecerá o seu superior! — o anjo gritou partículas de sangue voando de sua boca enquanto ele subia através da curta distanciam do céu, as faíscas da espada para baixo evitando o Nephilim. Aaron não tinha certeza porque ele pensou nisso, ou então porque ele não tinha pensado nisso antes, mas a inspiração lhe veio de repente, completamente formada, e uma arma do tipo que nunca tinha visto antes de explodir a existência em sua mão. Era uma arma muito maior do que as pistolas de Lehash, o cano longo e grosso. Ela não tinha nada da beleza delicada das armas gêmeas do pistoleiro, lembrando a Aaron mais das armas que ele tinha visto em alguns filmes de ação com seu pai adotivo nas noites de sexta-feira, algo que teria sido usado por Arnold, ou talvez mesmo Clint. Algo usado para acabar com os bandidos de uma vez por todas.

Aaron quase achou divertida a mudança de expressão sobre as características torcidas de Verchiel quando ele levantou a temível arma forjada a partir de sua imaginação e do fogo celeste. Quase. Se apenas a situação toda não tivesse sido tão malditamente triste. Ele puxou o gatilho e um som parecido com o que ele teria imaginado a partir do Big Banger saiu da arma. Uma língua de fogo de pelo menos um pé de comprimento rodou avidamente no ar com a força da explosão atirando Verchiel para trás. Ele começou a espiral para baixo em direção à igreja, uma fuga em meio a fumaça com um grave buraco no ombro. O anjo uma vez terrível atravessou o grande e circular vitral da Igreja de Santo Anastácio. Ainda segurando na mão o canhão forjado a partir da sua imaginação, Aaron seguiu cautelosamente para igreja através da janela quebrada com dentes afiados de vidro multicolorido. Era escuro lá dentro, a única luz lançada a partir das estrelas e da meia-lua acima. Como Aaron pousou no altar, ele verificou a paisagem. A maioria dos adereços religiosos da igreja tinha sido removida. Filas de bancos com assentos estavam espalhados diante dele, um rastro de sangue corria pelo corredor central até acabar em Verchiel enquanto ele engatinhava laboriosamente em direção as portas da frente e para a escapatória. Aaron permitiu suas asas pegarem ar e deslizou pelo corredor, favorecendo a perna ferida, a poderosa arma ainda ao seu lado. Verchiel percebeu sua presença, interrompendo o seu progresso e lentamente rolando de costas. O sopro do anjo sacudiu retamente em seus pulmões.

Os vidros dos vitrais se agarram a superfície pegajosa de seu corpo. Aaron olhou para a escuridão da ferida circular que tinha sido soprado em seu ombro direito e imaginou que ele estava olhando para a alma do anjo. Era como ele suspeitava, nada lá, exceto um bocejo escuro. — O que você está esperando? — Verchiel ofegou pela boca inchada e sangrando. — Está é a sua chance de destruir o que desejava com todo o seu coração, para vê-lo apagado da existência. Aaron ergueu a arma, visualizando pelo cano, tendo como objetivo o que tanta dor lhe causou. Ele foi repelido por essa criatura deitada no chão diante dele, a coisa mais distante de um ser celestial que ele poderia imaginar. Verchiel riu bolhas de sangue se formando nos cantos de sua boca. — Eu teria limpado o mundo de sua mácula — ele zombou. — Queimado o chão que você pisou com fogo celestial. Mas Aaron também sentiu outra coisa: uma pena determinada para o ser que tinha sido um soldado de Deus, então se tornou tão distorcido e envenenado pelo ódio e sua incapacidade de perdoar, no que tinham o transformado em um monstro. — Não teria tido ninguém para lamentar a sua morte — Verchiel continuou, balançando a cabeça de um lado ao outro, — pois eu os matei também. Aaron sabia que o anjo estava tentando instigá-lo para a ação, e ele decidiu que não iria jogar esse jogo.

Ele baixou a arma, permitindo que se desintegrasse em um flash. O rosto de Verchiel se contorceu em confusão. — O que você está fazendo? — Ele perguntou, tremendo de raiva na pergunta evidente. — Eu estou preparado para morrer agora. Mate-me! Aaron sacudiu a cabeça lentamente, uma sensação familiar agora começava a se construir em seu peito. Era o convite de um poder maior para liberar os presos dentro da gaiola frágil de carne, para permitir que eles tenham sua oportunidade de estar diante do seu Senhor Deus e pedir absolvição. Foi o poder que o definiu como o salvador da profecia, e corria do seu centro para baixo no comprimento dos seus braços, que emanou de suas mãos estendidas. — Mate-me. — o anjo exigiu novamente, lutando para subir em seus pés. E ainda lhe doía muito, Aaron sabia exatamente o que deveria fazer com Verchiel. Ele teve que deixar sua ira ir, seu ódio para o monstro patético que causou tanta dor matando aos que ele amava. E ele era melhor do que ele, experimentando o verdadeiro significado do seu dom dado por Deus. — Não é meu dever julgá-lo — ele disse calmamente, mostrando nenhum traço de raiva. Os olhos negros e sem alma de Verchiel escavaram Aaron e estendeu a mão para ele. De repente o anjo sabia o que estava prestes a acontecer. Ele não iria ser morto por seu inimigo mais odiado. Este era um destino muito mais horrível e ele tentou fugir.

Aaron estendeu suas mãos pegando a cabeça de Verchiel e deixou o poder do perdão fluir através dele para o portador dos Poderes. — Eu o perdoo — ele sussurrou enquanto o comandante dos Poderes lutou para se ver livre de seu agarre. — Mas será que Ele fará? Verchiel gritou com medo, sua espada, Portadora do Sofrimento, aparecendo em sua mão. Ele tentou jogar em Aaron, mas não parecia capaz de controlar o fogo. A espada se perdeu, a chama ao invés de fluir para baixo consumiu seu braço, corroendo a carne ferida e continuando. Verchiel debatia-se no aperto do Nephilim, tentando com todas as suas forças escapar, mas o fogo do céu consumia avidamente sua carne, deixando para trás um ser de luz mudo, que não brilhou como os outros que Aaron tinha posto em liberdade. Este era diferente. Aaron soltou a criatura e se afastou do anjo em sua forma mais pura. Verchiel ajoelhou-se sobre o chão da igreja, tremendo como se tivesse frio, mas Aaron suspeitava que fosse o medo que trouxe essa reação. A criatura assustada levantou a cabeça, olhando para o teto, vendo muito mais do que as imagens do glorioso Céu pintado ali. — Foi tudo por você. — Verchiel resmungou na língua dos mensageiros. O brilho do seu corpo começou a se intensificar, e logo ele estava envolto em uma esfera de luz, solidamente branca, como se uma estrela de alguma forma houvesse caído do céu para deitar no chão da igreja. Aaron protegeu os olhos com suas asas, salvando sua visão da intensidade ardente da luz. — Eu sinto muito — foram as últimas

palavras que ouviu proferida por um Verchiel aterrorizado quando ele foi levado em um flash. Levado para o céu, para enfrentar o julgamento de Deus.

Era como se um grande peso tivesse sido retirado dela. Vilma Santiago abriu os olhos na escuridão semi-cerrada da sala onde tinha estado confinada. Sentindo-se melhor do que tinha estado nos últimos dias. Ela não poderia descrevê-lo exatamente. A única coisa com que poderia até mesmo vagamente compará-lo era com a manhã em que ela caminhava depois de fazer um teste realmente importante na escola, sentindo alívio quando percebeu que o teste tinha ficado para trás. Era uma comparação realmente estúpida, mas era a melhor que ela conseguiu no momento. Ela sentou-se, à espera de sentir as agitações sinistras do poder angelical dentro dela, mas não sentiu nada além de um extremo senso de calma. As correntes douradas presas às algemas em seus pulsos sacudiram quando ela as levantou e se rastejou sobre o chão descalço de concreto para as escadas. Lentamente, ela subiu os degraus, ouvindo atentamente, curiosa para saber se havia mais alguém na casa com ela, mas não ouviu nada.

A menina saiu para o corredor e voltou-se para o local da cozinha, vagamente lembrando que Lorelei e Aaron haviam lhe dado algum tipo de medicamento. Mas no fundo ela sentiu que aquela era apenas uma parte responsável da paz que estava sentindo. Ela encontrou Gabriel deitado no chão da cozinha, olhando para a noite através de uma porta de tela quebrada. — Ei, garoto — ela disse, feliz por ver o animal , estranhamente aliviada que não tinha sido deixada completamente sozinha. Gabriel , assustado com o som de sua voz, pôs-se de pé , a cauda começando a abanar quando ele caiu em si que era ela. — Você me assustou — ele disse trotando para ela , se esfregando nas mãos dela por afeto. — Eu sinto muito— Vilma disse a ele, acariciando o topo de sua cabeça. As correntes entre as algemas tilintaram. — Eu não acho que você deveria estar em pé e circulando. — Gabriel advertiu. Ele apoiou-se contra ela, aceitando seus cuidados com prazer. —Eles me disseram para ter certeza de que você ficaria na cama. — Eu me sinto melhor, — ela disse. — Muito melhor, na verdade. — Ela colocou os braços ao redor de seu pescoço e lhe deu um abraço apertado. — Eu não sei o que é, mas eu tenho uma sensação súbita, de que tudo vai ficar bem. Gabriel se contorceu em sua mão para que ele pudesse olhar em seus olhos. — Ele está bem ? Você sabe se Aaron está seguro? Eu

estava sentindo alguma coisa também, mas eu não poderia dizer se era uma sensação boa ou uma má. — Eu não sei. — Vilma disse para o Labrador, olhando seu reflexo no seu olhar escuro. — Eu acordei sentindo que as coisas finalmente tinham ficado certas. — Ela sorriu e deu de ombros. — Eu realmente não sei o que significa. É apenas como eu estou me sentindo. Gabriel inclinou a cabeça, intrigado. — Eu acho que é um sentimento bom , então. — Acho que sim, — ela disse, em pé e andando para afastar a porta. — Onde estão os outros, Gabe, — ela perguntou ao cão quando eles saíram para a noite fria de primavera. As ruas de Aerie estavam desertas. Estava estranhamente silencioso,

sem sinais evidentes

de

que

este

local

teria

sido

abandonado durante os anos setenta, mesmo sabendo o contrário. — Lorelei disse algo sobre ir ao centro da cidade para esperar. — O cão olhou para baixo em direção ao final da rua, o nariz se contorcendo quando ele cheirou algo no ar. — Para esperar o que? Você quer dizer, para Aaron voltar? Gabriel lentamente acenou com a cabeça em aceno. — Ou talvez para que algo ruim aconteça. — Sua voz soou baixa, tingida com medo. Vilma tomou uma golfada profunda de ar da noite úmida, enquanto olhava para as estrelas, reafirmando a paz que sentia desde que despertou. Ela não tinha certeza exatamente como sabia, mas tinha certeza que algo sobre o mundo tinha mudado.

— Não, — ela disse, indo em direção ao centro de Aerie com Gabriel perto, em seus calcanhares. — Eu não acho que vá haver mal algum. Os cidadãos se reuniram no centro do que já havia sido chamado de Estados de Ravenschild, agora conhecido simplesmente como Aerie. Lehash não tinha certeza exatamente do porque que eles decidiram se reunir, não muito longe dos escombros torcidos que tinham sido seu lugar de adoração, mas estavam todos aqui. Era, provavelmente, pela mesma razão que ele tinha vindo, um sentimento quase palpável no ar que algo grande estava para acontecer. Ninguém estava falando realmente, tanto anjos caídos e Nephilins estavam iguais. Todos estavam em pé ao redor, olhando para longe ou para o céu acima deles. Eles não pareciam saber a direção de onde ele ia chegar, mas eles sabiam que estava vindo, no entanto. Ele não teria discordado deles. Pernas cruzadas nos tornozelos e encostado a uma luz quebrada na rua, Lehash sugou do fim de seu úmido charuto, permitindo o vazamento de fumaça de suas narinas girarem no ar sobre o seu rosto. Ele estudou a multidão reunida. Como seu número diminuiu, graças ao ataque dos Poderes apenas algumas semanas antes. Como muitos deles haviam sido abatidos, apenas para ser libertado de suas conchas mortais pelo toque do que eles tinham vindo a pensar como seu salvador. Teria o resto de nós a mesma sorte? Ele se perguntou. — Fantasiando conhecê-lo aqui, — gritou uma voz do outro lado da rua, e Lehash viu como sua filha se aproximou. Ela caminhava pela rua, tendo cuidado para evitar os buracos que haviam sido causados quando a fúria de suas magias angelicais tinham sido desencadeadas

sobre os Poderes, a magia dos anjos acendendo bolsões de explosivos presos sob o solo de resíduos tóxicos contaminados. Ela trouxe uma cadeira de praia com ela, que tinha pertencido a Belphegor, que ela desdobrou e sentou-se sob ela quando ele a alcançou. — Eu meio que me perguntava se eu era a única a sentir isso, — ela disse, cruzando as pernas, nervosa, balançando seu pé enquanto ela olhava em volta para o centro e todos os que estavam ali reunidos. — Acho que isso responde a minha pergunta. Lehash silenciosamente tirou da ponta de seu charuto, a sua visão escaneando todo o ambiente, bem como centenas de quilômetros além. — Isso é uma coisa que eu nunca poderia dizer sobre você, — Lorelei disse de repente na sua cadeira de praia. — Você nunca me deixa ter uma palavra correta. Sua filha achava que ela era muito engraçada. Era um traço que ela definitivamente dividia com sua mãe. O pistoleiro se lembrou da mulher humana que ele tinha caído em amor, enganando a si próprio em pensar que ele poderia viver como eles. Mas a piada tinha sido para ele. Não tinha sido um de seus momentos mais orgulhosos, mas ele havia deixado a mulher, para seu próprio bem, ele disse a si mesmo, sabendo muito bem que ela tinha tido um filho quando foi embora, novamente sozinho, até que encontrou Aerie, um lugar onde ele poderia pertencer. — Não sei por que eu nunca admiti ser o seu pai, — ele disse secamente, soprando a fumaça para o ar para pontuar a sua declaração.

Lorelei riu, agarrando o longo cabelo branco feito neve, jogando o passado sob seus ombros. — Eu não acho que você poderia ter negado. — ela disse, balançando o cabelo para ele. — A semelhança familiar é inconfundível. Lehash tirou o chapéu Stetson e correu os dedos pelos próprios cabelos brancos, empurrando-o de volta em sua cabeça antes de substitui-lo com seu boné. — Você provavelmente está certa. — ele demorou, o início de um sorriso aparecendo no canto da boca. — Deveria ter meu cabelo. Sua filha sorriu, e ele continuou fumando seu charuto, e eles esperaram, assim como todos os outros cidadãos. Esperando que algo aconteça. — O que vamos fazer se ele falhar? — Lorelei perguntou calmamente. Lehash olhou para ela sentada em sua poltrona ao lado da lâmpada da rua, como se esperando um desfile noturno passar. Era uma pergunta que ele vinha pensando desde que Aaron deixou Aerie em busca de seu pai e Verchiel. O garoto era bom, não havia dúvida disto, mas o pistoleiro também tinha visto a selvageria do comandante dos Poderes muitas vezes ao longo dos séculos. E se há uma coisa que Lehash havia se tornado em seus milênios sobre a terra, era a ser realista. Ele tomou uma longa tragada de seu charuto antes de responder. — Nós vamos fazer o que sempre fizemos. Nós vamos sobreviver, lutar, se for preciso, — ele disse. — Mas o mundo vai se tornar um lugar muito inóspito, se o menino...



Eu

não

estou

falando

sobre

isso.



Lorelei

disse

interrompendo-o. — Eu estou falando sobre a profecia. O que acontece se ele morrer antes de cumprir a profecia? Lehash deixou cair os restos mortais de seu charuto na rua, esmagando a ponta queimando com a bota de couro. — Eu acho que estaríamos sem sorte, — ele disse, sentindo um aperto gelado de desesperança, gosto que não sentia desde que caiu do Céu e teve os seus pés pela primeira vez neste mundo. O ruído de correntes os distraíram, pai e filha e olharam para cima para ver Gabriel trotando na rua ao lado da danificada amiga de Aaron, Vilma. — Eu disse ao cachorro para não deixá-la sair da cama, — Lorelei disse, levantando-se quando Vilma e Gabriel se aproximaram do centro. — Acho que ela sentiu isso também, — Lehash disse. Pelo que pode ver, a menina parecia saudável, sem sinais da batalha furiosa interna que tinha lutado antes. A poção do Malakim parecia ter feito o que tinha prometido que seria. Furtivamente ele esperava que sua luta não fosse em vão. Lehash sentiu antes que de fato acontecesse, como se alguém tivesse tomado um esporão de metal frio e rolado para baixo do comprimento de sua coluna. E pela expressão que viu no rosto de sua filha, ele sabia que ela também havia sentido. Ele ergueu as mãos e permitiu que suas armas de fogo celestial tomassem forma. — Pai? — Lorelei perguntou.

Ela tropeçou e ele soltou uma arma para agarrar o seu braço, impedindo-a de cair, o tempo todo fazendo a varredura do bairro vizinho e além, em busca de qualquer indício de problema. Fosse o que fosse, o que eles estavam sentindo – estava vindo agora, e não havia uma maldita coisa qualquer que um deles pudesse fazer para detê-lo. Gabriel começou a latir loucamente, sua cauda abanando. O cão parecia estar olhando para um ponto no centro da rua, em frente aos escombros da igreja. Algo estava se manifestando no ar lá, uma coisa preta e brilhante, e Lehash baixou as armas sabendo muito bem o que ele estava vendo. — Ele está de volta. O pistoleiro deixou seu posto e se dirigiu para evitar a perturbação. Lorelei o seguiu de perto ao seu lado, e antes que ele percebesse, Scholar, Vilma e Gabriel se juntaram a eles. Todos os cidadãos foram convergindo para Aaron Corbet. Lehash levantou a mão, sinalizando para aqueles em torno dele para parar onde estavam, quando ele cuidadosamente avançou o seu caminho em direção ao menino. Ele queria ter certeza de que tudo estava bem antes de expor os outros ao perigo potencial. Aaron ficou de pé, imóvel, de cabeça baixa, como se em profunda reflexão, suas enormes asas fechadas sobre ele como um cobertor, preto de penas. Lentamente, as asas se abriram para revelar que o menino não havia retornado sozinho. Dois homens estavam com ele, um de cada lado do jovem Nephilim. Lehash não reconheceu o mais velho da dupla. Ele era humano, com a mácula da magia de um anjo sobre

ele.

Mas

não

havia

dúvida

sobre

a

identidade

do

outro, mesmo com a adição de um rato estranho empoleirado em cima de seu ombro. — Olá , Lehash —

ele disse em uma voz tão rouca como se

tivesse fumado , e o pistoleiro de repente se viu às voltas com emoções conflitantes. — Faz um tempo, Lúcifer — respondeu laconicamente Lehash, não tendo certeza se ele queria abraçar o anjo ou colocar uma bala de fogo na sua cabeça. Aaron voltou suas asas para baixo da carne de suas costas, uma onda de exaustão se lavando sobre ele com a percepção de que ele tinha chegado em casa. Lar. Ele não podia acreditar realmente que sua casa não passava mais do que um local de resíduos tóxicos. Era um pouco triste, mas ao mesmo tempo, encheu seu coração de alegria saber que havia um lugar aonde ele pertencia. Antes de deixar Saint Athanasius, houve alguns protestos de seus companheiros, quando ele sugeriu voltar a Aerie juntos. O curador humano, Kraus, não sentia que merecia a bondade dos cidadãos de Aerie, depois de ter servido aos Poderes por tantos anos. E Lúcifer Morningstar, bem, ele suspeitava que muitos dos residentes caídos de Aerie ainda iriam querer justiça. Aaron não iria ouviria nada disso. Ele estava cansado, e ele queria voltar para seus amigos. Dando-lhes pouca escolha, ele tinha envolvido seu pai e o curador em seu abraço alado e os trazidos de volta a Aerie junto com ele.

— Desde que vocês dois já se conhecem. — Aaron disse, tentando desviar a contestável atenção, — Permita-me apresentar Kraus. Ele foi curador dos Poderes. O velho curvou a cabeça em reverência ao pistoleiro angelical. — Estou verdadeiramente honrado por estar em sua presença. — ele disse. Lehash se aproximou, cheirando o homem. — Ele tem o cheiro de Verchiel sobre ele. O comandante dos Poderes mudou ele de alguma forma. Kraus levantou a cabeça e olhou para o anjo formidável diante dele. — Ele me deu o dom da visão. — o homem disse, tocando seu rosto. — Eu era cego desde o nascimento, mas agora eu sou capaz de ver. — Um curandeiro , então — Lehash disse, olhando o homem de cima a baixo. — Eu acho que os cidadãos poderiam precisar da ajuda de um curandeiro. Lorelei

moveu-se

em

torno

de

seu

pai

e

se

aproximou

timidamente de Aaron. — Então , acabou? — Ela perguntou, como se tivesse medo que ele ia dizer-lhe outra coisa. Aaron concordou. — Verchiel é problema de um poder superior agora. Uma faixa amarela limitada na multidão e Aaron viu-se batido para trás com o impacto de seu melhor amigo. Ele tropeçou, sua perna ferida mal apoiando seu peso, quando Gabriel apoiou as patas

dianteiras no peito do rapaz e freneticamente, carinhosamente, lambeu o seu rosto. — Estou feliz que você está de volta e que você não está morto, — o Labrador disse entre voltas desleixadas. Aaron abraçou o grande cachorro amarelo, deixando a sua língua lavar cada centímetro de sua pele exposta em seu rosto e pescoço. — Eu estou feliz que eu também não estou morto, amigo. Gabriel caiu sob quatro patas, o rabo abanando freneticamente enquanto Aaron continuou a acumular afeição sobre ele. — Como está Vilma, Gabe? — Ele perguntou. — Você ficou de olho nela para mim? Ela está melhor? — Pergunte você mesmo a ela. — o cão respondeu, olhando para a multidão, para onde ela estava. O pleno significado das palavras do animal não chegou à compreensão até que Aaron seguiu o olhar de Gabriel e seus olhos se chocaram com o dela. Ele praticamente correu para Vilma, levando-a em seus braços e segurando-a tão perto quanto podia. Se ele pudesse, ele se abriria e a colocaria em um lugar seguro dentro dele, ele teria feito isso. Ela correspondeu, enterrando seu rosto em seus ombros, seus braços apertados em volta de seu pescoço. — Eu sabia que você estava bem. — ela sussurrou em seu ouvido. — Eu sabia que você não ia me deixar sozinha. Então eles se beijaram, seus lábios pressionados juntos com fome, e Aaron finalmente entendeu o que tinha estado ausente em sua vida até agora. Ele havia sido incompleto, um pedaço de seu

desapareceu sem ele nunca realmente perceber. Claro que ele sentia o vazio de vez em quando, mas não queria sentir pena de si mesmo, sem saber que havia outro meio lá fora, no mundo esperando para se juntar a ele. Vilma era aquela metade, e naquele momento, enquanto ele segurava a mulher que ele amava em seus braços, Aaron Corbet sabia pela primeira vez o que era ser inteiro. — Este é o seu pai, Aaron? — Ouviu Gabriel perguntar, e deixando Vilma tempo o suficiente para ver Lúcifer se movendo no meio da multidão, falando para aqueles que tinham se reunido, anunciando a sua chegada. — Sim, é — ele disse, já não tendo medo de admitir isso. Um silêncio se abateu sobre o centro, e apenas a voz do Morningstar podia ser ouvida. — Sinto muito, — ele disse para todos e cada um dos reunidos. — Sinto muito por tudo o que eu fiz, e por tudo o que aconteceu por causa de mim. Ele se moveu entre eles. Se eles eram anjos caídos ou Nephilins, todos foram considerados destinatários de arrependimentos, sua alma sucedida. Alguns abraçaram o anjo que, uma vez estava sentado à direita de Deus, aceitando plenamente suas palavras de desculpas, enquanto outros rosnaram, virando as costas, ainda não dispostos a perdoar-lhe o seu pecado, ou si próprio. Lehash, Lorelei, e Scholar foram os últimos a receber as palavras do Morningstar de desculpas, e Aaron se perguntou se ele ia ter que se envolver. O ar tornou-se carregado de tensão quando Lúcifer se aproximou deles, e ele se preparou para o caso.

— Tumael — Lúcifer disse, curvando-se ao anjo que Aaron tinha conhecido apenas como Scholar. Tumael se curvou para trás, aceitando o pedido de desculpas do primeiro dos caídos, graciosamente. Ele se mudou para Lorelei. — Eu aceito. — ela disse antes que as palavras ainda tivessem a chance de deixar a sua boca, e Lúcifer sorriu. E então o Morningstar voltou a sua atenção para Lehash. Aaron não tinha certeza de que história se passou entre eles, mas ele adivinhou que Lehash tinha sido menos do que um seguidor de Morningstar, e o pistoleiro não parecia ser o tipo de anjo que facilmente perdoava ou esquecia. O tempo parecia ter congelado quando os dois anjos caídos olharam um para o outro, e Aaron teve a nítida impressão de que os dois tinham sido próximos uma vez, até amigos talvez. — Nós tínhamos que estar fora de si para segui-lo — Lehash disse, seus olhos escuros e intensos. Aaron assistiu as contestáveis mãos, procurando a centelha que dizia sobre o perigo potencial. As pistolas foram embora no momento, mas poderiam facilmente retornar em menos de um piscar de olhos. — Eu acho que todos nós estávamos um pouco loucos — Lúcifer respondeu, seus olhos vigilantes nunca deixando o anjo na frente dele. Lehash casualmente riscou o acúmulo de barba no queixo.

Os anjos ainda precisam fazer a barba? Aaron se perguntou bizarramente depois de pensar, intensamente assistindo a cena passando diante dele. — Você acha que estamos melhor agora? — o pistoleiro perguntou. Lúcifer pensou por um momento, voltando o olhar do pistoleiro e olhando para aqueles reunidos em torno do centro do bairro arruinado. Seu rato aninhou-se ao lado de seu rosto carinhosamente, e ele alisou suavemente o topo da cabeça do roedor. — Eu acredito que estamos. — ele respondeu, e inclinou a cabeça para o guardião de Aerie em paz. — Sinto muito, Lehash, por tudo que eu fiz, e por tudo o que aconteceu com você por minha causa. Lehash fez uma careta quando ele chegou no bolso do seu casaco. Lentamente, ele pegou um de seus mal-cheirosos charutos. — Depois de todo esse tempo, essa é a melhor desculpa que você poderia nos dar? — ele perguntou quando colocou a ponta do charuto entre os dentes, esperando. Lúcifer aproximou-se do pistoleiro e Aaron ficou tenso, suas asas pronto para lançá-lo no ar para afastar os dois anjos caídos. Seu pai levantou a mão, fazendo com que Aaron se contivesse em antecipação, mas ele ficou onde estava. A ponta de um dos dedos do Morningstar começou a queimar branco com o calor do fogo celestial, e ele gentilmente tocou a ponta do charuto saliente da boca do pistoleiro, inflamando-o no final.

— Era uma espécie de breve notícia. — Lúcifer disse quando Lehash começou a soprar fumaça sobre o charuto. — E eu nunca pensei que eu teria essa chance. Lehash levou a mão à boca, momentaneamente removendo o charuto. — As coisas têm uma forma de sair do controle, não tem? — perguntou ao anjo que o levou para o caminho da queda do céu. — Eles certamente tem. — Lúcifer respondeu, e a tensão quase palpável que encheu o ar se dispersou como uma tempestade de verão em movimento rápido, de repente, a atmosfera ficou fresca e clara. Todo mundo parecia exausto, aquecendo-se com uma estranha sensação de encerramento. Aaron sabia que eles estavam todos sentindo a mesma coisa. Com a ameaça de Verchiel e seus capangas removidos da equação, os cidadãos já estavam livres para pensar em outras coisas do que o seu dia-a-dia de sobrevivência, ou seja, o perdão deles. Uma liberdade especial tinha sido dada a eles neste novo dia, e Aaron se permitiu ter uma pequena medida de orgulho no fato de que ele tinha uma conclusão satisfatória nesta parte da história. — É estranho. — Aaron disse, seu braço ainda em torno de Vilma, o leal Gabriel de pé ao seu lado. — Esta é a primeira vez que eu os vejo felizes. — Mesmo o curador humano, Kraus, parecia se encaixar, já começando a administrar aqueles que ainda não haviam sido curados após o ataque de Verchiel sobre Aerie. — Isso é bom — Gabriel disse, sua cauda começando a abanar. Vilma deu um aperto afetuoso em Aaron, descansando a cabeça em seu ombro. — E é tudo por causa de você. — ela disse. — Você fez isso. Você deu-lhes algo para sonharem.

Ela se afastou e estudou seu rosto. Seu olhar estava inebriante, e se tudo o que ele fizesse fosse olhar para aqueles olhos pelo resto de seus dias, seria uma vida satisfatória. Ela tocou o centro de seu peito com o dedo indicador. — Você, Aaron Corbet — ela disse, sua voz como os acordes iniciais da mais bela canção. — Você fez seus sonhos se tornarem realidade. Ele não poderia imaginar um momento mais maravilhoso, mas com tudo o que houve em sua vida, isso também estava prestes a mudar. Pois ele era o mensageiro, e ele tinha um propósito, que tinha prioridade sobre todo o resto. Aaron sentiu que isto estava começando a crescer no fundo de seu peito. Isto estava ligando a ele como uma voz que estava cada vez mais alta e mais forte a cada segundo que passava. — Aaron , o que há de errado? — Vilma perguntou. Ela se afastou dele, quando ele começou a tremer. — Nada há nada de errado. — ele disse em uma voz vazia para não restar dúvida. Isso era, apesar de todas as batalhas com monstros e anjos renegados, isso era o que ele havia sigo designado a liderar. — Tudo está exatamente como deveria estar. Aaron convocou suas asas quando o brilho começou a emanar de suas mãos, um poder sobrenatural, nunca totalmente aproveitado, até agora. Os cidadãos viram - viram o que estava acontecendo, e eles começaram a sorrir, e alguns a chorar lágrimas de alegria. O poder que era dele e só dele para exercer, os chamando, e ele foi para eles,

quando eles foram atraídos para ele, pedindo a absolvição que tinham passado tanto tempo a chegar. E enquanto caminhava entre eles, seu toque perdoava seus pecados, Aaron Corbet pensou sobre o que ele era e o que ele tinha se tornado. Nunca que ele teria imaginado que uma criança adotiva de Lynn, Massachusetts, poderia comandar o poder do perdão de Deus. No entanto, era assim que deveria ser, como sempre deveria ser. Sim, haviam dificuldades, a perda de entes queridos, e obstáculos aparentemente intransponíveis, mas de toda a dor e sofrimento, uma coisa mais maravilhosa tinha sido alcançada. Os anjos caídos de Aerie brilhavam como vaga-lumes gigantes, dançando no ar acima deles nas asas iridescentes que fizeram um som como o suave afago de cordas de harpa quando elas batiam. Aaron se virou e viu que Scholar agora esperava diante dele. O anjo caído parecia ansioso, olhando totalmente para Aaron e depois de volta para baixo da rua para o seu local de trabalho. — Não se preocupe. — Aaron tranquilizou-o, chegando a tocar a frente de sua camisa branca. — Nós vamos cuidar bem de seus livros. Acho que conheço a pessoa certa para fazer isso. Ambos olharam para o homem chamado Kraus. Ele havia caído de joelhos, olhando para a constelação de anjos pairando logo acima. — Eu acho que ele vai fazer um excelente trabalho. — Aaron disse, quando o poder subiu das pontas do dedo em Scholar. O anjo caído de carne, osso, e sangue, foi queimado em uma explosão de luz branca, e o anjo Tumael foi recebido por seus irmãos no ar logo acima.

Aaron

sorriu

quando

viu

Lorelei

e

Lehash

caminhando

lentamente em direção a ele. O pistoleiro foi um dos últimos, e parecia que ele poderia estourar de sua pele, mesmo sem o toque do Nephilim. — É isso. — Lorelei estava dizendo quando ela segurou o braço do casaco de seu pai. Lehash manteve os olhos sobre Aaron, sem dizer nada, quando pai e filha entraram provisoriamente para a proteção da absolvição. O Nephilim carinhosamente o tocou quando ele passou, agradecendo-lhe a sua proteção, e desejando-lhe uma boa jornada para casa. O anjo cowboy parou diante de Aaron, e respeitosamente tirou o chapéu. O Nephilim levantou a mão em a direção Lehash, o contorno de seus dedos pouco visíveis dentro da coroa de poder pulsante branca, que ele exercia agora. — Espere. — Lehash disse de repente, sua própria mão subindo para bloquear o toque de Aaron. — Eu não posso ir, — ele disse, e virou-se para olhar para o rosto dos Nephilins que ansiosamente esperavam a sua ascensão. — Alguém tem que tomar conta deles, protegê-los. — Ele olhou para Aaron. — Há ainda muito o que eles têm de aprender. Lorelei apertou o ombro de seu pai, inclinando-se para colocar um beijo em sua bochecha grisalha. — Nós vamos ficar bem — ela disse, e Aaron concordou com a cabeça. Lehash tomou o que seria o seu último olhar para os filhos dos anjos e humanos, e em seguida, olhou para sua filha, os olhos cheios de emoção. — Você provavelmente vai ficar. — ele disse, estendendo a

mão para tocar seu rosto em sua mão. — Nada como tentar ficar um pouco mais. — Os dois riram e se abraçaram para o tempo final. Então Lehash deixou sua filha e se virou para Aaron, estufando o peito. — Bem, vamos lá, menino salvador. Que eu não tenho o dia todo. Aaron sorriu, colocando a palma da mão contra o peito do pistoleiro, e viu quando a verdadeira imagem de Lehash gradualmente tomou forma, o escudo humano caindo como uma espessa camada de poeira e sujeira. O anjo que era Lehash impeliu alado pelo céu com uma sucessão de poderosos voos, mergulhando e girando no ar em uma espantosa exibição de acrobacias aéreas, antes de se juntar aos outros. — Exibido. — Lorelei disse, enxugando as lágrimas de felicidade de seus olhos. Aaron olhou para os anjos de Aerie, guardando todos e cada um deles na memória. Era uma visão incrível para ser guardada, como se as estrelas tivessem descido do céu para olhar mais de perto. Ele sabia que ele iria se lembrar e valorizar este momento até o seu dia de morrer, mas também sabia que era o momento para do fim - para aqueles acima dele irem em paz. Ele espalhou largamente suas grandes asas e estendeu os braços no ar para afastá-los. — Vocês estão perdoados. — ele gritou. E um a um, eles deixaram este plano terreno, voltando ao lugar de sua criação, um lugar a muito negado, mas que agora estavam de volta em seu abraço celestial.

O céu acolheu-os em casa. Lentamente Aaron baixou o olhar do céu do amanhecer e viu com uma combinação de choque e vergonha que havia um que ele tinha esquecido. Lúcifer ficou sozinho, com um sorriso benevolente sobre a sua escuridão, belas feições quando ele olhou para onde os seus irmãos tinham ido. Havia um desejo em seu olhar, mas também uma felicidade para aqueles que tinham finalmente completado a sua penitência e foram autorizados a conhecer a glória, que era o céu novamente. — Isso é para você também? — Aaron perguntou, assustando o primeiro dos caídos de suas meditações para além do céu. Lúcifer segurou o pequeno rato na palma da sua mão, carinhosamente acariciando sua pele. — Eu não sei. — ele disse, infeliz, com um movimento leve de cabeça. — Eu tenho medo de descobrir. Aaron deu um passo para se aproximar dele e gentilmente colocou a mão sobre o peito de seu pai. Ele sentiu o poder do núcleo em sua ascensão, e por um breve momento, acreditava que estava prestes a ocorrer, que era um círculo completo, e que o perdão final estava prestes a ser concedido a quem começou tudo. Mas não era para ser. O poder divino recuou dentro dele, de uma maneira diminuiu, como uma brasa ardente no centro de seu ser.

— Sinto muito — Aaron disse, infeliz, removendo a mão do peito de seu pai, e o primeiro dos caídos sorriu para ele. Era um sorriso triste, mas cheio de compreensão e paciência imensurável. — Eu também — Lúcifer disse, voltando o seu olhar para o céu da manhã iluminado acima de Aerie, acariciando a cabeça do animal minúsculo levemente com a palma da sua mão. — Eu também.

Lúcifer Morningstar estava fora da Igreja de Santo Atanásio e do Orfanato e quando ouviu os sons dos Nephilins. Havia mais deles lá fora, no mundo, ele sabia, filhos dos flertes dos anjos, sua primogenitura gradualmente florescendo sobre seu décimo oitavo ano de vida. Feliz aniversário. A temperatura caiu consideravelmente na última hora, e tinha começado a nevar. Lúcifer voltou a sua atenção para a mudança do tempo, estudando os meandros de cada floco individualmente quando eles lentamente caíam do céu. O rato em seu ombro curiosamente cheirou a chuva no inverno, uma vez que ela caía sua pequena língua rosa correndo de sua boca para lamber a água que derretia em cima da jaqueta do terno azul do anjo caído. O verão no nordeste tinha sido brutalmente quente, e parecia que o inverno da Nova Inglaterra ia ser do mesmo extremo. Mas o tempo não incomoda os anjos caídos. Ele gostava muito das mudanças

sazonais. Se ele não gostasse, ele teria sugerido que a nova Aerie fosse estabelecida em San Diego, na Califórnia, em vez do oeste de Massachusetts. Os

anjos

caídos

de

Aerie

se

foram,

mas

os

Nephilins

permaneceram. Eles deveriam ser os novos protetores de um mundo repleto de perigos paranormais. Verchiel e seus Poderes ignoraram seu verdadeiro propósito, optando por concentrar as suas energias em uma vingança pessoal e não no trabalho que haviam sidos designados a fazer. Assim como ele podia sentir o Nephilim emergindo, poderia o anjo caído também detectar a presença de coisas que não tinham o direito de estar neste mundo, coisas que desejavam danificar a Terra e seus habitantes. Era agora a responsabilidade do Nephilim de fazer a limpeza depois da irresponsabilidade dos Poderes e manter as criaturas do mundo escolhido de Deus seguro de danos. Mas havia muito que precisava aprender antes que eles pudessem assumir uma tarefa tão grande, tanto ele, quanto Aaron, e Lorelei precisavam ensiná-los. Eles tinham estado aqui por um pouco mais de seis meses, a nova Aerie estabelecida como o poleiro de Verchiel e sua laia. Os Estados

de

Ravenschild

tinham

simplesmente

se

tornados

demasiadamente grandes para o seu menor número. Como os anjos caídos se foram, este era um momento novo para os Nephilim, uma nova história à espera de ser forjada para eles como indivíduos, e não como vítimas de um genocídio perpetrado por Verchiel e seus anfitriões.

Quanto a ele, Lúcifer olhou para isso como mais um teste de sua absolvição. Ele iria ajudar a treinar aqueles que iriam proteger o rebanho humano de Deus, e, finalmente, esperar, e conseguir a absolvição de seu pecado mais hediondo. A neve caía agora mais forte, um vento chicoteando a criação de vórtices rodopiantes de branco que dançavam em torno da extensão do gramado despenteado na frente dele. Ele podia sentir os pequenos animais que viviam ao redor da igreja e orfanato, agachados no fundo de suas tocas, instintos primitivos dizendo-lhes que esta seria a primeira grande tempestade de inverno, que em breve tudo estaria coberto por um cobertor frio de gelo branco. E a partir desta temporada de morte haveria uma de nascimento. Tudo o que Lúcifer queria era uma chance de pedir desculpas ao seu Pai, como ele tinha feito aos irmãos que tinham jurado a ele sua lealdade no céu há muito tempo. Mas ele sabia que a oportunidade tinha que ser conquistada, e viria a um custo pesado em obras. O rato em seu ombro sussurrou em seu ouvido. Estava frio e queria ir para dentro. Lúcifer abrigou o seu amigo pequeno, levando-o para as portas e para fora da tempestade. Afinal de contas, ainda havia muito a ser feito para preparar os Nephilim para as tarefas diante dele. Ele pensou mais uma vez em seus irmãos, se aquecendo novamente no esplendor da glória do Todo-Poderoso, e ansiava pelo dia em que ele, também, seria permitido experimentar a Santíssima Majestade mais uma vez. Foi quando ele sentiu uma pitada de inveja crescendo

na

escuridão

do

interior

profundo

de

sua

psique?

Rapidamente ele reprimiu antes que tivesse a chance de ter raiz, antes

que pudesse fazer qualquer movimento. O primeiro dos caídos já teve mais do que o suficiente do seu amargoso fruto, ciúme. O preço do perdão era de fato um custo dispendioso, mas era uma quantia que Lúcifer Morningstar estava disposto a pagar. Aaron e Gabriel se arrastavam pela neve que se acumulava rapidamente, em busca do mais novo dos cidadãos de Aerie. O menino que vivia com eles a não mais do que duas semanas. Seu nome era Jeremy Fox, e ele tinha vindo de Londres, Inglaterra. Aaron tinha-o encontrado vivendo nas ruas da cidade, grande e velha, implorando por comida do Dumpsters. O rapaz parecia ser apenas mais um exemplo triste de um sistema de saúde mental falho e desesperado - resmungando e gritando, falando sozinho quando ele vagou pelas ruas da maior cidade da Inglaterra. Ele não tinha sido difícil de localizar, o poder do Nephilim era forte dentro dele, e praticamente gritou para ser encontrado. Agora Aaron encontrou o jovem por trás da escola abandonada, no parquinho coberto de neve. Ele estava sentado em cima das barras do macaco5, os pés balançando desajeitadamente, o topo de sua cabeça loira e ombros da jaqueta estavam cobertos de neve. Ele não tinha se adaptado bem, e Lorelei estava preocupada. — Hey, — Aaron disse quando ele se aproximou. — Hey. — Gabriel repetiu , não querendo ficar de fora em nada.

5

O jovem permaneceu em silêncio, como se tentando sintonizar o estranho mundo em que ele tinha vindo viver. Aaron podia simpatizar, já que não tinha sido há muito tempo em que ele estava no mesmo quadro de espírito. Tinha sido Lorelei que o convenceu a ouvir a história contada por dois americanos, aparentemente loucos, um conto fantástico sobre anjos tendo relações com as mulheres humanas e os filhos que nasceram como resultado. Jeremy tinha olhado para eles como se eles estivessem fora de si, e Aaron estava certo de que ele estava tentando decidir se eles eram de fato reais ou apenas manifestações da loucura que tomou conta dele desde seu décimo oitavo aniversário. Eles lhe disseram que poderiam ajudar, e Aaron tinha visto um olhar de esperança cautelosa enchendo os olhos do menino. Tomando isso como um sim, não dando a ele a chance de recusar, o salvador Nephilim tinha tomado os jovens problemáticos dentro dos limites de suas asas pretas brilhantes e tinham os transportado de volta para a segurança da Aerie. Ele tinha estado aqui desde então, mas não parecia estar se adaptando a sua nova vida, agarrado a sua humanidade, recusando-se a aceitar a realidade do que estava se tornando. — Lorelei está preocupada com você. — Aaron disse, olhando para o garoto sentado no degrau de cima da barras do macaco. — Ela pensou que eu deveria encontrar você, apenas no caso de que você precise falar ou algo assim.

Gabriel cheirou em torno das várias peças de equipamentos do playground, seu nariz fuçando sulcos nos dois centímetros de neve que já tinham caído. O vento de repente bateu, fazendo com que a neve virasse pó à deriva, fazendo parecer que mais da coisa branca havia caído em algumas áreas do que em outras. O vento do inverno era cortante, mas não afetou Aaron como uma vez já afetou. Só mais um privilégio de ser um Nephilim, ele pensou. Quente ou frio, era tudo a mesma coisa para eles, perfeitamente adaptável a qualquer tipo de clima no planeta. Jeremy ficou sem resposta, imóvel em sua vara de metal. — Acho que não — Aaron disse, colocando as mãos dentro dos bolsos de sua jaqueta de primavera. — Bem, se você precisar, você sabe onde eu... O menino virou-se para olhar para ele, a neve da cabeça descamando, caindo para o chão abaixo de seus pés pendurados. — Eles dizem que você é algum tipo de salvador. — ele disse, com sotaque e cheio de emoção reprimida. — Como isso parece, então? Era algo que Aaron tentou não pensar muito frequentemente. Ele sabia que tinha um trabalho a fazer, um propósito e um destino. Mas a alcunha

de

ser

um

salvador

era

um

que

ele

não

vestia

confortavelmente. Aaron chegou mais perto da selva. — Não acredite em tudo o que você ouve, — ele disse, casualmente tomando conta de um dos tubos horizontais em ambas as mãos. — Há muito pouca diferença entre eu e você — disse ao menino. — Não foi há muito tempo que eu estava pensando as mesmas coisas que você está pensando agora.

As feições de Jeremy cresceram com raiva, deixando-se cair de sua cadeira para o chão coberto de neve. Ele veio então para Aaron, o peito estufado, olhos selvagens. O Nephilim mais velho se manteve firme. — E o que eu estou pensando? — Jeremy perguntou em um assobio. — Use seus poderes de anjo e me diga o que está acontecendo dentro da minha cabeça, companheiro. Gabriel tinha vindo ficar ao lado de Aaron, seu nariz coberto de neve de suas explorações sob a cobertura fria do inverno. — Você não deve falar com Aaron dessa forma —, o cão alertou, os pelos de sua pele crescendo em torno de seu pescoço. — Ele está apenas tentando ajudar. Aaron estendeu a mão e apertou a lateral do cão em segurança. — Está tudo bem, Gabe. — ele disse. — Jeremy e eu estamos apenas conversando. Ele só está um pouco chateado. O Labrador resmungou alguma coisa e depois se distraiu com um esquilo, e ele saltou em busca do animal com um latido animado. — Você quer que eu lhe diga o que está acontecendo na sua cabeça? — Aaron perguntou ao mais novo Nephilim. — Você está pensando que o mundo se tornou louco, que tudo o que você sabe, tudo o que conheceu em toda a sua vida, foi virado de cabeça para baixo desde o seu último aniversário. — Aaron fez uma pausa. — Como eu estou indo até agora? Jeremy fervilhava com uma raiva interior que era muito familiar a Aaron. — Você não sabe de nada. — o rapaz resmungou, faíscas de fogo celestial atirando descontroladamente das pontas do seu dedo.

— Você sabe como eu sei disso? — Aaron perguntou. — Porque eu pensei exatamente as mesmas coisas quando isso me aconteceu, quando o poder que estava dentro de mim , algo que eu não queria ou pedi - decidiu levar a minha vida normal para longe de mim. — Aaron colocou uma de suas mãos sobre o peito, seu olhar nunca deixando de Jeremy. — Eu pensei exatamente as mesmas coisas. A raiva do menino parecia escorrer, como se ele de repente já não fosse forte o suficiente para segurá-lo. Isso deslizou para longe dele, e ele pareceu diminuir de tamanho, a raiva que estava sentindo sobre o que sua vida tinha se tornado, aparentemente tudo o que estava sustentando-o. — Eu não sei quanto tempo mais eu posso lutar contra isso. — Jeremy disse pateticamente, a neve derretendo sobre o seu rosto, misturando-se livremente com as lágrimas quentes que agora caiam de seus olhos. — Eu posso sentir isso dentro de mim, arranhando para sair. — Você não tem que lutar contra isso — Aaron disse a ele. — É por isso que estamos aqui: para aprender sobre o que você realmente é - para aprender sobre o seu destino. O menino riu, então, enxugando a umidade do rosto e bufando. — Destino? — ele perguntou. — Não sabia que eu tinha um desses. — Aposto que há muita coisa que você não sabe sobre você mesmo. — Aaron disse. — Vamos ensinar a você. Às vezes, ele usava isso neles.

Aaron pegou um punhado de neve fresca e começou a fazer uma bola de neve. — É disso que se trata. — ele alertou . A última queda de neve tinha sido misturada com a chuva, criando uma mistura lamacenta perfeita para bolas de neve. Em toda a extensão do gramado, Gabriel se agachou. — Eu estou pronto. — ele rosnou. Na maioria das vezes nestes dias, Aaron sentia quando Gabriel naquele momento ficou tenso, pronto para confrontar o último obstáculo adiante. Ele deixou a bola de neve voar, e quando ela caiu, Gabriel saltou para o ar para capturá-la na boca. — Boa pegada, rapaz — Aaron disse, batendo palmas e elogiando o animal por suas habilidades. Gabriel começou a comer a bola de neve, esmagando-a sobre a neve firme, pedaços caindo pelos lados de sua boca enquanto mastigava. — Faça outra. — pediu o labrador entre as mastigadas. Era tão fácil ser pego no fluxo das coisas, para se tornar o líder supremo, o peso do mundo sobre seus ombros. Ele precisava de momentos como este para se lembrar de que havia mais na vida do que ser o líder dos Nephilins. Gabriel tinha acabado o seu lanche gelado e estava esperando para o próximo, o rabo abanando feliz. — Vamos, Aaron. — pediu o cão. — Jogue outro.

Ele agachou-se e pegou um pouco mais do material branco molhado. — Você nunca vai ser capaz de pegar um desse. — ele disse em um aviso falso, deixando o seu melhor amigo ainda mais animado. Aaron sabia que se tratava de uma grande responsabilidade, que a proteção do mundo fora colocados em suas mãos e nas mãos de outros como ele. Era para ele ter certeza de que eles estavam prontos para esta tarefa, uma tarefa difícil, sim, mas que ele era mais do que capaz de realizar. — Lá vai — ele alertou ao animal, e jogou a bola de neve tão duro quanto podia para o ar em um arco, observando quando começou a sua descida. Gabriel correu pela neve em busca, com os olhos despencando no prêmio. Era a vida que ele teria escolhido para si mesmo? Não, não é um acaso, mas ele já não se ressentia do destino que havia sido imposta a ele sem a menor cerimônia. Era o seu destino, e ele tinha aprendido a aceitá-lo como tal. Gabriel voltou para ele, agarrando a bola de neve em sua boca, e ele caiu a seus pés. — O que, isto não tem um gosto tão bom? — ele perguntou ao cão. — Eu estou cheio. — disse Gabriel, decidindo se deitar na neve e rolar nas costas. Aaron riu das palhaçadas do seu cão, chutando a neve sobre a barriga exposta cor de rosa do animal. Ambos sentiram-no no ar, uma ruptura familiar antes da chegada de um Nephilim, e reconheceu-o como alguém especial.

— Ela está vindo. — Gabriel disse animadamente enquanto ele caminhava para seus pés, sacudindo a neve de sua pele quando Aaron esquadrinhou o espaço aberto diante dele, para os sinais de sua chegada. Não mais de cinco metros de distância do ar começou a brilhar e ondular, uma mais escura mancha começando a se formar em seu centro. Gabriel começou a latir alegremente, abanando o rabo como um louco. Aaron às vezes se perguntou quem a amava mais. Vilma Santiago surgiu a partir do éter, suas asas brancas cor de neve recentemente caídas, no espaço ao seu redor. Foi incrível o quão longe ela avançou em um período tão curto de tempo. Ela, também, tem vindo a aceitar com a sua idade, abraçando a natureza angélica dentro dela. Gabriel mal podia se conter, galopando através da neve para vêla. — Aqui Vilma! — disse uma e outra vez, e ela ajoelhou-se para aceitar suas afeições excitadas. Ela parecia tão feliz em vê-lo. Fazia alguns dias desde que eles tinham visto um ao outro, ela estava se preparando para iniciar as aulas em uma faculdade próxima, na primavera e gradualmente convencendo a tia e o tio a aceitar o fato de que ela estava indo para a escola. Vilma Santiago estava assumindo o controle de sua vida, e Aaron estava muito orgulhoso. Não muito tempo depois que os caídos de Aerie foram perdoados, ela voltou para Lynn, para a sua tia e tio. Ele adivinhou que tinha sido difícil, a sua relação estava tensa agora por sua saída abrupta de casa, eles tinham sido relutantes em aceitar a explicação de que ela

precisava de algum tempo longe para encontrar a si mesma. Aaron riu com o pensamento. Ela certamente fez isso. Vilma terminou de alisar o animado Labrador com carinho e seguiu para Aaron, um sorriso malicioso no rosto. Ele observou quando suas belas asas recuaram de costas, apenas a menor expressão de desconforto em suas características. — Senti sua falta. — ela disse, inclinando-se para plantar um grande beijo em seus lábios. Ele

a

encontrou

a

meio

caminho,

seus

próprios

lábios

ansiosamente pressionados contra os dela. Os dois se abraçaram, e ele tinha certeza de que não havia nada para se sentir melhor do que tê-la em seus braços. Se houvesse, ele não se lembrava. Ao

voltar

para

Lynn,

ela

entrou

em

contato

com

o

superintendente da escola e tinha trabalhado com ele e seus professores para compensar as finais e os projetos que ela tinha perdido com a sua ausência repentina. No último momento ela havia completado os requisitos necessários e recebeu seu diploma de ensino médio com honras, ainda que sem a pompa e circunstância de uma cerimônia de formatura, mas Vilma tinha o que ela precisava para continuar o seu sonho de um diploma universitário. Talvez eu complete as minhas próprias exigências do ensino médio, um dia, ele pensou quando segurou a jovem mulher que ele amava e respeitava muito. Mas se não o fizesse, estaria bem assim, pois ele tinha certeza de que a vida tinha outras coisas para mostrar a ele.

Gabriel tentou apertar a sua cabeça entre o seu abraço. — Oi, lembra de mim? — perguntou o cão, muitas vezes como uma fome voraz por afeto como quando ele tinha para comer. Vilma riu, um som leve e arejado que Aaron aprendeu a adorar, e abaixou-se para abraçar o animal também. — Como poderíamos esquecer de você, Gabriel? — Ela perguntou com um olhar de horror. — Eu sei. — respondeu o labrador, aceitando as suas atenções adicionais. — Eu sou muito especial. — Ai está você, meu amigo, — Aaron disse quando ele pegou a mão de Vilma na sua e começou a levá-la para a sua nova casa dentro do velho orfanato. — E como está tudo aqui? — ela perguntou, caminhando ao seu lado através da neve. — Está tudo bem, — ele respondeu a ela, — especialmente agora que você está aqui. — E ele deu-lhe um aperto gentil na mão para salientar o quão feliz ele estava por estar com ela. Vilma respondeu na mesma moeda, com um sorriso que era magia pura. Ele duvidava que Lorelei pudesse convocar algo tão poderoso. Aaron precisava de momentos como este, isso o ajudava a colocar tudo em perspectiva. — Quando vocês dois vão ter bebês? — Gabriel de repente entrou na conversa, com um olhar de seriedade sobre suas características caninas.

Eles foram completamente pegos de surpresa com a pergunta, e Aaron sentiu uma onda de vergonha aflorar sobre suas bochechas. Vilma foi um pouco melhor do que ele, cobrindo a boca para rir. Gabriel não se importava em ser ridicularizado. O cão esperava por sua resposta. Ela não tinha ideia do que fazer com a pergunta, mas Aaron suspeitava que tinha algo a ver com o que o último dos Malakim tinha dito a ele, antes que ele fosse tomado por Verchiel. — Posso ser o primeiro a dizer que seus filhos vão ser absolutamente magníficos. — o anjo feiticeiro havia dito em que lugar estranho entre os mundos. Lehash tinha dito que um Malakim tinha a capacidade de olhar para o futuro, e tinha visto que ele e Vilma teriam filhos – filhos magníficos. Aaron nunca havia se preocupado em compartilhar esta informação, não querendo pressioná-la em seu relacionamento de alguma forma. — De onde é que isso veio?— Vilma perguntou ao cão. — Só por curiosidade. — Gabriel respondeu. — Estou certo que seriam magníficos. Aaron sentiu o olhar dela sobre ele, quando eles chegaram à entrada que iria levá-los para dentro do prédio. — E o que você acha, o Sr. Corbet? — Ela perguntou quando ele estendeu a mão para puxar a porta. — Eles serão? Ele segurou a porta contra as costas dele, permitindo-lhe a entrada antes dele. Vilma esperou dentro, de braços cruzados, quando ele deixou a porta bater se fechando atrás dele.

— Bem? — ela repreendeu. — Sim. — ele disse a ela, um sorriso em seu rosto que ele não podia controlar. Quando eles decidirem dar o próximo passo, para se casar e, eventualmente, ter filhos, ele sabia que seria a coisa mais incrível de sua vida. Ter uma família com ela era algo para se olhar mais para frente. Algo para o futuro. — Sim, eles irão certamente ser magníficos — disse a ela. Até então, ainda havia muito que precisava ser feito.

FIM.

Continua em:

VITÓRIA é passageira, mas a derrota é ETERNA. A guerra entre Céu e inferno chega à Aaron, metade humano e metade anjo, que comanda os Caídos em sua busca de proteger a humanidade. Mas a força do mal ganha forças em cada turno. E escondidos em algum lugar nas sombras está o instrumento do Arcanjo Gabriel com o poder de invocar o Fim dos Dias ... Aaron ganha a confiança da garota que ele ama enquanto se esforça para fazer as pazes com o seu legado como o filho de Lúcifer. Estes são tempos de desespero, e Aaron sabe que Os Caídos precisam forjar novas alianças improváveis para sobreviver. Com o destino do mundo na balança, Aaron vai parar por nada para defender a civilização e a garota que tem o seu coração. Mesmo que isso signifique enfrentar os demônios mais sombrios do inferno.

Tradutores

Dayane Kelli Juju Lily Lud

Revisores Lud, Leidy
Thomas E. Sniegoski - The Fallen 2.5 - Reckoning

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