AULA HISTORIA da GRAVURA 64pg

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Universidade Federal do Rio Grande do Sul INSTITUTO DE ARTES NÚCLEO DE ARTE IMPRESSA Prof.ª Dr.ª Helena Kanaan

GRAVURA História e Técnica

A gravura nasce na pré-história, no sentido de incisão, de ranhura, de produzir sulcos.   O gesto está lá, gravado na pedra, na parede da caverna,

marcando o homem como indivíduo, marca presença, desejo de comunicação.   Dos petróglifos até a placa da Nasa, a ação de gravar

acompanha o homem, numa mesma intenção de registro da espécie. Rastros.

Jornada evolutiva   A escrita

  O papel

  A imprensa

A escrita A primeira ‘escrita’ surge no ano 3300 a.C., criada pelos Sumérios no barro da Mesopotâmia.

Mas os ideogramas chineses de 5 milênios a. C. já eram um bom exemplo de palavra imagem

Entre a figuração e a escrita

O papel A escrita sempre precisou de um suporte adequado.

Estes foram se sucedendo ao longo do tempo.

A pedra, a argila, o papiro, a placa de cera, a madeira.

Devemos aos egípicios, a invenção do PAPIRO. O termo designa tanto o vegetal quanto ‘o suporte’, macio e maleável, obtioa das películas membranosas do caule da planta.

O PERGAMINHO (pele de animal raspada), já era conhecido pelos egípicios (300 mil a.C.), mas os fabricantes de Pérgamo aproveitaram a escasses do papiro e aceleraram a produção ganhando espaço.

Tal como é conhecido hoje, o papel remonta à China do século II d.C. Sua invenção foi anunciada ao imperador Ho Ti, pelo oficial da corte T’sai Lun (Cai Lun) no ano 105.

  Os árabes aprenderam os segredos do papel, em

meados do século VIII, após conquistarem regiões onde se dava sua fabricação.   Levaram-no para europa, onde os moinhos começaram

a funcionar no século XII, na espanha muçulmana (Xátiva, 1100). Alguns anos depois (1276), chega à Itália, na cidade de Fabriano, onde até hoje se fabricam papéis de alta qualidade.   No Brasil temos a primeira fábrica de papel no século

XIX (1809, 1810) no Rio de Janeiro.

A imprensa A cidade de Mainz, Alemanha, foi o epicentro da revolução iniciada com o processo de impressão com tipos móveis (1455) criados por Johannes Gutemberg.

  Liga metálica: chumbo, estanho e antimonio foram

testados na quantidade precisa para gerar o resultado a alcançar a finalidade de letra.   Molde: criação de um molde com duas peças em forma

de “L”.   Rama, página: formato da escrita para se adequar ao

espaço da folha de papel.   Tinta de impressão para os tipos: (óleo de linhaça)

adequação às tintas existentes que contemplavam a tinta de impressão para madeira.

O papel, o alfabeto, a letra gótica, a tinta, a prensa e a encadernação são todos convocados, surgindo aí a Bíblia Latina de 42 linhas, sendo 135 impressas em Fabriano e 45 em velino.

Essas



GRAVURA Matriz: Transferência, múltiplos

O fazer da gravura, procedimento híbrido por excelência, têm início na criação sobre uma matriz com desenho, marca ou memoria, realizada por sulcos, reações químicas ou dados virtuais que, posteriormente, serão transferidos para outro suporte tornando-se Arte Impressa.

XILOGRAVURA

RELEVO

800d.C.

CALCOGRAVURA sulcos 1400d.C. LITOGRAFIA

planográfica, reação química 1798d.C.

SERIGRAFIA planográfica, vazados 1918d.C.

XILOGRAVURA

(relevo)

  Matriz: madeira /xylon graphos   Com ferramentas cortantes, as goivas, parte da

madeira é retirada. O relevo restante define a letra ou imagem que receberá tinta por um rolo.

Como procedimento de gravura, a xilo nasce na China, onde já existia o papel e a tinta, com intuito de divulgar a mensagem de Buda.

A primeira imagem datada, impressa a partir de uma madeira talhada, foi o Sutra de Diamante no ano 868.

Em 1418, a técnica da xilogravura foi introduzida na Europa através da espanha islâmica, utilizada principalmente para a impressão de cartas de baralho, ilustrações para livros e documentos religiosos. A chegada das coloridas gravuras japonesas à Europa, revolucionou a técnica da xilogravura que, por sua vez, exerceu grande influência sobre as artes do século 19.

É um modo direto de gravar, pois não exige nada mais que a matriz de madeira, a faca de corte e a mão do artista. Ela pode ser à fibra e a contra fibra.

  Linóleo - o linóleo não tem fibras e veios, o que

possibilita seu talhamento em todas as direções com igual facilidade. Ele é mais econômico, sua flexibilidade faz com que ele seja mais frágil. Um bloco de linóleo não possibilita altas tiragens e não é prático para imagens de grandes dimensões.

  No Brasil temos como um dos primeiros xilogravadores o

artista Oswald Goeldi (1895-1961), o qual contribuiu para uma imagética voltada ao suburbano carioca, por volta de 1930.

Oswaldo Goeldi. Chuva. 1957.

GRUPO DE GRAVURA DE BAGÉ

1950

Defendiam a popularização da arte com temas sociais e regionais, num estilo figurativo realista com tendência expressionista. Trabalhavam em grupo, muitas vezes isolados em fazendas e arredores da cidade de Bagé, evidenciando a vida do gaúcho e trabalhos rurais. Danúbio Gonçalves, Glênio Bianchetti, Carlos Scliar e Glauco Rodrigues

CALCOGRAVURA

(sulcos)

A calcogravura é feita por sulcos em uma placa de cobre. (latão, alumínio, acrílico) Ao contrário da xilo, é nos sulcos que se deposita a tinta que será depois devolvida ao papel, criando a imagem impressa. Tem seu apogeu no Renascimento.

Há dois modos de gravação. Os diretos:   Buril e ponta seca

E os indiretos que utilizam ácidos para corroer a placa:   Água forte, água tinta, maneira negra, carburundun,

verniz mole, açúcar.

Ponta seca

Água -forte

  O holandês Rembrandt

Van Rijin (1606-1669)

A gravura dos cem florins, 1649.

  O veneziano Giovanni

Battista Piranesi (1728-1778)

O Coliseu, 1758.

  O espanhol Francisco

de Goya (1746-1828)

Correndo de medo, 1864.

randt Van Rijin, 1649



Francisco de Goya, 1864

Giovanni Battista Piranesi, 1758

LITOGRAFIA planográfica, reação química

A litografia (lithos, "pedra" e graphein, “grafar") é descoberta no final do século XVIII, 1798, por Aloys Senefelder (1771-1834). Trata-se de um método de impressão a partir de imagem desenhada na superfície de uma pedra calcária, conhecida como "pedra litográfica". Após a imagem feita com materiais gordurosos, (lápis, tusche, bastão e pasta), a pedra é tratada com soluções químicas, ácidos e goma arábica que fixam as áreas oleosas do desenho sobre a superfície.



No Brasil, vinte anos após a descoberta, em 1818, com a imprensa oficial que chegou ao Rio de Janeiro, veio uma pequena' caixa de Senefelder' para o imperador D. Pedro I fazer seus ensaios particulares.



No Rio Grande do Sul, a litografia do Comércio, de Pomatelli & Cia., é a primeira a se estabelecer em Porto Alegre, no ano de 1849.



Uma das litografias mais famosas do Brasil e do Rio Grande do Sul, foi a Litografia Weingärtner, que começou a funcionar em 1885.



A atividade das oficinas litográficas não se restringia à capital gaúcha. Em Pelotas, duas oficinas desempenharam importantes papéis: a Litografia Ulrich e a Parisiense, responsável pelas ilustrações do semanário crítico e humorístico A Ventarola, (1887/1890). Em Rio Grande, a Litografia de Alberto Moutinho responsável pelo semanário crítico e humorístico.

  O processo químico sobre a pedra matriz se dá

pela repulsão entre água e gordura e, no momento da impressão deve-se trabalhar com a pedra sempre úmida.

  Há variações no modo de criar a imagem sobre

a pedra que vai desde o desenho direto com lápis, com pincel e tusche, transferência por xerox, maneira negra, salpicado, bloqueios com goma e a litogravura. Esta se assemelha ao fazer de uma ponta seca em metal.

Francisco de Goya (1746-1828) emprega a litografia no período final de sua vida quando realiza, entre outros, a série Touros em Bordéus. Thédore Géricault (1791-1824), Eugène Delacroix (1798-1863) e Honoré Daumier (1808-1879) são outros exímios na técnica. A litografia em cores mobiliza o interesse de artistas franceses como Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901), Pierre Bonnard (1867-1947) e Édouard Vuillard (1868-1940), influenciados de perto pelo sucesso das xilogravuras japonesas. M.C. Escher, artista holandês, deixou um legado de imagens xilografadas e litografadas com arquiteturas impossíveis e mundos imaginários

ESCHER, 1898-1972

SERIGRAFIA

planográfica, permeação

  A palavra Serigrafia vem de sericum que em latim

significa seda, e graphus, que em grego significa gravar, desenhar, escrever.   A serigrafia é o modo de impressão por ‘molde vazado’.

Alguns estudos sobre os antigos povos das ilhas Fidji mostram que seus habitantes perfuravam folhas de bananeira e pelas aberturas aplicavam tintas vegetais decorando seus utensílios.

  Os egípcios já utilizavam a técnica de molde vazado na

decoração de interiores, centenas de anos a.C.

No final do século XIX surge na França o POCHOIR, hoje conhecido como molde vazado. Foi aprimorado e patenteado na Inglaterra por Samuel Simon em 1907 utilizando uma trama de tecido de seda.

  Difundida pelos Norte Americanos durante a Segunda

Guerra Mundial, a serigrafia torna-se conhecida como SILK-SCREEN ou “tela de seda”.

Modos de gravar a tela: mesa de luz, lay out ou arte final:   Matriz Fotográfica (emulsão sensibilizada e luz)

Diretos:   Matriz com Filme de Corte   Matriz de Papel   Goma Laca e Crayon

a imagem não precisar ser 'espelhada' a tinta atravessa a matriz diferentemente das outras em que a tinta é 'roubada' da matriz.

   

POP ART: Roy Linchtenstein, Andy Warhol, Claes Oldenburg.

BRASIL: Dionísio Del Santo, Cláudio Tozzi, Luiz Barth.



Convenções, nomenclaturas



A definição de uma GRAVURA ORIGINAL foi convencionada no III Congresso Internacional de Artistas em Viena,1960. Pela Association Internationalle des Arts Plastiques, filiada a UNESCO em 1963 depois de conferências que reuniram gravadores, editores, donos de galerias e representantes de instituições oficiais e pelo Print Council of America, que edita e organiza exposições:



Cada gravura, para ser considerada um original tem que ter não somente a assinatura do artista, como também uma indicação da edição total e do número da gravura na série. O artista pode também indicar que ele mesmo foi o impressor.



Uma vez feita a edição é desejável que a matriz original, pedra, bloco de madeira seja anulada ou que leve uma marca especial indicando que a edição foi completada a fim de que haja uma garantia contra edições paralelas.



Numeração: numerador indica o exemplar o denominador indica a tiragem total 1/50, 2/50, 3/50...50/50.



prova BPI (Boa para Imprimir) BAT (Bom a tirer) GTP (Good to print). P.A. Prova do Artista, P.E. Prova de Estado, P.C. Prova de Cor, P.I. Prova do Impressor, I.M.P. impresso pelo próprio artista, H.C. Hors Commerce.

  BEUTTENMULLER, Alberto. A gravura brasileira:

história e critica. São Paulo: Banespa Cultural, 1990.   CHAMBERLAIN, Walter. Manual de grabado en Madera

y técnicas afines. Madrid : H. Blume, 1988.   DA SILVA, Orlando. A arte maior da gravura. São

Paulo : ESPADE, 1976.   DAWSON, John. Guía completo de grabado e impresión:

técnicas y materiales. Madrid : HB, 1989.   KANAAN, Helena (org). Manual de Gravura. Pelotas .

EDUFPel, 2004.
AULA HISTORIA da GRAVURA 64pg

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